A cidade do Rio de Janeiro registrou a temperatura mais alta dos primeiros dias de janeiro, com os termômetros marcando 41,4ºC em Santa Cruz, na zona oeste, de acordo com o Sistema Alerta Rio.
Para a noite desta segunda-feira (12), a previsão é de céu claro a parcialmente nublado sem chuva. Os ventos estarão predominantemente moderados.
Entre esta terça-feira (13) e a próxima sexta-feira (16), o Sistema Alerta Rio informa que por conta da atuação de áreas de instabilidade, associadas ao calor, a previsão para a cidade é de céu parcialmente nublado a nublado, com pancadas de chuva isoladas na tarde e noite. Os ventos estarão moderados. Para esta terça-feira, a temperatura máxima ficará em torno dos 39ºC e nos dias seguintes até sexta-feira, a máxima ficará entre 36°C e 37ºC.
O Centro de Inteligência em Saúde do Estado do RJ informa que há previsão de excesso de calor em sete dos 92 municípios fluminenses que entraram em nível Laranja – Severo. A capital fluminense entrou na lista, e continua na terça-feira, com estimativa de nível Vermelho – Extremo em Guapimirim, na região metropolitana.
Para enfrentar o calor extremo, a Secretaria de Saúde instalou pontos de hidratação externa nas 27 unidades de Pronto Atendimento (UPA) para a população vulnerável. O Samu 192 reforçou o atendimento com motolâncias e veículos de intervenção rápida em pontos estratégicos da capital fluminense. As unidades de saúde adotaram protocolos específicos de classificação de risco e oferecem sais de hidratação para idosos e crianças.
A forte onda de calor que atinge o interior da Bahia elevou de forma significativa as temperaturas nas regiões de Brumado, Guanambi e Macaúbas nos últimos dias. Os termômetros marcaram calor intenso, com sensação térmica acima dos 40 °C, e a meteorologia mantém alerta para altas temperaturas e baixa umidade do ar em toda a região.
Em Brumado, o fim de semana foi de calor extremo. O município registrou temperatura máxima de 34 °C, com sensação térmica chegando a 39 °C. Já por volta do meio-dia desta segunda-feira, os termômetros voltaram a marcar 34 °C de temperatura, mas a sensação térmica alcançou 41 °C, intensificando o desconforto da população.
Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste
Na região de Guanambi, o cenário não foi diferente. O repórter Rivail Rodrigues, da Cultura FM, relatou que o fim de semana foi considerado um dos mais quentes do ano. De acordo com repórter, a cidade chegou a registrar 37,9 °C. “A sensação térmica é altíssima e a gente nota isso no corpo muito suor, muito abafamento a gente não consegue nem respirar direito de tanto calor e destacar. Eu rodo sempre pelas ruas da cidade e vejo a necessidade de termos mais árvores em nossa cidade aqui. Guanambi, que já teve o título de cidade mais verde do país, agora foi desbancada, porque a gente percebe que a quantidade de árvores vem diminuindo”, disse.
Rivail também destacou que, apesar das previsões indicarem possibilidade de chuva, os volumes devem ser baixos. Segundo ele, o calor intenso tem levado moradores a recorrerem constantemente a ventiladores, banhos frequentes e aumento no consumo de água.
Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste
Na Bacia do Paramirim, incluindo o município de Macaúbas, as altas temperaturas também predominam. O repórter João Jesus, da Rádio Macaúbas FM, informou que os termômetros têm superado os 34 °C e 35 °C, com sensação térmica ainda mais elevada. Segundo ele, cidades próximas, como Ibotirama, voltaram a figurar entre as mais quentes do Brasil.
Em Macaúbas, apesar do calor persistente nesta segunda-feira, há expectativa de mudança no tempo. “A tendência também é que logo vem o período de chuva. As previsões apontam, inclusive, para o dia 30, portanto, amanhã, terça-feira, mas acredito que hoje mesmo pode ser que a chuva já vai cair aqui na nossa região”, contou.
Medidas incluem cuidado com pessoas em situação de rua
Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminharam ao governo do Rio de Janeiro e à prefeitura da capital fluminense um pedido para que adotem recomendações urgentes de enfrentamento à onda de calor dos últimos dias.
O ofício assinado na noite de sexta-feira (26) trata de “adoção de providências urgentes, coordenadas e intersetoriais de proteção dos grupos vulnerabilizados diante de cenários de calor extremo”.
O documento foi enviado ao governador Cláudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e secretários, como os da pasta da Saúde, tanto na esfera municipal quanto estadual.
O ofício aponta que as elevadas temperaturas configuram cenário de risco à saúde e à integridade física da população, “especialmente dos grupos em maior vulnerabilidade social e clínica”.
Entre os impactos à saúde, os órgãos citam “desidratação, exacerbação de doenças crônicas, insolação, exaustão térmica e, em casos extremos, o golpe de calor (heatstroke), que apresenta elevada taxa de mortalidade”.
MPF e as Defensorias destacam que os efeitos do calor extremo são sentidos de forma desigual, “afetando desproporcionalmente populações historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade social”.
Onda de calor
Desde a tarde da véspera de Natal (24), a cidade do Rio de Janeiro está no estágio 3 de calor, em uma escala que vai até 5. No nível 3, há registro de índices de calor alto (36°C a 40°C), com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias seguidos.
No dia 25, os termômetros marcaram 40,1°C, recorde do mês. Para este sábado (27), a previsão do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura do Rio de Janeiro, é temperatura máxima em 38°C.
No domingo (28) deve chegar a 40°C. Alívio com chuva só a partir de segunda-feira (29), mas ainda com temperatura perto de 40°C.
No ofício enviado ao estado e a prefeitura do Rio, o MPF e a Defensoria apontam os seguintes grupos de risco:
crianças, especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros;
idosos acima de 65 anos;
gestantes e lactantes;
pessoas de doenças crônicas e com deficiência;
trabalhadores ao ar livre e desportistas;
indivíduos com restrição de mobilidade e acamados;
população em situação de rua.
População de rua
Especificamente sobre população em situação de rua, o comunicado cita que um protocolo municipal reconhece que a condição clínica é agravada pela vulnerabilidade social, uma vez que:
estão mais expostas ao calor extremo devido ao menor acesso a ambientes refrigerados e à proteção solar;
sujeitas a elevada carga de morbidade por diversas condições clínicas determinadas socialmente;
menor acesso a água potável e resfriada, bem como a alimentos adequados.
O MPF, DPU e DPRJ lembram que o próprio protocolo municipal orienta medidas como:
ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção Primária à Saúde;
designação de pontos de resfriamento em locais com ar-condicionado ou refrigeração, com divulgação à população;
ampliação da oferta de estações de hidratação ou distribuição de água nos locais de acolhimento das populações mais vulneráveis;
possibilidade de ampliação dos horários de funcionamento dos locais públicos com ar-condicionado, refrigeração ou áreas sombreadas.
Recomendação e prazo
Entre as recomendações ao estado estão o preparo do Corpo de Bombeiros para o resgate de pessoas e garantia da disponibilidade de leitos e capacidade de atendimento na rede de saúde.
O MPF e as Defensorias cobram que município e estado informem, dentro de 24 horas, medidas concretas deflagradas, com “indicação precisa” de:
pontos de resfriamento ativados, com endereços e horários de funcionamento;
locais e horários de distribuição de água e hidratação;
unidades de saúde atuando como centros de hidratação;
fluxos de atendimento e encaminhamento ativados;
operações de resgate e atendimento pré-hospitalar realizadas.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria Municipal de Saúde informou que “a prefeitura do Rio foi a primeira e uma das únicas cidades do país a ter um protocolo de proteção para o calor extremo, e obviamente seguirá o protocolo publicado”.
“A recomendação para todo o estado deve ser avaliada por cada cidade, não cabendo à Secretaria Municipal de Saúde do Rio comentar”, completa a nota.
Também por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou à Agência Brasil que mesmo antes de receber as recomendações do Ministério Público e da Defensoria Pública “já vem adotando uma série de medidas para o enfrentamento das ondas de calor”.
A pasta cita que, em julho de 2025 criou um Plano de Contingência para enfrentamento ao excesso de calor. “O documento está em atualização e deve ser lançado ainda este ano”, informa.
Entre as ações já adotadas, a secretaria lista: alertas diários enviados às prefeituras; painel para monitoramento de excesso de calor; pontos de hidratação nas 27 unidades de pronto atendimento (UPA) do estado para a população em situação de vulnerabilidade; alerta para que as UPAs garantam manejo clínico adequado dos pacientes; e reforço na comunicação.
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