Categoria: Calor

Estudo prevê até 13,3 mil mortes no Brasil com calor do Super El Niño

Fenômeno climático pode causar mais de 450 mil vítimas no mundo

Agência BrasilBrasília, DF 30/08/2026 - Brasília enfrenta onda de calor, tendo o dia mais quente do ano. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilFoto: Agência Brasil

O calor extremo causado pelo Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23).

O país deve ser o mais afetado na América Latina pelo fenômeno, caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico.

Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

Ao todo, são esperadas, até fevereiro de 2027, 451 mil mortes no planeta com a ocorrência mais intensa do El Niño nos últimos anos.

“Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte”, afirma Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor na Universidade de Chicago.

“Esse número (…) inclui pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, complementou o cientista norte-americano, ao alertar sobre a mortalidade.

Pela projeção dos cientistas, por causa do Super El Niño, que começou em junho de 2026, os dias extremamente quentes devem quase dobrar até fevereiro de 2027, ficando pelo menos 1,2 grau Celsius (ºC) acima do normal, em comparação com anos anteriores, o que pode se intensificar no verão.

Sul global será mais afetado

Segundo o relatório, as regiões que tendem a ser as mais afetadas pelo Super El Niño estão concentradas no Sul global.

O Brasil está entre os cinco países com maior número estimado de mortes, na quinta posição do ranking, segundo o relatório. O período mais crítico no país deve ser o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O levantamento chama atenção para estimativas mais altas de mortalidade no Norte e Nordeste, com destaque para o Pará, com a morte estimada de 2,3 mil pessoas, Maranhão, com mais 1,3 mil, além de Amazonas e Bahia, com 1,2 mil cada.

O país se prepara com a instalação de bases do Ministério da Saúde, chamadas de Força Nacional do Sistema Único de Saúde, que contam com equipamentos e pessoal para atuar durante emergências e desastres.

Rio de Janeiro (RJ), 26/12/2025 – Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Na lista dos países em situação mais crítica, o Brasil é antecedido por Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria.

No continente americano, o país mais próximo do Brasil são os Estados Unidos, com 3,5 mil mortes a mais do que em um ano normal. Venezuela, com 2,3 mil mortes adicionais, e Colômbia, com 2,2 mil, também se destacam.

No continente africano, o relatório projeta 67 mil mortes, sendo a maior parte de vidas a serem perdidas no Sahel, região de transição entre o Saara, ao norte, e as savanas, ao sul.

Quase metade dessa estimativa de vítimas deve se concentrar na Nigéria. O país sofrerá com 31,4 mil mortes, à frente do Sudão, que enfrentará 17,5 mil mortes adicionais por calor, do Níger, 10 mil, e do Chade, 8 mil.

No sudeste asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem chegar a 19,4 mil mortes acima do normal. E, na Índia, mais 15,8 mil.

Amostra do futuro

Os números estimados podem aumentar ainda mais caso o El Niño se prolongue, analisam os pesquisadores. Eles afirmam que o fenômeno é uma amostra das temperaturas que serão mais comuns daqui para frente, uma espécie de “cartão-postal do futuro”, do que o planeta se tornará com o avanço das mudanças climáticas.

Para diminuir a mortalidade, os especialistas recomendam esforços humanitários multilaterais em ações comprovadamente eficazes, como alertas de calor, instalação de centros de resfriamento e pontos de hidratação, além de proteção da população mais vulnerável e trabalhadores. As medidas devem ser iniciadas desde já.

“Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano. Mas, daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, disse Tamma Carleton, coautora do relatório.

Chefe de pesquisa do Laboratório de Impacto Climático e professora assistente da Universidade da Califórnia, Berkeley, ela alerta: “Precisamos mobilizar recursos agora para projetar, implementar e avaliar as ferramentas de preparação e planejamento que salvarão vidas nos próximos anos.”

Para calcular os números de mortos, os pesquisadores utilizaram estudos anteriores que relacionaram temperatura e mortalidade em diferentes regiões, considerando na conta o clima local, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação de cada país e região.

Rio registra a temperatura mais alta do ano 41,4ºC

Termômetros assinalaram 41,4ºC na zona oeste da cidade
Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 26/12/2025 – Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A cidade do Rio de Janeiro registrou a temperatura mais alta dos primeiros dias de janeiro, com os termômetros marcando 41,4ºC em Santa Cruz, na zona oeste, de acordo com o Sistema Alerta Rio.

Para a noite desta segunda-feira (12), a previsão é de céu claro a parcialmente nublado sem chuva. Os ventos estarão predominantemente moderados.

Entre esta terça-feira (13) e a próxima sexta-feira (16), o Sistema Alerta Rio informa que por conta da atuação de áreas de instabilidade, associadas ao calor, a previsão para a cidade é de céu parcialmente nublado a nublado, com pancadas de chuva isoladas na tarde e noite. Os ventos estarão moderados. Para esta terça-feira, a temperatura máxima ficará em torno dos 39ºC e nos dias seguintes até sexta-feira, a máxima ficará entre 36°C e 37ºC.

O Centro de Inteligência em Saúde do Estado do RJ informa que há previsão de excesso de calor em sete dos 92 municípios fluminenses que entraram em nível Laranja – Severo. A capital fluminense entrou na lista, e continua na terça-feira, com estimativa de nível Vermelho – Extremo em Guapimirim, na região metropolitana.

Para enfrentar o calor extremo, a Secretaria de Saúde instalou pontos de hidratação externa nas 27 unidades de Pronto Atendimento (UPA) para a população vulnerável. O Samu 192 reforçou o atendimento com motolâncias e veículos de intervenção rápida em pontos estratégicos da capital fluminense. As unidades de saúde adotaram protocolos específicos de classificação de risco e oferecem sais de hidratação para idosos e crianças.

Onda de calor elevou as temperaturas em Brumado, Guanambi e Macaúbas

Onda de calor elevou as temperaturas em Brumado, Guanambi e Macaúbas Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

A forte onda de calor que atinge o interior da Bahia elevou de forma significativa as temperaturas nas regiões de Brumado, Guanambi e Macaúbas nos últimos dias. Os termômetros marcaram calor intenso, com sensação térmica acima dos 40 °C, e a meteorologia mantém alerta para altas temperaturas e baixa umidade do ar em toda a região.

Em Brumado, o fim de semana foi de calor extremo. O município registrou temperatura máxima de 34 °C, com sensação térmica chegando a 39 °C. Já por volta do meio-dia desta segunda-feira, os termômetros voltaram a marcar 34 °C de temperatura, mas a sensação térmica alcançou 41 °C, intensificando o desconforto da população.

Onda de calor elevou as temperaturas em Brumado, Guanambi e Macaúbas Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

Na região de Guanambi, o cenário não foi diferente. O repórter Rivail Rodrigues, da Cultura FM, relatou que o fim de semana foi considerado um dos mais quentes do ano. De acordo com repórter, a cidade chegou a registrar 37,9 °C. “A sensação térmica é altíssima e a gente nota isso no corpo muito suor, muito abafamento a gente não consegue nem respirar direito de tanto calor e destacar. Eu rodo sempre pelas ruas da cidade e vejo a necessidade de termos mais árvores em nossa cidade aqui. Guanambi, que já teve o título de cidade mais verde do país, agora foi desbancada, porque a gente percebe que a quantidade de árvores vem diminuindo”, disse.

Rivail também destacou que, apesar das previsões indicarem possibilidade de chuva, os volumes devem ser baixos. Segundo ele, o calor intenso tem levado moradores a recorrerem constantemente a ventiladores, banhos frequentes e aumento no consumo de água.

Onda de calor elevou as temperaturas em Brumado, Guanambi e Macaúbas Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

Na Bacia do Paramirim, incluindo o município de Macaúbas, as altas temperaturas também predominam. O repórter João Jesus, da Rádio Macaúbas FM, informou que os termômetros têm superado os 34 °C e 35 °C, com sensação térmica ainda mais elevada. Segundo ele, cidades próximas, como Ibotirama, voltaram a figurar entre as mais quentes do Brasil.

Em Macaúbas, apesar do calor persistente nesta segunda-feira, há expectativa de mudança no tempo.  “A tendência também é que logo vem o período de chuva. As previsões apontam, inclusive, para o dia 30, portanto, amanhã, terça-feira, mas acredito que hoje mesmo pode ser que a chuva já vai cair aqui na nossa região”, contou.

MPF e Defensoria pedem providência urgente para efeitos do calor no RJ

Medidas incluem cuidado com pessoas em situação de rua
Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ) 20/02/2025 – Pessoas se hidratam na região central da cidade durante onda de calor. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminharam ao governo do Rio de Janeiro e à prefeitura da capital fluminense um pedido para que adotem recomendações urgentes de enfrentamento à onda de calor dos últimos dias.

O ofício assinado na noite de sexta-feira (26) trata de “adoção de providências urgentes, coordenadas e intersetoriais de proteção dos grupos vulnerabilizados diante de cenários de calor extremo”.

O documento foi enviado ao governador Cláudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e secretários, como os da pasta da Saúde, tanto na esfera municipal quanto estadual.

O ofício aponta que as elevadas temperaturas configuram cenário de risco à saúde e à integridade física da população, “especialmente dos grupos em maior vulnerabilidade social e clínica”.

Entre os impactos à saúde, os órgãos citam “desidratação, exacerbação de doenças crônicas, insolação, exaustão térmica e, em casos extremos, o golpe de calor (heatstroke), que apresenta elevada taxa de mortalidade”.

MPF e as Defensorias destacam que os efeitos do calor extremo são sentidos de forma desigual, “afetando desproporcionalmente populações historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade social”.

Onda de calor

Desde a tarde da véspera de Natal (24), a cidade do Rio de Janeiro está no estágio 3 de calor, em uma escala que vai até 5. No nível 3, há registro de índices de calor alto (36°C a 40°C), com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias seguidos.

No dia 25, os termômetros marcaram 40,1°C, recorde do mês. Para este sábado (27), a previsão do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura do Rio de Janeiro, é temperatura máxima em 38°C.

No domingo (28) deve chegar a 40°C. Alívio com chuva só a partir de segunda-feira (29), mas ainda com temperatura perto de 40°C.

O calor excessivo tem levado centenas de pessoas às unidades de saúde. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, a rede de urgência registrou média de 450 atendimentos por dia.

Os casos mais comuns possivelmente relacionados ao calor são tontura, fraqueza e desmaios, além de queimaduras solares.

No âmbito estadual, o governo alertou todos os 92 municípios para os perigos do calor excessivo.

O tempo quente dá as caras também em grande parte do Brasil. A explicação está em um bloqueio atmosférico. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para onda de calor que atinge partes das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Grupos vulneráveis

No ofício enviado ao estado e a prefeitura do Rio, o MPF e a Defensoria apontam os seguintes grupos de risco:

  • crianças, especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros;
  • idosos acima de 65 anos;
  • gestantes e lactantes;
  • pessoas de doenças crônicas e com deficiência;
  • trabalhadores ao ar livre e desportistas;
  • indivíduos com restrição de mobilidade e acamados;
  • população em situação de rua.

População de rua

Especificamente sobre população em situação de rua, o comunicado cita que um protocolo municipal reconhece que a condição clínica é agravada pela vulnerabilidade social, uma vez que:

  • estão mais expostas ao calor extremo devido ao menor acesso a ambientes refrigerados e à proteção solar;
  • sujeitas a elevada carga de morbidade por diversas condições clínicas determinadas socialmente;
  • menor acesso a água potável e resfriada, bem como a alimentos adequados.

O MPF, DPU e DPRJ lembram que o próprio protocolo municipal orienta medidas como:

  1. ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção Primária à Saúde;
  2. designação de pontos de resfriamento em locais com ar-condicionado ou refrigeração, com divulgação à população;
  3. ampliação da oferta de estações de hidratação ou distribuição de água nos locais de acolhimento das populações mais vulneráveis;
  4. possibilidade de ampliação dos horários de funcionamento dos locais públicos com ar-condicionado, refrigeração ou áreas sombreadas.

Recomendação e prazo

Entre as recomendações ao estado estão o preparo do Corpo de Bombeiros para o resgate de pessoas e garantia da disponibilidade de leitos e capacidade de atendimento na rede de saúde.

O MPF e as Defensorias cobram que município e estado informem, dentro de 24 horas, medidas concretas deflagradas, com “indicação precisa” de:

  • pontos de resfriamento ativados, com endereços e horários de funcionamento;
  • locais e horários de distribuição de água e hidratação;
  • unidades de saúde atuando como centros de hidratação;
  • fluxos de atendimento e encaminhamento ativados;
  • operações de resgate e atendimento pré-hospitalar realizadas.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria Municipal de Saúde informou que “a prefeitura do Rio foi a primeira e uma das únicas cidades do país a ter um protocolo de proteção para o calor extremo, e obviamente seguirá o protocolo publicado”. 

“A recomendação para todo o estado deve ser avaliada por cada cidade, não cabendo à Secretaria Municipal de Saúde do Rio comentar”, completa a nota. 

Também por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou à Agência Brasil que mesmo antes de receber as recomendações do Ministério Público e da Defensoria Pública “já vem adotando uma série de medidas para o enfrentamento das ondas de calor”.

A pasta cita que, em julho de 2025 criou um Plano de Contingência para enfrentamento ao excesso de calor. “O documento está em atualização e deve ser lançado ainda este ano”, informa.

Entre as ações já adotadas, a secretaria lista: alertas diários enviados às prefeituras; painel para monitoramento de excesso de calor; pontos de hidratação nas 27 unidades de pronto atendimento (UPA) do estado para a população em situação de vulnerabilidade; alerta para que as UPAs garantam manejo clínico adequado dos pacientes; e reforço na comunicação.

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