A Prefeitura de Serra Preta, no interior da Bahia, decretou situação de emergência por causa da estiagem que afeta a zona rural do município. A medida foi oficializada na quarta-feira (7) e tem validade de 180 dias.
Com a decisão, a prefeitura informou que estão suspensas a realização e o financiamento de festas, eventos comemorativos e shows públicos durante a vigência do decreto. Segundo o comunicado oficial, a medida busca priorizar os recursos municipais para o abastecimento de água e a assistência às famílias afetadas pela seca.
De acordo com o decreto, a falta de água potável na zona rural e os prejuízos ao abastecimento motivaram a declaração de emergência. O documento aponta dificuldades que comprometem as reservas hídricas e a capacidade de armazenamento, captação e distribuição de água.
O decreto também autoriza a mobilização dos órgãos municipais, sob coordenação da Defesa Civil, para executar ações de resposta à estiagem e de recuperação das áreas afetadas.
Além disso, o município poderá convocar voluntários e promover campanhas de arrecadação de recursos para atender à população atingida.
A medida também prevê a possibilidade de dispensa de licitação para contratações emergenciais, desde que sejam atendidos os requisitos previstos na legislação federal.
O Governo Federal reconheceu oficialmente a situação de emergência no município de Brumado em decorrência dos severos impactos provocados pela estiagem. A portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (6). A medida habilita a gestão municipal a solicitar verbas públicas destinadas a socorrer a população e conter os prejuízos causados pela escassez de chuvas na região.
Com o decreto validado pela União, Brumado poderá pedir recursos financeiros para a execução de plano de ações emergenciais. Os valores poderão ser aplicados na compra e distribuição de cestas básicas, água potável, kits de higiene pessoal, itens de limpeza e dormitório, além da oferta de refeições para voluntários e trabalhadores envolvidos nas operações de socorro.
Apesar da oficialização da emergência, o repasse de verbas não ocorre de forma automática. Para ter acesso aos recursos, a Prefeitura de Brumado precisará cadastrar um plano de trabalho detalhado no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), informando as necessidades e os montantes pretendidos. O projeto passará por análise técnica da Defesa Civil Nacional e, se aprovado, terá os montantes liberados por meio de nova publicação no Diário Oficial.
Fenômeno agrava estiagem em uma metade do país, e temporais na outra
Agência BrasilTânia Rêgo/Agência Brasil
A primavera de 2026 chega ao Hemisfério Sul nesta terça-feira (22), às 21h05, com previsão de altas temperaturas e formação rápida de tempestades severas no Brasil.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a influência do El Niño deve acentuar a seca nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já no Sudeste e no Sul do país, a projeção é de que o fenômeno vai agravar o excesso de chuvas.
“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”, afirma o meteorologista do Inmet, Mozar de Araújo Salvador.
Segundo Mozar Salvador, a influência do fenômeno El Niño na primavera deste ano faz com que a estação ganhe diferentes contornos em relação aos anos anteriores.
“De modo geral, as temperaturas devem ficar elevadas, podendo ultrapassar a média para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a região”, conclui.
Temporais e seca
Durante a primavera, o fluxo de umidade vinda da Amazônia fica mais intenso, levando chuvas para o centro-sul da Região Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país.
Na Região Sul, também devem ocorrer Complexos Convectivos de Mesoescala – um aglomerado de tempestades em formato circular.
Segundo o meteorologista do Inmet, esses sistemas fazem com que haja significativa probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul, assim como em parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste.
“Nessas duas últimas regiões, os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul podem se destacar com maiores volumes de chuvas”, complementa Salvador.
Rio Negro, no bairro São Raimundo, em Manaus, durante maior seca em 121 anos, em 2023. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Por outro lado, o norte da Região Nordeste, especialmente o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, deve receber menos chuvas.
“Nas Regiões Norte e Nordeste, há maior potencial para chuvas mais irregulares, resultando em déficit de chuvas em grande parte dessas regiões. Também há possibilidade de predomínio de déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás”, afirma Salvador.
Equinócio
A primavera do Hemisfério Sul começa quando o planeta alcança o equinócio de setembro ─ dia do ano em que os Hemisférios Norte e Sul recebem a mesma incidência de raios solares, tendo dia e noite com a mesma duração.
O fenômeno se repete duas vezes por ano: em março e em setembro, marcando o início da primavera ou do outono.
Ao longo dos próximos três meses, os dias passarão a ficar cada vez mais longos no Hemisfério Sul, até que seja atingido o solstício de dezembro, às 18h50 do dia 21, dando início ao verão.
No Hemisfério Norte, ocorre o oposto: o equinócio de setembro inicia o outono, e as noites ficam cada vez mais longas até que o inverno comece em dezembro.
Seca provoca perdas nas lavouras, compromete as pastagens e reduz cada vez mais a disponibilidade de água para consumo humano e animal A estiagem que vem atingindo o município de Condeúba, no sudoeste da Bahia, tem agravado as dificuldades enfrentadas principalmente pelas comunidades rurais. A ausência ou irregularidade das chuvas já provoca reflexos importantes na agricultura e na pecuária, além de aumentar a preocupação com o abastecimento de água para a população. Diante do agravamento do cenário, o Governo Municipal decretou situação de emergência em razão dos efeitos da estiagem, por meio do Decreto Municipal nº 089/2026, publicado em 17 de agosto de 2026, considerando os danos e prejuízos provocados pela falta de chuvas. A situação se torna ainda mais preocupante porque a estiagem não representa apenas a falta momentânea de chuva. Seus efeitos se acumulam ao longo dos meses, atingindo diretamente a produção rural, os reservatórios, os mananciais, os animais e as famílias que dependem das fontes de água existentes no município.
Lavouras são diretamente atingidas Um dos setores mais prejudicados é a agricultura. Com a falta de umidade suficiente no solo, muitas lavouras não conseguem completar adequadamente seu ciclo produtivo. Em algumas áreas, produtores enfrentam perdas significativas, enquanto em outras o plantio sequer apresenta condições favoráveis para ser realizado. A escassez de chuva também reduz a capacidade de recuperação do solo e dificulta a manutenção das pequenas propriedades rurais, onde muitas famílias dependem diretamente da produção agrícola para o consumo próprio e para a geração de renda. O problema atinge especialmente o agricultor familiar, que possui menor capacidade de enfrentar longos períodos de estiagem e depende das condições climáticas para garantir sua produção.
Pastagens perdem capacidade de alimentar o rebanho Outro reflexo evidente da seca aparece nas pastagens. Com a prolongada ausência de chuvas, a vegetação perde vigor, fica ressecada e reduz consideravelmente sua capacidade de alimentar os animais. Para os criadores, isso significa aumento das dificuldades e dos custos para manter o rebanho. Onde antes havia pasto suficiente, agora é necessário buscar alternativas para garantir a alimentação dos animais, aumentando a dependência de ração, palma, silagem, feno e outros recursos. A redução das pastagens também pode provocar perda de peso dos animais e comprometer a produção e a reprodução dos rebanhos, agravando ainda mais a situação econômica das famílias rurais.
Água cada vez mais escassa Talvez o aspecto mais preocupante seja a redução da disponibilidade de água. Açudes, barragens, tanques, nascentes e outras fontes utilizadas pelas comunidades rurais vêm apresentando diminuição de seus volumes em consequência da prolongada estiagem. Com os reservatórios cada vez mais baixos, aumenta a preocupação tanto com a água destinada ao consumo humano quanto com aquela utilizada para os animais e para as atividades produtivas. Em determinadas localidades, a população passa a depender cada vez mais do abastecimento por meio de carros-pipa e de outras ações emergenciais para garantir o acesso à água. A escassez também exige atenção especial quanto à qualidade da água disponível, já que a redução do volume dos reservatórios pode dificultar ainda mais o acesso a fontes adequadas para consumo.
Um problema que ultrapassa o campo Os efeitos da estiagem não ficam restritos às propriedades rurais. Quando a produção agrícola diminui, toda a economia local sente os impactos. O agricultor compra menos, reduz investimentos e perde parte de sua renda. O criador também enfrenta maiores despesas para alimentar e manter seus animais. A seca, portanto, atinge uma cadeia econômica que envolve produtores, comerciantes, transportadores e diversos outros segmentos que dependem direta ou indiretamente da movimentação proporcionada pelas atividades do campo. O cenário exige atenção permanente do poder público e a adoção de medidas capazes de minimizar os impactos sobre as famílias atingidas.
Condeúba enfrenta um período de alerta O reconhecimento da situação de emergência representa, nesse contexto, uma medida importante para que o município possa buscar apoio e recursos junto às demais esferas de governo e fortalecer as ações de enfrentamento à estiagem. O quadro observado em Condeúba também ocorre dentro de um cenário mais amplo de agravamento da seca no país. Dados do Cemaden referentes a julho de 2026 apontaram crescimento expressivo do número de municípios brasileiros classificados em situação de seca severa, que passou de 38 em maio para 157 em julho. Na Bahia, a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente destaca que os efeitos da seca podem provocar consequências ambientais, sociais e econômicas, especialmente em regiões vulneráveis à degradação do solo e à escassez hídrica.
A preocupação agora é com os próximos meses Para o homem e a mulher do campo, a grande preocupação é saber quanto tempo a estiagem ainda deverá persistir. Cada semana sem chuva significa mais pressão sobre os reservatórios, mais dificuldades para os animais e maiores prejuízos para as lavouras. Enquanto a chuva não chega em quantidade suficiente para recuperar o solo, as pastagens e as fontes de água, Condeúba precisa manter a atenção voltada para o abastecimento da população e para o atendimento às comunidades rurais mais afetadas. A situação de emergência decretada pelo município evidencia, portanto, a dimensão do problema: não se trata apenas de uma temporada de pouca chuva, mas de um período de fortes impactos sobre a produção rural, a criação de animais, os recursos hídricos e a vida das famílias que dependem diretamente da água e das atividades do campo. Neste momento, a esperança dos condeubenses está voltada para a chegada de chuvas regulares e suficientes para devolver umidade à terra, recuperar as pastagens, renovar os reservatórios e permitir que o homem do campo volte a produzir com mais segurança e tranquilidade.
A Barragem do Rio Brumado, localizada em Rio de Contas, no sudoeste baiano
A Barragem do Rio Brumado, localizada em Rio de Contas, no sudoeste baiano, registra atualmente 23.084.978 metros cúbicos de água, o que equivale a 23,23% da sua capacidade total. A informação foi divulgada nesta semana por órgãos que monitoram o volume do reservatório.
O nível é considerado crítico, já que o limite mínimo operacional da barragem é de 7,46%. Ao atingir esse patamar, o uso da água passa a ser restrito, priorizando o abastecimento humano e a dessedentação animal, conforme orientação do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
O assoreamento do manancial também tem impacto direto sobre a capacidade de armazenamento, uma vez que o acúmulo de sedimentos reduz o espaço útil do reservatório e pode gerar uma falsa percepção do volume real disponível.
As previsões meteorológicas para outubro e novembro indicam baixo índice de chuvas e altas temperaturas na região, o que dificulta a recuperação do nível da barragem.
Com o cenário atual, as populações de Rio de Contas, Livramento de Nossa Senhora, Dom Basílio e municípios vizinhos devem adotar medidas de economia e uso racional da água.
Mesmo com decreto de situação de emergência devido à seca vigente, válido até 7 de novembro do corrente ano, a Operação Carro Pipa foi suspensa na cidade de Brumado. O diretor de recursos hídricos do município, Simão Lobo, explicou que a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) realizou a suspensão sem sequer comunicar a prefeitura. Segundo Lobo, a pasta alega que o Município teria anexado ao processo de reconhecimento federal alguns documentos fora do prazo. “Não nos avisaram e não nos deram direito de recorrer”, lamentou.
O diretor apontou que, hoje, o maior entrave para que o Município obtenha esse reconhecimento federal da situação de emergência é a burocracia. A Sedec exige o recadastramento de todos os pontos de abastecimento existentes em cada cidade, tal como se fosse uma pesquisa do IBGE. “Eles querem uma pesquisa completa, discriminando as pessoas por sexo, idade, cor, religião. Uma série de informações que a gente terá que fazer o levantamento para que esses pontos de abastecimento continuem efetivos perante à Operação Carro Pipa”, detalhou.
Com o objetivo de retomar a operação, o prefeito Fabrício Abrantes (Avante) esteve na Sedec, com sede em Brasília, para dialogar sobre o assunto. Paralelamente, Lobo destacou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos está dando entrada novamente no processo de reconhecimento de seca a fim de tentar restabelecer a Operação Pipa na cidade o quanto antes.
No momento, alguns carros pipa contratados com recursos próprios do município estão abastecendo as comunidades mais afetadas na zona rural. Ao todo, com a suspensão, cerca de 16 mil pessoas em 302 comunidades deixam de ser assistidas pelo Governo Federal com água potável.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, nesta sexta-feira (6), a situação de emergência nas cidades de Iuiue Rio do Antônio, afetadas pela estiagem.
A Portaria nº 1.749 com os reconhecimentos foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Agora, as prefeituras já podem solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas, água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza de residência, higiene pessoal e dormitório, entre outros.
Até o momento, a Bahia tem 111 reconhecimentos vigentes, dos quais 84 por estiagem, 25 por chuvas intensas, um por enxurradas e um por alagamentos.
Já nas comunidades rurais, os índices variaram entre 30 e 50 mm. Apesar do alto índice pluviométrico, Lucas Ataíde, secretário municipal de agricultura, meio ambiente e recursos hídricos e coordenador da Defesa Civil Municipal, explicou que as chuvas ocorreram de forma espaçada e localizada.
Ataíde disse que a pluviosidade não foi suficiente para encher a capacidade dos mananciais e açudes de maneira positiva. “Eles ainda estão em volume muito negativo. Temos um déficit hídrico bastante elevado. Então, o solo infiltra essa água até para repor a sua necessidade”, detalhou.
O secretário avaliou que, embora a crise hídrica não tenha sido revertida, a chuva serviu para melhorar o clima e molhar as plantações na zona rural. “Deu uma animada na nossa população, mas ainda estamos em situação de emergência devido à estiagem por conta das nossas fontes de água para captação humana”, ponderou.
Ao todo, de acordo com os dados oficiais, em 2025, foram registrados até o momento 268 mm de chuvas. Para os próximos dias, não há previsão de chuvas na cidade.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, nesta segunda-feira (14), a situação de emergência nas cidades baianas de Belo Campo, no sudoeste baiano e Wagner, na Chapada Diamantina, afetadas pela estiagem.
A portaria com os reconhecimentos foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). Agora, as prefeituras já podem solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas, água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza de residência, higiene pessoal e dormitório, entre outros.
Até o momento, a Bahia tem 84 reconhecimentos vigentes, dos quais 64 por estiagem, 18 por chuvas intensas, um por enxurradas e um por alagamentos.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, nesta sexta-feira (11), a situação de emergência no município deCaetanos. De acordo com o Diário Oficial da União (DOU) a cidade foi afetada pela estiagem.
Agora, a prefeitura já pode solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas, água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza de residência, higiene pessoal e dormitório, entre outros.
Cidades com o reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar ao MIDR recursos para ações de defesa civil. A solicitação pelos municípios em situação de emergência deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
Com base nas informações enviadas nos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado. A
Defesa Civil Nacional oferece uma série de cursos a distância para habilitar e qualificar agentes municipais e estaduais para o uso do S2iD. As capacitações têm como foco os agentes de proteção e defesa civil nas três esferas de governo.