Categoria: Educação

Aulas semipresenciais nas redes pública e privada de Vitoria da Conquista começam dia no próximo dia 12

pmvc

Após discussões com a sociedade civil, estudos e planejamento das secretarias envolvidas, o Governo Municipal publica, nesta segunda-feira (5), o Decreto nº 21.192 que dispõe sobre a possibilidade de realização de atividades letivas com 50% da capacidade de cada sala de aula, nas unidades de ensino públicas e privadas de Vitória da Conquista, a partir de 12 de julho.

A decisão tem como critério principal a taxa de ocupação hospitalar, que não pode passar de 90%, segundo o coordenador do Comitê de Gestão, Kairan Rocha. “Caso a taxa de ocupação dos leitos de UTI no município fique acima de 90% por sete dias consecutivos, a ocupação máxima cai para 25% da capacidade de cada sala de aula”, explica o coordenador.

O decreto dispõe que as instituições de ensino estarão condicionadas a manter ocupação máxima de 50% (cinquenta por cento) da capacidade de cada sala de aula, mantendo-se o distanciamento mínimo de 1,5 metro por aluno, bem como à realização de frequente higienização dos ambientes (mínimo de quatro vezes ao dia, compreendendo os períodos de recreio e fim de expediente) onde as aulas serão desenvolvidas e dos materiais utilizados pelos alunos, professores e demais profissionais da educação.

Também serão exigidos os mesmos cuidados sanitários exigidos de outros estabelecimentos com atividade presencial, a exemplo de afastamento de carteiras, dispensação e uso de álcool em gel, além de aferição de temperatura corporal de professores, alunos e trabalhadores da escola na entrada e na saída.

A Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde fará uma inspeção nas instalações das escolas, para emissão de um parecer sobre a viabilidade de funcionamento”.

A retomada das atividades letivas de forma semipresencial entrará em vigor sem prejuízo das medidas de enfrentamento, que continuarão a ser exigidas pela fiscalização sanitária e de Posturas. Foi considerado que a grande maioria dos profissionais ligados à Educação das redes pública e privada em Conquista já foram vacinados.

Apontamento de Língua Portuguesa nº 002, hoje falando sobre os acentos gráficos

Apontamento de Língua Portuguesa nº 002 – Vamos ver nessa segunda sessão, a dança dos acentos gráficos.

O condeubense professor da Língua Portuguesa Agnério Evangelista de Sousa

a) Os monossílabos tônicos terminados em a, e, o; os oxítonos terminados em a, e, o , em, ens e os proparoxítonos continuam acentuados como eram antes do novo Acordo Ortográfico:
Já, pé, três, só, vós (monossílabos tônicos); sabiá, vatapá, jacaré, você, dominó, avô, também, alguém, parabéns (oxítonos); gramática, exército, túmulo, quilômetros, público (proparoxítonos).

Lembrete: existem monossílabos átonos: de, da, se, o, lhe, me e existem monossílabos tônicos: mim, dor, lá, dó. O oxítono tem a última sílaba da palavra acentuada, porém nem todos: doutor, perguntar, professor, partir, vender são oxítonos e não são acentuados. O proparoxítono vem acentuado na antepenúltima sílaba: ci-en-tí-fi-co, lâm-pa-da, cá-ga-do, etc. A confusão está entre os paroxítonos cuja sílaba tônica é a penúltima: ru-bri-ca, pu-di-co, i-tem, me-ni-no.

b) Os paroxítonos com ditongos abertos “éi, oi” perderam o acento. Agora pelo novo Acordo é assim: assembleia, ideia, Coreia, geleia, plateia, eu apoio, jiboia, heroico, joia, debiloide, asteroide, etc.

c) Os paroxítonos com “i” e “u” tônicos, depois do ditongo, perderam o acento: baiuca, feiura, Bocaiuva, Sauipe. É bom lembrar que, palavras que terminam em “i” ou “u”, se estiverem precedidas de vogal, são oxítonas, portanto, são acentuadas: Piauí, Itajaí, Jundiaí, baú, Anhangabaú; porém se vier precedido de consoante, não leva acento: Guajeru, urubu, Parati, Jacaraci, Guanambi.

d) Palavras terminadas em “eem” e “oo” também perderam o acento. Veja:
eu abençoo, eu perdoo, eles creem, que eles deem, elas leem, os meninos veem (verbo ver) . Tenhamos cuidado com os verbos ter e vir e seus derivados. Ex: Ele tem dois carros, plural: Eles têm dois carros; Ela mantém a palavra, plural: Elas mantêm a palavra. O rapaz vem de Sorocaba, plural: os rapazes vêm de Sorocaba. Esta ação convém aos estudantes, plural: Estas ações convêm aos estudantes.

e) Ainda é grande o número de vocábulos paroxítonos acentuados:
lápis, júri, álbum, órgão, bênção, série, ágeis, ministério, remédio, fêmea, automóvel, útil, açúcar, abdômen, cadáver, gênio, amável, saúde.

f) O chamado acento diferencial deixou de existir, com exceção de pode/pôde. Ex:
1) Ele para o carro no sinal vermelho ( verbo parar)
2) O que tem para comer hoje? (preposição)
3) Joaquim foi ao polo Norte (ponto extremo da Terra)
4) Carlos gosta de jogar polo (nome de um jogo)
5) Esse gato tem pelos brancos (penugem)
6) O Coordenador falou pelos professores (preposição)
7) Comi uma pera deliciosa (fruta)
8) “Tão curta a vida pera tão grande amor (Camões) ( pera forma antiga de para)
9) O governo pode fazer isto (Presente do Indicativo do verbo poder)
10) O governo não pôde fazer isso (Passado do verbo poder)

g) Pelo novo Acordo, (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste) o trema não se usa mais: cinquenta, eloquente, frequente, quinquênio, sequência, linguiça, sequestro.

Jovem baiano que estudou em casa sem energia elétrica passa em medicina em universidade federal

Matheus de Araújo Moreira Silva, de 25 anos – Foto: Arquivo Pessoal

O jovem morador de Feira de Santana, no interior baiano, que estudou em uma casa simples, emprestada da amiga, sem energia elétrica e internet, foi aprovado em medicina na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) após quatro anos de preparação. Matheus de Araújo Moreira Silva, de 25 anos, quase atingiu a nota máxima na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2020 com 980 pontos.

As aulas do tão sonhado curso de medicina já começaram na segunda-feira (28), inicialmente de forma remota. “Para mim foi surreal, foram oito anos fazendo Enem. Há quatro anos que eu tento fazer medicina, então é um bom tempo estudando”, disse o jovem em entrevista ao G1. Matheus de Araújo Moreira Silva fez o processo seletivo da UFRB por quase um mês e agora, com o resultado positivo, o jovem vai realizar o maior sonho: vai ser o primeiro médico da família e da comunidade quilombola à qual faz parte.

“Eu só vou acreditar quando passar essa pandemia e eu poder me mudar para Santo Antônio de Jesus, que é onde tem o polo que eu vou fazer medicina”, contou. “Minha família e minha comunidade quilombola de Antônio Cardoso estão super felizes, porque é o primeiro médico da família, então eles estão em êxtase, em festa, por isso tudo, porque eles viram o meu esforço durante esse período todo. Estão muito, muito alegres”.

Matheus de Araújo Moreira Silva, de 25 anos – Foto: Arquivo Pessoal

Com a aprovação desejada, Matheus Silva agora pensa em conseguir formas de se manter no curso e conseguir se formar. A primeira estratégia pensada foi a realização de uma “vaquinha” virtual. Ele também procura um estágio para conseguir uma fonte de renda. “Eu pretendo agora montar uma vaquinha para a manutenção do curso até eu conseguir uma residência universitária e, nesse momento que eu vou ter aulas remotas, quero achar um horário para eu conseguir um estágio, para conseguir um dinheiro e me manter”.

Entretanto, os problemas futuros, embora pensados agora, ficam em segundo plano, quando o jovem lembra que vai lutar para salvar vidas. “Eu estou bastante honrado em poder fazer o curso que eu irei possibilitar mudanças de vida de várias pessoas. É um sonho se concretizando”, afirmou Matheus Silva.

Estudante de escola pública, o jovem sempre desejou estudar medicina desde que concluiu o ensino médio, em 2013. Em 2015, ele foi aprovado no curso de enfermagem na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Mas, depois de dois anos, trancou a faculdade, o que ele considera “uma decisão da vida”, e desde 2018 se dedicou a estudar para passar em medicina. O jovem, morador de um bairro periférico de Feira de Santana, filho de pais analfabetos, sonhava cursar medicina.

Apontamento de Língua Portuguesa, hoje falando sobre o “hífen” (1ª aula)

Professor Agnério Evangelista

Prof. Agnério Evangelista de Sousa

O nosso querido professor Agnério Evangelista, em parceria com a Folha de Condeúba, irá fazer alguns apontamentos de Língua Portuguesa, nós iremos publicar todas as segundas-feira inciando hoje com o tema hífen, (1ª aula).

O Professor Antônio Benoni Giansante, de São Paulo, publicou pela Editora Rêspel Ltda um bom livro sobre: “Solução para suas dúvidas de Português”. Aproveitando as aulas, é nossa intenção publicar pelos sites de Condeúba algumas lições muito boas, com as devidas adaptações, para uso de quem escreve e de quem fala o português padrão.

Nossa primeira sessão será: Desafios do uso do hífen (alguns casos).

a) – O hífen continua sendo usado na maioria dos casos: guarda-roupa, beija-flor, pé-de-meia, questão econômico-financeira, literatura luso-brasileira, vice-presidente, ponte Rio-Niteroi, recém-casado, ex-aluno, latino-americano, arco-íris, capim-açu, etc.

b) – Tenhamos cuidado com prefixos, se a palavra seguinte começar com “h” , vai levar hífen: anti-herói, anti-higiênico, mini-hotel, sobre-humano, super-homem; porém antiaéreo, agroindustrial, autoestrada, autoescola, semiaberto, semianalfabeto, infraestrutura, anteontem; tudo junto porque a palavra seguinte é uma vogal; mas se for a mesma vogal vai levar o hífen: anti-imperialista, anti-inflacionário, auto-observação, contra-atacar, micro-ondas, semi-internato, anti-inflamatório, micro-ônibus. Durma com um barulho desse.

c) – Quando o prefixo terminar com vogal e a palavra seguinte iniciar-se com “r” ou “s” dobram-se: antirreligioso, antissocial, biorrítimo, contrarregra, infrassom, microssistema, minissaia, semirreta, ultrarresistente, ultrassom, biossegurança. Tudo isso por causa do novo Acordo dos países que falam o português (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Ilha dos Açores, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau) Grande novidade essa regra.

d) – Se o prefixo terminar em consoante e o segundo elemento for a mesma consoante, vai usar o hífen: inter-racial, inter-regional, super-racista, super-resistente, super-romântico, porém, há palavras formadas por prefixação em que não se usa o hífen: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção, superamigo, hiperativo, anteprojeto, coprodução semicírculo, microcomputador, ultramoderno, seminovo; e outras formadas por justaposição: paraquedas, pontapé, mandachuva, girassol.

Realmente, a nossa língua é bastante complexa, e o hífen que não tem representação fonética, apenas um sinal gráfico, é um dos elementos mais abusados.

Resultado de recursos para isenção de taxa do Enem já está disponível

O resultado dos recursos para isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 e para justificativa de ausência no Enem 2020 está disponível na Página do Participante. (Veja aqui). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou as informações hoje (25). Para visualizar o resultado, basta acessar a Página do Participante com o login único.

Com a divulgação dos resultados dos recursos, a próxima etapa do cronograma do Enem 2021 é a inscrição. O Inep informou que todos os interessados em realizar o exame, isentos ou não, devem se inscrever pela Página do Participante, no período de 30 de junho a 14 de julho. Destacou que a aprovação da isenção e da justificativa de ausência não garante a participação na nova prova, que depende da inscrição prévia.

Novos cursos gratuitos são ofertados na área de tecnologia

A.Tarde

Após o lançamento do Programaê, uma parceria do Governo do Estado, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), e a startup Digital Innovation One (DIO), que abriu 10 mil vagas em cursos de tecnologia, quatro novos módulos na área de programação passam a ser ofertados. As novas formações estão voltadas para o nível iniciante, são elas: Conceitos e Melhores Práticas com banco de dados PostgreSQL, Modelando um Banco de Dados com SQL Server, MYSQL Trabalhando com Tabelas e MYSQL Explorando Relacionamento com Workbench.

Além disso, outros cursos em nível avançado, para quem já tem experiência na área e deseja receber capacitação profissional, também estão disponíveis. As inscrições são gratuitas e estão disponíveis no site da Secti até o dia 30 de junho.

Para a secretária da Secti, Adélia Pinheiro, as novas aulas chegaram em um momento oportuno. “Prestes a completar duas semanas, desde o seu lançamento, o Programaê já possui mais de 4 mil inscritos. Além dos cursos ofertados em sua estreia, como HTML, CSS, JavaScript, bancos de dados, entre outros, foram acrescentadas essas novas formações com o intuito de fortalecer as carreiras de desenvolvedores e programadores, na Bahia, a fim de preencher a demanda deste mercado. É importante entrar no nosso site e fazer logo sua inscrição para garantir uma das vagas”, declarou a secretária.

O Head de Parcerias da Digital Innovation One, Victor Haruo, acredita que esses novos cursos são extremamente importantes para quem quer seguir carreira na área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). “Os cursos de PostgreSQL, MySQL e SQL SERVER vão servir como primeiros passos para novos desenvolvedores começarem a se aprofundar em banco de dados, trazendo uma abordagem simples e com as melhores práticas do mercado de tecnologia. Para quem está iniciando uma carreira neste setor é uma forma de começar a se desenvolver ainda mais em uma área que cresce exponencialmente a cada ano”.

Saiba como se inscrever:

Para os interessados em aproveitar essa oportunidade, basta entrar no site da Secti www.secti.ba.gov.br e clicar no banner do “Programaê”, que aparece na tela inicial. O indivíduo será redirecionado a outra página, onde ele deve escolher o nível de aprendizado, iniciante ou avançado e, em cada aba, haverá diferentes opções de cursos para o participante escolher. Após optar por uma determinada aula, o estudante então deverá preencher um questionário simples com algumas informações pessoais para concluir a inscrição. Dessa forma, o indivíduo já pode ser considerado um dos 10 mil novos estudantes da área de tecnologia do Programaê. Vale lembrar também que todos os cursos contam com certificado de conclusão e você pode se inscrever em quantos cursos desejar.

Marcelo Queiroga defende aulas presenciais com professores sem 2ª dose de vacina

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu nesta segunda-feira (21) a volta às aulas presenciais já no segundo semestre, mesmo que ainda haja professores que não tomaram a segunda dose da vacina contra a Covid. O ministro participou de uma audiência pública na comissão do Senado que acompanha as ações do poder público de combate à pandemia.

As aulas presenciais na rede pública de ensino nos estados foram suspensas assim que os primeiros casos de Covid começaram a ser registrados no Brasil, entre fevereiro e março de 2020. Até agora, não houve reabertura efetiva. “Estamos há mais de um ano sem aulas, já distribuímos doses aos professores de atenção básica. No meu entendimento, não é fundamental que todos os professores estejam imunizados com duas doses para o retorno às aulas”, afirmou o ministro.

Queiroga disse que a testagem fará parte da estratégia para o retorno das aulas presenciais. “Com a estratégia adequada de testagem, podemos compatibilizar o retorno das aulas com a identificação dos casos positivos e, a partir daí, ter, já no segundo semestre, o retorno de aulas”, completou o ministro.

Pela 1ª vez, a maioria dos ingressantes na USP é de escola pública

É a primeira vez que isso ocorre desde que a instituição passou a registrar o perfil dos ingressantes, em 1995.
Por Estadão Conteúdo

Em uma mudança histórica, a maioria dos novos alunos matriculados na Universidade de São Paulo (USP) vem de escolas públicas. Depois de anos de discussões e polêmicas sobre reserva de vagas na instituição de ensino mais conceituada do País, foi cumprida este ano a meta ambiciosa estabelecida em 2017 de ter metade de novos alunos com esse perfil.

É a primeira vez que isso ocorre desde que a instituição passou a registrar o perfil dos ingressantes, em 1995.

Das 10.992 vagas preenchidas, 51,7% foram ocupadas pelos alunos que estudaram na rede pública. Há mais de dez anos, o índice geral ficava em cerca de 25%, sendo bem menor nos cursos mais concorridos. Apesar disso, chegar aos mais pobres ainda é um desafio: a renda média da maioria dos ingressantes continua acima de 5 salários mínimos e menos de um terço do total dos estudantes é preto, pardo e indígena.

O especialista em políticas de acesso e permanência da Universidade Federal do ABC (UFABC), Wilson Mesquita de Almeida, avalia positivamente o avanço dos últimos 15 anos para a inclusão de pessoas de baixa renda no ensino superior, mas aponta a necessidade de maior atenção com o corte de renda familiar. Para ele, há um reforço do perfil de classe média, que historicamente entra na universidade pública.

Para ampliar o alcance, segundo ele, ainda é necessário combinar políticas estruturais, como maior investimento na escola pública no professor, e democratizar o acesso à informação aos estudantes. Na pandemia, lembra, a desigualdade de aprendizado deve ser ainda maior. Entre todos os ingressantes, 25% têm renda familiar acima de 10 salários. Na outra ponta, quase um terço (29,7%) dos discentes dispõe de até três.

Mesmo assim, o pró-reitor de Graduação da USP, Edmund Chada Baracat, diz que a implementação da reserva de vagas na USP tem mudado o perfil dos estudantes na instituição, tornando-a mais diversa social, cultural e economicamente. “Esse processo, no entanto, deve ser contínuo e constantemente avaliado. Nas universidades federais, pelo fato de a reserva já ter sido implementada há quase dez anos, o processo está mais adiantado.”

“É muito louvável que a USP tenha chegado a mais de 50% de alunos aprovados serem oriundos da rede pública do Brasil. No entanto, nossa comunidade ficará mais feliz quando esses 50% tiverem dentro da renda de no máximo 1,5 salário mínimo”, diz Frei David Santos, diretor executivo da Educafro Brasil, que luta há décadas por mais inclusão na USP.

Sonho
Aos 18 anos e ex-estudante de escola pública, Natália Malerba chega à USP para cursar Engenharia Química. A felicidade da jovem é ainda maior porque deve permanecer em Lorena, onde mora e há um câmpus da instituição. Ao contrário dos colegas da turma que vêm em grande quantidade de outras partes do País, não precisará de ajuda para moradia. Segundo a USP, em 2021, foram destinados R$ 250 milhões, 6,7% a mais do que no ano passado, para auxílio estudantil.

A renda familiar de Natália, como a de 13% dos novos estudantes, está entre 2 e 3 salários mínimos. “Durante todo o ensino médio, a maioria dos alunos sonha com a universidade pública. Porém sabemos o quanto é difícil passar porque são poucas vagas. Especialmente em tempos de pandemia, parece que a gente não vai ter futuro e que está muito longe de conseguir”, diz a jovem. “Infelizmente, muita gente abre mão de fazer uma faculdade porque não consegue conciliar faculdade e a necessidade de trabalhar.”

“Nossa realidade não favorece o cultivo de sonhos. A gente não pode esperar que uma pessoa demore a entender que pode entrar no curso de Medicina”, diz Adriana dos Santos, aprovada para Bauru.

Ela tem 37 anos, mora em São Paulo e não pode receber auxílio estudantil por já ter graduação em Psicologia. A universitária vive com a mãe aposentada. A renda da família é de 1 salário mínimo. Por isso, há indefinição sobre como se manterá em outra cidade quando as aulas presenciais retomarem. “O fato de eu ter uma graduação não garante que eu tenha condições. É necessário maior flexibilidade ou ampliação do programa.”

Casado e pai de três filhos, Cassius Jansen, de 43 anos, é calouro no curso de Direito na USP. A única renda da família vem do salário de R$ 1,2 mil da esposa. Há dois anos, o universitário saiu do emprego, decidiu dedicar-se exclusivamente aos estudos para alcançar a vaga e conseguiu bolsa de estudos no curso pré-vestibular. Sobrevive de bicos e da ajuda da mãe.

Para se manter na universidade, ele buscou auxílio nos programas de permanência para moradia, transporte e livros. “Às vezes, muita gente não entende o que é estudar no Brasil. Uma pessoa que estuda precisa de tempo. Isso não é possível se você não tiver algum apoio.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.