Dia: 7 de Outubro, 2026

Congresso terá sete em cada dez parlamentares contra agenda ambiental

Conclusão é de análise feita pelo Observatório do Clima
Agência BrasilBrasília (DF), 02/09/2026 – Floresta Amazônica conservada em Caracaraí (RR) - Floresta Amazônica conservada em CaracaraíFoto: Fabíola Sinimbú/Agência BrasilFoto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
A partir de 2027, senadores e deputados federais que assumem para compor a 58ª Legislatura (2027-2031) trabalharão distantes da agenda ambiental e climática. Na nova composição, sete em cada dez parlamentares são contra a agenda socioambiental.

A conclusão é de análise feita pelo Observatório do Clima sobre o índice de convergência ambiental, que mede o alinhamento da atuação e os votos dos congressistas com a pauta de clima e meio ambiente.

A metodologia do Instituto Democracia e Sustentabilidade adota quatro faixas para a medição conforme o percentual de alinhamento: muito baixa (0 a 25%), baixa (26 a 50%), boa (51 a 69%) e muito boa (70 a 100%).

Com os novos eleitos, o índice de convergência nas duas Casas do Congresso Nacional é 68,9% baixo ou muito baixo. Na faixa muito baixa, são 201 (33,8%) congressistas e na faixa baixa aparecem 208 (35%).

Nas faixas alinhadas às pautas de clima e socioambiental 52 (8,75%), parlamentares foram classificados na faixa boa e outros 133 (22,4%), muito boa.

A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, avalia que esse cenário colocar em risco parte importante da proteção ambiental do país, com possíveis retrocessos como o enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais, a anistia a grileiros e a diminuição da proteção às florestas e biomas brasileiros.

Senado

Apenas no Senado, o índice é 79%, baixo ou muito baixo, com 64 dos 81 senadores da próxima legislatura com pouquíssimo ou nenhum alinhamento às pautas como iniciativas de conservação, enfrentamento das mudanças climáticas e adaptação das cidades, por exemplo.

Apenas 17 senadores, o equivalente a 21%, estão nas faixas boa ou muito boa de convergência, sendo 12 (14,8%) na faixa boa e apenas 5 (6,1%) na faixa muito boa.

Na comparação com a legislatura que encerrará este ano, o Senado aumentou o distanciamento das pautas ambientais, crescendo de 58 (71,6%) para 64 (79%) dos senadores com índice de convergência ambiental baixo ou muito baixo.

Câmara

Dos 513 parlamentares que integrarão a Câmara dos Deputados, 67,3% estão nas faixas baixa ou muito baixa, somando um total de 345 deputados e deputadas federais. Estão na faixa boa 40 (7,8%) e muito boa 128 (25%).

Na avaliação do Observatório do Clima, a piora decorre do crescimento de partidos de extrema direita nas Casas, que historicamente apresentam convergência ambiental muito baixa.

O Partido Liberal (PL), por exemplo, passou de 15 para 28 cadeiras (34,6%) no Senado e de 98 para 121 deputados federais (23,6%) na Câmara.

“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática”, destaca Suely Araújo.

Metodologia

Além da plataforma Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, a análise fez uso de fontes oficiais como Câmara, Senado, assembleias legislativas e governos para classificação de parlamentares eleitos ainda sem classificação no índice de convergência ambiental.

MPBA apura fraudes em diárias, frota e combustíveis na Câmara de Ibicoara

MPBA apura fraudes em diárias, frota e combustíveis na Câmara de Ibicoara

A Promotoria de Justiça de Barra da Estiva oficializou a instauração do Inquérito Civil nº 020.9.440315/2025 para apurar um conjunto de supostas irregularidades administrativas e financeiras no âmbito da Câmara Municipal de Ibicoara, na Chapada Diamantina. De acordo com documento publicado nesta segunda-feira (05), a portaria foi assinada pela promotora de Justiça em substituição, Maria Salete Jued Moysés, e estabelece o aprofundamento das investigações sobre o uso de recursos públicos na Casa Legislativa.

A apuração do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) concentra-se em quatro eixos principais. O primeiro investiga a concessão e o pagamento de diárias a vereadores e servidores durante o exercício de 2025 sem a devida motivação ou comprovação de interesse público, incluindo liberações efetuadas no período de recesso parlamentar. O órgão fiscalizador também apura a execução dos contratos de locação de veículos com motorista firmados com a empresa Porto Silva Empreendimentos Ltda (Contratos nº 014/2022, 012/2023 e 010/2024), checando a efetiva prestação dos serviços, a ocorrência de sobreposição contratual e a fiscalização do ajuste.

Além do pente-fino nas diárias e nos serviços de transporte, o inquérito abrange a verificação de todas as despesas com combustíveis realizadas pelo Legislativo no exercício de 2025. O MP-BA também analisa a idoneidade da documentação oficial encaminhada pela própria Câmara Municipal ao órgão ministerial no decorrer das apurações preliminares, buscando identificar eventuais lesões ao erário e as respectivas responsabilidades dos envolvidos.

Fabrício Abrantes celebra Dia do Prefeito e afirma seguir trabalhando para transformar Brumado

Fabrício Abrantes celebra Dia do Prefeito e afirma seguir trabalhando para transformar Brumado
 O prefeito de Brumado, Fabrício Abrantes – Foto: Divulgação

Nesta terça-feira (6 de outubro), data em que foi celebrado o Dia do Prefeito, o prefeito de Brumado, Fabrício Abrantes, publicou uma mensagem destacando o significado de estar à frente da administração municipal e reafirmando seu compromisso com a população.

Na mensagem, o gestor afirmou que assumir a Prefeitura de Brumado representa a realização de um propósito e destacou a oportunidade de trabalhar diretamente pela transformação da vida dos moradores do município.

“Hoje, estou vivendo a totalidade de uma promessa: ser prefeito de Brumado e ter a oportunidade de transformar a vida do meu povo. 

É Deus permitindo que eu viva esse propósito todos os dias, trabalhando de domingo a domingo, com diálogo, dedicação, parcerias e, acima de tudo, muita fé.

E enquanto Deus me der forças, seguirei fazendo o meu melhor, trabalhando e lutando pela nossa cidade. Porque quando a gente tem fé, propósito e vontade de fazer acontecer, os sonhos começam a se tornar realidade”, declarou Fabrício Abrantes.

Ao longo da mensagem, o prefeito também ressaltou a importância da fé e da dedicação no exercício do cargo público, reforçando a disposição de continuar trabalhando pelo município.

Kassio Nunes Marques avalia decidir sobre liberdade de Jair Bolsonaro após o 2º turno

Kassio Nunes Marques avalia decidir sobre liberdade de Jair Bolsonaro após o 2º turno
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) – Foto: Carlos Moura/STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem indicado a interlocutores a intenção de emitir uma decisão sobre o pedido de revisão criminal feito pela defesa de Jair Bolsonaro logo após a conclusão do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A medida pode envolver a análise do mérito ou até mesmo a concessão de uma liminar para garantir a libertação do ex-presidente enquanto a questão não é avaliada de forma definitiva pelo plenário da Corte. De acordo com informações reveladas pela Folha de S.Paulo, o magistrado avalia que o julgamento do processo sofreu com “exageros”, independentemente do resultado final das urnas.

No pedido apresentado ao STF, a defesa do ex-presidente busca a anulação da condenação a 27 anos e três meses de prisão relacionada à trama golpista. Os advogados sustentam ter havido cerceamento de defesa, erro no Judiciário, falta de individualização das condutas dos réus e prejuízos ao amplo direito de defesa. Além disso, questionam o fato de a ação ter sido julgada na Primeira Turma do STF, defendendo que o foro adequado para o julgamento deveria ter sido o plenário do Tribunal.

Entre os argumentos técnicos anexados ao processo, a defesa alega inconsistências na coleta e preservação de provas digitais, como mensagens extraídas de telefones celulares, afirmando que a falta de arquivos originais inviabiliza auditorias sobre a integridade do material. Kassio Nunes Marques, que também atua como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria confidenciado a auxiliares que o processo já está pronto para ser analisado, mas que optou por segurar a tramitação no momento para evitar interpretações de interferência direta no processo eleitoral em curso.

Ainda segundo os relatos, o ministro considera que houve rigor excessivo na pena imposta a Bolsonaro e falhas no cumprimento de garantias constitucionais durante o processo. Kassio antevê que uma decisão individual ou o seu voto sobre o tema tem potencial para provocar forte impacto e comoção nacional, dado o volume de pontos contundentes apresentados pela defesa contra a condução da ação penal.

Enquanto a anulação ou revisão formal do processo exige o aval do plenário do Supremo Tribunal Federal, uma eventual liminar determinando a soltura imediata do ex-presidente poderia ser aplicada de forma monocrática e ter efeito imediato até o julgamento definitivo. O desfecho acompanha de perto as articulações da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que projeta a participação do pai no cenário político caso saia vitorioso das urnas, antecedendo até mesmo a promessa de concessão de um indulto presidencial.

Eleições 2026: Jerônimo Rodrigues venceu em 376 dos 417 municípios baianos

Eleições 2026: Jerônimo Rodrigues venceu em 376 dos 417 municípios baianos
O governador Jerônimo Rodrigues (PT)

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) consolidou a sua reeleição na Bahia ainda no primeiro turno ao alcançar 55,80% dos votos válidos, superando o seu principal adversário, ACM Neto (União), que registrou 43,72% do eleitorado. De acordo com o Bahia Notícias, parceiro do Achei Sudoeste, em uma votação marcada pelo amplo domínio no interior do estado, o petista liderou em 376 dos 417 municípios baianos, abrindo uma vantagem total de 12,08 pontos percentuais sobre o opositor.

A vitória do campo governista foi impulsionada pela forte presença na base municipalista. Dos 346 municípios cujos prefeitos apoiavam abertamente a candidatura de Jerônimo, o governador foi superado em apenas 19. Entre as exceções estão cidades como Itapetinga, Prado, Camamu e Canavieiras, além de polos regionais com grande eleitorado, a exemplo de Camaçari, Eunápolis, Itabuna e Teixeira de Freitas, onde ACM Neto garantiu a preferência nas urnas. O ex-prefeito de Salvador obteve seus desempenhos mais expressivos em Luís Eduardo Magalhães (72,17%), Itabela (63,27%) e Itamaraju (61,58%).

Por outro lado, Jerônimo obteve votações maciças em redutos do interior, registrando marcas como 85,88% em Ribeira do Amparo, 84,54% em Caetanos e 82,43% em Itaju da Colônia. Além disso, o petista mostrou avanço significativo na capital baiana: enquanto no segundo turno de 2022 ACM Neto havia obtido 64,51% dos votos em Salvador contra 35,49% do governador, o cenário atual mostrou um crescimento de quase 30% na performance de Jerônimo na cidade, que alcançou 44,51% ante 54,32% do ex-prefeito.

O resultado também revelou fragilidades na transferência de votos da oposição no interior. Dos 53 prefeitos que declararam apoio a ACM Neto, apenas 20 conseguiram converter a liderança local em vitória para o candidato do União Brasil. Cidades governadas pela oposição, como Morro do Chapéu, Senhor do Bonfim, Xique-Xique e Santo Estêvão, acabaram dando maioria a Jerônimo, que também venceu em grandes colégios eleitorais como Candeias, Simões Filho, Dias d’Ávila, Cruz das Almas e Mata de São João.

Governo inclui 82 empregadores na lista suja do trabalho escravo

Criação de bovinos e trabalho doméstico tiveram mais flagrantes
Agência BrasilTrabalho escravoFoto: MDHC/Divulgação
O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu 82 empregadores na “lista suja” do trabalho escravo, nome pelo qual ficou conhecido o cadastro de empregadores  que expõe empresas e pessoas físicas flagradas em fiscalizações de órgãos públicos competentes mantendo trabalhadores nestas condições. 

Na atualização feita neta terça-feira (06) foram incluídas 54 pessoas físicas e 28 pessoas jurídicas, o que resultou em 553 trabalhadores libertados.

As ocorrências têm natureza de atividades e quantidades de trabalhadores libertados diferentes, indo de registros de um único trabalhador libertado, geralmente de serviços domésticos, para atividades com mais de 50 trabalhadores, como no caso dos 54 trabalhadores libertados no Garimpo Filão dos Abacaxis, em Maués, Amazonas, em fiscalizações nos anos de 2024 e 2025. 

Redução

Mesmo com grupos consideráveis de trabalhadores libertados, as inclusões desta atualização caíram 51,48% com relação à anterior, feita em abril de 2026. Segundo o ministério a atualização de outubro de 2026 inclui registros distribuídos por 21 unidades da Federação. Entre as atividades econômicas com maior número de flagrantes estão:

  • Criação de bovinos para corte (8) 
  • Serviços domésticos (7) 
  • Produção de carvão vegetal (6) 
  • Produção de café (6)
  • Construção de edifícios (5).

Cadastro

Segundo o MTE, o Cadastro existe para dar transparência aos atos administrativos decorrentes das ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão realizadas por Auditores-Fiscais do Trabalho do Ministério e contam com a participação de integrantes da Polícia Federal, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União e, eventualmente, de outras forças policiais.

Cada auto de infração, ocorrido nas fiscalizações dá origem a um processo administrativo no qual os autuados têm acesso às garantias processuais previstas na Constituição, incluindo o contraditório e a ampla defesa. Após a conclusão ocorre a inclusão na Lista Suja.

Desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores e trabalhadoras foram resgatados de condições de trabalho análogas à escravidão, e mais de R$ 171 milhões foram recebidos pelos trabalhadores.

Denúncias

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo Sistema Ipê, lançado em 15 de maio de 2020 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Representação de parlamentares negros segue baixa, diz pesquisadora

Número de pretos e pardos na Câmara cai de 139 para 135

Agência BrasilPlenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à deliberação de vetosFoto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A redução no número de parlamentares pardos e pretos de 139 para 135 na Câmara dos Deputados tem um significado que vai além dos números, para a cientista política Evelyn Apolinária.

Segundo a pesquisadora e professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), o dado mais relevante não é a perda de quatro cadeiras, mas sim a sub-representação persistente. 

“Os negros são cerca de metade das candidaturas à Câmara e pouco mais da metade da população, mas ocupam pouco mais de 25% das cadeiras”, lamentou Evelyn.

Dos 135 pretos e pardos eleitos neste domingo (4), 77 foram reeleitos. Ela considera que os recursos de campanha, o acesso ao financiamento e as estruturas partidárias seguem desiguais.

“As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não bastaram para reduzir essa distância”, aponta. 

Racismo

A agremiação partidária que mais elegeu parlamentares negros foi a federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas, com 32 cadeiras ou 23,7% do total.

Doutoranda na Universidade de Brasília (UnB), Evelyn Apolinária pontua que a representação de raça não garante unicidade na agenda legislativa no que diz respeito ao racismo.

 “O número de parlamentares negros não diz, por si só, nada sobre a orientação ideológica de cada um. Apenas a representação por raça e cor não garante uma agenda una e coesa nessa questão.” 

A pesquisadora contextualiza que, na literatura acadêmica sobre representação, a presença de um grupo não garante a defesa dos seus interesses, que podem ser, inclusive, variados.

“A atuação antirracista no Legislativo costuma se concentrar em partidos de esquerda e centro-esquerda”. 

Congresso à direita

Na avaliação dela, o Congresso mais deslocado à direita tende a reduzir a agenda de novos projetos de combate ao racismo ou de ampliação de políticas afirmativas e orçamento para a pasta da igualdade racial. 

Haveria fatores, segundo ela, que contribuiriam com a incerteza do que deve ser a produção desses parlamentares em relação ao tema da igualdade racial. Isso inclui, por exemplo, o resultado do segundo turno presidencial, que deve definir a relação do Executivo com o Legislativo. 

Outro fator que importaria nesse cenário seria o papel da bancada negra e da presença no colégio de líderes, que pode ajudar a manter esses temas na agenda mesmo com uma maioria não tão favorável.

“Eu falaria em risco de menor prioridade e de maior conflito, não em ausência garantida de pautas”, diz a pesquisadora.