Categoria: DIA do Trabalho

Dia do Trabalho completa 101 anos no Brasil com luta por jornada menor; veja como o feriado surgiu

  • Redução da carga horária de trabalho está no centro dos protestos desde que a data começou a ganhar importância
  • Data surgiu em 1886 nos EUA após repressão violenta a greve em Chicago
São Paulo

O Dia do Trabalho celebrado neste 1º de Maio completa 101 anos no Brasil em 2026. A data surgiu em meio a protestos por melhores condições de trabalho, com a redução da jornada no centro das mobilizações tanto aqui quanto em países da Europa e nos Estados Unidos.

Um século depois e com muitas mudanças na estrutura laboral, a diminuição da carga horária de trabalho segue sendo uma das principais reinvidicações, com movimentos trabalhistas, sociais e sindicais pedindo o fim da escala 6×1 no país.

O feriado foi instituído por decreto em setembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes, determinando que, a partir de 1º de Maio de 1925, o dia fosse “consagrado à confraternidade universal das classes operárias e em comemoração dos mártires do trabalho”.

A imagem mostra um grupo de pessoas em um protesto, segurando um grande banner que diz: 'PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO P/ 40 HS. SEMANAIS / REDUÇÃO DE SALÁRIOS'. O cenário é um campo aberto, com algumas edificações ao fundo. As pessoas estão vestidas de forma casual e parecem estar organizadas em uma manifestação.

Greve de metalúrgicos em São Bernardo do Campo, em 1984, por melhores salários e pela redução da jornada para 40 horas semanais; em 88, jornada caiu de 48 para 44 horas semanais – Francisco L.Sugar – 11.mar.1984/Folhapress

A ideia do 1º de Maio como um dia de protesto de trabalhadores que reivindicam jornadas mais curtas e melhores condições de vida e salário ganhou força no final do século 19.

Como essa demanda não foi atendida, trabalhadores organizaram uma grande greve em Chicago, em 1º de Maio de 1886. A repressão violenta da greve resultou na morte de manifestantes e, dias depois, novos confrontos e uma explosão agravaram ainda mais o cenário, mobilizando cerca de 340 mil trabalhadores em todo o país e marcando a data como um dia de luta da classe trabalhadora.

Mas, para entender como tudo começou, é preciso voltar ainda mais no tempo e chegar à Inglaterra do início do século 19, em que homens, mulheres e crianças trabalhavam de 16 a 18 horas por dia nas fábricas têxteis de Manchester.

Em 1802, foi criada a chamada “Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”, considerada a primeira legislação trabalhista do mundo, que limitava a jornada de aprendizes —incluindo mulheres e crianças.

Ao longo das décadas seguintes, o 1º de Maio foi sendo incorporado também pelo Estado brasileiro. Em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi instituída nessa data.

As lutas trabalhistas no Brasil, no entanto, já vinham de antes, como mostra a greve geral de 1917 em São Paulo.

No passado, jornadas exaustivas de até 12 ou mais horas, baixos salários e ausência de direitos básicos marcavam a relação entre trabalhadores e empregadores. Hoje, o cenário ressurge sob novas formas, embora seja preciso destacar a evolução das condições, com outros direitos sendo conquistados.

“As pessoas continuam considerando que o trabalho é essencial para as condições de vida, mas declaram que querem viver mais do que trabalhar. Mas é o trabalho que as faz viver coletivamente e permite a possibilidade de conexão e a sociabilidade, algo muito valorizado.”

Para o professor de direito do trabalho no Insper, Ricardo Calcini, hoje, há uma inversão de lógica sobre o espaço que o trabalho ocupa em nossas vidas. Se antes ele era o fim em si, hoje tende a ser visto como meio para alcançar objetivos pessoais, familiares e sociais.

Sobre a redução da jornada, o especialista afirma que é um movimento irreversível. “Eu tenho a dizer que é um movimento irreversível e que cada vez mais as pessoas estão valorizando o ser humano no centro dessa relação [trabalho e capital].”