Categoria: Poesia

ELA SÓ OUVIA

ELA SÓ OUVIA
…colagem 2 de Paula Ferreira

Ele dizia baixinho no ouvido:
“Você é uma filha da puta!”
“Você é minha filha da puta!”

Dizia e continuava desde que entrava
Desde de que via ela daquele jeito
Tirava a própria roupa primeiro

Acendia o cigarro, deitava molhado
Cabelo ensebado
Ela sorria gostoso, nunca reclamava

Ele só conversava sobre…
A família, politica, futebol
Pagava bem porque ela ouvia, só ouvia

Luiz Carlos Prestes Filho
Rio de Janeiro, 17.09.2026.

O QUE FICOU

O QUE FICOU
…colagem da Paula Ferreira

Quando ele chegava
Lá estava atrás da porta a escolhida
Com a mesma saia lavada
Com o mesmo perfume
Lá estava o seu desejo-abraço
Beijo carnudo, escancarado

Não fosse ela, não iria mergulhar
Afogar, gritar, pedir para sempre
Para sempre continuar
Com a mesma cor, o mesmo tato
Com a mesma textura dos cabelos
O mesmo sabor no suor

Luiz Carlos Prestes Filho
Rio de Janeiro, 17.09.2026.

Casa de Litro – Paciência e Inventividade

Casa de Litro - Paciência e Inventividade
Casa de Litro – Paciência e Inventividade – Jesuíno Vieira de Lima, de 69 anos

No interior da Bahia, na cidade de Condeúba, o aposentado Jesuíno Vieira de Lima, de 69 anos, transformou a paciência e a inventividade em uma obra arquitetônica singular. Conhecido na região pelo apelido de Negoinho, ele dedicou seis anos da sua vida para erguer com as próprias mãos a sua residência, batizada popularmente como “Casa de Litro”.

A Casa de Litro oficialmente é Casa Aparecida
“ “A ideia de usar garrafas de vidro como matéria-prima principal surgiu de forma despretensiosa, quando o ex-pedreiro decidiu construir uma entrada diferente para a sua propriedade. O projeto inicial se expandiu para toda a estrutura, resultando em uma estimativa de 145 mil garrafas assentadas — uma média de mais de 200 unidades por metro quadrado.”

Durante o período de construção, Jesuíno percorreu diversos municípios baianos como Guajeru, Piripá, Cordeiros e zonas rurais vizinhas para recolher o material. Aproveitando as viagens que fazia a trabalho para os Correios, transportava sacos cheios de garrafas no porta-malas de seu veículo. Com o tempo, a própria comunidade local, que inicialmente o chamava de “doido”, passou a apoiar a empreitada e a deixar sacos de garrafas na sua porta.

“ “Eu não sabia se iria aguentar, se iria dar certo ou se iria conseguir terminar. A cabeça ficava uma bola de neve, mas botei a ideia na cabeça e fiz.” – Jesuíno Vieira de Lima.
Casa de Litro

Embora o nome popular remeta genericamente aos “litros”, a maioria esmagadora dos recipientes utilizados tem uma origem bem específica: garrafas de conhaque e da bebida amarga “Paratudo”. Segundo o proprietário, a escolha reflete o consumo da região décadas atrás, quando a falta de energia elétrica e de geladeiras na zona rural tornava esse tipo de bebida destilada mais comum do que a cerveja.

“

“Ex-trabalhador da construção civil em São Paulo e ex-prestador de serviços dos Correios, Seu Jesuíno hoje divide o tempo entre o descanso merecido, o transporte escolar rural que gerencia com os filhos e o espaço da casa, utilizado principalmente para reuniões de família aos finais de semana e lazer na piscina.”

Casado com Dona Alminda, pai de três filhos e avô, Negoinho deixou marcado na sua casa não apenas garrafas, mas a perseverança.

Jesuíno e o jornalista Luiz Carlos Prestes Filho

Fonte: Catetear

Pix terá novas regras para fraudes, cobrança híbrida e contas-salário

Regras que ampliam segurança e funcionalidades valem a partir de 2027

Agência BrasilBrasília (DF), 16/01/2025 - Aplicativo bancário para pagamento financeiro em pix. Foto: Bruno Peres/Agência BrasilFoto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Banco Central anunciou mudanças no regulamento do Pix para ampliar funcionalidades, reforçar a segurança e aperfeiçoar a participação de instituições no sistema. Entre as principais novidades, está a autorização para que o Pix Automático seja usado em contas-salário a partir de julho de 2027.

O BC também regulamentou a chamada cobrança híbrida, que reúne boleto e QR Code do Pix no mesmo documento. A finalidade é evitar pagamentos indevidos ou em duplicidade. As regras passam a valer em fevereiro do ano que vem.

A regulamentação prevê também a possibilidade de dispensar a participação obrigatória de instituições com mais de 500 mil contas ativas, quando o perfil de clientes ou o modelo de negócios não justificar o acesso à infraestrutura do Pix.

Suspensão, prazos e facilidades

Segundo o BC, algumas regras de adesão e de saída de participantes foram aperfeiçoadas, como:

  • previsão de suspensão imediata de instituições em liquidação extrajudicial;
  • ajustes de prazos para a saída ordenada em algumas situações.

Essa última diretriz refere-se, principalmente, a instituições que não comprovarem o atendimento dos limites mínimos de capital social e de patrimônio líquido.

De acordo com a autoridade monetária, esses mecanismos facilitarão a retirada de recursos pelos clientes dessas instituições. A penalidade de exclusão do Pix passará a ter efeito imediato, sem o prazo atual de 30 dias.

ESTAMOS CHEGANDO AO FINAL DO TEMPO QUARESMAL

Por Antônio Santana

A QUARESMA

Tempo de espera
Tempo de preparação
Tempo de conversão
Tempo também de perdão.

Tempo de reconciliação
Tempo de abraçar o seu irmão
Tempo de buscar a Salvação
Tempo de caminhar na retidão.

A quaresma é o tempo de se livrar das tentações da gula e da maldade.
Tempo do amor e da caridade.
Tempo de combater as injustiças sociais que atinge o nosso povo pobre brasileiro.
É o tempo que Jesus Cristo acalma o homem desesperado.

Tempo de muita reflexão
Tempo de União e Comunhão
Tempo de rever a nossa condição.

A quaresma é o tempo de recuperar a confiança cristã,
É o tempo de fé, oração e compaixão.
Tempo de oferecer o ombro amigo para lembrar do irmão esquecido sem teto, sem casa e sem moradia.
Tempo de nos prepararmos para recebermos o Messias,
Que vive e reina entre nós, no Céu e na Terra.
Tempo de penitência e de elevar as mãos à consciência para refletir como está a sua vida com Deus é com o próximo.

Que Deus nos abençoe!

Antônio Santana,
Poeta e escritor.
Condeúba – Bahia.

Sobre ignorância, conivência, chuvas e enchentes

Rama Amaral, poeta e escritor

A dicotomia com que as pessoas conceituam sobre os fenômenos da natureza é tão esdrúxulo que parece até palavras infantis ecoadas nas bocas de pessoas adultas. E olha que estamos em pleno século XXI, era da informação e do conhecimento livre, era da livre interpretação, “da inteligência cognitiva”.

Essa cômica interpretação é mais óbvia nos períodos chuvosos, quando as cheias dos rios aumentam de volume e ameaçam ou invadem as cidades. A tradição dessa dicotomia não é um privilégio apenas das cidades consideradas pequenas, infelizmente isso vive impregnada desde os primórdios nas interpretações das civilizações humanas. A prova do que escrevo você ira encontrar ao sair nas ruas para ver o espetáculo das cheias. Aí, um diz: — O rio tá muito cheio, tá abafado e vai chover muito mais! Quando alguém da multidão logo protesta em tom de repreensão: — Só quem pode saber é Deus! É ele que é o dono do ouro e da prata! E assim a gente vai ouvindo outras interpretações: “pode chover, é Deus que tá mandando”; outra diz, “Deus é mais de tanta chuva!”; o outro se diverte com o quê está acontecendo, mesmo sabendo do sofrimento de muitos”; alguns vão dizendo que Deus é maravilhoso; algumas vão tentando explicar que tudo não passa de fenômenos da natureza, há até pessoas que são videntes ou especialistas na área; e há outras que responsabilizam, culpam alguém por tais fenômenos; e há até mesmo, aquelas que dizem ser tudo obra de magia.

Diante disso, como podemos analisar certas concepções já que o Deus dessas pessoas que ora é bom, maravilhoso; ora ruim, carrasco ou até justo e igualitário, porque pelo menos nesses momentos tornam os indivíduos todos iguais? Não pesar na mesma linha de pensamento, achismo e ignorância; mas com a luz da razão, do conhecimento, da pesquisa… Porque se Deus permite tudo isso, ações positivas e negativas, o homem, segundo alguns religiosos ou pessoas não religiosas, não seria a principal espécie do planeta, já que ela mesma se isenta das responsabilidades impostas contra o meio ambiente e seus habitantes.

Então culparíamos o gado pelo o ato natural da espécie de ruminar, após pastar por horas e liberar o gás metano por flatulação? As queimadas naturais, por queimar as florestas e liberar fumaças ou as industrias por liberar fumaças tóxicas ? Ou o sol, que por razões próprias, resolveu duplicar suas energias de radiações eletromagnéticas de propósito para que o efeito estufa saia de sua temperatura ambiente? Os combustíveis fósseis, sabendo da fama da Revolução dos Bichos, de George Orwel, resolveram também se rebelarem? Ou foram ações antrópicas (humanas), em excesso ao longo do tempo que contribuíram com tudo isso que está acontecendo, através de explorações egocêntricas e gananciosas culminando na intensificação do efeito estufa e aumentando as temperaturas na superfície do planeta?

Claro, que foi devido a este aumento da temperatura, que efetivamente temos o aquecimento global. Portanto, foram as atividades humanas capazes de aumentar a concentração dos gases dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, clorofluorcarbonos, gases fluorados, ozônio na atmosfera que vivemos dias confusos no clima. Assim sendo, Deus vive no seu lugar ou em algum lugar dos que tem fé nele, não impondo ou desfazendo catástrofes , trovões, tempestades, chuvas, cheias… nem ele e nem eu, seria eu, se eu tivesse o mesmo comportamento da multidão, que segue como manada e ainda não se utilizou da massa encefálica que cada um de nós possuímos dentro do crânio.

Ora, ao invés de julgar seu irmão, viver os dias a falarem da vida alheia, por que não questionam os governos, sejam eles municipais, estaduais ou federal por não sanarem ou por não amenizarem os problemas vividos por você e pela população? Por que não questionam, organizados, sobre os recursos que todo município recebe quando em tempos do qual estamos vivendo? Porque a educação não foi feita para libertar. Porque o sistema político não permite. Porque o sistema financeiro, as elites, as corporações midiáticas e as multinacionais dominam tudo! Dominam sua hora de levantar, de comer, de chorar, de sorrir, de dormir e seu momento de pensar; sobretudo numa era em que não se usa mais a memória de longo prazo, não se vive mais as cores do próprio eu, onde o terreno da maturidade, da indignação, cedeu espaço para a planta toxica da infantilidade, que vestiu a futilidade da ostentação, da aparência, da podridão e do ódio.

Enfim, estamos destituídos do pensamento crítico e do discernimento até para entender que somos fragmentos vivos do planeta e do univers, que também estão vivos, e é por isso que devemos respeitar toda forma de vida, para a harmonia do todo. Se assim vivermos, talvez não viveremos no caos programado, ao desespero de uma sociedade cansada e sangrenta, repleta de tantas mazelas, faz de conta, indiferença, cinismo e medo, estratégica imposta por quem só aprendeu a escravizar, impondo tudo que sufoca a quem só aprendeu a servir, e à ignorância vive submisso às migalhas, que retornam após as catástrofes, trovões, raios, chuvas e enchentes. Como todo mundo sabe que o período conturbado passou, os governos novamente passam a serem bons, servindo aos umbigos de poucos que apoiam certas manobras, ou cestas básicas à massa, então políticos ruins são aplaudidos como heróis, pois quando as catástrofes voltarem, apesar das dores e das perdas, serão as pessoas puras, íntegras , honestas, que procuram serem justas ao questionarem certas atitudes, às vezes, apontadas como os bobos da história.

Rama Amaral é um cidadão brasileiro, trabalhador, poeta e um “puro sangue puxando carroça”.

Não sou órfã

Por Neném de Abdias ©️

Neném de Abdias ©️

“Tenho Deus,não sou órfã,
Meu Painho me ama e, isso é o que me basta…

Ele é o meu refúgio, minha fortaleza,
Meu porto seguro onde eu posso descansar…

Não preciso de mais nada, não preciso de ninguém, pois Deus é o meu tudo e, é o meu bem…
Ele me guia, me protege, me ama e com Ele sou forte e capaz…

Só tenho Deus, não sou órfã ,
É isso que me faz feliz, é o que me faz louvar…

Vou seguir Seu caminho,
Vou fazer a Sua vontade, pois só com Ele sou vitoriosa e sou livre”.

A PAIXÃO

ANTÔNIO SANTANA, escritor e poeta – Condeúba/BA.

A PAIXÃO

A paixão é como um fogaréu de emoção
Que faz a gente perder a razão
Que joga você no chão
E faz você viver uma grande ilusão.

A paixão afeta direto o seu coração
É como um tiro sem perdão
Ou como uma tomada de decisão
Que acaba com qualquer previsão.

A paixão um fogo passageiro
Como um incêndio que logo se apaga
É como uma esperança que não dá em nada
Quando a beleza se acaba

A paixão é como uma noite de trovão que dá e passa
É como matar a sede sem poder beber água
A paixão é como a sedução de um olhar
Para tudo depois de um beijo começar.

Cordel/Biscoito de Condeúba: Sabor, Cultura e Poesia, com Leandro Flores

cordel sobre o biscoito de condeúba - Leandro Flores
O poeta condeubense Leandro Flores
Quem conhece Condeúba sabe: ali, no coração do sertão baiano, pulsa uma das tradições culinárias mais queridas do Nordeste — o biscoito.

Da xiringa ao chimango (o nosso “pão de queijo condeubense”), do assado ao cozido, do formato de palito ao anelzinho: o biscoito faz parte da identidade cultural dessa terra acolhedora.

E foi justamente essa paixão que o poeta, jornalista e ativista cultural Leandro Flores traduziu em poesia.
Em forma de cordel, ele homenageia a cidade que, ao lado de Vitória da Conquista, é conhecida como a Capital do Biscoito — e faz isso com a força das palavras e o sabor da memória afetiva.

Na feira de sexta, é inevitável: balaio na calçada, aroma de café coado na hora, e uma variedade que encanta moradores e visitantes. Cada fornada conta uma história de trabalho, tradição e resistência do povo condeubense.

O cordel de Leandro Flores celebra isso:
A culinária como patrimônio do sertão, o alimento como poesia, o biscoito como marca de quem somos.

Uma receita de orgulho, simplicidade e raízes.

Assista ao vídeo do cordel no canal do poeta:

Confira abaixo o cordel na íntegra:

CONDEÚBA, TERRA DO BISCOITO
Por Leandro Flores

Condeúba é conhecida,
em toda a região,
como a terra do biscoito,
feito com fé e tradição.

Ao lado de Conquista,
cidade do interior,
duas filhas da mesma terra,
símbolo de trabalho e valor.

Da mandioca em terra seca,
nasce o pão do trabalhador,
que alimenta a mesa farta,
recheada de puro sabor.

É tradição que move a história,
e adoça o paladar,
gera renda, traz sustento,
pra quem se dispõe a trabalhar.

Do vendedor na rua,
à barraca no pavilhão,
o biscoito cruzou fronteiras,
sem perder a tradição.

Hoje é marca condeubense,
razão de satisfação,
que espalha renda e orgulho
por toda a região.

De janeiro a janeiro,
a produção não pode parar,
lá vêm os festejos de junho
e o fim do ano pra animar.

Chegam logo os são-pauleiros,
com saudades e com dinheiro,
levam biscoito e lembrançinha,
pra comer o mês inteiro.

Tem xiringa e tem palito,
cozido, assado e pão de queijo,
aqui o povo chama chimango,
feito no modo sertanejo.

Igual o biscoito de polvilho,
que em outros cantos é avoador,
cada terra tem seu nome,
aqui se diz xiringa, orgulho do interior.

Na sexta tem feira boa,
com cheiro de pastel frito,
café torrado na hora,
biscoito, casadinho e palito.

Tem balaio na calçada,
prateleira de farinha,
trempe quente e fogão a lenha,
e aquele sabor gostoso
que vem da cozinha.

Tem biscoito de tapioca,
de manteiga e de fubá,
de queijo, crocante e macio,
feito pra gente degustar.

Tem redondo, anelzinho e bolinha,
comprido, torrado pra provar,
de sabor pra todo gosto,
e café coado na hora pra acompanhar.

É sabor que faz história,
gera emprego e união,
sustenta mesa e a memória,
desse povo do meu sertão.

Condeúba é terra mãe,
da fartura e do sabor,
cidade boa e acolhedora,
de um povo trabalhador.

E quem prova das suas delícias,
nunca mais esquece o gosto,
porque nelas tem a vida,
a lembrança e o rosto.

De um povo simples, feliz,
orgulhoso do que é seu,
que aprendeu a ser feliz,
com o pouco que a vida lhe deu.