Um avião bimotor de pequeno porte caiu e atingiu um prédio no Bairro Silveira, região nordeste de Belo Horizonte, no fim desta manhã de segunda-feira (4).
Segundo informações do corpo de bombeiros, o piloto e o copiloto morreram no local. Três passageiros que estavam a bordo da aeronave foram resgatos com vida e encaminhados a um hospital nas proximidades.
O avião decolou do Aeroporto da Pampulha e caiu poucos minutos após iniciar o voo. O prédio de três andares que foi atingido fica na Rua Ilacir Pereira Lima. Ninguém que estava dentro do edifício se feriu.
Os bombeiros e a Polícia Militar estão no local. Até o momento não se sabe o que provocou a queda.
O cantor Izac Bruno Coni Silva, conhecido artisticamente como Zau O Pássaro – Foto: Divulgação
O cantor Izac Bruno Coni Silva, conhecido artisticamente como Zau O Pássaro, morreu na manhã desta segunda-feira (4) após um grave acidente automobilístico registrado na BR-116, em Feira de Santana. A colisão ocorreu no trecho do km 436 da rodovia federal e mobilizou equipes de resgate e segurança.
De acordo com informações apuradas no local, o veículo conduzido pelo artista se envolveu em uma batida lateral com um caminhão que seguia viagem interestadual. O impacto da colisão foi intenso e provocou a morte do cantor ainda no local do acidente.
Além da vítima fatal, outras três pessoas ficaram feridas gravemente. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia atuaram no resgate das vítimas, sendo que uma delas precisou ser retirada das ferragens. Os feridos foram encaminhados ao Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana.
A Polícia Rodoviária Federal registrou a ocorrência e controlou o trânsito na região durante os trabalhos de socorro e perícia. O Departamento de Polícia Técnica realizou o levantamento cadavérico e a coleta de informações que irão auxiliar nas investigações.
As circunstâncias do acidente seguem sendo investigadas pela Polícia Civil da Bahia, que deverá apurar as causas da colisão. O cantor se apresentou no Carnaval de Brumado neste ano de 2026.
Em entrevista, o deputado federal José Rocha revelou que vive um momento de transição simbólica em sua trajetória pública ao planejar a passagem de seu legado político para o filho, o deputado estadual Manuel Rocha. Com uma carreira marcada pela longevidade e pela estabilidade, o parlamentar destaca que seu principal objetivo atual é consolidar o nome do filho como seu substituto no Congresso Nacional. “Não tenha dúvida: quando olho no retrovisor, o que eu vejo realmente foram os grandes amigos que conquistei durante toda a minha vida pública. O que eu pude realizar por todos os municípios me gratifica muito”, afirmou o deputado, que celebra a marca de 12 mandatos consecutivos.
A trajetória de José Rocha é pautada, segundo ele próprio, pela retidão e pelo respeito conquistado tanto entre aliados quanto entre adversários políticos. Ao refletir sobre as décadas de atuação em Brasília, o parlamentar ressaltou a importância de manter uma conduta ética inquestionável ao longo de toda a sua vida pública. “Sinto-me realizado. Um deputado de 12 mandatos, sem nenhuma denúncia, muito menos processo em toda a minha vida, e poder ser querido pelo povo e respeitado por aqueles que, porventura, não caminham comigo”, pontuou o parlamentar durante visita à região sudoeste.
Nesta nova etapa, José Rocha reforça que sua motivação para trabalhar pelos municípios baianos permanece intacta, agora com o foco em transferir sua experiência e base política para a próxima geração. Ele acredita que o trabalho realizado nas bases, como o apoio recebido emBrumado, serve de alicerce para essa sucessão. “Agradeço muito ao povo de Brumado por ter me reconduzido para a Câmara com uma das maiores votações de todos os municípios que pude obter. É isso que me faz, cada vez mais, encorajado e motivado para trabalhar”, concluiu.
O parlamentar também detalhou os conselhos fundamentais que tem transmitido ao seu filho para que ele obtenha sucesso na vida pública. Para o veterano da Câmara Federal, a política exige vocação e características específicas que vão além da técnica administrativa. “A mensagem para o meu filho é que ele tenha três pré-requisitos, pois sem eles jamais você consegue vencer na política: gostar de gente, ter coragem e ser humilde. Com esses pilares, com certeza você será reconhecido pelo trabalho e pelo amor que dedica àquilo que pretende realizar”, aconselhou.
A Bahia gerou 14.008 empregos formais em março de 2026, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta quarta-feira (29/4) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Quatro dos cinco grandes grupos de atividades econômicas pesquisadas registraram saldo positivo no estado baiano no terceiro mês do ano. O setor de Serviços foi o que mais gerou empregos formais, tendo aberto 8.872 vagas. Em seguida aparecem a Construção (2.831 postos), Indústria (2.183) e Agropecuária (156). O desempenho negativo foi registrado no setor de Comércio (-33).
MUNICÍPIOS – A capital Salvador foi o município baiano com maior saldo de empregos formais em março, tendo gerado 5.616 novos empregos com carteiras assinadas. Em seguida aparecem as cidades de Feira de Santana (1.691), Camaçari (774) e Luís Eduardo Magalhães (511).
GÊNERO – No recorte por gênero, a maior parte dos empregos com carteira assinada gerados na Bahia em março foi ocupada por mulheres: 7.712. No período, os homens foram responsáveis por ocupar 6.296 novos empregos.
FAIXA ETÁRIA E INSTRUÇÃO – No que diz respeito à faixa etária, a maior parte dos postos gerados na Bahia no período foi ocupada por jovens de 18 a 24 anos, que preencheram 7.298 novos postos formais. Na análise sobre grau de instrução, a maioria dos vínculos no estado em março foi ocupada por pessoas com ensino médio completo, que preencheram 11.383 vagas.
O Bahia empatou com o São Paulo em 2×2 na tarde deste domingo (3), em Bragança Paulista, em jogo válido pela 14ª rodada da Série A. O time paulista abriu o placar com Arthur e o Bahia empatou com Luciano Juba, no segundo tempo. O São Paulo voltou a ficar à frente do placar, com gol de Ferreira, e no último minuto, o Bahia empatou novamente com Erick.
O Bahia segue na sexta colocação do Brasileiro, com 22 pontos. O próximo compromisso do Esquadrão é contra o Cruzeiro, na Arena Fonte Nova, no próximo sábado (9), às 21h.
Uma pessoa morreu após um acidente envolvendo um carro e um ônibus na noite de sábado (dia 2), no povoado do Panela, zona rural de Belo Campo.
Segundo a Polícia Militar, o motorista do ônibus disse que trafegava pela via, quando foi surpreendido pelo carro, que seguia em alta velocidade e acabou batendo de frente, não sendo possível evitar o impacto.
O motorista do carro morreu ainda no local do acidente. Uma da vítimas foi socorrida pela equipe do Samu 192, sendo encaminhada para atendimento médico em Vitória da Conquista.
TRAGÉDIA EM SERRINHA: Incêndio destrói residência no bairro Ginásio, causa comoção na cidade e leva à prisão de mulher de 27 anos
Um incêndio de grandes proporções terminou em uma tragédia devastadora na manhã deste domingo (3), no município de Serrinha, localizado a cerca de 70 quilômetros de Feira de Santana. As chamas consumiram rapidamente uma residência no bairro Ginásio, resultando na morte de três crianças que estavam no interior do imóvel. O fogo se alastrou de forma intensa, dificultando qualquer tentativa de resgate a tempo.
As vítimas foram identificadas como Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos; Samuel Nascimento de Almeida, de 4 anos; e Ismael Nascimento de Jesus, de apenas 1 ano de idade. Os corpos foram encontrados já sem vida dentro da casa, após equipes conseguirem controlar o incêndio. A cena foi descrita como extremamente impactante por moradores da região, que acompanharam, impotentes, o avanço das chamas.
Uma quarta criança, de 7 anos, também estava na residência no momento do incêndio. Segundo informações da Polícia Militar da Bahia, ela ainda tentou salvar os irmãos, mas não conseguiu conter o fogo nem retirá-los do local. Em meio ao desespero, a criança deixou a casa gritando por socorro, o que ajudou a alertar vizinhos sobre a gravidade da situação. Apesar do trauma, ela não sofreu ferimentos graves e recebeu atendimento.
De acordo com as investigações iniciais, a mãe das crianças, uma mulher de 27 anos, não estava na residência quando o incêndio começou. Informações apontam que ela teria saído ainda na noite anterior, deixando os filhos sozinhos. Ao retornar e se deparar com a tragédia, a mulher foi presa em flagrante por abandono de incapaz, crime previsto no Código Penal Brasileiro, com pena que pode variar de quatro a 12 anos de reclusão, especialmente em casos que resultam em morte.
O caso provocou forte comoção em Serrinha e repercutiu em toda a região. Moradores relataram clima de tristeza e indignação diante da perda das crianças. Em nota oficial, a Prefeitura do município manifestou profundo pesar, se solidarizou com familiares e amigos das vítimas e reconheceu o momento de dor coletiva que atinge a cidade.
Diante da gravidade do ocorrido, a gestão municipal decretou luto oficial de três dias. As causas do incêndio ainda serão investigadas pelas autoridades competentes, que devem apurar as circunstâncias exatas do início das chamas, bem como eventuais responsabilidades adicionais no caso.
O empresário Alessandro Barroso Rocha, de 35 anos, e a filha dele, Ana Laura, de 5 anos.
Duas pessoas morreram após um acidente neste (dia 2), na BA-263, trecho entre Itapetinga e Itambé. Quatro pessoas estavam no veículo para passar o feriado na praia.
As vítimas que não resistiram aos ferimentos eram pai e filha: o empresário Alessandro Barroso Rocha, de 35 anos, e a filha dele, Ana Laura, de 5 anos.
O carro em que eles estavam bateu de frente com um caminhão. O irmão de Alessandro, Wellington Mucuri, que é presidente do diretório jovem do PSDB em Minas Gerais, lamentou a morte por meio das redes sociais. Ele falou sobre o momento vivido pela família. “Hoje o mundo parou pra mim. Meu irmão Alessandro e minha sobrinha Ana Laura partiram num acidente de trânsito na Bahia. Estavam indo ao mar, para descansar. Não há palavra certa para isso. Apenas o silêncio de quem amou muito”, escreveu.
Alessandro era dono de uma loja de peças automotivas em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e mantinha outra unidade do negócio em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri.
Conforme o Correio*, no veículo também estavam a esposa dele, Aline, e o outro filho do casal, Arthur. Os dois foram socorridos após o acidente e levados a um hospital. Não há informações sobre o estado de saúde deles.
O governo federal lançou neste domingo (3) uma campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1 sem redução de salário. O objetivo da proposta é “garantir mais tempo para a vida além do trabalho, tempo com a família, para o lazer, para a cultura e para o descanso”.
Pelo menos 37 milhões de trabalhadores podem ser beneficiados com a redução.
“Para fins de comparação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil/mês beneficiou cerca de 10 milhões de pessoas. A garantia do descanso ainda tem potencial impacto positivo sobre a economia, estando alinhada com uma visão moderna de desenvolvimento, que combina produtividade, bem-estar e inclusão social “, esclareceu a Secretaria de Comunicação Social (Secom).
A proposta do governo estabelece um novo limite de jornada em 40 horas semanais e mantém as oito horas diárias de trabalho (inclusive para trabalhadores em escalas especiais). Com isso, os trabalhadores terão assegurados dois dias de repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e domingos.
O modelo de cinco dias de trabalho para dois dias de descanso poderá ser definido em negociação coletiva, respeitando as peculiaridades de cada atividade.
Campanha
Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha pelo fim da escala 6×1 será veiculada em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na imprensa internacional.
“A proposta é conscientizar empregados e empregadores que reduzir a escala é defender o convívio do trabalhador com sua família, é defender a família brasileira, é valorizar o trabalho, mas, também, a vida além do trabalho” apontou a Secom.
O governo defende que a mudança dialoga com transformações recentes na economia, como o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade. “Jornadas mais equilibradas tendem a reduzir afastamentos, melhorar o desempenho e diminuir a rotatividade”, diz a Secom.
No dia 14 de abril, o governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei alterando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta, que tramita com urgência constitucional, reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial.
Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.A iniciativa tramita em conjunto com outras propostas no Congresso Nacional, que criou uma comissão especial para analisar uma proposta de Emenda à Constituição sobre o tema.
O colegiado foi instalado na quarta-feira (29). A comissão vai analisar a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que trata do mesmo tema. O colegiado tem como presidente o deputado Alencar Santana (PT-SP). A relatoria caberá ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA).
Comissão
Composta por 38 membros titulares e de igual número de suplentes, a comissão terá o prazo de até 40 sessões para proferir seu parecer. A partir de amanhã, tem início o prazo para a apresentação das emendas, que é de 10 sessões.
Santana afirmou que o tempo para a análise da proposta é apertado e que o colegiado deverá realizar, inicialmente duas reuniões semanais, às terças e quartas-feiras para debater a matéria.
O colegiado analisará duas propostas de redução na jornada de trabalho. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. A transição se daria ao longo de dez anos.
A outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.
Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). Se aprovados na comissão especial irão depois para votação no plenário.
Em meio às grandes redes de supermercados em São Luís, no Maranhão, surgem mercadinhos e feiras populares adaptados à realidade de quem tem poucos recursos. O contraste entre os tipos de estabelecimentos e os modos de consumo revelam dinâmicas de exclusão e de desigualdade na cidade.
O cenário foi objeto de estudo de Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Ela recorreu a uma teoria formulada na década de 1970 por Milton Santos.
Neste dia 3 de maio, são comemorados os 100 anos de nascimento do geógrafo. Ele faleceu em 2001, aos 75 anos, mas suas ideias continuam sendo referências para análises socioeconômicas no Brasil e no mundo.
Livia Cangiano, pós-doutoranda na Universidade de São Paulo (USP), e professora colaboradora na Universidade Estadual do Maranhão. Foto: Livia Cangiano/Arquivo pessoal
A teoria de Milton divide a economia urbana em dois circuitos: superior, concentrado nas grandes empresas, com alto nível de tecnologia, capital e organização; e inferior, formado por pequenos comércios e serviços, com menor acesso a recursos, mas altamente adaptável às necessidades da população.
“É muito difícil para as pessoas da periferia deixarem o espaço onde vivem e se deslocarem até o centro para consumir. As populações que vivem na periferia abrem seus próprios comércios, quitandas, mercadinhos, pequenas lojas”, diz Livia.
“Para dar um exemplo, nesse circuito inferior, pensando em alimentação, é o lugar onde a pessoa que não consegue comprar a dúzia do ovo, consegue comprar um ovo apenas. Eles vendem separadamente. As formas de comércio são menos endurecidas do que em uma grande rede supermercadista, onde só seria possível comprar a dúzia”, exemplifica.
A atualidade da teoria também aparece em pesquisas fora do Brasil. O projeto de pesquisa do qual Lívia faz parte aplica as ideias de Milton às dinâmicas urbanas em Gana, na África, e em Londres e Paris, na Europa.
Biografia
Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia, e se tornou um dos principais nomes da geografia mundial. Ele concluiu o bacharelado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o doutorado na Universidade de Strasbourg, na França.
Exilado durante a ditadura militar, lecionou em universidades na Europa, África e América Latina, antes de retornar ao Brasil, onde consolidou sua produção intelectual. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).
Negro, enfrentou o racismo estrutural dentro da academia e construiu uma obra que redefiniu a forma de compreender o espaço geográfico, articulando economia, política e sociedade. Ele se tornou inspiração e referência para outros intelectuais negros, como a também geógrafa Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
“Eu sou uma mulher negra de 60 anos. Entrei na UFRJ na década de 80, onde a maior parte dos meus colegas na universidade não eram negros. Então, o Milton foi muito importante para a minha formação, não só do ponto de vista cognitivo e técnico, mas também na dimensão humana”, diz Catia.
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Catia Antonia da Silva, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal – Catia Antonia da Silva/Arquivo pessoal
A professora explica que a obra de Milton não trouxe como tema central a negritude, nem a dimensão política da relação entre classe social e raça. Porém, ele produziu uma teoria social crítica das desigualdades que ajuda a analisar as questões raciais. E nunca ignorou o tema quando era necessário se posicionar na vida pública.
“Ele dizia que o fato de ser um professor universitário não o impediu de viver experiências de racismo. Falava que os negros precisavam ter um esforço muito maior para o seu trabalho ter legitimidade. Mas ele nunca utilizou qualquer vitimização para se tornar um intelectual.”
“Eu creio que é difícil ser negro e é difícil ser intelectual no Brasil. Essas duas coisas, juntas, dão o que dão, não é? É difícil ser negro porque, fora das situações de evidência, o cotidiano é muito pesado para os negros. É difícil ser intelectual porque não faz parte da cultura nacional ouvir tranquilamente uma palavra crítica”, disse Santos no programa Roda Viva, em 1997.
Teorias das desigualdades
Além da teoria dos circuitos urbanos, o geógrafo trouxe ideias que aprofundaram a compreensão sobre as desigualdades. Para Milton Santos, o espaço nunca foi apenas o cenário onde a vida acontece, mas o resultado direto de decisões políticas e econômicas.
Isso significa que a distribuição desigual de infraestrutura nas cidades (como saneamento, transporte ou acesso à internet) não é acidental, mas fruto de escolhas que privilegiam determinados grupos e territórios.
Ao olhar para uma periferia sem serviços básicos ou para uma área valorizada com alta concentração de investimentos, o geógrafo propõe enxergar ali não um acaso, mas a materialização de relações de poder.
“Milton traz essa compreensão de uma geografia historicamente produzida pelos grandes aparatos do Estado. À medida que o capitalismo avança, processos de industrialização e urbanização no Brasil vão produzir desigualdades e destruição das economias locais. Seja do Nordeste, da Amazônia ou do interior dos estados. Determinados grupos sociais serão beneficiados pelo processo de modernização”, explica a geógrafa Catia
Rio de Janeiro (RJ), 01/05/2026 – Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades Foto: Acervo Milton Santos/Divulgação – Acervo Milton Santos/Divulgação
No livro Por uma outra globalização, Milton Santos descreve um sistema vendido como promessa de integração e progresso, mas que, na prática, aprofunda desigualdades mundiais. Grandes obras de infraestrutura, como portos e corredores logísticos, conectam países e mercados, mas também reorganizam territórios locais, pressionam comunidades e ampliam a concentração de riqueza.
“Nunca na história da humanidade houve condições técnicas e científicas tão adequadas a construir o mundo da dignidade humana, apenas essas condições foram expropriadas por um punhado de empresas que decidiram construir um mundo perverso”, escreveu.
Outro conceito bem conhecido do autor, o “meio técnico-científico-informacional”, descreve como tecnologia, ciência e infraestrutura passaram a moldar o território. Na prática, isso se traduz em regiões altamente conectadas, com redes digitais avançadas e logística eficiente, convivendo com áreas onde faltam serviços básicos. Enquanto alguns espaços são preparados para atender às exigências do mercado global, outros permanecem à margem desse processo.
Futuros possíveis
Apesar dos diagnósticos críticos, Milton Santos também apontou caminhos de transformação. Ele defendia que as mesmas redes e tecnologias que ampliam desigualdades podem ser apropriadas por populações locais para criar alternativas econômicas e sociais.
Iniciativas comunitárias, uso de tecnologia em periferias e formas cooperativas de organização mostram, segundo o autor, que o território também pode ser espaço de resistência e reinvenção.
“Ele propõe uma leitura sobre o território brasileiro, trazendo ferramentas para que a gente pense concretamente nas desigualdades, que não fique apenas no plano teórico, mas que nos induza a ir a campo, a conversar com essas pessoas, a entender o cotidiano delas no espaço”, diz a geógrafa Livia.
“Além disso, ele faz uma proposta muito generosa para pensar o espaço, que é pensar o quanto a periferia urbana brasileira como um todo é capaz de produzir outras racionalidades de existência”, completa.
Eventos
O centenário de nascimento de Milton Santos será celebrado com um conjunto de eventos pelo país. As programações ocorrem em formato híbrido e reúnem pesquisadores, ativistas e o público geral para debater o seu legado e a atualidade de sua obra.
O Seminário Internacional Milton Santos 100 anos: um geógrafo do Século 21 acontece de 4 a 8 de maio na USP, com transmissão virtual. O encontro é feito em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).
No Rio de Janeiro, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Sesc vai oferecer, ao longo do mês de maio, um ciclo de palestras sobre geógrafo.
A Universidade Federal do Tocantins realizará, entre os dias 26 e 29 de agosto, o evento Tocantins como Fronteira do Meio Técnico-Científico-Informacional, para debater, em âmbito internacional, o pensamento e a obra de Milton Santos.