Categoria: Coluna Prestes

Condeúba encerrou com emoção o centenário da passagem da Coluna Prestes

Joandina Carvalho, Elton Soares, Prefeito Micael Silveira, Luiz Prestes e Levon Nascimento

Membros da Comissão Organizadora pela vinda de Luiz Carlos Prestes Filho, a Condeúba

Condeúba encerrou com emoção, as comemorações do centenário da passagem da Coluna Prestes

Nesse sábado, dia 12 de setembro de 2026, foi concluída a visita oficial em Condeúba deste ilustre cidadão carioca, Luiz Carlos Prestes Filho, ele que é filho de Luiz Carlos Prestes, o grande líder da Coluna Prestes, que passou por Condeúba e região há exatamente 100 anos.
Prestes Filho veio a Condeúba para participar das comemorações do centenário da passagem da Coluna Prestes por nossa cidade, acontecimento histórico que ocorreu nos dias 15, 16 e 17 de abril de 1926. Um século depois, aquelas páginas que pareciam adormecidas nos livros de História voltaram a ganhar vida, voz, música e emoção diante dos olhos dos condeubenses.
Foi uma visita marcada pela história, pela cultura e, sobretudo, pelo contato humano. Com uma agenda bastante apertada, Luiz Carlos Prestes Filho realizou várias palestras e encontros durante sua permanência no município. E por onde passou, levou consigo não apenas a palavra, mas também o seu violão e sua música.

Ele tocou, cantou, encantou e comunicou de maneira formidável
Dono de muitos talentos, Prestes Filho tem uma característica que chamou especialmente a atenção de todos: suas palestras não se limitam à narrativa histórica tradicional. Ao falar sobre determinado episódio da Coluna Prestes, ele frequentemente recorre à música para ajudar a transportar o público para aquele momento histórico. É como se, através das canções, os acontecimentos de um século atrás voltassem a caminhar pelas ruas, estradas e paisagens do sertão baiano.
Luiz Carlos Prestes Filho é autor de diversas canções relacionadas à história da Coluna Prestes e utiliza a música como instrumento de memória. Sua maneira de contar a História transforma a palestra em uma verdadeira viagem ao passado.
E foi justamente essa capacidade de unir História, música e comunicação que tornou sua passagem por Condeúba tão especial.

UM HOMEM SIMPLES, EDUCADO E DE COMUNICAÇÃO ÍMPAR
Além do conhecimento histórico, outra característica de Luiz Carlos Prestes Filho conquistou aqueles que tiveram oportunidade de conhecê-lo de perto: sua simplicidade.
Mesmo carregando consigo um sobrenome de enorme peso na História política e social brasileira, Luiz se apresentou como uma pessoa extremamente simples, educada, atenciosa e acessível. Atendeu a todos com a maior calma do mundo, conversando, ouvindo, orientando e trocando ideias.
Por onde passou, deixou a impressão de um homem de comunicação ímpar, capaz de conversar com diferentes públicos e encontrar pontos de interesse em cada segmento.
Com os artesãos, falou sobre artesanato. Com professores e historiadores, dialogou sobre História. Com músicos, tratou de música. Com trabalhadores e representantes de diferentes atividades, sempre encontrou uma ideia, uma sugestão ou uma palavra de incentivo capaz de contribuir para o desenvolvimento de suas iniciativas.
Essa disposição para ouvir e conversar fez com que sua presença ultrapassasse os limites de uma simples visita comemorativa.
Luiz Carlos Prestes Filho não veio apenas falar sobre o passado. Veio também dialogar com o presente.

A FEIRA DE ARTESANATO E O ENCONTRO COM OS ARTESÃOS
Na manhã deste sábado, a programação teve como destaque uma feira de artesanato montada especialmente para participar das comemorações do centenário da Coluna Prestes.
Luiz Carlos Prestes Filho esteve presente e ficou bastante empolgado com a qualidade e a diversidade dos produtos confeccionados pelos artesãos de Condeúba.
O encontro proporcionou uma aproximação muito bonita. Luiz conversou com os artesãos, conheceu seus trabalhos, demonstrou interesse pelas peças produzidas e realizou diversos contatos.

Houve troca de experiências, contatos e ideias
Mais uma vez, ficou evidente uma das marcas de sua passagem por Condeúba: a capacidade de transformar um encontro histórico em oportunidade de aproximação entre pessoas, culturas e atividades.

UMA NOITE PARA ENTRAR NA HISTÓRIA
À noite, aconteceu o grande encerramento da programação e a despedida de Luiz Carlos Prestes Filho, em um encontro realizado no Salão da Coluna Prestes.
O momento reuniu pessoas que, ao longo dos últimos dias, acompanharam de perto a programação do centenário e também aqueles que fizeram questão de participar daquele instante histórico.
Compuseram a mesa dos trabalhos o professor Levon Nascimento, historiador; o historiador Elton Soares; a professora de História Joandina Carvalho; e o prefeito de Condeúba, Micael Silveira.
Cada um, à sua maneira, destacou a importância daquele momento e falou com entusiasmo sobre o significado de celebrar, um século depois, a passagem da Coluna Prestes pelo território condeubense.
O prefeito Micael Silveira fez a abertura dos trabalhos, dando as boas-vindas a Luiz Carlos Prestes Filho e destacando a importância de sua presença em Condeúba. Ao final, desejou ao ilustre visitante um breve regresso ao município.
E talvez tenha sido justamente essa a sensação deixada naquela noite: a certeza de que a visita terminou, mas ficou o desejo de que Luiz Carlos Prestes Filho volte em breve a Condeúba.

UMA HISTÓRIA DE 100 ANOS VOLTOU A SER CONTADA
A passagem da Coluna Prestes por Condeúba, em abril de 1926, não é apenas uma lembrança distante.
Há 100 anos, homens integrantes daquele movimento atravessaram caminhos do sertão, deixando marcas na memória das comunidades por onde passaram. A marcha da Coluna Prestes percorreu milhares de quilômetros pelo interior do Brasil e tornou-se um dos episódios mais conhecidos da História brasileira do século XX.
Agora, um século depois, Condeúba teve a oportunidade de receber justamente o filho de Luiz Carlos Prestes, uma das figuras centrais daquela extraordinária caminhada histórica.

Foi um encontro entre gerações
De um lado, a memória de 1926. Do outro, Condeúba de 2026.
E no meio dessas duas pontas da História, Luiz Carlos Prestes Filho, carregando consigo não apenas o sobrenome do pai, mas também a missão de manter viva a memória de uma das maiores marchas políticas e sociais já realizadas no Brasil.

O ENCERRAMENTO COM O PUNHO ERGUIDO
Luiz Carlos Prestes Filho fez o encerramento das falas da noite, agradeceu ao Prefeito Micael Silveira pela acolhida e apoio.
Sua participação deixou no ambiente um verdadeiro clima de “quero mais”. O público presente e aqueles que acompanhavam pelas redes sociais pareciam não querer que aquele momento terminasse.
Depois de toda a conversa, das histórias, das lembranças e das músicas, Luiz Carlos Prestes Filho protagonizou uma cena que certamente ficará registrada na memória de quem esteve presente.
Ergueu o punho fechado para o alto e proclamou um viva à Coluna Prestes.
A plateia respondeu em coro.
Foi um daqueles momentos em que a História deixa de ser apenas palavra escrita e passa a ser sentimento.
Um século depois da passagem da Coluna Prestes por Condeúba, o punho que simbolizou resistência, luta e memória voltou a ser erguido em nossa cidade.
E dessa vez, diante de uma plateia que, emocionada, respondeu ao gesto.

CAUÊ PROCÓPIO FECHA A NOITE COM MÚSICA
Na sequência, o cantor condeubense Cauê Procópio, radicado em São Paulo, assumiu o espaço musical e fez um encerramento brilhante.
Com seu talento e sua voz, Cauê interpretou músicas que agradaram em cheio à plateia presente, proporcionando um momento de confraternização e emoção depois de uma noite dedicada à História. Cauê fechou cantando uma música de sua autoria, feita especialmente falando da Coluna Prestes. A música, mais uma vez, mostrou sua força como instrumento de memória e celebração.

AUTÓGRAFOS E A ÚLTIMA LEMBRANÇA
Para fechar a programação, foi realizado o momento de autógrafos dos livros que estavam sobre a mesa e que foram adquiridos por aqueles que desejavam levar para casa uma lembrança especial daquela passagem histórica.
Mais do que um livro autografado, cada exemplar passa a representar uma recordação de um momento que dificilmente será repetido:
o centenário da passagem da Coluna Prestes por Condeúba e a presença, em nossa terra, do filho de Luiz Carlos Prestes.
Assim, terminou oficialmente a visita de Luiz Carlos Prestes Filho a Condeúba.
Mas, na verdade, a história apenas começou a ser recontada com mais força.
Durante três dias, em abril de 1926, a Coluna Prestes passou por Condeúba.
Cem anos depois, durante três dias de setembro de 2026, a memória daquela passagem voltou a ocupar o centro das atenções.

E talvez essa seja a maior herança deixada por esta celebração:
Condeúba não apenas comemorou 100 anos da passagem da Coluna Prestes. Condeúba reencontrou a sua própria História.
Que as futuras gerações possam conhecer, estudar e preservar essa memória, para que daqui a outros 100 anos ainda se possa dizer:
Em abril de 1926, a Coluna Prestes passou por Condeúba. E, em setembro de 2026, Condeúba parou para lembrar e celebrar.

ATÉ BREVE LUIZ, VOLTE SEMPRE!!!

Fotos: Oclides/JFC

Condeúba revive sua história no segundo dia das celebrações do centenário da passagem da Coluna Prestes

Roda de conversa no Salão da Coluna Prestes com Luiz Carlos Prestes Filho e a professora Joandina Carvalho

Nesta sexta-feira, dia 11 de setembro de 2026, Condeúba viveu o segundo dia da presença de Luiz Carlos Prestes Filho no município, dentro da programação que marca os 100 anos da passagem da Coluna Prestes por esta terra. Foi mais um dia movimentado, marcado por música, cultura, conhecimento, memória e, sobretudo, pela oportunidade de aproximar as novas gerações de um dos capítulos mais importantes da história brasileira e condeubense.
A programação começou pela manhã, às 9 horas, no Teatro do Colégio Estadual, onde a história ganhou voz, música e participação estudantil. A abertura ficou por conta do artista Edinho Lima, que, acompanhado de seus alunos de música e de estudantes da Escola Alcides Cordeiro, executou os hinos Nacional e de Condeúba, dando um caráter especialmente solene ao início das atividades.
Em seguida, veio uma apresentação que emocionou o público: a professora Margarida, juntamente com alunos da Escola Tranquilino Torres, proporcionou um verdadeiro espetáculo de canto e participação estudantil. Crianças e jovens deram vida ao ambiente, demonstrando que a memória histórica não deve permanecer apenas nos livros, mas precisa ser transmitida, vivenciada e compreendida pelas novas gerações.
Na sequência, foram realizadas palestras sobre a Coluna Prestes, conduzidas por professores e estudiosos, aprofundando o conhecimento sobre aquele movimento que percorreu milhares de quilômetros pelo interior do Brasil durante a década de 1920.
E o momento de maior expectativa veio com a participação de Luiz Carlos Prestes Filho, filho do lendário comandante da Coluna Prestes, Luiz Carlos Prestes.
Prestes Filho realizou uma verdadeira aula de história, falando sobre a trajetória da Coluna, seus personagens, suas lutas, seus ideais e a dimensão histórica daquele movimento que marcou profundamente a história política brasileira.
Sua participação teve ainda uma característica especial: a música se entrelaçou à história. Durante a palestra, Luiz Carlos Prestes Filho tocou e cantou músicas de sua própria autoria, cujas composições estão diretamente relacionadas à trajetória e à memória da Coluna Prestes.
Assim, entre palavras, acordes e relatos históricos, o público teve a oportunidade de conhecer uma dimensão mais humana e cultural de Luiz Carlos Prestes, não apenas como comandante e personagem histórico, mas também como homem ligado à música e à poesia.

Uma tarde de memória e diálogo
Às 14 horas, a programação prosseguiu no Salão Carlos Prestes, com uma importante roda de conversa, reunindo Luiz Carlos Prestes Filho e a professora Joandina Maria de Carvalho.
O encontro contou com a participação de muitos interessados, que compareceram para ouvir, perguntar, trocar informações e, principalmente, compreender melhor a importância da passagem da Coluna Prestes por Condeúba.
Foi um momento de diálogo aberto, no qual a história deixou de ser apenas narrativa distante e passou a ser objeto de reflexão coletiva.
Há 100 anos, os homens da Coluna Prestes passaram por Condeúba. Um século depois, a cidade abre novamente suas portas para falar daqueles acontecimentos. É justamente essa distância de cem anos que dá à programação um significado ainda maior: o passado volta ao presente para ser conhecido, debatido e preservado.

A noite foi de música, poesia e cultura
E o dia ainda reservava uma grande programação cultural. Às 20 horas, novamente no Teatro do Colégio Estadual, o público pôde acompanhar um excelente show com o artista Cauê Procópio, condeubense que há alguns anos está radicado em São Paulo e que retornou à sua terra natal para participar desse momento histórico.
A noite contou também com a participação do poeta Santana e, mais uma vez, de Luiz Carlos Prestes Filho, que contribuiu musicalmente para a programação.
Os estudantes do Colégio Estadual também tiveram participação especial, apresentando recitais de poesias, demonstrando que a celebração do centenário da Coluna Prestes ultrapassa a dimensão puramente histórica: ela se transforma em uma grande manifestação de cultura, educação, arte e identidade.

Um século depois, a história continua viva
O segundo dia das comemorações mostrou que lembrar a passagem da Coluna Prestes por Condeúba, ocorrida há exatos 100 anos, é muito mais do que recordar uma data.
É reabrir as páginas da história para que novas gerações possam conhecê-las.
É ouvir aqueles que estudaram o episódio, ouvir quem carrega em seu próprio nome e em sua própria história a herança de um dos maiores personagens da Coluna, e permitir que professores, estudantes, artistas, poetas e a comunidade condeubense participem dessa construção coletiva da memória.
Condeúba, que recebeu a Coluna Prestes em 1926, recebe agora, em 2026, o filho de seu comandante maior.
Um século separa esses dois momentos.
Mas a história, quando é preservada, não envelhece: permanece viva na memória de um povo.

Fotos: Oclides/JFC

Coluna Prestes – RECUAR JAMAIS!!!

Por Luiz Carlos Prestes Filho

Foto: Arquivo Coluna Prestes

A canção “Recuar Jamais”, composta por Luiz Carlos Prestes Filho, nasceu para resgatar e eternizar em música o momento decisivo em que os revolucionários recusaram o desânimo e a rendição para se transformar em um dos maiores episódios de resistência da história brasileira.

A composição encontra sua razão de ser nos seguintes pontos históricos e simbólicos.

Após meses de combates pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina, acontece a junção das forças revolucionárias gaúcha e paulista no Paraná. Mas o momento é de profunda incerteza.

Diante do cerco das forças governistas, a ideia dominante entre os líderes paulistas era o exílio na Argentina. A canção traduz esse momento crítico em que o movimento esteve à beira da dissolução.

A canção homenageia a estratégia militar adotada por Luiz Carlos Prestes. Em vez de recuar para o estrangeiro, Prestes propôs manter a tropa em constante deslocamento pelo interior do país, evitando combates decisivos contra forças superiores e mantendo a chama revolucionária acesa.

O brado “Recuar Jamais!” tornou-se a máxima moral do movimento. A canção celebra a transformação de Prestes em uma figura lendária no imaginário popular, simbolizando a coragem, a disciplina e a recusa absoluta em abandonar os ideais de transformação social. É aclamado como o CAVALEIRO DA ESPERANÇA.

Ao compor a obra, Luiz Carlos Prestes Filho (especialista na preservação do acervo e da memória de seu pai) busca transmitir às novas gerações não apenas o fato histórico da marcha de mais de 24 mil quilômetros, mas a força poética e o espírito inabalável dos soldados que decidiram “incendiar o Brasil” com a esperança de reformas políticas e sociais.

RECUAR JAMAIS!!!

Veja a música Luiz Carlos Prestes Filho

A Unimontes perdeu o bonde da História?

 

Professor Levon Nascimento

Em 2026, completam-se cem anos da passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas Gerais. Entre 19 e 29 de abril de 1926, os revoltosos atravessaram o Alto Rio Pardo, percorrendo áreas dos municípios de Rio Pardo de Minas, Salinas e São João do Paraíso e passando por localidades como Taiobeiras e Serra Nova. Foi nessa região que realizaram a célebre manobra do Laço Húngaro. Não se trata de um episódio periférico. A marcha revelou as contradições entre o Brasil oficial e o sertão, enfrentou a ordem oligárquica da Primeira República e inscreveu o Norte de Minas em um dos acontecimentos políticos e militares mais importantes do século XX brasileiro.

As celebrações mineiras demonstraram a vitalidade dessa memória. O livro A Coluna Prestes nos Gerais de Minas, publicado pela Paco Editorial e organizado por mim, reuniu pesquisadores, professores e escritores, entre eles pelo menos três autores de Montes Claros. Por iniciativa do deputado estadual Leleco Pimentel, do PT, a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou uma audiência pública sobre a relevância histórica, política e cultural da Coluna, juntamente com o lançamento institucional da obra. A atividade produziu homenagens legislativas, reportagens da TV Assembleia e repercussão na imprensa estadual. Luiz Carlos Prestes Filho participou da audiência na ALMG, do lançamento regional e das atividades educativas em Taiobeiras e, posteriormente, refez parte do percurso histórico em Serra Nova, no município de Rio Pardo de Minas.

A mobilização não terminou nos atos da Assembleia. Em Taiobeiras, houve lançamento regional, encontro com estudantes, entrega da Medalha Luiz Carlos Prestes e apresentação do projeto de construção de um monumento dedicado à Coluna. Em Salinas, realizou-se outra cerimônia de reconhecimento da memória regional. Em Rio Pardo de Minas e no Parque Estadual de Serra Nova e Talhado, discutiu-se a criação de uma trilha histórica relacionada ao percurso dos revoltosos e à manobra do Laço Húngaro. Livros, solenidades, atividades escolares, projetos turísticos, homenagens públicas, reportagens e visitas aos lugares de memória fizeram do centenário uma experiência regional concreta.

Diante de tudo isso, causa perplexidade o silêncio da Universidade Estadual de Montes Claros. O projeto do livro foi divulgado durante mais de um ano, a obra contou com autores montes-clarenses e seu organizador é egresso da própria Unimontes, onde se graduou em Ciências Sociais. Ainda assim, até o início de setembro, não houve convite para uma roda de conversa, apresentação da obra em Montes Claros, seminário, mesa acadêmica ou manifestação institucional conhecida sobre o centenário. Não faltaram tema, pesquisa, protagonistas ou tempo para planejamento. Faltou interesse. E o silêncio não foi apenas da Universidade: as forças progressistas, intelectuais e culturais de Montes Claros, que deveriam estar especialmente atentas à preservação da memória democrática e popular, também ignoraram solenemente a efeméride e as iniciativas desenvolvidas no Alto Rio Pardo.

A omissão provoca uma pergunta inevitável: qual é o papel efetivo da Unimontes na pesquisa, na preservação e na divulgação da História do Norte de Minas? Uma universidade regional não se define apenas pelo lugar onde está instalada, mas pela capacidade de enxergar, pesquisar e interpretar o território que justifica sua existência. O Alto Rio Pardo integra sua área de abrangência e corresponde, historicamente, a grande parte do antigo município de Rio Pardo, uma das primeiras áreas de ocupação colonial do Norte de Minas, cuja formação remonta ao final do século XVII. Foi justamente nesse território antigo, vasto e historicamente decisivo, incluindo áreas de Salinas e São João do Paraíso, que a Coluna Prestes atravessou o estado.

A impressão deixada é a de que o Alto Rio Pardo continua sendo percebido a partir de Montes Claros como uma margem distante, lembrada eventualmente nos mapas de abrangência, mas pouco reconhecida como espaço produtor de história, memória e conhecimento. O contraste com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia é constrangedor. Em Vitória da Conquista, cidade que desempenha papel regional semelhante ao de Montes Claros, a UESB organizou uma roda de conversa sobre “A Coluna Prestes nos Sertões Baianos”, envolvendo o Curso e o Departamento de História, o ProfHistória e grupos de pesquisa, com a presença de Luiz Carlos Prestes Filho. Em Condeúba, território baiano imediatamente ligado ao percurso que alcançaria o Norte de Minas, foram programadas atividades escolares, rodas de conversa, feira de economia criativa, apresentações artísticas e uma mesa específica sobre a passagem da Coluna por Condeúba e pelo Norte de Minas.

Parece, infelizmente, que a Unimontes não se interessou em tomar o bonde da História do Norte de Minas. E as forças críticas, progressistas e culturais de Montes Claros também não perceberam que o trem estava passando, talvez porque continuem olhando o Norte de Minas apenas a partir do centro urbano montes-clarense. Ainda há tempo para romper esse silêncio, abrir as portas, dialogar com pesquisadores e comunidades e reconhecer o Alto Rio Pardo como parte viva da história regional. Mas isso exigirá mais que uma homenagem tardia. Exigirá que a Unimontes e os setores que se apresentam como defensores da cultura e da memória popular se perguntem se pretendem apenas falar em nome do Norte de Minas ou assumir, de fato, a responsabilidade de conhecer, interpretar e valorizar todos os seus territórios.

Centenário da Coluna Prestes nos Sertões Baianos

No dia 09 de setembro, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista, recebe uma programação especial em celebração ao Centenário da Coluna Prestes (1926–2026).

A atividade contará com a presença de Luiz Carlos Prestes Filho para uma roda de conversa sobre “A Coluna Prestes nos Sertões Baianos”, promovendo um encontro entre história, memória e reflexão sobre a passagem do movimento pelo interior da Bahia.

📅 09 de setembro de 2026 (quarta-feira)
⏰ 16h às 18h
📍 Auditório 01 do Módulo Luizão – UESB
📌 Vitória da Conquista/BA
🎙️ Convidado: Luiz Carlos Prestes Filho.

A ação é realizada em parceria com o Colegiado do Curso de História, Departamento de História, ProfHistória e LEDISAR/UESB, contando também com a parceria de Joandina Maria, Paula Ferreira e Yan Roberto.

Um encontro aberto à comunidade acadêmica e ao público interessado em conhecer e refletir sobre um dos mais importantes acontecimentos da história política e social brasileira.

Carlos Prestes Filho virá a Condeúba celebrar os 100 anos da passagem dos revoltosos por nossa terra, mas antes a Coluna será debatida em Conquista

Uma das tarefas mais interessantes que a Gincana Massicas levou aos estudantes, aos jovens de Conquista, como registro histórico, foi, sem dúvida, quando pedimos que cada equipe encenasse o movimento chamado Os Revoltosos, a Coluna Prestes, que desbravou o sertão e, inclusive, aportou na minha cidade, na minha terra, Condeúba. E lá eles se instalaram.

E aí nós vamos saber, com precisão, os motivos pelos quais a nossa terra, Condeúba, no Sertão da Ressaca, foi um dos lugares por onde passou a Coluna Prestes e o que representou essa passagem pelo sertão baiano, dentro daquilo que eles propunham com esse movimento.

No próximo dia 9, aqui em Vitória da Conquista, o filho de Luiz Carlos Prestes, que foi o grande capitão desse movimento, estará em nossa cidade. Em um encontro na Casa da Amizade, historiadores de Conquista, a exemplo do professor Itamar Aguiar e de Rui Medeiros, estarão conversando com Carlos Prestes Filho.

Portanto, no dia 9, aqui em Vitória da Conquista, a Coluna será debatida para que todos possam conhecer melhor e entender exatamente o que aconteceu.

E, em seguida, no dia 10, o filho do capitão Prestes estará em Condeúba, onde serão celebrados os 100 anos da passagem da Coluna pelo município.

Em 1926, a Coluna esteve em Condeúba e, agora, em 2026, são 100 anos. É o centenário da passagem desse movimento que marcou a história do Brasil e que também mexeu com a vida do sertanejo, em especial com a história da nossa querida Condeúba.

É história. É memória. E é também uma oportunidade para que as novas gerações conheçam um pouco mais daquilo que aconteceu há um século em nosso sertão.

Blogdoagitogeral

Coluna Prestes: Condeúba se prepara para homenagear, 100 anos depois, a passagem do movimento que marcou a história do Brasil

COLUNA PRESTES

Reunião da comissão organizadora com membros da Prefeitura e representantes do artesanato

Comissão organizadora liderada pela professora Joandina, se reuniu nesta sexta-feira, 21 de agosto, para definir os preparativos da programação que acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro; presença de Luiz Carlos Prestes Filho e de historiadores está confirmada. Estiveram presentes na reunião alguns membros do artesanato, representantes das Secretarias de Agricultura, Administração, Educação, Cultura, Gabinete do Prefeito e da Imprensa local.
A história da Coluna Prestes volta a ganhar destaque em Condeúba. Foi realizada, na parte administrativa da Prefeitura Municipal, uma reunião presencial da comissão organizadora responsável pela preparação de uma programação especial em homenagem aos 100 anos da passagem da Coluna Prestes por Condeúba e pela região, evento que terá total apoio da Prefeitura de Condeúba.
As atividades estão previstas para os dias 11 e 12 de setembro de 2026 e deverão reunir pesquisadores, historiadores, representantes da comunidade e pessoas interessadas em conhecer ou aprofundar seus conhecimentos sobre um dos episódios mais marcantes da história política e militar brasileira da primeira metade do século XX.
Entre os convidados está Luiz Carlos Prestes Filho, filho de Luís Carlos Prestes, principal comandante e uma das figuras centrais da Coluna Prestes. Também estarão presentes os historiadores Joandina Maria de Carvalho, Levon Nascimento e Elton Soares de Oliveira, que vêm desenvolvendo pesquisas e trabalhos de preservação da memória da passagem da Coluna pela região.

Um século depois, a história continua viva
A passagem da Coluna Prestes por Condeúba ocorreu em abril de 1926, durante a longa marcha realizada pelo interior do Brasil. Registros históricos apontam que a Coluna chegou ao município em 15 de abril de 1926, depois de uma marcha de aproximadamente cinco léguas. Para alcançar a cidade, os integrantes atravessaram o rio Gavião, segundo o relato do cronista da Coluna, Lourenço Moreira Lima.
A presença do movimento deixou marcas importantes na memória histórica de Condeúba. Uma das mais conhecidas é a inscrição atribuída a Antônio de Siqueira Campos, deixada nas paredes do antigo Paço Municipal, atualmente preservada como importante vestígio material daquela passagem. A frase reproduzida é atribuída ao filósofo francês Hippolyte Tainy e foi traduzida por Rui Barbosa:

“No meio de uma aglomeração desorganizada, um bando decidido a tudo penetra como cunha de ferro em montão de ferragem.”

Outro registro histórico informa que o antigo Paço Municipal de Condeúba serviu como ponto de permanência da Coluna durante sua passagem pela cidade. Segundo a documentação reunida em pesquisas locais, os integrantes permaneceram no município por cerca de três dias.
A própria existência desses vestígios faz de Condeúba um lugar particularmente importante para o estudo da passagem da Coluna Prestes pelo sertão baiano.

Quem foi Luís Carlos Prestes?
Luís Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 3 de janeiro de 1898, e morreu no Rio de Janeiro em 7 de março de 1990. Militar e engenheiro, estudou no Colégio Militar e formou-se em Engenharia Militar pela Escola Militar do Realengo. Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma das personalidades políticas mais importantes e controversas da história brasileira.
É importante corrigir um detalhe histórico: Prestes pertence ao século XX, e não ao século XIX. Ele nasceu em 1898, mas sua atuação política, militar e revolucionária ocorreu principalmente no século XX.
Sua projeção nacional, entretanto, começou a ganhar dimensão extraordinária justamente durante a marcha da Coluna Prestes. A atuação de Prestes à frente do movimento lhe rendeu o célebre apelido de “Cavaleiro da Esperança”, denominação que atravessaria décadas e seria incorporada à memória política e cultural brasileira.

O que foi a Coluna Prestes?
A Coluna Miguel Costa-Prestes, conhecida popularmente como Coluna Prestes, surgiu da união de diferentes grupos ligados ao movimento tenentista e às revoltas militares da década de 1920.
O encontro entre as forças paulistas e gaúchas ocorreu em abril de 1925, no Paraná. A partir dali, os revoltosos iniciaram uma extraordinária marcha pelo interior brasileiro, que se prolongaria por quase dois anos.
A Coluna foi comandada por Miguel Costa e Luís Carlos Prestes, contando ainda com importantes nomes militares, entre eles Antônio de Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Osvaldo Cordeiro de Farias e Djalma Dutra.
Estima-se que o movimento tenha reunido aproximadamente 1.500 homens em seu período de maior organização. A marcha percorreu cerca de 25 mil quilômetros, atravessando numerosos estados brasileiros. Algumas fontes e estudos apresentam números diferentes conforme o método utilizado para calcular os deslocamentos dos diversos destacamentos, mas os aproximadamente 25 mil quilômetros são a medida mais recorrente na historiografia.
A dimensão dessa caminhada é impressionante: durante aproximadamente dois anos, os integrantes da Coluna atravessaram rios, sertões, áreas de caatinga e regiões de difícil acesso, enfrentando tropas governistas, forças policiais e grupos armados organizados por lideranças locais.

A passagem pela Bahia
A entrada da Coluna Prestes na Bahia aconteceu no início de 1926, depois da travessia do rio São Francisco. A partir daí, os integrantes enfrentaram as condições extremamente difíceis do sertão baiano.
Estudos sobre o movimento registram uma marcha de centenas de quilômetros pela caatinga, passando ou se aproximando de localidades como Lençóis, Rio de Contas, Condeúba, Jacaraci, Serra Nova, Ituaçu, Remanso, Sento Sé, Mundo Novo, Mairi, Tucano, Pombal e Rodelas, entre outras.
O percurso pela Bahia também ficou marcado pela estratégia de movimento adotada pelos integrantes da Coluna. Em vez de procurar confrontos prolongados com forças numericamente superiores, os combatentes utilizavam deslocamentos rápidos, mudanças de direção e ações de surpresa para escapar dos cercos.
A própria FGV destaca que a estratégia da Coluna dependia fortemente da guerra de movimento, justamente porque seus integrantes enfrentavam forças governamentais superiores em número e recursos.

Condeúba no caminho da Coluna
É nesse contexto nacional que ganha importância a passagem pelo município de Condeúba.
A pesquisa histórica local tem procurado recuperar não apenas os acontecimentos militares, mas também a maneira como a população recebeu a chegada dos chamados “revoltosos”. O livro “Coluna Prestes em Condeúba”, de autoria da historiadora condeubense Joandina Maria de Carvalho, é resultado de pesquisas em jornais da época, livros, imagens e depoimentos orais, buscando reconstruir a passagem do movimento e sua permanência na memória social do município.
A documentação reunida por pesquisadores mostra que o episódio não pode ser compreendido apenas pelos relatos oficiais. A memória transmitida pelas famílias, as histórias contadas pelas gerações anteriores e os vestígios físicos existentes na cidade também constituem importantes fontes para compreender o que aconteceu naquele abril de 1926.
É justamente por isso que a programação do centenário ganha significado especial: não se trata apenas de lembrar um acontecimento ocorrido há um século, mas de preservar documentos, relatos, lugares e memórias que ajudam a explicar a própria formação histórica de Condeúba e da região.

Os ideais defendidos pelos integrantes da Coluna
Em fevereiro de 1926, durante a marcha, Prestes e Miguel Costa redigiram uma declaração de princípios denominada “Motivos e ideais da revolução”.
O documento apresentava críticas ao sistema político da época e defendia, entre outras propostas, o combate às fraudes eleitorais, o voto secreto e obrigatório, a liberdade de pensamento, a ampliação da educação pública, maior autonomia municipal e reformas na administração pública.
O movimento estava inserido no contexto da chamada República Velha, período marcado pela forte influência das oligarquias estaduais e por mecanismos políticos que limitavam a participação popular.
A Coluna, portanto, não foi apenas uma longa marcha militar. Ela também funcionou como instrumento de divulgação de ideias políticas pelo interior do país.

Uma marcha de aproximadamente 25 mil quilômetros
A dimensão territorial da Coluna Prestes ajuda a explicar por que o episódio permanece como um dos grandes acontecimentos da história republicana brasileira.
A marcha percorreu aproximadamente 25 mil quilômetros, passando por numerosos estados e atravessando regiões completamente diferentes entre si.
A Coluna conseguiu permanecer em movimento por longo período sem ser derrotada militarmente pelas forças governamentais que a perseguiam. Entretanto, as dificuldades, o desgaste físico, a falta de recursos e a redução do contingente acabaram tornando inviável a continuidade da marcha dentro do território brasileiro.
Em fevereiro de 1927, a maior parte dos integrantes entrou na Bolívia, encerrando a fase principal da marcha. Outros grupos seguiram posteriormente por diferentes caminhos.
A memória da Coluna permanece em Condeúba
Passados 100 anos, Condeúba conserva elementos concretos relacionados à passagem do movimento. A inscrição existente no antigo Paço Municipal é um dos principais símbolos dessa memória.
Em 2017, inclusive, foi criada por lei municipal a denominação “Salão Coluna Prestes” para a parte superior do antigo prédio da Intendência, reforçando institucionalmente a relação do município com esse episódio histórico.
A realização das atividades dos dias 11 e 12 de setembro representa, portanto, mais um capítulo desse processo de preservação.
A presença de Luiz Carlos Prestes Filho, descendente direto do principal comandante da Coluna, ao lado dos historiadores Joandina Maria de Carvalho, Leon Nascimento e Elton Soares de Oliveira, deverá proporcionar ao público uma oportunidade singular de ouvir diferentes perspectivas sobre um acontecimento que atravessou gerações.
Em 2026, quando o Brasil e, particularmente, o sertão nordestino e os Gerais mineiros relembram o centenário da passagem da Coluna, Condeúba se coloca novamente no caminho dessa história.
Um século depois, os passos dos chamados “revoltosos” continuam presentes nas paredes, nos documentos, nos livros e, sobretudo, na memória de um povo que testemunhou a passagem de uma das maiores marchas político-militares da história brasileira.

Fotos: Oclides/JFC