Categoria: História

Condeúba – 175 anos de paróquia

Professor e escritor Agnério Evangelista de Sousa

Apesar de Condeúba ter completado, neste 14 de maio pp. 165 anos de emancipação política, temos datas religiosas bem mais antigas, segundo pesquisas de Dr. Tranquilino Torres, reproduzidas no livro de minha autoria: Condeúba, sua história, seu povo.
Como exemplo, citamos: a) a primeira festa de Santo Antônio foi realizada no dia 13 de junho de 1752, portanto, há 274 anos. Provavelmente, no tempo da primeira capela. Festa esta organizada pela Irmandade de Santo Antônio existente naquela época. b) A Irmandade do Santíssimo Sacramento, fundada por Dom Romualdo Antônio de Seixas, Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, data de 15 de fevereiro de 1845; são 181 anos de existência. c) A fundação da paróquia de Santo Antônio de Pádua se deu pela Resolução número 413, de 19 de maio de 1851, data en que a capela foi elevada à categoria de Matriz; razão pela qual estamos comemorando o jubileu de 175 anos, pela primeira vez, com grande pompa organizada pelo atual pároco Pe. Lázaro Matheus com tríduo preparatório e festa solene no dia 19 de maio. A capela em referência, a 2a portanto foi abençoada em 10 de julho de 1783 pelo padre visitador-geral José Nunes Cabral Castelo Branco. São 243 anos de história. Estávamos, certamente, nos domínios da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.
A localidade, mesmo emancipada de Caetité em1861, continuava com o nome de Vila e Município de Santo Antônio da Barra. Enorme território, o qual abrangia os antigos distritos de Cordeiros, Piripá, Tremedal, Caraíbas, Pres Jânio Quadros, Maetinga e Guajeru. Porém, com o advento da proclamação da República, Dr. Diocleciano Pires Teixeira, de Caetité, apresentou proposta de mudança de denominação para elevar a Vila à categoria de cidade com o nome de Condeúba. De origem tupi devido a uma madeira existente na região cujo nome era pau de candeia. Isso aconteceu em 28 de junho de 1889.

Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades

Estudos do intelectual seguem atuais no Brasil e no mundo
Agência BrasilRio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdadesFoto: Acervo Milton Santos/Divulgação© Acervo Milton Santos/Divulgação

Em meio às grandes redes de supermercados em São Luís, no Maranhão, surgem mercadinhos e feiras populares adaptados à realidade de quem tem poucos recursos. O contraste entre os tipos de estabelecimentos e os modos de consumo revelam dinâmicas de exclusão e de desigualdade na cidade.

O cenário foi objeto de estudo de Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Ela recorreu a uma teoria formulada na década de 1970 por Milton Santos.

Neste dia 3 de maio, são comemorados os 100 anos de nascimento do geógrafo. Ele faleceu em 2001, aos 75 anos, mas suas ideias continuam sendo referências para análises socioeconômicas no Brasil e no mundo.

Rio de Janeiro (RJ), 03/05/2026 – Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdadesFoto: Livia Cangiano/Arquivo pessoal
Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão. Foto: Livia Cangiano/Arquivo pessoal
A teoria de Milton divide a economia urbana em dois circuitos: superior, concentrado nas grandes empresas, com alto nível de tecnologia, capital e organização; e inferior, formado por pequenos comércios e serviços, com menor acesso a recursos, mas altamente adaptável às necessidades da população.

“É muito difícil para as pessoas da periferia deixarem o espaço onde vivem e se deslocarem até o centro para consumir. As populações que vivem na periferia abrem seus próprios comércios, quitandas, mercadinhos, pequenas lojas”, diz Livia.

“Para dar um exemplo, nesse circuito inferior, pensando em alimentação, é o lugar onde a pessoa que não consegue comprar a dúzia do ovo, consegue comprar um ovo apenas. Eles vendem separadamente. As formas de comércio são menos endurecidas do que em uma grande rede supermercadista, onde só seria possível comprar a dúzia”, exemplifica.

A atualidade da teoria também aparece em pesquisas fora do Brasil. O projeto de pesquisa do qual Lívia faz parte aplica as ideias de Milton às dinâmicas urbanas em Gana, na África, e em Londres e Paris, na Europa.

Biografia

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia, e se tornou um dos principais nomes da geografia mundial. Ele concluiu o bacharelado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o doutorado na Universidade de Strasbourg, na França.

Exilado durante a ditadura militar, lecionou em universidades na Europa, África e América Latina, antes de retornar ao Brasil, onde consolidou sua produção intelectual. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).

Negro, enfrentou o racismo estrutural dentro da academia e construiu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espaço geográfico, articulando economia, política e sociedade. Ele se tornou inspiração e referência para outros intelectuais negros, como a também geógrafa Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“Eu sou uma mulher negra de 60 anos. Entrei na UFRJ na década de 80, onde a maior parte dos meus colegas na universidade não eram negros. Então, o Milton foi muito importante para a minha formação, não só do ponto de vista cognitivo e técnico, mas também na dimensão humana”, diz Catia.

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal – Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal
A professora explica que a obra de Milton não trouxe como tema central a negritude, nem a dimensão política da relação entre classe social e raça. Porém, ele produziu uma teoria social crítica das desigualdades que ajuda a analisar as questões raciais. E nunca ignorou o tema quando era necessário se posicionar na vida pública.

“Ele dizia que o fato de ser um professor universitário não o impediu de viver experiências de racismo. Falava que os negros precisavam ter um esforço muito maior para o seu trabalho ter legitimidade. Mas ele nunca utilizou qualquer vitimização para se tornar um intelectual.”

“Eu creio que é difícil ser negro e é difícil ser intelectual no Brasil. Essas duas coisas, juntas, dão o que dão, não é? É difícil ser negro porque, fora das situações de evidência, o cotidiano é muito pesado para os negros. É difícil ser intelectual porque não faz parte da cultura nacional ouvir tranquilamente uma palavra crítica”, disse Santos no programa Roda Viva, em 1997. 

Teorias das desigualdades

Além da teoria dos circuitos urbanos, o geógrafo trouxe ideias que aprofundaram a compreensão sobre as desigualdades. Para Milton Santos, o espaço nunca foi apenas o cenário onde a vida acontece, mas o resultado direto de decisões políticas e econômicas.

Isso significa que a distribuição desigual de infraestrutura nas cidades (como saneamento, transporte ou acesso à internet) não é acidental, mas fruto de escolhas que privilegiam determinados grupos e territórios.

Ao olhar para uma periferia sem serviços básicos ou para uma área valorizada com alta concentração de investimentos, o geógrafo propõe enxergar ali não um acaso, mas a materialização de relações de poder.

“Milton traz essa compreensão de uma geografia historicamente produzida pelos grandes aparatos do Estado. À medida que o capitalismo avança, processos de industrialização e urbanização no Brasil vão produzir desigualdades e destruição das economias locais. Seja do Nordeste, da Amazônia ou do interior dos estados. Determinados grupos sociais serão beneficiados pelo processo de modernização”, explica a geógrafa Catia

Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdadesFoto: Acervo Milton Santos/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação – Acervo Milton Santos/Divulgação
No livro Por uma outra globalização, Milton Santos descreve um sistema vendido como promessa de integração e progresso, mas que, na prática, aprofunda desigualdades mundiais. Grandes obras de infraestrutura, como portos e corredores logísticos, conectam países e mercados, mas também reorganizam territórios locais, pressionam comunidades e ampliam a concentração de riqueza.

“Nunca na história da humanidade houve condições técnicas e científicas tão adequadas a construir o mundo da dignidade humana, apenas essas condições foram expropriadas por um punhado de empresas que decidiram construir um mundo perverso”, escreveu. 

Outro conceito bem conhecido do autor, o “meio técnico-científico-informacional”, descreve como tecnologia, ciência e infraestrutura passaram a moldar o território. Na prática, isso se traduz em regiões altamente conectadas, com redes digitais avançadas e logística eficiente, convivendo com áreas onde faltam serviços básicos. Enquanto alguns espaços são preparados para atender às exigências do mercado global, outros permanecem à margem desse processo.

Futuros possíveis

Apesar dos diagnósticos críticos, Milton Santos também apontou caminhos de transformação. Ele defendia que as mesmas redes e tecnologias que ampliam desigualdades podem ser apropriadas por populações locais para criar alternativas econômicas e sociais.

Iniciativas comunitárias, uso de tecnologia em periferias e formas cooperativas de organização mostram, segundo o autor, que o território também pode ser espaço de resistência e reinvenção.

“Ele propõe uma leitura sobre o território brasileiro, trazendo ferramentas para que a gente pense concretamente nas desigualdades, que não fique apenas no plano teórico, mas que nos induza a ir a campo, a conversar com essas pessoas, a entender o cotidiano delas no espaço”, diz a geógrafa Livia.

“Além disso, ele faz uma proposta muito generosa para pensar o espaço, que é pensar o quanto a periferia urbana brasileira como um todo é capaz de produzir outras racionalidades de existência”, completa.

Eventos

O centenário de nascimento de Milton Santos será celebrado com um conjunto de eventos pelo país. As programações ocorrem em formato híbrido e reúnem pesquisadores, ativistas e o público geral para debater o seu legado e a atualidade de sua obra.

O Seminário Internacional Milton Santos 100 anos: um geógrafo do Século 21 acontece de 4 a 8 de maio na USP, com transmissão virtual. O encontro é feito em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).

No Rio de Janeiro, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Sesc vai oferecer, ao longo do mês de maio, um ciclo de palestras sobre geógrafo.

A Universidade Federal do Tocantins realizará, entre os dias 26 e 29 de agosto, o evento Tocantins como Fronteira do Meio Técnico-Científico-Informacional, para debater, em âmbito internacional, o pensamento e a obra de Milton Santos.

A Cunha de Ferro e a Convicção Inabalável

A Cunha de Ferro e a Convicção Inabalável
Antônio Siqueira Campos, Comandante do 1º Destacamento da Coluna Prestes

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A Cunha de Ferro e a Convicção Inabalável

Por Luiz Carlos Prestes Filho

Ao mergulhar na história da Coluna Prestes — marcha épica que meu pai, Luiz Carlos Prestes, liderou pelos Brasis esquecidos — muitas vezes penso já ter decifrado todas as suas nuances. No entanto, a história é um organismo vivo, que se revela em camadas, especialmente quando guardada pela dedicação de pesquisadores que mantêm acesa a chama da memória nacional. Recentemente, deparei-me com uma frase de Hippolyte Adolphe Taine, influente crítico, historiador e filósofo francês do século XIX. ​Taine era conhecido por suas visões críticas em relação às massas populares, especialmente em sua análise da Revolução Francesa na obra Les Origines de la France Contemporaine (As Origens da França Contemporânea). Confesso, eu desconhecia esta incrição deixada por Siqueira Campos, nas paredes  do Paço Municipal de Condeúba, Estado da Bahia. Entendo que a mesma sintetiza com precisão o espírito daqueles homens e mulheres que cruzaram o país a partir de 1924 até 1927:

“No meio de uma aglomeração desorganisada um bando decidido a tudo penetra fundo como cunha de ferro em montão de ferragem.” (Hippolyte Adolphe Taine)
Frase de Hippolyte Adolphe Taine escrita por Siqueira Campos na parede do Paço Municipal de Condeúba/BA.

Esta passagem foi resgatada e destacada com brilhantismo nos livros “A Coluna Prestes em Condeúba” e “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”. Pelo rigor histórico, registro aqui meus profundos agradecimentos a Joandina Maria de Carvalho, Levon Nascimento, Claudia Rosa de Jesus Carvalho, Camilo de Jesus Lima e Maria de Fátima Magalhães Mariani. O trabalho deste grupo é fundamental para compreendermos como a “Coluna Invicta” se manteve coesa quando tudo ao redor conspirava para a desistência e dispersão.

“Essa imagem da “cunha de ferro” não é apenas uma metáfora estética; ela possui a mesma voltagem moral das palavras de Antonio Siqueira Campos, comandante do 1⁰ destacamento, que ecoam como um mandamento: “À Pátria tudo se deve dar, sem nada exigir em troca, nem mesmo compreensão”.”

Anônio Siqueira Campos (número 1) com membros do destacamento que comandava na Coluna Prestes

Há ali o reconhecimento de que a luta revolucionária exige uma entrega que transcende o ego e o reconhecimento imediato. Ela me remete, invariavelmente, ao levante do 1º Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo, em 28 de outubro de 1924. Naquele berço da Coluna,  companheiro de armas de meu pai, Mário Portela Fagundes, pronunciou uma sentença que selaria o destino de muitos: “Grandes causas têm seus mártires, antes dos heróis. Então, sejamos mártires; os heróis virão depois”. Quando Hippolyte Adolphe Taine escreve sobre o “bando decidido a tudo”, ele descreve exatamente o que se via após dois anos de marcha. Mesmo após milhares de quilômetros, fustigados pelo sol, pela fome, falta de armas, munições e perseguidos pelas tropas do Exército do Brasil, as convicções dos membros da Coluna Prestes permaneciam inabaláveis. Eles não eram uma aglomeração inconsequente; eram a cunha de ferro cortando a “ferragem” de um sistema político arcaico. A Coluna Prestes não foi apenas um movimento militar; foi uma demonstração de que a organização e a vontade férrea de um grupo decidido podem romper qualquer inércia. No caso, a desmolarizada, atrasada e corrupta República Velha.

“Graças ao trabalho desses historiadores, essa “cunha” continua a penetrar no presente, nos obrigando a refletir sobre o Brasil que ainda precisamos construir.”

Luiz Carlos Prestes Filho é Especialista em Economia da Cultura e Desenvolvimento Econômico Local.

Radiografia dos Nossos Sertões

Radiografia dos Nossos Sertões
“A Coluna Prestes em Taiobeiras”, artista Julia Marques

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Radiografia dos Nossos Sertões

Por Luiz Carlos Prestes Filho

Exclusivo Catetear Notícias

A obra “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”, organizada por Levon Nascimento, consolida-se como um marco fundamental na historiografia brasileira. O livro é o resultado de uma busca incessante por fragmentos de uma história que muitos acreditavam estar totalmente mapeada, trazendo à luz a passagem do movimento pelo território mineiro através de uma estrutura robusta de 9 capítulos.

Luiz Carlos Prestes Filho e Levon Nascimento na Comissão de Cultura da ALMG

A robustez do livro é garantida pela colaboração de 15 autores, que trazem diferentes perspectivas acadêmicas e sociais para o debate. Além disso, a obra dialoga com grandes estudiosos da história nacional, como Abguar Bastos, cujo olhar sobre o “Cavaleiro da Esperança” ajuda a contextualizar a trajetória política de Luiz Carlos Prestes:

“Nada mais épico, para a burguesia, do que esse Cavaleiro da Esperança, que desafiava exércitos, rompia um áspero território de oito milhões de quilômetros quadrados, atravessava, sem saber nadar, centenas de rios, transpunha vales colossais… Como era impressionante esse homem do Rio do Inferno, do Capão da Onça, da estrada Cruel, ou do Brejo da Brasa…” (Abguar Bastos, 1946)

Embora se diga frequentemente que “tudo já foi dito” sobre a Coluna Prestes, o trabalho do historiador Levon Nascimento prova o contrário. O livro revela que a lenda alimentada nas cidades muitas vezes choca-se com a percepção rural. Enquanto nos centros urbanos se vê o herói, o folclore sertanejo, por vezes, enxerga o movimento como “o raio, a peste, a chama, o pecado”, demonstrando que a história é composta por múltiplas e complexas verdades.

A historiadora Joandina Maria de Carvalho ofereceu a Luiz Carlos Prestes seu livro “A Coluna Prestes em Condeúba” (BA) – Foto: Oclides/JFC

A historiadora Joandina Maria de Carvalho ofereceu a Luiz Carlos Prestes seu livro “A Coluna Prestes em Condeúba” (BA) – Foto: Oclides/JFC

O diferencial humano da obra é oferecer voz a testemunhas locais e figuras históricas das pequenas comunidades. O texto de Joandina Maria de Carvalho resgata relatos preciosos, como o do padre João Gualberto, que explicou sua permanência na cidade durante a chegada dos revoltosos:

“Os boatos que correram deixaram o povo com medo e vou confessar a verdade, eu não fugi por causa da idade”.

Outro testemunho marcante é o do Senhor Remígio da Silva, de Condeúba, que descreveu a cena deixada após a passagem dos revolucionários:

“Eles pegaram mercadorias das casas comerciais e puseram lá no Paço Municipal. […] Então, eu vi com esses olhos… a latinha de esmalte com que os revolucionários escreveram aquela frase: No meio de uma aglomeração desorganizada, um bando decidido a tudo, penetra a fundo, como cunha de ferro em montão de ferragens”.

O impacto real desta pesquisa foi comprovado durante os lançamentos em Belo Horizonte e em Taiobeiras. A receptividade demonstrou que o livro mobilizou a sociedade local como nenhuma outra obra anterior. Ao unir o rigor de autores como Fabiano Alves Pereira, Joandina Maria de Carvalho, Leleco Pimentel, Levon Nascimento, Lídio Barreto Filho, Luiz Eduardo de Souza Pinto, Márcia Sant’ana Lima Barreto, Maria de Fátima M. Mariani, Milton Pena Santiago, Mônica Rodrigues Teixeira, Padre João Carlos Siqueira, Pedro Abder Nunes Raim Ramos, Sidney Batista Azevedo, Silvânia Aparecida de Freitas e Vladimir Mendes Patrício, o livro toca na alma do povo mineiro, legitimando sua identidade e sua memória.

“No encerramento da obra, as palavras de Vladimir Mendes Patrício oferecem uma reflexão filosófica sobre o valor deste resgate. Para o autor, a história não é uma verdade absoluta, mas sim um conjunto de narrativas subjetivas que se formam a partir de diferentes perspectivas.”

 

O escritor e comerciante Vladimir Mendes Patrício ofereceu a Luiz Carlos Prestes Filho seu livro “Retalhos de Prosas”

​Vladimir destaca que a Coluna Prestes pôs à mostra uma “maravilhosa radiografia dos nossos sertões”, exibindo a exuberância da geografia mineira ao mesmo tempo que revelava as “agruras sociais” do semiárido norte-mineiro. Ele sublinha que a ausência total do Estado naquele tempo deixava a população à própria sorte, num cenário onde imperava a lei do mais forte. Assim, a obra cumpre o seu papel vital: registrar episódios que, embora marcados por nuances subjetivas, estão “indelevelmente marcados no conhecimento popular e na literatura”, garantindo que a memória destas lutas e destas gentes jamais seja apagada.

“Não posso deixar de finalizar este texto sem destacar a obra sensível de Julia Marques que deu vida a capa do livro.”

 

 

Luiz Carlos Prestes Filho é Especialista em Economia da Cultura e Desenvolvimento Econômico Local.

Lançamento do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”, marcou noite histórica e cultural em Taiobeiras (MG)

Capa do livro de autoria de Julia Marques/Taiobeiras
Levon Nascimento, autografou um exemplar do livro para este jornalista Oclides da Silveira

Na noite do último dia 18 de abril de 2026, a cidade de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, foi palco de um importante momento histórico e cultural com o lançamento do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”, de autoria do professor historiador e escritor Levon Nascimento, com parceria de outros co-autores. O evento reuniu amantes da história, literatura e cultura regional e nacional, consolidando-se como um espaço de valorização da memória e das raízes do povo mineiro.

A obra do professor Levon, resgata a passagem da Coluna Prestes pela região dos gerais, trazendo relatos históricos, contextualizações e reflexões sobre um dos movimentos mais marcantes da história do Brasil. Com uma narrativa envolvente, o livro contribui para manter viva a memória desse episódio, aproximando o público contemporâneo dos acontecimentos que moldaram o país há cem anos atrás.

Durante o lançamento, o público presente teve a oportunidade de conhecer mais sobre o processo de construção da obra A Coluna Prestes, além de dialogar sobre a importância da sua preservação histórica e cultural. O evento também reforçou o papel da literatura como instrumento de educação e valorização da identidade local, regional e nacional.

Inicialmente, o professor Levon destacou-se a relevância de iniciativas como essa, que fortalecem a cultura local e incentivam a leitura, especialmente em tempos em que o acesso à informação é cada vez mais diversificado.

Pontuou-se Levon, ainda que revisitar episódios históricos, como a passagem da Coluna Prestes, é essencial para compreender os caminhos trilhados pela sociedade brasileira. O lançamento do livro “A Coluna Prestes nos gerais de Minas”, reafirma o compromisso com a difusão do conhecimento e com o incentivo à produção literária, colocando Taiobeiras em evidência no cenário cultural da região norte de Minas Gerais.

O professor Levon Nascimento agradeceu a todos pela parceria e apoio, especialmente às autoridades presentes: o padre João Carlos Siqueira, — deputado federal por Minas Gerais; o deputado estadual Laleco Pimentel, também por Minas Gerais; Jéssica, gestora de Cultura, representando o prefeito de Taiobeiras, Danilo; os vereadores Edilson e Valmir Ferreira, pela presença; e o presidente do Legislativo Municipal de Taiobeiras, vereador Alessandro Correia Brito e principalmente a Luiz Carlos Prestes Filho que se fez presente para coroar de êxito esse encontro histórico, que na oportunidade estamos lançado esse livro que fala da história do seu pai e da Coluna Prestes.

A professora, historiadora e escritora baiana de Condeúba Joandina Maria de Carvalho

A professora, historiadora e escritora condeubense Joandina Maria de Carvalho, autora do livro Coluna Prestes em Condeúba, ao fazer uso da palavra, destacou a importância de celebrar os 100 anos da passagem da Coluna Prestes pela região.

Segundo Joandina, o momento é propício para que a população compreenda, de forma mais ampla e verdadeira, o que foi a Coluna Prestes e o quanto esse episódio contribui para o enriquecimento da história contemporânea brasileira. A professora ressaltou ainda a relevância da presença de Luiz Carlos Prestes Filho, apresentado como herdeiro de Luiz Carlos Prestes, considerado um dos maiores líderes nacionais.

Durante sua fala, Joandina reforçou, por diversas vezes, a necessidade de que, especialmente os professores de História, promovam debates em sala de aula sobre o tema, aproximando os estudantes desse importante capítulo da história. Ela destacou que essa prática já vem sendo desenvolvida por ela junto aos alunos das escolas municipais e do Colégio Estadual de Condeúba.

Por fim, a professora voltou a reivindicar do poder público municipal a destinação do antigo Prédio da Intendência — local onde integrantes da Coluna Prestes permaneceram por três dias — para a criação de um espaço voltado exclusivamente às atividades de valorização da memória e da cultura histórica do município.

Luiz Carlos Prestes Filho

Luiz Carlos Prestes Filho, em discurso com trechos de agradecimento e reflexão política, o herdeiro do grande líder nacional Luiz Carlos Prestes, (já falecido), que comandou a grande marcha “A Coluna Prestes” ou conhecida também pelos “Revoltosos”. Hoje estamos comemorando cem anos da passagem deste movimento revolucionário pelo Norte de Minas Gerais. Prestes iniciou cumprimentando os presentes, com menção à Igreja Católica através do padre João que se fez presentente, ele que é deputado federal por Minas Gerais, o deputado estadual Leleco Pimentel por Minas, Jéssica Gestora de Cultura representando ao prefeito de Taiobeiras Danilo, Levon Nascimento autor do livro ora lançado “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas” e à comunidade de Taiobeiras dentre outros. Em seguida, Luiz Carlos abordou a importância da Constituição, destacando-a como instrumento fundamental de luta, resistência e garantia de direitos para todos os brasileiros.

O pronunciamento do ilustre filho do grande líder da Coluna Prestes, também trouxe críticas e questionamentos sobre a aplicação e interpretação constitucional ao longo dos anos, mencionando a participação popular e processos de votação em diferentes regiões do país. O grande orador Luiz Carlos Prestes, citou ainda mobilizações políticas e jurídicas, além de referências a iniciativas em diversos estados.

Na parte final, o discurso assumiu tom mais pessoal, com menções à comunidade local, familiares e colaboradores, reforçando o reconhecimento e a importância do apoio coletivo. Concluiu, dizendo que todo o movimento histórico da Marcha Revolucionária e da Coluna Luiz Carlos Prestes, hoje pertence ao povo brasileiro. Foi muito aplaudido pelos convidado presentes que superlotaram as galerias da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

Veja vídeo abaixo de Luiz Carlos Prestes Filho falando em Taiobeiras.

Ao final das falas, foi concedida, por Leon Nascimento, a Medalha Luiz Carlos Prestes a lideranças, professores, alunos e a todos aqueles que já tiveram ou ainda mantêm algum envolvimento cultural com a Coluna Prestes. Na sequência, ocorreu o momento de autógrafos, seguido de um delicioso coquetel.

Fotos: Oclides/JFC

Coluna Prestes segue inspirando luta por transformação social no País

Movimento foi exaltado em audiência da Comissão de Cultura que lançou o livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Luís Carlos Prestes Filho foi convidado ilustre da reunião da Comissão de Cultura da ALMG Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

“Meu pai lutou 60 anos pela liberdade do Brasil e o ódio que a elite brasileira tem é que, ao contrário de Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Antônio Conselheiro, não conseguiram degolar Luís Carlos Prestes”, afirmou o professor, ativista e especialista em Economia da Cultura. “A Coluna Prestes incomoda porque ela não foi derrotada”, continuou.

A Coluna Prestes, um movimento de caráter militar, ocorreu entre 1924 e 1927, conduzido por oficiais de baixa patente conhecidos como “tenentes”, que se insurgiram contra o governo do presidente Artur Bernardes e contra a estrutura oligárquica dominada pelas elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais, sustentada pela chamada política do “café com leite”.

Formada por cerca de 1.500 combatentes, a Coluna percorreu aproximadamente 25 mil quilômetros ao longo de dois anos e meio, atravessando treze estados brasileiros, incluindo as regiões Norte e Noroeste de Minas Gerais. Entre suas principais reivindicações estavam a adoção do voto secreto, a valorização da educação pública e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população.

Todo esse trajeto foi refeito por Luís Carlos Prestes Filho no ano de 1995, conforme contou na audiência pública. “Meu único objetivo foi colaborar para que o Brasil visse a Coluna não como um fantasma do passado, mas como um eixo de conhecimento ambiental, cultural e político”, explicou.

Como resultado dessa jornada, Luís Carlos Prestes Filho idealizou e realizou monumentos e memoriais em homenagem à Coluna Prestes nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins e Ceará. As obras dos memoriais, realizadas entre 1996 e 2002, contaram com projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer.

Agora, a vontade do descendente do Cavaleiro da Esperança, apelido dado a Luís Carlos Prestes pelo escritor Jorge Amado, é transformar a rota da Coluna em um produto turístico estruturado, parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

Evandro Xavier Gomes, assessor especial da prefeitura de Ouro Preto, enfatizou a grandiosidade da distância percorrida pelos tenentes da Coluna Prestes e, posteriormente, refeita por Luís Carlos Prestes Filho. “É um feito histórico insuperável. Mao Tsé-Tung ficou conhecido pelas grandes jornadas realizadas na China e sua maior jornada foi de 12 mil quilômetros. Se pegarmos os extremos brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, a distância entre cada extremo não ultrapassa 4.500 quilômetros”, disse.

Minas Gerais é episódio marcante da Coluna Prestes

passagem da Coluna Prestes pela região do Alto Rio Pardo, que inclui os Municípios de Taiobeiras e Salinas, é considerado um marco do movimento e completa 100 anos em 2026. Levon do Nascimento, professor de história, mestre em políticas públicas e organizador do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, ressaltou a importância desse momento durante a audiência pública da ALMG.

“Foi no Alto Rio Pardo que a Coluna realizou a célebre manobra do laço húngaro, demonstrando uma inteligência estratégica notável. Foi em Taiobeiras, então chamada Bom Jardim de Taiobeiras, na época um distrito de Salinas, que a Coluna não somente passou, ela dialogou”, salientou o pesquisador. Ele expressou o desejo de que o capítulo da passagem da Coluna Prestes por Minas Gerais se transforme na ideia de “um Brasil mais justo, sem cercas e sem latifúndios”.

“Cem anos depois, precisamos perguntar com honestidade histórica: o que mudou, o que permanece e que Brasil estamos construindo?”
Levon do Nascimento
Organizador do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”

O deputado Leleco Pimentel (PT), um dos coautores do livro e responsável por solicitar a audiência pública, lamentou que o movimento tenentista não seja lembrado com frequência. “A Coluna Prestes e o tenentismo foram apagados para que a gente não soubesse quem construiu essa história do Brasil”, disse o parlamentar, lembrando o fato de que posteriormente Luís Carlos Prestes se assumiu como comunista.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Deputados Leleco Pimentel e Adalclever Lopes destacaram importância de manter viva a memória da Coluna Prestes Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

Também presente na audiência, o deputado Adalclever Lopes (PSD) demonstrou grande satisfação pela realização da audiência pública. “Tenho certeza que essa histórica reunião entrará nos anais desta Casa. Para que nossas próximas gerações não se esqueçam”, afirmou.

Livro resgata memória do movimento

O livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, lançado durante a reunião, reúne textos de diversos autores que possuem relação, seja por interesse, estudo ou memória afetiva, com o movimento tenentista, chamado também pela população do “tempo dos revoltosos”.

O organizador da obra Levon do Nascimento descreve a autoria coletiva como um “conjunto plural de autores, educadores, militantes da memória, que aceitaram o desafio de revisitar a Coluna Prestes sob múltiplas perspectivas”. Para ele, o lançamento é “fruto de um esforço coletivo que não tem retaguarda institucional” e que “nasce exatamente para fazer a ponte entre o sertão e a academia, entre a memória e a história, entre o Brasil profundo e o Brasil institucional”.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Livro reúne textos de diversos autores sobre a importância histórica, cultural e política do movimento tenentista brasileiro Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

Já Mônica Rodrigues Teixeira, também professora e coautora, conta que cresceu ouvindo falar dos revoltosos. Para ela, muitas das desigualdades denunciadas pelo movimento persistem até os dias de hoje: “as pautas da Coluna Prestes ainda são muito presentes e necessárias”.

A obra reúne contos sobre momentos em que as tropas revolucionárias da Coluna Prestes entraram no Distrito de Taiobeiras, então parte do Município de Salinas, no Norte de Minas Gerais.TV Assembleia
Tópicos: Cultura

CEM ANOS DA PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR CONDEÚBA

Por Joandina Maria de Carvalho

Ao longo da narrativa sobre os caminhos percorridos pela Coluna Prestes na Bahia, Lourenço Moreira Lima destaca que começaram a encontrar fazendas abandonadas, o que segundo ele se devia às mentiras espalhadas pelos bernadescos.
Em um lugar chamado Roça do Amparo, pegaram uma boiada que seguia de Canudos para Santo Antônio da Glória destinada às forças bernadescas que guarneciam a localidade. Em determinado momento, uma bandeira branca hasteada no mastro em frente à igreja foi avistada.
Posteriormente, membros da Coluna Prestes foram informados que se tratava de um símbolo e atitude sugerida por uma viúva para que revolucionários fossem recebido pacificamente.
O caminho foi seguido.
Por que a Coluna Prestes incomodou tanto? Por que os embates com os coronéis baianos e com o governo do presidente Artur Bernardes?
Qual era o papel da população na perspectiva das ideias defendidas por Prestes e por quem caminhava com ele?
Como o então município de Condeúba entra nessa história? Quem governava Condeúba naquele momento?

CEM ANOS DA PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR CONDEÚBA

Professora, Historiadora e Escritora condeubense Joandima Maria de Carvalho

Ao longo do percurso pela Bahia, um dia à tarde, o capitão Leovigildo Cardoso Viana, da guarda nacional, amigo de Horácio de Matos e um primo deste, de nome Augusto de Matos procuraram representantes da Coluna Prestes, declarando simpatia e possível apoio.
Lourenço Moreira Lima informa em seu livro que receber essas pessoas foi um vacilo. Em certo momento, foram recebidos a bala por uma tropa comandada por Manoel Querino, primo de Horácio de Matos, que fugiu depois de uma hora de fogo, deixando dois homens mortos.
“Esse encontro fez-nos acreditar que Leovigildo e Augusto foram ao nosso encontro como espertos espiões”.
O contato com essas pessoas serviu para que se entendesse que não seria fácil continuar a marcha. Os membros da Coluna Prestes estavam cientes que além da policia baiana teriam que enfrentar os jagunços de coronéis como Horácio de Matos.
A fraqueza e desmoralização dos governos da Bahia permitiram que essas pessoas dominassem uma vasta zona dos sertões, cometendo toda sorte de crimes contra a população.
Para publicação hoje. Cada dia, um texto novo 15, 16 e 17 de abril de 1926 – dias em que a Coluna Prestes esteve na cidade de Condeúba.

Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro

Evento reúne povos de diversas etnias durante este fim de semana
Agência BrasilRio de Janeiro (RJ), 11/04/2026 – Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro.Foto: Museu do pontal/Divulgação© Museu do Pontal/Divulgação
O Festival das Culturas Indígenas do Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, começa neste sábado (11) e vai até domingo (12), promete mobilizar o público mais uma vez mostrando os saberes, as vivências e a força dos povos originários.

Nesta 3ª edição, as atividades terão as presenças de representantes dos povos Wauja, Guajajara, Xakriabá, Kaiapó, Kamayurá, Puri, Pataxó, Wapixana, Guarani Mbyá e Guarani Tenonderã, que vão coordenar experiências de vida, além de apresentar rituais, danças e músicas ancestrais. A programação gratuita inclui uma feira gastronômica.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Desta vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

No mesmo dia, a programação prevê, ainda, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina com técnicas de modelagem de panelas de barro, que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Das 12h30 às 13h, haverá demonstrações sobre os rituais da Festa das mulheres – Yamurikumã, com danças, cânticos e pinturas com jenipapo e urucum que fazem parte da tradicional cerimônia.

Também no sábado, às 15h30, o pescador e artesão da aldeia Kamayurá, do Parque Indígena do Xingu, Taware Kamayurá, vai contar histórias e trazer informações sobre rituais ancestrais como o Kuarup. Todas as atividades do museu são gratuitas e estão sujeitas a lotação.

Exposição

Um dos destaques do Festival das Culturas Indígenas este ano é a exposição individual Roraimarte III de Gustavo Caboco, artista indígena do povo Wapixana, que nasceu em Curitiba e, aos 10 anos, mudou para Roraima. Na visão do artista, essa apresentação no Rio é importante porque faz parte da pesquisa que vem realizando sobre as histórias Wapixana, que se junta à exposição Macunaíma é Duwid, em São Paulo, com outras que ocorrem em malocas, em Roraima.

“É uma exposição que acaba conectando outros territórios”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Os deslocamentos de indígenas para vários territórios e a produção de memória a partir de uma inusitada conexão entre o Monte Roraima, considerado local sagrado para povos amazônicos, e o planeta Marte, é o foco da mostra Roraimarte III, com fotografias, pinturas e esculturas que evidenciam esses processos. A abertura está marcada para este sábado, às 15h. O artista estará presente para uma conversa, acompanhado dos curadores da mostra e diretores do Museu do Pontal, Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

Caboco contou que essa conexão surgiu a partir da nomeação dada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, a uma parte do território de Marte que se chama Roraima, uma vez que se constatava, semelhança do solo de lá com o do Monte Roraima e do conceito que o povo Wapixana tem de que o Monte Roraima é a origem do mundo.

“Tenho trabalhado muito para não apagar a memória Wapixana e de como a arte pode fortalecer relações dentro do campo indígena”, disse Caboco, acrescentando que esta ação reforça o envolvimento dos jovens indígenas nas suas próprias culturas.

Gustavo Caboco, disse que despertou para a arte depois de ganhar uma máquina fotográfica da mãe, que é Wapixana. Ela, que aos 10 anos foi raptada por uma missionária e levada para Boa Vista, passou a trabalhar como doméstica. Já adulta se mudou para Curitiba e 30 anos depois, ao voltar com o filho ainda menino para o território Wapixana, queria que ele fizesse fotos para guardar a memória do seu povo. “Considero hoje como um primeiro trabalho que tem a proposta desse retorno à maloca, à terra que me situa no mundo”, revelou.

Caboco falou ainda que outra influência que recebeu da mãe vem do tempo que a acompanhava ao ateliê de costura que ela montou em Curitiba. Lá costumava ouvir as histórias guardadas na memória dela de como era a vida na maloca e sobre a paisagem de Roraima.

Para o diretor executivo do Museu, Lucas Van de Beuque, trazer essa exposição ao Museu do Pontal é especialmente oportuno nesse momento de retomada das missões espaciais no âmbito do Programa Artemis, que marca um novo ciclo da exploração espacial e a presença humana na Lua.

“Se, por um lado, essas iniciativas apontam para a expansão dos horizontes tecnológicos, científicos e cosmológicos, por outro, também reativam questões históricas ligadas à ocupação, nomeação e disputa de territórios, agora projetadas para além da Terra”, informou à Agência Brasil.

Gustavo Caboco destacou outra característica dos Wapixanas. Como eles estão situados na fronteira do Brasil com a Guiana Inglesa têm fluência nos dois idiomas. “O nosso povo se dividiu, e hoje tem pessoas Wapixanas falantes de inglês porque cresceram na parte da Guiana e outras falam português, mas a nossa língua Wapixana também é viva nesses dois países”, pontuou.

Para a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani, a produção de Gustavo Caboco é belíssima e plasticamente muito impactante porque transforma o pensamento dele em obra de arte e provoca no público o desejo de conhecer as questões que o artista traz.

“O fato dele traz uma discussão sobre os deslocamentos forçados e sobre mundos diversos que se conectam levam a uma atualidade muito grande para o que estamos vivendo como população mundial mesmo. Tem essa atualidade ao mesmo tempo em que fala da sua história de vida”, disse.

“É uma honra estarmos recebendo este artista que também coloca em discussão o que é ser indígena hoje desmontando estereótipos que por tanto tempo serviram de base para se pensar a questão indígena”, concluiu.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Dessa vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

A programação prevê, ainda, no mesmo dia, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina de panelas de barro que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Às 12h30, elas apresentam a Festa das mulheres – Yamurikumã, ritual que celebra a força das mulheres do Alto Xingu.

No domingo (12) a programação para crianças continua com sessões às 10, 11h e 12h. A atividade Bebês no Museu do Pontal será com a contadora de histórias Mel Xakriabá. Ela vai apresentar na roda de musicalização, cantos e instrumentos da nação Xakriabá, um dos poucos grupos indígenas que habitam Minas Gerais.

O público vai ser incentivado ainda a aprender, às 10h30, a arte de fazer petecas com Carmel Puri. A partir das 15h, será a vez da artesã Ana Lucia Guajajara, que nasceu na Aldeia Morro Branco, no Maranhão, coordenar uma oficina de colares de sementes. A indígena vai explicar os significados sagrados dessas peças.

Música

Neste sábado, a programação musical ficará por conta do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita, às 16h30, e do Coral Mbyá Guarani da Aldeia Sapukai, no domingo, às 16h.

Educadores indígenas

A curadoria do festival é dos educadores indígenas Carmel Puri e Pacary Pataxó, que vivem no Rio de Janeiro. Formada em pedagogia, pesquisadora de grafismos de outras etnias e agricultora urbana, a arte-educadora Carmel é também coordenadora do coletivo feminino Sementes da Terra, projeto que incentiva o plantio de sementes fora dos territórios indígenas.

Pacary Pataxó, que nasceu na aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia, foi para o Rio quando já era adulto. A intenção com a mudança era divulgar a cultura de seu povo.

Palestrante, oficineiro, empreendedor, Pacary põe em prática, especialmente, nas escolas, a Lei 11.645/8, que obriga o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio no Brasil.

Por meio dos cantos, dança, pintura corporal e contação de história, o educador indígena reforça a necessidade de preservação da natureza, da cultura de seu povo e dos povos originários.

“Esse festival é atravessado por uma programação que por um lado foca nos rituais, mas também na dança, no corpo nos cantos nas formas associativas que acontecem nas comunidades indígenas brasileiras. É de uma riqueza enorme poder trazer para o público essas experiências”, observou a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani à Agência Brasil.

A manutenção do Festival, que já está na terceira edição, segundo Angela, resulta do interesse do público por informações sobre a cultura indígena e os povos originários de muitas etnias diferentes.

“É um universo complexo, amplo e diverso com muitas variações, desde de indígenas aldeados até os urbanos. Achamos muito importante, porque o Museu é voltado para a difusão das camadas populares e a gente inclui a população indígena. Há uma grande importância”, disse à Agência Brasil.

A diretora destacou que o Museu também tem um foco educativo e por isso realiza excursões de estudantes em todas as exposições do espaço cultural. Angela acrescentou que o fato de ter dois educadores indígenas na curadoria do festival, dá uma tranquilidade de que o Museu está no caminho certo.

“São educadores, são indígenas, pessoas que trazem a sua história de vida como vivência de corpo, como vivência de experiência, como seu primeiro plano. Para o público, é muito interessante ter esse contato”, completou.

Museu do Pontal

Localizado na Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca, o Museu do Pontal é considerado o maior e mais significativo espaço de arte popular do país. O acervo, resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque, é composto por mais de dez mil peças de 300 artistas, produzidas a partir do século 20.

Como chegar

Para chegar ao museu, os visitantes têm a opção de usar vans gratuitas que sairão da estação de metrô Jardim Oceânico, no acesso A – Lagoa, com uma parada no New York City Center.

As saídas regulares são das 10h às 17h, no sábado e domingo, e as vans estarão disponíveis para retorno até o fim do evento. Como o estacionamento estará fechado, o museu recomenda utilizar o transporte oficial do festival, que por meio da Lei Rouanet, é patrocinado pela Shell Brasil que comemora 113 anos de presença no país.

Centenário da Passagem da Coluna Prestes por Condeúba (1926/2026)

Por Joandina 

Professora, Historiadora e escritora Joandina Maria de Carvalho, relembrando o centenario a passagem da Coluna Prestes por Condeúba

Em seu livro A Coluna Prestes, marchas e combates, Lourenço Moreira Lima informa que depois de terem visitado Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, chegaram à Bahia com perto de 1200 homens. O ano era 1926, no dia 26 de fevereiro.
“As primeiras chuvaradas do inverno desse ano enverdeceram aqueles sertões.” O autor descreve a vegetação do sertão da Bahia, destacando que a natureza desabrochara em flores para destacar a travessia da Coluna invicta.
A princípio, a marcha foi a pé, já que os animais eram destinados aos doentes e cargas. Dias depois, começaram a encontrar cavalos, o que facilitou o percurso.
Enquanto isso, escutavam-se histórias do Prestes menino, contadas por ele.