Categoria: História

Lançamento do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”, marcou noite histórica e cultural em Taiobeiras (MG)

Capa do livro de autoria de Julia Marques/Taiobeiras
Levon Nascimento, autografou um exemplar do livro para este jornalista Oclides da Silveira

Na noite do último dia 18 de abril de 2026, a cidade de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, foi palco de um importante momento histórico e cultural com o lançamento do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”, de autoria do professor historiador e escritor Levon Nascimento, com parceria de outros co-autores. O evento reuniu amantes da história, literatura e cultura regional e nacional, consolidando-se como um espaço de valorização da memória e das raízes do povo mineiro.

A obra do professor Levon, resgata a passagem da Coluna Prestes pela região dos gerais, trazendo relatos históricos, contextualizações e reflexões sobre um dos movimentos mais marcantes da história do Brasil. Com uma narrativa envolvente, o livro contribui para manter viva a memória desse episódio, aproximando o público contemporâneo dos acontecimentos que moldaram o país há cem anos atrás.

Durante o lançamento, o público presente teve a oportunidade de conhecer mais sobre o processo de construção da obra A Coluna Prestes, além de dialogar sobre a importância da sua preservação histórica e cultural. O evento também reforçou o papel da literatura como instrumento de educação e valorização da identidade local, regional e nacional.

Inicialmente, o professor Levon destacou-se a relevância de iniciativas como essa, que fortalecem a cultura local e incentivam a leitura, especialmente em tempos em que o acesso à informação é cada vez mais diversificado.

Pontuou-se Levon, ainda que revisitar episódios históricos, como a passagem da Coluna Prestes, é essencial para compreender os caminhos trilhados pela sociedade brasileira. O lançamento do livro “A Coluna Prestes nos gerais de Minas”, reafirma o compromisso com a difusão do conhecimento e com o incentivo à produção literária, colocando Taiobeiras em evidência no cenário cultural da região norte de Minas Gerais.

O professor Levon Nascimento agradeceu a todos pela parceria e apoio, especialmente às autoridades presentes: o padre João Carlos Siqueira, — deputado federal por Minas Gerais; o deputado estadual Laleco Pimentel, também por Minas Gerais; Jéssica, gestora de Cultura, representando o prefeito de Taiobeiras, Danilo; os vereadores Edilson e Valmir Ferreira, pela presença; e o presidente do Legislativo Municipal de Taiobeiras, vereador Alessandro Correia Brito e principalmente a Luiz Carlos Prestes Filho que se fez presente para coroar de êxito esse encontro histórico, que na oportunidade estamos lançado esse livro que fala da história do seu pai e da Coluna Prestes.

A professora, historiadora e escritora baiana de Condeúba Joandina Maria de Carvalho

A professora, historiadora e escritora condeubense Joandina Maria de Carvalho, autora do livro Coluna Prestes em Condeúba, ao fazer uso da palavra, destacou a importância de celebrar os 100 anos da passagem da Coluna Prestes pela região.

Segundo Joandina, o momento é propício para que a população compreenda, de forma mais ampla e verdadeira, o que foi a Coluna Prestes e o quanto esse episódio contribui para o enriquecimento da história contemporânea brasileira. A professora ressaltou ainda a relevância da presença de Luiz Carlos Prestes Filho, apresentado como herdeiro de Luiz Carlos Prestes, considerado um dos maiores líderes nacionais.

Durante sua fala, Joandina reforçou, por diversas vezes, a necessidade de que, especialmente os professores de História, promovam debates em sala de aula sobre o tema, aproximando os estudantes desse importante capítulo da história. Ela destacou que essa prática já vem sendo desenvolvida por ela junto aos alunos das escolas municipais e do Colégio Estadual de Condeúba.

Por fim, a professora voltou a reivindicar do poder público municipal a destinação do antigo Prédio da Intendência — local onde integrantes da Coluna Prestes permaneceram por três dias — para a criação de um espaço voltado exclusivamente às atividades de valorização da memória e da cultura histórica do município.

Luiz Carlos Prestes Filho

Luiz Carlos Prestes Filho, em discurso com trechos de agradecimento e reflexão política, o herdeiro do grande líder nacional Luiz Carlos Prestes, (já falecido), que comandou a grande marcha “A Coluna Prestes” ou conhecida também pelos “Revoltosos”. Hoje estamos comemorando cem anos da passagem deste movimento revolucionário pelo Norte de Minas Gerais. Prestes iniciou cumprimentando os presentes, com menção à Igreja Católica através do padre João que se fez presentente, ele que é deputado federal por Minas Gerais, o deputado estadual Leleco Pimentel por Minas, Jéssica Gestora de Cultura representando ao prefeito de Taiobeiras Danilo, Levon Nascimento autor do livro ora lançado “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas” e à comunidade de Taiobeiras dentre outros. Em seguida, Luiz Carlos abordou a importância da Constituição, destacando-a como instrumento fundamental de luta, resistência e garantia de direitos para todos os brasileiros.

O pronunciamento do ilustre filho do grande líder da Coluna Prestes, também trouxe críticas e questionamentos sobre a aplicação e interpretação constitucional ao longo dos anos, mencionando a participação popular e processos de votação em diferentes regiões do país. O grande orador Luiz Carlos Prestes, citou ainda mobilizações políticas e jurídicas, além de referências a iniciativas em diversos estados.

Na parte final, o discurso assumiu tom mais pessoal, com menções à comunidade local, familiares e colaboradores, reforçando o reconhecimento e a importância do apoio coletivo. Concluiu, dizendo que todo o movimento histórico da Marcha Revolucionária e da Coluna Luiz Carlos Prestes, hoje pertence ao povo brasileiro. Foi muito aplaudido pelos convidado presentes que superlotaram as galerias da Câmara Municipal de Taiobeiras/MG.

Veja vídeo abaixo de Luiz Carlos Prestes Filho falando em Taiobeiras.

Ao final das falas, foi concedida, por Leon Nascimento, a Medalha Luiz Carlos Prestes a lideranças, professores, alunos e a todos aqueles que já tiveram ou ainda mantêm algum envolvimento cultural com a Coluna Prestes. Na sequência, ocorreu o momento de autógrafos, seguido de um delicioso coquetel.

Fotos: Oclides/JFC

Coluna Prestes segue inspirando luta por transformação social no País

Movimento foi exaltado em audiência da Comissão de Cultura que lançou o livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Luís Carlos Prestes Filho foi convidado ilustre da reunião da Comissão de Cultura da ALMG Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

“Meu pai lutou 60 anos pela liberdade do Brasil e o ódio que a elite brasileira tem é que, ao contrário de Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Antônio Conselheiro, não conseguiram degolar Luís Carlos Prestes”, afirmou o professor, ativista e especialista em Economia da Cultura. “A Coluna Prestes incomoda porque ela não foi derrotada”, continuou.

A Coluna Prestes, um movimento de caráter militar, ocorreu entre 1924 e 1927, conduzido por oficiais de baixa patente conhecidos como “tenentes”, que se insurgiram contra o governo do presidente Artur Bernardes e contra a estrutura oligárquica dominada pelas elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais, sustentada pela chamada política do “café com leite”.

Formada por cerca de 1.500 combatentes, a Coluna percorreu aproximadamente 25 mil quilômetros ao longo de dois anos e meio, atravessando treze estados brasileiros, incluindo as regiões Norte e Noroeste de Minas Gerais. Entre suas principais reivindicações estavam a adoção do voto secreto, a valorização da educação pública e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população.

Todo esse trajeto foi refeito por Luís Carlos Prestes Filho no ano de 1995, conforme contou na audiência pública. “Meu único objetivo foi colaborar para que o Brasil visse a Coluna não como um fantasma do passado, mas como um eixo de conhecimento ambiental, cultural e político”, explicou.

Como resultado dessa jornada, Luís Carlos Prestes Filho idealizou e realizou monumentos e memoriais em homenagem à Coluna Prestes nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins e Ceará. As obras dos memoriais, realizadas entre 1996 e 2002, contaram com projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer.

Agora, a vontade do descendente do Cavaleiro da Esperança, apelido dado a Luís Carlos Prestes pelo escritor Jorge Amado, é transformar a rota da Coluna em um produto turístico estruturado, parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

Evandro Xavier Gomes, assessor especial da prefeitura de Ouro Preto, enfatizou a grandiosidade da distância percorrida pelos tenentes da Coluna Prestes e, posteriormente, refeita por Luís Carlos Prestes Filho. “É um feito histórico insuperável. Mao Tsé-Tung ficou conhecido pelas grandes jornadas realizadas na China e sua maior jornada foi de 12 mil quilômetros. Se pegarmos os extremos brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, a distância entre cada extremo não ultrapassa 4.500 quilômetros”, disse.

Minas Gerais é episódio marcante da Coluna Prestes

A passagem da Coluna Prestes pela região do Alto Rio Pardo, que inclui os Municípios de Taiobeiras e Salinas, é considerado um marco do movimento e completa 100 anos em 2026. Levon do Nascimento, professor de história, mestre em políticas públicas e organizador do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, ressaltou a importância desse momento durante a audiência pública da ALMG.

“Foi no Alto Rio Pardo que a Coluna realizou a célebre manobra do laço húngaro, demonstrando uma inteligência estratégica notável. Foi em Taiobeiras, então chamada Bom Jardim de Taiobeiras, na época um distrito de Salinas, que a Coluna não somente passou, ela dialogou”, salientou o pesquisador. Ele expressou o desejo de que o capítulo da passagem da Coluna Prestes por Minas Gerais se transforme na ideia de “um Brasil mais justo, sem cercas e sem latifúndios”.

“Cem anos depois, precisamos perguntar com honestidade histórica: o que mudou, o que permanece e que Brasil estamos construindo?”
Levon do Nascimento
Organizador do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”

O deputado Leleco Pimentel (PT), um dos coautores do livro e responsável por solicitar a audiência pública, lamentou que o movimento tenentista não seja lembrado com frequência. “A Coluna Prestes e o tenentismo foram apagados para que a gente não soubesse quem construiu essa história do Brasil”, disse o parlamentar, lembrando o fato de que posteriormente Luís Carlos Prestes se assumiu como comunista.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Deputados Leleco Pimentel e Adalclever Lopes destacaram importância de manter viva a memória da Coluna Prestes Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

Também presente na audiência, o deputado Adalclever Lopes (PSD) demonstrou grande satisfação pela realização da audiência pública. “Tenho certeza que essa histórica reunião entrará nos anais desta Casa. Para que nossas próximas gerações não se esqueçam”, afirmou.

Livro resgata memória do movimento

O livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, lançado durante a reunião, reúne textos de diversos autores que possuem relação, seja por interesse, estudo ou memória afetiva, com o movimento tenentista, chamado também pela população do “tempo dos revoltosos”.

O organizador da obra Levon do Nascimento descreve a autoria coletiva como um “conjunto plural de autores, educadores, militantes da memória, que aceitaram o desafio de revisitar a Coluna Prestes sob múltiplas perspectivas”. Para ele, o lançamento é “fruto de um esforço coletivo que não tem retaguarda institucional” e que “nasce exatamente para fazer a ponte entre o sertão e a academia, entre a memória e a história, entre o Brasil profundo e o Brasil institucional”.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Livro reúne textos de diversos autores sobre a importância histórica, cultural e política do movimento tenentista brasileiro Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

Já Mônica Rodrigues Teixeira, também professora e coautora, conta que cresceu ouvindo falar dos revoltosos. Para ela, muitas das desigualdades denunciadas pelo movimento persistem até os dias de hoje: “as pautas da Coluna Prestes ainda são muito presentes e necessárias”.

A obra reúne contos sobre momentos em que as tropas revolucionárias da Coluna Prestes entraram no Distrito de Taiobeiras, então parte do Município de Salinas, no Norte de Minas Gerais.TV Assembleia
Tópicos: Cultura

CEM ANOS DA PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR CONDEÚBA

Por Joandina Maria de Carvalho

Ao longo da narrativa sobre os caminhos percorridos pela Coluna Prestes na Bahia, Lourenço Moreira Lima destaca que começaram a encontrar fazendas abandonadas, o que segundo ele se devia às mentiras espalhadas pelos bernadescos.
Em um lugar chamado Roça do Amparo, pegaram uma boiada que seguia de Canudos para Santo Antônio da Glória destinada às forças bernadescas que guarneciam a localidade. Em determinado momento, uma bandeira branca hasteada no mastro em frente à igreja foi avistada.
Posteriormente, membros da Coluna Prestes foram informados que se tratava de um símbolo e atitude sugerida por uma viúva para que revolucionários fossem recebido pacificamente.
O caminho foi seguido.
Por que a Coluna Prestes incomodou tanto? Por que os embates com os coronéis baianos e com o governo do presidente Artur Bernardes?
Qual era o papel da população na perspectiva das ideias defendidas por Prestes e por quem caminhava com ele?
Como o então município de Condeúba entra nessa história? Quem governava Condeúba naquele momento?

CEM ANOS DA PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR CONDEÚBA

Professora, Historiadora e Escritora condeubense Joandima Maria de Carvalho

Ao longo do percurso pela Bahia, um dia à tarde, o capitão Leovigildo Cardoso Viana, da guarda nacional, amigo de Horácio de Matos e um primo deste, de nome Augusto de Matos procuraram representantes da Coluna Prestes, declarando simpatia e possível apoio.
Lourenço Moreira Lima informa em seu livro que receber essas pessoas foi um vacilo. Em certo momento, foram recebidos a bala por uma tropa comandada por Manoel Querino, primo de Horácio de Matos, que fugiu depois de uma hora de fogo, deixando dois homens mortos.
“Esse encontro fez-nos acreditar que Leovigildo e Augusto foram ao nosso encontro como espertos espiões”.
O contato com essas pessoas serviu para que se entendesse que não seria fácil continuar a marcha. Os membros da Coluna Prestes estavam cientes que além da policia baiana teriam que enfrentar os jagunços de coronéis como Horácio de Matos.
A fraqueza e desmoralização dos governos da Bahia permitiram que essas pessoas dominassem uma vasta zona dos sertões, cometendo toda sorte de crimes contra a população.
Para publicação hoje. Cada dia, um texto novo 15, 16 e 17 de abril de 1926 – dias em que a Coluna Prestes esteve na cidade de Condeúba.

Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro

Evento reúne povos de diversas etnias durante este fim de semana
Agência BrasilRio de Janeiro (RJ), 11/04/2026 – Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro.Foto: Museu do pontal/Divulgação© Museu do Pontal/Divulgação
O Festival das Culturas Indígenas do Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, começa neste sábado (11) e vai até domingo (12), promete mobilizar o público mais uma vez mostrando os saberes, as vivências e a força dos povos originários.

Nesta 3ª edição, as atividades terão as presenças de representantes dos povos Wauja, Guajajara, Xakriabá, Kaiapó, Kamayurá, Puri, Pataxó, Wapixana, Guarani Mbyá e Guarani Tenonderã, que vão coordenar experiências de vida, além de apresentar rituais, danças e músicas ancestrais. A programação gratuita inclui uma feira gastronômica.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Desta vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

No mesmo dia, a programação prevê, ainda, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina com técnicas de modelagem de panelas de barro, que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Das 12h30 às 13h, haverá demonstrações sobre os rituais da Festa das mulheres – Yamurikumã, com danças, cânticos e pinturas com jenipapo e urucum que fazem parte da tradicional cerimônia.

Também no sábado, às 15h30, o pescador e artesão da aldeia Kamayurá, do Parque Indígena do Xingu, Taware Kamayurá, vai contar histórias e trazer informações sobre rituais ancestrais como o Kuarup. Todas as atividades do museu são gratuitas e estão sujeitas a lotação.

Exposição

Um dos destaques do Festival das Culturas Indígenas este ano é a exposição individual Roraimarte III de Gustavo Caboco, artista indígena do povo Wapixana, que nasceu em Curitiba e, aos 10 anos, mudou para Roraima. Na visão do artista, essa apresentação no Rio é importante porque faz parte da pesquisa que vem realizando sobre as histórias Wapixana, que se junta à exposição Macunaíma é Duwid, em São Paulo, com outras que ocorrem em malocas, em Roraima.

“É uma exposição que acaba conectando outros territórios”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Os deslocamentos de indígenas para vários territórios e a produção de memória a partir de uma inusitada conexão entre o Monte Roraima, considerado local sagrado para povos amazônicos, e o planeta Marte, é o foco da mostra Roraimarte III, com fotografias, pinturas e esculturas que evidenciam esses processos. A abertura está marcada para este sábado, às 15h. O artista estará presente para uma conversa, acompanhado dos curadores da mostra e diretores do Museu do Pontal, Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

Caboco contou que essa conexão surgiu a partir da nomeação dada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, a uma parte do território de Marte que se chama Roraima, uma vez que se constatava, semelhança do solo de lá com o do Monte Roraima e do conceito que o povo Wapixana tem de que o Monte Roraima é a origem do mundo.

“Tenho trabalhado muito para não apagar a memória Wapixana e de como a arte pode fortalecer relações dentro do campo indígena”, disse Caboco, acrescentando que esta ação reforça o envolvimento dos jovens indígenas nas suas próprias culturas.

Gustavo Caboco, disse que despertou para a arte depois de ganhar uma máquina fotográfica da mãe, que é Wapixana. Ela, que aos 10 anos foi raptada por uma missionária e levada para Boa Vista, passou a trabalhar como doméstica. Já adulta se mudou para Curitiba e 30 anos depois, ao voltar com o filho ainda menino para o território Wapixana, queria que ele fizesse fotos para guardar a memória do seu povo. “Considero hoje como um primeiro trabalho que tem a proposta desse retorno à maloca, à terra que me situa no mundo”, revelou.

Caboco falou ainda que outra influência que recebeu da mãe vem do tempo que a acompanhava ao ateliê de costura que ela montou em Curitiba. Lá costumava ouvir as histórias guardadas na memória dela de como era a vida na maloca e sobre a paisagem de Roraima.

Para o diretor executivo do Museu, Lucas Van de Beuque, trazer essa exposição ao Museu do Pontal é especialmente oportuno nesse momento de retomada das missões espaciais no âmbito do Programa Artemis, que marca um novo ciclo da exploração espacial e a presença humana na Lua.

“Se, por um lado, essas iniciativas apontam para a expansão dos horizontes tecnológicos, científicos e cosmológicos, por outro, também reativam questões históricas ligadas à ocupação, nomeação e disputa de territórios, agora projetadas para além da Terra”, informou à Agência Brasil.

Gustavo Caboco destacou outra característica dos Wapixanas. Como eles estão situados na fronteira do Brasil com a Guiana Inglesa têm fluência nos dois idiomas. “O nosso povo se dividiu, e hoje tem pessoas Wapixanas falantes de inglês porque cresceram na parte da Guiana e outras falam português, mas a nossa língua Wapixana também é viva nesses dois países”, pontuou.

Para a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani, a produção de Gustavo Caboco é belíssima e plasticamente muito impactante porque transforma o pensamento dele em obra de arte e provoca no público o desejo de conhecer as questões que o artista traz.

“O fato dele traz uma discussão sobre os deslocamentos forçados e sobre mundos diversos que se conectam levam a uma atualidade muito grande para o que estamos vivendo como população mundial mesmo. Tem essa atualidade ao mesmo tempo em que fala da sua história de vida”, disse.

“É uma honra estarmos recebendo este artista que também coloca em discussão o que é ser indígena hoje desmontando estereótipos que por tanto tempo serviram de base para se pensar a questão indígena”, concluiu.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Dessa vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

A programação prevê, ainda, no mesmo dia, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina de panelas de barro que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Às 12h30, elas apresentam a Festa das mulheres – Yamurikumã, ritual que celebra a força das mulheres do Alto Xingu.

No domingo (12) a programação para crianças continua com sessões às 10, 11h e 12h. A atividade Bebês no Museu do Pontal será com a contadora de histórias Mel Xakriabá. Ela vai apresentar na roda de musicalização, cantos e instrumentos da nação Xakriabá, um dos poucos grupos indígenas que habitam Minas Gerais.

O público vai ser incentivado ainda a aprender, às 10h30, a arte de fazer petecas com Carmel Puri. A partir das 15h, será a vez da artesã Ana Lucia Guajajara, que nasceu na Aldeia Morro Branco, no Maranhão, coordenar uma oficina de colares de sementes. A indígena vai explicar os significados sagrados dessas peças.

Música

Neste sábado, a programação musical ficará por conta do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita, às 16h30, e do Coral Mbyá Guarani da Aldeia Sapukai, no domingo, às 16h.

Educadores indígenas

A curadoria do festival é dos educadores indígenas Carmel Puri e Pacary Pataxó, que vivem no Rio de Janeiro. Formada em pedagogia, pesquisadora de grafismos de outras etnias e agricultora urbana, a arte-educadora Carmel é também coordenadora do coletivo feminino Sementes da Terra, projeto que incentiva o plantio de sementes fora dos territórios indígenas.

Pacary Pataxó, que nasceu na aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia, foi para o Rio quando já era adulto. A intenção com a mudança era divulgar a cultura de seu povo.

Palestrante, oficineiro, empreendedor, Pacary põe em prática, especialmente, nas escolas, a Lei 11.645/8, que obriga o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio no Brasil.

Por meio dos cantos, dança, pintura corporal e contação de história, o educador indígena reforça a necessidade de preservação da natureza, da cultura de seu povo e dos povos originários.

“Esse festival é atravessado por uma programação que por um lado foca nos rituais, mas também na dança, no corpo nos cantos nas formas associativas que acontecem nas comunidades indígenas brasileiras. É de uma riqueza enorme poder trazer para o público essas experiências”, observou a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani à Agência Brasil.

A manutenção do Festival, que já está na terceira edição, segundo Angela, resulta do interesse do público por informações sobre a cultura indígena e os povos originários de muitas etnias diferentes.

“É um universo complexo, amplo e diverso com muitas variações, desde de indígenas aldeados até os urbanos. Achamos muito importante, porque o Museu é voltado para a difusão das camadas populares e a gente inclui a população indígena. Há uma grande importância”, disse à Agência Brasil.

A diretora destacou que o Museu também tem um foco educativo e por isso realiza excursões de estudantes em todas as exposições do espaço cultural. Angela acrescentou que o fato de ter dois educadores indígenas na curadoria do festival, dá uma tranquilidade de que o Museu está no caminho certo.

“São educadores, são indígenas, pessoas que trazem a sua história de vida como vivência de corpo, como vivência de experiência, como seu primeiro plano. Para o público, é muito interessante ter esse contato”, completou.

Museu do Pontal

Localizado na Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca, o Museu do Pontal é considerado o maior e mais significativo espaço de arte popular do país. O acervo, resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque, é composto por mais de dez mil peças de 300 artistas, produzidas a partir do século 20.

Como chegar

Para chegar ao museu, os visitantes têm a opção de usar vans gratuitas que sairão da estação de metrô Jardim Oceânico, no acesso A – Lagoa, com uma parada no New York City Center.

As saídas regulares são das 10h às 17h, no sábado e domingo, e as vans estarão disponíveis para retorno até o fim do evento. Como o estacionamento estará fechado, o museu recomenda utilizar o transporte oficial do festival, que por meio da Lei Rouanet, é patrocinado pela Shell Brasil que comemora 113 anos de presença no país.

Centenário da Passagem da Coluna Prestes por Condeúba (1926/2026)

Por Joandina 

Professora, Historiadora e escritora Joandina Maria de Carvalho, relembrando o centenario a passagem da Coluna Prestes por Condeúba

Em seu livro A Coluna Prestes, marchas e combates, Lourenço Moreira Lima informa que depois de terem visitado Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, chegaram à Bahia com perto de 1200 homens. O ano era 1926, no dia 26 de fevereiro.
“As primeiras chuvaradas do inverno desse ano enverdeceram aqueles sertões.” O autor descreve a vegetação do sertão da Bahia, destacando que a natureza desabrochara em flores para destacar a travessia da Coluna invicta.
A princípio, a marcha foi a pé, já que os animais eram destinados aos doentes e cargas. Dias depois, começaram a encontrar cavalos, o que facilitou o percurso.
Enquanto isso, escutavam-se histórias do Prestes menino, contadas por ele.

Taiobeiras sediará lançamento de obra inédita sobre a Coluna Prestes no centenário de sua passagem pelo Norte de Minas

Por Levon Nascimento

A cidade de Taiobeiras (MG) será palco, na noite de sábado, 18 de abril de 2026, às 19 horas, na Câmara Municipal, de um dos mais relevantes eventos culturais e históricos da região: o lançamento do livro A Coluna Prestes nos Gerais de Minas, organizado pelo professor e pesquisador Levon Nascimento.

Mais do que um lançamento literário, a ocasião será marcada por um momento solene e simbólico: a outorga da Medalha Luiz Carlos Prestes, em edição única e exclusiva, criada especialmente para celebrar o centenário da passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas Gerais (1926–2026).

A honraria será concedida a diversas personalidades e instituições que, ao longo de suas trajetórias, contribuíram de forma significativa para a preservação da memória, a educação, a cultura e a luta social na região. Entre os laureados estão professores de História, educadores, escritores, entidades culturais, contadores de histórias, guardiães da memória e lutadores sociais — além de estudantes destacados das escolas públicas de Taiobeiras, reconhecidos por seu desempenho e compromisso com a educação.

A medalha, concebida como peça comemorativa irrepetível, não apenas homenageia seus agraciados, mas também inscreve seus nomes na memória pública do centenário, vinculando-os a um dos episódios mais marcantes da história republicana brasileira.

O livro A Coluna Prestes nos Gerais de Minas, publicado pela Paco Editorial em 2026, reúne pesquisadores, historiadores, educadores e autores que analisam, sob múltiplas perspectivas, a passagem da Coluna pelo sertão mineiro, com destaque especial para o território do Alto Rio Pardo e o episódio histórico ocorrido em Taiobeiras em abril de 1926. A obra articula história, memória e identidade regional, conectando o chamado “Brasil profundo” às grandes narrativas nacionais.

A Coluna Prestes (1924–1927), liderada por Luiz Carlos Prestes, foi um dos mais importantes movimentos político-militares do período do tenentismo, insurgindo-se contra as estruturas oligárquicas da Primeira República. Composta majoritariamente por jovens oficiais do Exército, a Coluna percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil, denunciando desigualdades sociais, fraudes eleitorais e a ausência do Estado em vastas regiões do país. Sua passagem pelo Norte de Minas Gerais, em 1926, especialmente na região de Taiobeiras, marcou profundamente a memória local, sendo até hoje lembrada pelo povo como “o tempo dos revoltosos”.

Ao completar cem anos dessa travessia histórica, o evento em Taiobeiras propõe não apenas rememorar o passado, mas também reconhecer, no presente, aqueles que continuam a construir caminhos de consciência histórica, justiça social e valorização cultural.

A cerimônia é aberta ao público e deve reunir autoridades, intelectuais, educadores, lideranças sociais e a comunidade regional, consolidando-se como um marco comemorativo e reflexivo sobre a história, a memória e o futuro do Norte de Minas Gerais.

Serviço:
📍 Local: Câmara Municipal de Taiobeiras (MG)
📅 Data: 18 de abril de 2026 (sábado)
🕖 Horário: 19h
📖 Evento: Lançamento do livro A Coluna Prestes nos Gerais de Minas
🏅 Destaque: Entrega da Medalha Luiz Carlos Prestes – edição centenária exclusiva.

O centenário da passagem da Coluna Prestes por Condeúba: entrevista com a Profa. Joandina Maria de Carvalho

Joandina Maria de Carvalho é natural de Condeúba:- historiadora, professora e escritora

O ano de 2026, mais especificamente no décimo quinto dia do mês de abril, marca um desses momentos, que muito toca o município de Condeúba, na Bahia, e região. É o centenário da passagem da Coluna Prestes por esta terra, evento dos mais impactantes e simbólicos nela já ocorridos.

Há aqueles como a professora, escritora e mestre em História pela FGV (2007), Joandina Maria de Carvalho, que tomaram pra si a responsabilidade de fazer com que o tema e também sua efeméride não passem em branco. Nesse contexto, realizei, no final de fevereiro e início de março últimos, uma entrevista por meio virtual com a pesquisadora. Joandina respondeu a dez questionamentos cujo mote é justamente a associação da Coluna Prestes com o município de Condeúba.

Publicada agora, no alvorecer do quarto mês do ano, ajuda a demarcar a contagem regressiva para o aniversário de um momento marcante para todo o sudoeste baiano e além.

Sem mais delongas, a entrevista…

TEMA: A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR CONDEÚBA

Pergunta 1: Como o tema está presente em sua trajetória acadêmica e intelectual?

Resposta 1: O tema da Coluna Prestes está presente na minha vida como tema que estudei na graduação e especialização em História do Brasil. Entretanto, em nenhum momento, eu estudei apenas a Coluna Prestes.

Pergunta 2: O que te levou a estudar e escrever sobre ele?

Resposta 2: A motivação inicial para estudar o tema veio da curiosidade que sempre tive para interpretar memórias contadas por minha avó paterna.

Pergunta 3: Considerando uma pessoa leiga no assunto, como descreveria, sucintamente, a Coluna Prestes e o contexto em que passou por Condeúba (BA)?

Resposta 3: Eu não falo apenas com uma pessoa leiga. Precisamos ter cuidado com isso. Como é um tema importante cujas memórias estão diluídas, a importância histórica do tema pode ser
diminuída por pessoas que dizem saber tudo. Isso é muito comum em Condeúba.

Sugiro que façamos reflexões e estudos durante esse ano do centenário para depois respondermos a essa pergunta importante. Não é possível uma resposta de maneira sucinta. Precisamos ler e reler Coluna Prestes em Condeúba e Coluna Prestes nos Gerais de Minas, para que em breve possamos produzir novos textos sobre o tema.

Pergunta 4: Qual foi o impacto, importância e as consequências da passagem da Coluna Prestes por Condeúba (BA)?

Resposta 4: A Coluna Prestes impactou tanto a vida das pessoas em Condeúba que muitos fatos passaram a ser delimitados pelo ano de 1926. Fátima, filha de dona Lizete, que faleceu recentemente conta que todos os anos, a mãe lembrava exatamente os dias, mês e ano em que a revolta passou pela cidade.

Quanto a consequências eu lamento profundamente que o tema não tenha sido estudado pelos profissionais de História, o que poderia ter elucidado fatos e ajudado as pessoas a compreenderem muitos aspectos da Bahia e do Brasil, no contexto histórico da década de 1920. O não investimento em História continua sendo um problema. A passagem da Coluna Prestes por Condeúba é um tema importante.

“A Coluna Prestes impactou tanto a vida das pessoas em Condeúba que muitos fatos passaram a ser delimitados pelo ano de 1926.”

Pergunta 5: Na sua opinião, por que é importante relembrar esse momento?

Resposta 5: Lembrar é um dever de memória. Se esse tema está na vida das pessoas como algo vivo é porque precisa ser lembrado. A história pode contribuir para transformações necessárias.

Pergunta 6: Nestes 100 anos, desde a passagem da Coluna por Condeúba (BA), como a memória sobre o evento permaneceu e como tem sido tratada?

Resposta 6: Infelizmente, o evento é considerado por muitas pessoas como um passado morto. Felizmente, iniciativas como o do seu blog, a publicação do livro Coluna Prestes em Condeúba e a
disposição de algumas pessoas em refletir sobre o tema são novidades importantes.

Pergunta 7: Houve (ou há) equívocos nessa memória, e também na história, sobre este evento?

Resposta 7: Existem muitos equívocos e problemas relacionados à questão da Coluna Prestes em Condeúba, problemas esses que merecem reflexões importantes.

Pergunta 8: Alguma coisa te impressiona e/ou surpreende no assunto?

Resposta 8: Sim. Muitas. O que mais me chama a atenção é o fato das pessoas se acomodarem e não pensarem a História como uma ciência que pode contribuir para transformações sociais necessárias.

“Lembrar é um dever de memória. Se esse tema está na vida das pessoas como algo vivo é porque precisa ser lembrado.”

Pergunta 9: Há algo que ainda não foi estudado sobre a passagem da Coluna Prestes em Condeúba (BA), isto é, qual o “estado da arte” deste tema?

Resposta 9: Um tema importante como a Coluna Prestes em Condeúba está sempre aberto para
novas reflexões e estudos. Entendo que uma nova pesquisa pode sistematizar melhor o que já foi
estudado, lembrando que existe uma bibliografia vasta sobre o tema.

Pergunta 10: Na sua opinião, como seria uma comemoração bem celebrada deste centenário?

Resposta 10: Entendo que Condeúba pode estar na vanguarda dessas comemorações. Juntos com o professor Levon Nascimento, de Taiobeiras, cidade do norte de Minas Gerais, podemos convidar as pessoas para reflexões sobre o tema e para ações tendo em vista possíveis transformações sociais.

Não se pode falar sobre a Coluna Prestes em Condeúba sem referência ao norte de Minas Gerais. Conforme Jorge Amado em O Cavaleiro da Esperança, “Prestes reingressa em território baiano pelo município de Condeúba, onde havia passado na descida”.
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Agradeço à professora Joandina Maria de Carvalho por ter me concedido a entrevista.

Correntina, Bahia, Brasil. 1.o
de abril de 2026.

G. S.
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PUBLICADO ORIGINALMENTE EM:

https://oblogpercurso.blogspot.com/2026/04/o-centenario-da-passagem-da-coluna.html

Observação: o blog “Percurso” faz parte de um projeto de cultura geral de Gabriel Soares. Tem por objetivo compartilhar fotografias, reflexões, pesquisas, entre outras coisas.

Acesse em:
https://oblogpercurso.blogspot.com/ e https://www.instagram.com/o_peercurso/.

A Coluna Prestes no Norte de Minas: entre o mito e a realidade

Professor Levon Nascimento

Por Levon Nascimento

Em 1926, o Norte de Minas Gerais foi palco de um episódio marcante da história brasileira: a passagem da Coluna Prestes. Liderados por Luiz Carlos Prestes, um grupo de jovens militares idealistas percorria o país combatendo o governo oligárquico da época, defendendo bandeiras como o voto secreto e a moralização política. Sua incursão de dez dias pela região (19 a 29 de abril) revelou o abismo entre o Brasil urbano e a realidade do sertão.

Apesar de serem os “revoltosos”, a maior violência partiu das próprias tropas do governo, os chamados “legalistas”. Financiadas pelo poder federal, milícias comandadas por coronéis como Horácio de Matos agiam com brutalidade, saqueando cidades, extorquindo civis e espalhando um rastro de terror. Para a população local, era difícil distinguir quem era quem, e o medo das represálias oficiais muitas vezes era maior do que o medo da própria Coluna.

A estratégia militar de Prestes foi brilhante. Encurralado por forças superiores em Serra Nova, município de Rio Pardo de Minas, ele executou a famosa manobra do “Laço Húngaro”, uma série de movimentos circulares que confundiu completamente os perseguidores. Essa astúcia permitiu que a Coluna escapasse do cerco e continuasse sua marcha, demonstrando superioridade tática mesmo estando em menor número e com menos recursos.

Um dos episódios mais simbólicos dessa passagem ocorreu em Taiobeiras (26/04/1926). Enquanto a maioria da população fugiu para o mato, o comerciante João Rêgo decidiu ficar e negociar. Ele recebeu os soldados da Coluna, abriu seu armazém e lhes forneceu suprimentos. Em um gesto de surpreendente honra, Luiz Carlos Prestes lhe pagou, deixando para trás uma bota cheia de moedas. Esse caso mostra que a iniciativa e a coragem local podiam mitigar a violência do conflito.

A experiência no sertão mineiro foi um choque para os jovens tenentes de formação urbana. O contato direto com a miséria extrema e a estrutura de poder dos coronéis fez Prestes questionar suas convicções liberais. Aquele idealismo mostrou-se insuficiente para resolver os problemas profundos do Brasil rural, acelerando um processo de radicalização que mais tarde o levaria ao comunismo.

A memória que ficou na região é um trauma duplo. Não foi apenas a passagem rápida dos rebeldes, mas a violência sistemática e predatória das tropas legalistas, que agiam em nome do Estado, que deixou marcas profundas na população. O episódio ficou na história local como um momento de medo, mas também de resistência e astúcia.

Por fim, a passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas é mais que uma simples nota de rodapé histórica. Ela simboliza o encontro (e desencontro) entre dois Brasis e foi decisiva para a transformação ideológica de seu principal líder, mostrando que a realidade do sertão pode ser a mais poderosa professora de política.

Em breve, o livro: OS REVOLTOSOS PELO NORTE DE MINAS GERAIS: CENTENÁRIO DA COLUNA PRESTES (1926-2026). Um século depois, a história dos chamados “revoltosos” volta a ganhar voz! Organizado por Levon Nascimento, o livro reúne pesquisadores e guardiões da memória sertaneja para revisitar a passagem da Coluna Prestes pelo Norte de Minas — um episódio que mexeu com comunidades inteiras, entre medos, estratégias militares e lembranças que atravessaram gerações. Autores: Fabiano Alves Pereira · Joandina Maria de Carvalho · Leleco Pimentel · Levon Nascimento · Lídio Barreto Filho · Luiz Eduardo de Souza Pinto · Márcia Sant’Ana Lima Barreto · Maria de Fátima M. Mariani · Milton Pena Santiago · Monica Rodrigues Teixeira · Padre João Carlos Siqueira · Pedro Abder Nunes Raim Ramos · Sidney Batista Azevedo · Silvânia Aparecida de Freitas · Vladimir Mendes Patrício. Uma obra que mistura história, memória e emoção, trazendo à tona episódios que marcaram Taiobeiras e toda a região do Alto Rio Pardo. Falta pouco para esse encontro entre o sertão e a história do Brasil. Prepare-se para caminhar novamente com a Coluna Prestes — agora pelas páginas deste livro.

Morre no Rio de Janeiro o cartunista Jaguar, aos 93 anos

Ele foi um dos fundadores do jornal O Pasquim
Agência Brasil

São Paulo- 24/08/2025 - Morre o cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI
O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar – © Foto: ABI
 O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, morreu, neste domingo (24), no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Copa D´Or. 

Em nota, a assessoria de imprensa do hospital informou que o artista estava internado em razão de uma infecção respiratória, que evoluiu com complicações renais. “Nos últimos dias, estava sob cuidados paliativos. O hospital se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda para a cultura brasileira”, diz o documento.

Jaguar começou a carreira, no ano de 1952, quando trabalhava no Banco do Brasil. Na ocasião, ele conseguiu publicar um desenho na coluna de humor Penúltima Hora no jornal Última Hora (RJ). Depois passou a publicar charges seus trabalhos na página de humor da revista Manchete (RJ). O pseudônimo, com o qual ficou famoso, foi uma sugestão de Borjalo. 

Durante a ditadura, lançou um de seus personagens mais conhecidos, o ratinho Sig, que foi mascote do jornal O Pasquim, do qual Jaguar foi um dos fundadores. O artista foi preso uma vez e enfrentou processos no período.

São Paulo- 24/08/2025 - Morre o cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI
Charge do cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI – Foto ABI
Confira a nota do hospital sobre a morte de Jaguar:

“O Hospital Copa D’Or informa, com pesar, o falecimento do Sr. Sérgio de Magalhães Jaguaribe, conhecido como Jaguar, aos 93 anos, na tarde deste domingo. O paciente se encontrava internado em razão de uma infecção respiratória, que evoluiu com complicações renais. Nos últimos dias, estava sob cuidados paliativos. O hospital se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda para a cultura brasileira”.

 

São Paulo- 24/08/2025 - Morre o cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI
Charge do cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI – Foto ABI
Homenagens

Nas redes sociais, artistas colegas de Jaguar fizeram homenagens e lamentaram a morte do cartunista. O chargista Arnaldo Angeli Filho escreveu que Jaguar foi o “maior” e é merecedor de todas as reverências pela arte que deixou. 

“Dono do traço mais rebelde do cartum brasileiro. Seguimos aqui com sua bênção”, disse.  

A cartunista Laerte Coutinho, em postagem no X, referiu-se ao ídolo como “mestre querido”. Outro cartunista, Allan Sieber lembrou que, quando mudou para o Rio de Janeiro, Jaguar chegou a editar o livro dele “Assim rasteja a humanidade”.    

O chargista Genildo Ronchi destacou, também em postagem nas redes, que o mundo conhece a importância do legado do Jaguar. Chico Caruso, em entrevista à TV Globo, considerou que a morte do artista é uma perda irreparável para o humor e para o Brasil.