Tragédias climáticas batem recorde de vítimas em 2022; onde será a próxima?
Gustavo Basso

Desde janeiro deste ano, ao menos 495 pessoas perderam a vida em todo o país em desastres em decorrência das chuvas, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) com base nos dados das defesas civis municipais. A tragédia mais recente ainda ocorre em Alagoas, onde enchentes tiraram a vida de seis pessoas, e Pernambuco, onde 126 pessoas morreram por causa de deslizamentos de terras, que soterraram dezenas de pessoas, além de afogamentos e outros casos relacionados a inundações. Somente em Recife, foram 50 óbitos.
O número de mortes causadas pelo excesso de chuvas no Brasil em 2022 é o maior dos últimos 10 anos e corresponde a mais de 27% de todas as vítimas registradas na década. De 1º de janeiro de 2013 a 1º de junho de 2022, foram registrados 1.777 óbitos por consequências das chuvas – como deslizamentos de terra e afogamentos. Os quatro últimos anos foram os mais mortais da década, com 320 pessoas morrendo todos anos em média por causa dos desastres decorrentes.
Não existe no horizonte políticas públicas que contenham o avanço da ocupação massiva sobre áreas de encostas e vales, provocado pelo aumento da população em moradias precárias, o que deixa a triste certeza de que novas tragédias ocorrerão nos próximos anos, faltando apenas definir onde ocorrerão.
A região metropolitana do Recife é uma das mais vulneráveis do país a desastres naturais envolvendo tempestades que todos os anos atingem o país. Igarassu, a 27 km da capital, é a cidade mais vulnerável do país, com quase 70% dos seus 120 mil habitantes vivendo em áreas de risco. Ribeirão das Neves, na Grande BH, ocupa o segundo lugar deste grave ranking.
O levantamento mais extenso já feito sobre o tema, cruzando informações do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) com dados do Censo 2010 do IBGE, mostrou que em 2018, 8,2 milhões de brasileiros viviam em moradias expostas a tragédias como as vividas em Pernambuco e Petrópolis neste ano.
A estimativa atual é de que pelo menos 10 milhões de pessoas vivam em áreas de encostas e vales suscetíveis a deslizamentos e enchentes mais graves. Mais da metade, na região Sudeste, que concentra a maior população em geral, e 17% na região Nordeste. A área mais povoada do país, ao longo do litoral e zonas da mata, estão assentadas sobre os solos mais acidentados e perigosos do país, revela mapa de risco de deslizamento desenvolvido pelo IBGE. Continue lendo











