Categoria: Cultura

Não sou órfã

Por Neném de Abdias ©️

Neném de Abdias ©️

“Tenho Deus,não sou órfã,
Meu Painho me ama e, isso é o que me basta…

Ele é o meu refúgio, minha fortaleza,
Meu porto seguro onde eu posso descansar…

Não preciso de mais nada, não preciso de ninguém, pois Deus é o meu tudo e, é o meu bem…
Ele me guia, me protege, me ama e com Ele sou forte e capaz…

Só tenho Deus, não sou órfã ,
É isso que me faz feliz, é o que me faz louvar…

Vou seguir Seu caminho,
Vou fazer a Sua vontade, pois só com Ele sou vitoriosa e sou livre”.

A lista de Epstein

Por Levon Nascimento

Professor Levon Nascimento 

A chamada “lista de Epstein” — e todo o processo que a envolve — expõe denúncias gravíssimas e relações obscuras entre figuras poderosíssimas do capitalismo global e redes de exploração e abuso. Nesse universo de poder, Donald Trump e outros bilionários aparecem como personagens centrais de um sistema profundamente corrompido, ao passo que Jair Bolsonaro surge como um de seus aliados políticos mais explícitos.

Não é casual, portanto, que esse mesmo bloco de poder tenha se articulado contra o Papa Francisco, justamente por ele ter sido uma das vozes mais firmes na denúncia das injustiças estruturais, da mercantilização da vida e da idolatria do dinheiro.

Se há algo que possa ser chamado de “besta do Apocalipse” ou “anticristo” em nosso tempo, ele não se apresenta em figuras míticas, mas nas engrenagens concretas desse sistema econômico desumanizante, amplamente revelado nos escândalos ligados a Epstein.

O mais triste é ver setores da extrema-direita cristã curvarem-se diante desse poder, confundindo fé com submissão ao capital. Nesse sentido, assumir uma posição de esquerda — comprometida com justiça social, dignidade humana e solidariedade — é, a meu ver, estar muito mais próximo do ensinamento de Cristo do que das forças que o negam.

Rei Momo recebe a chave da cidade abre o Carnaval da Diversidade em Caetité

Rei Momo recebe a chave da cidade abre o Carnaval da Diversidade em Caetité

Nesta quinta-feira (22), foi realizada a abertura do Carnaval da Diversidade na cidade de Caetité. Durante o evento, a chave do município foi entregue ao novo Rei Momo da festividade. Em entrevista, o gerente de cultura Edmilson Lola disse que, desde o ano passado, a organização decidiu como critério de escolha do Rei Movo pessoas que contribuíram e tiveram participação ativa para manter a tradição dos carnavais em Caetité.

A abertura teve início às 17h, com a saída do bloquinho da terceira idade, que é composto pelas pessoas atendidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Lola destacou que, mesmo debaixo de chuva, os foliões seguiram animados até a Praça da Catedral, onde a chave da cidade foi repassada do antigo Rei Momo para o atual. “Foi um sucesso, muito animado”, avaliou.

Para encerrar a noite, o conterrâneo Juliano Hilário apresentou um show musical para o público presente. Lola acredita que, pelo termômetro da abertura, o Carnaval da Diversidade promete uma grande mobilização na cidade nos próximos dias. Nesta sexta-feira (23), os cantores Léo Santana e Jau são duas das atrações mais aguardadas para a festa. “Vai ser uma explosão nas ruas. Não temos como calcular a quantidade de pessoas que estarão na praça”, apontou.

No sábado (24), um cortejo de fanfarras e percussão arrastará uma multidão pela cidade. O momento é bastante familiar e tradicional. Inúmeras pessoas saem às ruas fantasiadas para comemorar. À noite, Xanddy Harmonia do Samba está na programação do evento cultural. No domingo (25), a partir de 16h, a festa é encerrada com atrações para o público infantil. Neste ano, o Carnaval da Diversidade chega ao 39º ano de realização.

O Agente Secreto é indicado para quatro categorias do Oscar

Adolpho Veloso também concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem
Agência Brasil

16/01/2026 - Cenas do filme O Agente Secreto de Kleber Mendonça com Wagner Moura. Foto: MK2Films/Divulgação
© MK2Films/Divulgação

O Brasil entrou com força na disputa do Oscar 2026. O Agente Secreto foi indicado simultaneamente a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção Elenco (nova categoria), enquanto Wagner Moura recebeu indicação a Melhor Ator por sua atuação no longa.

Com as quatro indicações, O Agente Secreto chega ao mesmo número recorde de indicações do filme Cidade de Deus, em 2004.

Em outra frente, o país também aparece entre os destaques técnicos: Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem.

A lista foi anunciada nesta quinta-feira, (22) pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, marcando o início da etapa decisiva da 98ª edição do prêmio e confirmando um momento histórico para o cinema brasileiro.

Votação

A primeira fase de votação foi encerrada na sexta-feira (16). Mais de 10 mil profissionais da indústria cinematográfica — entre atores, diretores, roteiristas e técnicos — participaram do processo, votando majoritariamente dentro de suas áreas, com exceção de Melhor Filme, que reúne o voto de todo o colégio eleitoral.

A cerimônia do Oscar 2026 acontece em 15 de março, e o anúncio desta quinta-feira já provoca clima de celebração no setor audiovisual brasileiro.

Brasil no Oscar 2026

Melhor Filme

O Agente Secreto disputa com:

Bugonia
F1
Frankenstein
Hamnet
Marty Supreme
Pecadores (Sinners)
 — Lidera as indicações com 16 nomeações no total

Sonhos de Trem (Train Dreams)
Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)
Valor Sentimental (Sentimental Value)

Melhor Filme Internacional

Apontado como favorito, O Agente Secreto concorre com:

Valor Sentimental (Noruega)
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Direção de Elenco

O Agente Secreto disputa com:

Hamnet
Marty Supreme
Uma batalha após a outra
Pecadores

Melhor Ator

Wagner Moura é candidato à estatueta ao lado de:

Timothée Chalamet (Marty Supreme)
Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra)
Michael B. Jordan (Pecadores)
Ethan Hawke (Blue)

A indicação vem após Moura ter vencido o Globo de Ouro de melhor ator em drama, consolidando a performance como uma das mais comentadas da temporada.

Melhor Fotografia

Com Adolpho Veloso, Sonhos de Trem enfrenta:

Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Frankenstein
Marty Supreme

Brumado mantém viva a tradição com apresentações dos Ternos de Reis na Praça Coronel Zeca Leite

Brumado mantém viva a tradição com apresentações dos Ternos de Reis na Praça Coronel Zeca Leite
Após a abertura das celebrações com a realização da Cavalgada dos Santos Reis, Brumado segue valorizando uma de suas mais importantes manifestações culturais. A tradição ganha continuidade com as apresentações dos Ternos de Reis do município, que prometem reunir fé, música e identidade popular no coração da cidade.

As apresentações acontecerão nos dias 23, 24, 30 e 31, sempre a partir das 19h, na Praça Coronel Zeca Leite. O espaço será palco do encontro entre gerações, mantendo viva uma tradição que atravessa o tempo e reforça os laços culturais da comunidade brumadense.

A iniciativa integra o calendário cultural do município e convida moradores e visitantes a prestigiarem de perto essa expressão da religiosidade e da cultura popular. A realização é da Secretaria de Cultura, em parceria com a Prefeitura de Brumado, reafirmando o compromisso com a preservação das tradições locais.

Entre déspotas e silêncios: a relatividade do mal político na história global

Por Levon Nascimento

Levon Nascimento, professor de História e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.

Listagens de “maiores déspotas e genocidas da história” costumam chocar – e devem chocar. Mas também revelam algo menos evidente: os critérios e os filtros de quem classifica. Ao percorrê-las, salta aos olhos a recorrência de líderes asiáticos, africanos e do antigo bloco socialista, enquanto Europa Ocidental e Américas aparecem de modo residual. A pergunta que se impõe não é defensiva, mas crítica: o mal político é absoluto ou sua classificação é atravessada por vieses históricos, jurídicos e ideológicos?

Não se trata de negar os fatos. Regimes como os de Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung, Pol Pot ou Leopoldo II produziram mortes em massa amplamente documentadas, muitas vezes por políticas estatais explícitas de extermínio, fome induzida e terror sistemático. Esses casos se tornaram paradigmas do genocídio “clássico” porque concentraram poder em figuras identificáveis e deixaram registros administrativos claros. A historiografia não os relativiza – e não deve relativizá-los. O problema emerge quando esse paradigma se torna a régua única do horror histórico.

A violência praticada pelo Ocidente liberal – Espanha, Portugal e Inglaterra, anteriormente; Estados Unidos, na atualidade –, raramente se encaixa nesse molde personalista. Ela foi (e é), em grande medida, estrutural, difusa e prolongada: colonização, escravidão atlântica, extermínio indígena, guerras imperiais, sanções econômicas letais. Milhões morreram não por decretos assinados por um único déspota, mas por sistemas que operaram durante séculos com legitimidade política, econômica e moral. A ausência de um “nome-símbolo” não diminui a gravidade; apenas dificulta a nomeação do crime.

As Américas exemplificam essa ambiguidade. O genocídio indígena foi real, persistente e fundacional, mas raramente personificado em um único líder. As ditaduras latino-americanas de direita produziram terror de Estado, desaparecimentos e assassinatos – quase sempre sob o manto da Guerra Fria –, enquanto experiências revolucionárias armadas também cometeram graves violações. Países de menor escala demográfica e classificações jurídicas restritivas tendem a invisibilizar esses horrores em comparações globais baseadas apenas em números absolutos.

O debate se torna ainda mais sensível ao se considerar os Estados Unidos. Não se trata de um regime despótico interno – ao menos não era até Trump reascender em janeiro de 2025 –, tampouco é consenso classificá-lo como genocida em sentido jurídico estrito. Ainda assim, é o único país a ter utilizado armas nucleares contra civis, protagoniza guerras recorrentes, apoiou (e apoia) ditaduras e se beneficia de uma ordem internacional que diminui sua própria responsabilização. Aqui não cabe a equiparação simplista, mas a constatação de um imperialismo estruturalmente violento, cujos efeitos humanos são incontornáveis.

Do outro lado do mapa, África, Oriente Médio, Rússia e Extremo Oriente tampouco formam um bloco homogêneo. Há ditaduras de esquerda e de direita, regimes laicos e teocráticos, Estados hipercentralizados e Estados colapsados. Reduzi-los a um “Oriente violento” em oposição a um “Ocidente civilizado” é uma leitura empobrecida, mais útil à geopolítica do que à compreensão histórica. A barbárie não é atributo cultural; é possibilidade política.

Parte decisiva do viés classificatório nasce do direito internacional. Genocídio exige intenção explícita de destruir um grupo enquanto tal. Muitas violências ocidentais operaram por negligência deliberada – como fez Bolsonaro com 700 mil vidas brasileiras em plena pandemia do novo coronavírus, ou o estadista Churchill diante da grande fome indiana –, racismo estrutural, exploração econômica ou eufemismos como “danos colaterais”. Assim, o mal explícito é mais facilmente condenado do que o mal normalizado. A técnica jurídica, quando isolada, pode se tornar instrumento de esquecimento.

O resultado é um espelho quebrado: condenamos corretamente os crimes alheios, mas frequentemente atenuamos os nossos, chamando massacres de “guerra”, fomes de “ineficiência” e dominação de “ordem internacional”. A crítica madura não consiste em inverter culpados, mas em reconhecer que nenhuma civilização, ideologia ou hemisfério possui monopólio do erro, da indiferença ou da violência.

Pensar a relatividade da classificação despótica e genocida não é relativizar o sofrimento das vítimas. Ao contrário: é ampliar o campo de responsabilidade, incorporando processos, estruturas e cumplicidades históricas. Somente assim a história deixa de ser um tribunal seletivo e passa a cumprir sua função ética: iluminar, com igual rigor, os horrores do Ocidente e do Oriente, da esquerda e da direita, do passado distante e do presente que ainda insiste em se justificar. Não podemos normalizar Trump sobre o mundo, Putin na Ucrânia ou Netanyahu em Gaza.

Barra da Estiva realizou 2º Encontro de Folia de Reis neste sábado (17)

Barra da Estiva realiza 2º Encontro de Folia de Reis neste sábado (17)
Barra da Estiva foi palco do 2º Encontro de Folia de Reis neste sábado, dia 17 de janeiro, a partir das 20h30, logo após a missa, na Praça Melquíades Caires, em frente à Igreja Matriz. O evento reúniu grupos tradicionais do reisado e celebrou uma das mais importantes manifestações culturais do município.

A Folia de Reis representa fé, história e identidade cultural, mantendo vivas tradições que atravessam gerações por meio dos cânticos, dos instrumentos e da devoção popular. Em Barra da Estiva, o reisado é parte fundamental da memória cultural e segue sendo preservado como símbolo da religiosidade e da união comunitária.

A realização do encontro contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Barra da Estiva, por meio da Secretaria de Administração e da Diretoria de Cultura, que reafirmaram o compromisso de valorizar e incentivar a cultura local, fortalecendo os Reis de Tradição e promovendo o reconhecimento da riqueza cultural do município.

O Agente Secreto faz história no Globo de Ouro com dois prêmios

Wagner Moura conquistou prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama
Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 06/11/2025 – O cinema brasileiro volta a ocupar seu espaço nas telas com O Agente Secreto, novo longa do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que chega nesta quinta-feira (6) a mais de 700 cinemas, em 370 cidades brasileiras, em uma estreia simultânea com Alemanha e Portugal.Foto: Victor Jucá/Divulgação
© Victor Jucá/Divulgação

O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo no Globo de Ouro, realizado no The Beverly Hilton, em Los Angeles (EUA). O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu duas das principais categorias da cerimônia: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura.

Apesar do desempenho expressivo, o longa brasileiro não levou o prêmio de Melhor Filme de Drama, principal categoria da noite, que ficou com Hamnet. Ainda assim, a chamada “noite do Brasil” consolidou a presença do país entre os destaques da premiação.

O anúncio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. Ao revelar o vencedor, Driver saudou o público brasileiro com um “Parabéns”, dito em português. Na categoria, O Agente Secreto superou produções de cinco países: Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha), A Única Saída (Coreia do Sul), A Voz de Hind Rajab (Tunísia) e Foi Apenas um Acidente (França).

Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho iniciou o discurso saudando o país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Em seguida, agradeceu à distribuidora brasileira Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”, afirmou o diretor.

A vitória coroou um percurso internacional iniciado no Festival de Cannes, onde o filme teve estreia concorrendo à Palma de Ouro. Na ocasião, uma apresentação de frevo tomou a Avenida Croisette e se tornou um dos momentos mais comentados da edição.

Melhor ator

Já Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Em seu discurso, falou em português e celebrou a cultura brasileira. “Viva a cultura brasileira”, disse o ator, ao destacar a parceria com Kleber Mendonça Filho, a quem definiu como “um gênio”, e a amizade construída ao longo do projeto.

Além de Wagner Moura, concorriam à categoria Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).

A vitória de O Agente Secreto resgata uma tradição brasileira na premiação: Central do Brasil venceu a mesma categoria em 1999, e, no ano passado, Fernanda Torres conquistou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama.

Entre os demais vencedores do Globo de Ouro, o prêmio de Melhor Direção em Filme ficou com Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra. Já Melhor Ator em Filme de Musical ou Comédia foi conquistado por Timothée Chalamet, por Marty Supreme.

Na televisão, a série Adolescência saiu com dois prêmios de atuação: Owen Cooper venceu como Melhor Ator Coadjuvante em Série, e Stephen Graham foi premiado pela atuação como protagonista, além de também assinar a direção da produção.

Com duas estatuetas e forte repercussão internacional, O Agente Secreto consolida o Brasil como um dos grandes protagonistas da atual temporada de premiações do cinema mundial.