Categoria: INSS

União cede terreno para Teresópolis regularizar 10 mil famílias

Acordo encerra um dos maiores conflitos fundiários urbanos do país
Agência Brasil

Brasília (DF), 23/12/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de assinatura do decreto que dispõe sobre o reconhecimento, a valorização e a promoção da cultura gospel como manifestação cultural nacional. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal e a prefeitura de Teresópolis, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, assinaram nesta quinta-feira (5) um acordo que transfere um terreno de cerca de 2,8 milhões de metros quadrados (m2), que estava registrado em nome do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para a regularização fundiária que vai titular cerca de 10 mil imóveis residenciais, onde vivem comunidades com mais de 35 mil habitantes. 

A gleba – conhecida como Quinta do Lebrão – era um dos maiores conflitos fundiários urbanos do Brasil, que se arrastava desde 2017.

Compromisso

“Se a União não vai fazer nada, então passa para alguém fazer alguma coisa. E o nosso compromisso é tentar entregar todos os títulos que nós tivermos condição de entregar, porque não tem sentido a União ficar com o terreno vazio ou especulando”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o ato, no Palácio do Planalto, que marcou o repasse da área da União para a prefeitura.

“Agora, sim, eu posso dizer que eu sou dono dessa terra. Porque, até então, todo mundo da comunidade tinha esse medo de um dia perder a terra, aparecer um presidente que não tem juízo, sem amor ao solo que vive [e tomar a terra]”, afirmou mestre Bibinho, liderança comunitária da Quinta do Lebrão, que participou da cerimônia no Palácio do Planalto.

O acordo judicial que pôs fim à disputa pela posse da gleba foi assinado ainda no fim do ano passado, no âmbito do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), envolvendo INSS, Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e prefeitura de Teresópolis. E, nesta quinta-feira, o governo federal concluiu a transferência de propriedade ao município.

“Essa era a região mais emblemática que a gente queria resolver. Estamos finalizando a discussão judicial e iniciando o processo de regularização para as famílias”, afirmou a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.

Segundo ela, além da transferência de posse do terreno, o governo federal está aportando recursos à prefeitura para custear os gastos relacionados a registros em cartório e titulação das casas em nome das famílias, com base em um edital conjunto dos ministérios das Cidades e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.

Entrega de títulos

Apesar da prefeitura de Teresópolis ter 36 meses para concluir a regularização, a expectativa do governo federal é que os primeiros títulos sejam entregues em três meses, e o restante em até um ano.

“Não tem preço a pessoa construir sua casa e, a partir de hoje, ela se tornar herança para esposa, para os netos”, celebrou o prefeito de Teresópolis, Leonardo Vasconcellos. A gleba repassada ao município possui três comunidades. A maior delas é o bairro Quinta do Lebrão, com três mil moradias, seguido por Fonte Santa (520 moradias) e Álvaro Paná (480 moradias).

“As terras públicas federais onde as pessoas e as famílias moram, este governo não vai desalojar nenhuma delas. Pelo contrário, nós vamos legalizar e dar dignidade e segurança às famílias brasileiras”, garantiu o ministro das Cidades, Jáder Filho. Segundo ele, milhares de famílias vivem em residências em áreas públicas da União e aguardam esse tipo de regularização fundiária para obter a posse definitiva.

“Depois de tantos anos, a regularização fundiária voltou a ser prioridade no Brasil. Esse ato vai se alongar e se prolongar por todos os estados. Só na minha cidade, em Belém, no Pará, temos cerca de 150 mil famílias que moram nessa situação”, exemplificou o ministro.

Teto de pensionista e aposentado do INSS sobe para R$ 8.475,55 em 2026

Segurados que ganham acima do mínimo terão reajuste de 3,9%
Agência Brasil

Idosos na região central de Brasília.
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A partir de fevereiro, os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que ganham mais que o salário mínimo terão aumento de 3,9%. Com a correção, o teto dos benefícios da Previdência Social sobe para R$ 8.475,55 em 2026, contra R$ 8.157,40 em 2025.

A variação equivale ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos.

O reajuste de 3,9% será pago integralmente aos segurados que já recebiam as aposentadorias e pensões do INSS acima de um salário mínimo em 1º de fevereiro de 2025. Quem começou a receber o benefício após essa data terá aumento proporcional ao número de meses em que o benefício foi pago.

Segundo o INSS, atualmente 13,25 milhões de beneficiários recebem acima do piso nacional. Um total de 21,9 milhões de pessoas, cerca de 62,5% do total dos aposentados e pensionistas, ganham o salário mínimo, que subiu de R$ 1.580 para R$ 1.618.

Para quem recebe o salário mínimo, o pagamento das aposentadorias e pensões com reajuste vai de 26 de janeiro a 6 de fevereiro. O pagamento dos benefícios do INSS acima do mínimo com a correção de 3,9% vai de 2 a 6 de fevereiro. A data de pagamento varia conforme o número final do cartão de benefício, desconsiderando o dígito verificador, que aparece após o traço.

Por mais um ano, os aposentados e pensionistas que ganham além do mínimo não terão aumento real (acima da inflação), recebendo o equivalente ao INPC do ano anterior. Quem recebe o mínimo teve reajuste real de 2,5%, segundo a política aprovada pelo Congresso no fim de 2024, que restringe o aumento real ao teto de crescimento de gastos do arcabouço fiscal.

Tabela

A correção de 3,9% também incidirá sobre a tabela do INSS, por meio da qual os trabalhadores da iniciativa privada com carteira assinada e de empresas estatais recolhem as contribuições mensais à Previdência Social. As alíquotas e as faixas de dedução vão incidir sobre as seguintes faixas:

Salário de contribuições Alíquota Parcela a deduzir do INSS
Até R$ 1.621 7,5% R$ 0,00
De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 9% R$ 23,66
De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 12% R$ 110,75
De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 14% R$ 197,83
Fonte : INSS

Consulta

Nas próximas semanas, o INSS fornecerá o extrato com os novos valores das aposentadorias e das pensões. As informações estão disponíveis no site Meu INSS e no aplicativo de mesmo nome. A consulta exige login e senha do Portal Gov.br.

Quem não tem acesso à internet pode consultar o valor por meio do telefone 135. O segurado que ligar para esse número deve informar o número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e confirmar alguns dados cadastrais para evitar fraudes.

PF aponta senador como ‘sustentáculo político’ de esquema no INSS

PF aponta senador como 'sustentáculo político' de esquema no INSS
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) – Foto: Agência Câmara
As investigações da Polícia Federal sobre o esquema nacional de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) levaram ao pedido de prisão preventiva do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Após ter manifestação contrária do Ministério Público Federal, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar.

Na decisão, que também autoriza a prisão preventiva de outros suspeitos de envolvimento no esquema, o ministro do STF cita trechos das investigações da PF que apontam Weverton Rocha como “sustentáculo político” do esquema liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e pelo empresário Maurício Camisotti.

“A PF aponta, por meio do diagrama de fls. 791 da representação, que o senador Weverton teria se beneficiado dos valores ilícitos provenientes dos descontos associativos fraudulentos, como também teria relações próximas com os integrantes da organização criminosa investigada na Operação Sem Desconto”, cita o documento.

A nova fase da Operação Sem Desconto cumpre 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva. As investigações também teriam identificado um grupo de conversa por aplicativo chamado “Grupo Senador Weverton” em aparelhos utilizados por funcionários do Careca do INSS.

Foram encontrados ainda registros de relação próxima entre o senador e outros investigados que tiveram a prisão preventiva decretada, como o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, e Gustavo Gaspar, que atuou como assistente parlamentar sênior na liderança do PDT, quando o senador era líder da bancada.

STF cancela tese jurídica da revisão da vida toda do INSS

Placar foi de 8 votos a 3 em julgamento virtual
Agência Brasil

Brasília (DF) 11/04/2023 Fachada do palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (26) cancelar a tese jurídica que permitiu revisão da vida toda das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi tomada durante julgamento virtual.

Pelo placar de 8 votos a 3, a maioria dos ministros decidiu ajustar o entendimento da Corte, que não permite mais a revisão dos benefícios desde o ano passado.

Além de cancelar a tese definitivamente, o STF reafirmou que os aposentados não terão que devolver valores que foram pagos por meio de decisões definitivas e provisórias assinadas até 5 de abril de 2024, data na qual foi publicada a ata do julgamento que derrubou a tese de revisão da vida toda.

O STF também entendeu que os aposentados não terão que pagar honorários sucumbenciais, que são devidos aos advogados à parte que perde a causa.  A medida vale para pessoas que estavam com processos pendentes de conclusão na Justiça até 5 de abril de 2024.

Pela decisão, os processos que estavam parados em todo país à espera da decisão definitiva do STF também voltarão a tramitar.

Entenda

Em março do ano passado, o Supremo decidiu que os aposentados não têm direito de optarem pela regra mais favorável para recálculo do benefício.

A decisão anulou outra deliberação da Corte favorável à revisão da vida toda. A reviravolta ocorreu porque os ministros julgaram duas ações de inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/1991), e não o recurso extraordinário no qual os aposentados ganharam o direito à revisão.

Ao julgarem constitucional as regras previdenciárias de 1999, a maioria dos ministros entendeu que a regra de transição é obrigatória e não pode ser opcional aos aposentados.

Antes da nova decisão, o beneficiário poderia optar pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao aposentado avaliar se o cálculo de toda vida poderia aumentar ou não o benefício. 

Fraudes no INSS: ex-ministro de Bolsonaro e deputados são alvos da PF

José Carlos Oliveira comandou o Ministério da Previdência em 2022

Agência BrasilBrasília (DF) 08/01/2024 - Polícia Federal deflagra 23ª fase da Operação Lesa PátriaAção desta data visa a identificação de participantes que financiaram e fomentaram os ataques do dia 8 de janeiro de 2023 Foto: Policia Federal/Divulgação

© Policia Federal/divulgação

O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social José Carlos Oliveira e ao menos dois parlamentares são investigados por suposto envolvimento na cobrança ilegal de mensalidades associativas de milhões de aposentados e pensionistas. Eles são alvo de uma nova etapa da operação Sem Desconto que a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (13).

Servidor de carreira do instituto, Oliveira presidiu o INSS de novembro de 2021 a março de 2022, quando assumiu o comando do Ministério da Previdência Social, onde permaneceu até o fim do governo Bolsonaro, em 31 de dezembro de 2022. Na época, ele atendia pelo nome de José Carlos Oliveira, o qual alterou recentemente, por motivos religiosos, para Ahmed Mohamad Oliveira.

Em setembro, Oliveira depôs à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e assegurou só ter tomado ciência da fraude relacionada às mensalidades associativas em abril deste ano, após a deflagração da primeira etapa da Operação Sem Desconto.

Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a operação desta manhã também atingiu o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) e o deputado estadual maranhense Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), alvos de mandados judiciais de busca e apreensão.

Pettersen é citado nas investigações da PF e da CGU por supostamente ter vendido um avião a uma das entidades associativas investigadas. Já Araújo é vice-presidente de outra das associações, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).

A Agência Brasil tenta contato com a defesa do ex-ministro e dos deputados Euclydes Pettersen Neto e Edson Cunha de Araújo e atualizará esta reportagem tão logo consiga suas manifestações.

Operação

Policiais federais e auditores da CGU estão cumprindo 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares diversas da prisão em 15 unidades da federação.

Os cumprimentos atingem os estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal.

“Estão sendo investigados os crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de atos de ocultação e dilapidação patrimonial”, divulgou a Polícia Federal.

Mais cedo, a PF informou que prendeu o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto.

A defesa de Stefanutto informou que, até o momento, não teve acesso ao teor da decisão que resultou na prisão de seu cliente.

“Trata-se de uma prisão completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço à apuração, colaborando desde o início com o trabalho de investigação”, diz a nota ao manifestar confiança de que comprovará a inocência do ex-presidente do instituto.

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Brasília - 13/10/2025 -Reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para ouvir o ex-presidente do Instituto Alessandro Antonio Stefanutto. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.
PF prende Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS
Brasília (DF), 03/11/2023, Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social. Edfício sede do INSS. Fachada do INSS. Setor de autarquia sul Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Governo prorroga até 2026 prazo para pedido de ressarcimento do INSS

Aposentados e pensionistas têm até 14 de novembro para solicitar o ressarcimento do INSS

Aposentados e pensionistas têm até 14 de novembro para solicitar o ressarcimento do INSS

O prazo para o pedido de ressarcimento de aposentados e pensionistas, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que sofreram com descontos indevidos termina no dia 14 de novembro. “Então, se você é aposentado, aproveita que o prazo está acabando”, alertou o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em entrevista ao programa A Voz do Brasil desta quarta-feira (5/11).

O prazo para iniciar o processo é até 14 de novembro e o presidente Lula me pediu para fazer propaganda disso. O governo quer devolver o dinheiro aos aposentados, o dinheiro está em caixa”, destacou o ministro.

Mais de 3,5 milhões de aposentados e pensionistas já receberam de volta R$ de R$ 2,44 bilhões referentes a descontos indevidos. O dinheiro para o reembolso vem de medida provisória assinada pelo presidente Lula em julho, que libera R$ 3,31 bilhões para o cumprimento dos acordos judiciais. Além dos atendimentos pelo aplicativo Meu INSS, os aposentados com mais dificuldade em lidar como os meios digitais passaram contar também com o atendimento presencial. Cerca de 34% dos atendimentos têm sido realizados por meio de parceria firmada com os Correios.

Wolney Queiroz explicou que o prazo de 14 de novembro se encerra apenas para dar entrada no processo. Após iniciado, o prazo só termina quando o reembolso é resolvido. 

O presidente Lula disse que ninguém vai ficar para trás, ninguém vai ficar no prejuízo. Então, essas pessoas não têm prazo. O prazo é para dar início, para identificar que foi descontado indevidamente e que quer começar a contar o seu prazo”, disse o ministro.

Careca do INSS usou Land Rover de amigo para pagar ex-advogado

Preso na Papuda, o lobista conhecido como Careca do INSS teve dificuldade para pagar o advogado Cleber Lopes, que o defendeu na CPMI do INSS

Portal Metrópoles
O advogado Cleber Lopes e empresário Antonio Antunes, o Careca do INSS
O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS
Apontado como um dos principais operadores do esquema bilionário de descontos indevidos sobre aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, utilizou a Land Rover de um amigo para pagar honorários ao advogado Cleber Lopes, que deixou a defesa dele recentemente.

Segundo o advogado, Antunes teria tido dificuldades em arcar com os custos advocatícios e, por isso, recorreu a um amigo, cujo nome não foi revelado, para ajudar a pagar seu defensor por meio da transação de uma Land Rover. O Careca do INSS está preso desde setembro.

“Esse carro, na verdade, era de um amigo dele. Eu conheci a pessoa e a pessoa estava ajudando ele [Antunes] porque ele estava com dificuldade de pagar honorários. Era um amigo que se dispôs a ajudar e para, ajudá-lo naquele momento, eu recebi o carro”, disse Lopes ao Metrópoles. “Na verdade, esse amigo dele vendeu o carro e emprestou o dinheiro para ele. Foi mais ou menos isso”, completou.

A transação envolvendo a Land Rover chegou ao conhecimento da Polícia Federal (PF). Ao Metrópoles, Lopes negou ter recebido a Land Rover em seu nome e não quis revelar o verdadeiro dono do veículo. Ele também afirmou que o afastamento da defesa de Careca no INSS não teve relação com o carro. Segundo Lopes, o motivo foi um negócio imobiliário omitido pelo cliente.

“O relatório da investigação trouxe algumas informações sobre algumas movimentações de patrimônio, um prédio que ele estava vendendo, e que eu não conhecia essas informações, e eu estava dizendo para delegado algo diferente. E aí, eu me senti desconfortável e resolvi sair”, justificou o advogado.

O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS

Lopes deixou a defesa de Antunes no último dia 20 de outubro. Na semana seguinte, o lobista foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele estava preso na Superintendência da PF, também na capital federal, desde 12 de setembro, quando foi detido em um desdobramento da Operação Sem Desconto, deflagrada com base nas fraudes de descontos de aposentadorias reveladas pelo Metrópoles. A atual defesa de Antunes disse que desconhece a transação envolvendo a Land Rover.

Fraudes no INSS: PF deflagra nova fase de operação em oito estados

Operação sem Desconto cumpre 66 mandados de busca e apreensão
Agência Brasil

Brasília (DF), 31/08/2023 - Movimentação no prédio sede da Polícia Federal, que ouve Bolsonaro e mais sete envolvidos no caso da venda de joias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagra nesta quinta-feira (9) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação tem o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

Em nota, a corporação informou que estão sendo cumpridos 66 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça.

Além disso, foi determinado o bloqueio de cerca de R$ 400 milhões em bens de dezenas de pessoas físicas investigadas. 

As diligências ocorrem nos seguintes estados: São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia, além do Distrito Federal.

“A ação de hoje tem o objetivo de aprofundar as investigações e esclarecer a prática de crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”, informou a PF no comunicado.

As novas medidas de investigação haviam sido solicitadas pela PF ainda na instância de origem das investigações, mas foram autorizadas por Mendonça após o caso ser levado ao Supremo, em razão do envolvimento de pessoas com foro privilegiado. 

Clique aqui e leia mais sobre a Operação sem Desconto.

Sindicato de aposentados

Um dos alvos das buscas desta quinta é o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), cujo vice-presidente é Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O sindicalista, contudo, não é alvo de nenhum mandado nem figura como investigado. 

Endereços de outros diretores do Sindnapi são alvo de busca, incluindo a residência do presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, que tem depoimento marcado para esta quinta-feira (9) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre as fraudes no INSS. 

Em nota, o Sindnapi manifestou “surpresa” com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua sede, em São Paulo, e na casa de seu presidente e de alguns diretores. 

“Esclareça-se que os advogados não tiveram acesso ao inquérito policial, ao conteúdo das razões da representação policial ou dos fundamentos da decisão que autorizou a deflagração da medida cautelar, mas reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados”, diz o comunicado enviado à imprensa. 

O texto encerra afirmando que o sindicato “comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos”.

Entenda

Em abril, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto com objetivo de combater um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

O escândalo também motivou a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Investigação para investigar o caso.

O cálculo é que entidades investigadas tenham descontado de aposentados e pensionistas cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. À época, pelo menos seis servidores públicos foram afastados de suas funções.

À época, a PF informou que as investigações identificaram a existência de irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sobre benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões, concedidos pelo INSS.

Brasília (DF), 03/11/2023, Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social. Edfício sede do INSS. Fachada do INSS. Setor de autarquia sul  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
INSS: devolução de descontos ilegais já soma mais de R$ 1,5 bilhão

“Careca do INSS” abandona obra de mansão de R$ 9 milhões em Brasília

Pivô da fraude do INSS, Antonio Antunes foi preso pela PF nessa sexta-feira. Ele abandonou obra em bairro rico de Brasília há três meses.

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Obra de mansão do Careca do INSS

O quarteirão de uma rua sem saída em um dos metros quadrados mais caros de Brasília já teve dias mais agitados. A paisagem sonora anteriormente formada por pedreiros, betoneiras e caminhões foi interrompida – de uma hora para outra. Logo após a Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Sem Desconto, em 23 de abril deste ano, o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, vulgo Careca do INSS, abandonou a obra da construção da mansão de dois andares no Lago Sul.
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Galinhas tomam conta de obra parada em terreno do Careca do INSS

Boleto de conta de energia do casarão está em nome de Antonio Antunes, o Careca do INSS. Papel está preso ao portão da obra.
Outdoor na fachada da obra, mostra o projeto arquitetônico da Casa do Careca do INSS
Antonio Antunes avisou aos fornecedores que teve os bens bloqueados; obra está parada desde maio deste ano. Período coincide com a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto
Moradores reclamam da altura da construção. Para eles, o imóvel de dois andares tira a privacidade das casas vizinhas.

A PF calcula que o imóvel custa mais de R$ 9 milhões. A estimativa levou em conta os preços do metro quadrado (m²) praticados pelo mercado na região. O terreno tem 2.109 m². A construção soma 845 m².

O Careca comprou o casarão no Lago Sul, à vista, por R$ 3,3 milhões em abril de 2024. Em seguida, mandou demolir o imóvel e passou a construir a casa do seu jeito. Dali em diante, deu início a uma obra que chamou atenção de toda vizinhança pela imponência do novo empreendimento. São 7 metros de altura, tamanho bem superior aos demais imóveis da rua.

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Documento da Polícia Federal avalia mansão em R$ 9 milhões

Como é o desenho da mansão do Careca do INSS no Lago Sul

O projeto da obra conta com cinco quartos, área gourmet, sala de cinema, adega e cinco vagas de garagem. Já na área externa, o projeto prevê piscina de 74 m², pergolado, academia, salão de jogos e uma espécie de galpão de 135 m² para acomodar 14 carros.

Reprodução/Instagram

Projeto da casa do Careca do INSS no Lago Sul, em Brasília. Obra está abandonada desde maio deste ano.
Projeto da casa do Careca do INSS no Lago Sul, em Brasília. Obra está abandonada desde maio deste ano
Galinhas tomam conta do terreno e boletos amarelam com o sol

Quem passa pelo local encontra tapumes metálicos na fachada. Um outdoor dentro do terreno traz o desenho arquitetônico do imóvel, que combina concreto armado e acabamentos em madeira. Um pergolado também sinaliza um jardim dentro da casa.

Os boletos da companhia de água e energia, amarelados pelo sol, são outro sinal que ninguém passa por ali. Sem caixa de correios no imóvel, os papéis, em nome de Antonio Antunes, estão presos ao tapume metálico da construção.

Por entre as frestas, é possível ver ainda tijolos empilhados, vigas metálicas e de madeira e montes de terras. Uma betoneira, esquecida ao relento, já não sabe quando voltará a rodar. No barracão improvisado de madeira, por onde circulavam diariamente 10 pedreiros, existem apenas capacetes pendurados.

FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Fachada de obra de mansão abandonada na QL do Lago Sul, propriedade de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela PF como intermediário das fraudes.
Fachada da obra da mansão do Careca do INSS no Lago Sul, em Brasília
A casa do Careca do INSS tem apelido na rua: “Monstrengo”. A coluna conversou com vizinhos, na condição de anonimato, que se dizem indignados. Eles temem pela própria privacidade. “Isso aqui é um elefante branco. É de uma cafonice. Coisa de roubo”, criticou um morador.

Outro vizinho ainda se assusta com a imponência da construção. “Quem tem uma casa deste tamanho? Essa pessoa deve ter uns cinco filhos. Só pode”, descreve, ao lembrar a primeira coisa que lhe passou pela cabeça.

Para preservar a identidade dos moradores, a reportagem decidiu misturar alguns depoimentos e tratá-los todos no masculino. Eles têm receio de serem identificados.

Um dos moradores mais antigos da rua não escondeu o incômodo com a altura da construção. “Você não sabe o que é acordar e ver essa desgraça todos os dias”. Após saber pela reportagem quem é proprietário do imóvel de luxo, o morador emendou. “Eu não sabia que era dele. Só tinha ouvido falar que era de um ‘chefão do INSS’”, contou, assustado.

O lobista, que ostentava uma frota de carrões e que até comprou imóvel nos Estados Unidos, conforme revelou a coluna, é apontado pela PF como um dos operadores do esquema que fraudava descontos indevidos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS. Antonio Antunes mantinha procurações de associações investigadas e está sob suspeita de pagar propina a ex-diretores e ao ex-procurador-geral do INSS.

Reprodução/TV Senado

Lobista Antonio Antunes, o Careca do INSS
Lobista Antonio Antunes, o Careca do INSS
Um dos vizinhos do imóvel em construção se lembra da movimentação no terreno antes da operação da Polícia Federal, ainda em abril. “Eram caminhões e mais caminhões de concreto”, descreve. “Então, de uma hora para outra parou a obra. ‘Será que acabou o dinheiro?’, me perguntei”.

Um vídeo publicado nas redes sociais da construtora que iniciou a obra da casa do Careca do INSS dá a dimensão de toda a movimentação. Para fazer o concreto armado, um caminhão-betoneira usou um equipamento chamado de “bomba-lança” – parecida com um guindaste – para revestir toda a laje com o material de construção.

A reportagem chegou a consultar engenheiros e arquitetos de Brasília que têm projetos similares no Lago Sul. Pela dimensão da casa “bem luxuosa”, eles estimam um gasto total de R$ 12 milhões, o que inclui projeto, fundação, alvenaria, arquitetura e acabamento.

Governo já devolveu R$ 1,29 bi a aposentados lesados por descontos

Cerca de 2,3 milhões pensionistas aderiram ao acordo de ressarcimento
Agência Brasil

Brasília (DF), 10/07/2025 - Tela do aplicativo Meu INSS. Foto: INSS/Divulgação
© INSS/Divulgação

O governo federal informou nesta sexta-feira (12) já ter restituído cerca de R$ 1,29 bilhão a aposentados e pensionistas lesados pelo esquema de cobrança de mensalidades associativas descontadas ilegalmente dos benefícios previdenciários pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o Ministério da Previdência Social, dos mais de 5,58 milhões de segurados do instituto que questionaram algum desconto em seus benefícios, cerca de 2,3 milhões já aderiram ao acordo de ressarcimento que o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou em julho deste ano. Número que, segundo a pasta, corresponde a sete em cada dez pessoas consideradas aptas a receber de volta os valores cobrados sem autorização.

Ainda de acordo com o ministério, até a próxima segunda-feira (15), 99% dos segurados do INSS que já assinaram o acordo terão recebido o dinheiro de volta, de forma integral, com correção pela inflação (IPCA), diretamente na conta onde o aposentado recebe o benefício.

O prazo para adesões continua em aberto. Podem aderir ao acordo as pessoas que sofreram descontos não autorizados entre março de 2020 e março de 2025; que contestaram algum desconto e não receberam resposta da entidade responsável pela cobrança dentro do prazo de 15 dias úteis e que tem processo na Justiça, desde que ainda não tenha recebido os valores – nesse caso, é preciso desistir da ação.

A contestação de eventuais descontos indevidos pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS; pela central telefônica 135 ou nas agências dos Correios. Inicialmente, a contestação pode ser feita até 14 de novembro de 2025. Já a posterior adesão ao acordo poderá ser feita pelo aplicativo ou presencialmente, nas agências dos Correios.

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