Um adolescente de 14 anos foi apreendido pela Polícia Civil da Bahia na manhã desta terça-feira (15), na zona rural de Caculé. O jovem é investigado por envolvimento em atos infracionais análogos aos crimes de indução e auxílio ao suicídio de criança com resultado de morte, automutilação, associação criminosa e crueldade contra animais domésticos. A ação ocorreu em cumprimento a um mandado de internação provisória com prazo de 45 dias, expedido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Naviraí, em Mato Grosso do Sul.
A apreensão faz parte da Operação Lívia II, uma ofensiva de alcance nacional deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após a morte de uma jovem de 13 anos. A partir da perícia em computadores e mídias apreendidos no início de agosto, na primeira fase da operação, os investigadores mapearam novas conexões e identificaram membros ativos de redes virtuais focadas na exploração de crianças e adolescentes. Durante o cumprimento das ordens judiciais na residência do investigado em Caculé, os agentes também apreenderam dois aparelhos celulares.
Divulgação/Polícia Civil
De acordo com o coordenador da 22ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), delegado Zanderlan Fernandes, as apurações revelaram a atuação de grupos digitais ligados ao extremismo, misoginia, violência contra animais e práticas de chantagem conhecidas como “escravidão digital”. Os celulares recolhidos no interior baiano passarão por análise pericial para instruir o inquérito e ajudar na identificação de outros possíveis integrantes da rede.
Após a realização dos procedimentos legais na unidade policial, o adolescente foi colocado à disposição da Justiça para o cumprimento da medida socioeducativa. Além da Bahia e de Mato Grosso do Sul, a Operação Lívia II cumpriu mandados no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, contando com a articulação do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A Diocese de Caetité realizou, neste sábado (12), no Centro Pastoral Diocesano São Joaquim, em Caetité, o Encontro Diocesano da Pastoral da Comunicação (Pascom). O evento reuniu mais de 60 agentes da comunicação de 34 paróquias, fortalecendo a integração, a partilha de experiências e a missão de comunicar o Evangelho.
A inteligência artificial e os desafios para a comunicação católica foi o tema central do encontro, que teve início com oração conduzida pelo Pe. Paulo Henrique Neves de Souza, assessor espiritual da Pascom Diocesana, seguida da apresentação dos participantes.
A formação contou com a assessoria do Pe. Igor Gonçalves, assistente eclesiástico da Pascom da Diocese de Camaçari (BA) e professor da Universidade Católica do Salvador (UCSAL). O padre iniciou a apresentação questionando os participantes como utilizar a inteligência artificial sem perder a inteligência do Evangelho. Destacou que o uso da IA pode ser benéfica para a igreja se usada dentro de um contexto e desde que não se perca a identidade local e paroquial.
“A IA generativa não sabe nada sobre Caetité. Ela não conhece Dom Carvalho, não conhece os padres, nunca entrou na Matriz. Ela funciona por recomposição de padrões: aprendeu, a partir de milhões de imagens da internet, ‘o que costuma aparecer’ quando alguém digita ‘bispo’, ‘igreja’ ou ‘ostensório’, e monta uma média estatística disso”, explicou.
A Bahia deu um verdadeiro show nas celebrações do centenário da passagem da Coluna Prestes por seus sertões. Neste mês de setembro de 2026, universidade, escolas, prefeituras, pesquisadores, artistas, estudantes, comunicadores e comunidades transformaram a memória histórica em uma experiência viva. Vitória da Conquista, Condeúba, Cordeiros, Mortugaba e Jacaraci receberam Luiz Carlos Prestes Filho e promoveram encontros que ultrapassaram o formato convencional das solenidades. Foram rodas de conversa, palestras, apresentações musicais, visitas a lugares de memória, feira de artesanato, encontros com estudantes e transmissões pelas redes sociais. Em vez de confinar a História aos livros, a Bahia a devolveu ao território e ao povo.
Em Vitória da Conquista, no dia 9 de setembro, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia abriu essa jornada regional com a roda de conversa “A Coluna Prestes nos Sertões Baianos”, realizada no Auditório 1 do Módulo Luizão. O encontro reuniu Luiz Carlos Prestes Filho, professores, pesquisadores, estudantes e representantes da comunidade, numa parceria que envolveu o Colegiado do Curso de História, o Departamento de História, o ProfHistória e o LEDISAR. A atividade, também transmitida e disponibilizada em vídeo, demonstrou o papel que uma universidade pública deve desempenhar: produzir conhecimento, dialogar com a sociedade e contribuir para que a memória regional seja reconhecida como parte da História do Brasil.
Em seguida, a memória caminhou novamente pelos sertões. Cordeiros recebeu Luiz Carlos Prestes Filho em uma programação promovida pela Coordenação Municipal de Cultura, marcada pelo encontro com a história local e pela aproximação entre memória e educação. Em Mortugaba, no dia 14, estudantes, professores, profissionais da educação, autoridades e moradores participaram de uma manhã de conversa e aprendizado sobre a passagem dos revoltosos pela região. As imagens divulgadas mostram algo muito significativo: jovens diante de um personagem que carrega não somente o nome de Prestes, mas também décadas de trabalho dedicado à preservação dessa história. Foi a História saindo das salas especializadas e chegando aos estudantes, às comunidades e às novas gerações.
Condeúba, entretanto, tornou-se o coração simbólico dessas celebrações. Entre os dias 10 e 12 de setembro, a cidade recebeu Luiz Carlos Prestes Filho e realizou palestras, encontros com estudantes, visitas a espaços históricos, feira da economia criativa, apresentações musicais e diálogos com artesãos e moradores. No antigo Paço Municipal, utilizado pelo Estado-Maior da Coluna como quartel-general em abril de 1926, continuam preservadas as inscrições atribuídas a Siqueira Campos. Foi nesse lugar carregado de memória que participei, ao lado de Luiz Carlos Prestes Filho, Joandina Maria de Carvalho, Elton Soares de Oliveira e do prefeito Micael Silveira, da mesa de encerramento sobre a Coluna Prestes em Condeúba e no Norte de Minas Gerais. A transmissão realizada por Gilmar Garcia e a cobertura do Jornal Folha de Condeúba permitiram que a celebração alcançasse um público muito maior.
Essa movimentação ultrapassou os espaços onde as atividades presenciais foram realizadas. Convites, vídeos, transmissões, reportagens e publicações circularam intensamente pelas redes sociais, portais de notícias e meios de comunicação do sudoeste baiano. A cobertura do Jornal Folha de Condeúba, as transmissões audiovisuais e as divulgações feitas por instituições, gestores culturais, educadores e participantes permitiram que o centenário alcançasse um público muito maior. Formou-se, assim, uma verdadeira rede territorial de memória, unindo municípios e comunidades que, durante muito tempo, conservaram separadamente lembranças de um mesmo acontecimento histórico.
Tudo isso começou a ganhar corpo com a audiência pública requerida pelo deputado estadual Leleco Pimentel (PT/MG) e realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, no dia 14 de abril de 2026. A partir daquele momento, integramos as celebrações realizadas no Alto Rio Pardo às iniciativas das colegas escritoras baianas Joandina Maria de Carvalho e Fátima Mariani. O encontro entre pesquisadores de Minas Gerais e da Bahia permitiu perceber que as fronteiras administrativas não poderiam continuar separando uma história que, em 1926, foi construída por caminhos contínuos. A Coluna passou por Condeúba antes de entrar no Alto Rio Pardo, entre 15 e 18 de abril daquele ano. Cem anos depois, refizemos o percurso em sentido inverso: levamos à Bahia o livro A Coluna Prestes nos Gerais de Minas, nossas pesquisas e as experiências das celebrações mineiras; e recebemos das colegas baianas documentos, narrativas, lugares de memória e a força mobilizadora de quem conhece e ama o próprio território.
A Bahia deu um show porque não realizou apenas homenagens protocolares. Fez pesquisa, educação, cultura, música, comunicação e participação popular. Mostrou que a História Pública acontece quando a universidade abre suas portas, a escola leva seus jovens, a imprensa registra, os artistas interpretam, o poder público apoia e a comunidade se reconhece como sujeito da própria trajetória. A maior homenagem à Coluna Prestes não é transformar seus integrantes em personagens imóveis do passado, mas compreender as perguntas que sua marcha ainda nos dirige: que Brasil construímos, quem participa das decisões nacionais e até quando permitiremos que o povo assista à própria História sem tomar parte nela? Em setembro de 2026, o sudoeste baiano respondeu de maneira exemplar: memória também é consciência, pertencimento e luta pelo direito de sermos senhores da nossa própria história.
Levon Nascimento é professor de História na rede estadual de ensino de Minas Gerais, em Taiobeiras; mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas pela FLACSO e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo Centro Universitário Dom Helder. Pesquisar e autor de vários livros.
Pediram pro Padre Matheus Abençoar um pedaço de chão Uma moça desenganada Pra livrar “das ilusão” Com o peito cheio de dor E a vida na escuridão
Trouxeram pra ele um rosário Na fé de afastar as maldades Um bocado de reza forte Pra dar trégua e passagem E uma pedra cheia de luz Pra dar vigor e coragem.
O padre não se aperreou Nem se fez irritar Deu bença a quem era da terra Sem nadinha recusar Oxente, atendeu a toda gente Que veio tudo que é bença buscar!
Avisou: “Não sou milagreiro Não venha com essa ideia não! Não faço o doente que acama Levantar de sobressaltão Nem mudo o tempero da janta Pra fazer virar tudo bom.”
E completou o Padre Matheus Sem frescura e sem engano: “A bença que guarda o peito E a alma do povo guia É a força pura do perdão Que cura qualquer agonia!”
“Não é acenar pra lá e pra cá Nem mexer a mão pro ar O negócio é limpar a mágoa Pra vida recomeçar Que o perdão é o maior dengo Que a gente pode se dar!
Flávio Dino, que pediu vista, tem 90 dias para devolver a questão
Agência BrasilFoto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão desta terça-feira (15) sem definir se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Pelas regras internas da Corte, o ministro Flávio Dino, que pediu vista do caso, tem prazo de 90 dias para devolver a questão para julgamento.
O impasse entre os ministros ocorreu pela discordância sobre o rito que seria adotado no julgamento. Inicialmente, somente o caso de Moraes foi pautado pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A análise das suspeitas contra André Mendonça estava marcada para a sessão do dia 23 de setembro.
Durante a sessão, os ministros ligados à ala de Moraes defenderam que a relação com Vorcaro deveria ser analisada em conjunto com as supostas irregularidades atribuídas ao ministro André Mendonça, antigo relator do caso, ao solicitar ao plenário a investigação.
Pelo entendimento, o mesmo rito deveria ser adotado nos dois casos. Dessa forma, o ministro Gilmar Mendes levantou uma questão de ordem para incluir a análise das supostas irregularidades contra André Mendonça.
A questão foi colocada em julgamento, mas não chegou a ser finalizada porque Dino pediu vista do processo após o bate-boca entre Gilmar Mendes e Mendonça. O placar parcial ficou em 4 votos a 3.
Mendonça
O ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, é acusado por Alexandre de Moraes de atuar de forma parcial na condução das investigações para incriminá-lo.
Além disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) diz que Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da apuração sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.
No entendimento da procuradoria, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.
Moraes
O caso Moraes veio à tona no dia 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal e encaminhou as conversas para Fachin.
A investigação aponta que Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com número atribuído a Alexandre de Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado.
Tricolor perde do Platense por 2 a 1, mas avança pelo placar agregado
Repórter da EBCFoto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC
O Fluminense é o primeiro classificado às semifinais da Libertadores. O Tricolor se garantiu nesta terça-feira (15), mesmo com a derrota por 2 a 1 para o Platense no Coliseo de Victoria, em Vicente López, região metropolitana de Buenos Aires.
A equipe brasileira se beneficiou da vitória por 2 a 0 sobre os argentinos na partida de ida, há uma semana, no Maracanã. Na soma dos placares, 3 a 2 para o time carioca.
Esta é a terceira vez que o Fluminense se coloca entre os quatro principais clubes da América do Sul. Em 2008 e 2023, o Tricolor também foi à decisão, sendo campeão na edição de três anos atrás.
O adversário nas semifinais sai nesta quarta-feira (16), no duelo entre LDU e Palmeiras, que se enfrentam no Estádio Casa Blanca, na capital equatoriana Quito, a partir das 19h (horário de Brasília). O Verdão tem a vantagem do empate, pois venceu a partida de ida, uma semana antes, por 1 a 0 no Nubank Parque, em São Paulo.
Se na última terça-feira (9) o Fluminense construiu a vitória no primeiro tempo, o Platense necessitou dos mesmos 45 minutos iniciais para igualar o placar agregado. O time da casa acuou o Tricolor na defesa e obrigou o goleiro Fábio a trabalhar. Aos 24, o goleiro fez grande defesa após uma cabeçada do zagueiro Ignacio Vázquez, no canto.
Cinco minutos depois, Fábio nada pôde fazer. Na sobra de uma tentativa de drible que esbarrou no zagueiro Julián Millán, o meia Guido Mainero chutou quase da marca do pênalti, a bola desviou no volante Hércules e saiu do alcance do arqueiro da equipe carioca, abrindo o marcador.
Nos acréscimos, Mainero cruzou pela direita e o atacante Bruno Sepúlveda apareceu às costas do zagueiro Thiago Silva para fazer, de cabeça, o segundo do Platense, deixando tudo igual na soma dos placares. Se a partida acabasse naquele momento, a decisão seria nos pênaltis.
A partida ficou mais brigada no segundo tempo. O Fluminense, que pouco conseguiu sair para jogar na etapa inicial, encontrou mais espaços. Aos 11 minutos, veio o respiro. Em contra-ataque, o volante Martinelli acionou Hulk, que abriu para o também atacante Agustín Canobbio na esquerda. O uruguaio entrou na área, driblou Vázquez e bateu cruzado, deixando o Tricolor novamente à frente no agregado.
Precisando do terceiro gol para forçar os pênaltis, o Platense se lançou com tudo ao ataque. Aos 36 minutos, Fábio brilhou novamente ao defender uma cabeçada forte de Vázquez. O time argentino empilhou bolas na área, mas a equipe brasileira conteve a pressão e garantiu a classificação.