Categoria: Cultura

Acadêmico Elomar

Acadêmico Elomar
Acadêmico Elomar Figueira Mello (desenho de Luiz Carlos Prestes Filho)

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Por Luiz Carlos Prestes Filho

Exclusivo Catetear Notícias

A concessão do título de Doutor Honoris Causa a Elomar Figueira Mello pela Academia Conquistense de Letras (ACL) encontra sustentação plena na densidade artística, linguística e antropológica de sua obra. As referências poéticas, musicais e vocabulares analisadas em composições como “O Violeiro” e em toda a sua produção literária e musical justificam a honraria.

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“Elomar não é apenas um compositor popular, mas um Mestre da Poética. Ele domina e preserva as estruturas métricas mais rigorosas do romanceiro ibérico e da literatura de cordel — como as sextilhas em decassílabos, as décimas e o martelo agalopado. A capacidade de construir versos com precisão e rímica refinada, confere à sua obra a relevância de um clássico erudito nascido no sertão.”

O título acadêmico justifica-se pelo monumental trabalho filológico do artista. Elomar realizou um resgate arqueológico da linguagem do sertão do sudoeste baiano combinando transcrição fonética rigorosa do falar local, resgate de arcaísmos ibéricos e do português colonial e neologismos poéticos como arrumanças, sertanezou, incelenciado e desatandura. Essa fala vocabular atua como um inventário linguístico e antropológico que preserva a memória imaterial do Brasil profundo.

“ “A obra elomariana realiza uma síntese estética inédita na cultura brasileira ao fundir os modos gregos antigos e a polifonia renascentista com os ritmos tradicionais da cantoria sertaneja. Ao estruturar sua produção em óperas, antífonas, galopes e autos, como o “Auto da Catingueira”, Elomar elevou a cultura popular à condição de alta literatura e música clássica contemporânea.”

Como expresso no albúm “O Violeiro”, sua poética carrega uma filosofia clara de resistência cultural, desapego material e preservação da identidade sertaneja frente à pasteurização da indústria cultural urbana. Conceder o título de Doutor Honoris Causa a Elomar é o reconhecimento formal de que suas invenções ultrapassam o entretenimento musical. Trata-se de um corpo de obra de valor linguístico, histórico e literário fundamental para a cultura brasileira. 

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“Recentemente, ao ser recebido por Elomar em sua casa, fiquei profundamente impressionado com a precisão de suas palavras, com a lucidez da sua visão de mundo e com a viveza das lembranças que guarda de companheiros. Entre os quais reluz a de um amigo fraterno, o pianista Arthur Moreira Lima, com quem, ao lado de Paulo Moura e Heraldo do Monte, gravou o histórico álbum ‘ConSertão’.”

Elomar e Luiz Carlos Prestes Filho

Foi justamente através de Arthur, amigo de vida inteira, que tomei contato com a obra monumental de Elomar. Arthur era figura frequente na casa de meu pai, Luiz Carlos Prestes, tanto no Brasil quanto durante os anos de exílio em Moscou. Sobrinho-neto do secretário da Coluna Prestes, Lourenço Moreira Lima, o célebre pianista sempre honrou a cultura brasileira em todas as suas matrizes, gêneros e cores, promovendo diálogos eruditos e populares sem distinção nem preconceito.

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“Guardo o LP desse encontro magistral entre Elomar, Arthur Moreira Lima, Heraldo do Monte e Paulo Moura como uma joia da nossa música. Ouvir aquele disco foi para mim o momento mágico da descoberta de uma voz genuína, nascida diretamente das entranhas e do chão do sertão. Estar diante de Elomar em Vitória da Conquista e ouvi-lo rememorar essa amizade foi reviver a história da nossa cultura naquilo que ela tem de mais elevado.”

Parabéns aos membros da Academia Conquistense de Letras por oferecer ao Elomar Figueira Mello o título de Doutor Honoris Causa em vida!

Luiz Carlos Prestes Filho é diretor de cinema, compositor, poeta e jornalista; Especialista em Economia da Cultura e em Desenvolvimento Econômico Local; é autor dos livros “Economia da Cultura – a força da indústria cultural do Rio de Janeiro”, “Cadeia Produtiva da Economia da Música” e “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval”.

Livraria transforma vida cultural de pequeno município de São Paulo

Casa do Leitor se tornou ponto de encontro em Bom Jesus dos Perdões

TV BrasilSão Paulo (SP), 18/09/2026 - Livraria em SP.Foto: Casa do Leitor/DivulgaçãoCasa do Leitor/Divulgação

Versão em áudioLivraria promove leitura para crianças  – Casa do Leitor/Divulgação

Na pequena cidade de Bom Jesus dos Perdões, a cerca de 65 quilômetros do centro de São Paulo, uma livraria nasceu com a missão de estimular a leitura, a paixão pelos livros e o debate público.

Com população estimada em 22 mil habitantes, o município não contava com uma livraria sequer até 2016, quando Guilherme Moura e Fernanda Miquelino abriram a Casa do Leitor.

O casal – ele, um psicólogo que sempre morou na cidade; ela, também psicóloga, uma nativa de Atibaia e que se mudou para lá depois do casamento – ouvia com frequência que os moradores não se interessavam por cultura. Daí vinha a conclusão que circulava pela cidade: não havia necessidade de que o Poder Público olhasse para isso. 

Mas essa explicação não os conformava. Em 2016, Guilherme Moura abriu uma livraria. “Comecei de maneira virtual. Vendia livros para pagar a faculdade de psicologia. Me formei, segui no ramo, a venda foi crescendo. Tínhamos apenas um estoque, numa garagem”, conta.

Quando a parte superior do estoque ficou disponível, Guilherme e Fernanda tiveram a ideia de montar uma loja física, já que não havia livrarias em Bom Jesus dos Perdões. Com este novo passo, a proposta não era mais apenas vender livros, mas criar um ponto de encontro para as pessoas interessadas em cultura.

“Fizemos a inauguração com a vinda do professor Christian Dunker. Foi um sucesso. A partir disso percebemos que havia um interesse na região por atividades assim e seguimos fazendo com frequência”, acrescenta Guilherme.

Movimentação em Bom Jesus dos Perdões

São Paulo (SP), 18/09/2026 - Livraria em SP.Foto: Casa do Leitor/Divulgação
Livraria promove leitura para crianças  – Casa do Leitor/Divulgação
Desde então, a livraria promoveu eventos de diferentes formatos, de lançamentos com a presença dos autores, festivais, feiras de discos de vinil, rodas de conversa com mulheres, atividades voltadas aos idosos de um asilo e sessões de filmes.

Ao longo dos anos, passaram pela Casa do Leitor nomes como Marcelo Rubens Paiva, Juca Kfouri, Aline Bei, padre Júlio Lancellotti, Jessé de Souza, Pedro Bandeira e José Roberto Torero.

Embora já seja conhecida pelos moradores, a Casa do Leitor ainda enfrenta o desafio de atrair o público e manter uma programação cultural regular. “Temos atividades com muitas pessoas e outras com menos. Acredito que ainda falta empenho da administração pública para o fomento do espaço. As pessoas vêm porque poucas delas têm a oportunidade de conhecer convidados interessantes como os que nós trazemos, e também porque a região não oferece muitas atividades voltadas para cultura e educação”, afirma Guilherme.

A iniciativa também conquistou frequentadores assíduos, que enxergam na Casa do Leitor uma novidade importante ao município. Aos 72 anos, Magda Machado Ribeiro Venancio, está entre as pessoas sempre presentes nos eventos.

“A Casa do Leitor trouxe novos ares para Perdões e tornou a cidade mais conhecida e atrativa para os que moram nas cidades próximas”, diz.

Magda, que é doutora em psicologia da educação, vive há mais de 30 anos em Bom Jesus dos Perdões. “Acompanho com muita satisfação a Casa do Leitor desde seu início e admiro não apenas a iniciativa, mas também a programação e a persistência de Guilherme e Fernanda. Para mim, além de ampliar minha visão e perspectiva, gosto da pluralidade e da diversidade que o espaço propicia”, conclui.

Diversas gerações convivem nos eventos da livraria. Outro frequentador fiel é o jornalista Mario Casimiro Gonçalves, de 31 anos. Morador de Atibaia, ele costuma ir a Bom Jesus dos Perdões para participar da programação da Casa do Leitor. “Acho muito importante ter um espaço como esse, ainda mais em uma cidade que estava precisando urgentemente de um local cultural. Eu vejo a Casa do Leitor como um local de diversão, resistência, onde são realizados encontros e há circulação de ideias”, comenta.

O impacto dos eventos promovidos pela livraria vai além da cultura e já alcança a educação. É o que afirma o professor Ricardo Augusto Pontes Moraes, secretário municipal da Educação de Bom Jesus dos Perdões.

Segundo o professor, em 2025, os projetos contemplaram 240 alunos do 5º ano de cinco escolas municipais. “Depois da participação, os alunos relataram mais facilidade para compreender as histórias, em razão do mecanismo utilizado para trabalhar a leitura com eles. As escolas também nos relataram a importância do espaço da leitura e do acesso que a Casa do Leitor proporciona a alunos e professores”, explica.

Guilherme Moura conta que a Casa do Leitor está com a agenda preenchida até novembro. Mas, apesar de o calendário cheio indicar o sucesso do projeto, ainda há obstáculos a enfrentar.

“Nossa dificuldade hoje é engajar a administração pública e fazer com que cada vez mais pessoas conheçam o espaço. A equipe é pequena, nos faltam recursos, mas sinto que fazemos muito dentro daquilo que nossas possibilidades atuais permitem”.

Projeto “Viva Mangabeira” leva música e cultura à Gruta da Mangabeira, em Ituaçu, durante setembro e outubro

Projeto “Viva Mangabeira” leva música e cultura à Gruta da Mangabeira, em Ituaçu, durante setembro e outubro
Foto – Divulgação

A Gruta da Mangabeira, em Ituaçu, no sudoeste da Bahia, será cenário de uma programação que pretende aproximar música, cultura e natureza durante os meses de setembro e outubro. O projeto “Viva Mangabeira” terá atividades nos finais de semana e feriados do período.

A iniciativa propõe transformar um dos cenários naturais de destaque do município em espaço de convivência, experiências culturais e celebração, reunindo moradores e visitantes em torno da música e da cultura local.

Com a proposta de valorizar a identidade e as características naturais de Ituaçu, o projeto busca proporcionar ao público momentos de integração em meio ao ambiente da Gruta da Mangabeira, unindo manifestações culturais e a paisagem natural do local.

A programação será realizada ao longo dos finais de semana e feriados de setembro e outubro, ampliando as possibilidades de acesso a experiências culturais em um dos espaços mais conhecidos do município.

O “Viva Mangabeira” é um projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), iniciativa de incentivo às ações e manifestações culturais.

Sonora Bahia celebra 10 anos com 15 shows de compositoras baianas em Ilhéus, Vale do Capão e Salvador


Maior festival colaborativo de música autoral feminina do mundo transforma três regiões da Bahia em palcos para novas compositoras, artistas veteranas e a homenageada Manuela Rodrigues em setembro

Depois de mobilizar 70 compositoras inscritas em seu processo de seleção, o Sonora Bahia inicia, em setembro, sua etapa de apresentações com uma programação que percorre o Vale do Capão, Ilhéus e Salvador. Ao todo, serão 15 shows autorais, reunindo compositoras de diferentes regiões da Bahia e cerca de 32 musicistas entre artistas e integrantes de suas bandas.

As apresentações acontecem nos dias 4 e 5 de setembro, no Vale do Capão; 17 e 18 de setembro, em Ilhéus; e 25 de setembro, em Salvador, sempre com acesso gratuito. A circulação integra a edição comemorativa de dez anos da rede Sonora Festival Internacional e reforça uma das principais características do projeto na Bahia: criar espaços de circulação para a música autoral feita por mulheres também fora da capital.

Desde 2017, mais de 300 compositoras já passaram pelos palcos do Sonora na Bahia e mais de mil obras autorais foram apresentadas. O festival também já mapeou mais de 200 compositoras por meio de seus editais.

Para Ive Farias, idealizadora e organizadora do Sonora Bahia, o diferencial do festival está justamente em compreender que ampliar a presença das mulheres na música exige uma atuação que vá além da abertura de palcos.

“O Sonora tem como eixo central a valorização da autoria feminina, por isso, articulamos apresentação artística, formação, profissionalização, circulação e criação de redes. Temos seleção pública, apoio técnico e financeiro, oficinas, workshops e espaços de intercâmbio. Queremos fortalecer as carreiras das artistas, democratizar o acesso e contribuir para transformar as relações de gênero dentro da cadeia produtiva da música”, destaca Ive.

Em 2026, essa proposta ganha novas frentes. Além dos shows, o festival promove ações de formação, educação ambiental, debates sobre gênero, atividades com comunidades tradicionais e articulações com instituições como a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e o Horto Vale Flora.

O evento também abre espaço para novas vozes por meio do Palco Aberto, realizado nos intervalos dos shows. A iniciativa convida compositoras presentes no público a apresentarem até duas músicas autorais, ampliando o palco para além das artistas que integram a programação oficial. O Sonora Bahia 2026 tem apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

Manuela Rodrigues é a homenageada da edição

Um dos destaques desta edição é a homenagem à cantora, compositora e pianista Manuela Rodrigues, artista com trajetória consolidada na música baiana e cinco álbuns autorais lançados. Manuela participa da mesa “Mulheres, Cultura e Território”, no Vale do Capão, e protagoniza o encerramento do circuito em Salvador, no dia 25 de setembro. Na capital, a artista apresentará um show inédito, reunindo canções de seus cinco álbuns e participações especiais.

SERVIÇO | SONORA BAHIA 2026

Vale do Capão
Quando: 4 e 5 de setembro de 2026
Onde: Coreto da Vila, Vale do Capão Acesso: gratuito
Horários: 4 de setembro, shows às 19h | 5 de setembro, mesa “Mulheres, Cultura e Território” às 10h e shows às 19h
Programação:
4/09: Tai Araújo, Tati Ramalho e Emili Pinheiro
5/09: Joana Terra, Tulipa Negra e Itana Rosa

Ilhéus
Quando: 17 e 18 de setembro de 2026
Onde: Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Campus Jorge Amado
Horário: 18h30 Acesso: gratuito
Programação:
17/09: Sabiré, Talita Ataíde e Nayri
18/09: Jamile Anahata, Forró Carcará e Ize Duque

Salvador
Quando: 25 de setembro de 2026
Onde: Biblioteca Central dos Barris, Quadrilátero
Horário: 18h30 Acesso: gratuito
Programação: Verona Reis, Aline Lobo e Manuela Rodrigues

Mais informações e programação: Instagram @sonorabahia

Fonte: Voah Comunicação

Fotos:
Manuela Rodrigues – Créditos: Sara Régis
Tulipa Negra – Créditos: Divulgação
Ize Duque – Créditos: Divulgação

Escritor de Nova Itarana lança segundo livro com mensagens de motivação, fé e esperança

Escritor de Nova Itarana lança segundo livro com mensagens de motivação, fé e esperança
O escritor Rafael Souza dos Santos – Foto: Divulgação

O escritor Rafael Souza dos Santos, morador de Nova Itarana, no Vale do Jiquiriçá, acaba de lançar sua segunda obra literária. Intitulado “Mensagens de Rafael – Motivação para uma Nova Vida”, o livro reúne textos que têm como proposta transmitir palavras de incentivo, esperança e força diante das dificuldades do cotidiano.

A nova publicação marca mais um capítulo na trajetória de Rafael como escritor. Por meio dos textos, ele busca compartilhar com os leitores reflexões relacionadas à fé, perseverança e à capacidade de seguir em frente mesmo diante de situações desafiadoras.

Nascido com paralisia cerebral e usuário de cadeira de rodas, Rafael construiu sua trajetória sem permitir que as limitações físicas determinassem seus projetos. A escrita tornou-se uma importante ferramenta de expressão e uma forma de levar suas experiências e mensagens a outras pessoas.

Com um perfil comunicativo e bem-humorado, o escritor encontrou na literatura um espaço para transformar vivências em palavras de incentivo. O segundo livro surge justamente com esse propósito: oferecer ao leitor uma mensagem de coragem e motivação para enfrentar diferentes momentos da vida.

Nas redes sociais, Rafael comemorou a publicação e agradeceu a Deus pela oportunidade de concretizar mais um sonho. Ele também reconheceu a importância do apoio de familiares, amigos e de pessoas que acompanharam sua caminhada e acreditaram em seu trabalho.

Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos, no Rio

Com mais de 60 anos de carreira, protagonizou sucessos da TV e cinema

Agência BrasilA atriz Glória Menezes morreu aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro. Foto: Instagram/gloriamenezesoficialA atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 91 anos – Foto: Instagram/gloriamenezesoficial

A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 91 anos. A causa da morte não foi divulgada pela família.

Reverenciada com frequência como uma das damas da teledramaturgia brasileira, ela protagonizou novelas de sucesso, destacando-se nesse gênero no país desde a década de 1950.

Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas (RS), em 1934, a atriz iniciou a carreira no teleteatro da TV Tupi. Sua primeira novela foi Um Lugar ao Sol, em 1959.

Ao longo de mais de seis décadas, participou de cerca de 40 produções para televisão, além de realizar trabalhos no teatro e no cinema. Ela esteve em vários longas-metragens, como o filme O Pagador de Promessas, ao lado de Leonardo Villar, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.

A atriz Glória Menezes morreu aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro. Foto: Instagram/gloriamenezesoficial
A atriz Glória Menezes morreu aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro. Foto: Instagram/gloriamenezesoficial
Na televisão, a atriz participou de novelas como Irmãos Coragem, Brega & Chique, Rainha da Sucata, Páginas da Vida e A Favorita.

Em 1963, durante a novela 2-5499 Ocupado, a primeira telenovela diária do país, trabalhou com Tarcísio Meira, com quem se casou no mesmo ano e manteve uma parceria artística em diversas produções. Com o marido, Glória atuou em grandes sucessos, entre as quais Sangue e Areia, Rosa Rebelde, Espelho Mágico e Guerra dos Sexos.

Os dois foram casados por 59 anos, até que Tarcísio Meira morreu em 12 de agosto de 2021, de covid-19.

Glória atuou no teatro e no cinema até os anos 2000. Um de seus últimos trabalhos na TV foi Totalmente Demais, de 2015, no qual interpretou a personagem Stelinha.

Glória Menezes deixa três filhos: Maria Amélia e João Paulo, de uma união anterior, e Tarcísio Filho, do casamento com Tarcísio Meira.

A família não informou até o momento onde será realizado o velório da atriz.

Perda para a cultura

Em nota, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que a perda de Glória Menezes entristece a cultura e a arte do país.

“Uma grande atriz que construiu uma trajetória de mais de seis décadas nos palcos, no cinema e, principalmente, na televisão. Um dos rostos mais populares do Brasil deu vida a personagens que atravessaram gerações”.

Couto relembrou que Glória Menezes, conhecida ao longo de sua carreira por sua versatilidade e talento, interpretou mocinhas, vilãs e personagens de grande destaque. “Sua contribuição para a dramaturgia brasileira deixa um legado que permanecerá na memória do público e das novas gerações de artistas”.

O desembargador manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores de Glória Menezes. “Que sua história e sua arte permaneçam vivas na memória de todos”, concluiu.

O Ministério da Cultura também manifestou pesar pela morte da atriz e solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores.

“Com uma carreira que atravessou diferentes momentos da história da televisão, do teatro e do cinema no Brasil, Glória Menezes deixa um importante legado para a dramaturgia e para a memória cultural do país”, diz o texto, que narra a trajetória da atriz.

Inscrições abertas para Bilioteca Comunitária é Cultura Viva

Estão abertas as inscrições para que bibliotecas comunitárias possam receber a certificação como Ponto de Cultura.

As inscrições do Edital Biblioteca Comunitária é Cultura Viva estão abertas desde a sexta-feira (7) e podem ser realizadas na Plataforma do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP): snbp.cultura.gov.br

Duas certificações ocorrerão em um único processo: a primeira como Biblioteca Comunitária (no âmbito do SNBP) e, a segunda como Ponto de Cultura (Política Nacional de Cultura Viva).

A oportunidade segue em fluxo contínuo a partir da publicação do edital, dia 7 de agosto de 2026.

#Descriçãodaimagem: cartaz com fundo branco, amarelo, azul e verde. Com letras brancas, azuis e pretas está escrito: Inscrições Abertas Edital Biblioteca Comunitária é Cultura Viva Inscrições
snbp.cultura.gov.br

Filme sobre a ditadura paraguaia vence festival Bonito CineSur

Cerimônia de encerramento foi realizada na noite de sábado (1º)

Agência Brasil02/08/2026 - Filme sobre a ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSurFoto: Elaine Patricia Cruz/Agência BrasilFoto: Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil

O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi escolhido pelo júri oficial como o grande vencedor da categoria de melhor longa sul-americano do festival de cinema Bonito CineSur. A cerimônia de encerramento do festival foi realizada na noite de sábado (1º) no Centro de Convenções, na cidade de Bonito (MS).

¿Quién Mató a Narciso? é um filme dirigido por Marcelo Martinessi e baseado no livro Narciso, escrito pelo jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá.

Narciso é inspirado no assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que amava o rock and roll e que foi queimado enquanto dormia. O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar.

Considerado a ditadura mais longa da América do Sul, o governo militar comandado pelo general Alfredo Stroessner promoveu quase 20 mil prisões arbitrárias ou ilegais, 59 execuções, 336 desaparecimentos e torturou quase 19 mil pessoas durante os 35 anos em que ele permaneceu no poder. Além disso, 3.470 pessoas precisaram ser exiladas, segundo dados divulgados em 2003 pela comissão. Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBT+, como Aranda.

“De verdade, este prêmio proporciona um desfecho mais do que lindo”, disse o ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema. “Todos queremos colaborar e continuar contando histórias. Valorizamos nossas narrativas e acreditamos que é preciso contá-las e mostrá-las ao mundo. Temos muito a contar, muitas mensagens a transmitir.”

Em entrevista à Agência Brasil logo após a premiação, o ator reforçou que é preciso contar a história sobre as ditaduras sul-americanas para que elas jamais voltem a se repetir.

“Dizemos que a ditadura terminou há vários anos, mas não somente sentimos que há indícios de que ela segue entre nós, como também estamos começando a ter certos sinais no mundo para os quais temos que estar alertas. Então, este é o momento de abrir os olhos e nós, através do cinema, vamos fazer com que isso não chegue novamente no futuro”, destacou.

Três estatuetas

Outro grande premiado da noite pelo Bonito Cinesur foi o diretor colombiano Alejandro Calderón, que levou três estatuetas para casa. O primeiro troféu conquistado por ele foi por Hipopótamos, el Arca de Escobar, selecionado como melhor curta-metragem de cinema ambiental escolhido pelo júri.

Além disso, ele conquistou mais duas estatuetas pelo longa-metragem Páramos II: El Origen, escolhido tanto pelo público quanto pelo júri oficial como o melhor filme de cinema ambiental. No documentário, Alejandro Calderón reúne um grupo de especialistas para explicar a formação desses ecossistemas e sua importância para o ciclo hídrico, citando os riscos que esse bioma corre por causa da exploração de seus recursos para a mineração, a monocultura e a pecuária.

“Isso é incrível [ser premiado]. Sinceramente, nunca imaginei que isso aconteceria. Estou muito empolgado e isso é também uma recompensa pelos anos de esforço da equipe viajando pela Colômbia, atravessando montanhas, páramos e rios, enfrentando muitas dificuldades e perigos, pois esse é um trabalho de alto risco”, disse ele à reportagem.

Ao receber os prêmios, Calderón prestou uma homenagem especial a 150 ativistas ambientais colombianos que foram assassinados nos últimos três anos. “A Colômbia é o país com o maior número de assassinatos de líderes ambientais – pessoas que dependem do meio ambiente”, citou ele, ao discursar.

“Muitos dos diversos líderes ambientais retratados em nossos filmes sofreram ameaças e alguns deles nos pediram para que déssemos mais visibilidade ao seu trabalho. Eles encaram a visibilidade como uma forma de proteção: em vez de permanecerem ocultos, querem que o mundo saiba quem são e o que fazem, para que todos possamos trabalhar juntos em sua proteção”, disse o diretor à reportagem.

O festival

Na quarta edição, o Bonito CineSur apresentou 32 filmes de dez países sul-americanos entre curtas e longas. Além disso, o festival promoveu aulas, debates, atividades de formação, encontros com realizadores e sessões especiais em homenagens à atriz Paulina Garcia e aos cineastas Vincent Carelli e Luiz Puenzo.

Já para as próximas edições, destacou o diretor do festival Nilson Rodrigues, a expectativa é conseguir reunir ainda mais países sul-americanos, de modo que se forme um bloco para produção e divulgação audiovisual.

“Nós precisamos ser um bloco, precisamos criar condições para circular os nossos produtos entre nossos vizinhos. Se a Europa se transformou em um bloco, quando circulam produtos, pessoas e a economia se desenvolve, nós também haveremos de ser um bloco, na América do Sul. Mas cedo ou mais tarde nós seremos”, disse ele, durante a cerimônia de premiação.

“O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem nós queremos trazer aqui para o festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais para que a gente possa se conhecer mais e para que a gente possa ter o direito de se ver nas telas de cinema”, acrescentou Rodrigues.

Confira a lista com todos os filmes premiados pelo festival Bonito CineSur:

Melhor filme sul-mato-grossense

  • Higa Ke – Olho por Olho (escolhido pelo júri popular)
  • Natasha (escolhido pelo júri oficial)

Melhor curta de cinema ambiental

  • Buen Vivir – Ñutse Canseye, do Equador (escolhido pelo júri popular)
  • Hipopótamos, el Arca de Escobar, da Colômbia (escolhido pelo júri oficial)

Melhor longa de cinema ambiental

  • Páramos II: El Origen, da Colômbia (escolhido pelo júri popular)
  • Páramos II: El Origen, da Colômbia (escolhido pelo júri oficial)

Melhor curta sul-americano

  • A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca, do Brasil (escolhido pelo júri popular)
  • Sukua, da Colômbia (escolhido pelo júri oficial)

Melhor longa sul-americano

  • Naira, do Peru (escolhido pelo júri popular)
  • ¿Quién Mató a Narciso?, do Paraguai (escolhido pelo júri oficial).

Nascido há 100 anos, Moacir Santos fundiu ancestralidade e erudição

Obra extensa costurou ritmos afro-brasileiros e jazz

Rádio NacionalMoacir Santos na época do projeto “Ouro negro”: músicas para trilhas de quatro filmes agora têm partituras Foto: Fábio Seixo/ DivulgaçãoFábio Seixo/Divulgação

Compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, Moacir Santos completaria 100 anos neste dia 26 de julho. Com uma extensa obra que se destaca pela fusão de ritmos afro-brasileiros com o jazz, o músico ainda carece de maior reconhecimento no Brasil. 

Sua canção mais conhecida é Nanã, que homenageia a orixá mais antiga das religiões afro-brasileiras. A reza de pessoas numa procissão foi o ponto de partida para a melodia. Trilha de abertura do filme Ganga Zumba, ganhou letra de Mário Telles e foi gravada por uma centena de artistas, como Nara Leão, Sergio Mendes, Tim Maia e nomes do jazz, como Kenny Burrell e Gil Evans.  

Nascido no Sertão Pernambucano, na região de Serra Talhada, o maestro aprendeu a tocar os instrumentos de banda marcial ainda criança. O músico morreu em Los Angeles, onde morava, em 2006, aos 80 anos, em decorrência de um derrame.

Em depoimento recuperado de um especial da Rádio MEC, em 2016, Moacir Santos relembra os primeiros contatos com a música. 

“Quando eu entendi a vida, que era um ser vivo, a música também já estava comigo. A gente brincava de banda de música da cidade. Lá em Flores, era muito natural os meninos andarem nus, sem roupinha, até lá pelos 9, 10 anos de idade. Então, eu, com 10 anos, tinha minha banda de meninos nus no meio da rua, tocando a marchinha. Então, esse foi meu contato com música”. 

Na adolescência, o músico fugiu de casa e rodou o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares. Allan Abbadia, multi-instrumentista, arranjador, compositor e pesquisador, explica que as bandas de música têm uma importância na formação do país e que Moacir Santos veio dessa tradição. 

“No Brasil Império, a gente tinha quase que a totalidade de músicos no país, pessoas negras. Então, as bandas eram o rádio da cidade, dos eventos de domingo. O Moacir vem dessa tradição. Ao chegar aos grandes centros, ele já veio com essa tradição, e ele acrescentou a isso, os estudos mais aprofundados”. 

Moacir Santos foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro. Foto Wikipedia/ Divulgação
Moacir Santos foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro. Foto Wikipedia/ Divulgação

Professor de grandes nomes

Em João Pessoa, Moacir foi regente da banda da Rádio Tabajara e, depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde atuou na Rádio Nacional como saxofonista a partir de 1948. Três anos depois, já era arranjador da orquestra da emissora.

Foi aluno do maestro César Guerra-Peixe, e professor de Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira, Roberto Menescal, entre outros.

Andrea Ernest Dias, flautista e autora do livro Moacir Santos, ou os caminhos de um músico brasileiro, conta que o artista construiu uma identidade sonora a partir de pesquisas aprofundadas em teoria musical ─ o que fez com que músicos mais jovens quisessem aprender com o mestre. 

“Para quem queria se aprofundar um pouco, sair do campo da intuição musical e saber, o Moacir se tornou essa pessoa que fazia essa ponte, entre a erudição e o popular. Então, se tornou o professor de muita gente”.

Ainda na década de 1960, Moacir arranjou álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell, e compôs trilhas de filmes ─ parte delas lançadas no álbum Coisas, de 1965. Considerado sua obra-prima, o trabalho reúne 10 composições, todas com o título coisa seguido de uma numeração. Andrea Ernest Dias comenta a genialidade do músico na fusão de ritmos afro-brasileiros com os sopros das bandas de jazz. 

“O disco Coisas é uma uma síntese dessa trajetória dele. Ele tem referências das bandas filarmónicas, tanto na instrumentação das bandas filarmônicas quanto nas jazz bands, que é uma tradição forte pelo país desde os anos 40. A pesquisa na Orquestra Afro-brasileira trazendo essa identidade, digamos, afro-brasileira, é uma marca mais forte nessa instrumentação e principalmente nessa estruturação musical perfeita”.

Mudança para o exterior

Em 1967, Moacir Santos deixou a Rádio Nacional e se mudou para os Estados Unidos, onde seguiu dando aulas e compondo trilhas de cinema, nas equipes dos maestros Henry Mancini e Lalo Schifrin.

Na década de 70, lançou álbuns pela renomada gravadora de jazz Blue Note, entre eles, Maestro, indicado ao Grammy. Andrea Ernest Dias fala sobre o “mojo”, inovação trazida por Moacir neste trabalho.  

“O mojo é uma espécie de síntese, um sistema que ele criou, muito swingado, uma coisa que a gente ouve e imediatamente fala: ‘Isso aí é ritmo do Moacir’. Então, ele sistematizava as próprias células rítmicas e transformou esse ritmo numa marca pessoal mesmo. O disco Maestro marca uma nova etapa na vida do maestro Moacir Santos. Um disco realizado nos Estados Unidos e que traz ritmos intrigantes, digamos assim”.

Em 1985, Moacir Santos foi homenageado no 1º Free Jazz Festival e tocou na abertura do evento, ao lado de Radamés Gnatalli. A obra do maestro foi revisitada pelos músicos Zé Nogueira e Mario Adnet, no projeto Ouro Negro, com participações de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do próprio Moacir Santos. O álbum Ouro Negro foi a porta de entrada para a obra do músico para ouvintes como o Allan Abbadia.

“Ele é fruto de uma genialidade incrível e uma intelectualidade conquistada através dos estudos também da nossa oralidade, estudos da cultura afro-brasileira. Uma das características mais marcantes dele é o diálogo entre diferentes expressões artísticas da diáspora. Então, ele vem juntando várias dessas expressões com a música erudita. E ele conseguiu trazer essa essência da música afro-brasileira, afro-diaspórica, sem se tornar folclórico”.

Neste ano, já aconteceram alguns eventos em comemoração ao centenário de Moacir Santos e, no mês de agosto, Allan Abbadia vai dar aulas sobre a obra de Moacir Santos no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo. 

“É muito importante reverenciar a obra do Moacir Santos. Não somente o nome, mas a estética. O público entender essa estética, entender o que ele quis dizer, é muito importante. Isso humaniza o artista”.

“Ele faz uma obra que está à frente do seu tempo, mas uma obra que abre um campo de possibilidades para quem vier no futuro conseguir reler aquilo e se debruçar sobre aquilo. Quando eu era garoto, eu fiz workshop com ele e ele falava: ‘ser reconhecido no meu país é a minha maior alegria’”.

Vinícius de Moraes, parceiro das composições Menino travesso e Se você disser que sim, homenageou Moacir Santos nos versos do Samba da benção.

Moacir Santos Jr.Foto Lídio Parente/divulgação
Moacir Santos, por Lídio Parente/divulgação