Categoria: Cultura

Escritora Nathacha Appanah é um dos destaques internacionais da Flip

Autora falou sobre livro que trata de violências íntimas e sociais
Agência Brasil

Rio de Janeiro - 25/07/2026 - Pela primeira vez no Brasil, a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah  chega à @flip_se com a edição brasileira de Noite no Coração . Foto: Bazar do tempo
A escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah – Foto: Bazar do tempo

A Festa Literária de Paraty (Flip), na 24ª edição, teve uma escolha relevante para ampliar a diversidade geográfica e cultural dos convidados, reunindo escritores de diferentes países e trajetórias.

Um dos destaques é a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah, cuja obra mais recente narra os destinos de três mulheres submetidas à violência doméstica. A convidada esteve em mesa do programa principal da Flip, nesta sexta-feira (24).

Com uma obra marcada pela investigação das violências íntimas e sociais, a escritora define Noite no coração (Bazar do Tempo), traduzido e publicado em mais de 15 países, como uma tentativa de romper o silêncio.

As personagens têm origem em histórias reais, sendo uma delas inclusive a própria autora. As outras duas foram assassinadas por seus companheiros.

Ela relatou que a obra traz elementos não apenas de um relato, mas de romance e reflexão.

“Tudo isso estava contido neste livro e que sobretudo havia nele a tentativa de uma escritora de colocar adiante a linguagem e sua própria condição”, disse, durante o evento.

A autora contou ainda que, no início da produção da obra, há mais de cinco anos, tinha consciência de que se tratava de um livro primeiramente sobre o tempo.

“Eu tinha a impressão de que a única coisa que eu poderia fazer como objetivo literário seria contrair o tempo, fazer com que três mulheres que jamais se encontraram ou conheceram existissem no mesmo local, trazer essas três existências pra dentro do livro.”

Nascida nas Ilhas Maurício, dentro de uma família de imigrantes indiano e que se radicou na França, Nathacha explicou como a ideia de deslocamento e de migração marca sua vida e sua escrita.

“O que eu aprendi antes dos deslocamentos, antes do que é deslocamento, é que nenhuma língua é superior às outras. Havia a língua do coração, da intimidade, da escola. Havia a língua que nós falamos com um vizinho específico, uma língua de sedução”, disse.

“E todas essas línguas na minha casa, na minha vida, formavam uma espécie de existência. As Ilhas Maurício ficam muito longe de tudo, e nessa casa estranha – eu digo estranha, mas era muito bela – eu tinha a impressão de ter o mundo ao meu alcance”, concluiu.

A escritora mencionou que morava com seus pais e avós, duas gerações que já apresentavam diferenças importantes entre elas e que marcaram sua vivência.

“Meus avós eram pessoas que nasceram e viveram numa plantação de cana-de-açúcar na era colonial. Eles falavam uma língua indiana, que é minha língua materna”.

“E, ao lado dos meus pais, que eram pessoas instruídas, que frequentavam a escola, que trabalhavam, eu tinha a impressão de viver como num fio que se estendia entre um passado que eu jamais havia conhecido, mas cujas histórias chegavam até mim porque minha avó contava muitas coisas, ela me falava em várias línguas. Por outro lado, havia meus pais que viviam numa modernidade voltada para o exterior, para fora”, acrescentou.

Na mesma mesa, estava também a brasileira Bethânia Pires Amaro, que em Ressalga (Record) traz o tema da violência de gênero, em uma narrativa sobre três gerações de mulheres na Bahia.

Para narrar a vida de personagens, a escritora relatou que uma das ferramentas é recorrer ao realismo mágico.

“O realismo mágico acaba trazendo um olhar muito rico e muito particular que permite uma aproximação um pouco mais indireta. E que vai brincar um pouco também com essa imaginação do leitor, vai mostrar, por exemplo, essas mulheres não reduzidas àquelas violências, mas como seres que realmente estão florescendo”, disse.

*A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

Mulheres negras exaltam Tereza de Benguela e cobram titulação de terra

Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é neste sábado (25)

Rádio NacionalRio de Janeiro - Mulheres marcham em Copacabana para celebrar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, durante a 3ª Marcha das Mulheres Negras no Centro do Mundo (Tânia Rêgo/Agência Brasil)Tânia Rêgo/Agência Brasil

Neste sábado (25), é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, marco de reconhecimento da luta pelos direitos das mulheres negras. Desde 2014, o 25 de julho é também o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola.

Tereza de Benguela viveu no século 18 e se tornou líder do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, depois que seu marido, José Piolho, foi assassinado por soldados do estado. Conhecida como “rainha Tereza”, ela liderou por 20 anos a comunidade de mais de 100 pessoas – entre indígenas e negros – que resistiu à escravidão até 1770. 

>> Ouça na Radioagência Nacional: Legado de Tereza de Benguela é celebrado no Dia da Mulher Negra

Tereza de Benguela
Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso – Fundação Cultural Palmares – Governo Federal

Não se sabe se Tereza morreu em combate contra portugueses que invadiram o quilombo ou se ainda conseguiu viver mais alguns anos. Também é incerto o local onde nasceu – se em algum país do continente africano ou no Brasil. O que se sabe é que Tereza de Benguela tornou-se referência de luta e resistência para as mulheres negras do Brasil.

Leonor Costa, jornalista, pesquisadora em Direitos Humanos e militante do Movimento Negro Unificado, destaca o legado deixado pela líder quilombola. 

“Teresa de Benguela tem a nos ensinar que, diante da opressão, não há outra alternativa que não seja a luta, que não seja o enfrentamento de um sistema que oprime.”

Documentos históricos indicam que Tereza de Benguela governava o quilombo em um sistema semelhante ao de um Parlamento, com decisões tomadas coletivamente.

 Brasília - 25/07/2026 - Selma Dealdina Mbaye, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas. Foto: Ester Cezar/ISA
Selma Dealdina Mbaye cobra urgência na titulação de terras quilombolas – Ester Cezar/ISA
Para Selma Dealdina Mbaye, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, a força da rainha Tereza está viva na luta das mulheres pelo direito à terra. Ela destaca a urgência da titulação de territórios quilombolas como pauta deste 25 de julho. 

“A maioria do público dos territórios quilombos é formada por mulheres e essas mulheres também anseiam ver os seus territórios titulados, livres de grilagem de terras, da exploração, da mineração, livre de todas as violências e violações.”

Segundo ela, há o Brasil mais de 8 mil quilombos, que reúnem mais de 1,3 milhão de pessoas, em 24 estados e mais de 1,7 mil municípios. “Então, a gente tem um número significativo de pessoas nesses espaços e a gente precisa cada vez mais garantir esses territórios.”

Memória

Desde 2014, a dia 25 de julho foi instituído por lei como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data nacional soma-se ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado desde 1992, quando ocorreu o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana.

O evento contou com representantes de mais de 30 países, que denunciaram violências como o racismo e as desigualdades sofridas por mulheres negras e buscaram construir uma agenda coletiva de mobilização. 

No Brasil, desde 2013, ocorre o Julho das Pretas, iniciativa criada pelo Odara, Instituto da Mulher Negra de Salvador. Este ano, a agenda da 14ª edição reúne mais de 600 atividades espalhadas pelo país, organizadas por quase 300 coletivos ao longo do mês.

Entre as ações, está a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que exige justiça por Luana Barbosa, mulher negra e lésbica, espancada e morta há dez anos, depois de se recusar a ser revistada por policiais homens durante uma abordagem em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. 

Macaúbas inspira exposição fotográfica “Presságio”, em cartaz no Museu de Arte da Bahia

Macaúbas inspira exposição fotográfica "Presságio", em cartaz no Museu de Arte da Bahia
O fotógrafo e artista visual Marcelo Vaz – Foto: Alex Dantas

A cidade de Macaúbas, no Centro-Sul da Bahia, é a grande protagonista da exposição “Presságio”, primeira mostra individual do fotógrafo e artista visual Marcelo Vaz, em cartaz no Museu de Arte da Bahia (MAB), em Salvador, até o dia 23 de agosto. Com entrada gratuita, a exposição convida o público a mergulhar na paisagem, na memória e na sensibilidade do sertão baiano por meio de uma série de fotografias que retratam a relação do povo sertanejo com a chuva e a natureza.

Realizada com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), a mostra reúne 26 fotografias documentais produzidas exclusivamente em Macaúbas. As imagens constroem uma narrativa visual inspirada na espera pela chuva, elemento essencial para a vida no sertão. Entre os registros estão céus carregados de nuvens, a vegetação marcada pela seca, o solo árido, os açudes, manifestações de fé e paisagens que revelam a força e a beleza da região.

Natural de Macaúbas, Marcelo Vaz afirma que o projeto nasceu das lembranças da infância e da convivência com o cotidiano sertanejo. Segundo o artista, sua terra natal permanece como a principal fonte de inspiração para sua produção fotográfica.

“Macaúbas é a minha origem. Foi onde nasci, cresci, construí minhas primeiras referências, onde aprendi a observar a natureza e a vida do sertão. Hoje percebo que minhas fotografias carregam essa herança afetiva e traduzem um olhar formado pela experiência de viver e recordar tudo isso”, destaca.

Além das fotografias em grandes formatos, a exposição apresenta uma instalação em forma de janela, elemento que simboliza o ponto de partida da pesquisa artística de Marcelo Vaz. Foi observando o céu pelas janelas de sua casa, em Macaúbas, que o fotógrafo iniciou o registro diário das nuvens, prática que deu origem ao projeto “Presságio”.

A curadoria é assinada pela artista multidisciplinar Helen Salomão, que também idealizou uma instalação composta por grandes nuvens suspensas no teto do espaço expositivo. A proposta é ampliar a experiência do visitante, criando um ambiente imersivo que desperta a contemplação da natureza e convida o público a refletir sobre sua conexão com o universo e com os ciclos naturais do sertão.

Flip celebra legado de Orides Fontela com lançamento de obras inéditas

Poetisa será a homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty
Agência Brasil

Orides de Lourdes Teixeira Fontela (1940–1998) foi uma poeta e filósofa brasileira, celebrada pela crítica pelo alto rigor formal, concisão e misticismo. Foto: Fritz Nagib/ Divulgação
A filósofa e poetisa Orides Fontela como homenageada da (Flip) – Fotp: Fritz Nagib/ Divulgação

A 24ª edição Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começou nesta quarta-feira (22) e vai até domingo (26), terá a filósofa e poetisa Orides Fontela como homenageada.

Para celebrar sua obra e seu legado, haverá três lançamentos no festival: um livro ilustrado para crianças e jovens, uma coletânea inédita de escritos críticos e entrevistas, além da nova edição – revista e ampliada – da biografia da poeta.

Autora de uma poesia concisa e reflexões profundas, Orides é reverenciada pela crítica e por diferentes gerações de escritores, mas ainda pouco conhecida pelo grande público.

Nascida em São João da Boa Vista (SP), a autora publicou cinco livros de poesia ao longo de sua carreira: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia.

Com as novas publicações durante a Flip, a editora Hedra anunciou a intenção de promover novas formas de aproximação do público com Orides, revelando aspectos pouco conhecidos da vida, do pensamento e do processo de criação da autora.

Abrindo a agenda de lançamentos da editora, a obra infantojuvenil Pelos Olhos de Orides reúne poemas selecionados por Augusto Massi, com ilustrações de Cynthia Cruttenden e posfácio de Odilon Moraes. 

Conversas: Escritos e Entrevistas de Orides Fontela, organizado por Ieda Lebensztayn, Mário Alex Rosa e Augusto Massi, reúne um conjunto de entrevistas, depoimentos e ensaios em que a poeta reflete sobre literatura, filosofia, linguagem e criação poética. O volume tem ainda um texto inédito da autora, além de entrevistas que nunca tinham sido publicadas em livro.

O terceiro lançamento é a edição revista e ampliada de O Enigma Orides, uma biografia da poeta, elaborada pelo pesquisador e jornalista Gustavo de Castro. A publicação tem novo texto de apresentação, um capítulo inédito e um caderno iconográfico com fotografias e documentos.

Confira os eventos de lançamento

23/07 às 15h, na Casa Da Árvore – Lançamento de Pelos olhos de Orides Fontela
Conversa com Augusto Massi, Cynthia Cruttenden  |  Mediação: Cristiane Tavares

24/07, às 19h, na CASA MinC – Reeditando Orides + Sarau Orides
Com Augusto Massi: as primeiras edições; Cristina Yamazaki: a reedição pela Hedra; Maíra Nassif: a recepção de Orides na Relicário; Patrícia Lavelle: poeta e pesquisadora de Orides |  Mediação: Marília Garcia
 
25/07, às 12h, na Casa De Cultura – Poesia exemplar: Orides e Brecht
Conversa com Tercio Redondo e Ivan Marques, e celebração do lançamento de Conversas: Escritos e entrevistas de Orides Fontela  |  Mediação: Paulo Pompermaier

Luto no cinema brasileiro: morre Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos

Diretor, produtor e jornalista estava internado no Copa Star, no Rio

Agência BrasilRio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilO cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto e sua esposa Lucy Barreto – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, responsável por uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual nacional.

Ao longo de mais de seis décadas, participou diretamente da construção do Cinema Novo e da consolidação da indústria cinematográfica brasileira, assinando mais de uma centena de produções que marcaram gerações.

Barreto estava internado desde segunda-feira (20), no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para tratar uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. O velório será nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cremação ocorrerá no Memorial do Caju.

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto formaram o casal mais influente da produção cinematográfica brasileira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 
Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem estava casado desde 1954, formou o casal mais longevo e influente da produção cinematográfica brasileira. Juntos, fundaram a LC Barreto, produtora que completa 63 anos de existência e que se tornou referência na realização de filmes responsáveis por projetar o cinema nacional dentro e fora do país.

A empresa produziu clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, os dois últimos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

A história da família Barreto se confunde com a própria história do cinema brasileiro. Os três filhos do casal, Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto, seguiram carreira no audiovisual e assumiram papéis importantes na produtora. A paixão pelo cinema nasceu ainda dentro da casa da família, onde foi instalada uma das primeiras moviolas do país.

Ali foram montados filmes fundamentais do Cinema Novo, entre eles Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Os Fuzis, de Ruy Guerra. A trajetória familiar também foi marcada pela tragédia: em 2009, o diretor Fábio Barreto sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma por dez anos, até sua morte, em 2019.

Muito antes de se tornar um dos maiores produtores do Brasil, Luiz Carlos Barreto construiu carreira como fotojornalista da revista O Cruzeiro, onde trabalhou como repórter fotográfico e correspondente na Europa. Cobriu acontecimentos históricos e fotografou personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

O primeiro contato com uma produção cinematográfica ocorreu ainda na infância, quando acompanhou a passagem de Orson Welles pelo Ceará, durante as filmagens de um documentário sobre os jangadeiros. Mais tarde, um encontro com Glauber Rocha, durante as filmagens de Barravento, mudaria definitivamente seu destino, aproximando-o do Cinema Novo.

Como diretor de fotografia, Barretão ajudou a construir a identidade visual de duas obras-primas do cinema brasileiro: Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967). Depois, como produtor, tornou-se um dos principais articuladores do audiovisual brasileiro, ampliando a capacidade de produção nacional e levando filmes brasileiros aos maiores festivais do mundo.

Em outubro de 2023, aos 95 anos, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto participaram do programa Cine Resenha, da TV Brasil, em uma edição especial dedicada à trajetória da LC Barreto. Durante a entrevista, o casal relembrou o início da carreira, o período em que o jornalismo antecedeu o cinema, as histórias da família e a construção da produtora que se transformou em uma das mais importantes da América Latina. O especial também homenageou a filmografia da empresa e destacou a contribuição do casal para o desenvolvimento do cinema nacional.

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 – Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A morte de Barretão provocou manifestações de pesar entre produtores, diretores e representantes do setor audiovisual, em entrevista para à Agência Brasil, amigos do cinema se pronunciaram: como o diretor Cavi Borges, fundador da Cavideo, destacou a importância do cineasta para diferentes gerações.

“O Barretão era uma grande inspiração. Não era apenas o produtor que conseguia viabilizar financeiramente os filmes; ele também pensava o cinema. Como fotógrafo, participou de obras-primas como Vidas Secas e Terra em Transe. Depois, como produtor da LC Barreto, ajudou a construir o Cinema Novo. Era um homem humilde, divertido, com uma memória impressionante.  Sempre contava histórias do cinema brasileiro. Se não tivesse existido o Barretão, talvez não existissem a Cavídeo, o Estação e tantos projetos ligados ao cinema brasileiro. É uma perda enorme para o Brasil.”

A produtora de cinema, amiga e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do Rio de Janeiro, Glaucia Camargos, afirmou que Barreto foi um dos maiores defensores da cultura nacional: “Luiz Carlos faz parte daquele grupo de brasileiros que pensava o país acima de tudo. Nacionalista convicto, foi um homem único. O cinema perde seu Apóstolo-Mor. Fotógrafo de Vidas Secas, produtor de mais de cem filmes, amigo querido de toda uma vida de luta pelo cinema brasileiro.”

O produtor Nilson Rodrigues, amigo de longa data do cineasta, também lamentou a perda.

“O Brasil e o cinema brasileiro devem muito ao Luiz Carlos Barreto. Eu perdi um amigo, um mestre. Ele dizia que um país sem cinema é como uma casa sem espelho. Nunca me esqueci disso. Aprendi muito com ele. Sem Luiz Carlos Barreto, o cinema brasileiro seria apenas metade do que é hoje. Já estou com saudades. Foi-se um gigante.”

Para a cineasta Carla Camurati disse Barreto foi o “grande guerreiro, o melhor, o grande soldade do cinema brasileiro”.

“Perdemos um grande produtor, que nos deixou aos 98 anos e nos deixa um legado de 80 anos dedicados ao cinema brasileiro, em muitas frentes. Defendeu o cinema politicamente, brigou quando fez Deus e o Diabo na Terra do Sol com Glauber. É uma figura muito importante para o cinema brasileiro. Essa é a verdade.”

Em nota oficial, o Ministério da Cultura destacou que Luiz Carlos Barreto foi “um dos mais importantes nomes da história do cinema brasileiro”, ressaltando sua atuação como fotógrafo, jornalista, produtor e um dos protagonistas do Cinema Novo. A pasta também lembrou que, ao lado de Lucy Barreto, ajudou a projetar internacionalmente o cinema brasileiro e consolidou uma indústria cultural reconhecida mundialmente.

A morte de Luiz Carlos Barreto encerra uma das mais importantes trajetórias da cultura brasileira, mas deixa um legado permanente. Ao lado de Lucy, transformou a produção cinematográfica nacional, revelou talentos, fortaleceu a indústria audiovisual e ajudou a contar, por meio do cinema, a história do Brasil para o mundo.

Três dias de luto

Tanto o governo federal quanto a prefeitura do Rio de Janeiro decretaram três dias de luto pela morte do cineasta. “Seu amor pelo Brasil, seu talento e, sobretudo, seu espírito inquieto o transformaram no mais importante produtor do cinema nacional nos últimos cinquenta anos. Em reconhecimento à sua obra e à sua contribuição para a cultura brasileira, decreto luto oficial de três dias”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em nota, a prefeitura destacou: “Barretão, como ficou conhecido no meio cultural, foi um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro. Além de diretor, foi um dos mais influentes produtores cinematográficos do país”.  

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Gravação do programa Cine Resenha com Luiz Carlos Barreto e Lu, por Fernando Frazão/Agência Brasil
Saiba mais sobre a vida e obra de Barretão no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Matéria 

Escritor Leandro Flores conquista prêmio internacional durante a III Feira Internacional do Livro de Jauja, no Peru

O escritor, poeta, editor, jornalista, advogado e embaixador cultural Leandro Flores, recebeu o prêmio Escritor Revelação 2026, concedido pela Confederação Internacional do Livro no Peru.

Condeúba volta a ganhar destaque no cenário cultural internacional por meio do escritor, poeta, editor, jornalista, advogado e embaixador cultural Leandro Flores, que recebeu o prêmio Escritor Revelação 2026, concedido pela Confederação Internacional do Livro, instituição sediada no Peru, durante a cerimônia de encerramento da III Feira Internacional do Livro de Jauja.

Realizada entre os dias 10 e 19 de julho, a feira reuniu escritores, poetas e instituições culturais de diversos países em uma programação híbrida, consolidando-se como um importante espaço de intercâmbio literário na América Latina.

Além da premiação, Leandro Flores teve participação ativa na programação do evento, atuando como apresentador de uma das atividades internacionais e representando o Global Institute for Literature and Cultural Consciousness, o Movimento Cultivista Brasil e a Editora Novos Sabores Publicações. Durante sua participação, conduziu homenagens a Luiz Gama, um dos maiores nomes da história brasileira, e a Leandro Gomes de Barros, considerado o Pai da Literatura de Cordel Brasileira, levando ao público internacional importantes referências da literatura e da cultura nacional.

A conquista também simboliza o resultado de um trabalho desenvolvido pela Agência Evidencie – Marketing para Escritores e pela Editora Novos Sabores Publicações, baseado em planejamento estratégico, produção de conteúdo, assessoria de imprensa, produção de textos jornalísticos, resenhas literárias, tradução de materiais, fortalecimento da presença digital, campanhas de divulgação, construção de parcerias e desenvolvimento de estratégias voltadas ao posicionamento e à valorização de escritores e de suas obras.

Para Leandro Flores, o reconhecimento representa a consolidação de um projeto construído com estratégia, cooperação e visão de longo prazo.

> “Esse reconhecimento demonstra que resultados são construídos com planejamento, parcerias sólidas, presença, constância e uma estratégia bem definida. É uma conquista coletiva, fruto do trabalho de pessoas e instituições que acreditam no poder transformador da literatura.”

Para Condeúba, o reconhecimento representa mais do que uma conquista individual. É a demonstração de que talentos do município podem alcançar projeção internacional quando há dedicação, estratégia e compromisso com a cultura.

A premiação reforça o nome de Condeúba no cenário literário internacional e evidencia o potencial da produção cultural do município para estabelecer pontes com escritores, instituições e projetos de diferentes países, fortalecendo o intercâmbio cultural e ampliando o alcance da literatura produzida por seus representantes.

Conselho Municipal de Política Cultural aprova Regimento Interno em Livramento

Conselho Municipal de Política Cultural aprova Regimento Interno em Livramento
Foto – Divulgação

Na manhã da última terça-feira (13), foi realizada a segunda reunião ordinária do Conselho Municipal de Política Cultural de Livramento de Nossa Senhora. O encontro marcou mais um importante passo para o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor cultural no município.

Durante a reunião, os conselheiros deliberaram e aprovaram o Regimento Interno do Conselho, documento que estabelece as normas de funcionamento do colegiado, além de discutirem outras ações voltadas ao desenvolvimento, planejamento e gestão da política cultural de Livramento.

A reunião contou com a participação do secretário municipal de Cultura, Hugolino Lima, além dos membros do Conselho Municipal de Política Cultural, que contribuíram com debates e propostas para o fortalecimento das ações culturais no município.

A Prefeitura de Livramento de Nossa Senhora, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, reafirma seu compromisso com a valorização da cultura local e com o fortalecimento dos mecanismos de participação social, promovendo ações que contribuam para o desenvolvimento cultural do município.

Condeúba celebra a arte do encontro através do Movimento Cultivista Café com Poemas

A Biblioteca Municipal de Condeúba foi palco de mais uma noite memorável nesta última segunda-feira 13, ao sediar o encontro tão esperado do Movimento Cultivista Café com Poemas. Com o apoio da Secretaria de Cultura e da Prefeitura Municipal, o evento reafirmou o papel do município como um polo de efervescência literária na região.

O encontro reuniu vozes marcantes da nossa literatura, como os escritores Professor Agnério Evangelista, Antônio Santana e Paulo Henrique Cordeiro, além de contar com o apoio de ativistas e incentivadores da cultura local como Helen Catharine, Regina Célia, Políbio Carvalho, Maria Heloísa Noaves, Mateus, Sara Novaes, Sandra Maria, Cleide, Mariana Penides e do vereador Zé de Fernando.

Uma trajetória de sensibilidade

Muito mais do que um evento isolado, o encontro celebrou uma história que vem sendo escrita desde 2017. O Café com Poemas nasceu com a missão de fortalecer a arte da escrita, lapidar novos talentos e manter vivo o hábito de cultivar a boa poesia em Condeúba.

A noite foi preenchida por recitais que emocionaram o público presente. Para Mariana Penides, embaixadora e ativista do movimento, a essência do projeto vai além dos livros:

“O encontro de ontem nos convida a olhar para os talentos da nossa terra com mais carinho e a explorar a liberdade de compartilhar o que verdadeiramente sentimos através da poesia.”

25 ANOS DE HISTÓRIA: PIRIPÁ RECEBE GRANDES NOMES DA CAPOEIRA BAIANA NO III ‘MANO MEU TÔ POR CÁ’

​Nos próximos dias 10 e 11 de julho de 2026, o município de Piripá, situado no sudoeste do estado, respirará ancestralidade, esporte e tradição. A cidade foi escolhida para sediar o III Mano Meu Tô Por Cá — Vivenciando a Caatinga, iniciativa que este ano ganha contornos ainda mais especiais: o evento celebra oficialmente os 25 anos de fundação do Movimento Cultural Axé Ginga, uma trajetória de um quarto de século marcada pelo fomento à arte e pela forte atuação em inclusão social na região.

​O encontro, desenhado em um formato de imersão cultural, contará com oficinas práticas, rodas de capoeira e debates técnicos conduzidos por grandes referências da capoeiragem baiana. Estão confirmadas as participações do Mestre Val Tragédia (Feira de Santana-BA), Mestre Borracha (Itapetinga-BA), Contra-Mestre Celso (Vitória da Conquista-BA) e da Professora Gabi (Serrinha-BA).

​Para o organizador geral do evento, Ademir Bispo dos Reis, o momento representa a coroação de um trabalho de longo prazo.

​”Celebrar 25 anos do Movimento Axé Ginga aqui em Piripá, com o III ‘Mano Meu Tô Por Cá’, é a realização de um sonho de resistência. Ver grandes mestres do nosso estado e os conselheiros de cultura reunidos na nossa terra prova que a capoeira é uma força viva, que transforma vidas e salvaguarda a nossa identidade na Caatinga. É um momento histórico para todos nós”, destacou Ademir Bispo dos Reis.

A realização de um evento deste porte reflete a organização e a colaboração entre as esferas civil e pública. O projeto conta com o respaldo e apoio institucional da Prefeitura Municipal de Piripá, sob a liderança do Prefeito Cristiano e do Vice-Prefeito Domingos da Saúde.

​A viabilização do encontro acontece através do empenho integrado da Coordenação de Cultura, da Coordenação de Esporte e da Secretaria de Educação, que enxergam na capoeira um poderoso vetor para unir educação, bem-estar e preservação histórica para a comunidade local. Visando a total segurança e o cuidado com os atletas e o público presente, o evento terá também a cobertura e o suporte preventivo da equipe da Equipe Secretaria de Saúde.
Vozes do Cenário Cultural em Destaque

O III “Mano Meu Tô Por Cá” desponta também como um importante fórum de articulação e salvaguarda de políticas públicas. A coordenação do evento estende um agradecimento de destaque à Presidente da Câmara de Cultura do Estado da Bahia (Conselho Estadual de Cultura) pela constante defesa das tradições baianas.

​Fortalecendo o prestígio institucional do encontro, a organização celebra a valiosa parceria e a presença confirmada dos Conselheiros da Câmara de Cultura do Estado da Bahia:
* Dr. Nelson: Conselheiro atuante na cadeira de Patrimônio Histórico, Material e Imaterial;
* ​Vinícius Rodrigues: Conselheiro representante das Culturas Populares e Identitárias;
* ​Danilo: Conselheiro titular do segmento de Música e Manifestações Tradicionais.
A participação dessas lideranças estaduais reforça o peso político e cultural do debate, consolidando Piripá como referência na preservação do patrimônio imaterial.

Memória Registrada:

​Para garantir que cada detalhe, expressão e movimento desta festividade histórica fiquem registrados para a posteridade, a cobertura fotográfica oficial do evento será realizada em parceria com a renomada plataforma Fotop, que traz tecnologia de ponta na distribuição de imagens de alta resolução.

​O olhar sensível e a captação das imagens ficarão sob a responsabilidade do experiente fotógrafo Raul Martins (da Raul Martins Fotografia), profissional encarregado de eternizar a plástica da capoeira. Raul compartilhou a sua expectativa para a cobertura do jubileu:

​”Como fotógrafo, minha missão no III ‘Mano Meu Tô Por Cá’ vai muito além de dar um clique. Minha meta é capturar a alma de cada movimento, a energia das rodas e a emoção desse jubileu de prata de 25 anos do Axé Ginga. Através das lentes e em parceria com a Fotop, vou eternizar a ancestralidade e a beleza plástica da capoeiragem em Piripá para a posteridade.”

* Agradecimentos: Presidente da Câmara de Cultura do Estado da Bahia e Conselheiros Estaduais: Dr. Nelson, Vinícius Rodrigues e Danilo

* Apoio Oficial: Prefeitura Municipal de Piripá (Prefeito Cristiano e Vice-Prefeito Domingos da Saúde) por meio das Coordenações de Cultura e Esporte, e Secretaria de Educação.