Mês: Janeiro 2026

Ibrachina: O time sensação da Copinha  2026 – Foto: Emilio Botta — São Paulo

Ibrachina: quem é o time sensação da Copinha que eliminou gigantes e tem família milionária por trás. Criado em 2020, o clube impressiona com estrutura e resultados expressivos; presidente é filho de empresário investigado por CPI da Pirataria e dono de shoppings populares em São Paulo.

Conheça o Ibrachina, clube criado há dois anos que tem incomodado os grandes na base de SP

Fundado há apenas cinco anos, o Ibrachina tem ganhado destaque em competições de base no futebol paulista. O time, sediado no bairro do Mooca, em São Paulo, alcançou a melhor participação da sua história na Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Classificado para a semifinal, o Ibrachina eliminou o Atlético-MG (segunda fase), o Internacional (oitavas) e o Palmeiras nas quartas de final. Em duelo nesta quinta-feira (22), no MorumBIS, o São Paulo derrotou o Ibrachina por 4 a 1 e garantiu a classificação à decisão. 

Ibrachina eliminou gigantes na Copinha 2025

Na primeira fase, o Ibrachina terminou em primeiro do Grupo 30, com sete pontos. O time venceu goleou o Ferroviário-CE, venceu o Bangu-RJ e empatou com o Santo André. Foram oito gols marcados e apenas dos sofridos.

O resultado expressivo é apenas mais um do time que na temporada passada foi vice-campeão paulista sub-17, perdendo a final para o Sfera FC – outro time sensação da base -, e considerado a sexta melhor categoria de base sub-20 de São Paulo, atrás apenas do Novorizontino e dos quatro grandes clubes do estado.

O ge esteve nas instalações do Ibrachina em outubro de 2022 para apresentar e mostrar curiosidades do clube que, naquela época, já incomodava os grandes e chamava atenção no futebol paulista.

O projeto do Ibrachina teve início em paralelo com as restrições em todo o mundo em virtude da pandemia de Covid-19. Seguindo protocolos e mantendo peneiras para buscar talentos, o clube se beneficiou diante de um cenário de incerteza que dominou o futebol brasileiro de base entre 2020 e boa parte de 2021.

Como muitos clubes paralisaram as atividades por conta das restrições e a ausência de campeonatos de base, o Ibrachina conseguiu atrair muitos jogadores que até então atuavam em clubes como Portuguesa, São Caetano, São Bernardo e até Palmeiras.

Escudo do Ibrachina Futebol Clube, de São Paulo — Foto: Emilio Botta

A chegada desses jogadores e a manutenção da atividade do clube foram determinantes para o Ibrachina conseguir bons resultados dentro de campo, mesmo com pouco tempo de atividade.

O Ibrachina tem como mascotes a arara e o dragão, representando as culturas de Brasil e China, respectivamente. O nome do time tem relação com o projeto social, que atende por Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina).

Projeto social de família milionária
O clube tem a ambição de ser um dos maiores reveladores de jogadores no Brasil e migrar para o futebol profissional. Sediado no bairro da Mooca, em São Paulo, casa do tradicional Juventus, o Ibrachina conta com uma estrutura que atende jovens das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, além de crianças das comunidades de Heliópolis e São Mateus.

O clube tem como presidente o empresário Henrique Law, filho do casal Law Kin Chong e Miriam Law, que foram investigados na CPI da Pirataria, conduzida pela Câmara Municipal de São Paulo, que apurou a venda irregular e contrabando de produtos no comércio popular de São Paulo, localizado nas regiões da rua 25 de março, Brás e Pari.

O Agente Secreto é indicado para quatro categorias do Oscar

Adolpho Veloso também concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem
Agência Brasil

16/01/2026 - Cenas do filme O Agente Secreto de Kleber Mendonça com Wagner Moura. Foto: MK2Films/Divulgação
© MK2Films/Divulgação

O Brasil entrou com força na disputa do Oscar 2026. O Agente Secreto foi indicado simultaneamente a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção Elenco (nova categoria), enquanto Wagner Moura recebeu indicação a Melhor Ator por sua atuação no longa.

Com as quatro indicações, O Agente Secreto chega ao mesmo número recorde de indicações do filme Cidade de Deus, em 2004.

Em outra frente, o país também aparece entre os destaques técnicos: Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem.

A lista foi anunciada nesta quinta-feira, (22) pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, marcando o início da etapa decisiva da 98ª edição do prêmio e confirmando um momento histórico para o cinema brasileiro.

Votação

A primeira fase de votação foi encerrada na sexta-feira (16). Mais de 10 mil profissionais da indústria cinematográfica — entre atores, diretores, roteiristas e técnicos — participaram do processo, votando majoritariamente dentro de suas áreas, com exceção de Melhor Filme, que reúne o voto de todo o colégio eleitoral.

A cerimônia do Oscar 2026 acontece em 15 de março, e o anúncio desta quinta-feira já provoca clima de celebração no setor audiovisual brasileiro.

Brasil no Oscar 2026

Melhor Filme

O Agente Secreto disputa com:

Bugonia
F1
Frankenstein
Hamnet
Marty Supreme
Pecadores (Sinners)
 — Lidera as indicações com 16 nomeações no total

Sonhos de Trem (Train Dreams)
Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)
Valor Sentimental (Sentimental Value)

Melhor Filme Internacional

Apontado como favorito, O Agente Secreto concorre com:

Valor Sentimental (Noruega)
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Direção de Elenco

O Agente Secreto disputa com:

Hamnet
Marty Supreme
Uma batalha após a outra
Pecadores

Melhor Ator

Wagner Moura é candidato à estatueta ao lado de:

Timothée Chalamet (Marty Supreme)
Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra)
Michael B. Jordan (Pecadores)
Ethan Hawke (Blue)

A indicação vem após Moura ter vencido o Globo de Ouro de melhor ator em drama, consolidando a performance como uma das mais comentadas da temporada.

Melhor Fotografia

Com Adolpho Veloso, Sonhos de Trem enfrenta:

Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Frankenstein
Marty Supreme

Condeúba: Choveu 130ml até o dia 22 do mês de janeiro de 2026

Um pé de milho que nasceu juntamente com a planta manacá, recebeu o mesmo tratamento, atingiu 3,65 metros de altura e está formando 3 espigas.

Nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, em pleno período chuvoso, os primeiros 22 dias do ano já acumularam 130 milímetros de chuva na região, um dado bastante animador para os agricultores familiares (caatingueiros) do sudoeste da Bahia.

O tempo segue carrancudo, com previsão de mais chuvas para os próximos dias, o que renova a esperança no campo.

A distribuição das chuvas em janeiro de 2026 ocorreu da seguinte forma:

Na noite do dia 2 e madrugada do dia 3, choveu 50 milímetros;
Na noite do dia 5 e madrugada do dia 6, mais 50 milímetros;
Na noite do dia 19, foram registrados 20 milímetros;
Na noite do dia 21 e madrugada do dia 22, choveu 10 milímetros.

Perfazendo um total de 130ml de chuvas. Os agricultores que realizaram o plantio logo nas primeiras chuvas do mês de novembro não obtiveram boa colheita de feijão carioquinha, que acabou não resistindo e morreu em grande parte.

Por outro lado, as culturas mais resistentes, como milho, amendoim, feijão catador, entre outras, vingaram bem e apresentam um cenário bastante positivo nas lavouras da região.

Fotos: Oclides/JFC

LACEN de Brumado recebe Certificado de Proficiência 2025 e se destaca pela qualidade nos exames

LACEN de Brumado recebe Certificado de Proficiência 2025 e se destaca pela qualidade nos exames

O Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) de Brumado recebeu o Certificado de Proficiência 2025, reconhecimento que atesta a qualidade, precisão e confiabilidade dos resultados dos exames laboratoriais realizados pela unidade. A certificação comprova que os procedimentos técnicos adotados estão em conformidade com os mais rigorosos padrões de qualidade exigidos pelos órgãos de controle.

O resultado é fruto de um trabalho conjunto que envolve coordenação, equipes qualificadas e investimentos contínuos em equipamentos, fortalecendo toda a estrutura do laboratório e garantindo maior eficiência nos serviços prestados à população.

Além da certificação de proficiência, outro destaque importante do LACEN de Brumado é a agilidade na liberação dos resultados dos exames. A unidade alcançou o selo verde, que representa a melhor avaliação do Estado no tempo de entrega, assegurando rapidez no diagnóstico e contribuindo diretamente para a efetividade do atendimento na rede de saúde.

O reconhecimento reafirma o compromisso da gestão municipal com a qualidade dos serviços públicos de saúde, sempre com foco em oferecer um atendimento mais eficiente, seguro e humanizado à população brumadense.

Planalto: 79ª CIPM atua em sequestro e cárcere privado e prende autor

79ª CIPM atua em sequestro e cárcere privado e prende autor em Planalto

Nesta terça-feira (20), guarnições da 79ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionadas para atender a uma ocorrência de sequestro e cárcere privado em andamento no município de Planalto, em uma pousada localizada na Avenida Juscelino Kubitschek.

As informações iniciais davam conta de que o crime teria se iniciado na cidade de Barra do Choça, onde um homem sequestrou sua ex-companheira e o filho do casal, deslocando-se posteriormente para Planalto. Os dados foram repassados à guarnição pela equipe da 92ª CIPM, que já realizava diligências relacionadas ao fato.

Ao chegar ao local, a PM manteve contato com o proprietário da pousada, que confirmou a hospedagem das pessoas envolvidas e acompanhou os policiais até o quarto indicado. Após a abordagem, o suspeito foi preso em flagrante delito.

Durante a ação, foi apreendido um veículo Gol, cor preta, placa JRZ-4H39, utilizado pelo autor. A vítima apresentava lesões e informou ter sido agredida e ameaçada, sendo coagida a se deslocar de Barra do Choça até Planalto, permanecendo em cárcere privado juntamente com o filho.

Ela foi encaminhada ao Hospital de Planalto para atendimento médico e, posteriormente, encaminhada ao Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep), em Vitória da Conquista. O autor foi conduzido e apresentado na unidade, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis.

MEIs excluídos do Simples Nacional têm até 31 de janeiro para regularizar pendências e voltar ao regime simplificado

MEIs excluídos do Simples Nacional têm até 31 de janeiro para regularizar pendências e voltar ao regime simplificado
Foto – Divulgação
Os microempreendedores individuais que foram excluídos do Simples Nacional e, consequentemente, desenquadrados do Simei, têm até 31 de janeiro para regularizar pendências e solicitar o retorno ao regime simplificado. O procedimento é necessário para que o empreendedor possa voltar a atuar formalmente como MEI no ano-calendário vigente.

O primeiro passo é verificar a situação do CNPJ no Portal do Simples Nacional. Caso conste como “não optante pelo Simples Nacional” e “não enquadrado no Simei”, é fundamental identificar os motivos da exclusão. Em geral, o desenquadramento ocorre por débitos tributários ou outras pendências junto à Receita Federal, aos estados ou aos municípios.

Senado aprova política nacional de incentivo à formação de professores

Projeto de lei segue para sanção do presidente Lula
Agência Brasil

Alunos em sala de aula. Foto: Sam Balye/Unsplash
© Sam Balye/Unsplash

O Senado aprovou hoje (17) o projeto de Lei (PL) 3824/2023 que institui a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica – .

Entre outros pontos, o texto prevê a concessão de bolsas para estudantes com alto desempenho no Enem que ingressarem em cursos presenciais de licenciatura, apoio financeiro a egressos que atuarem em regiões com falta de professores. A proposta, que segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio lula da Silva, também determina que os estudantes de graduação que aderirem ao programa deverão atuar nas redes públicas de ensino.

Segundo a relatora, senadora Dorinha Seabra (União-TO), o projeto tem por objetivo fomentar o ingresso e a permanência de estudantes em cursos de licenciatura, especialmente para a função docente e promover o ingresso e a retenção de licenciados nas redes públicas da educação básica, em áreas com carência de profissionais.

“Consideramos que as iniciativas aumentam a atratividade da carreira docente e, assim, contribuem para minimizar um problema que já vem se agravando há muitos anos em nosso País: poucos estudantes escolhem as licenciaturas no vestibular e, mesmo quando o fazem e concluem o curso, não seguem a carreira docente ou trocam de profissão algum tempo depois de experimentarem a sala de aula.”

Caberá ao Ministério da Educação (MEC disciplinar as regras do programa que será implementado em regime de colaboração, pela União, estados, municípios e pelo Distrito Federal.

O MEC também definirá os critérios para a elegibilidade das instituições de ensino superior, que serão distribuídas preferencialmente para as áreas de conhecimento nas quais for comprovada a carência de docentes, por meio de pesquisas e estudos oficiais.

As bolsas terão corno contrapartida o cumprimento de 400 horas de estágio supervisionado e de 320 horas de atividades acadêmicas de extensão. O bolsista deverá permanecer na rede pública de ensino da educação básica por, pelo menos, dois anos.

As redes de ensino deverão aderir às bolsas a partir de um diagnóstico da carência de professores e contratação de profissionais para exercer a função docente durante o período da bolsa, conforme regulamento a ser elaborado pelo MEC.

Os estados e municípios terão que aderir a Prova Nacional de Docentes (PND), avaliação anual que visa a apoiar as redes de ensino, com o intuito de planejar a força de trabalho docente para “realizar concursos públicos menores e mais frequentes, de forma a garantir previsibilidade na contratação”.

A matéria diz ainda que a política será monitorada em cada rede de ensino, com a participação de especialistas, fóruns de formação de professores e instituições formadoras, entidades representativas dos docentes e dos estudantes da educação básica, entidades da sociedade civil e gestores das redes de ensino.

Pessoas com autismo podem ter remédios fornecidos pelo SUS

Pessoas com autismo podem ter remédios fornecidos pelo SUS
 Foto: Divulgação

Um projeto de lei que garante o fornecimento de medicamentos para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no Sistema Único de Saúde (SUS) foi aprovado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados.

O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), ao projeto do deputado Saullo Vianna (União-AM), que previa que o SUS deveria fornecer qualquer medicamento prescrito por um médico, da rede pública ou privada. No entanto, o relator argumentou que a medida seria inviável por obrigar o SUS a fornecer medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse fim — uso off-label — o que contraria a legislação.

“Propomos assegurar aos pacientes com TEA o fornecimento de medicação por meio da elaboração de protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para tratamento das comorbidades e dos seus sintomas mais frequentes, conforme as melhores evidências científicas disponíveis”, afirmou o relator, que disse que a proposta original poderia obrigar o SUS a financiar tratamentos “sem avaliação de eficácia, segurança, acurácia, efetividade e custo-efetividade”.

Brumado mantém viva a tradição com apresentações dos Ternos de Reis na Praça Coronel Zeca Leite

Brumado mantém viva a tradição com apresentações dos Ternos de Reis na Praça Coronel Zeca Leite
Após a abertura das celebrações com a realização da Cavalgada dos Santos Reis, Brumado segue valorizando uma de suas mais importantes manifestações culturais. A tradição ganha continuidade com as apresentações dos Ternos de Reis do município, que prometem reunir fé, música e identidade popular no coração da cidade.

As apresentações acontecerão nos dias 23, 24, 30 e 31, sempre a partir das 19h, na Praça Coronel Zeca Leite. O espaço será palco do encontro entre gerações, mantendo viva uma tradição que atravessa o tempo e reforça os laços culturais da comunidade brumadense.

A iniciativa integra o calendário cultural do município e convida moradores e visitantes a prestigiarem de perto essa expressão da religiosidade e da cultura popular. A realização é da Secretaria de Cultura, em parceria com a Prefeitura de Brumado, reafirmando o compromisso com a preservação das tradições locais.

Entre déspotas e silêncios: a relatividade do mal político na história global

Por Levon Nascimento

Levon Nascimento, professor de História e doutorando em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.

Listagens de “maiores déspotas e genocidas da história” costumam chocar – e devem chocar. Mas também revelam algo menos evidente: os critérios e os filtros de quem classifica. Ao percorrê-las, salta aos olhos a recorrência de líderes asiáticos, africanos e do antigo bloco socialista, enquanto Europa Ocidental e Américas aparecem de modo residual. A pergunta que se impõe não é defensiva, mas crítica: o mal político é absoluto ou sua classificação é atravessada por vieses históricos, jurídicos e ideológicos?

Não se trata de negar os fatos. Regimes como os de Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung, Pol Pot ou Leopoldo II produziram mortes em massa amplamente documentadas, muitas vezes por políticas estatais explícitas de extermínio, fome induzida e terror sistemático. Esses casos se tornaram paradigmas do genocídio “clássico” porque concentraram poder em figuras identificáveis e deixaram registros administrativos claros. A historiografia não os relativiza – e não deve relativizá-los. O problema emerge quando esse paradigma se torna a régua única do horror histórico.

A violência praticada pelo Ocidente liberal – Espanha, Portugal e Inglaterra, anteriormente; Estados Unidos, na atualidade –, raramente se encaixa nesse molde personalista. Ela foi (e é), em grande medida, estrutural, difusa e prolongada: colonização, escravidão atlântica, extermínio indígena, guerras imperiais, sanções econômicas letais. Milhões morreram não por decretos assinados por um único déspota, mas por sistemas que operaram durante séculos com legitimidade política, econômica e moral. A ausência de um “nome-símbolo” não diminui a gravidade; apenas dificulta a nomeação do crime.

As Américas exemplificam essa ambiguidade. O genocídio indígena foi real, persistente e fundacional, mas raramente personificado em um único líder. As ditaduras latino-americanas de direita produziram terror de Estado, desaparecimentos e assassinatos – quase sempre sob o manto da Guerra Fria –, enquanto experiências revolucionárias armadas também cometeram graves violações. Países de menor escala demográfica e classificações jurídicas restritivas tendem a invisibilizar esses horrores em comparações globais baseadas apenas em números absolutos.

O debate se torna ainda mais sensível ao se considerar os Estados Unidos. Não se trata de um regime despótico interno – ao menos não era até Trump reascender em janeiro de 2025 –, tampouco é consenso classificá-lo como genocida em sentido jurídico estrito. Ainda assim, é o único país a ter utilizado armas nucleares contra civis, protagoniza guerras recorrentes, apoiou (e apoia) ditaduras e se beneficia de uma ordem internacional que diminui sua própria responsabilização. Aqui não cabe a equiparação simplista, mas a constatação de um imperialismo estruturalmente violento, cujos efeitos humanos são incontornáveis.

Do outro lado do mapa, África, Oriente Médio, Rússia e Extremo Oriente tampouco formam um bloco homogêneo. Há ditaduras de esquerda e de direita, regimes laicos e teocráticos, Estados hipercentralizados e Estados colapsados. Reduzi-los a um “Oriente violento” em oposição a um “Ocidente civilizado” é uma leitura empobrecida, mais útil à geopolítica do que à compreensão histórica. A barbárie não é atributo cultural; é possibilidade política.

Parte decisiva do viés classificatório nasce do direito internacional. Genocídio exige intenção explícita de destruir um grupo enquanto tal. Muitas violências ocidentais operaram por negligência deliberada – como fez Bolsonaro com 700 mil vidas brasileiras em plena pandemia do novo coronavírus, ou o estadista Churchill diante da grande fome indiana –, racismo estrutural, exploração econômica ou eufemismos como “danos colaterais”. Assim, o mal explícito é mais facilmente condenado do que o mal normalizado. A técnica jurídica, quando isolada, pode se tornar instrumento de esquecimento.

O resultado é um espelho quebrado: condenamos corretamente os crimes alheios, mas frequentemente atenuamos os nossos, chamando massacres de “guerra”, fomes de “ineficiência” e dominação de “ordem internacional”. A crítica madura não consiste em inverter culpados, mas em reconhecer que nenhuma civilização, ideologia ou hemisfério possui monopólio do erro, da indiferença ou da violência.

Pensar a relatividade da classificação despótica e genocida não é relativizar o sofrimento das vítimas. Ao contrário: é ampliar o campo de responsabilidade, incorporando processos, estruturas e cumplicidades históricas. Somente assim a história deixa de ser um tribunal seletivo e passa a cumprir sua função ética: iluminar, com igual rigor, os horrores do Ocidente e do Oriente, da esquerda e da direita, do passado distante e do presente que ainda insiste em se justificar. Não podemos normalizar Trump sobre o mundo, Putin na Ucrânia ou Netanyahu em Gaza.