Prefeito de Medina interior de Minas fecha praça com arame farpado para evitar aglomeração de idosos

Município de Medina tem cerca de 21 mil habitantes e está com 15 casos confirmados da Covid-19. Prefeito afirma que a maior preocupação é com os idosos e a medida foi necessária porque eles permaneciam sentados na praça durante o dia.

Por Marina Pereira, G1 Grande Minas

Arame foi colocado ao redor da praça para evitar aglomeração — Foto: Ascom/Prefeitura

O avanço do coronavírus pelo interior de Minas tem preocupado as autoridades. Em Medina, no Vale do Jequitinhonha, o prefeito decidiu cercar a principal praça da cidade com arame farpado para evitar aglomeração de idosos. Com cerca de 21 mil habitantes, o município já tem 15 casos confirmados da doença.

O prefeito Evaldo Lúcio Peixoto explicou ao G1 que já havia passado uma tinta à base de cal nos bancos e mesmo assim, os idosos davam um jeito de sentarem.

“Eles pegavam folha de jornal e papelão, colocam no banco e sentavam. Como vi que não tinha jeito, decidi colocar arame farpado perto dos bancos e resolveu o problema. Ninguém vai querer sentar em cima de arame farpado. Colocamos fita de isolamento e folhetos informativos com orientações”.

Praça Max Machado fica no Centro de Medina — Foto: Ascom/Prefeitura

No município, tem outras praças mas o local preferido dos idosos era a Praça Max Machado, que fica na área central. Segundo o Prefeito, eles costumavam chegar por volta das 7h, as 11h saíam para almoçar, tiravam um cochilo e 14h estavam de volta.

“Estamos tomando todas as medidas de prevenção e a nossa maior preocupação é com os idosos. Colocamos carros de som nas ruas com orientações e pedindo para a população ficar em casa. Aos poucos, as pessoas estão mais conscientes e estão ficando dentro de casa”.

O uso de máscaras nas ruas de Medina é obrigatório e vários funcionários da Prefeitura passam o dia fiscalizando se a medida está sendo cumprida.

Arame foi colocado no espaço onde os idosos sentavam — Foto: Ascom/Prefeitura

Entre as principais ações para conter o avanço da doença, o prefeito destacou a dedetização das ruas, fechamento de igrejas, academias e escolas, além da suspensão do serviço de mototáxi e restrição no funcionamento do comércio, que é fechado as 14h.

“Também mandamos fechar nove locais de acesso à cidade e apenas a entrada principal está liberada, mas com barreira sanitária”, disse o prefeito.

Casos em Medina


Medina fica no Vale do Jequitinhonha e tem cerca de 21 mil habitantes — Foto: Ascom/Prefeitura

O município confirmou mais quatro casos da doença no último boletim, divulgado nessa quinta-feira (28), e o número subiu para 15. As quatro pacientes são mulheres e estão assintomáticas. Ao todo, foram notificados 41 casos suspeitos.

Onze moradores de Medina testam positivo para Covid-19, diz Prefeitura
Os outros 11 moradores que já haviam testado positivo têm faixa etária entre 18 e 57 anos e estão em isolamento domiciliar.

De acordo com a Secretária de Saúde, Tatyana Figueiredo Navarro, o município adquiriu testes rápidos com recurso próprio para examinar pacientes assintomáticos que tiveram contato com caso positivo.

“Nesta semana, já realizamos cerca de 50 testes e o objetivo é evitar o maior número possível de proliferação dos casos”.

Hospital Santa Rita não foi classificado como referência para Covid — Foto: Ascom/Prefeitura

Ela esclareceu ainda que o hospital da cidade não foi classificado como referência para Covid-19 e também não tem leitos de UTI. Os pacientes que dão entrada na unidade com sintomas da doença, são estabilizados e depois transferidos para os municípios de Itaobim ou Teófilo Otoni. De Medina a Itaobim, o percurso é de 42 km e para Teófilo Otoni, 200 km pela BR-116.

Ainda de acordo com a secretária, o município recebeu um recurso do Ministério da Saúde no valor de R$ 230 mil para enfrentamento da Covid-19 e a maior parte do dinheiro foi investido no Hospital Santa Rita.

“A unidade não recebeu nenhum recurso porque não é referência, mas decidimos usar mais de 80% do dinheiro para fortalecimento do hospital para termos condições mínimas de atendimento. Adquirimos suporte, medicamentos, EPIs e um respirador”.

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