Categoria: Eleições – 2026

Regras do período de defeso eleitoral começam a valer neste sábado

Proibições visam evitar uso da máquina pública para benefício político

Agência BrasilTécnicos do TRE-DF realizam a conferência e a lacração de urnas eletrônicas para o 1º turno das Eleições 2022.© Marcelo Camargo/Agência Brasil

As principais proibições previstas na legislação eleitoral para evitar o uso da máquina pública durante a campanha eleitoral entram em vigor neste sábado (4). O início das restrições começa a valer três meses antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. 

Durante o chamado período de defeso eleitoral, candidatos estão proibidos de comparecer a inaugurações de obras públicas. Além disso, sites governamentais devem retirar conteúdos que mencionem candidatos. Somente conteúdos de utilidade pública poderão ser mantidos. 

Conforme as regras eleitorais, as páginas oficiais de órgãos dos governos federal e estadual devem retirar do ar nomes, símbolos e imagens que possam identificar políticos ou seu trabalho na administração pública, ainda que a publicação tenha sido realizada em momento anterior ao dia 4 de julho.

Está proibida a realização de publicidade institucional de obras, serviços e campanhas de órgãos públicos. A contratação de shows artísticos com recursos públicos também está proibida.

Os pronunciamentos em cadeia de rádio e televisão estão vetados, mas poderão ser liberados previamente pela Justiça Eleitoral em casos de emergência.

As vedações estão previstas na Lei 9.504 de 1997, a chamada Lei das Eleições, e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Contratações

Agentes públicos estão proibidos de nomear funcionários públicos, dispensar sem justa causa, exonerar, retirar vantagens, transferir, dificultar ou impedir o exercício funcional dos servidores públicos.

As contratações e demissões só poderão ser realizadas nos casos de nomeação ou exoneração de cargos em comissão, dispensa de funções de confiança ou para garantir o funcionamento de serviços públicos essenciais.

Estão excluídas da proibição as nomeações para os cargos do Judiciário, Ministério Público, dos tribunais de contas e órgãos da Presidência da República.

Os aprovados em concursos públicos só poderão ser nomeados se o certame tiver sido homologado até 4 de julho.

Recursos

Agentes públicos também não poderão fazer transferências voluntárias de recursos do governo federal aos estados e municípios e dos estados aos municípios. Os repasses só estarão liberados nos casos de execução de obras pré-existentes ou calamidade pública.

Convenções

A partir deste domingo (5), está autorizada propaganda interna dos pré-candidatos às convenções partidárias, que poderão começar em 20 de julho. O uso de propaganda externa no rádio, TV ou outdoor está proibida.

Para concorrer às vagas das eleições de outubro, os candidatos precisam ter seus nomes aprovados pelos partidos. A escolha é realizada por meio das convenções.

Eleições

O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos, deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República. O segundo turno está marcado para o dia 25, caso seja necessário.

TRE da Bahia vê indícios de propaganda antecipada e uso irregular de IA em postagem de ACM Neto

TRE da Bahia vê indícios de propaganda antecipada e uso irregular de IA em postagem de ACM Neto
ACM Neto (União Brasil) – Foto: Divulgação

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) concedeu uma decisão liminar determinando que o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), retire de seu perfil no Instagram uma publicação que, segundo entendimento preliminar da Corte, apresenta indícios de propaganda eleitoral antecipada e utilização irregular de conteúdo produzido por inteligência artificial.

A decisão foi proferida pelo desembargador substituto eleitoral Isaías Vinícius de Castro Simões, em resposta a uma representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). Conforme o processo, a postagem utiliza uma imagem criada digitalmente em que o pré-candidato aparece ao lado de um jogador de futebol, ambos vestidos com a camisa da Seleção Brasileira.

De acordo com a representação, a imagem pode transmitir a impressão de que o atleta manifesta apoio político ao pré-candidato, além de destacar o número 44, legenda do União Brasil, elemento que, segundo os autores da ação, configuraria uma forma de pedido antecipado de voto.

Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu, em caráter preliminar, que há indícios de utilização de inteligência artificial para produzir uma situação inexistente, com potencial para influenciar a percepção do eleitorado por meio da criação de uma representação visual que não corresponde à realidade.

A decisão também menciona que o uso ostensivo do número eleitoral associado à legenda do partido, antes do período permitido para a propaganda eleitoral, pode caracterizar propaganda antecipada por equivalência semântica, hipótese prevista na legislação eleitoral.

Outro ponto considerado pelo relator foi a possibilidade de ampla disseminação da publicação nas redes sociais. Segundo a decisão, a permanência do conteúdo poderia ampliar o alcance de uma informação considerada potencialmente enganosa, justificando a concessão da medida de urgência.

Com a liminar, ACM Neto deverá remover a publicação no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil. A decisão também determina que o conteúdo não seja republicado em outras plataformas digitais enquanto perdurarem os efeitos da ordem judicial.

Presidente Petro denuncia fraude contra o voto na eleição da Colômbia

Candidatura governista apresenta 57 mil reclamações
Agência BrasilElectoral workers recount votes during Colombia's official scrutiny process, where commissions handle legally binding reviews and formal complaints, after Abelardo De La Espriella won an initial ballot count in the presidential runoff against Ivan Cepeda, at Corferias in the city of Bogota, Colombia, June 22, 2026. REUTERS/Juan David Duque© Reuters/Juan David Duque/Proibida reprodução
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou “delito contra o voto” em suposta fraude na eleição presidencial de domingo (21), cujo resultado preliminare apontou vitória do opositor Abelardo De La Espriella.

“Muitos formulários E-14 foram alterados após o upload e, ao contrário do que afirmou o registrador [responsável pela apuração], removeram o registro de data e hora e o Hash dos algoritmos para modificá-los deliberadamente, a partir dos escritórios dos irmãos Bautista”, disse o presidente em rede social.

Petro se refere aos empresários Bautista, donos da Thomas Greg & Sons, uma das empresas responsáveis pela contagem preliminar. Os formulários E-14 são os que registram os votos de cada urna, depositados em papel pelos eleitores, enquanto o Hash é o software que deveria garantir a integridade digital dos documentos.

Na Colômbia, a apuração ocorre em duas etapas. A pré-contagem, divulgada no dia da votação, tem caráter informativo e não tem valor legal para definir o vencedor. Já o escrutínio, conduzido por juízes eleitorais com fiscalização de partidos, verifica manualmente os formulários E-14 e consolida o resultado oficial.

Petro também mencionou possíveis irregularidades no exterior e citou um consulado com 80 eleitores inscritos que teria registrado mil votantes. Além disso, sugeriu envolvimento de Israel nas supostas fraudes.

“Hoje temos evidências de uma mudança nos endereços IP de vários servidores pertencentes ao Registro Nacional [órgão responsável pela apuração dos votos]. Isso significa que o software foi comprometido e outros registraram dados de seções eleitorais e centros de votação. A única entidade no mundo capaz de fazer isso é o Estado de Israel”, afirmou.

Segundo a pré-contagem, De La Espriella obteve 49,66% dos votos válidos (12,9 milhões), contra 48,70% de Iván Cepeda (12,7 milhões). A diferença é de cerca de 250 mil votos, em um universo de 26,3 milhões de eleitores que foram votar — comparecimento de 63,6%, o maior já registrado no país.

Cepeda aguarda escrutínio

Em coletiva na quarta-feira (22), Iván Cepeda adotou tom mais cauteloso e evitou falar em fraude. Ele afirmou que sua campanha apresentou 57,1 mil reclamações, que deverão ser analisadas pelos juízes eleitorais.

“É esperar, com calma, o resultado desse escrutínio, momento em que, verificadas todas as reivindicações que fizemos, tiradas todas as dúvidas que temos, procederemos como acontece nas democracias para anunciar o nosso reconhecimento do resultado, estando tudo em ordem”, disse.

O especialista em política colombiana Matheus Petrelli, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), avalia que as acusações de Petro são amplas e envolvem diferentes etapas da pré-contagem, mas ainda precisam ser verificadas.

“O escrutínio é esse lugar para apurar as denúncias, para receber os casos de possíveis irregularidades, e a tendência é que seja ali resolvido”, afirmou.

Precedente de 2022

Geralmente, a pré-contagem tem apresentado resultados muito semelhantes aos dos escrutínios. No primeiro turno da eleição presidencial deste ano, a diferença foi de cerca de 15 mil votos.

Porém, em 2022, o escrutínio das eleições legislativas alterou os resultados preliminares de forma substancial a favor do Pacto Histórico, coalizão que dá sustentação ao governo Petro. O Pacto recuperou cerca de 389 mil votos e ganhou três cadeiras adicionais no Congresso como resultado da revisão dos dados da pré-contagem.

Defesa do processo eleitoral

Ainda em uma rede social, o presidente Gustavo Petro afirmou que nenhum presidente pode ser proclamado antes do fim do escrutínio.

“Somente ao final da apuração dos votos é declarado o vencedor, e eu o reconhecerei. Essa é a lei da Colômbia, e a imprensa deve respeitá-la seriamente”, afirmou. 

Em resposta, o registrador nacional, Hernán Penagos, disse que o processo é “altamente eficiente” e conduzido com garantias absolutas. Segundo ele, o escrutínio ocorre com base em documentos físicos e é realizado por juízes, não pela Registradoria.

“As comissões eleitorais estão atualmente realizando a apuração dos votos por zona e município”, disse, em entrevista à rádio colombiana BlueRadio.

Missões internacionais

A missão da OEA elogiou a jornada eleitoral e pediu que os colombianos aguardem o resultado do escrutínio com calma.

“Aguardem a conclusão da apuração dos votos com calma e responsabilidade. A proteção das instituições do país é crucial para a consolidação democrática na Colômbia. A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da OEA permanece no terreno, acompanhando de perto cada fase da apuração e a resolução de quaisquer contestações que possam surgir”, diz o documento

“Não se meta nas eleições no Brasil”, diz Lula a Trump

“A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil”, afirmou

Agência BrasilÉvian-les-Bains, 17/06/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa após reunião do G7. Foto: Ricardo Stuckert/PRO presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interfira nas eleições brasileiras e respeite o país.

“Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil.”

“As eleições no Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles e não são um problema meu. A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil, assim como eu tenho pelos Estados Unidos”, completou.

Em entrevista coletiva após o fim da Cúpula do G7, em Évian, na FrançaLula disse que, se Trump conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o país.

“Ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso”, concluiu.

Entenda

Mais cedo, também em entrevista coletiva no evento, Trump classificou o Brasil como um país “um pouco perigoso politicamente” e citou a condenação de Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Prenderam ele ou querem prendê-lo. Estão tramando algo para a sua prisão. Eles jogam bem pesado. Mas ninguém joga mais pesado que os Estados Unidos”, disse.

O ex-deputado federal foi condenado a quatro anos e dois meses anos de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.

Ele foi considerado culpado de atuar em Washington a favor do tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras, para intimidar a Suprema Corte e tentar evitar a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

 

BTG/Nexus: Lula abre margem de 9 pontos para Flávio Bolsonaro nas intenções de voto

BTG/Nexus: Lula abre margem de 9 pontos para Flávio Bolsonaro nas intenções de voto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) – Foto: Ricardo Stuckert/PR – Carlos Moura/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece na liderança em número de intenções de voto na corrida eleitoral deste ano. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (15), por meio da pesquisa BTG/Nexus, o petista chega a abrir uma margem de 9 pontos frente ao senador Flávio Bolsonaro (PL). 

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.017 eleitores por telefone (via CATI), entre os dias 12 e 14 de junho. A margem é de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o código BR-06645/2026. 

Em análise de voto espontâneo, quando não são apresentados os nomes dos candidatos, Lula foi citado como o candidato de 36% dos eleitores. Flávio Bolsonaro aparece em seguida com 27% das respostas. O presidente do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos aparece em terceiro lugar, com 3% das intenções de voto. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparececem, respectivamente com 1%. 

Nas demais respostas, 24% dos entrevistados não respondeu ou não sabia. 3% disseram que votariam nulo ou branco e 4% citaram outros candidatos.

Já em cenário estimulado, quando são apresentados os nomes dos candidatos, Lula aumenta a margem de liderança. Segundo o levantamento, o atual presidente chegou a 42% dos votos, frente a 33% do senador carioca. Ronaldo Caiado também avançou nesse formato, indo a 4% das intenções de voto, empatado com Renan Santos. Romeu Zema, Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) também aparecem empatados com 2%. 

Aécio Neves e Cabo Daciolo pontuam com 1% das intenções de voto, cada um. 5% dos entrevistados responderam que votariam nulo ou branco e 3% não souberam responder. 

2º TURNO

No segundo turno, a liderança do presidente Lula segue mantida. Em cenário estimulado de entrevista, o levantamento BTG/Nexus avaliou o desempenho do petista frente a Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Lula venceria em todos os cenários.

Contra Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Lula chegou a registrar 49/5 dos votos, contra 43% do senador, o equivalente a 6 pontos de diferença. 8% dos entrevistados responderam que votariam branco ou nulo e 1% não souberam. 

No cenário contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Lula também aparece com 49% dos votos, frente a 39% do adversário. Brancos e nulos foram 11% e 1% não souberam responder. 

O terceiro cenário, contra Ronaldo Caiado (PSD), o presidente Lula aparece com 48% dos votos, frente a 39% do governador do Goiás. Brancos e nulos são 11% e 2% dos entrevistados não souberam responder. 

Já contra Renan Santos, Lula mantem o mesmo número, e o candidato do MBL aparece com 36% das intenções de voto. 13% dos entrevistados responderam que votariam branco ou nulo e 2% não souberam.

Eleição no Peru: Sánchez à frente de Fujimori por apenas 19 mil votos

Resultado segue indefinido com 95,9% da urnas apuradas
Agência BrasilA man looks at a newspaper stand with headlines showing early results of a runoff election between conservative presidential candidate Keiko Fujimori and left-wing candidate Roberto Sanchez, as Fujimori kept a slight lead over Sanchez, with over 90% of the votes counted, according to an official tally, in Lima, Peru, June 8, 2026. REUTERS/Leslie Moreno© REUTERS/Leslie Moreno
A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial do Peru segue acirrada, nesta terça-feira (9), com o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino à frente com uma pequena margem de 19,8 mil votos da candidata de direita Keiko Fujimori. Com 95,9% das urnas apuradas, o resultado segue imprevisível.

Enquanto Sánchez marca 50,056% dos votos, Keiko está com 49,944%. A diferença entre os dois reduziu nas últimas horas, com crescimento dos votos para Fujimori.

Sánchez ultrapassou numericamente Keiko no início da tarde dessa segunda-feira (8), quando o país chegou a 93,9% das urnas apuradas. 

No início da apuração, quando apenas 20% das urnas haviam sido processadas, Keiko chegou a estar 200 mil votos à frente de Sánchez, devido ao fato de as urnas de Lima, a capital, terem sido computadas primeiro.

O Jurado Nacional de Eleições (JNE), a autoridade máxima eleitoral do Peru, afirmou que os resultados definitivos devem ser divulgados apenas em “meados de julho”. Isso porque foi acrescentado ao processo de apuração um novo mecanismo obrigatório de recontagem de votos em mesas que apresentaram alguma inconsistência. 

O JNE informa que, até o momento, foram recebidas 1 mil atas “em observação”, que precisaram passar por nova contagem com a presença de observadores de partidos e fiscais.

Das mais de 92,7 mil atas da eleição peruana, cerca de 2,2 mil ainda precisam ser contabilizadas, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru. 

Dessas, 1,7 mil são de mesas do exterior, onde a candidata Keiko Fujimori vem apresentando vantagem. Até o meio-dia desta terça-feira, apenas 30,2% das atas do exterior tinham sido contabilizadas, dando 65,4% dos votos para Keiko e 34,5% para Sánchez.

Keiko x Sánchez

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021.

Do outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou no domingo (7) em Lima, Sánchez foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

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Avião com ACM Neto sofre despressurização durante voo para Livramento e provoca momentos de tensão

Avião com ACM Neto sofre despressurização durante voo para Livramento e provoca momentos de tensão
O pré-candidato ao Governo do Estado, ACM Neto (União Brasil) – Foto: Divulgação

Uma viagem que fazia parte da agenda política no interior da Bahia acabou sendo marcada por momentos de apreensão. O avião que transportava o pré-candidato ao Governo do Estado, ACM Neto (União Brasil), apresentou um problema de despressurização durante o trajeto com destino ao município de Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste baiano. O incidente provocou tensão entre os ocupantes da aeronave após uma descida brusca de altitude.

De acordo com informações divulgadas por interlocutores do grupo, a aeronave reduziu rapidamente sua altitude, passando de aproximadamente 30 mil para 10 mil pés, procedimento adotado em situações de emergência relacionadas à pressurização da cabine. O episódio surpreendeu os passageiros e transformou o que seria apenas mais um deslocamento de campanha em uma experiência traumática.

Além de ACM Neto, também estavam a bordo o pré-candidato ao Senado e ex-ministro João Roma (PL), a deputada federal Roberta Roma (PL) e o deputado estadual Nelson Leal (PP), integrante da coordenação política do grupo. Relatos apontam que o clima dentro da aeronave foi de preocupação e nervosismo, diante da inesperada situação enfrentada durante o voo.

Após o ocorrido, ACM Neto utilizou uma mensagem enviada ao Bahia Notícias para tranquilizar apoiadores e aliados políticos. “Foi o maior susto da minha vida. Mas, graças a Deus, estamos todos bem”, afirmou o ex-prefeito de Salvador.

Eleições no Peru: Sanchéz supera Fujimori com 93,9% das urnas apuradas

O esquerdista Roberto Sanchéz Palomino e a direitista Keiko Fujimori ambos disputando a eleição de presidente do Peru – Fotos: © REUTERS/Alessandro Cinque/Agência Brasil

Em uma apuração acirrada pela presidência do Peru, o esquerdista Roberto Sanchéz Palomino superou numericamente a direitista Keiko Fujimori com 93,9% das urnas apuradas. O resultado parcial está 50,008% para Sánchez, contra 49,992% para Keiko. Sánchez começou a apuração atrás da adversária e veio reduzindo a vantagem pouco a pouco até superar a candidata da direita peruana. Sanchéz contabiliza 8.790.560 votos contra 8.787.618 de Keiko.

O resultado segue indefinido uma vez que Sanchéz têm apenas 4,9 mil mil votos a frente de Fujimori em um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar. Das 92 mil urnas existentes, ainda faltam apurar cerca de 4,6 mil, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru.

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, destacou à Agência Brasil que o resultado segue incerto porque as atas que mais faltam apurar são do exterior, que tende a ser mais pró-Fujimori, e da região serrana do país, onde Sánchez é favorito.

“Faltam-se processar as atas vinculadas mais à região serrana, na região dos Andes, onde Roberto Sanchéz tem uma larga vantagem em termos de votação, especialmente nessa região da Serra Sul peruana”, disse.

Disputa geopolítica
Para o especialista em política latino-americana, o resultado no Peru é fundamental na correlação de forças na América do Sul. Isso porque, a vitória de Keiko representaria uma aproximação mais estreita do país com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos,

“Inclusive, ela já se colocou à disposição dos EUA para fortalecer as políticas de combate aos crimes transnacionais e classificar os grupos peruanos como grupos terroristas. O Peru passa por essas disputas geopolíticas em torno dos seus recursos, pleiteados pelos EUA, e como um país do Pacífico que cada vez mais se conectou com investimentos chineses”, avaliou Menon.

Keiko vs Sanchéz
Roberto Sanchéz e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021.

Do outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Sanchéz é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou ontem (7) em Lima, Sanchéz foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.

Moderação do discurso
Ao terminar o primeiro turno com 12% dos votos, contra 17% de Keiko, Sanchéz moderou o discurso e apresentou um ajuste na sua plataforma eleitoral para incorporar propostas de legendas que passaram a lhe prestar apoio.

Nesse contexto, ele renunciou à proposta de nacionalizar empresas de setores estratégicos da economia. Ao mesmo tempo, manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte para redigir nova Constituição, uma vez que a atual é herança do período fujimorista.

Por outro lado, Sanchéz manteve parte do programa original, em especial a proposta de reforma trabalhista para ampliar direitos e formalizar trabalhadores hoje informais.

Pesquisa Vox Brasil aponta Lula na liderança da disputa presidencial com 42,1% das intenções de voto

Pesquisa Vox Brasil aponta Lula na liderança da disputa presidencial com 42,1% das intenções de voto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro – Foto: Ricardo Stuckert / PR e Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (5) pelo Instituto Vox Brasil apresentou um novo panorama da disputa pela Presidência da República. De acordo com o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, alcançando 42,1% da preferência dos entrevistados.

Na segunda colocação aparece o senador Flávio Bolsonaro, com 33,6%. Em comparação com o levantamento anterior, realizado em maio, Lula registrou avanço em seu desempenho eleitoral, passando de 34,3% para 42,1%, enquanto Flávio Bolsonaro apresentou queda, saindo de 36,5% para os atuais 33,6%.

Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com 6,9%; Romeu Zema, com 5,1%; Renan Santos, com 3,1%; Aécio Neves, com 2,1%; Joaquim Barbosa, com 1,1%; Augusto Cury, com 0,5%; e Cabo Daciolo, com 0,3%. Os entrevistados que declararam voto branco, nulo ou em nenhum candidato somam 2,9%, enquanto 2,3% afirmaram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento foi realizado após a repercussão da agenda internacional de Flávio Bolsonaro em Washington, nos Estados Unidos, onde participou de reuniões e debates relacionados a temas econômicos e de segurança pública envolvendo o Brasil.

Quando questionados sobre rejeição aos possíveis candidatos, os entrevistados apontaram Lula com 49,2%, seguido por Flávio Bolsonaro com 48,3% e Aécio Neves com 41,3%. Já a avaliação da administração federal mostra um cenário equilibrado: 49,1% aprovam o governo, enquanto 49,3% manifestam desaprovação.

A pesquisa Vox Brasil ouviu 2.100 eleitores entre os dias 1º e 3 de junho em diversas regiões do país. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 08016/2026.

Colômbia vai às urnas neste domingo para eleger próximo presidente

Aliado do presidente Gustavo Petro chega à frente nas pesquisas

Agência BrasilBrasília (DF), 29/05/2026 – Ivan Cepeda, filósofo de esquerda, defensor dos direitos humanos e aliado do atual presidente Gustavo Petro; Paloma Valência, senadora da direita mais tradicional da Colômbia, aliada do ex-presidente Álvaro Uribe; e Abelardo de La Espriella, advogado milionário admirador do Javier Milei e Donald Trump, que nunca se candidatou..Fotos: Reuters/Proibida reproduçãoIvan Cepeda, Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella – Foto: Reuters

Com 53 milhões de habitantes, a Colômbia – o segundo país mais populoso da América do Sul, atrás apenas do Brasil, – vai às urnas neste domingo (31) para eleger o próximo presidente para o período de 2026 a 2030. Entre os 14 candidatos, três aparecem com mais chances de passar ao segundo turno, marcado para 21 de junho.

Os favoritos à vaga, segundo as pesquisas, são três: Ivan Cepeda, filósofo de esquerda, defensor dos direitos humanos e aliado do atual presidente Gustavo Petro; Paloma Valencia, senadora da direita mais tradicional da Colômbia, aliada do ex-presidente Álvaro Uribe; e Abelardo de La Espriella, advogado milionário que nunca se candidatou e admirador de Javier Milei e Donald Trump.

A depender do resultado, a Colômbia pode se alinhar mais estreitamente à política dos Estados Unidos (EUA) ou dar continuidade ao governo do Pacto Histórico, bloco partidário do atual presidente Gustavo Petro, o primeiro chefe de Estado de esquerda da história do país caribenho, que não pode se candidatar porque na Colômbia não há reeleição.

O pesquisador no Observatório Político Sul-Americano (OPSA), ligado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Matheus Petrelli lembra que a Colômbia é um país estratégico na América do Sul por ter saída para o Pacífico e Caribe.

“O Petro tentou muito se vincular politicamente ao Lula no contexto regional, em pautas ambientais e sociais. A eleição do seu sucessor representa a manutenção dessa proximidade. Já a eleição de Paloma ou Abelardo representaria retomada do processo de vínculo mais estreito com os EUA”, disse.

Até a eleição de Petro, em 2022, a Colômbia era considerada uma das principais aliadas de Washington na América do Sul.

Esquerda colombiana

À frente das pesquisas está Ivan Cepeda, considerado como quase certo no segundo turno. Cepeda é filho do senador colombiano de esquerda Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 “por agentes estatais em cumplicidade com paramilitares”, segundo biografia do candidato.

Colombian presidential candidate Ivan Cepeda of the Historic Pact (Pacto Historico) speaks during a press conference in Bogota, Colombia May 28, 2026. REUTERS/Luisa Gonzalez
Filósofo de esquerda, Ivan Cepeda é aliado do atual presidente Gustavo Petro – Foto: Reuters/Luisa Gonzalez/Arquivo
O pesquisador Matheus Petrelli explica que, ao mesmo tempo em que herda a popularidade de Petro, Cepeda tem uma trajetória política própria.

“Petro vem da guerrilha M-19, Cepeda tem histórico de legislador. São perfis diferentes dentro da esquerda colombiana. O Cepeda tem uma história e trajetória próprias, que não é pequena, uma vez que enfrentou Álvaro Uribe, talvez a principal figura da direita colombiana”, avalia o especialista em política colombiana.

Mestrando em economia política internacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Matheus Petrelli ressalta que o candidato da esquerda denunciou o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2008), ícone da direita do país, no caso dos falsos positivos, que chocou a opinião pública na Colômbia.

Estima-se que cerca de 7,8 mil pessoas tenham sido foram assassinadas entre 2002 e 2008, como “falsos positivos” durante o governo de Uribe, pelas forças armadas do país, segundo a Jurisdição Especial para Paz, tribunal criado para investigar os crimes dos conflitos colombianos.

As pessoas, maioria jovem de áreas pobres, eram mortas e apresentadas como guerrilheiros caídos em combate como forma de inflar os números da guerra travada pelo Estado contra os grupos paramilitares.

Em agosto de 2025, o ex-presidente Uribe se tornou o primeiro presidente da Colômbia condenado, em primeira instância, acusado de fraude processual e suborno de testemunhas no processo de investigação dos falsos positivos.

O agora candidato Iván Cepeda foi um dos responsáveis por reunir informações contra Uribe no processo. Porém, em outubro de 2025, Uribe foi absolvido da acusação em segunda instância.

Democratic Center party presidential candidate Paloma Valencia speaks during an interview with Reuters, in Bogota, Colombia May 19, 2026. REUTERS/Luisa Gonzalez
Paloma Valencia é senadora da direita mais tradicional da Colômbia e aliada do ex-presidente Álvaro Uribe – Foto: Reuters/Luisa Gonzalez/Arquivo

Direita tradicional

A candidata do uribismo é a senadora de oposição Paloma Valencia, do Centro Democrático, que se declara fiel seguidora de Álvaro Uribe, sugerindo nomear o ex-presidente como Ministério da Defesa do país.

Assim como o padrinho político, Paloma foi contrária aos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs), em 2016, e defende um enfrentamento às guerrilhas sem qualquer diálogo.

“De fato, ela representa essa direita tradicional. Apesar de o Abelardo ser esse fenômeno outsider e aparecer, em algumas pesquisas, como favorito para ir ao segundo turno com o Cepeda, o uribismo teve certa recuperação política”, comenta o pesquisador Matheus Petrelli.

Extrema-direita

O outro postulante com mais chances de ir ao segundo turno é o advogado multimilionário Abelardo de La Espriella, que se apresenta como outsider, ou seja, como alguém de fora da política. Ele elogia figuras da extrema-direita latino-americana como Nayib Bukele, de El Salvador; e Javier Milei, na Argentina. Também é admirador de Donald Trump, nos Estados Unidos.

Colombian lawyer and right-wing presidential candidate Abelardo de la Espriella reacts as he attends a campaign event in Bogota, Colombia, May 7, 2026. REUTERS/Nathalia Angarita
Abelardo de La Espriella, advogado milionário e admirador de Javier Milei e Donald Trump – Foto: Reuters/Nathalia Angarita/Arquivo
Matheus Petrelli lembra que Espriella deixou a vida luxuosa que tinha na Itália para se candidatar ao cargo de presidente colombiano por meio de uma plataforma focada no aumento da repressão contra a criminalidade.

“Ele representa justamente esse candidato que é a cara da extrema-direita sul-americana, que é esse perfil de alguém que é de fora da política. Só que, ao mesmo tempo, ele é um advogado que já representou figuras políticas controversas.”

Entre os clientes de Espriella, esteve o ex-aliado do governo de Nicolás Maduro sancionado pelos EUA, Alex Saab, empresário que virou diplomata da Venezuela, além de Jorge Visbal, condenado por nexos com paramilitares na Colômbia.

Paz total

Um dos pontos centrais do debate da corrida presidencial é o tema da segurança em um país que vive há mais de seis décadas com intensos conflitos armados ativos. A proposta de Petro de “paz total” buscou conciliar repressão com negociação com grupos armados. Porém, a violência continua.

Em fevereiro de 2025, cerca de 52 mil pessoas foram expulsas de suas casas em Catatumbo, região andina do país, após combates entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as forças do Estado.

Nessa quinta-feira (28), às vésperas da votação, um conflito entre dissidências das Farcs, que não aceitaram o acordo de paz de 2016, deixou um saldo de 52 mortos, segundo informou a Reuters.

O pesquisador Matheus Petrelli explica que os candidatos apresentam posições diferentes para o problema dos conflitos armados colombianos.

“Os candidatos da extrema-direita e direita colocam o enfrentamento militar ou bélico como solução única para o problema. Por outro lado, o governo Petro e seu candidato Cepeda sugerem uma abordagem mais multidisciplinar, variando entre repressão e negociação”, aponta.