Categoria: Manifesto

Manifestações anti-Trump reúnem milhões em diversas cidades dos EUA

Mais de 3,2 mil eventos foram programados, segundo os organizadores

Agência BrasilDemonstrators attend a © Reuters/Tim Evans

Milhares de pessoas protestaram, neste sábado (28), contra as políticas do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, na manifestação chamada de No Kings (Sem Reis). De acordo com o site de notícias Reuters, os organizadores tinham a expectativa de que se tornasse o maior protesto de um único dia na história do país, com mais de 3,2 mil eventos planejados em todos os 50 estados e em diversas cidades fora do país.

Os números oficiais ainda não foram divulgados, mas era esperada a participação de mais de 9 milhões de pessoas. O cantor Bruce Springsteen, que critica abertamente o presidente Trump, reuniu uma multidão num estádio de Minneapolis, onde cantou a música Streets of Minneapolis, que fez durante os protestos da população contra a atuação do ICE, polícia de imigração que matou dois cidadãos americanos.

Além de criticar a política migratória do mandatário norte-americano, os protestos também são feitos contra a participação dos EUA na guerra contra o Irã.

As manifestações se espalharam por Nova York, Washington, Atlanta, Chicago, Houston, Denver, São Francisco, entre outras.

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Christine Hughes, de 79 anos, segura um cartaz durante uma manifestação do movimento No Kings contra as políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York – Foto: Reuters/Mike Segar
No final deste ano, ocorrem as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando todos os deputados e parte dos senadores são renovados. Os organizadores dos protestos dizem ter visto um aumento no número de eventos anti-Trump e de pessoas se inscrevendo para votar em estados profundamente republicanos (partido de Trump) como Idaho, Wyoming, Montana e Utah.

De acordo com a Reuters, os protestos acontecem em um momento em que a taxa de aprovação de Trump caiu para 36%, seu ponto mais baixo desde o retorno à Casa Branca.

Milhares de pessoas também se reuniram em Manhattan. Um dos organizadores, o ator Robert De Niro disse que “houve outros presidentes que testaram os limites constitucionais de seu poder, mas nenhum representou uma ameaça existencial tão grande às nossas liberdades e segurança”.

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Manifestante Sam Scarcello durante um protesto contra as políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, perto do Capitólio, em Washington – Foto: Reuters/Leah Millis
O porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Congresso, Mike Marinella, criticou os políticos democratas por apoiarem os protestos. “Esses comícios contra a América são onde as fantasias mais violentas e delirantes da extrema esquerda encontram um microfone e os democratas da Câmara recebem suas ordens”, disse em comunicado.

Os eventos deste sábado ocorrem em meio ao que os organizadores disseram ser um apelo à ação contra o bombardeio do Irã pelos EUA e Israel, um conflito que já dura quatro semanas.

Os protestos de hoje, que fazem parte do movimento No Kings, tiveram a primeira mobilização em junho do ano passado e atraiu entre 4 milhões e 6 milhões de pessoas em aproximadamente 2,1 mil locais em todo o país. A segunda manifestação ocorreu em outubro, envolvendo cerca de 7 milhões de participantes em mais de 2,7 mil locais.

São Paulo tem 42 mil pessoas em ato contra PEC da Blindagem e anistia

Cartazes traziam críticas ao Congresso: “inimigo do povo”
Agência Brasil

São Paulo (SP), 21/09/2025 Manifestantes participam de ato contra a PEC da Anistia e da Blindagem, no MASP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
© Paulo Pinto/Agência Brasil

Cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram neste domingo (21) na avenida Paulista, na região central de São Paulo, para protestar contra a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e a chamada PEC da Blindagem, que prevê exigência de autorização do Congresso para processar criminalmente deputados e senadores. A estimativa de público é do Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à USP (Universidade de São Paulo).

Ao todo, 33 cidades tiveram atos, incluindo todas as capitais. Com críticas ao Congresso Nacional, os manifestantes exigiram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele já está condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, entre outros crimes.

Convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL, PT e movimentos populares, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

São Paulo (SP), 21/09/2025 Manifestantes participam de ato contra a PEC da Anistia e da Blindagem, no MASP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Ato no Masp teve críticas aos parlamentares do Congresso favoráveis à anistia de Jair Bolsonaro. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Reginaldo Cordeiro de Santos Júnior é professor universitário no curso de Serviço Social e esteve na Paulista. Não mora em São Paulo, mas aproveitou que tinha um compromisso na cidade e antecipou a vinda especialmente para participar da manifestação.

“Nós estamos aqui na luta pela democracia contra a PEC da Blindagem, na luta contra todo o retrocesso do que foi conquistado em 1988. Isso é muito importante para que a juventude entenda tudo que a gente conseguiu conquistar em 1988 com a Constituição Federal. A gente precisa trazer à tona toda essa problemática que está sendo posta no Congresso brasileiro”, disse.

Professora aposentada pelo estado de São Paulo, Miriam Abramo teme pela volta da ditadura no Brasil e acredita que a PEC da Blindagem pode ser um encurtamento do caminho para que o país reviva o período.

“Estou aqui porque tenho 75 anos e eu vivi a época na qual você não tinha direitos de nada. Eu votei pela primeira vez para presidente da República quando eu tinha 40 anos e eu não quero que essa juventude espere ter 40 anos para poder escolher seu presidente novamente”, destacou a professora.

O professor de artes marciais Renato Tambellini não apenas foi se manifestar como levou a filha de 12 anos, Luiza, para mostrar a ela a importância da manifestação popular e para que ela já comece a participar. Ele contou que sempre conversa sobre todos os temas com a Luiza e seu irmão.

São Paulo (SP), 21/09/2025 Manifestantes participam de ato contra a PEC da Anistia e da Blindagem, no MASP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Ato reuniu cerca de 42 mil pessoas na avenida Paulista, de acordo com cálculos do Monitor do Debate Político no Meio Digital Foto – Paulo Pinto/Agência Brasil
“Explico a eles que é preciso se mobilizar, reivindicar direitos. E nesse momento é imprescindível, com a gente saindo de uma tentativa de golpe. Acredito que finalmente podemos viver um momento histórico com a condenação de golpistas no país. E temos que estar na rua mostrando que estamos apoiando isso para consolidar ainda mais a nossa democracia”.

Tamikuã Txih, do povo Pataxó, da terra indígena do Jaraguá, na região Oeste de São Paulo, defende que a luta é de todos os povos e que para mudar a situação é preciso tomar as ruas e mostrar a força do povo.

“Precisamos dizer que nós não aprovamos a PEC da Blindagem. Nós não podemos aceitar as grandes atrocidades que o Congresso ou que os futuros parlamentares venham a fazer saindo impunes. Por isso dizemos não à impunidade. Isso é uma angústia e uma vergonha para o Brasil que tem o Congresso articulando na cara do povo para ainda isso terminar com a anistia”.

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