Categoria: Clima tempo

Fim de semana tem previsão de vendaval no Sudeste e geada no Sul

Ciclone extratropical deve diminuir neste sábado e domingo, diz Inmet

Agência BrasilCampos da Serra Catarinense. Cenários da região mudam ao longo dos dias frios. Geada e névoa ao amanhecer e tempo aberto em questão de poucas horas.Foto Ricardo Wolffenbuttel/ SECOM.Arquivo/Ricardo Wolffenbuttel/ SECOM/ Governo Santa Catarina

Os efeitos do ciclone extratropical que atingiu o Brasil esta semana devem diminuir ao longo deste sábado (8) e domingo (9), apesar de favorecer a entrada de uma massa de ar frio sobre o Sul, conforme previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O resfriamento favorece a formação de geadas no centro-sul do Rio Grande do Sul e em áreas de Santa Catarina. A partir de segunda-feira (10), o ar frio alcança também São Paulo e Rio de Janeiro, mas com menor intensidade.

Neste fim de semana, a previsão é que as tempestades permaneçam concentradas entre o Paraná, o centro e o norte de Santa Catarina, o sul de Mato Grosso do Sul e o centro-sul de São Paulo.

Há ainda aviso amarelo de perigo potencial para vendaval em São Paulo, no Rio de Janeiro, no litoral do Espírito Santo e no sul de Minas Gerais, com ventos variando entre 40 e 60 quilômetros por hora (km/h).

Confira a previsão do tempo para este fim de semana por região.

Norte

No sábado, há previsão de chuva com trovoadas no centro-norte e no oeste do Amazonas e em Roraima, além de pancadas de chuva isoladas no Acre, no norte do Pará e no Amapá. Também há possibilidade de chuva isolada no leste do Pará e no sudeste do Amazonas.

Há ainda aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade no sudeste da Amazônia para a tarde de sábado.

No domingo, as instabilidades ficam concentradas no centro-oeste do Acre e no sudoeste do Amazonas, com pancadas isoladas no centro-norte do Amazonas e no leste do Acre.

Nordeste

No sábado, há possibilidade de chuva isolada entre o litoral e o agreste de Alagoas, Pernambuco, da Paraíba e de Sergipe, com muitas nuvens na faixa leste da região, incluindo o leste da Bahia.

Há ainda aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no oeste da Bahia, na região de Luís Eduardo Magalhães. Também há aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade no centro-sul do Maranhão, Piauí, centro-sul do Ceará, oeste do Rio Grande do Norte, oeste da Paraíba, oeste de Pernambuco e centro-oeste da Bahia.

Além disso, há aviso amarelo de perigo potencial para vendaval no litoral sul da Bahia, região de Porto Seguro.

No domingo, permanece o aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade no sul do Ceará, centro-sul do Piauí, oeste da Paraíba, de Pernambuco e centro-oeste da Bahia. Já a possibilidade de chuva fica restrita à faixa litorânea entre o litoral norte da Bahia e o litoral leste do Ceará, além do extremo noroeste do Maranhão.

As temperaturas permanecem elevadas no interior do Nordeste. A mínima pode chegar a 21°C em Teresina, enquanto a máxima alcança 37 °C também em Teresina.

Centro-Oeste

No sábado, há possibilidade de chuva isolada pela manhã no sul e no sudeste de Mato Grosso do Sul. Durante a tarde e a noite, há chuva com trovoadas isoladas no sudeste do estado, pancadas de chuva isoladas no centro-sul e possibilidade de chuva isolada na divisa de Mato Grosso do Sul com Goiás.

Há aviso laranja de perigo para baixa umidade no leste de Mato Grosso, no centro-norte de Goiás e no Distrito Federal. Também há aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade em Mato Grosso, no sul de Goiás e no Mato Grosso do Sul.

Há ainda aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul de Mato Grosso do Sul e aviso amarelo de perigo potencial para vendaval em Mato Grosso do Sul, sul de Mato Grosso e sul de Goiás.

No domingo, a chuva com trovoadas isoladas fica concentrada no sul de Mato Grosso do Sul, com possibilidade de chuva isolada na região central do estado. Permanece o aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade em Goiás, no Distrito Federal, no leste de Mato Grosso e no Nordeste de Mato Grosso do Sul.

Também segue vigente o aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul do Mato Grosso do Sul.

As temperaturas entram em elevação na região. A mínima pode chegar a 15 °C em Brasília, enquanto a máxima alcança 38 °C em Cuiabá.

Sudeste

No sábado, muitas nuvens e pancadas de chuva atingem o sul de São Paulo pela manhã e há possibilidade de chuva isolada no oeste e na região central do estado. Durante a tarde e noite, há previsão de chuva com trovoadas isoladas no centro-sul, no oeste e no litoral sul de São Paulo, além de possibilidade de chuva isolada na divisa com Minas Gerais.

Há aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no noroeste de Minas Gerais e aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade nas demais áreas de Minas Gerais. Há ainda aviso amarelo de perigo potencial para vendaval em São Paulo, no Rio de Janeiro, no litoral do Espírito Santo e no sul de Minas Gerais e aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no centro-sul de São Paulo.

No domingo, a chuva isolada fica concentrada no centro-sul e no leste de São Paulo e no litoral sul do Rio de Janeiro. Há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul de São Paulo e aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade no norte de São Paulo e no centro-oeste e sul de Minas Gerais.

O Inmet alerta ainda para uma grande diferença de temperatura entre os estados da região. São Paulo permanece com temperaturas mais amenas, enquanto o centro-norte da região apresenta elevação das temperaturas, com máximas de 34 °C em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Sul

No sábado, ocorrem pancadas de chuva no centro-leste e no norte do Paraná pela manhã, com possibilidade de chuva isolada nas demais áreas do estado e no nordeste de Santa Catarina.

Já no centro-sul de Santa Catarina e no centro-norte do Rio Grande do Sul, o tempo fica mais firme e há possibilidade de geada ao amanhecer. No sul do Rio Grande do Sul há previsão de geada mais intensa.

Durante a tarde e a noite de sábado, há condições de chuva com trovoadas isoladas no Paraná e em Santa Catarina, enquanto o Rio Grande do Sul apresenta pancadas isoladas no norte do estado e possibilidade de chuva isolada na região central, na região metropolitana de Porto Alegre e na faixa litorânea.

Ainda no sábado, há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul e aviso amarelo de perigo potencial para vendaval no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul.

Já no domingo, a chuva com trovoadas isoladas atinge o Paraná, o centro-norte e o oeste de Santa Catarina, além da divisa de Santa Catarina com o noroeste do Rio Grande do Sul. Há previsão de geada no centro-sul do Rio Grande do Sul. Há aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no Paraná e no norte de Santa Catarina.

O frio, segundo o Inmet, será intenso na região. No sábado, a máxima em Curitiba fica em 19 °C. Em Porto Alegre, a máxima permanece abaixo de 16 °C nos próximos dias. Na segunda-feira, há previsão de mínima de 3 °C em Curitiba, onde a máxima não deve passar de 11 °C.

Entenda o que é o ciclone bomba que pode atingir o Sul do país

Fenômeno pode causar tempestades e queda na temperatura

Agência BrasilPorto Alegre 08/11/2025 - Passagem de um ciclone extratropical na madrugada deste sábado (8) causou estragos em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Foto: Reprodução/Redes sociaisReprodução/Redes Sociais

A passagem de um sistema de baixa pressão, a partir desta quinta-feira (6), sobre o norte da Argentina e o Paraguai pode dar origem a um ciclone extratropical com características mais intensas, o chamado ciclone bomba.

Segundo o astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Micael Cecchini, o sistema de baixa pressão ocorre quando uma massa de ar muito fria se aproxima de outra massa de ar quente e a diferença de temperatura causa uma rápida diminuição da pressão entre elas.

Na prática, isso causa um ciclone que, para ser considerado bomba – ou ciclogênese explosiva, que é o nome científico do fenômeno – precisa apresentar uma queda na pressão atmosférica, a partir de 24 hPa (milibares) em um período de 24 horas.

“Milibares é a unidade de pressão que a gente usa para medir a pressão atmosférica”, explica o professor que recebe apoio do Instituto Serrapilheira.

A previsão é de que isso ocorra na passagem do sistema pela região entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, no Brasil.

Como a pressão é mais baixa e a diferença de temperatura é mais intensa nos casos de formação de ciclone bomba, as tempestades se formam na divisa entre as duas massas.

“A massa de ar frio avança por baixo da massa de ar quente, porque ela é mais densa, e aí faz o ar quente subir, e é o que forma as nuvens e as tempestades. Se a diferença de temperatura é grande, essa ascensão vai ser mais intensa.”

Saiba mais sobre a previsão do tempo no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Intensidade

A consequência são tempestades mais intensas, com descarga elétrica e possibilidade de granizo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), se a previsão se confirmar isso deve ocorrer a partir de amanhã e seguir até sábado (8). 

As imagens de satélite apontam que os ventos mais intensos devem ocorrer principalmente sobre o Oceano Atlântico, com velocidade que pode superar 100 quilômetros por por km/h.

Na faixa costeira dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são esperadas rajadas de vento superiores a 60 km/h.

À medida que o ciclone se desloque em direção ao Oceano Atlântico, no sentido sudeste, e se afaste da região costeira, uma frente fria associada ao fenômeno deve passar sobre a Argentina e o Sul do Brasil.

A previsão é de que a entrada de uma massa de ar frio provoque a queda das temperaturas.

Comunidades criam soluções para mitigar efeitos da crise climática

Indígenas, quilombolas, periféricos e rurais são os que mais sofrem

Agência BrasilUm veículo está parado entre escombros após um muro desabar durante ventos fortes no Rio de Janeiro, Brasil, em 30 de julho de 2026. REUTERS/Pilar Olivares Foto: REUTERS/Pilar Olivares

As populações que mais sofrem com os eventos extremos da crise climática no Brasil são aquelas que encontram mais dificuldades para acessar políticas públicas e recursos de adaptação e prevenção. As comunidades vulnerabilizadas, no entanto, passaram a criar soluções para as mudanças do clima.

A conclusão é do relatório As soluções dos territórios: Adaptação Climática Baseada em Comunidades, elaborado pelo Greenpeace Brasil com apoio do Laboratório de Estudos do Clima e do Ambiente (UERJ) e da Brisa Soluções Ambientais.

Comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais estão entre as mais expostas a enchentes, secas e ondas de calor. Muitas delas, no entanto, já têm desenvolvido soluções próprias para enfrentar os impactos da crise climática. O Greenpeace defende que as comunidades ocupem posição central no desenvolvimento das políticas de adaptação.

A coordenadora da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, reforça a necessidade de incorporar a justiça climática e o combate ao racismo ambiental às políticas de adaptação.

“Em um país marcado por desigualdades históricas de acesso à moradia, saneamento, saúde, mobilidade e infraestrutura, os impactos dos eventos extremos tendem a se concentrar justamente nos territórios que já enfrentam maior precariedade”, disse, em nota.

A organização cita que, em Recife (PE), por exemplo, comunidades como Ilha de Deus, Coque e Mustardinha enfrentaram alagamentos severos nos últimos anos. Em Belém (PA) e na Ilha do Marajó (PA), a combinação de enchentes, marés altas, falta de drenagem e saneamento tem afetado principalmente comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, as temperaturas internas das moradias podem chegar a até 8°C acima da média urbana, com sensação térmica superior a 60°C, afetando especialmente crianças, idosos e mulheres. No Vale do Jequitinhonha (MG), comunidades quilombolas enfrentam longos períodos de estiagem, que afetam cultivos de milho, feijão e mandioca.

Experiências locais

Em uma região afetada pela falta de saneamento básico, o Coletivo Utopia Negra se juntou à comunidade da Vila do Carmo do Maruanum, na área rural de Macapá (AP), para instalar uma fossa séptica biodigestora (FSB). A tecnologia, de baixo custo e adaptável para áreas alagáveis, trata o esgoto por biodigestão e evita a contaminação do solo e da água.

Na comunidade do Horto, no Rio de Janeiro, as ações lideradas pelo projeto Horto Natureza, que foi fundado por um morador, incluem limpezas coletivas, plantio de árvores e educação ambiental. Cercada pela Mata Atlântica e atravessada pelo Rio dos Macacos, a comunidade garantiu coleta regular de lixo, acesso a saneamento básico e a despoluição do rio.

“A limpeza contínua do rio e a gestão adequada de resíduos — realizadas em parceria com autoridades públicas — são resultado de um longo processo de organização comunitária que garantiu direitos fundamentais. Esses esforços ajudam a prevenir enchentes e danos relacionados à água, além de assegurar uma melhor qualidade de vida”, avalia o Greenpeace.

A comunidade de Vila Arraes, em Recife (PE), elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas, coordenado pelo Espaço GRIS Solidário, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Houve ainda formações com a Defesa Civil sobre protocolos de emergência durante enchentes do Rio Capibaribe e riscos de eletrocussão.

Falta de recursos

Um dos principais obstáculos enfrentados pelas comunidades é a dificuldade de acesso aos recursos destinados à agenda climática. Segundo o Greenpeace, a maior parte dos recursos é distribuída por meio de instrumentos de crédito, o que dificulta o acesso por comunidades e organizações locais. O relatório também chama atenção para a burocracia envolvida na elaboração, submissão, gestão e prestação de contas de projetos.

“Ampliar a adaptação climática exige, portanto, não apenas aumentar o volume de recursos, mas mudar a forma como eles são distribuídos, garantindo acesso direto às comunidades e fortalecendo iniciativas que já funcionam nos territórios”, afirmou o porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus.

Rodrigo acrescenta que as comunidades que vivem diariamente os efeitos da crise climática já acumulam conhecimento, práticas e soluções capazes de orientar políticas públicas mais eficazes e justas. “O desafio, agora, é reconhecer esse protagonismo, garantir recursos e transformar experiências locais em políticas de escala nacional”, finalizou.

Internauta registra espetáculo de raios nos céus

Internauta registra espetáculo de raios nos céus de Brumado
Foto: Willian Santos

Uma chuva de raios foi registrada na cidade de Brumado e região, na noite deste domingo (22). As descargas elétricas têm ocorrido com maior incidência nos municípios nos últimos anos.

Fascinado por fenômenos naturais, o brumadense Willian Santos conseguiu registrar o evento nos céus do município. Willian relatou como realizou o flagrante das descargas elétricas. “Foram muitos raios, o que causou um espetáculo na cidade. Eu gosto de apreciar e ver coisas relacionadas à natureza e o raio é algo que me chama bastante atenção. Tentei capturar as imagens com o celular no tripé”, afirmou.

Santos explicou que deixa o celular posicionado em local estratégico e garante a observação à distância por questões de segurança. “Depois, eu só recolho o aparelho e, em casa, faço as edições e recortes”, detalhou.

As imagens captadas fazem parte do acervo pessoal de William. Nela, são postados diversos eventos naturais e outros assuntos relacionados às ciências. “Tudo relacionado à natureza é algo que me chama atenção e eu gosto de observar”, reiterou.

Riacho de Santana e Rio do Antônio têm situação de emergência do Governo Federal

Riacho de Santana e Rio do Antônio têm situação de emergência do Governo Federal
 Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

A estiagem prolongada que afeta o interior da Bahia levou o Governo Federal a reconhecer, nesta segunda-feira (10), a situação de emergência nos municípios de Riacho de Santana e Rio do Antônio.

A medida foi oficializada por meio de portarias publicadas no Diário Oficial da União, conforme informou o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Em Riacho de Santana, o decreto municipal de emergência foi emitido em 29 de agosto. Já em Rio do Antônio, a prefeitura decretou a medida em 24 de outubro, diante da redução drástica no volume de chuvas e dos impactos sobre o abastecimento de água e a produção agrícola.

Com o reconhecimento federal, as prefeituras ficam aptas a solicitar apoio financeiro ao MIDR para execução de ações de mitigação dos efeitos da seca, como distribuição de água potável e recuperação de poços e reservatórios.

Os pedidos devem ser realizados por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), onde são avaliados os planos de trabalho encaminhados pelos municípios.

Após a análise técnica, o Governo Federal define os valores e publica nova portaria com a liberação dos recursos.

Bahia é atingida por mais de 73 mil raios em 48 horas

Bahia é atingida por mais de 73 mil raios em 48 horas

Levantamento realizado pela Climatempo e a Neoenergia Coelba aponta que a Bahia foi atingida por mais de 73 mil raios nos últimos dois dias – domingo (19) e segunda-feira (20). A climatologia prevê que o mau tempo deve se estender ao longo da semana em diversas regiões do estado, em especial no litoral.

Para atender ao aumento de ocorrências provocado pelas fortes chuvas e ventanias, a Coelba triplicou o efetivo de eletricistas em campo e reforçou a quantidade de profissionais no Centro de Operações Integradas.  

Os temporais também estão provocando a queda de vegetação e arremessando objetos sobre a rede elétrica. Em Ilhéus, por exemplo, placas metálicas foram lançadas sobre os cabos de energia.

Em Porto Seguro, Vitória da Conquista e Irecê, foram registradas quedas de árvores de grande porte sobre as estruturas. Somado aos danos diretos causados ao sistema, as chuvas estão deixando vias alagadas e bloqueadas em diversos municípios, o que dificulta o deslocamento das equipes.

Lula cobra financiamento robusto para combate às mudanças do clima

“Eu quero ver quem vai dar o dinheiro”, disse o presidente na Colômbia
Agência Brasil

Bogotá, 22/08/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro dos Presidentes dos Estados Partes do Tratado de Cooperação Amazônica com a Sociedade Civil e Comunidades Indígenas, no Plaza de Armas. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta sexta-feira (22), a falta de comprometimento dos países ricos com o enfretamento à mudança do clima e cobrou que as decisões acordadas no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), inclusive financeiras, sejam tratadas com seriedade. Ele participou, em Bogotá, na Colômbia, de encontro de líderes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Lula busca o engajamento dos países amazônicos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês), que será lançado durante o evento em novembro, em Belém (PA). O fundo será um mecanismo de financiamento destinado a preservar esses biomas florestais, presentes em cerca de 70 países, e que são cruciais para a regulação do regime de chuvas e captura de carbono na atmosfera.

“Em toda COP que a gente vai, se toma muitas decisões e depois elas não são executadas. Poucos países se matam para tentar cumprir as decisões. Outros não dão a menor importância e outros, depois que termina a COP, negam a assinatura de acordo”, criticou Lula.

“Precisamos de uma nova governança mundial. Se a ONU é o lugar que criamos para tratar dos temas mais importantes da humanidade, é lá que a mudança do clima deve estar. Vamos trabalhar para que se crie um conselho de clima capaz de mobilizar os países a efetivarem seus compromissos”, acrescentou.

Financiamento

O presidente cobrou novamente dos países mais ricos um financiamento mais robusto para o combate às mudanças do clima, para além dos US$ 300 milhões por ano prometidos na COP29, em Baku, no Azerbaijão. “É preciso que aqueles que acham que tem que manter a floresta em pé de toda forma ajudem a pagar para que a gente possa manter essa floresta em pé”, disse.

“Toda vez que alguém tenta me convencer que tem dinheiro para resolver esse problema, eu fico me perguntando: ‘Eu quero ver quem vai dar o dinheiro’. Porque de promessa nós estamos cheios”, declarou o presidente brasileiro, também cobrando dos países ricos metas ambiciosas de redução de gases de efeito estufa em suas localidades.

“O futuro do bioma não depende só dos países amazônicos, mas mesmo que mais nenhuma árvore seja derrubada, a floresta continuará em risco, se o resto do mundo não avançar na redução de gases de efeito estufa”, disse.

Soberania

Em encontro dos presidentes com entidades indígenas e da sociedade civil, Lula argumentou que, ao propor soluções para a Amazônia, é preciso considerar as populações que vivem na região, como os próprios indígenas, pescadores, extrativistas e pequenos trabalhadores rurais. Ele voltou a dizer que será uma oportunidade para que os tomadores de decisões conheçam a floresta de perto.

“A gente tem que manter a floresta em pé e os trabalhadores e indígenas que moram lá, vivos. É isso que nos interessa nessa COP30, quem vai fazer o quê. Porque senão é importante a gente fazer outra coisa do que fazer as COP, gastar uma fortuna para fazer a COP e depois o resultado é quase zero”, disse.

“A gente está fazendo na Amazônia em situações [mais inferiores]… não é como Paris, não é como Dubai, não vai ser no lugar chique desse, é a Amazônia. E a gente quer que as pessoas vejam a real situação das florestas, dos nossos rios, dos nossos povos que moram lá, para a gente saber que nós temos uma tarefa quase que hercúlea para que a gente possa cuidar dessa questão climática”, acrescentou Lula.

Em seu discurso, o presidente brasileiro também fez referência às ações de governo dos Estados Unidos de enviar navios de guerra para a costa da Venezuela, no sul no Caribe, com o argumento de enfrentar ameaças de cartéis de drogas latino-americanos. Para Lula, isso é um pretexto para intervir nos países da região.

“Há muito tempo que os países ricos nos acusam de não cuidar da floresta. Aqueles que poluíram o planeta tentam impor modelos que não nos servem, utilizam a luta contra o desmatamento como justificativa para o protecionismo, usam o combate ao crime organizado como pretexto para violar nossa soberania. Mas está chegando o momento de mostrar ao mundo a realidade da Amazônia. Ela não é só feita de árvores, é também de gente que vive e respira todos os dias”, disse.

Crime organizado

Lula disse ainda que vai convidar os presidentes dos países amazônicos para participar da inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus (AM), no dia 9 de setembro. Para ele, a preservação do meio ambiente também passa pelo combate ao crime organizado, que tem entre suas práticas o garimpo ilegal.

“[O centro] é uma coisa muito importante para combater o garimpo legal, o narcotráfico, o contrabando de armas e para combater qualquer outra coisa que nos perturbe”, disse.

“O povo amazônico merece viver livre da violência. Violência que destrói a floresta e envenena as águas, que acaba com o sustento dos pescadores e dos extrativistas, que expulsa indígenas de suas terras e ribeirinhos das suas casas, que tira a vida de quem luta pela Amazônia, como Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno Pereira e Dom Phillips e tantos outros”, completou o presidente.