Categoria: Brasil

STF julga reclamação procedente e Comissão Processante será retomada

Ministro do STF Flávio Dino – Foto: STF
Ministro Flávio Dino acatou reclamação do advogado Kim Rafael Serena Antunes e cassou a decisão de desembargadora do TJPR, que havia suspendido a CP, e apontou que é matéria é jurisprudência consolidada: decreto-lei federal prevalece no caso da vereadora Cristianne Costa Lauer, do Partido Novo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, cassou decisão da desembargadora Luciani de Lourdes, do Tribunal de Justiça do Paraná, que havia suspendido a Comissão Processante criada pela Câmara Municipal de Maringá contra a vereadora Cristianne Costa Lauer (Partido Novo), condenada em ação civil pública de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito.

A desembargadora havia inicialmente negado agravo de instrumento da defesa da vereadora, e reviu a decisão dias depois, atendendo a agravo interno. O autor da reclamação, o advogado maringaense Kim Rafael Serena Antunes, recorreu em 30 de maio ao STF. A decisão monocrática do ministro Flávio Dino foi publicada há pouco.

Kim Rafael alega que a decisão reclamada teria violado a Súmula Vinculante nº 46 ao aplicar normas municipais (Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal) em vez do decreto-lei nº 201/1967, de âmbito federal, para regular o processo de uma denúncia por infração político-administrativa.

Argumentou que é competência legislativa privativa da União estabelecer os crimes de responsabilidade e as respectivas normas de processo e julgamento. Destaca que, ao não aplicar a legislação federal, que assegura a qualquer eleitor a legitimidade para apresentar tal denúncia, a decisão reclamada teria contrariado a referida súmula.

O ministro, que dispensou encaminhar os autos à Procuradoria-Geral da República, por considerar que a matéria foi objeto de jurisprudência consolidada no tribunal. “É o caso dos autos”, observou, acrescentando que há perigo de dano, ante o desenvolvimento do processo de cassação, inexistindo dano reverso e prejuízo à Câmara Municipal, que havia aprovado a CP por 17 votos a 3.

Ao conceder o efeito suspendido, o ministro do STF destacou que a norma federal não condiciona a instauração de processo político administrativo contra parlamentar municipal ao trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça a prática de improbidade. “Exigir esse requisito, não previsto em lei, implica esvaziar o mecanismo de responsabilização política estabelecido pela legislação federal e usurpar a competência legislativa privativa da União, em afronta à Súmula Vinculante nº 46″.

“A decisão reclamada fere a separação de poderes ao impor que a Câmara Municipal só possa exercer sua função de fiscalizar e julgar um parlamentar após decisão prévia do Judiciário — exigência que não existe na legislação federal. Ao criar essa condição, a decisão retira da Câmara sua autonomia para avaliar politicamente a gravidade dos fatos atribuídos ao agente público e decidir se cabe responsabilização. O julgamento de vereadores por infrações político-administrativas é, a princípio, um processo político, conduzido por juízes políticos, regido por normas próprias e não subordinado à prévia chancela do Judiciário, ressalvado o controle jurisdicional em caso de atos teratológicos, violação ao devido processo legal e notório abuso de poder. Portanto, ao condicionar o processamento da denúncia à existência de sentença condenatória com trânsito em julgado, a decisão reclamada não apenas violou o decreto-lei nº 201/1967, mas também afrontou a autoridade da Súmula Vinculante nº 46 e comprometeu a efetividade dos mecanismos constitucionais de controle político”. Aqui, a decisão na íntegra.

Condenada a 10 anos de prisão e perda do mandato, Zambelli anuncia que está fora do Brasil

A deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), condenada em maio a 10 anos de prisão e a perda do mandato

A deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), condenada em maio a 10 anos de prisão e a perda do mandato por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), anunciou nesta terça-feira 3 que está fora do Brasil.

Em uma live no canal de extrema-direita Auriverde Brasil, no YouTube, Zambelli disse que deixou o país “há alguns dias” e que vai pedir afastamento do cargo, assim como fez o colega Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

“Eu vou me basear na Europa. Eu tenho cidadania europeia, estou muito tranquila em relação a isso. Não é um abandono do país, não é desistir da minha luta, muito pelo contrário. É resistir e poder continuar falando o que eu quero falar”, afirmou, sem deixar claro em que país está.

Zambelli alegou que viajou, inicialmente, para buscar atendimento médico e não deixou claro quanto tempo pretende ficar na Europa.

A CartaCapital, o advogado Daniel Bialski, que representa a parlamentar, escreveu que foi “apenas comunicado” que ela estaria fora do Brasil “para dar continuidade a um tratamento de saúde”.

Durante a entrevista, Zambelli disse que ‘não fugiu’ do país. Porém, minutos mais tarde, afirmou: “Eu poderia ir para a prisão, esperar um tempo, seguir no meu país, e depois me entregar para a Justiça. Mas que Justiça, que Judiciário?”, indagou.

“Eu não vou fazer o discurso de perseguida política. Quero fazer o discurso de pessoa que renasceu aqui fora e que quer lutar para que o país volte a ser o que era antes”, prosseguiu.

Prisão domiciliar
Após a condenação, a defesa da deputada chegou a solicitar prisão domiciliar alegando que ela sofre de depressão, síndrome da taquicardia postural ortostática (que provoca tonturas e aumento da frequência cardíaca) e síndrome de Ehlers-Danlos. Ela disse, recentemente, que “não sobreviveria na prisão”.

Além de Zambelli, o Supremo Tribunal Federal condenou o hacker Walter Delgatti — neste caso, a oito anos e três meses de prisão – por envolvimento na invasão aos sistemas do CNJ.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, Delgatti violou indevidamente mecanismos de segurança e invadiu dispositivos informáticos do CNJ sob o comando de Zambelli. A defesa do hacker alega que a parlamentar bolsonarista é a “mentora intelectual” do ataque.

Durante a invasão houve a inserção de documentos falsos, como um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes. Zambelli e Delgatti foram a julgamento pelos crimes de falsidade ideológica e invasão a sistemas da Justiça.

Em seu voto, Moraes afirmou ser “completamente absurda a atuação vil de uma deputada federal, que exerce mandato em representação do povo brasileiro, e de um indivíduo com conhecimentos técnicos específicos, que causaram relevantes e duradouros danos. à credibilidade das instituições”.

TSE manda retotalizar votos e 7 deputados federais podem perder a cadeira

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, determinou em 3 de junho de 2025 a substituição de sete deputados federais, em decorrência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que alterou as regras de distribuição das chamadas “sobras eleitorais” nas eleições proporcionais.

1. Contexto: Decisão do STF sobre Sobras Eleitorais: Em março de 2025, o STF concluiu o julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade ( ADIs ) nº 7.228-ED e 7.263-ED, declarando inconstitucional a exigência de que partidos ou federações atingissem ao menos 80% do quociente eleitoral para participarem da distribuição das sobras eleitorais. A Corte decidiu que essa nova interpretação teria efeito retroativo, afetando diretamente os resultados das eleições de 2022 .

2. Determinação do TSE para Retotalização dos Votos: Com base na decisão do STF, a ministra Cármen Lúcia determinou que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizem a retotalização dos votos das eleições de 2022 para os cargos proporcionais. Os TREs têm um prazo de cinco dias para encaminhar ao TSE a memória de cálculo da retotalização.

3. Deputados que Perderão o Mandato

A retotalização resultará na substituição de sete deputados federais :

Silvia Waiãpi (PL-AP)

Sonize Barbosa (PL-AP)

Professora Goreth (PDT-AP)

Augusto Puppio (MDB-AP)

Lázaro Botelho (PP-TO)

Gilvan Máximo (Republicanos-DF)

Lebrão (União-RO)

4. Novos Deputados que Serão Diplomados

Os parlamentares que assumirão as vagas são:

Aline Gurgel (Republicanos-AP)

Paulo Lemos (PSOL-AP)

André Abdon (PP-AP)

Professora Marcivânia (PCdoB-AP)

Tiago Dimas (Podemos-TO)

Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)

Rafael Fera (Podemos-RO)

5. Implicações Políticas: A mudança afeta significativamente a bancada do Amapá, onde quatro deputados serão substituídos. Essa alteração beneficia aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que atuou nos bastidores para garantir a manutenção da decisão do STF.

6. Reações e Controvérsias: O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou ao STF que a nova regra sobre as sobras eleitorais fosse aplicada apenas a partir das eleições de 2026, argumentando que mudanças nas regras eleitorais devem respeitar o princípio da anterioridade. No entanto, o STF decidiu pela aplicação retroativa da nova interpretação, afetando os resultados das eleições de 2022.

A decisão do TSE de retotalizar os votos e substituir os deputados federais marca uma mudança significativa na composição da Câmara dos Deputados, refletindo as novas diretrizes estabelecidas pelo STF sobre as sobras eleitorais.

Famoso humorista é condenado a 8 anos de prisão

O humorista Léo Lins

A 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo condenou o humorista Léo Lins a oito anos e três meses de prisão por fazer piadas consideradas preconceituosas em um vídeo publicado em seu canal no YouTube. A sentença foi proferida na última sexta-feira (30).

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o vídeo continha comentários ofensivos e discriminatórios direcionados a diversas minorias sociais, e chegou a alcançar cerca de três milhões de visualizações antes de ser removido da plataforma.

O MPF argumentou que o conteúdo ultrapassava os limites da liberdade de expressão e configurava discurso de ódio, incitando a discriminação e reforçando estigmas contra grupos vulneráveis.

A defesa do humorista ainda pode recorrer da decisão. O caso reacende o debate sobre os limites do humor e a responsabilidade de influenciadores na internet. Até o momento, Léo Lins não se pronunciou oficialmente sobre a condenação.

Justiça bloqueia R$ 23,8 milhões de suspeitos de fraude contra INSS

Justiça bloqueia R$ 23,8 milhões de suspeitos de fraude contra INSS
 Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta segunda-feira (02) que a Justiça Federal em Brasília determinou o bloqueio de R$ 23,8 milhões em bens de investigados pela fraude em descontos irregulares nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o órgão, os valores serão usados para o ressarcimento das vítimas.

A indisponibilidade de bens e ativos financeiros foi determinada pela juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, e envolve os bens e ativos financeiros de duas empresas e os respectivos sócios. No mês passado, a AGU pediu o bloqueio de R$ 2,5 bilhões de 12 entidades associativas e 60 dirigentes.

Por determinação da juíza, o caso foi fatiado em 15 ações para facilitar a análise dos pedidos. As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas.

Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. As ações judiciais fazem parte do trabalho do grupo especial montado pela AGU para buscar a recuperação do dinheiro descontado irregularmente dos aposentados.

‘Quem errou vai ser punido’, diz Lula sobre investigações no INSS

‘Quem errou vai ser punido’, diz Lula sobre investigações no INSS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 3 de junho, que o Governo Federal tem conduzido com rigor as investigações sobre fraudes em descontos associativos nas aposentadorias de beneficiários do INSS. Em conversa com jornalistas, Lula garantiu que os aposentados não serão prejudicados e que os valores descontados indevidamente serão devolvidos.
“Quem errou vai ser punido. Nós vamos devolver o dinheiro para os aposentados que foram lesados pela quadrilha que roubou a aposentadoria. Antigamente as pessoas roubavam bancos, roubavam gente rica. Agora estão roubando pobres”, pontuou. Nós estamos fazendo disso um exemplo de como deve agir um governo na averiguação de denúncias Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República.
De acordo o presidente, uma investigação minuciosa tem sido feita com o envolvimento da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU). Lula destacou que o governo optou por priorizar uma apuração técnica e criteriosa, sem exposições precipitadas, para assegurar que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e punidos.
“Nós estamos fazendo disso um exemplo de como deve agir um governo na averiguação de denúncias. Não terá brincadeira da nossa parte. A nossa preocupação, além de permitir que as instituições que têm que fiscalizar fiscalizem, é permitir que o governo comece a tratar de ver o pagamento o mais rápido possível das pessoas que foram lesadas”, disse.
Lula também ressaltou que o processo tem sido conduzido com cautela para evitar que pessoas ou entidades sejam acusadas injustamente. “Não queremos punir nenhuma entidade de forma precipitada. Por isso a cautela que eu disse à CGU, à Polícia Federal — muita cautela para a gente não levar uma pessoa a ser crucificada e depois não ter como pedir desculpa”, completou.

Deputada Carla Zambelli, condenada pelo STF, deixa o Brasil

Deputada Carla Zambelli, condenada pelo STF, deixa o Brasil
Foto – Lula Marques / Agência Brasil
Duas semanas após ser condenada a 10 anos de prisão, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) deixou o Brasil para fixar residência na Europa. Entrevistada pelo canal AuriVerde, no YouTube, na manhã desta terça-feira (3), a parlamentar evitou revelar em que país está, limitando-se a dizer que escolheu a Europa por já ter cidadania italiana e, por isso, não poder ser mandada de volta ao Brasil.
“Estou fora do Brasil já faz alguns dias. A princípio, vim em busca de um tratamento médico que eu já fazia aqui”, comentou Zambelli, garantindo que pedirá afastamento sem vencimentos do cargo, que, com sua ausência, será ocupado por seu suplente Coronel Tadeu (PL-SP). A deputada reconheceu que sua recente condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pesou em sua decisão.
“Eu poderia ir para a prisão, esperar [passar] um tempo e continuar no meu país. Me entregar para a Justiça. Mas que Justiça é essa que prende a Débora por 14 anos e que quer me prender por 15 anos?”, questionou, referindo-se à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada pela Primeira Turma do STF por participar dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, durante os quais incorreu em cinco crimes – abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.
Carla Zambelli foi condenada, em 14 de maio, por invadir o sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o auxílio do hacker Walter Delgatti, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão no mesmo processo, e falsidade ideológica.

Petrobras reduz preço da gasolina A para as distribuidoras

Petrobras reduz preço da gasolina A para as distribuidoras

Os preços de venda de gasolina A da Petrobras para as distribuidoras terão uma redução de 5,6%, a partir desta terça-feira (3). Segundo a empresa, o preço médio deste tipo de venda passará a ser de R$ 2,85 por litro, o que representa um recuo de R$ 0,17 por litro.

PIB cresce 1,4% no primeiro trimestre de 2025

PIB cresce 1,4% no primeiro trimestre de 2025

Conta de luz terá bandeira vermelha em junho, anuncia Aneel

Conta de luz terá bandeira vermelha em junho, anuncia Aneel

A bandeira tarifária das contas de energia passará para vermelha, no patamar 1, no mês de junho, anunciou nesta sexta-feira (30) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a medida, os consumidores terão custo extra de R$ 4,463 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
“Diante do cenário de afluências abaixo da média em todo o país indicado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), projeta-se uma redução da geração hidrelétrica em relação ao mês anterior, com um aumento nos custos de geração devido à necessidade de acionamento de fontes de energia mais onerosas, como as usinas termoelétricas”, esclarece a Aneel.
Em maio, a Aneel acionou a bandeira amarela, em razão da transição do período chuvoso para o período seco do ano, e as previsões de chuvas e vazões nas regiões dos reservatórios para os próximos meses ficaram abaixo da média.
“Com o fim do período chuvoso, a previsão de geração de energia proveniente de hidrelétrica piorou, o que nos próximos meses poderá demandar maior acionamento de usinas termelétricas, que possuem energia mais cara”, explicou a Aneel. Desde dezembro de 2024, a bandeira tarifária permanecia verde, por causa das condições favoráveis de geração de energia no país.