Mês: Setembro 2026

ASFALTO JÁ! Pela pavimentação da estrada Condeúba – Distrito de Alegre – Mortugaba

Diretores da PF apoiam Andrei Rodrigues e colocam cargos à disposição

Diretor-geral foi afastado preventivamente por André Mendonça

Agência BrasilBrasília (DF), 22/02/2024, Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência BrasilFoto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nesta terça-feira (8) uma carta manifestando “total apoio” ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que foi afastado preventivamente do cargo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Na carta, os diretores expressam apoio também ao diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, que também foi afastado. Eles colocaram o cargo à disposição do diretor interino da PF, William Marcel Murad. 

“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável”, diz o texto. 

Andrei foi afastado por Mendonça na manhã desta terça. Segundo a decisão, o diretor-geral da PF teve participação no monitoramento ilegal do ministro durante o mês de agosto, quando ao menos seis relatórios internos foram produzidos. 

O texto assinado pelos diretores da PF continua afirmando que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”. 

A nota fala ainda de “ataques” à PF e “usurpação de funções”, completando ser do interesse público que os diretores defendam uma instituição capaz de assegurar o Estado Democrático de Direito.

“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto”, conclui o texto. 

A decisão monocrática que afastou Andrei chegou a ser colocada em julgamento na Segunda Turma do STF, que formou maioria de três entre cinco ministros para confirmar a medida. O desfecho da análise foi adiado por um pedido de vista (mais tempo de análise) feito pelo ministro Gilmar Mendes. 

Além de Mendes e Mendonça, compõem a turma os ministros Luiz Fux e Nunes Marques, que votaram a favor do afastamento, e Dias Toffoli, que ainda não se posicionou. 

 Vejam o que esse homem fez!

Uma mulher de 22 anos ficou ferida após ser atacada a golpes de facão. No momento da agressão, a vítima estava com a filha de apenas 3 anos no colo. Segundo as informações divulgadas, o suspeito é um vizinho, identificado como Genivaldo José dos Santos, conhecido como “Val”, de 37 anos.

A jovem sofreu um corte profundo no braço direito e foi socorrida para o Hospital Arlete Maron, em Ibicaraí, Sul da Bahia, onde o fato aconteceu. Ela recebeu atendimento médico. Não há informação de que a criança tenha sido atingida.

Após o ataque, moradores ficaram revoltados e agrediram o suspeito antes da chegada da polícia. Uma guarnição da 63ª CIPM esteve no local e efetuou a prisão em flagrante. Conforme as informações da ocorrência, o homem ainda teria oferecido resistência durante a abordagem.

Os policiais apreenderam o facão apontado como utilizado no ataque, além de um canivete. O suspeito foi detido e o caso deverá ser investigado para esclarecer a motivação e todas as circunstâncias da agressão.

MP investiga denúncia de irregularidades e excessos cometidos por policiais civis

MP investiga denúncia de irregularidades e excessos cometidos por policiais civis em Guanambi

A 3ª Promotoria de Justiça de Guanambi instaurou um procedimento administrativo para investigar uma denúncia de possíveis irregularidades e excessos que teriam sido praticados por policiais civis no âmbito da Delegacia de Polícia do município. Segundo o documento publicado na sexta-feira (04), a apuração busca esclarecer as circunstâncias do relato encaminhado ao Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e verificar se houve desvio de conduta por parte dos agentes públicos envolvidos.

A investigação foi oficializada por meio da Portaria 36/2026, registrada sob o número IDEA 692.9.531474/2025, e formalizada em 2 de setembro de 2026 pelo promotor de Justiça Francisco de Freitas Júnior. O procedimento, que aponta como envolvidos uma policial civil e a própria Delegacia de Polícia de Guanambi, acompanhará o desdobramento dos fatos para garantir a apuração rigorosa das condutas e a responsabilização dos envolvidos, caso fiquem comprovados os excessos.

Mulher foi agredida em Iuiu e outra teve bens queimados por ciúmes em Sebastião Laranjeiras

Mulher é agredida em Iuiu e outra tem bens queimados por ciúmes em Sebastião Laranjeiras

Dois casos graves de violência doméstica previstos na Lei Maria da Penha foram registrados pelo 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM) entre a noite de domingo (06) e a madrugada desta segunda-feira (07) nos municípios de Iuiu e Sebastião Laranjeiras. Em ambas as ocorrências, os agressores fugiram antes da chegada das guarnições.

O primeiro episódio ocorreu por volta das 22h20 de domingo (06), na Rua das Flores, no Distrito de Pindorama, zona rural de Iuiu. Uma jovem de 24 anos relatou aos policiais que foi agredida fisicamente pelo companheiro, de 29 anos, com tapas na cabeça e arrastões pelos cabelos em plena via pública. A vítima sofria ameaças de morte constantes e ficou com lesões pelo corpo. Ao perceber a aproximação da viatura, o homem fugiu. A jovem foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Iuiu. A PM fez buscas na região, mas o suspeito não foi localizado.

Horas depois, às 03h52 desta segunda-feira (07), a PM atendeu ao segundo caso, desta vez na Rua das Oliveiras, no Centro de Sebastião Laranjeiras. Uma mulher de 25 anos informou que o companheiro, de 21 anos, ateou fogo em seus pertences pessoais e destruiu móveis e utensílios da residência após uma discussão motivada por ciúmes. A guarnição constatou a destruição no imóvel, realizou rondas nas imediações, mas o autor do vandalismo e das agressões não foi encontrado.

Em ambos os casos, as vítimas receberam orientações dos policiais militares para comparecer às Delegacias Territoriais de suas respectivas cidades para formalizar as denúncias e requerer medidas protetivas de urgência.

Grito dos Excluídos tem atos em defesa por moradia e contra violência

Protestos ocorreram em mais de 50 cidades

Agência BrasilSão Paulo (SP), 07/09/2026. - Pessoas participam do ato 32ª Edição do Grito dos Excluídos. Foto: Paulo Pinto/Agencia BrasilFoto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (7) a 32ª edição do Grito dos Excluídos. Houve marchas e atos em mais de 50 cidades, em todas as regiões do país, segundo os organizadores.

Faixas, bandeiras e gritos de guerra ajudaram a expor o lema da edição, “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”

Os manifestantes reivindicaram moradia digna; reforma agrária; educação pública de qualidade; defesa do Sistema Único de Saúde (SUS); enfrentamento do feminicídio e de todas as formas de violência contra as mulheres e o combate ao racismo e à LGBTfobia, além do fim da escala de trabalho 6×1.

São Paulo

Na capital paulista, os manifestantes percorreram as ruas do centro e terminou com uma missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. Antes da caminhada, foi realizado um café da manhã comunitário.

Para a ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, uma das organizadoras do ato, defende que a liberdade será plena quando não houver mais pessoas em situação de rua no país.

São Paulo (SP), 07/09/2026. - Pessoas participam do ato 32ª Edição do Grito dos Excluídos. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 07/09/2026 – Ato do 32º Grito dos Excluídos na capital paulista. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
“A gente faz uso desse dia para dizer: Olha, não temos liberdade ainda, temos que avançar muito para ser um país, uma sociedade em liberdade”, afirmou à Agência Brasil.

O coordenador do cursinho Educafro, Frei David Santos, pediu a defesa da democracia para que não haja interferência econômica nas eleições. “É importante estarmos juntos, hoje, pela Democracia”, disse.

Deuza Cordeiro de Lima foi à manifestação para protestar contra a violência policial. O filho dela, Thiago, foi assassinado em janeiro de 2023, na região central da capital. “Vim como em outros anos denunciar a violência. Meu filho foi morto pela polícia, e seus assassinos estão livres. Ele era inocente, mais um de tantos, e não vou ficar quieta”, disse.

Célia Souza e amigos participaram do ato e defenderam moradia digna para todos.

Eu vim hoje pela luta. Por moradia, que é algo cuja importância é a mais básica, da qual não podemos abrir mão”, disse Célia Souza.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o ato cruzou a Avenida Presidente Vargas, uma das principais do centro da cidade, e teve início após o Desfile de Sete de Setembro

Um dos diferenciais do ato foi um grupo de ativistas que levou o teatro para a manifestação. No meio da marcha, eles encenavam esquetes com defesa à soberania nacional e à democracia. A ação foi conduzida pela Escola de Teatro Popular, que se identifica como um movimento de teatro político e educação popular.

Um dos coordenadores do grupo é o pesquisador teatral e dramaturgo Julian Boal, filho de Augusto Boal (1931-2009), fundador do Teatro do Oprimido, metodologia teatral criada com a ideia central de transformar o espectador em participante ativo, capaz de discutir e ensaiar formas de enfrentar situações de opressão na vida real.

Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Integrantes de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, manifestação no Dia da Independência, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro, 07/09/2026 – Grupo leva teatro para Grito dos Excluídos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Julian Boal explicou que a presença no Grito dos Excluídos foi uma forma de levar mais pessoas à manifestação. Ele contou que a encenação retratou que a participação democrática não se encerra com as eleições.

“O que a nossa cena tentou fazer é recolocar a questão de qual é o peso das instituições. Tentar discutir que dentro das instituições a gente pode fazer muita coisa, mas que o nosso todo é muito maior do que aquelas eleições podem colocar”, completou.

Um dos gritos mais exaltados foi a defesa da moradia. O coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, Ricardo Pitta, acredita que somente por meio de mobilização popular, os segmentos “mais vulneráveis e invisibilizados” da sociedade vão conseguir reverter as injustiças que sofrem.

À Agência Brasil, ele lamentou o fato de as demandas ficarem “subordinadas ao calendário eleitoral”.

“Todo ano os moradores estão sofrendo, ameaçados de despejo, muitos deles, inclusive, em imóveis públicos que, em vez de estarem cumprindo sua função social, como prevê a Constituição, estão sendo ameaçados de serem leiloados para atender aos interesses da especulação imobiliária”, criticou o coordenador do movimento que mantém quatro ocupações na cidade.

O percurso dos manifestantes foi acompanhado de críticas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Outro tem foi a defesa do fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara dos Deputados e que ainda precisa ser votada no Senado, o que deve ocorrer após as eleições. Outra ala do protesto reuniu fotos de vítimas da Ditadura Militar (1964-1985) e cobrava vigilância democrática para que o Brasil não vivencie mais períodos de autoritarismo. Um globo cenográfico de cerca de três metros de altura retratou a preocupação com o meio ambiente.

Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Integrantes de movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, manifestação no Dia da Independência, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2026 – Movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
No meio do ato, um grupo de cerca de 15 pessoas se aproximou de participantes do Grito dos Excluídos e tentou hostilizá-los com gritos. Policiais militares que acompanhavam o trajeto intervieram, e o grupo se afastou, sem registro de confusão. 

Brasília

Integrantes do Núcleo de Ecologia Integral de Brasília também aproveitaram o ato para manifestar a preocupação com a crise ecológica e suas dimensões políticas, destacando que o tema é uma questão de justiça social, responsabilidade política e compromisso com a vida.

“O planeta está sendo destruído e se não mudarmos a política ecológica, a forma como estamos tratando nossa casa comum, usando os recursos naturais da forma como estamos gastando, logo não teremos mais onde habitar”, disse à Agência Brasil a economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo.

Brasília (DF), 07/09/2026 - Pessoas participam do ato O Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 07/09/2026 – Grito dos Excluídos em Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Durante o ato, o núcleo apresentou uma carta de compromisso com a ecologia integral que pretende integrar a candidatos do campo progressista que disputam cargos no Executivo e no Legislativo nas eleições deste ano.

Fruto de um seminário que reuniu vários membros do grupo, o documento está estruturado em quatro eixos temáticos: políticas agrícolas e fundiária; políticas urbana e resíduos no DF e Entorno; Justiça Climática e Proteção às Vítimas e propostas sobre uma das mais importantes nascentes da região, a da Estação Ecológica de Águas Emendadas, que alimenta duas importantes bacias hidrográficas: a do Tocantins-Araguaia e do Paraná.

“Passadas as eleições, entregaremos uma cópia a todos os eleitos, independentemente do campo ideológico, pois eles terão as mesmas obrigações com o meio ambiente”, acrescentou a engenheira florestal Ana Clara Botafogo, filha de Maria do Carmo.

Para a professora universitária Altaci Kokama, ao longo de suas 32 edições, o Grito dos Excluídos se consolidou como um momento durante o qual os que estão à margem da sociedade “têm voz e vez para apresentar suas demandas, suas reivindicações”.

Brasília (DF), 07/09/2026 - Altaci Kokama, professora universitaria, participa do ato O Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF), 07/09/2026 – Professora Altaci Kokama participa do Grito dos Excluídos. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
“Os excluídos são aqueles que não têm casas, moradia, trabalho, alimento, os que estão buscando justiça”, destacou, reconhecendo o desafio de mobilização.

“Quem tem mais dinheiro para financiar suas ações consegue mobilizar mais pessoas. Para trazer os excluídos, por exemplo, muitas vezes é preciso ajudar com transporte, comida, e nós não temos toda a estrutura necessária. Muitos têm vontade de participar, mas não têm condições”, acrescentou, ressaltando o trabalho constante de debates junto às comunidades.

A Unimontes perdeu o bonde da História?

 

Professor Levon Nascimento

Em 2026, completam-se cem anos da passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas Gerais. Entre 19 e 29 de abril de 1926, os revoltosos atravessaram o Alto Rio Pardo, percorrendo áreas dos municípios de Rio Pardo de Minas, Salinas e São João do Paraíso e passando por localidades como Taiobeiras e Serra Nova. Foi nessa região que realizaram a célebre manobra do Laço Húngaro. Não se trata de um episódio periférico. A marcha revelou as contradições entre o Brasil oficial e o sertão, enfrentou a ordem oligárquica da Primeira República e inscreveu o Norte de Minas em um dos acontecimentos políticos e militares mais importantes do século XX brasileiro.

As celebrações mineiras demonstraram a vitalidade dessa memória. O livro A Coluna Prestes nos Gerais de Minas, publicado pela Paco Editorial e organizado por mim, reuniu pesquisadores, professores e escritores, entre eles pelo menos três autores de Montes Claros. Por iniciativa do deputado estadual Leleco Pimentel, do PT, a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou uma audiência pública sobre a relevância histórica, política e cultural da Coluna, juntamente com o lançamento institucional da obra. A atividade produziu homenagens legislativas, reportagens da TV Assembleia e repercussão na imprensa estadual. Luiz Carlos Prestes Filho participou da audiência na ALMG, do lançamento regional e das atividades educativas em Taiobeiras e, posteriormente, refez parte do percurso histórico em Serra Nova, no município de Rio Pardo de Minas.

A mobilização não terminou nos atos da Assembleia. Em Taiobeiras, houve lançamento regional, encontro com estudantes, entrega da Medalha Luiz Carlos Prestes e apresentação do projeto de construção de um monumento dedicado à Coluna. Em Salinas, realizou-se outra cerimônia de reconhecimento da memória regional. Em Rio Pardo de Minas e no Parque Estadual de Serra Nova e Talhado, discutiu-se a criação de uma trilha histórica relacionada ao percurso dos revoltosos e à manobra do Laço Húngaro. Livros, solenidades, atividades escolares, projetos turísticos, homenagens públicas, reportagens e visitas aos lugares de memória fizeram do centenário uma experiência regional concreta.

Diante de tudo isso, causa perplexidade o silêncio da Universidade Estadual de Montes Claros. O projeto do livro foi divulgado durante mais de um ano, a obra contou com autores montes-clarenses e seu organizador é egresso da própria Unimontes, onde se graduou em Ciências Sociais. Ainda assim, até o início de setembro, não houve convite para uma roda de conversa, apresentação da obra em Montes Claros, seminário, mesa acadêmica ou manifestação institucional conhecida sobre o centenário. Não faltaram tema, pesquisa, protagonistas ou tempo para planejamento. Faltou interesse. E o silêncio não foi apenas da Universidade: as forças progressistas, intelectuais e culturais de Montes Claros, que deveriam estar especialmente atentas à preservação da memória democrática e popular, também ignoraram solenemente a efeméride e as iniciativas desenvolvidas no Alto Rio Pardo.

A omissão provoca uma pergunta inevitável: qual é o papel efetivo da Unimontes na pesquisa, na preservação e na divulgação da História do Norte de Minas? Uma universidade regional não se define apenas pelo lugar onde está instalada, mas pela capacidade de enxergar, pesquisar e interpretar o território que justifica sua existência. O Alto Rio Pardo integra sua área de abrangência e corresponde, historicamente, a grande parte do antigo município de Rio Pardo, uma das primeiras áreas de ocupação colonial do Norte de Minas, cuja formação remonta ao final do século XVII. Foi justamente nesse território antigo, vasto e historicamente decisivo, incluindo áreas de Salinas e São João do Paraíso, que a Coluna Prestes atravessou o estado.

A impressão deixada é a de que o Alto Rio Pardo continua sendo percebido a partir de Montes Claros como uma margem distante, lembrada eventualmente nos mapas de abrangência, mas pouco reconhecida como espaço produtor de história, memória e conhecimento. O contraste com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia é constrangedor. Em Vitória da Conquista, cidade que desempenha papel regional semelhante ao de Montes Claros, a UESB organizou uma roda de conversa sobre “A Coluna Prestes nos Sertões Baianos”, envolvendo o Curso e o Departamento de História, o ProfHistória e grupos de pesquisa, com a presença de Luiz Carlos Prestes Filho. Em Condeúba, território baiano imediatamente ligado ao percurso que alcançaria o Norte de Minas, foram programadas atividades escolares, rodas de conversa, feira de economia criativa, apresentações artísticas e uma mesa específica sobre a passagem da Coluna por Condeúba e pelo Norte de Minas.

Parece, infelizmente, que a Unimontes não se interessou em tomar o bonde da História do Norte de Minas. E as forças críticas, progressistas e culturais de Montes Claros também não perceberam que o trem estava passando, talvez porque continuem olhando o Norte de Minas apenas a partir do centro urbano montes-clarense. Ainda há tempo para romper esse silêncio, abrir as portas, dialogar com pesquisadores e comunidades e reconhecer o Alto Rio Pardo como parte viva da história regional. Mas isso exigirá mais que uma homenagem tardia. Exigirá que a Unimontes e os setores que se apresentam como defensores da cultura e da memória popular se perguntem se pretendem apenas falar em nome do Norte de Minas ou assumir, de fato, a responsabilidade de conhecer, interpretar e valorizar todos os seus territórios.

Filha de vereador de Candiba morreu após ser internada em Guanambi

Júlia Caroline
Júlia Caroline Teixeira Bomfim – Foto: Reprodução redes sociais
A cidade de CandibaBahia, amanheceu de luto neste domingo (6) com a confirmação da morte de Júlia Caroline Teixeira Bomfim, filha do ex-vice-prefeito e atual vereador do município, Jurandy Pereira Bomfim.

Júlia foi socorrida e encaminhada ao Hospital Geral de Guanambi (HGG) no último sábado (5). Ela permaneceu internada sob cuidados médicos, mas não resistiu e teve a morte confirmada na manhã deste domingo.

A notícia causou grande comoção entre moradores de Candiba e de municípios da região. Nas redes sociais, amigos, familiares, moradores e lideranças políticas manifestaram pesar pela perda e prestaram solidariedade aos familiares, desejando força e conforto neste momento de dor.

Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre a causa da morte. Também ainda não há informações sobre o horário e o local do velório e do sepultamento.