Hiroshima: Há exatamente 80 anos, o mundo conheceu o inferno

Era 6 de agosto de 1945, 8h15 da manhã, horário local, quando o avião B-29, batizado de Enola Gay, lançou sobre Hiroshima a primeira bomba atômica usada em combate: Little Boy. A explosão ocorreu a cerca de 600 metros do solo, no coração da cidade.
Três dias depois, seria a vez de Nagasaki.
Esses dois ataques nucleares — os únicos da história em um cenário de guerra — não atingiram alvos militares. Foram os corpos de civis que arderam. Homens, mulheres, crianças, idosos… vidas comuns, vidas inteiras, desapareceram em segundos. Nenhuma trincheira. Nenhuma chance.
E não foram grupos terroristas, como Hamas, Al-Qaeda, Talibã ou Hezbollah, que acionaram as bombas. Tampouco foram os comunistas, os socialistas, a União Soviética, a China ou a Coreia do Norte. Não foram os negros, os LGBTQIAPN+, os petistas, o MST ou o MTST.
As bombas caíram por decisão do governo dos Estados Unidos da América. E não, isso não nos leva ao ódio contra o povo estadunidense.
Mas é impossível ignorar que o comando partiu do imperialismo capitalista ocidental — que se apoia no poder do Estado e de suas forças armadas para alimentar um sistema global movido por ganância, medo, terror e morte.
Lembrar de Hiroshima e Nagasaki, hoje, é mais do que olhar para o passado. É reconhecer os reflexos dessa tragédia no presente: a ascensão de uma extrema-direita violenta, nos EUA e no Brasil bolsonarista; o genocídio do povo palestino em Gaza; a volta de políticas econômicas predatórias que empurram milhões ao desemprego e à fome, como as prometidas por Donald Trump.
Como nos alertou o Papa Francisco na Laudato Si’: “Tudo está interligado.” E infelizmente, isso vale também para os ciclos de violência, exploração e injustiça.
Fazer memória é resistir. É não permitir que a insanidade volte a tomar o lugar da razão. Que o horror volte a se repetir.
Que nunca mais uma manhã seja escurecida por bombas que caem do céu.


