Condeúba: Palestra, Formação e Capacitação de Agentes Culturais


Pela primeira vez a bandeira da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) foi hasteada nas comemorações do 25 de Junho em Cachoeira, quando a capital do estado é transferida para aquela cidade. E coube à primeira mulher presidente, deputada Ivana Bastos, ser a protagonista do ato. “A participação da Assembleia é muito importante e representa o reconhecimento do Legislativo da importância de Cachoeira e do Recôncavo para a consolidação da independência do Brasil na Bahia”, afirmou a deputada.
Em seu discurso na Câmara Municipal, Ivana Bastos ressaltou que a Assembleia foi a Cachoeira porque sabe que sua força nasce do povo. Segundo a presidente, a ALBA não pertence somente ao edifício onde funciona, em Salvador, ela pertence aos territórios, aos municípios, ao Recôncavo, ao sertão, ao oeste, ao litoral, às comunidades tradicionais, aos trabalhadores, à juventude e às mulheres que constroem a Bahia todos os dias.
Na sessão comemorativa, a ALBA e a Câmara Municipal de Cachoeira assinaram um acordo de Cooperação Técnica para fortalecer a formação, a qualificação e a troca de conhecimentos entre as duas instituições, aproximando ainda mais o Parlamento baiano do Parlamento municipal. “A transferência da ALBA para Cachoeira é um gesto grandioso”, elogiou o governador Jerônimo Rodrigues.
A chefe do Legislativo estadual, o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador José Edivaldo Rotondano; o chefe do Ministério Público Estadual, Pedro Maia; o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro; e a primeira-dama do estado, professora Tatiana Veloso, receberam títulos de cidadania. “É justamente por tudo que Cachoeira representa que este dia se torna ainda mais especial para mim. Fico emocionada só de pensar que, mais adiante, terei a honra de receber o Título de Cidadã de Cachoeira”, revelou Ivana, minutos antes de receber a honraria.
Em outro trecho do seu discurso, a presidente da ALBA reverenciou Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa e as mulheres anônimas do Recôncavo. “Muitas não tiveram estátuas. Muitas não tiveram seus nomes nos livros. Mas a Independência também passou por suas mãos. E reverenciamos as mulheres de hoje. Aqui em Cachoeira, a prefeita Eliana Gonzaga, primeira mulher negra eleita para comandar este município, enfrentou ataques, ameaças, racismo e violência política”, assinalou.
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Nesse domingo, 21 de junho de 2026, foi celebrado o Dia do Condeubense Ausente, data instituída pela Lei Municipal nº 962, de 12 de junho de 2017, que oficializou o dia 21 de junho como um momento especial para homenagear os filhos e filhas de Condeúba que, por razões diversas, construíram suas vidas em outras cidades, mas jamais romperam os laços afetivos com sua terra de origem.
A lei, criada por iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, Desporto e Lazer e apresentada na Câmara Municipal pelo então vereador Toinho Terencio, sendo aprovada por unanimidade, representa um importante reconhecimento àqueles que, mesmo distantes, mantêm vivo o amor por Condeúba e contribuem para a divulgação do nome do município por onde passam.
Neste ano foi realizado o quarto encontro consecutivo dos Condeubenses Ausentes, um evento que já se consolidou no calendário afetivo da cidade. Mais do que uma simples confraternização, o encontro representa o reencontro de histórias, amizades e lembranças que resistem ao tempo e à distância. É o momento em que filhos da terra regressam ao seu berço, revivendo memórias da infância, reencontrando familiares e amigos e fortalecendo os vínculos que os unem às suas origens.
A programação teve início na noite de sábado, dia 20, na Praça Santo Antônio, no Espaço Açucareiro Osmar Alves de Souza. O ambiente foi tomado pela alegria e pela emoção dos reencontros, embalados por uma bela seresta animada pela cantora Milta e Edu Viana, além de outras atrações. Entre abraços, conversas e recordações, o clima foi de celebração e gratidão por mais uma oportunidade de reunir condeubenses de diferentes partes do país.
Já na manhã deste domingo, no mesmo local, a partir das oito horas, foi servido um delicioso café partilhado. O momento proporcionou muita descontração e integração entre os participantes, que aproveitaram para colocar as conversas em dia, recordar histórias marcantes e reviver episódios que ajudaram a construir a identidade de cada um. Foram instantes de grande emoção, nos quais o sentimento de pertencimento à terra natal falou mais alto.
A programação prosseguiu ao meio-dia com o tradicional almoço realizado na AABB, reunindo visitantes, familiares e amigos em um ambiente de confraternização e alegria. A animação ficou por conta do cantor condeubense e forrozeiro Nego Lau, além de Edu Viana e outros artistas, que garantiram um repertório contagiante e fizeram todos dançarem e celebrarem esse momento tão especial.
A festa foi marcada pela organização, pela animação e, sobretudo, pelo forte sentimento de amor por Condeúba. Ao final, ficou em cada participante o desejo de permanecer por mais tempo e a certeza de retornar nos próximos encontros. Também ficou a saudade antecipada, aquela que nasce logo após os grandes momentos, reforçando a importância dessa celebração que, a cada ano, cresce, se fortalece e contribui para valorizar ainda mais a história, a cultura e o povo da querida Condeúba.
Foto: Oclides/JFC

Há algum tempo venho observando um fenômeno que me inquieta profundamente. As mesmas redes sociais que aproximam pessoas, encurtam distâncias e permitem o compartilhamento de conhecimentos também têm servido para espalhar ódio, mentiras e intolerância. O que mais me chama atenção é perceber que isso não acontece apenas na política ou nos debates ideológicos. Infelizmente, também acontece dentro dos espaços religiosos, inclusive entre pessoas que professam a mesma fé. Foi dessa inquietação que nasceu o artigo científico que acabo de concluir: Da Babel Digital à Nova Jerusalém: Crítica ao Catolicismo Digital de Ódio e Defesa da Civilização do Amor na Encíclica Magnifica Humanitas de Leão XIV.
No texto, procurei analisar como parte do catolicismo presente nas redes sociais tem sido marcada por agressões verbais, campanhas de desinformação e ataques contra padres, bispos e leigos que pensam de forma diferente. O caso do Padre Zezinho aparece como exemplo central, mas não é o único. Também examinei situações envolvendo Padre Júlio Lancellotti, Dom José Ionilton Lisboa e Dom Limacêdo Antônio. Em comum, todos enfrentaram tentativas de desqualificação pública promovidas por grupos que transformam divergências em perseguições e o debate em guerra permanente.
Ao longo da pesquisa, fui percebendo que o problema é maior do que simples diferenças de opinião. As plataformas digitais, organizadas por algoritmos que privilegiam o conflito e a indignação, acabam fortalecendo bolhas de pensamento. Muitas pessoas passam a ouvir apenas aqueles que concordam com elas. Aos poucos, o diferente deixa de ser um interlocutor e passa a ser visto como inimigo. O resultado é um ambiente onde a fraternidade desaparece e a intolerância ganha espaço.
Foi justamente nesse ponto que encontrei uma contribuição extremamente interessante da encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV em maio de 2026. O documento utiliza duas imagens bíblicas muito conhecidas: Babel e Jerusalém. Babel representa a confusão, a incapacidade de dialogar e a tentativa de impor uma única verdade pela força. Jerusalém simboliza o encontro, a convivência e a construção de uma comunidade baseada na dignidade humana e no respeito mútuo. A partir dessa metáfora, procurei demonstrar que muitos conflitos digitais contemporâneos reproduzem a lógica de Babel, enquanto a proposta cristã continua apontando para Jerusalém.
Os resultados preliminares da pesquisa reforçam uma hipótese importante: o principal desafio da era digital não é tecnológico, mas humano. O problema não está nas máquinas, nos celulares ou na inteligência artificial. O problema surge quando permitimos que a comunicação seja dominada pelo ressentimento, pela mentira e pelo desejo de destruir o outro. Nesse sentido, a encíclica propõe algo que considero extremamente atual: uma verdadeira ecologia da comunicação, baseada na verdade, na responsabilidade e na fraternidade.
Tenho a convicção de que este debate interessa não apenas aos católicos. Ele diz respeito a todos nós. Vivemos em um tempo em que famílias se dividem, amizades se rompem e comunidades se fragmentam por causa de disputas alimentadas diariamente pelas redes sociais. Pensar formas de reconstruir pontes, recuperar a capacidade de diálogo e cultivar o respeito às diferenças tornou-se uma necessidade urgente para a democracia, para a convivência social e para a própria saúde das relações humanas.
Por essa razão, estou submetendo este artigo a uma coletânea nacional de estudos sobre religião e redes sociais na contemporaneidade, organizada pela Paco Editorial. A expectativa é que os textos aprovados componham uma obra coletiva em formato de livro. Fico feliz em contribuir com essa reflexão porque acredito que a produção acadêmica deve dialogar com os problemas reais do nosso tempo. Entre a Babel do ódio digital e a Jerusalém do encontro humano, continuo acreditando que vale a pena escolher o caminho da palavra que constrói, da crítica que ilumina e da esperança que insiste em sobreviver.
Agência Brasil
O cineasta, roteirista, escritor, jornalista e gestor cultural Orlando Senna – Foto: Evaldo Macedo/Divulgação


Na manhã desta terça, ele foi levado para uma unidade de pronto atendimento (UPA) em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, onde precisou ser intubado. Apesar dos esforços da equipe médica para reanimá-lo, o cineasta não resistiu.
Orlando Senna enfrentava problemas de saúde que se agravaram nos últimos anos. A morte dele provocou grande comoção entre cineastas, artistas, gestores culturais e admiradores de sua trajetória.
Nascido em Lençóis, na Bahia, em 25 de abril de 1940, Orlando Senna construiu uma trajetória decisiva para o cinema brasileiro. Dirigiu, escreveu e produziu obras que marcaram a cinematografia nacional, entre elas o clássico Iracema, Uma Transa Amazônica, codirigido com Jorge Bodanzky e reconhecido internacionalmente por sua crítica aos impactos sociais da ocupação da Amazônia durante a ditadura militar.
Além da produção artística, teve papel fundamental na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Foi secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura entre os anos de 2003 e 2007, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, liderando iniciativas voltadas à democratização do acesso aos recursos públicos para o setor.
Também foi diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e participou da implantação da TV Brasil. A atuação dele foi reconhecida por instituições culturais e profissionais do audiovisual em todo o país.
Ao longo da carreira, Orlando Senna também foi um dos fundadores da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, ao lado de Fernando Birri e do escritor Gabriel García Márquez, tornando-se referência na formação de novas gerações de cineastas latino-americanos.
Nas redes sociais, amigos, críticos e profissionais do cinema manifestaram pesar pela morte do cineasta. A jornalista e crítica de cinema Maria do Rosário Caetano escreveu: “Adeus, amigo querido. Baiano, carioca, cubano. Orlando Senna (1940-2026): cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural. Partiu para encontrar sua amada Conceição Senna. Guardaremos sua figura ímpar em nossos corações e em nossas retinas.”
Há pouco mais de um mês, Orlando Senna recebeu uma homenagem em vida durante a mostra retrospectiva Orlando Senna / Cinema, Brasil e América Latina, realizada na Caixa Cultural Rio de Janeiro, entre 21 de abril e 10 de maio. A iniciativa foi organizada pelas curadoras Diana Iliescu e Sol Moraes e reuniu exibições de filmes, debates, exposição e encontros com o público.
Diana recorda que a abertura da mostra contou com a presença do ator Antônio Pitanga, que emocionou o homenageado. “Eu vi o Orlando chorar durante a fala do Antônio Pitanga. Foi um encontro muito marcante. E agora, recentemente, o Orlando também prestigiou a mostra dedicada ao Pitanga no CCBB do Rio. Houve uma troca de afeto e reconhecimento entre dois grandes nomes da cultura brasileira”, destacou.
A curadora definiu Orlando Senna como um homem de múltiplos talentos e de enorme generosidade intelectual. “Orlando Senna foi um mestre de muitos ofícios: jornalista, diretor de teatro, escritor, roteirista, cineasta, educador e gestor público. Foi pai de muitos ‘filhos cinematográficos’, agregador de amigos e intelectuais, incentivador de novas lideranças, sempre exercendo com excelência cada um dos seus talentos”, afirmou Diana Iliescu.
Agência Brasil
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O governo lançou oficialmente neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro.

A iniciativa tem o objetivo de democratizar o acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção nacional.
A plataforma coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br.
No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.
“[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”
O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade.
“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.
“O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.
Por fim, o presidente fez a conexão com outras políticas públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o acervo de mais de 25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora, faz parte da política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”
O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade.
Presente no lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito cultural.
“Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?
Ela destacou que o audiovisual agrega todas as outras artes como a música, o desenho. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.”
Em sintonia com o discurso do presidente Lula, a ministra celebrou a soberania, a miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo das figuras históricas do país.
“O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”
O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.
O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça climática e sustentabilidade.
A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025.
Ao todo, a plataforma inicia com 555 obras audiovisuais brasileiras, divididas em:
Entre elas: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim, são outras obras de destaque.
O catálogo inicial inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.
Entre as categorias listadas pelo Ministério da Cultura estão obras para a infância, juventude, de artes e de brasilidade.
Na parte de diversidade cultural, entrou a categoria Africanidades, que reúne obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e experiências da população negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e contemporaneidade.
Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.
Para começar a navegar, o usuário precisa de uma conta ativa no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:
Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos.
Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus de todo o país.
Numa primeira fase, a plataforma funciona diretamente no navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Os aplicativos para celulares (Android e iOS) serão disponibilizados em um prazo de 30 dias.
Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para expandir a oferta, a circulação de conteúdos e a integração das políticas públicas para o audiovisual brasileiro.
A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia manifestou apoio à recomendação proposta pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela União dos Municípios da Bahia (UPB) referente ao teto para a contratação de atrações artísticas durante os festejos juninos. O diálogo institucional busca estabelecer um patamar equilibrado para os cachês pagos com recursos públicos no período de festas. A medida visa evitar excessos e garantir uma gestão orçamentária responsável por parte das administrações públicas locais.
A adesão a essas orientações é vista pelo governo estadual como um passo importante para assegurar uma distribuição mais justa das verbas destinadas ao entretenimento. Em entrevista, durante o Programa de Governo Participativo (PGP), em Macaúbas, o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, destacou que a adoção de um limite financeiro para os contratos ajuda a ampliar as oportunidades para um número maior de profissionais da música. “Nós participamos desse diálogo conduzido pela UPB, com o Ministério Público. E tivemos muita boa vontade de participarmos desse momento. Porque a gente entende que isso que é uma recomendação. Não é uma vedação, mas uma recomendação. Ajuda a democratizar mais o acesso. Porque às vezes um grande cachê milionário impede que muitos outros pequenos artistas possam participar”, analisou.
A preocupação das entidades de controle e da gestão cultural gira em torno da sustentabilidade financeira das prefeituras e da preservação do espaço de artistas que dependem exclusivamente da temporada de São João para trabalhar. Enquanto as grandes atrações nacionais possuem espaço garantido em diversos eventos de grande porte ao longo de todo o ano, os músicos regionais de forró tradicional encontram no mês de junho a sua principal vitrine e fonte de sustento.
O secretário apontou que a fixação de parâmetros de contratação funciona como um mecanismo de proteção para os trabalhadores da cultura local e para as manifestações tradicionais nordestinas, que ganham mais espaço com a otimização dos recursos. “E a gente tem que pensar também na seguinte lógica. Grandes artistas, esses que têm um cachê maior. Muitas vezes se apresentam no São João, mas se apresentam no Carnaval. Se apresentam em outras festas. E o artista do forró, do pé de serra, do trino nordestino, só tem o São João para se apresentar. Então é uma forma também de nós garantirmos a democratização desse acesso. Para que todo mundo possa fazer a sua parte, fazer o seu trabalho. E nós tenhamos um São João de valorização também dos pequenos artistas”, concluiu Bruno Monteiro.
Agência Brasil
© CPRJ/Divulgação
Experiência pioneira que transformou a história da psiquiatria no Brasil, os ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira completam, neste dia 18 de maio, 80 anos. A proposta era usar atividades artísticas coletivas como alternativas aos eletrochoques, isolamento e lobotomia, métodos predominantes na psiquiatria em 1946, quando foram criados. 

Os ateliês hoje compõem o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro.
Atualmente, o Museu abriga o maior acervo do mundo em seu gênero, com mais de 400 mil obras, sendo 128 mil tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os ateliês da psiquiatra são considerados referência internacional ao substituírem práticas agressivas por uma abordagem baseada na escuta, na expressão criativa e na dignidade humana.
Nascida em Maceió, em 15 de fevereiro de 1905, Nise Magalhães da Silveira foi uma médica psiquiatra que revolucionou o tratamento mental no Brasil. Ela morreu em 30 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro.
Os ateliês terapêuticos de Nise da Silveira continuam em funcionamento até hoje. Eles se destinam a pessoas que precisam de algum tipo de cuidado. “São pessoas que atravessam dificuldades emocionais e psíquicas, sejam elas temporárias, pontuais ou mais permanentes”, explicou o coordenador de projetos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, Eurípedes Junior.
O que é produzido nos ateliês do Museu é objeto de estudo e pesquisa, visando “conhecer mais um pouco o mundo interno do ser humano e os processos psíquicos que pertencem a todos nós, independente de doença ou não”, diz Junior. Com isso, o museu abre um grande leque de pesquisa sobre o imaginário, as imagens e o tratamento.
Atualmente, 55 pessoas frequentam os ateliês do MII. As melhoras observadas são muitas, segundo a coordenadora dos ateliês do museu, psicóloga Adriana Lemos.
“Nós temos, inclusive, três clientes que este ano começaram a cursar faculdades”, disse. Dois deles estão na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), cursando museologia e pedagogia, e um no Colégio Pedro II, cursando filosofia.
O trabalho desenvolvido pelos terapeutas do MII proporcionou não só uma estrutura para que eles conseguissem passar nas faculdades, se aproximando cada vez mais do território, mas ainda construindo uma relação familiar mais digna, uma aproximação da família. “É importante que a família esteja mais presente”, afirmou a psicóloga.
De acordo com Lemos, atualmente funcionam sete ateliês com atividades expressivas: roda de mulheres, voltado para questões femininas; pintura; cerâmica; ritmologia; corpo e movimento; atividades plásticas; e teatro. Os chamados “clientes”, como preferia Nise da Silveira, dos ateliês do MII são pessoas que frequentam o Sistema Único de Saúde (SUS) como usuários da saúde mental e são encaminhados para as práticas terapêuticas.
Dentro do museu, a atividade proporciona uma nova linguagem, pela especificidade do trabalho direcionado para olhar a relação do mundo interno com o mundo externo. “Principalmente a pintura proporciona que essa linguagem chegue mais ao “cliente”, por conta da falta mesmo da palavra que, muitas vezes, não alcança o tamanho do sofrimento que a pessoa vive”, explicou Lemos.
“Porque não é só um sofrimento psíquico, mas é toda uma vulnerabilidade social que permeia a vida das pessoas que vêm dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), da Clínica da Família, aqui para o museu. Quando esse usuário chega para o museu, a gente passa a se relacionar com ele como cliente, porque é dentro do método da Nise. E com esse olhar da pessoa ser ativa na relação e não passiva”, complementou a psicóloga.
Lemos informou que o “cliente” é então inserido em uma atividade não indicada pelos profissionais de saúde do museu, mas de sua preferência. “É ele que escolhe a atividade em que quer estar. Através dessa atividade, a gente vai se relacionando ali com a expressão dele, com a linguagem do inconsciente, com o que ele coloca nas imagens, na emoção de lidar com o objeto escolhido para essa expressão”.
Com isso, os profissionais vão também ampliando essa relação terapêutica e contribuindo com a área social do “cliente” e suas vulnerabilidades.
O psiquiatra Lula Wanderley trabalhou com Nise da Silveira durante oito anos, na Casa das Palmeiras, desde que chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Pernambuco, em 1976. “Foi uma época muito bonita na minha vida”. Em todo o trabalho que desenvolveu após esse convívio com Nise, Lula Wanderley disse à Agência Brasil sentir muita nostalgia da Casa das Palmeiras.
Idealizada por Nise, a Casa das Palmeiras é uma instituição de reabilitação psiquiátrica com atividades expressivas, terapêuticas ocupacionais, que são realizadas em regime aberto. Ali, Nise da Silveira ia às quintas-feiras para dar supervisão às equipes médicas que trabalhavam no local.
Na avaliação de Lula Wanderley, os ateliês de Nise “são a essência de tudo”. A partir dali, criou-se uma relação humana muito produtiva. “Não acredito que possa haver um tratamento de alguém se não tiver uma relação humana muito genuína, um ambiente plural e criativo em que as pessoas possam desenvolver um convívio terapêutico”.
O modelo dos ateliês é replicado também em outros locais. O diretor-geral do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ), unidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), Francisco Sayão, assegurou à Agência Brasil que todos os psiquiatras que compartilham as ideias de Nise da Silveira tentam dar sequência ao que ela fez, colocando o que as pessoas sabem em funcionamento nos ateliês de tratamento.
Segundo Sayão, nos ateliês em funcionamento no CPRJ, criados seguindo o modelo de Nise da Silveira, ele constata que o paciente é o protagonista do que está fazendo.
Um desses pacientes artistas é Israel Alves Correia, conhecido pelos dragões que confecciona no ateliê de arte e que ele mesmo foi desenvolvendo a partir de materiais diversos, como embalagens, vidros de shampoo, joelhos de PVC, entre outros.
Israel informou à Agência Brasil que durante 18 anos construiu cabeças de boi, berrantes, mas acabou optando por criar dragões. Uma de suas inspirações foram as obras de barro de Mestre Vitalino. Israel trabalha com durepox (massa epóxi bicomponente de alta resistência e secagem rápida) e não tem intenção de realizar uma exposição de suas obras, nem de vender. “Não vendo nada do que é meu. Quem quiser ver meus trabalhos venha aqui”, diz.
A terapeuta ocupacional do CPRJ Eni Nascimento considera os ateliês de Nise da Silveira um ancoradouro. “O paciente se ancora nesse fazer que a arte permite e ele consegue transitar entre esse espaço da loucura e da sanidade com bastante segurança, fazendo coisas que, se não houvesse esses espaços, a gente não conseguiria”, disse à Agência Brasil.
Eni destacou o que considera um “insight” da dra. Nise. “Já naquela época, ela via possibilidades desse sujeito produzir, se mostrar de uma maneira bem bacana. Para mim, os ateliês são espaços de ancoragem dessa clientela de saúde mental, que encontra ali possibilidade de circular entre o espaço da sanidade e o espaço da loucura”.
Os “clientes” desenvolvem trabalhos que se destacam pela delicadeza e cuidado. Eni citou o caso de Israel Alves Correia, considerado um paciente gravíssimo, com histórico bem difícil e em que, no momento em que está produzindo no ateliê de arte, “não existe loucura”. Todo o projeto foi desenvolvido por ele.
No CPRJ, além do ateliê de arte, que engloba pintura e escultura, funciona o ateliê de bordado. Nesses espaços, não existe diálogo de doenças, mas de cuidado, e isso surte um efeito muito grande e acaba dando sentido para a vida das pessoas que participam. “Para mim, tudo que eu vejo hoje na prática são referências da dra. Nise. Um retrato bordado da médica psiquiatra foi confeccionado no ateliê, em março deste ano, junto com os de outras mulheres consideradas referência no país.
Os 80 anos dos ateliês terapêuticos criados pela doutora Nise da Silveira serão comemorados pelo MII ao longo deste ano, com atividades gratuitas, cujo início está marcado para o próximo dia 18, durante a 24ª Semana Nacional de Museus, que se estenderá até o dia 24 deste mês.
A semana é promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com apoio do banco Itaú, e tem como tema Museus: unindo um mundo dividido. A comemoração dos 80 anos dos ateliês terapêuticos de Nise da Silveira é simbólica, porque 18 de maio marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e 20 de maio foi a fundação do Museu de Imagens do Inconsciente (MII).
Dentro das comemorações dos 80 anos dos ateliês terapêuticos de Nise da Silveira, serão abertos ao público uma vez por mês. “Para que o público possa participar dessa experiência de criação livre, espontânea, dentro de um ambiente de acolhimento e de liberdade de expressão”, destacou Eurípedes Junior
O primeiro ateliê aberto está programado para o dia 23.
Durante o ano todo, em cada mês, o processo se repetirá com ateliês abertos de cada especialidade, sendo o de pintura o mais antigo e carro-chefe, revelando grandes talentos, pessoas que utilizaram sua criatividade para encontrar um caminho de vida, de sobrevivência no mundo, como ressaltou Eurípedes Junior.
As comemorações incluem o fórum científico batizado A Emoção de Lidar – 80 anos da terapêutica segundo Nise da Silveira, organizado pelo Grupo de Estudos do Museu, criado pela própria Nise em 1968 e que continua funcionando até hoje.
A Emoção de Lidar foi o nome dado pela psiquiatra para identificar seu método terapêutico, copiado de expressão usada em poema por um de seus pacientes, ou “clientes”, como ela preferia chamar, da Casa das Palmeiras.
A programação inclui ainda, entre outros eventos, a exposição Geometria e Cor, de Manoel Godin, artista contemporâneo do ateliê; lançamento do documentário Um caminho para o infinito: Emygdio de Barros, com texto e roteiro de Nise da Silveira e direção de Luiz Carlos Mello.
O filme narra a trajetória de Emygdio de Barros, considerado um dos maiores nomes da arte revelado nos ateliês da médica psiquiatra.
O Museu de Imagens do Inconsciente está fechando ainda parcerias no exterior para publicação de livros de Nise da Silveira em inglês, francês e espanhol. Vários projetos estão em andamento com esse objetivo de internacionalização do trabalho da médica psiquiatra brasileira.
O museu está também estreitando laços com instituições que já desenvolvem ateliês terapêuticos e querem fazer intercâmbio, de modo a formar uma grande rede de cuidados com essa prática. Outros querem implantar a teoria e a prática de Nise da Silveira, adaptando-as a seus países, para fazer frente aos tratamentos tradicionais que não atendem mais a modernidade.
Em paralelo, a Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente está fazendo um grande esforço ainda para disseminação do conhecimento resultante dos resultados das pesquisas da médica no meio acadêmico, por meio de cursos de extensão e pós-graduação.
A meta é que a psiquiatra seja mais estudada, além do nível simbólico da luta antimanicomial que representa. “A gente quer que as ideias dela penetrem no campo da saúde mental, da psicologia, da psiquiatria e das humanidades em geral”, afirmou Eurípedes Junior.
A programação disponível pode ser conferida aqui.

Estudantes de Anagé estão levando o nome do estado para o cenário nacional do audiovisual. Alunos do ensino fundamental II e médio do Centro Educacional Joaquim Teotônio de Souza e do Centro Educacional Renato Viana são finalistas da 4ª edição do Festival Nacional Videos for Change. Promovida pela ONG Viven, a iniciativa busca dar voz aos jovens brasileiros por meio de produções de um minuto. A votação popular já está aberta e segue até o dia 17 de maio pelo site oficial do evento.
Os jovens baianos garantiram a vaga na etapa final após superarem festivais regionais realizados ao longo de 2025, que contaram com mais de 550 vídeos submetidos por escolas de nove estados. Os roteiros produzidos pelos estudantes refletem as urgências geracionais: temas como saúde mental, racismo, assédio, igualdade de gênero e crise climática dominam as produções. Para a presidente e fundadora da Viven, Lina Wurzmann, o projeto transforma a escola em um espaço de ressonância. Segundo ela, quando um estudante de 14 anos escolhe falar sobre saúde mental, ele não está apenas cumprindo uma tarefa, mas expressando sua visão de mundo e o desejo de mudança.
O processo pedagógico que precede a gravação envolve semanas de pesquisa e debates mediadores por professores treinados pela ONG. O vídeo final é o ápice de um exercício de cidadania e argumentação. Na categoria de voto popular, os vencedores serão premiados com medalhas, troféus e kits de produção audiovisual. O anúncio oficial ocorrerá em uma transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do Videos for Change, no dia 29 de maio de 2026, às 14h.
Para apoiar os talentos de Anagé, os interessados devem acessar o site videosforchange.org.br/festival-nacional-2026. É possível assistir a todos os finalistas e registrar o voto gratuitamente utilizando um e-mail válido. Cada conta de e-mail dá direito a um voto, contribuindo para que a mensagem desses jovens alcance um público ainda maior antes do encerramento do prazo, em 17 de maio.