Casa de Litro – Paciência e Inventividade

No interior da Bahia, na cidade de Condeúba, o aposentado Jesuíno Vieira de Lima, de 69 anos, transformou a paciência e a inventividade em uma obra arquitetônica singular. Conhecido na região pelo apelido de Negoinho, ele dedicou seis anos da sua vida para erguer com as próprias mãos a sua residência, batizada popularmente como “Casa de Litro”.
| “ | “A ideia de usar garrafas de vidro como matéria-prima principal surgiu de forma despretensiosa, quando o ex-pedreiro decidiu construir uma entrada diferente para a sua propriedade. O projeto inicial se expandiu para toda a estrutura, resultando em uma estimativa de 145 mil garrafas assentadas — uma média de mais de 200 unidades por metro quadrado.” |
Durante o período de construção, Jesuíno percorreu diversos municípios baianos como Guajeru, Piripá, Cordeiros e zonas rurais vizinhas para recolher o material. Aproveitando as viagens que fazia a trabalho para os Correios, transportava sacos cheios de garrafas no porta-malas de seu veículo. Com o tempo, a própria comunidade local, que inicialmente o chamava de “doido”, passou a apoiar a empreitada e a deixar sacos de garrafas na sua porta.

| “ | “Eu não sabia se iria aguentar, se iria dar certo ou se iria conseguir terminar. A cabeça ficava uma bola de neve, mas botei a ideia na cabeça e fiz.” – Jesuíno Vieira de Lima. |
Embora o nome popular remeta genericamente aos “litros”, a maioria esmagadora dos recipientes utilizados tem uma origem bem específica: garrafas de conhaque e da bebida amarga “Paratudo”. Segundo o proprietário, a escolha reflete o consumo da região décadas atrás, quando a falta de energia elétrica e de geladeiras na zona rural tornava esse tipo de bebida destilada mais comum do que a cerveja.

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“Ex-trabalhador da construção civil em São Paulo e ex-prestador de serviços dos Correios, Seu Jesuíno hoje divide o tempo entre o descanso merecido, o transporte escolar rural que gerencia com os filhos e o espaço da casa, utilizado principalmente para reuniões de família aos finais de semana e lazer na piscina.” |
Casado com Dona Alminda, pai de três filhos e avô, Negoinho deixou marcado na sua casa não apenas garrafas, mas a perseverança.

Fonte: Catetear


