Autor: Redação redacao

Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica

Estudiosas dizem que discursos machistas atacam sufrágio desde 1890

Agência BrasilBrasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Em 1955, eleitora vota para presidente da República, no Rio: direito arduamente conquistado. Foto: Acervo Arquivo NacionalAcervo Arquivo Nacional

Os ataques ecoam pelo tempo. “Minha mulher não irá votar”, disse o senador constituinte Coelho e Campos, em 1891. No mesmo ano, outro parlamentar, Serzedelo Corrêa, afirmou que jogar a mulher no meio das paixões e das lutas políticas é “tirar-lhe a santidade”.

Depois de 135 anos, mais discursos violentos reaparecem. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, afirmou o influenciador Paulo Figueiredo (neto do ex-presidente João Figueiredo).

Os reiterados discursos machistas que atacam o voto feminino ao longo da história do Brasil podem ser compreendidos em diferentes facetas como reações aos avanços da cidadania das mulheres, segundo afirmam estudiosas do tema do sufrágio em entrevistas à Agência Brasil. Elas explicam que, do ponto de vista histórico e político, o que chama a atenção não é o ineditismo do discurso, mas a continuidade e as ameaças.

Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Constituição de 1891, a primeira da República). Foto: Acervo Arquivo Nacional
Constituição de 1891, a primeira da República, rejeitou o sufrágio feminino – Foto: Acervo Arquivo Nacional
“Luta permanente”

Por outro lado, há inspirações concretas históricas, por parte das experiências da luta sufragista, para ações de resistência. “A linguagem mudou, mas a lógica patriarcal, misógina e machista é a mesma”, afirma a professora de direito Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN).

A estudiosa destaca que o voto feminino no Brasil foi uma conquista obtida contra a resistência do Estado e da sociedade machista. Não foi uma concessão espontânea. “Direitos não se mantêm sozinhos. Eles exigem luta permanente”, diz.

Fernanda avalia que essas manifestações questionando o voto da mulher ressurgiram, em 2026, com uma força “perturbadora”.

“Parece absurdo, mas é verdade. Do ponto de vista jurídico-constitucional, qualquer discurso que questione o voto feminino no Brasil viola o Artigo 14 da Constituição Federal de 1988, que estabelece o sufrágio universal sem distinção de sexo”, explica.

A professora acrescenta que o discurso ataca o Artigo 5º da Constituição, que veda qualquer tipo de discriminação. Além de inconstitucionais, as manifestações operariam um discurso criminoso. Ela pondera que há iniciativas para acionar a Procuradoria-Geral da República para tratar “dessa questão gravíssima”.

A pesquisadora diz que as falas do influenciador Paulo Figueiredo conectam-se diretamente com o movimento antifeminista norte-americano, que defende abertamente o fim do sufrágio feminino.

Inteligência diferenciada

Do ponto de vista histórico, a pesquisadora Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), assinala que a recorrência dos ataques em mais de um século é “absurda”, mas não surpreende em uma estrutura de machismo estrutural.

“As sufragistas do século 20 lutaram e tiveram inteligência diferenciada para garantir o direito para todas nós”, afirma.

Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Alagoana Almerinda Farias Gama). Foto: Acervo Arquivo Nacional
Almerinda Gama, sufragista alagoana – Foto:  Acervo Arquivo Nacional

Jornalista e doutoranda em história, Cibele é biógrafa da sufragista alagoana Almerinda Gama (1899 – 1999). Almerinda foi uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira. 

Cibele Tenório pondera que, diante de ataques que chegam ao tempo presente, é necessário manter atenção a toda e qualquer ameaça, ainda que não se transforme em uma hipotética e inimaginável proposta de revogação de direitos de mulheres. No entanto, as ofensivas antigênero podem fazer parte de uma estratégia que barre evoluções de direitos. 

“Mas podem, de alguma forma, gerar incômodo ou desestímulo à participação, o que é muito perigoso.” Cibele lembra que, em 1890, a Constituinte brasileira rejeitou o sufrágio feminino, alegando incapacidade da mulher para a política.

Intimidações

Em 2026, em um cenário em que as mulheres representam mais de 53% do eleitorado brasileiro, atacar o voto feminino reveste-se também em uma estratégia de intimidação política, apontam as pesquisadores.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão aptas a votar, em 2026, 83.877.126 brasileiras. Os homens somam 74.845.001. Em relação ao nível educacional formal, a maior faixa das mulheres está no ensino médio completo (29,28%, contra 26,35% dos homens). Terminaram a faculdade 13,08% das eleitoras (contra 9,1% dos homens).

Eis um cenário de resistência: as mulheres são maioria da população brasileira (51,5%), minorizadas em direitos, e desestimuladas ao mercado de trabalho ou para a participação política. Conforme explica a professora Hildete Pereira, pesquisadora de economia e gênero da Universidade Federal Fluminense (UFF), a luta não se tornou simples porque, no Brasil, o estímulo às mulheres é para a função de cuidadora, e não de representante.

Entre as mulheres que vão votar neste ano, 51,76% são pardas, 10,96%, pretas e 35,71% brancas. Outras estatísticas divulgadas pelo TSE dão conta que 50% das eleitoras declararam-se solteiras.

As pesquisadoras ouvidas pela reportagem dizem que esses discursos integram o que a teoria feminista tem chamado de backlash (expressão que pode ser traduzida como “retaliação”) por parte dos homens. A cada evolução de direitos, surge pela estrutura misógina alguma tentativa de violação.

“Quanto mais as mulheres avançam, mais as estruturas que sustentam a misoginia, o patriarcado e o machismo resistem”, diz Fernanda Abreu, da UERN.

Espaços de violência

As pesquisadoras identificam que a primeira Constituição Republicana, a de 1891, rejeitou explicitamente o sufrágio feminino com o argumento oficial de que a mulher era intelectualmente incapaz para a vida pública e que ela deveria se limitar ao espaço doméstico.

Entre os ataques comuns, no plano social e cultural, as sufragistas eram ridicularizadas inclusive na imprensa, nas rodas sociais, e chamadas de “mulheres-homens”. Isso porque a mulher casada era legalmente definida como dependente do marido, e a solteira, dependente do pai.

A professora e historiadora Ana Prestes, da Universidade de Brasília (UnB), acrescenta que a ridicularização na imprensa, inclusive, ocorria, por exemplo, de forma ilustrada.

“A gente tem, nessa época, muitas charges em que aparecem o homem de avental na casa e a mulher com o terno na rua para ridicularizar. Principalmente aqueles homens que chegaram a defender o voto da mulher.”

Brasília -Df -30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. ( Leolinda Daltro) Foto: Acervo Arquivo Nacional
Leolinda Daltro foi uma das líderes mais combativas do sufragismo – Foto: Acervo Arquivo Nacional
Segundo contextualiza a professora Fernanda Abreu, da UERN, esse argumento era usado para negar às mulheres a capacidade do voto consciente. “No âmbito jurídico individual, em 1919, a Leolinda Daltro [1859-1935], que foi a fundadora do Partido Republicano Feminino e uma das líderes mais combativas do sufragismo, teve sua candidatura à Intendência Municipal do Distrito Federal negada pelo Poder Público.”

Inclusive, Leolinda Daltro foi uma das pessoas mais massacradas pela imprensa brasileira da época, segundo a professora e historiadora Ana Prestes. “[Os jornais] encontravam forma de colocar a atividade dela como se fosse praticamente uma baderneira, uma mulher que queria quebrar tudo”, afirma.

As pesquisadoras exemplificam que o Código Eleitoral de 1932 chegou a incluir a exigência de autorização do marido para que a mulher casada pudesse votar. A cláusula só foi retirada do texto final depois de muita pressão das sufragistas. “Nada ocorreu sem luta e inteligência estratégica para conseguir aliados nessa causa”, explica Cibele Tenório, doutoranda na UnB.

Elas são da opinião de que a resistência ao voto feminino não foi ligada à questão de um conservadorismo pontual. Foi institucionalizada como política pública e norma jurídica.

As estudiosas assinalam que a trajetória de pressão feminina tem um marco no ano de 1910 com o Partido Republicano Feminino, a primeira legenda desse gênero que, em 1917, promoveu uma marcha de 90 mulheres pelo centro do Rio de Janeiro defendendo a causa.

As sufragistas criaram jornais e escolas para debater o tema. Inclusive para contrapor os discursos machistas que escorriam pelas páginas dos jornais tradicionais.

Diante dessa efervescência cultural e científica das primeiras décadas do século 20, as mulheres buscavam diferentes direitos, segundo explica a professora de ciência política Marlise Matos, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 Ela explica que as mulheres lutavam por duas outras grandes agendas – maior acesso à escolarização e ao mercado de trabalho. “Mas, sem dúvida, a conquista do voto feminino era fundamental para a cidadania efetiva. Isso foi travado com muita tensão e disputas”, diz. 

Brasília - DF - 30/07/2026 - Conquista do voto feminino no Brasil resistiu à misoginia histórica. (Bertha Lutz na conferência de fundação da ONU, em 1945: diplomata e cientista também lutou pelo voto feminino. Foto: Acervo Arquivo Nacional
Bertha Lutz também lutou pelo voto feminino – Foto: Acervo Arquivo Nacional
Não por acaso que Bertha Lutz (1894-1976) ficou reconhecida como um dos principais nomes dessa batalha. “Ela sabia acionar pessoas e conversar inclusive com os mais conservadores em busca de aliados”, diz Cibele Tenório.

A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922, articulou governadores, pressionou o Congresso e organizou manifestações. “Usou a imprensa nacional e internacional e estabeleceu muitas conexões com o movimento sufragista global”, acrescenta a estudiosa Fernanda Abreu, da UERN.

Avanço legislativo

As pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil entendem que o marco mais importante é o Decreto 21.076 de 1932, o primeiro código eleitoral brasileiro a garantir o direito de as mulheres irem às urnas e também de votarem secretamente. O direito foi solidificado na Constituição de 1934. O Brasil tornou-se o quarto país do Ocidente a garantir o sufrágio feminino (depois do Canadá, Estados Unidos e Equador).

No Código Eleitoral de 1946, o voto feminino passa a ser obrigatório para mulheres alfabetizadas. Esse novo marco completou 80 anos em maio. A Constituição, promulgada em 18 setembro do mesmo ano, confirma a regra. A última Carta, a de 1988, eliminou o requisito da alfabetização.

Para a professora da UFMG Marlise Matos, o Estado brasileiro tem que reafirmar o seu compromisso com os direitos políticos das mulheres brasileiras e reforçar campanhas informativas e publicitárias sobre a participação nas eleições.

Ana Prestes, da UnB, aponta que um caminho da resistência é o reforço nos processos de educação formal.  “Uma coisa que eu observo nas minhas pesquisas é que muitas sufragistas eram professoras ou atuavam em cursos.”

“Eram pessoas que defendiam o ensinamento e a criatividade também”, completa. Ela recorda que Bertha Lutz chegou a arrumar um avião para fazer um sobrevoo com panfletos, no Rio de Janeiro. “Eram ousadas, persistentes e hábeis articuladoras”, diz a professora e historiadora

Por isso, é necessário romper com o apagamento e com a invisibilidade de mulheres que lutaram por grandes causas, como a do voto feminino, a da educação e a do trabalho, defende a professora Hildete Pereira, pesquisadora da UFF.

A dependência financeira funcionaria como um obstáculo social de subalternidade, inclusive no tempo presente. Além disso, o próprio mercado de trabalho garante salários melhores aos homens em vista do machismo estrutural. Historicamente, segundo salienta, políticas públicas devem reforçar o papel da mulher na sociedade, como em relação à participação na política.

“Essas mulheres do final do século 19 e início do século 20 nos ensinam, tanto tempo depois, que é preciso participar e não desistir”, ressalta Hildete Pereira.

Condeúba: Faleceu a Sra. Laurinda Maria Dias “Guda” aos 99 anos de idade

NOTA DE FALECIMENTO

Sra. Laurinda Maria Dias “Guda”, faleceu aos 99 anos de idade

É com tristeza e grande pesar, que a Folha de Condeúba noticia o falecimento da Sra. Laurinda Maria Dias popular “Guda” aos 99 anos de idade (incompleto), ocorrido na tarde deste sábado dia 1° de agosto de 2026 as 15h. Sra. Laurinda deixou viúvo o Sr. João da Silva Dias popular “Lega” que acabou de completar 100 anos dia 12/6/2026. Ela deixou ainda dois filhos de criação: Ilza e João. Segundo informaçoes de familiares, a causa morte foi complicações de Alzheimer e Pasrkinson.

O corpo está sendo velado no salão de velorios da Rua Aurora, o sepultamento será hoje a tarde domingo dia 2 às 15h, no Cemitério Municipal Jesus Bom Pastor. A família enlutada, agradece a todos que comparecer a esse ato de fé e solidariedade Cristã.

Nós do Jornal Folha de Condeúba, neste momento de muita dor e luto, prestamos nossos mais sinceros sentimentos de solidariedade e amor à família da Sra. Laurinda, na esperança de que Deus nosso Pai, dê todo o conforto e consolo necessário aos parentes e amigos. Que permaneçam as boas lembranças, carinho e afeto para com a memória dela, descanse em paz, nas graças de Deus Sra. Laurinda.

Com estrutura comparada ao Rock in Rio, pregão em Coribe de R$ 1,9 milhão é alvo do MPBA

Com estrutura comparada ao Rock in Rio, pregão em Coribe de R$ 1,9 milhão é alvo do MPBA
Foto: Divulgação/PMC

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do promotor de Justiça Gilson Sacramento Amancio da Silva, expediu uma recomendação, na sexta-feira (31), à Prefeitura de Coribe para que suspenda e anule a Ata de Registro de Preços nº 22/2026, decorrente do Pregão Eletrônico nº 15/2026. O certame, voltado à futura contratação de estruturas para eventos, prevê gastos de até R$ 1,9 milhão em itens com dimensões desproporcionais para a realidade do município.

De acordo com o documento, neste sábado (01), investigação aponta disparidades graves entre os insumos contratados e a demanda local. Entre as estruturas registradas constam centenas de tendas, 800 grades de contenção, palcos de grande porte e 60 geradores de 260 KVA cada. O órgão destacou que a quantidade de geradores locados equivale a cerca de metade do total utilizado no Festival Rock in Rio de 2024 — evento voltado para um público diário de 100 mil pessoas, cerca de sete vezes a população estimada de Coribe.

A promotoria também chamou atenção para a capacidade operacional e financeira da empresa vencedora do certame, a Bida Show Ltda., cujo capital social declarado é de apenas R$ 10.000,00, valor tido como incompatível para atender a uma demanda milionária dessa escala. O MPBA destacou ainda a contradição da gestão municipal, que alegou escassez orçamentária em ações judiciais para evitar custos com portais de transparência pública, mas orçou mais de R$ 1,1 milhão em contratos de eventos com valores muito superiores aos gastos em festejos anteriores, como o São João local.

A recomendação fixa o prazo de cinco dias para que a prefeitura informe sobre a anulação do procedimento e a proibição de firmar contratos derivados da ata. A orientação foi estendida à empresa Bida Show Ltda., proibindo a assinatura de contratos, e preventivamente a produtoras, artistas e fornecedores de áudio e iluminação para que não recebam verbas decorrentes desse processo licitatório, sob pena de adoção de medidas judiciais por desvio de finalidade e lesão ao patrimônio público.

Guanambi veta benefícios tributários a condenados por crimes sexuais e violência doméstica

Guanambi veta benefícios tributários a condenados por crimes sexuais e violência doméstica

A Prefeitura de Guanambi, sancionou a Lei nº 1.882/2026, que impede a concessão de isenções tributárias e qualquer outro benefício fiscal municipal a pessoas condenadas definitivamente por crimes sexuais, violência doméstica contra a mulher e abusos contra crianças e adolescentes. O texto, que havia sido aprovado pela Câmara Municipal, foi assinado pelo prefeito Arnaldo Pereira de Azevedo e publicado na edição extra do Diário Oficial do Município na última quarta-feira (29).

A nova legislação impõe um freio rigoroso no acesso a incentivos fiscais, anistias, remissões e isenções tributárias concedidas pela administração local. Para que a restrição seja aplicada, a norma exige que haja decisão judicial transitada em julgado — ou seja, quando o processo criminal for finalizado e não couber mais nenhum tipo de recurso contra a condenação.

O alcance da lei abrange uma série de condutas graves tipificadas no Código Penal. Estão impedidos de receber os incentivos governamentais os condenados por crimes contra a dignidade sexual, violência psicológica ou tortura praticadas contra crianças e adolescentes, além daqueles enquadrados em delitos cometidos no contexto de violência doméstica e familiar regidos pela Lei Maria da Penha.

A proibição de acesso aos benefícios municipais vigorará por todo o período de cumprimento da pena estabelecido pela Justiça. A partir de agora, os órgãos e entidades da administração pública de Guanambi deverão exigir a apresentação de certidão negativa de antecedentes criminais em todos os processos de habilitação para programas de incentivo ou em pedidos individuais de isenção de impostos.

A prefeitura estabeleceu um prazo de 90 dias, a contar da data de publicação da lei, para regulamentar os detalhes operacionais do texto. Embora a norma já tenha entrado em vigor imediatamente, essa regulamentação servirá para padronizar os fluxos e procedimentos internos que serão adotados pelos setores fiscais do município na análise de cada pedido.

Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%

Minom Pinho defende políticas públicas para mudar o cenário

Agência BrasilBonito - 01/08/2026 - Festival de cinema Sul-americano de Bonito. Foto: DivulgaçãoDivulgação

Embora ainda sejam a maioria entre os que se formam em cursos audiovisuais, as mulheres não encontram representação em cargos de liderança das obras cinematográficas produzidas no Brasil. E esse cenário só será alterado por meio de políticas públicas, defende Minom Pinho, produtora de cinema e audiovisual, diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci) e coordenadora e idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine).

“As grandes mudanças se fazem com política pública”, ressalta. “E para você alcançar a política pública, você tem que ter indicador e indutor. O que significa isso? Por exemplo, estipular que o número de mulheres em roteiro e direção em longas-metragens deve bater 30% até 2030. A gente vai ter que entender que é preciso estabelecer metas mais claras porque o cinema é uma zona de resistência muito grande”.

Em entrevista à Agência Brasil durante a realização do festival de cinema Bonito CineSur, Minom destacou que há anos a participação de mulheres em cargos de liderança no cinema e no audiovisual brasileiro não chega a ultrapassar 20%, mesmo as mulheres tendo maior formação que os homens e conseguindo atrair grandes públicos aos cinemas brasileiros.

Bonito - 01/08/2026 - Minon Pinho no Festival de cinema Sul-americano de Bonito. Foto: Divulgação
Minon Pinho defende políticas públicas para ampliar participação feminina nas lideranças do setor cinematográfico – Divulgação
A produtora assegura que não há número que justifique o não crescimento da participação feminina em cargos de liderança.

“Ninguém pode alegar que as mulheres não têm competência. Elas estão fazendo um milagre. Foi dado a elas 20% [de cargos de liderança] nos filmes, mas elas estão pegando 44% do mercado. Isso quer dizer que elas estão fazendo muito com a pior situação possível”, enfatiza.

Por isso, defende, é importante estabelecer políticas públicas que estipulem metas para o aumento dessa participação. “Meu sonho é a gente chegar em equidade nos próximos 10 anos. Meu sonho é que a gente saia desse atual patamar”.

Dados apresentados pelo Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) – e publicado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), mostram que apesar de as mulheres serem maioria nas atividades de exibição (58%) e distribuição (54%), elas representam apenas 17% da direção de séries e filmes brasileiros.

O anuário também aponta que, enquanto 231 longas-metragens brasileiros produzidos em 2023 foram dirigidos exclusivamente por homens, apenas 52 foram feitos por mulheres. No caso dos roteiros, o domínio também era dos homens: 165 contra 41.

Enquanto isso, as mulheres eram maioria na direção de arte (99 contra 57) e na produção-executiva (110 contra 66).

“Esse é o lugar que a sociedade convencionou que é o nosso lugar, o lugar das mulheres. Temos aí a direção de arte ou figurino, por exemplo, porque ‘arte é coisa de mulher’. Isso é um estereótipo absurdo. Temos sim excelentes diretoras de arte. Mas o número de diretoras de filmes precisa crescer”, aponta Minom.

A produtora destaca que o cinema precisa de mais mulheres na condução das narrativas. “A gente quer estar em todos os lugares. Mas quando você tem uma ideia, escreve essa história e tem uma mulher dirigindo essas histórias e escolhendo as imagens que vão configurar naquela peça ou naquela obra audiovisual, isso faz muita diferença”.

Mesa de debates

No domingo passado, o festival de cinema Bonito CineSur promoveu uma mesa para debater o protagonismo feminino no cinema sul-americano.

Além de Minom Pinho, a mesa também contou com a presença da atriz chilena Paulina Garcia. Em sua fala, Paulina destacou que é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres.

Bonito - 01/08/2026 - Paulina Garcia no Festival de cinema Sul-americano de Bonito. Foto: Divulgação
Para Paulina Garcia,  é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres. – Divulgação
“Para as mulheres, existem mais coisas do que desempenhar papéis de pessoas doentes ou que morrem a certa idade. Também há mais coisas do que se apaixonar por um homem mau ou um homem perdido ou ser filha de alguém. Precisamos contar com histórias mais complexas sobre quem somos ou sobre o que queremos fazer”, defende.

Também presente ao debate, Gabriela Sandoval, diretora e produtora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic), destacou que é preciso uma união das mulheres do continente para reforçar suas participações nas produções cinematográficas sul-americanas.

“Creio que essa construção de uma rede é importantíssima”, diz. “Quando se fala em mulheres em espaços de poder, sempre se vê como algo negativo. Mas o espaço de decisão é uma responsabilidade e abre caminhos para que se contem outras histórias”.

Condeúba: Faleceu o Sr. João Martins de Oliveira aos 56 anos de idade

 

NOTA DE FALECIMENTO

Sr. João Martins de Oliveira, faleceu aos 56 anos de idade

É com tristeza e grande pesar, que a Folha de Condeúba noticia o falecimento do Sr. João Martins de Oliveira aos 56 anos de idade, ocorrido na tarde deste sábado dia 1° de agosto de 2026 por volta das 13h. Sr. João deixou viúva a Sra Ireni e filhos.

O corpo está sendo velado no salão de velorios da rua Aurora, o sepultamento será hoje domingo dia 2, às 17h no Cemitério Municipal Jesus Bom Pastor. A família enlutada, agradece a todos que comparecer a esse ato de fé e solidariedade Cristã.

NOTA:- Segundo informações de familiares, a causa morte do Sr. João Martins de Oliveira, foi um acidente de moto na zona rural, próximo a localidade de São Joaquim, saída de Condeúba em direção ao distrito de Feirinha.

Nós do Jornal Folha de Condeúba, neste momento de muita dor e luto, prestamos nossos mais sinceros sentimentos de solidariedade e amor à família do Sr. João, na esperança de que Deus nosso Pai, dê todo o conforto e consolo necessário aos parentes e amigos. Que permaneçam as boas lembranças, carinho e afeto para com a memória dele, descanse em paz, nas graças de Deus Sr. João.

Programa de renegociação de dívidas foi prorrogado até 31 de agosto

Medida foi oficializada no Diário Oficial da União deste sábado

Agência BrasilRio de Janeiro (RJ), 23/12/2025 – Consumidores fazem compras na antevéspera de Natal no Saara, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasFoto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A prorrogação do programa de renegociação de dívidas bancárias, o Desenrola Brasil 2.0, foi oficializada neste sábado (1º), em portaria do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União. A medida já havia sido anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Os consumidores terão até 31 de agosto para renegociar os débitos com os bancos e regularizar a situação de acesso ao crédito.

As regras do Desenrola permanecem inalteradas e, de acordo com a portaria, a prorrogação aplica-se exclusivamente às instituições financeiras que tenham celebrado, até 30 de julho de, no mínimo 1 mil operações de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Na ocasião do anúncio, Durigan ressaltou que a medida não exigirá novos aportes públicos ao FGO, uma vez que os recursos destinados ao programa já são suficientes para atender à demanda prevista. O objetivo do prazo adicional é permitir que pessoas que ainda estão em negociação com instituições financeiras consigam concluir o processo de regularização.

O ministro destacou que a prorrogação também beneficia quem pretende contratar financiamentos. De acordo com ele, entre os beneficiados estão os motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros que pretendem trocar de veículo por meio do Programa Move Brasil.

Fé em Cristo reúne comunidades na segunda noite do Tríduo em louvor ao Senhor dos Passos, em Olho d’Água

As festeiras representando o Grupo Três com a Bandeira de Senhor dos Passos

Uma noite marcada pela oração, devoção, acolhida e confraternização entre comunidades fortaleceu ainda mais a caminhada de fé dos fiéis
Na noite deste sábado, 1º de agosto de 2026, a partir das 19 horas, a comunidade de Olho d’Água viveu mais um momento especial de fé, devoção e espiritualidade cristã com a realização da segunda noite do Tríduo em preparação à Festa do seu padroeiro, Senhor dos Passos.
Com o coração voltado para Jesus Cristo e para a mensagem de amor, esperança e perseverança representada pelo Senhor dos Passos, os fiéis se reuniram para celebrar a fé e agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas, renovando o compromisso de caminhar unidos na vida comunitária.
A celebração também teve como marca principal a participação e integração de diversas comunidades, demonstrando que a fé em Cristo ultrapassa fronteiras e aproxima pessoas em torno de um mesmo propósito: louvar a Deus e honrar o padroeiro Senhor dos Passos.

Acolhida e boas-vindas
Abrindo a programação da noite, Angelina, integrante do Grupo 3 os festeiros, realizou a acolhida, dando as boas-vindas aos fiéis e agradecendo, de maneira especial, a presença das comunidades visitantes que vieram participar daquele momento de oração e celebração.
A presença das comunidades Bom Abrigo, Lagoa do Curral, Morrinhos dos Farias e do distro de Alegre abrilhantou ainda mais a noite, fortalecendo os laços de fraternidade e comunhão entre os irmãos.
A representação das comunidades ficou assim constituída: Rita, que presidiu a celebração pela comunidade Bom Abrigo; Iany, da comunidade Lagoa do Curral, como Leitora 1; e Aparecida Maria, da comunidade Morrinhos dos Farias, como Leitora 2. Ainda desta última comunidade, fizeram a intronização da Bíblia as crianças Larissa e Jaine.

Animação fortalece a celebração
A animação da noite ficou sob a responsabilidade do casal Eldinea e Gino, ambos da comunidade do distrito de Alegre, que contribuíram para tornar o encontro ainda mais alegre e participativo.
Por meio dos cânticos e da animação, os participantes foram convidados a elevar seus corações a Deus, celebrando a vida, a esperança e a fé em Jesus Cristo, centro de toda caminhada cristã.
Mais do que uma festa religiosa, o Tríduo do Senhor dos Passos representa para a comunidade um verdadeiro reencontro com Deus e com os irmãos, renovando a esperança daqueles que seguem firmes na fé, mesmo diante das dificuldades da caminhada.

Comunidade unida pela fé
Ao final da celebração, o coordenador da comunidade de Olho d’Água, senhor Hélio Carlos, mais uma vez manifestou sua profunda gratidão a todos que participaram da segunda noite do Tríduo.
Em suas palavras, agradeceu especialmente às comunidades visitantes, aos celebrantes, leitores, animadores, festeiros e a todos aqueles que contribuíram para a realização daquela noite tão significativa.
Na sequência, os participantes foram convidados para uma deliciosa quermesse, momento de confraternização e convivência entre as famílias e comunidades presentes. Posteriormente, a programação prosseguiu com um animado bingo, encerrando a noite em clima de alegria, amizade e fraternidade.

Senhor dos Passos: uma devoção que fortalece a caminhada cristã
A segunda noite do Tríduo deixou uma mensagem muito clara: quando a comunidade se une em torno da fé em Cristo, a esperança se renova e os laços de fraternidade se fortalecem.
A devoção ao Senhor dos Passos conduz os fiéis à reflexão sobre o caminho percorrido por Jesus, lembrando que Cristo carregou sua cruz por amor à humanidade e, por meio de sua paixão, morte e ressurreição, tornou-se para todos nós sinal de salvação, esperança e vida nova.
É justamente essa fé que move a comunidade de Olho d’Água. Uma fé simples, profunda e perseverante, que se manifesta na oração, na participação comunitária, na acolhida aos irmãos e na certeza de que Cristo caminha ao lado de seu povo em todos os momentos.
Assim, a Festa do Senhor dos Passos vai ganhando forma, reunindo cada vez mais fiéis em torno da Palavra de Deus, da oração e da confraternização.
Que o Senhor dos Passos continue abençoando a comunidade de Olho d’Água, todas as comunidades participantes e cada família que, com fé e devoção, segue caminhando ao lado de Cristo.
Viva o Senhor dos Passos!
Viva a fé em Cristo!
Viva a comunidade de Olho d’Água!

Fotos: Oclides/JFC

SP: alta de casos de sarampo aumenta preocupação dos serviços de saúde

Mobilização especial começa na segunda-feira, dia 3

Agência Brasil Ministério da Saúde realiza Dia D da segunda fase da Campanha de Vacinação contra o Sarampo será neste sábado (30).Marcelo Camargo/Agência Brasil

O aumento dos casos de sarampo no estado de São Paulo – 15 já foram confirmados este ano – levou a recomendação por uma busca vacinal daqueles que não receberam imunização e por uma dose de reforço em crianças já vacinadas.

As cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, todas na região metropolitana, já estavam em atenção no começo da semana, quando o Ministério da Saúde recomendou a extensão da imunização para o público entre 6 e 59 anos, dentro da campanha de multivacinação que inicia na próxima segunda-feira, 03, e vai até o dia 1º de setembro. O governo estadual confirmou que esse grupo receberá imunização.

Em São Paulo a campanha ocorre em todos os 645 municípios. Além da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, podem ser atualizadas outras imunizações, dentro do calendário normal.

Além da vacina tríplice estão disponíveis imunizantes para: BCG; hepatite B; pentavalente; poliomielite inativada; rotavírus; pneumocócica 10-valente (conjugada); meningocócica C (conjugada); meningocócica ACWY (conjugada); influenza; Covid-19; febre amarela; varicela; DTP; hepatite A; e HPV.

Segundo a secretaria estadual de Saúde, dados preliminares de 2026 indicam cobertura de 77,5% para a primeira dose e de 65,5% para a segunda dose da tríplice viral no estado. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde é 95% para cada uma das doses.

“A atualização da caderneta é fundamental para proteger crianças e adolescentes contra doenças imunopreveníveis. Diante do cenário do sarampo, a estratégia ampliada nos três municípios busca aumentar rapidamente a proteção da população e reduzir o risco de transmissão”, afirmou em nota Tatiana Lang, da secretaria estadual de Saúde.

Em 2025, a cobertura vacinal nacional alcançou 92,9% para a primeira dose (D1) da vacina tríplice viral e 78,3% para a segunda dose (D2). Nos municípios contemplados pela recomendação, Guarulhos registrou coberturas de 91,59% (D1) e 83,90% (D2), São Bernardo do Campo atingiu 90,84% (D1) e 83,62% (D2), e o município de São Paulo apresentou 90,79% (D1) e 83,63% (D2).