Para quem lembrar Paulo Jackson é um dever de memória?
Por: Joandina Maria de Carvalho e Sebastião Agnaldo Castro

A senhora Maria Gomes, professora de Matemática, quando estudou no Instituto de Educação Anísio Teixeira – IEAT, em Caetité, teve oportunidade de ser colega do menino Paulo Jackson. Ele que viria a ser um importante líder do novo sindicalismo na Bahia e um dos principais políticos baianos na última década do século passado. Ela nos ajuda a lembrar o líder baiano não apenas como político, mas como um ser humano que não pode cair no esquecimento.
Lia Garcia, como é conhecida em Mortugaba, foi colega de Paulo no ensino fundamental da época, nos anos de 1967 e 1968. Ela diz que guarda doces e saudosas lembranças. “Ele voou alto, realizou sonhos e contribuiu para o desenvolvimento de ideias”. Lamenta o fato do deputado ter nos deixado cedo, pois ainda tinha muito a fazer. Para ela, “o tempo de Deus é diferente do nosso e seus mistérios inexplicáveis à nossa compreensão. Ele cumpriu a sua missão com eficiência”.
Quem conheceu e conviveu não apenas com o Tauá, mas com o Paulo Jackson sindicalista e parlamentar comprometido com transformações sociais, com o exercício da cidadania plena e com o combate às praticas políticas mandonistas, vigentes na Bahia, tem conhecimento de que não estamos falando de um político comum. Trata-se de uma pessoa que viveu a vida com sabedoria e preocupado com um mundo melhor para todos, não apenas do ponto de vista da teoria e do discurso, mas da práxis revolucionária.
Com Paulo, as pessoas aprendiam a se organizar de verdade, desenvolvendo a conscientização no sentido das concepções de Paulo Freire e do seu conterrâneo Anísio Teixeira. A escola pública deveria desenvolver um papel fundamental. Lembrar o legado de Paulo Jackson significa se comprometer com transformações sociais e com ações do ponto de vista do mais geral e do local. Trata-se de muita labuta e peleja. Sua luta não foi fácil, mas ele venceu o bom combate.
Sabemos que os principais guardiões da memória de Paulo são seus familiares, amigos, sindicalistas e ambientalistas que se propõem a não abrirem mão de princípios e bandeiras que deram sentido a sua vida, mas isso não basta. Chegou a hora de Paulo Jackson sair do limbo e definitivamente ser inserido na história da Bahia.


