Categoria: Condeúba

Justiça torna réus acusados de armar bomba perto do aeroporto de Brasília

Homens tentaram explodir caminhão com combustível perto de aeroporto em 24 de dezembro de 2022

Artefato explosivo foi encontrado em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Artefato explosivo foi encontrado em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) aceitou denúncia do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) e tornou réu o trio acusado de estar por trás da tentativa de explosão de um caminhão com combustível nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília em 24 de dezembro de 2022.

Foram denunciados Alan Diego dos Santos, Welligton Macedo de Souza e George Washington de Oliveira Sousa, que chegou a ser preso pela Polícia Civil de Brasília.

A denúncia foi recebida pelo juiz Osvaldo Tovani, da 8ª Vara Criminal de Brasília, que considerou que os requisitos previstos no Código de Processo Penal estavam preenchidos e que havia “justa causa” para abertura da ação penal contra os acusados. O despacho foi assinado na última terça-feira (10).

O processo foi registrado no sistema da Justiça do DF com a classificação “crimes do sistema nacional de armas” e a indicação de “motivação político partidária”.

Segundo fontes ouvidas pela Folha, os réus devem responder na Justiça pelo crime de explosão.

Preso no mesmo dia da tentativa de explosão, George Washington afirmou à Polícia Civil de Brasília que planejou com manifestantes do QG (Quartel General) no Exército a instalação de explosivos em pelo menos dois locais da capital federal para “dar início ao caos” que levaria à “decretação do estado de sítio no país”, o que poderia “provocar a intervenção das Forças Armadas”.

Segundo ele, as “palavras” de Jair Bolsonaro (PL) o encorajaram a adquirir o arsenal de armas apreendido em seu poder. Na versão dada aos policiais, à qual a Folha teve acesso, ele fez referência ao discurso armamentista do presidente da República —marca de Bolsonaro durante seu mandato e da campanha que em 2018 o levou ao Palácio do Planalto.

O jornalista Wellington Macedo de Souza já havia sido preso por ordem de Alexandre de Moraes sob acusação de incentivar ato antidemocrático no 7 de Setembro.

A investigação do caso começou quando a Polícia Militar do DF afirmou ter interceptado o artefato explosivo no dia 24 de dezembro. A polícia foi acionada pelo motorista do caminhão, que percebeu que uma caixa havia sido colocada no interior do veículo.

Foi encontrada no local uma pequena dinamite com temporizador. O explosivo foi retirado pelo esquadrão antibombas, e, de acordo com nota da PM, foi realizada a “desativação do artefato” ainda no local.

A pista foi interditada durante a operação, com as vias marginais liberadas para trânsito, e não houve impacto na operação do aeroporto de Brasília.

Governo Lula quer dar auxílio para crianças e jovens órfãos da pandemia

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende dar um auxílio para crianças e jovens de baixa renda que se tornaram órfãos em virtude da pandemia. A medida é capitaneada pelo ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, e foi uma das sugestões do grupo de trabalho criado na transição para cuidar de questões da área.

É também uma das medidas consideradas pela atual administração para compensar o estrago causado pela ação negacionista do governo de Jair Bolsonaro na pandemia.

Ao todo, mais de 694 mil pessoas já morreram no Brasil por conta da Covid-19. Um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), só nos primeiros dois anos da pandemia (2020 e 2021), cerca de 40,8 mil crianças e adolescentes perderam suas mães no Brasil por conta do coronavírus.

Gasolina cai nos postos mas segue acima de R$ 5, aponta ANP

O preço da gasolina e do diesel registrou queda nos postos de combustíveis nesta semana, de acordo com pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo a ANP, o preço médio da gasolina, por litro, caiu de R$ 5,12 para R$ 5,04, depois de duas semanas de alta. É uma queda de 1,56%.

Já o preço médio do litro do diesel recuou de R$ 6,41 para R$ 6,36 nesta semana. É uma retração de 0,78%.

Bahia registra aumento de casos de dengue em 2022 e mortes cresceram 525%

Foto: James Gathany/CDC

Em 2022, o mundo viu a pandemia de Covid-19 arrefecer, possibilitando o retorno de grandes eventos e a dispensa do uso de máscaras. Mas, na Bahia, um outro mal voltou a crescer, matando 525% mais do que em 2021: a dengue.

A doença, provocada pela picada infectada do inseto Aedes aegypti – o famoso “mosquito da dengue” –, foi ofuscada pelo coronavírus, mas deve voltar aos holofotes do combate a endemias em 2023, para que não provoque mais mortes.

Durante as 52 primeiras semanas do ano passado – o Estado ainda não consolidou os dados da última semana do ano –, a Bahia registrou 35.925 casos prováveis de dengue, contra 25.310 contabilizados em todo o ano de 2021, o que representa um crescimento de aproximadamente 41,9%.

De acordo com o Bahia Notícias, dentre os casos prováveis, 20.128 (34,7%) foram classificados como Dengue, 266 (0,5%) identificados por Dengue com Sinais de Alarme (DSA), 52 (0,08%) como Dengue Grave (DG), 13.753 (23,7%) como inconclusivo e 1.726 casos (3%) permanecem em investigação.

Os números apresentados em 2022 também representam um coeficiente de incidência (CI) acumulada de 242,5 casos a cada 100 mil habitantes. As regionais de saúde com maior CI foram Itabuna, com 803,8 casos a cada 100 mil habitantes; Ilhéus, com 636,6 casos por 100 mil habitantes; Irecê, com 630,7 casos a cada 100 mil habitantes; Juazeiro com 601,1 casos por 100 mil habitantes; e Guanambi, com 597,4 casos por 100 mil habitantes.

No âmbito municipal, os piores números são de Floresta Azul, com 4.786,6 casos por 100 mil habitantes; Piripá, com 4.193,9 casos a cada 100 mil habitantes; Apuarema, com 4.179,3 casos por 100 mil habitantes; Santa Cruz da Vitória, com 4.150 casos a cada 100 mil habitantes; e Chorrochó, com 3.671,7 casos por 100 mil habitantes.

No caso das mortes em decorrência da dengue, elas foram apenas 4 em 2021, contra 25 em 2022, apontando um avanço de 525% no número de óbitos. Entre as vítimas fatais da dengue, duas tinham menos de 1 ano de idade; duas tinham de 1 a 4 anos; três possuíam de 10 a 19 anos; quatro de 20 a 29 anos; três de 30 a 39 anos; cinco de 40 a 49 anos; um de 50 a 59 anos; três de 60 a 69 anos; e duas de 70 a 79 anos de idade.

Outras duas doenças também registraram aumento de contaminação da Bahia em 2022: chikungunya e zika, ambas também transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. No caso da chikungunya, foram 18.351 casos prováveis na Bahia em 2022, contra 13.944 registrados em 2021, representando um incremento de 31,6% no número de contaminações, sendo os municípios de Macarani, Piripá, Macajuba, Maiquinique e Santa Cruz da Vitória os com maior quantidade.

Já o vírus da zika teve 1.368 casos prováveis na Bahia em 2022, contra 1.003 reconhecidos em 2021, apontando para um crescimento de 36,4% na quantidade de registros. Piripá, Macajuba, Potiraguá, Itajuípe, Itambé e Itarantim foram os municípios com mais casos no estado.

Condeúba/Fazenda Sossego: Morreu o Sr. José Ferreira Dias aos 97 anos de idade

 

Sr. José Ferreira Dias, morreu aos 97 anos de idade

Morreu na noite deste sábado dia 14 de janeiro de 2023 às 19:00 horas, o Sr. José Ferreira Dias aos 97 anos de idade. Segundo informações de familiares, a causa da morte foi natural. Sr. José era viúva da Sra. Maria dos Anjos Januária Dias e deixou 8 filhos: Jesuíno, Ademar, Áurea, Amadeus, Salvador, Maura, Idenor e Lindaura além de 25 netos, 27 bisnetos e 2 tataranetos. O corpo está sendo velado na sua residência na Fazenda Sossego, o sepultamento será no Cemitério Municipal da Fazenda Sossego hoje a tarde dia 15, às 16:00 horas. A família agradece a todos que comparecer a esse ato de fé e solidariedade Cristã.

Atendimento: FUNERÁRIA SÃO MATHEUS

Nós do Jornal Folha de Condeúba, neste momento de muita dor e luto, prestamos nossos mais sinceros sentimentos de solidariedade e amor à família do Sr. José, na esperança de que Deus nosso Pai, dê todo o conforto e consolo necessário aos parentes e amigos. Que permaneçam as boas lembranças, carinho e afeto para com a memória dele, descanse em paz, nas graças de Deus Senhor José.

Americanas deve R$ 40 bilhões? Entenda a situação financeira da rede

Lojas Americanas em Brasília (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Lojas Americanas em Brasília (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Depois de admitir uma inconsistência contábil de R$ 20 bilhões em seu balanço, a Americanas S.A. pediu uma tutela cautelar, ou seja, uma proteção à Justiça para evitar a antecipação de vencimento de dívidas que, segundo a companhia, somam R$ 40 bilhões.

O número corresponde à soma dos R$ 20 bilhões expostos pelo agora ex-presidente da Americanas, Sergio Rial, e da dívida bruta da companhia, que em setembro de 2022, último dado disponível, era de quase R$ 20 bilhões.

Mas qual o retrato que se tem da situação financeira da companhia, levando em conta os dados do balanço divulgado em novembro, referente ao terceiro trimestre de 2022? Quanto a Americanas tem disponível para honrar seus compromissos?

REDE VAREJISTA ALONGOU PRAZOS DE PAGAMENTO

O último balanço da Americanas, antes da exposição do erro contábil de R$ 20 bilhões, mostra que a empresa fez um trabalho para alongar os prazos de suas dívidas entre 2021 e 2022. E o maior deles foi nos empréstimos e financiamentos junto a bancos.

Em setembro de 2021, a Americanas tinha R$ 3,4 bilhões em empréstimos com vencimentos de até 12 meses. Um ano depois, este valor baixou para pouco menos de R$ 900 milhões.

Por outro lado, os empréstimos e financiamentos de longo prazo quase dobraram, saindo de quase R$ 8 bilhões para R$ 15,5 bilhões. Esses contratos têm vencimentos superiores a 12 meses.

O valor total desses financiamentos, somando todos os vencimentos, correspondem a quase 87% do valor total da dívida bruta da Americanas ao final do terceiro trimestre, de R$ 19,3 bilhões. Essa dívida cresceu mais de 50% em 12 meses, já que em setembro de 2021, estava em R$ 12,8 bilhões.

DÍVIDA LÍQUIDA É DE R$ 5,3 BILHÕES; ENTENDA

Para medir a dívida líquida, a empresa apura o que tem de recursos disponíveis em caixa, mais o que tem a receber em recebíveis de cartão de crédito, no caso da Americanas e outras varejistas.

A Americanas tinha, em setembro, R$ 8,8 bilhões em caixa, mais R$ 5,2 bilhões em recebíveis, já descontados os que foram antecipados pela empresa junto a bancos. Um total disponível de R$ 14 bilhões, quase R$ 2 bilhões a menos que 12 meses antes, quando as disponibilidades eram de R$ 15,8 bilhões.

Assim, se chega à dívida líquida da Americanas de R$ 5,3 bilhões. Um ano antes, os recursos disponíveis eram maiores que a dívida bruta, e por isso, a empresa tinha um caixa líquido de R$ 3 bilhões.

ROMBO CONTÁBIL PODE AFETAR INDICADOR DE CAPACIDADE PAGAMENTO

É a partir daí que as empresas fazem o cálculo do que é chamado no mercado de alavancagem, que dá uma ideia da capacidade de pagamento dos compromissos de uma empresa. Ele é medida pela divisão da dívida líquida pelo Ebitda, que é o resultado operacional da empresa, medido antes de variáveis puramente financeiras, como impostos, juros de dívidas, e outros indicadores contábeis.

A Americanas terminou o terceiro trimestre de 2022, segundo seu balanço, em uma relação dívida líquida/Ebitda de 1,7 vez, patamar considerado bastante saudável por analistas.

Em alguns contratos, especialmente naqueles feitos com grandes credores, há uma cláusula que limita essa alavancagem, como forma de proteção contra uma eventual dificuldade de pagamento dos valores devidos.

No caso da Americanas, segundo o time de análise da XP investimentos, uma pequena parte dos contratos com credores possuem essa proteção, que não pode ser maior que 3,5 vezes na relação dívida/Ebitda.

Mas, ainda segundo a XP, se a Americanas admitir de uma só vez em seus balanços os R$ 20 bilhões descobertos, a relação dívida/Ebitda salta para 8 vezes, o que justificaria o pedido de antecipação do vencimento dos contratos, para quem inseriu essa cláusula.

Não é possível saber quantos contratos de financiamento da Americanas possuem essa cláusula. É mais comum ela estar presente em emissões feitas no mercado de capitais, com debêntures, por exemplo. A Americanas tem R$ 4,3 bilhões em títulos desse tipo a pagar, sendo R$ 1,3 bilhão de curto prazo.

No balanço patrimonial, a Americanas declarava também um passivo circulante, ou seja, pagamentos a serem feitos no curto prazo, de R$ 5 bilhões com fornecedores. Neste caso, este é um item comum em balanços de varejistas, já que as grandes redes conseguem negociar prazos de pagamento dos produtos que compram, geralmente entre 30 e 90 dias.

‘Tira esses vagabundos do Congresso’: as mensagens de Ibaneis no dia do ataque

O GLOBO teve acesso ao depoimento do governador afastado do Distrito Federal

Ibaneis Rocha, governador afastado do DF (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Ibaneis Rocha, governador afastado do DF (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Mensagens de texto e áudio obtidas pelo O GLOBO revelam detalhes do depoimento de três horas de Ibaneis Rocha, governador afastado do Distrito Federal, no qual ele alega que o plano de segurança de Brasília foi “sabotado” no domingo, culpando a cúpula da segurança local pelos atos terroristas.

O governador afastado tenta comprovar, com essas mensagens, sua tese de que foi enganado, mas assim que soube da invasão ao Congresso, pediu uma reação enérgica.

“Tira esses vagabundos do Congresso e prenda o máximo possível”, escreveu o governador às 15h39 ao então secretário interino de Segurança Pública do DF, Fernando de Souza Oliveira.

Segundo sua defesa, essa foi a reação de Ibaneis ao saber da invasão golpista.

Em mensagens anteriores na manhã daquele dia, Oliveira avisa ao governador que a manifestação ocorria de maneira “pacífica, ordeira e democrática”.

O secretário interino chega a garantir ao governador que não haveria problemas quanto ao controle dos atos.

Em áudio enviado às 13h23 para Ibaneis, Fernando de Souza Oliveira garante que conduziu negociações para que os manifestantes deixassem os arredores da Esplanada dos Ministérios sem tumultos e reitera o controle das tropas policiais. Este é o último diálogo entre eles, até o início dos atos terroristas.

“Governador, bom dia. Delegado Fernando falando. Governador, passar o ultimo informe aqui do meio dia para o senhor. Tudo tranquilo. Os manifestantes estão descendo lá do SMU, controlado, escoltado pela policia. Tivemos uma negociação para eles descerem de forma pacifica, organizada, acompanhada. Toparam. Não precisou conter lá em cima. É um ou outro ônibus que vai descer. Se descer perto da Rodoviária, eles desembarcam ali na alça leste e seguem acompanhados pela polícia militar. Então, assim, tá um clima bem tranquilo, bem ameno, uma movimentação bem suave e a manifestação totalmente pacifica. Até agora, nossa inteligência está monitorando, não há nenhum informe de questão de agressividade ligada a esse tipo de comportamento. Tem aproximadamente cento e cinquenta ônibus já no DF, mas todo mundo de forma ordeira e pacifica”.

Ibaneis responde de forma lacônica: “Maravilha”, às 13h29 do domingo.

Com a troca de mensagens, a defesa de Ibaneis espera comprovar que o governador afastado foi enganado sobre o efetivo empregado nas manifestações golpistas e que não faltou ordem para que os atos terroristas fossem contidos.

O governador volta a procurar Oliveira às 15h39, quando, de acordo com o depoimento, viu pela TV que os manifestantes haviam invadido prédios públicos. Ele pede para que os extremistas fossem removidos.

“Coloca tudo na rua. Tira esses vagabundos do Congresso e prenda o máximo possível”, solicita.

Aos investigadores, Ibaneis disse ter solicitado apoio das Forças Armadas ao ministro da Justiça Flávio Dino logo depois de ter tido ciência de que a situação estava fora de controle e se disse “decepcionado” e “revoltado” ao ver a passividade de alguns policiais militares, que chegaram a fazer fotos dos manifestantes que depredavam o patrimônio público. Ele disse ter sido vítima de “sabotagem”

Ibaneis afirmou em seu depoimento que fez contato pela manhã daquele dia com o titular da pasta, o ex-secretário Anderson Torres, que havia acabado de chegar aos Estados Unidos, apesar de ainda não estar de férias, que só se iniciariam na segunda-feira. Torres teria delegado a responsabilidade à Oliveira. De acordo com Ibaneis, a exoneração do secretário Anderson Torres se deu por esta espécie de “omissão” em um momento de crise.

“A exoneração do secretário Anderson se deu em razão do fato de que este estava ausente do país no momento do trágico acontecimento e, portanto, o declarante perdeu a confiança no seu então secretário”, afirmou em depoimento.

O GLOBO procurou as defesas de Ibaneis e Oliveira, que não responderam até o momento.

Preso, Anderson Torres tem direito a ‘prisão especial’ antes de eventual condenação

Ministro Anderson Torres saiu em defesa do presidente - Foto: Marcos Corrêa/Agência Brasil
Ministro Anderson Torres saiu em defesa do presidente – Foto: Marcos Corrêa/Agência Brasil
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, foi levado ao 4° Batalhão da Polícia Militar, localizado no Guará (DF), após ser preso nesta manhã ao desembarcar em Brasília de um voo vindo de Miami, nos Estados Unidos. Este Batalhão fica a cerca de 15 quilômetros de Brasília.

De acordo com pessoas envolvidas na operação, Torres ficará no batalhão provisoriamente. Por ser delegado da Polícia Federal, o ex-ministro tem direito a ficar recolhido em quartel ou prisão especial antes de uma eventual condenação definitiva.

A audiência de custódia será às 12h30 por videoconferência. O ex-ministro será ouvido pelo desembargador Airton Vieira. Segundo a definição do Conselho Nacional de JUstiça (CNJ), ˜lançadas em 2015, as audiências de custódia consistem na rápida apresentação da pessoa que foi presa a um juiz, em uma audiência onde também são ouvidos Ministério Público, Defensoria Pública ou advogado do preso. O juiz analisa a prisão sob o aspecto da legalidade e a regularidade˜, da prisão. “A análise avalia, ainda, eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos, entre outras irregularidades”.

Em nota, a PF se limitou a confirmar o cumprimento do mandado de prisão preventiva, ou seja por tempo indeterminado. A defesa de Anderson Torres ainda não se manifestou.

Torres estava de férias com a família nos EUA e foi exonerado do posto de Secretário de Segurança do DF, logo após o atentado golpista na sede dos Três Poderes, no último domingo. De acordo com informações de Flávio Dino, ministro da Justiça, o plano para a proteção de Brasília foi alterado horas antes dos protestos, com uma forte redução do esquema de segurança e números de policiais que vigiariam a Esplanada dos Ministério.

Além disso, a Polícia Federal apreendeu na quinta-feira na residência de Torres uma minuta de decreto presidencial que visava a interferência federal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para abrir caminho à alteração do resultado das eleições de 2022. O documento está sendo chamado de “minuta do golpe” e é considerado inconstitucional por juristas. Em uma rede social, Torres afirmou que “provavelmente” o documento estava na pilha de papéis que seriam descartados.

Prisão

Na última terça-feira, Alexandre de Moraes, ministro do STF, determinou a prisão preventiva de Anderson Torres, bem como a detenção do coronel ex-comandante da Polícia Militar do DF, Fábio Vieira. Por 9 votos a 2, a determinação de ambos foi referendada pelo plenário do Supremo.

Mores argumentou em sua decisão que o conjunto de crimes praticados durante a invasão dos prédios do Palácio do Planalto, do STF e do Congresso Nacional só poderiam ocorrer “com a anuência, e até participação efetiva, das autoridades competentes pela segurança pública e inteligência, uma vez que a organização das supostas manifestações era fato notório e sabido, que foi divulgado pela mídia brasileira”, como cita na decisão.

Acusado de favorecer Bolsonaro

No governo Bolsonaro, Anderson Torres se tornou uma espécie de braço-direito do então presidente em episódios controversos. Em julho de 2021, pouco após assumir como ministro, Torres participou com Bolsonaro de uma live na qual o ex-presidente atacou o sistema eleitoral com dados falsos e distorcidos.

Na ocasião, o então ministro endossou as suspeitas infundadas levantadas por Bolsonaro sobre o sistema eletrônico ao citar um relatório da PF sobre as eleições municipais de 2016 que, sem apontar fraudes na votação, teria sugerido um “aperfeiçoamento” do processo eleitoral com a adoção do voto impresso. O relatório, no entanto, apontava que a inclusão de um sistema impresso acoplado à urna eletrônica encarecia “bastante” o processo eleitoral, com “maior possibilidade de falha mecânica”.

Por conta do episódio, Torres prestou depoimento ao TSE, como testemunha, em um inquérito administrativo que apura os ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas. O caso segue em andamento.

Sancionada lei que torna o CPF único registro de identificação

Foto: Divulgação/Receita Federal

Com a entrada em vigor da nova lei, o CPF deverá constar nos cadastros e documentos de órgãos públicos, do registro civil ou dos conselhos profissionais, como é o caso de certidões de nascimento, casamento e óbito, bem como em documentos de identificação, registros de programas como PIS e Pasep, identificações relativas a INSS, título de eleitor, certificado militar, cartões de saúde, carteira de trabalho, Carteira Nacional de Habilitação, entre outros.

A lei entrou em vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União, mas estipula alguns prazos para a adaptação de órgãos e entidades: 12 meses para adequarem sistemas e procedimentos de atendimento aos cidadãos; e de 24 meses para que tenham a interoperabilidade entre os cadastros e as bases de dados.

Entre os pontos vetados pela Presidência está o que tratava de excepcionalidades e de algumas atribuições voltadas a entes federativos, sob a justificativa de que tais situações poderiam acabar por “cercear o acesso a informações e aos serviços de saúde, caso somente este fosse exigido como documento de identificação do cidadão, uma vez que há casos em que estrangeiros e nacionais não possuem o número de Cadastro de Pessoa Física”.

Foi também vetado o trecho que determinava à Receita Federal a atualização semestral de sua base de dados com alguns dos “batimentos eletrônicos” feitos pelo Tribunal Superior Eleitoral – procedimento que seria adotado para evitar duplicidade de CPF para uma mesma pessoa.

Tendo por base manifestação do Ministério da Fazenda, a Presidência argumentou que a proposição contraria o interesse público, uma vez que a Receita Federal, por força de convênio de intercâmbio de informações junto ao TST, “recebe dados do Cadastro Eleitoral com periodicidade mensal, e possui acesso online à base do TSE”. E, em contrapartida, disponibiliza acesso online à base CPF para o TSE.