Categoria: Foragidos

Ex-aluna de medicina da USP condenada no 8/1 está foragida há 19 meses

Roberta Soares rompeu a tornozeleira eletrônica em maio de 2024, um mês após ser condenada pelo STF, e nunca mais se apresentou à Justiça

Reprodução/Facebook
Foto colorida da Roberta Jersyka Oliveira Brasil Soares, ex-aluna de medicina da USP, presa por participação nos atos de 8/1 - Metrópoles
Roberta Jersyka Oliveira Brasil Soares, de 37 anos, está foragida da justiça há 19 meses
Condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, a ex-aluna de medicina da Universidade de São Paulo (USP) Roberta Jersyka Oliveira Brasil Soares, de 37 anos, está foragida há 19 meses.

No último ofício enviado a Moraes, no início deste mês, a Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas da Justiça do Ceará, estado para onde Roberta se mudou após deixar a prisão, informou que o descumprimento da ordem judicial “persiste até a presente a data” e que o nome dela consta com o status de “procurado” no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).

Roberta integrou o grupo de brasileiros réus e condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes que fugiram para a Argentina. No início do ano, a advogada que a defende na ação penal que tramita no STF informou que perdeu o contato com a cliente desde então.

Das aulas de medicina na USP à prisão em Brasília

Natural de Fortaleza (CE) e formada em engenharia, Roberta se mudou para São Paulo em 2020, após ser aprovada no vestibular para o curso de medicina da USP. Nas redes sociais, relatava rotina de aulas, treinos físicos, alimentação saudável e publicava fotos com familiares e amigos. Mas, em setembro de 2022, o foco das postagens mudou e passou a ser, quase que exclusivamente, sobre política.

Ela foi detida dentro do Congresso Nacional durante os ataques de 8/1. Estava ajoelhada e rezando quando foi presa em flagrante pela Polícia do Senado. As câmeras de segurança registraram a cena, e o vídeo foi anexado ao inquérito. Por causa da prisão, ela trancou o curso de medicina na USP.

Na denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Roberta acessou as galerias do Congresso, “participando ativamente e concorrendo com os demais agentes para a destruição dos móveis que ali se encontravam”.

Em abril do ano passado, a maioria dos 11 ministros do STF decidiu condená-la a 14 anos de prisão, em regime fechado, pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada e deterioração do patrimônio tombado. Além disso, os magistrados a incluíram na lista de condenados obrigados a pagar R$ 30 milhões de indenização a título de danos morais coletivos.

A defesa de Roberta Jersyka sempre argumentou que não havia provas de que a então estudante de medicina se envolveu nos atos de vandalismo do dia 8 de janeiro, em Brasília, e que o STF não tinha competência para julgá-la porque ela não tem foro privilegiado, tese derrotada pela posição da maioria dos ministros.

Ramagem ataca PF após prisão de homem que teria o ajudado a fugir

Em publicação no X, Ramagem negou ter recebido ajuda para deixar o Brasil. PF prendeu filho de garimpeiro, suspeito de tê-lo ajudado na fuga

Metrópoles

Primeira Turma 1 do Supremo Tribunal Federal STF comecou a interrogar os reus do nucleo 1 por participacao na suposta trama Alexandre Ramagem trama golpista - Metrópoles
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) – Foto: Fellipe Sampaio/STF
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) criticou a Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (22/12), pela prisão de Celso Rodrigo de Mello, filho do garimpeiro Rodrigo Cataratas, que, segundo as investigações, teria o ajudado a fugir para os Estados Unidos, em setembro.

Em publicação no X (antigo Twitter), Ramagem negou ter recebido auxílio para deixar o Brasil. Ele publicou um vídeo, com o título “Criatividade para condenar inocentes”.

“A Polícia Federal, como não conseguiu me prender nesse processo completamente ilegal, forjado, sem crime, só para condenar o Bolsonaro e seus aliados mais próximos, agora está incriminando e prendendo mais inocentes, dizendo terem me auxiliado na minha saída do país. Nenhum desses apontados me auxiliou a deixar o Brasil. Eu não precisei de ajuda nenhuma”, declarou Ramagem, que já foi delegado da corporação.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos e um mês de prisão por participação na trama golpista. Segundo as investigações da PF, ele deixou o Brasil após viajar para Boa Vista (RR) e, de forma clandestina, embarcar para Miami (EUA), onde vive atualmente com a família.

Ramagem e o correligionário Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também está nos Estados Unidos, foram cassados na quinta-feira (18/12), após decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio da maioria da Mesa Diretora.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado a perda do mandato de Ramagem, em decorrência da condenação pela trama golpista.

Câmara decide cassar mandatos de Eduardo Bolsonaro e Ramagem

Motivos foram excesso de faltas e condenação pelo STF
Agência Brasil 

Brasília 18/12/2025 - Foto montagem de Alexandre Ramagem com foto de Carolina Antunes/PR e Eduardo Bolsonaro com foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) – Fotos: Carolina Antunes/PR e Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu cassar os mandatos dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). Os atos que determina a perda dos mandatos foram publicados nesta quinta-feira (18) em edição extra do Diário da Câmara dos Deputados.

Além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinam as cassações o primeiro e segundo vice-presidentes, Altineu Côrtes (PL-RJ) e Elmar Nascimento (União-BA); e os primeiro, segundo, terceiro e quarto secretários: Carlos Veras (PT-PE), Lula da Fonte (PP-PE), Delegada Katarina (PSD-SE) e Sergio Souza (MDB-PR).

Eduardo Bolsonaro

A Mesa cassou o mandato de Eduardo Bolsonaro por faltas, devido ao fato de o deputado ter deixado de comparecer à terça parte das sessões deliberativas da Câmara dos Deputados, conforme prevê a Constituição. 

Em março, Eduardo Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e pediu licença do mandato parlamentar. A licença terminou em 21 de julho, mas o parlamentar não retornou ao  Brasil e já acumulava um número expressivo de faltas não justificadas nas sessões plenárias.

Em setembro, Motta rejeitou a indicação do deputado para exercer a liderança da minoria na Casa, com o argumento de não haver possibilidade do exercício de mandato parlamentar estando ausente do território nacional.

Eduardo Bolsonaro também é réu em processo no STF por promover sanções contra o Brasil para evitar o julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, pela trama golpista.

Ramagem

No caso de Ramagem, a cassação foi aplicada após o Supremo Tribunal Federal ter definido a perda de mandato no julgamento da tentativa de golpe de estado. Ele foi condenado a 16 anos de prisão. 

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem está foragido em Miami, nos Estados Unidos. Desde setembro, Ramagem apresentava atestados médicos para justificar sua ausência na Câmara.

Após a descoberta da fuga, a Câmara informou que a Casa não foi comunicada sobre o afastamento do parlamentar do território nacional nem autorizou nenhuma missão oficial de Ramagem no exterior.

Repercussão

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que recebeu uma ligação de Hugo Motta relatando a cassação. O deputado disse ainda considerar a decisão grave.

“Trata-se de uma decisão grave, que lamentamos profundamente e que representa mais um passo no esvaziamento da soberania do Parlamento. Não se trata de um ato administrativo rotineiro. É uma decisão política que retira do plenário o direito de deliberar e transforma a Mesa em instrumento de validação automática de pressões externas. Quando mandatos são cassados sem o voto dos deputados, o Parlamento deixa de ser Poder e passa a ser tutelado”, escreveu na rede social X.

Já o líder da federação PT, PCdoB e PV, Lindbergh Farias (PT-RJ), comemorou a decisão afirmando que a cassação extingue a “bancada dos foragidos”. 

“Somados, os dois casos deixam um recado institucional inequívoco no sentido de que ou o mandato é exercido nos limites da Constituição e da lei, ou ele se perde, seja pela condenação criminal definitiva, seja pela ausência reiterada e pela renúncia de fato às funções parlamentares”, afirmou. 

Segundo Lindbergh, o mandato parlamentar não deve ser escudo contra a justiça e nem salvo-conduto para o abandono das funções públicas.

“A perda do mandato, em ambos os casos, constitui efeito constitucional objetivo que independe de julgamento discricionário ou político (artigo 55, parágrafo 3°, da CF). Como sempre defendemos, à Mesa coube apenas declarar a vacância, sob pena de usurpação da competência do Judiciário e violação frontal à separação dos Poderes, pois o mandato parlamentar não é escudo contra a Justiça e nem salvo-conduto para o abandono das funções públicas”, finalizou. 

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