Categoria: Golpe

STF homologa julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão

STF homologa julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) homologou, nesta terça-feira (23), a ata do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão, junto com outros sete aliados, por tentativa de golpe de Estado. A decisão formaliza o resultado e abre a etapa final do processo.

Com a homologação, os ministros têm 60 dias para apresentar os votos por escrito. Só então será publicado o acórdão, documento que consolida o entendimento do julgamento. A publicação do acórdão abrirá prazo de 5 dias para a defesa apresentar embargos de declaração, recurso que busca esclarecer pontos específicos da decisão.

Bolsonaro foi condenado no último dia 11 de setembro e sua defesa já anunciou que vai recorrer. Após a análise dos embargos de declaração e dos chamados embargos infringentes, o processo poderá transitar em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso, iniciando-se o cumprimento da pena.

José Dirceu: Carta ao governador Tarcísio de Freitas

Mas pelo menos agora os brasileiros sabem o que efetivamente você deseja, isto é, em nome do seu oportunismo eleitoral vale tudo, inclusive afrontar nossas instituições, nossa soberania e nosso ambiente democrático.

Prezado governador, li que você disse que fará “40 anos em 4”, como o fez JK com seus “50 anos em 5”. É um slogan abertamente desenvolvimentista na linha da herança de Getúlio Vargas, que criara a Vale, a Petrobras, a Eletrobras, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) e a Sumoc (Superintendência de Moeda e Crédito), além de consolidar o sistema bancário público, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, e criar o BNDE. Assim, lamento lhe informar que é uma promessa de impossível de ser cumprida. Como sou mineiro e nasci e cresci nos anos JK, passo a descrever as diferenças entre sua história política e a dele.

Juscelino Kubitschek foi deputado federal, prefeito eleito de Belo Horizonte, onde fez uma reforma urbanista, e governador de Minas Gerais, quando transformou um estado baseado na pecuária e na agricultura num estado industrial. Entrou para a política, por coincidência, na minha cidade natal, Passa Quatro, onde servia como capitão médico da Força Pública na chamada Revolução Constitucionalista de 1932, quando, ao lado do governo federal, derrotou a revolta paulista.

Foi eleito presidente com Jango Goulart de vice pela escolha popular e, de certa forma, deu continuidade ao período getulista, principalmente na busca incessante do desenvolvimento nacional autônomo e soberano, como defensor da industrialização do Brasil e um construtor de sonhos, nacionalista e democrata. Já como governador JK criou a Rodovia Belém-Brasília e a Cemig, a Companhia Energética de Minas Gerais, uma das maiores empresas de energia elétrica do país. Repita-se: ele criou, não privatizou como você se propõe para o Brasil e faz em São Paulo. Priorizou a energia, as estradas e a industrialização já em Minas Gerais, mas o fez de fato e não, como você, na propaganda.

Quero recordar, para seu conhecimento, que JK foi eleito pelo voto popular. Derrotou o candidato da direita e dos militares conservadores, Juarez Tavora, ex-tenente revoltoso, e enfrentou uma tentativa de golpe de Estado, o que me faz lembrar o 8 de Janeiro e o Plano Punhal Verde Amarelo, o golpismo recente que você deseja anistiar neste momento. Aqui cabe uma observação importante, diante das cenas perturbadoras que você protagonizou neste 7 de setembro de 2025.

Qual Tarcísio de Freitas está valendo? Aquele que recorre a um slogan de JK, ancorado no nacionalismo e no desenvolvimento soberano do país, ou o que sobe no palanque de uma manifestação que, em plena comemoração da Independência brasileira, destaca não a bandeira do Brasil e sim a dos Estados Unidos? Você caiu na tentação de pagar a fatura exigida pelo bolsonarismo. Assumiu abertamente o golpismo, o ataque à Justiça e ao Supremo Tribunal Federal em particular, e vestiu em definitivo a roupa dos traidores da pátria, celebrando a bandeira do trumpismo e não a bandeira brasileira. Tudo para conseguir a chancela de Jair Bolsonaro, seus filhos e os extremistas da direita mais radicais à sua candidatura à Presidência da República.

Ao fazê-lo, você suja a institucionalidade do cargo que ocupa e desrespeita a democracia e os brasileiros. Mas pelo menos agora os brasileiros sabem o que efetivamente você deseja, isto é, em nome do seu oportunismo eleitoral vale tudo, inclusive afrontar nossas instituições, nossa soberania e nosso ambiente democrático.

Já o JK que você pareceu querer se inspirar enfrentou e resistiu a qualquer tentativa de golpe. Você não deve saber, mas um golpe tentou impedir a posse de JK em 1955 e coube ao general Lott dar um contra-golpe preventivo em 11 de novembro daquele ano para assim garantir a posse do presidente eleito.

Uma vez no governo, JK fez o Plano de Metas, 31 das quais em áreas básicas para o desenvolvimento do país, como energia, transporte e indústria de base, que aliás, governador Tarcísio, um outro general ditador – Ernesto Geisel – consolidou, com seu 2º Plano Nacional de Desenvolvimento, entre 1975-79. As metas incluíam alimentação e educação, mas não suas escolas cívico-militares ou sua sanha contra toda e qualquer ação estatal.

JK fez mais, governador, ele teve a ousadia de sonhar com uma nova capital que levasse o desenvolvimento para o Centro-Oeste brasileiro, e criou Brasília, decisão que mudou para sempre nossa história e a integração de vastas regiões brasileiras ao desenvolvimento.

Não sei se você sabe que houve um golpe de Estado em 31 de março de 1964, onde os militares tomaram o poder e impuseram uma ditadura de 21 anos sem liberdade e democracia, cassaram o mandato de JK como senador por Goiás e o obrigaram ao exílio, mesmo ele tendo votado na eleição indireta e ilegítima de Castello Branco, um dos cinco generais ditadores. A razão era simples: JK venceria fácil a eleição de 1965.

Em 1966, depois que os militares deram um golpe dentro do golpe com o Ato Institucional no 2, acabando com as eleições diretas para presidente, governador, prefeitos de capital e áreas de segurança nacional, e extinguiram os partidos políticos, impuseram a censura e a repressão a toda e qualquer oposição, JK aderiu à Frente Ampla contra a ditadura ao lado de Jango e de Carlos Lacerda, um dos apoiadores do Golpe e depois vítima também das cassações de todos que se opunham à ditadura.

Governador, o pior ainda estava para acontecer. O acidente que vitimou JK em 22 de agosto de 1976 até hoje ainda é coberto de dúvidas e há razões para se acreditar que JK tenha sido assassinado pela ditadura.

JK foi o precursor também de uma política externa multilateral e autônoma, quando propôs a Operação Pan-Americana, que visava combater o subdesenvolvimento da América Latina. Ainda criança me lembro da campanha que JK lançou para construir Três Marias e Furnas, mudando radicalmente o setor energético brasileiro, que Getúlio dera início com a Usina Hidroelétrica de Paulo Afonso, que vocês privatizaram, conclamando as famílias a abrir cadernetas de poupança nos bancos públicos e da Caixa Econômica de Minas Gerais para financiá-las dentro de um espírito nacionalista e mobilizador, uma época de orgulho nacional e espírito patriótico.

Assim, governador, você que coloca o boné de Donald Trump enquanto ele agride nosso país, nossa soberania e nossa democracia, você que apoiou e apoia o golpista Jair Bolsonaro, que é um defensor do golpe de 1964 e mesmo a tortura praticada nos quarteis, nunca mais use em vão o nome de JK e sua memória.

José Dirceu é advogado e militante político, foi ministro da Casa Civil.

Confira as penas de Bolsonaro e mais sete condenados pelo Supremo

Primeira Turma finalizou julgamento da ação da trama golpista
Agência Brasil

Brasília (DF), 11/09/2025 - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta quinta-feira (11) maioria de votos para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados na ação penal da trama golpista.Da esquerda para direita: Ex.presidente, Jair Bolsonaro, General, Braga Neto, General, Augusto Heleno, Almirante, Almir Garnier, Tenete-Coronel, Mauro Cid, Deputado Federal, Alexandre Ramagem, Ex.ministro da justiça, Anderson Torres, General Paulo Sérgio Nogueira.
Fotos: Agência Brasil
© Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) finalizou nesta quinta-feira (11) o julgamento da ação da trama golpista.

Por 4 votos a 1, os ministros condenaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. 

A maioria dos réus foi condenada a mais de 20 anos de prisão em regime fechado.

Apesar da definição do tempo de condenação, Bolsonaro e os demais réus não vão ser presos imediatamente. Eles ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente se os eventuais recursos forem rejeitados, as prisões poderão ser efetivadas.

Confira as penas definidas para os condenados: 

– Jair Bolsonaro – ex-presidente da República: 27 anos e três meses;

– Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022: 26 anos;

 – Almir Garnier – ex-comandante da Marinha: 24 anos; 

– Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: 24 anos;

– Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos; 

– Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa: 19 anos; 

– Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada;

– Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos, um mês e 15 dias.

Ramagem foi condenado somente pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ele é deputado federal e teve parte das acusações suspensas. A medida vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, ambos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. 

Forças Armadas vão respeitar veredito do STF sobre golpe, diz Múcio

Ministro comentou julgamento de Bolsonaro e militares na Suprema Corte
Agência Brasil
Brasília (DF), 12/02/2025 - O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, durante cerimônia que celebra um ano do programa Nova Indústria Brasil e do lançamento da Missão 6: Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacionais, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da defesa, José Múcio – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
As Forças Armadas vão cumprir o veredito da Justiça sobre a trama golpista, disse o ministro da defesa, José Múcio, na última sexta-feira (5). Em entrevista a jornalistas, o ministro comentou o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversos militares de alta patente respondem por uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. 

“O lema das Forças Armadas é respeitar a decisão da Justiça. Esse assunto é um problema da Justiça e da política. As Forças Armadas são uma coisa diferente, servem ao país. Então, nós estamos conscientes de que tínhamos que passar por isso tudo, estamos serenos e aguardando o veredito da Justiça, que será cumprido”, comentou o ministro.

Múcio falou com a imprensa após reunião entre os comandantes da Marinha, Aeronáutica e Exército com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os temas, esteve o desfile do 7 de setembro, em Brasília. Segundo o ministro, o tema do julgamento no STF não foi tratado no encontro.

Questionado sobre o projeto de anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado que a oposição defende no Parlamento, José Múcio disse que não conhece o texto em debate e que essa é uma questão do Congresso, mas ponderou que uma disputa entre poderes não é boa para o Brasil.

“Acho que, se for discutido de uma forma construtiva e não para poder concorrer com o [outro] Poder, para fazer avaliação de força de quem manda mais, eu acho que essa queda de braço não serve ao país. Nós estamos na hora que a gente tem que juntar todo mundo para construir esse país”, completou.

Trama golpista

O STF iniciou nesta semana o julgamento do núcleo principal da trama golpista que teria tentado anular a eleição presidencial de 2022 e seria liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o ex-presidente de liderar uma tentativa de golpe, com previsão de planos de assassinatos do candidato eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice, Geraldo Alckimin, além do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Outros sete aliados do político também devem ser julgados até o final da próxima semana, entre eles, o ex-ministro da Defesa, general Paulo Nogueira Batista; o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier; o ex-ministro do GSI, general Augusto Heleno; e o vice na chapa perdedora da eleição de 2022, o general Braga Netto. Todos negam as acusações.

Julgamento de Bolsonaro começa na terça e terá oito sessões

Eventual prisão dos réus que forem condenados não será automática
Agência Brasil

Brasília (DF), 26/03/2025  - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
© Lula Marques/Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia na próxima terça-feira (2) o julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pela trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Cerca de dois anos e meio após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Corte realizará um julgamento histórico, que pode levar para a prisão um ex-presidente da República e generais do Exército pela acusação de golpe de Estado, medida inédita após a redemocratização do país.

Para garantir a tranquilidade do julgamento, o Supremo preparou um esquema especial de segurança para restringir a circulação de pessoas nos edifícios da Corte, além de varredura com cães farejadores em busca de bombas e uso de drones.

O julgamento terá ampla cobertura jornalística. A Corte recebeu 501 pedidos de credenciamento de profissionais da imprensa nacional e internacional interessados em noticiar o julgamento.

Em um procedimento inédito, o Supremo também fez o credenciamento de pessoas interessadas em acompanhar a deliberação de forma presencial. Segundo a Corte, foram 3.357 inscrições de interessados, entre advogados e cidadãos.

Apesar do grande número de inscritos, somente os primeiros 1.200 pedidos serão atendidos, devido à limitação de espaço.

Os contemplados vão acompanhar o julgamento na sala da Segunda Turma da Corte, por meio de um telão, e não poderão ficar na Primeira Turma, onde o será o julgamento. O espaço será destinado somente aos advogados dos réus e aos profissionais de imprensa.

Foram disponibilizados 150 lugares para cada uma das oito sessões de julgamento, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.

Nos dias 2,9 e 12, as sessões serão realizadas no período da manhã e da tarde, com pausa para o almoço. Nos dias 3 e 10, o julgamento ocorrerá somente pela manhã.

Saiba os horários das sessões

2 de setembro – 9h e 14h;
3 de setembro – 9h;
9 de setembro – 9h e 14h;
10 de setembro –9h;
12 de setembro – 9h e 14h.

Quem são os réus?

Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;

Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Almir Garnier- ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;

Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Rito

O rito que será adotado no julgamento está previsto no Regimento Interno do STF e na Lei 8.038 de 1990, norma que regulamenta as regras processuais do tribunal.

No dia 2 de setembro, às 9h, primeiro dia de julgamento, a sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin.

Em seguida, o ministro chamará o processo para julgamento e dará a palavra a Alexandre de Moraes, que fará a leitura do relatório com o resumo de todas as etapas percorridas no processo, desde as investigações até a apresentação das alegações finais, última fase antes do julgamento.

Após a leitura do relatório, Zanin passará a palavra para a acusação e as defesas dos réus.

Acusação

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, será responsável pela acusação. Ele terá a palavra pelo prazo de até duas horas para defender a condenação dos réus.

Defesas

Após a sustentação da PGR, os advogados dos réus serão convidados a subir à tribuna para as sustentações orais em favor dos acusados. Eles terão prazo de até uma hora para suas considerações.

Crimes

Todos os réus respondem no Supremo pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição. 

A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. 

Ramagem continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Votos

O primeiro a votar será Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Em sua manifestação, o ministro vai analisar questões preliminares suscitadas pelas defesas de Bolsonaro e dos demais acusados, como pedidos de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonardo e um dos réus, alegações de cerceamento de defesa, pedidos para retirar o caso do STF, além das solicitações de absolvição.

Moraes poderá solicitar que a turma delibere imediatamente sobre a questões preliminares ou deixar a análise desses quesitos para votação conjunta com o mérito.

Após a abordagem das questões preliminares, Moraes se pronunciará sobre o mérito do processo, ou seja, se condena ou absolve os acusados e qual o tempo de cumprimento de pena.

Sequência de votação

Após o voto do relator, os demais integrantes da turma vão proferir seus votos na seguinte sequência:

Flávio Dino;
Luiz Fux;
Cármen Lúcia;
Cristiano Zanin;

A condenação ou absolvição ocorrerá com o voto da maioria de três dos cinco ministros da turma. 

Pedido de vista

Um pedido de vista do processo não está descartado. Pelo regimento interno, qualquer integrante da Corte pode pedir mais tempo para analisar o caso e suspender o julgamento. Contudo, o processo deve ser devolvido para julgamento em 90 dias.

Prisão

A eventual prisão dos réus que forem condenados não vai ocorrer de forma automática após o julgamento e só poderá ser efetivada após julgamento dos recursos contra a condenação.

Em caso de condenação, os réus devem ficar em alas especiais de presídios ou nas dependências das Forças Armadas.

Oficiais do Exército têm direito à prisão especial, de acordo com o Código de Processo Penal (CPP). O núcleo 1 tem cinco militares do Exército, um da Marinha e dois delegados da Polícia Federal, que também podem ser beneficiados pela restrição. 

Núcleos

A denúncia da trama golpista foi dividida pela PGR em quatro núcleos. O núcleo crucial, ou núcleo 1, formado por Jair Bolsonaro, será o primeiro ser julgado. As demais ações penais estão em fase de alegações finais, última etapa antes do julgamento, que deverá ocorrer ainda este ano.  

STF marca para 2 de setembro julgamento de Bolsonaro na trama golpista

      O ex-presidente Jair Bolsonaro – Foto: Lula Marques / Agência Brasil
O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 2 de setembro o início do julgamento da ação penal que tem como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados, todos réus por tentativa de Golpe de Estado. O julgamento foi marcado para começar às 9h.
Ao, Zanin reservou oito sessões para a análise do caso, seis delas extraordinárias, ou seja, realizadas em horários fora do previsto para a Primeira Turma. Além do 2 de setembro, com uma sessão pela manhã e outra a tarde, a demais sessões estão previstas para ocorrer nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro, conforme cronograma divulgado pela secretaria da Primeira Turma.
A ação penal 2668 é a mais avançada relacionada à trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tem como alvo o núcleo 1 da trama, também chamado núcleo “crucial”, grupo formado pelo que seriam as principais cabeças do complô.

Hugo Motta envia pedido de afastamento de 15 deputados após motim na Câmara

Hugo Motta envia pedido de afastamento de 15 deputados após motim na Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta – Foto – Lula Marques / Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, enviou à Corregedoria da Casa os pedidos de afastamento, por até seis meses, de 14 deputados da oposição que participaram do motim no Congresso Nacional e de uma deputada acusada de agressão. As medidas precisam ser votadas pelo Conselho de Ética da Casa.
Os oposicionistas são, em maioria, do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, e do Novo, e participaram da ocupação da Mesa Diretora da Câmara, obstruindo a retomada dos trabalhos legislativos. Já a deputada do PT é acusada de agredir o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Os deputados citados são: Marcos Pollon (PL-MS); Zé Trovão (PL-SC); Júlia Zanatta (PL-SC); Marcel van Hattem (Novo-RS); Paulo Bilynskyj (PL-SP); Sóstenes Cavalcante (PL-RJ); Nikolas Ferreira (PL-MG); Zucco (PL-RS); Allan Garcês (PL-TO); Caroline de Toni (PL-SC); Marco Feliciano (PL-SP); Bia Kicis (PL-DF); Domingos Sávio (PL-MG); Carlos Jordy (PL-RJ); e Camila Jara (PT-MS). A decisão foi tomada pela Mesa Diretora da Câmara após reunião na tarde desta sexta-feira (8).
Agencia Brasil.

Banco Central acompanha tarifaço e vê juro alto por tempo ‘bastante prolongado’

Banco Central acompanha tarifaço e vê juro alto por tempo 'bastante prolongado'
 Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Incertezas provocadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e as expectativas de inflação não caminhando para a meta são elementos que fizeram com que o Banco Central (BC). A explicação está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada nesta terça-feira (5).

O colegiado decidiu, na quarta-feira (30), manter a taxa básica da economia, a Selic, em 15% ao ano, nível mais alto desde julho de 2006 (15,25%). A meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

Atualmente, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), está em 5,35% em 12 meses. No documento que fundamenta a decisão do Copom, o colegiado afirma que o cenário de inflação segue desafiador em diversas dimensões e cita o ambiente externo, “mais adverso e incerto”.

“A elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos a depender de como se encaminharão os próximos passos da negociação e a percepção de risco inerente ao processo”, registra a ata.

A reunião da quarta-feira passada terminou horas depois de o governo americano impor tarifa de 50% a grande parte dos itens que o Brasil vende para os americanos. Para o Copom, essa incerteza faz o colegiado “preservar uma postura de cautela”.

Somadas à incerteza internacional, o Copom enfatiza que as expectativas de inflação no Brasil estão desancoradas, isto é, não caminhando para o centro da meta do governo. A ata lembra que a alta no preço dos alimentos perde ritmo, mas aponta que, no primeiro trimestre de 2027, o IPCA de 12 meses projetado é de 3,4%, ainda acima do centro da meta. As informações são da Agência Brasil. 

PF cumpre mandados em Vitória da Conquista devido à esquema de fraudes bancárias

PF cumpre mandados em Vitória da Conquista devido à esquema de fraudes bancárias

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (30) a “Operação Laranjada Suíça” no município de Vitória da Conquista, dando início a etapa ostensiva de investigação criminal que apura a prática de fraudes bancárias eletrônicas em prejuízo de diversas instituições financeiras, com destaque para a Caixa Econômica Federal.

Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal do Tocantins. Durante as diligências, foram apreendidos documentos, equipamentos de informática e aparelhos celulares, os quais serão submetidos à perícia e análise.

A investigação visa a esclarecer a possível ocorrência de transações fraudulentas que somam, até o momento, mais de R$ 318.000,00. O principal suspeito identificado é um homem que residia em Palmas/TO, cujos dispositivos eletrônicos foram vinculados a diversas contas bancárias de vítimas.

Os elementos probatórios indicam que as fraudes teriam sido praticadas por meio de técnicas de engenharia social e phishing, com o objetivo de obter dados sensíveis de clientes bancários, especialmente idosos, e realizar transferências indevidas.

A análise técnica revelou a utilização de dispositivos móveis, além da movimentação de valores para contas de terceiros (“laranjas”) residentes na cidade de Vitória da Conquista. O Inquérito Policial, sob segredo de justiça, prosseguirá com a adoção de diligências complementares para o completo esclarecimento dos fatos, além da identificação e responsabilização de outros possíveis envolvidos.