Categoria: História

Joaquim Alves da Costa, Neco Batista e a Fundação do Distrito da Feirinha em 1929

A Sede da Fazenda Condeúba “Casa Grnde” ainda resiste heroicamente no tempo e no abandono

No sertão do sudoeste baiano, entre rios e morros, a história do distrito da Feirinha, hoje parte do município de Condeúba, se entrelaça com a figura controversa de Joaquim Alves da Costa, conhecido como senhor de terras e de escravos na segunda metade do século XIX. Herdeiro de uma vasta fazenda que partia da Foz dos Rios do Morro com o Rio do Areal e se estendia por volta de 5 quilômetros em direção rio abaixo, Joaquim Costa representa um capítulo marcante — e por vezes sombrio — da história local.

A Fazenda Condeúba e sua Sede Casa Grande: Símbolo de Poder e Opressão

No coração dominador de Francisco Xavier da Costa, avô de Joaquim Alves da Costa erguiu-se a sede da Fazenda Condeúba denominada de Casa Grande, (por volta dos anos de 1740), um casarão de largas paredes de adobe, telhado de duas águas e varanda nos fundos com vista para os campos cultivados por mãos escravizadas. Ao redor, a paisagem era desenhada por plantações de café, milho, feijão e andu, intercaladas por pequenos córregos artificiais, construídos sob o rigor do cativeiro.

Aos lados da casa sede, em plano inferior, localizava-se a senzala, onde dezenas de escravos viviam em condições precárias. Ali, a dor, a resistência e a fé compartilhavam o mesmo teto constuído de barro e madeira. O sistema escravocrata sustentava o prestígio da família Costa, que dominava vastas porções de terra em um Brasil que caminhava lentamente rumo à Abolição.

O cemitério dos libertos

Com a chegada da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, muitos dos ex-escravizados continuaram a viver na região, alguns permanecendo nas terras da antiga fazenda, agora como agregados ou meeiros. Em gesto que carrega ambiguidade histórica, Joaquim Alves da Costa construiu um cemitério na Fazenda Grama, destinado aos ex-escravos e seus descendentes — uma espécie de concessão tardia e silenciosa à dignidade daqueles que tanto contribuíram para a riqueza da fazenda.

Esse cemitério, foi acampado pela Prefeitura de Condeúba, ampliado e hoje ele atende não só a Fazenda Grama mas, o distrito da Feirinha e adjacências, é um dos poucos registros físicos da presença negra e da resistência silenciosa na região.

A origem do distrito da Feirinha

Foi também a partir das iniciativas de Joaquim Costa que nasceu a Feira Livre nas terras da Casa Grande. Inicialmente montada em frente à sua residência, aos sábados, servia para escoar os produtos da fazenda e de pequenos produtores da vizinhança.

O genro de Joaquim Costa, Manoel Batista de Oliveira conhecido por “Neco Batista”, construiu sua residência, uma enorme casa térrea na parte de sua herança recebida antecipada da família Costa, que ficava meio quilometro rio abaixo da sede da Casa Grande e lá ele se estabeleceu com uma loja de tecidos. Em volta de sua moradia, o  Senhor Neco construiu outras 4 casas menores e doou para seus 4 filhos homens, na época eram os homens considerados arrimo de família, os filhos foram: José Batista de Oliveira, Enedino Batista de Oliveira (Dinão), Claudomiro Batista de Oliveira (Dózão) e Agenor Batista de Oliveira (Nô Batista), onde cada um deles se estabeleceram o seu próprio comercio, o local cresceu, moradias surgiram ao redor.

Com a morte de Joaquim Alves da Costa em 1929, no mesmo ano o Senhor Neco criou uma feira no local que funciona até hoje aos domingos e com o tempo formou-se uma pequena vila, depois povoado e décadas mais tarde, esse povoado foi elevado oficialmente como Distrito da Feirinha, em 9 de junho de 2016 pelo então prefeito Guto, cujo distrito completa em 2025, 96 anos de fundação. 

Um casamento controverso

Já idoso e preocupado com a sucessão de seus bens e o cuidado na velhice, Joaquim Alves da Costa casou-se em segunda união no ano de 1927, aos 80 anos de idade, com Palmira Maria da Silveira, uma jovem de apenas 14 anos. O matrimônio, embora socialmente tolerado à época, hoje levanta questões morais e jurídicas sob a ótica dos direitos da infância e da mulher. Palmira, uma garota “plebéia” que com ele permaneceu no Palacete Casa Grande por quase 3 anos, tornou-se uma figura respeitada na sociedade condeubense, ainda que sua juventude tenha sido marcada por um destino precoce.

Legado ambíguo

A história de Joaquim Alves da Costa é marcada por contrastes: de um lado, o poder exercido com base no trabalho escravizado e no patriarcado; de outro, a fundação de uma comunidade que hoje resgata suas origens com orgulho. O distrito da Feirinha carrega em suas raízes as marcas dessa trajetória, que precisa ser contada com justiça histórica — reconhecendo o sofrimento imposto, mas também os processos de resistência e transformação que dali floresceram.

O passado, como a terra da Fazenda Condeúba tendo como sede a Casa Grande, tem muitas camadas de histórias na sua crosta. E é pesquisando essas camadas que a memória coletiva encontra sentido no presente e direção para o futuro.

Joaquim Alves da Costa: Entre o Poder Escravocrata na Casa Grande e a Fundação da Feirinha

A sede da Fazenda Casa Grande, com apenas uma das duas senzalas do lado direito, a outra já aparece demolida

Francisco Xavier da Costa, nascido por volta de 1817, foi o que se chamava, à época, de “senhor de escravos”. Entre os anos de 1860 e 1888, ele foi proprietário de uma extensa Fazenda denominada de Condeúba, cuja sede era a chamada Casa Grande, aos lados foram feito duas residências para os escravos, que era chamada de senzala, edificada com a mão de obra dos escravizados sob seu domínio. Essa propriedade localiza-se cerca de meio quilômetro acima do atual distrito de Feirinha, no município de Condeúba Bahia.

O herdeiro principal de Francisco foi seu neto, Joaquim Alves da Costa, nascido em 1847. Quando o avô faleceu, Joaquim já era adulto e assumiu a herança, passando também a ser considerado “senhor de engenho”, mantendo as práticas e a estrutura herdadas.

Joaquim viveu toda sua vida na Casa Grande, onde nasceu e faleceu. Em 13 de maio de 1888, foi sancionada a Lei Áurea, de número 3.353, pela Princesa Isabel, declarando extinta a escravidão no Brasil. Com a abolição, Joaquim tomou uma atitude que ficou na memória local: adquiriu uma nova área de terras próxima à Casa Grande, onde construiu pequenas casas de enchimento (taipa de mão), com o auxílio dos próprios ex-escravizados.

Essa nova localidade, denominada Fazenda Grama, situa-se a cerca de um quilômetro da Casa Grande e fazia divisa com a antiga propriedade. Foi ali que Joaquim realocou apenas as famílias de ex-escravos com quem mantinha maior vínculo e confiança. Os demais ex-escravizados seguiram para lugares mais distantes, como as fazendas Areal, Tamboril e Riacho Seco.

Como símbolo desse período de transição, os ex-escravos, ao deixarem a Casa Grande, entalharam no batente de uma das portas o ano 1888, registrando para sempre o marco da liberdade recém-conquistada.

Preocupado com a velhice e com a solidão, Joaquim Costa decidiu buscar uma nova esposa que pudesse cuidar dele nos momentos mais difíceis da vida. Em 1927, aos 80 anos de idade, casou-se com a jovem Palmira, que tinha apenas 14 anos. Joaquim já era viúvo e deixava para trás uma numerosa família: filhos, netos e até bisnetos. Seu histórico de relacionamentos sempre fora cercado de rumores, inclusive de possíveis envolvimentos com moças dos escravos, o que aumentava as tensões.

O casamento com Palmira causou grande alvoroço entre os herdeiros. A maior preocupação da família não era exatamente a diferença de idade entre os cônjuges, mas sim as possíveis consequências sobre a herança. Joaquim possuía vastas terras, mas também muitos descendentes, o que tornava o futuro da partilha um campo fértil para disputas.

A carneira em destaque, construída em 1929, já deteriorada pelo tempo, foi o local onde sepultou Joaquim Alves da Costa no Cemitério Municipal da Fazenda Grama

A história de Joaquim Costa e o cemitério da Fazenda Grama

Três anos após esse casamento, Joaquim Costa faleceu, em 1929, aos 83 anos. No entanto, antes de sua morte, ele cumpriu uma promessa que vinha alimentando havia anos: construiu um cemitério na Fazenda Grama, destinado aos ex-escravizados daquela região e seus descendentes, oferecendo-lhes, finalmente, um local digno para o descanso eterno.

O que ninguém esperava, no entanto, era que o primeiro a ser sepultado ali seria o próprio Joaquim Alves da Costa. A inauguração do cemitério, por volta de 1929, selou de forma simbólica seu último gesto — ao mesmo tempo um ato de reparação e um ponto final em uma vida marcada por poder, controvérsias e legado.

Foram tempos vividos no chamado Palacete dos Senhores de Engenho, pertencentes a uma linhagem que acumulava verdadeira fortuna em terras — vastas extensões que, no passado, foram intensamente trabalhadas por uma grande quantidade de escravos. A fazenda em questão media cerca de 5 km de largura e se estendia por uma longitude praticamente indefinida. Suas divisas começavam acima da Foz dos Rios, do Morro com o Rio Areal, em terras que hoje pertencem ao doutor José Augusto, e seguiam rio abaixo até os limites com a Fazenda Grama, vizinha do sítio atualmente de propriedade do senhor Odílio Ribeiro da Silveira.

A Mão de Obra dos Escravos

Toda a estrutura produtiva da Fazenda Condeúba foi construída com a força de trabalho escravizada. A presença dos escravos foi fundamental para a dinâmica econômica e social local no período em que o arraial de Santo Antônio da Barra ainda não era Condeúba. A composição mestiça do trabalho — entre cativos, forros e livres — moldou profundamente a politicultura regional entre 1860 e 1888.

A fazenda era cultivada em toda sua extensão, especialmente nas áreas mais baixas e nas margens do Rio do Morro. No tempo das chuvas, plantava-se arroz. Já no mês de junho, os mesmos brejos eram utilizados para o cultivo de milho e feijão-de-arranca. Parte desse brejo, era reservada à lavoura de cana-de-açúcar, destinada à fabricação de rapadura — produto essencial da economia local da época.

Nas margens acima dos brejos, a cerca de 100 metros, já no início das capoeiras, havia um pequeno córrego em ambos os lados, construído pelos escravizados. Aquelas margens, por vezes perigosas, tornaram-se um local propício para o cultivo de café. Entre as fileiras dos cafezais, plantava-se milho, feijão de arranca ou carioquinha, feijão catador, fava e guandu, também conhecido apenas como andu.

Cultivava-se também grande quantidade de melancia, além de maxixe, abóbora, moranga e toda a linha de hortaliças. Havia grandes áreas reservadas exclusivamente para o plantio de laranjas, limões, mangas, rosas e espadas. Também havia lavouras de algodão e extensas invernadas de capim colonião. No cerrado, cultivavam-se grandes roças de mandioca.

Aqui fazemos um parêntese:
“Nas épocas de colheita das mangas e das melancias, os senhores de escravos proibiam os cativos de comê-las ainda no campo, alegando que o leite de vaca que tomavam pela manhã, se combinado com o consumo de manga ou melancia durante o dia, provocaria morte por envenenamento.”

Portanto, essa “pérola” de que manga com leite faz mal ao ser humano foi criada pelos senhores de escravos como uma forma de evitar que seus cativos consumissem mangas com leite, causando-lhes prejuízo na produção de frutas como manga e melancia. As colheitas eram fartas, havia de tudo em abundância. Diante disso, Joaquim Costa criou uma feira livre para comercializar seus produtos, que funcionava aos sábados, em frente à sua residência oficial, a Casa Grande. Essa feira perdurou durante toda a sua vida.

Logo após o falecimento de Joaquim Costa, seu genro Manoel Batista de Oliveira, mais conhecido como Neco Batista, assumiu a liderança local. Ele já havia construído para si um grande casarão, onde morava, além de outras residências destinadas aos seus filhos, na localidade rio abaixo, situada  aproximadamente meio quilômetro da Casa Grande. Foi nesse local que se instalou uma nova feira livre, que passou a funcionar aos domingos. Esse fato ocorreu por volta de 1929, com o objetivo de esvaziar a feira da Casa Grande aos sábados — e assim, de fato, aconteceu.

O local passou a ser chamado de Feirinha, dali para frente, o comércio começou a crescer, inicialmente concentrado entre os membros da família do Sr. Neco Batista. Com isso, as moradias foram se multiplicando. Com o passar do tempo, a localidade se transformou em vila, depois em povoado, em 9 de junho de 2016 foi elevado a distrito de Feirinha pelo então prefeito Guto, nesta ano de 2025, a Feirinha estará completando 96 anos de fundação.

A então viúva de Joaquim Costa, Sra. Palmeira, não resistiu às grandes pressões dos herdeiros e acabou abrindo mão da sua parte na herança. Retornou, de muda, para a casa de seus pais, o Sr. Melvino Benigno da Silveira e Dona Deraldina Maria da Silveira, na Fazenda Olho d’Água.

Logo em seguida, Palmeira conheceu um novo companheiro, um jovem da época chamado José Antônio Ribeiro, com quem se casou no ano de 1930. Desse matrimônio nasceram quatro filhos: Olinto, Odílio, Oclides e Aulita, esta última mais conhecida como Ita.

NOTA:- Todas essas informações aqui relatadas neste artigo, foram passadas pela senhora Palmira (minha mãe) de saudosa memória, ela que foi esposa do Sr. Joaquim Alves da Costa.

Caetité mantém tradição para celebrar 202 anos da Independência da Bahia

Caetité mantém tradição para celebrar 202 anos da Independência da Bahia

O tradicional desfile cívico de 2 de Julho está sendo preparado na cidade de Caetité para celebrar os 202 anos da Independência da Bahia. Membro da comissão organizadora do evento, Maria José Couto Gonçalves, conhecida como professora Dete, destacou que a celebração bicentenária tem um significado especial para o município e para o Território do Sertão Produtivo como um todo.

Gonçalves ressaltou que o desfile é a materialização do apoio político de Caetité para aqueles que estavam nas frentes de batalha durante a luta em prol da independência da Bahia. Dete apontou que o evento está sendo organizado com muito capricho e zelo às manifestações culturais para manter viva a tradição.

“Essa celebração em Caetité está nos ajustes finais para realização do grande desfile cívico que acontecerá amanhã, a partir das 8h, pela Rua Barão e Avenida 2 de Julho, um percurso de 3 km”, relatou. Para a professora, o desfile é uma espécie de aula pública de história, visto que os carros alegóricos retratam como o sertão se fez presente nesse momento tão importante e simbólico da Bahia.

“São dias de festa para Caetité. Essa parte cívica tem um valor histórico, cultural e identitário muito forte para esse povo”, apontou. Mais de 3 mil cavaleiros marcarão presença no desfile representados por diversos grupos de montaria da cidade e região.

Lula propõe feriado nacional em 2 julho

Lula propõe feriado nacional em 2 julho
O presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (1°), um projeto de lei para tornar o dia 2 de julho feriado nacional da consolidação da independência do Brasil. A data marca a expulsão definitiva das tropas portuguesas do Brasil, em 1823, um ano após a Proclamação da Independência pelo imperador Pedro I, no dia 7 de setembro de 1822.

O dia 2 de julho marca a Independência da Bahia e é feriado estadual. “É verdade que D. Pedro fez o grito da Independência, todo mundo sabe disso, mas pouca gente sabe que foi no dia 2 de julho de 1823 que, na Bahia, os baianos conseguiram fazer com que os portugueses voltassem para Portugal definitivamente”, afirma o presidente em vídeo postado nas redes sociais.
Nas imagens, Lula aparece ao lado do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), ambos ex-governadores baianos. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, outro baiano, também acompanhava o presidente.
“Isso não é conhecido da História porque não está nos livros didáticos brasileiros. A aprovação desse projeto e a promulgação vão mostrar que além de D. Pedro, o povo baiano teve muito a ver com a nossa Independência”, acrescentou Lula. O presidente embarcou nesta tarde para Salvador, onde cumprirá agenda de celebração do dia 2 de julho na Bahia. De lá, ele viajará diretamente a Buenos Aires, para participar da Cúpula do Mercosul, que ocorre nesta quinta-feira (3).

Biografia de Juliano Moreira

Juliano Moreira
Nascimento 6 de janeiro de 1872[nota 1]
Salvador, Província da Bahia
Morte 2 de maio de 1933 (60 anos)
Petrópolis, Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Cidadania Brasil
Etnia Afro-brasileiro
Ocupação médico
Campo(s) Medicina
Tese Sífilis maligna precoce (1891)
Causa da morte Tuberculose

Juliano Moreira (Salvador, 6 de janeiro de 1872[1][nota 1] – Petrópolis,[4] 2 de maio de 1933) foi um médico psiquiatra brasileiro, frequentemente considerado como o fundador da disciplina psiquiátrica e da psicanálise no Brasil pelos avanços por ele promovidos. Moreira foi o primeiro professor universitário brasileiro a citar e incorporar a teoria psicanalítica no ensino da medicina.

Biografia

Nascido em Salvador, Juliano era negro e pobre, filho de Galdina Joaquina do Amaral, que trabalhava na residência de Luís Adriano Alves de Lima Gordilho, Barão de Itapuã. Somente após a morte de sua mãe, quando Juliano tinha 13 anos de idade, é que ele foi perfilhado por Manoel do Carmo Moreira Júnior, português, inspetor de iluminação pública.[4][1] Graças ao apoio do Barão de Itapuã, seu padrinho, que era médico e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, Juliano Moreira fez os cursos preparatórios e ingressou no curso de medicina, em 1886.[5] Formou-se em 1891, aos 19 anos, com a tese Sífilis maligna precoce. …“Adentrei-me na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, com menos de 15 anos de idade, conforme era possível na época, doutorando-me aos 22 janeiros”. Em 1896, fez o concurso para lente substituto da 12ª seção — cadeira de moléstias nervosas e mentais —, com a tese sobre as Discinesias arsenicais e foi aprovado em primeiro lugar, com nota máxima. Nesse momento, passou a figurar entre os redatores da Gazeta Médica da Bahia, que tinha Braz do Amaral como redator-gerente e José Francisco de Silva Lima como redator principal.[6] De 1895 a 1902, realizou cursos e estágios sobre doenças mentais e visitou muitos asilos na Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Escócia.[7] Mas, além de viagens de estudos, já era obrigado a procurar com frequência especialistas e clínicas para consultas sobre sua própria doença. Juliano Moreira sofria de tuberculose. Acentuando-se as crises, obteve uma nova licença e viajou à Europa em busca de melhor tratamento e posteriormente internou-se num sanatório na cidade do Cairo, onde conheceu Augusta Peick, enfermeira alemã, de Hamburgo. Os dois se casaram no início da década de 1910 e vieram juntos para o Brasil.[4][8]

Já em 1900 representou o Brasil em congressos internacionais: em Paris, neste ano − sendo também eleito Presidente Honorário do 4º Congresso Internacional de Assistência a Alienados, em Berlim; também seria congressista brasileiro em Lisboa (1906), Milão e Amsterdã (1907), Londres e Bruxelas (1913).

Juliano Moreira mais jovem.
Permaneceu na Faculdade de Medicina da Bahia, até 1902. Em 1903, após ter exercido a clínica psiquiátrica na Bahia, mudou-se para o Rio de Janeiro. Lá, entre 1903 e 1930, dirigiu o Hospício Nacional de Alienados e, embora não fosse professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, recebia internos para o ensino de psiquiatria — dentre os quais, Fernandes Figueira (1863–1928),[9]Franco da Rocha (1864–1933), Miguel Pereira (1871–1918), Afrânio Peixoto (1876–1947), Antônio Austregésilo (1876–1960), Henrique Roxo (1877–1969), Ulysses Vianna (1880–1935),[10] Gustavo Riedel (1887–1934)[11] e Heitor Carrilho (1890–1954). Muitos deles viriam a atuar, também de forma pioneira, na organização de diversas especialidades médicas no Brasil, tais como neurologia, psiquiatria, clínica médica, patologia clínica, anatomia patológica, pediatria e medicina legal.

Durante seu trabalho como diretor do Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro, humanizou o tratamento e acabou com o aprisionamento de pacientes. Foi neste período, que o hospital recebeu o líder da Revolta da Chibata, João Cândido, para tratamento de uma “psicose de exaustão”. Em 18 de abril de 1911, o “Almirante Negro”, que cumpria pena na Ilha das Cobras, foi transferido para o Hospital dos Alienados, por ter sido considerado doente mental. Ali, permaneceu durante dois meses conseguindo passar relativamente bem, fazendo amizade com alguns enfermeiros e conseguindo, inclusive, que fizessem vista grossa para alguns passeios pela cidade. Ao final de dois meses, sem justificativa plausível para sua permanência no hospital, João Cândido foi levado de volta ao presídio da Ilha das Cobras.[12]

Moreira defendeu a ideia de que a origem das doenças mentais se devia a fatores físicos e situacionais, como a falta de higiene e falta de acesso à educação, contrariando um pensamento racista em voga no meio acadêmico, que atribuía os problemas psicológicos da população brasileira à miscigenação. Destacou-se também na área da dermatologia. Foi o primeiro pesquisador a identificar a leishmaniose cutâneo-mucosa e buscou provar que a questão racial não motivava as doenças. Explorou a sifilografia e a parasitologia.[5]

Apesar de avesso ao racismo científico, Moreira também aceitava certos aspectos do pensamento eugênico, por exemplo propunha que fosse afastada dos alienados, delinquentes, degenerados e alcoólatras a possibilidade de reprodução, através da prescrição da esterilização destes.[13]

Participou da Escola Tropicalista da Bahia e contribuiu por uma década com o conteúdo da Revista Gazeta Médica da Bahia, da qual foi redator principal. Em 1894, fundou a Sociedade de Medicina e Cirurgia da Bahia e da Sociedade de Medicina Legal da Bahia. Como diretor no Hospício Nacional dos Alienados (1903-1930), no Rio de Janeiro, mudou a estrutura física do hospital e estabeleceu novos modelos assistenciais no interior dos hospícios. Criou laboratórios dentro dos hospitais e introduziu a técnica de punção lombar e do exame céfalo-raquidiano como diagnóstico neurológico (1906). Criou o Manicômio Judiciário em 1911.

Foi membro da Diretoria da Academia Brasileira de Ciências entre 1917 e 1929, ocupando o cargo de Presidente no último triênio. Foi também membro de diversas sociedades médicas em todo o mundo. Dentre as instituições internacionais das quais fez parte, incluem-se a Anthropologische Gesellschaft (Munique), a Societé de Medicine (Paris) e a Medico-legal Society (Nova York).

Juliano Moreira no livro Baianos Ilustres, de 1945.
Em novembro de 1930, o novo presidente, Getúlio Vargas, dissolveu o Congresso Nacional, as câmaras e as assembleias estaduais. Nomeou interventores nos Estados, mantendo seus compromissos com as oligarquias dissidentes. Em 8 de dezembro de 1930, Juliano Moreira foi destituído da direção do Hospital Nacional de Alienados, onde também morava. Aposentado, foi morar num hotel em Santa Teresa. Manteve suas visitas a alguns de seus pacientes particulares no Sanatório Botafogo, de Ulysses Vianna, e as sessões da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina. Em 17 de novembro de 1932, retornou pela última vez à Sociedade que fundara, para uma sessão solene.[14]

Morte

A tuberculose avançava. Miguel Couto, seu médico, decidiu encaminhá-lo à Serra de Petrópolis. Hospedou-se na residência de Hermelindo Lopes Rodrigues, um de seus maiores discípulos. Faleceu em 2 de maio de 1933, no Sanatório de Correias, na cidade de Petrópolis, onde se internara para tratamento de tuberculose. Não deixou filhos.

Homenagens póstumas

Legado

Juliano Moreira revolucionou as concepções e métodos da psiquiatria no Brasil, notadamente no tocante à atenção às pessoas com problemas mentais. Entre seus legados incluem-se a formulação de propostas e novos modelos assistenciais psiquiátricos (1903); a aprovação da lei de assistência aos alienados, de 22 de dezembro de 1903; a fundação da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins (1905). No campo da antropologia, Juliano deixou um legado de combate ao racismo científico, por seu papel na refutação da crença de que as doenças mentais estariam ligadas à cor da pele das pessoas.[5]

Notas e referências

Notas

  1. ↑ Ir para:a b Algumas fontes apontam 1873 como ano de seu nascimento.[2][3]

Referências

  1. ↑ Ir para:a b Juliano Moreira: modernidade e civilização na Primeira República Brasileira. Por Iara Nancy A. Rios. Bahia com Histórianº 3, março de 2016. ISSN 2525-295X
  2. ↑ Oda, Ana Maria Galdini Raimundo; Dalgalarrondo, Paulo (dezembro de 2000). «Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico». Brazilian Journal of Psychiatry: 178–179. ISSN 1516-4446. doi:10.1590/S1516-44462000000400007. Consultado em 3 de junho de 2022
  3. ↑ «MOREIRA, JULIANO». www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br. Consultado em 3 de junho de 2022
  4. ↑ Ir para:a b c Biografia Juliano Moreira 1872-1902.
  5. ↑ Ir para:a b c Brazil, T.K. (org.), Santana-Junior, E. F., Casais-e-Silva, L. L. Projeto Herois da Saúde na Bahia. Juliano Moreira 1872- 1933
  6. ↑ Juliano Moreira e a Gazeta Medica da Bahia. Por Ronaldo Ribeiro JacobinaI e Ester Aida Gelman. História, Ciências, Saúde-Manguinhos’,’ vol.15 nº 4. Rio de Janeiro, outubro-dezembro de 2008. ISSN 1678-4758
  7. ↑ Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico. Por Ana Maria Galdini Raimundo Oda e Paulo Dalgalarrondo. Revista Brasileira de Psiquiatria, vol. 22 nº 4. São Paulo, dezembro de 2000. ISSN 1809-452X
  8. ↑ Santos, Raquel Pinheiro dos. Manoel Bomfim e Juliano Moreira: Aproximações e oposições ao racismo científico na Primeira República. São Gonçalo: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2014, p. 99.
  9. ↑ Antônio Fernandes Figueira. Fiocruz. Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz.
  10. ↑ Debates sobre assistência psiquiátrica na Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal. Por Ede C. Bispo Cerqueira. Anais do XVI Encontro Regional de História da Anpuh – Rio. Rio de Janeiro, 2014.
  11. ↑ Gustavo Kohler Riedel (1887-1934). Por Walmor J. Piccinini. História da Psiquiatria. Vol.13, nº 2, fevereiro de 2008.
  12. ↑ João Cândido (Rio Pardo, RS, 1880 – Rio de Janeiro, RJ, 1969). Museu Afro Brasil.
  13. ↑ «Silva, Daniela Roselen Galetti da. «A LOUCURA VISTA SOB A ÓTICA DA EUGENIA». UEM. VIII Congresso internacional de história: 1» (PDF)
  14. ↑ Juliano Moreira. Geledés, 21 de julho de 2009.
  15. ↑ Ir para:a b c «MOREIRA, JULIANO». Dicionário Histórico-Biográfico das ciências da saúde no Brasil. Consultado em 4 de outubro de 2023
  16. ↑ Ir para:a b «Juliano Moreira, o psiquiatra negro que revolucionou o tratamento das doenças mentais». Consultado em 4 de outubro de 2023
  17. ↑ Academia Pernambucana de Medicina. «Quadro associativo». Consultado em 4 de outubro de 2023

Ligações externas

 

Precedido por
Henrique Charles Morize
Presidente da Academia Brasileira de Ciências
1926–1929
Sucedido por
Miguel Osório de Almeida

O homem, sua trajetória e o planeta – por Rama Amaral

Crédito: DepositPhotos
Foi a partir da Conferência de Estocolmo em 1972, coordenada pela Organização das Nações Unidas, que o mundo passou a entender que seria preciso pensar sobre a vida com sentimento de preservação e sobre as ações do homem e o cuidado desta espécie com o planeta terra. Desde então, sucessivos movimentos ambientalistas pelo mundo ascenderam pela vida, bem como governos, instituições e empresas privadas comprometidas com o meio ambiente e a sustentabilidade.

Mas foi no período pré-histórico – paleolítico ou neolítico e na antiguidade, devido às necessidades do homem manter sua espécie viva, que o planeta começa a sofrer as primeiras interferências. A luta pela sobrevivência foi fundamental à vida da espécie humana, porque para se manter viva ele precisou driblar as intempéries do tempo, sobretudo contra o frio e por coleta de alimentos. Como nômade, e, às vezes, como animal feroz como outros seres vivos, elevou-se à condição de líder, a ponto de lutar contra estes para se defender das constantes ameaças. Porém, foi por meio da invenção da arte, do fogo, da confecção de ferramentas, com a invenção da agricultura e da escrita, que ele se estabeleceu como espécie dominante e predestinada a evoluir, instituindo as primeiras concepções de comunicações sociais eficazes e técnicas de domínios inteligentes, que efetivamente séculos mais tarde, algumas dessas concepções e ideias iluminadas, seriam transformadas em projetos destrutivos das espécies, revelando uma classe civilizada, diferenciada, progressista e próspera, mas perigosa, cruel e infantil.

Já instituído de descobertas, animais e membros da própria espécie domesticados, reinos ou territórios organizados, estratégias, moedas, poder e influência, o homem passa a ser o único animal político detentor de grandes e de medíocres decisões, capazes de realizar revoluções, nobres projetos, acumular grandes fortunas, ao tempo que promove mortes da própria espécie através de guerras e outros meios, além de destruição da flora e da fauna, para continuar com o progresso e o desenvolvimento, que tempos depois passam a serem a quaisquer custos, não importando os meios utilizados para impor seu domínio.

Hoje, apesar da globalização, da evolução da ciência, da nanotecnologia, da inteligência artificial, da robótica, das fórmulas, preconceitos e conceitos expostos nas redes sociais, na Internet, o homem se tornou uma espécie doentia, confusa, explosiva e fragilizada, apesar de confiar num próprio Deus que ele mesmo criou para adorar, um Deus dogmático que contracena no mesmo espaço cético e maquiavélico do darwinismo que cada vez mais se sobressai e é adaptado à lei do mais forte ou a quem melhor se camufla. Esse homem construiu saberes, criou movimentos específicos para cada seguimento da sociedade, foi capaz de criar movimentos românticos, inventar invenções essenciais para o bem do planeta e das espécies, de sonhar em habitar outro planeta, mas não foi capaz, ainda, de se humanizar e compreender a si mesmo e a respeitar fronteiras, dores, sentimentos, liberdade, , opiniões, espaços, vontades, leis, tradições, e, claro, as outras espécies e o planeta terra.

O homem, á sua ganância e ambição, se tornou escravo de ideias loucas, do dinheiro, do poder, dos laboratórios, das doenças provocadas pelos alimentos contaminados, frutos de agrotóxicos e de tecnologias de últimas gerações (alimentos processados, alimentação artificial…). O homem detentor de grandes indústrias; corporações financeiras; de imensuráveis conglomerados de mídias e latifúndios de terras, que muito explorou e explora espécies, inclusive a sua, ainda não foi capaz de saciar a própria vontade, de encontrar a tão sonhada felicidade para viver o que ele próprio destrói todos os dias, a tal paz, que ele mesmo afirma que isso é possível com boa convivência, servindo mais a quem precisa, celebrando a existência através da família, com a religião e com seu Deus, embora utilizando arquétipos, máscaras, armações, conflitos e espécies de outros deuses para seguir sua trajetória pela vida.

Ora, o homem é máquina que manipula o sistema, encena a vida e controla o mundo com suas ações! Espécie louca pelo lucro à sua infernal vaidade e necessidade! Um tipo de predador consciente de suas ações benéficas ou prejudiciais! Espécie que possui qualidades inerentes à sua brutalidade ou bons modos à sua capacidade de interpretar a convivência grupal! Porém, espécie animal que consome coliforme fecal como outros animais e procura novos habitats! Que marca território, que se entrega e faz sexo, ouvi, cheira, visualiza e se alimenta, que anda em desequilíbrio ético e moral, que desequilibra a cadeia alimentar, polui e mata gradativamente sua espécie, o planeta e outras espécies! O homem possui humanidade desumana, é hipócrita e fétido, pois cospe no solo que o sustenta! Contudo, procura consertar, ao seu jeito especial, resiliente, cômico e intrigante de ser: O MUNDO-OXIGÊNIO-ÁGUA-TERRA-VIVA O VERDE-ÁRVORE- VIDA SEMPRE RESPIRANDO: AMAR – o planeta em que ele mesmo afirma ter sido o privilegiado para viver e comandar.

Então, se o nosso meio ambiente precisa ser preservado e a partilha ser feita com justiça! O homem, que celebra as conquistas e faz espetáculo ou banaliza a morte, também precisa de cuidados! Pois vive lutando, também, por uma sobrevivência digna. Superando desafios; se reinventado, criando oportunidades e soluções. Fazendo apelos em defesa da vida. Defendendo o planeta, por um mundo em harmonia e em paz; apesar de está a todo tempo em extinção ou destruindo tudo que foi construído por Deus e pelos mistérios da sabedoria universal em milhões de anos.

*Rama Amaral é trabalhador, poeta, ambientalista e ex-membro do PAPAMEL e do Greenpeace.

IBGE: Caetité registra 645 nascimentos e 373 mortes em 2023

IBGE: Caetité registra 645 nascimentos e 373 mortes em 2023
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última sexta-feira, os dados do Registro Civil de 2023, com informações sobre nascimentos, mortes, casamentos e divórcios em todo o país.
Com uma população de 54.572 mil habitantes, a cidade de Caetité registrou, em 2023, 645 nascimentos e 373 mortes. Além disso, segundo o levantamento, foram contabilizados ao longo do ano 181 casamentos e 159 divórcios.

Para quem lembrar Paulo Jackson é um dever de memória?

Por: Joandina Maria de Carvalho e Sebastião Agnaldo Castro

Paulo Jackson Vilasboas – nasceu em (Caetité, 8 de junho de 1952 — faleceu no Morro do Chapéu, em 19 de maio de 2000) aos 48 anos de idade

A senhora Maria Gomes, professora de Matemática, quando estudou no Instituto de Educação Anísio Teixeira – IEAT, em Caetité, teve oportunidade de ser colega do menino Paulo Jackson. Ele que viria a ser um importante líder do novo sindicalismo na Bahia e um dos principais políticos baianos na última década do século passado. Ela nos ajuda a lembrar o líder baiano não apenas como político, mas como um ser humano que não pode cair no esquecimento.

Lia Garcia, como é conhecida em Mortugaba, foi colega de Paulo no ensino fundamental da época, nos anos de 1967 e 1968. Ela diz que guarda doces e saudosas lembranças. “Ele voou alto, realizou sonhos e contribuiu para o desenvolvimento de ideias”. Lamenta o fato do deputado ter nos deixado cedo, pois ainda tinha muito a fazer. Para ela, “o tempo de Deus é diferente do nosso e seus mistérios inexplicáveis à nossa compreensão. Ele cumpriu a sua missão com eficiência”.

Quem conheceu e conviveu não apenas com o Tauá, mas com o Paulo Jackson sindicalista e parlamentar comprometido com transformações sociais, com o exercício da cidadania plena e com o combate às praticas políticas mandonistas, vigentes na Bahia, tem conhecimento de que não estamos falando de um político comum. Trata-se de uma pessoa que viveu a vida com sabedoria e preocupado com um mundo melhor para todos, não apenas do ponto de vista da teoria e do discurso, mas da práxis revolucionária.

Com Paulo, as pessoas aprendiam a se organizar de verdade, desenvolvendo a conscientização no sentido das concepções de Paulo Freire e do seu conterrâneo Anísio Teixeira. A escola pública deveria desenvolver um papel fundamental. Lembrar o legado de Paulo Jackson significa se comprometer com transformações sociais e com ações do ponto de vista do mais geral e do local. Trata-se de muita labuta e peleja. Sua luta não foi fácil, mas ele venceu o bom combate.

Sabemos que os principais guardiões da memória de Paulo são seus familiares, amigos, sindicalistas e ambientalistas que se propõem a não abrirem mão de princípios e bandeiras que deram sentido a sua vida, mas isso não basta. Chegou a hora de Paulo Jackson sair do limbo e definitivamente ser inserido na história da Bahia.