O centenário da passagem da Coluna Prestes por Condeúba: entrevista com a Profa. Joandina Maria de Carvalho

O ano de 2026, mais especificamente no décimo quinto dia do mês de abril, marca um desses momentos, que muito toca o município de Condeúba, na Bahia, e região. É o centenário da passagem da Coluna Prestes por esta terra, evento dos mais impactantes e simbólicos nela já ocorridos.
Há aqueles como a professora, escritora e mestre em História pela FGV (2007), Joandina Maria de Carvalho, que tomaram pra si a responsabilidade de fazer com que o tema e também sua efeméride não passem em branco. Nesse contexto, realizei, no final de fevereiro e início de março últimos, uma entrevista por meio virtual com a pesquisadora. Joandina respondeu a dez questionamentos cujo mote é justamente a associação da Coluna Prestes com o município de Condeúba.
Publicada agora, no alvorecer do quarto mês do ano, ajuda a demarcar a contagem regressiva para o aniversário de um momento marcante para todo o sudoeste baiano e além.
Sem mais delongas, a entrevista…
TEMA: A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES POR CONDEÚBA
Pergunta 1: Como o tema está presente em sua trajetória acadêmica e intelectual?
Resposta 1: O tema da Coluna Prestes está presente na minha vida como tema que estudei na graduação e especialização em História do Brasil. Entretanto, em nenhum momento, eu estudei apenas a Coluna Prestes.
Pergunta 2: O que te levou a estudar e escrever sobre ele?
Resposta 2: A motivação inicial para estudar o tema veio da curiosidade que sempre tive para interpretar memórias contadas por minha avó paterna.
Pergunta 3: Considerando uma pessoa leiga no assunto, como descreveria, sucintamente, a Coluna Prestes e o contexto em que passou por Condeúba (BA)?
Resposta 3: Eu não falo apenas com uma pessoa leiga. Precisamos ter cuidado com isso. Como é um tema importante cujas memórias estão diluídas, a importância histórica do tema pode ser
diminuída por pessoas que dizem saber tudo. Isso é muito comum em Condeúba.
Sugiro que façamos reflexões e estudos durante esse ano do centenário para depois respondermos a essa pergunta importante. Não é possível uma resposta de maneira sucinta. Precisamos ler e reler Coluna Prestes em Condeúba e Coluna Prestes nos Gerais de Minas, para que em breve possamos produzir novos textos sobre o tema.
Pergunta 4: Qual foi o impacto, importância e as consequências da passagem da Coluna Prestes por Condeúba (BA)?
Resposta 4: A Coluna Prestes impactou tanto a vida das pessoas em Condeúba que muitos fatos passaram a ser delimitados pelo ano de 1926. Fátima, filha de dona Lizete, que faleceu recentemente conta que todos os anos, a mãe lembrava exatamente os dias, mês e ano em que a revolta passou pela cidade.
Quanto a consequências eu lamento profundamente que o tema não tenha sido estudado pelos profissionais de História, o que poderia ter elucidado fatos e ajudado as pessoas a compreenderem muitos aspectos da Bahia e do Brasil, no contexto histórico da década de 1920. O não investimento em História continua sendo um problema. A passagem da Coluna Prestes por Condeúba é um tema importante.
“A Coluna Prestes impactou tanto a vida das pessoas em Condeúba que muitos fatos passaram a ser delimitados pelo ano de 1926.”
Pergunta 5: Na sua opinião, por que é importante relembrar esse momento?
Resposta 5: Lembrar é um dever de memória. Se esse tema está na vida das pessoas como algo vivo é porque precisa ser lembrado. A história pode contribuir para transformações necessárias.
Pergunta 6: Nestes 100 anos, desde a passagem da Coluna por Condeúba (BA), como a memória sobre o evento permaneceu e como tem sido tratada?
Resposta 6: Infelizmente, o evento é considerado por muitas pessoas como um passado morto. Felizmente, iniciativas como o do seu blog, a publicação do livro Coluna Prestes em Condeúba e a
disposição de algumas pessoas em refletir sobre o tema são novidades importantes.
Pergunta 7: Houve (ou há) equívocos nessa memória, e também na história, sobre este evento?
Resposta 7: Existem muitos equívocos e problemas relacionados à questão da Coluna Prestes em Condeúba, problemas esses que merecem reflexões importantes.
Pergunta 8: Alguma coisa te impressiona e/ou surpreende no assunto?
Resposta 8: Sim. Muitas. O que mais me chama a atenção é o fato das pessoas se acomodarem e não pensarem a História como uma ciência que pode contribuir para transformações sociais necessárias.
“Lembrar é um dever de memória. Se esse tema está na vida das pessoas como algo vivo é porque precisa ser lembrado.”
Pergunta 9: Há algo que ainda não foi estudado sobre a passagem da Coluna Prestes em Condeúba (BA), isto é, qual o “estado da arte” deste tema?
Resposta 9: Um tema importante como a Coluna Prestes em Condeúba está sempre aberto para
novas reflexões e estudos. Entendo que uma nova pesquisa pode sistematizar melhor o que já foi
estudado, lembrando que existe uma bibliografia vasta sobre o tema.
Pergunta 10: Na sua opinião, como seria uma comemoração bem celebrada deste centenário?
Resposta 10: Entendo que Condeúba pode estar na vanguarda dessas comemorações. Juntos com o professor Levon Nascimento, de Taiobeiras, cidade do norte de Minas Gerais, podemos convidar as pessoas para reflexões sobre o tema e para ações tendo em vista possíveis transformações sociais.
Não se pode falar sobre a Coluna Prestes em Condeúba sem referência ao norte de Minas Gerais. Conforme Jorge Amado em O Cavaleiro da Esperança, “Prestes reingressa em território baiano pelo município de Condeúba, onde havia passado na descida”.
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Agradeço à professora Joandina Maria de Carvalho por ter me concedido a entrevista.
Correntina, Bahia, Brasil. 1.o
de abril de 2026.
G. S.
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PUBLICADO ORIGINALMENTE EM:
https://oblogpercurso.blogspot.com/2026/04/o-centenario-da-passagem-da-coluna.html
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