Categoria: Brasil

FMI corta previsão para economia global, mas eleva PIB do Brasil

Apesar de pressões, guerra favorece exportadores de commodities

Agência BrasilO prédio da sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington08/04/2019 REUTERS/Yuri Gripas© REUTERS/Yuri Gripas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia global para 2026 e alertou para o risco de recessão caso a guerra no Oriente Médio se prolongue. Ao mesmo tempo, a instituição elevou a estimativa para o Brasil, impulsionado pela alta das commodities energéticas.

Segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global foi revisado de 3,3% para 3,1% em 2026. A mudança reflete os impactos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã sobre preços de energia, cadeias produtivas e confiança dos mercados.

Para o Brasil, a projeção foi elevada de 1,6% para 1,9% no mesmo período. De acordo com o FMI, o país tende a ser menos afetado que economias da Ásia, Europa e África e pode até se beneficiar no curto prazo por ser exportador líquido de energia.

Guerra pressiona inflação

O FMI avalia que o cenário atual representa um risco maior para a economia global do que choques recentes, como a onda de tarifas comerciais dos Estados Unidos. Segundo o economista-chefe da instituição, Pierre-Olivier Gourinchas, a escalada no Golfo Pérsico pode ter efeitos significativamente mais graves do que o previsto.

No cenário considerado base, o conflito teria duração limitada, com preço médio do petróleo em torno de US$ 82 por barril em 2026. Ainda assim, haveria desaceleração global.

Em um cenário mais adverso, com petróleo acima de US$ 100 por barril até 2027, o mundo poderia se aproximar de uma recessão.

Já em uma hipótese mais severa, com preços chegando a US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, a inflação global ultrapassaria 6%, exigindo novos apertos monetários por parte dos bancos centrais.

Brasil se beneficia

Apesar do ambiente externo mais desafiador, o Brasil aparece entre os poucos países com revisão positiva nas projeções. O FMI atribui esse movimento ao aumento das receitas com exportações de petróleo e outras commodities (bens primários com cotação internacional).

Ainda assim, o crescimento brasileiro segue moderado em comparação com outras economias emergentes. Para 2027, a previsão é de expansão de 2%, abaixo do estimado anteriormente, refletindo a desaceleração global, custos mais altos de insumos e condições financeiras mais restritivas.

O fundo destaca que fatores como reservas internacionais elevadas, menor dependência de dívida em moeda estrangeira e câmbio flutuante devem ajudar o país a enfrentar choques externos.

Impactos nas grandes economias

Entre as principais economias, os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026, com leve desaceleração em 2027. A zona do euro enfrenta um cenário mais desafiador, com crescimento projetado em cerca de 1,1%, pressionado pelos custos de energia.

A China deve ter expansão de 4,4% em 2026, enquanto o Japão mantém crescimento mais modesto, próximo de 0,7%.

Economia global mais vulnerável

O FMI ressalta que as projeções consideram um cenário relativamente controlado para o conflito. Caso haja escalada mais intensa ou interrupções prolongadas no fornecimento de energia, os efeitos sobre crescimento, inflação e mercados financeiros podem ser significativamente mais severos.

O relatório indica que a economia global entra em um período de maior fragilidade, com maior sensibilidade a choques geopolíticos. Segundo o fundo, o desempenho melhor do Brasil aparece como um alívio pontual, dependente de fatores externos.

Coluna Prestes segue inspirando luta por transformação social no País

Movimento foi exaltado em audiência da Comissão de Cultura que lançou o livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Luís Carlos Prestes Filho foi convidado ilustre da reunião da Comissão de Cultura da ALMG Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

“Meu pai lutou 60 anos pela liberdade do Brasil e o ódio que a elite brasileira tem é que, ao contrário de Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Antônio Conselheiro, não conseguiram degolar Luís Carlos Prestes”, afirmou o professor, ativista e especialista em Economia da Cultura. “A Coluna Prestes incomoda porque ela não foi derrotada”, continuou.

A Coluna Prestes, um movimento de caráter militar, ocorreu entre 1924 e 1927, conduzido por oficiais de baixa patente conhecidos como “tenentes”, que se insurgiram contra o governo do presidente Artur Bernardes e contra a estrutura oligárquica dominada pelas elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais, sustentada pela chamada política do “café com leite”.

Formada por cerca de 1.500 combatentes, a Coluna percorreu aproximadamente 25 mil quilômetros ao longo de dois anos e meio, atravessando treze estados brasileiros, incluindo as regiões Norte e Noroeste de Minas Gerais. Entre suas principais reivindicações estavam a adoção do voto secreto, a valorização da educação pública e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população.

Todo esse trajeto foi refeito por Luís Carlos Prestes Filho no ano de 1995, conforme contou na audiência pública. “Meu único objetivo foi colaborar para que o Brasil visse a Coluna não como um fantasma do passado, mas como um eixo de conhecimento ambiental, cultural e político”, explicou.

Como resultado dessa jornada, Luís Carlos Prestes Filho idealizou e realizou monumentos e memoriais em homenagem à Coluna Prestes nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins e Ceará. As obras dos memoriais, realizadas entre 1996 e 2002, contaram com projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer.

Agora, a vontade do descendente do Cavaleiro da Esperança, apelido dado a Luís Carlos Prestes pelo escritor Jorge Amado, é transformar a rota da Coluna em um produto turístico estruturado, parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

Evandro Xavier Gomes, assessor especial da prefeitura de Ouro Preto, enfatizou a grandiosidade da distância percorrida pelos tenentes da Coluna Prestes e, posteriormente, refeita por Luís Carlos Prestes Filho. “É um feito histórico insuperável. Mao Tsé-Tung ficou conhecido pelas grandes jornadas realizadas na China e sua maior jornada foi de 12 mil quilômetros. Se pegarmos os extremos brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, a distância entre cada extremo não ultrapassa 4.500 quilômetros”, disse.

Minas Gerais é episódio marcante da Coluna Prestes

A passagem da Coluna Prestes pela região do Alto Rio Pardo, que inclui os Municípios de Taiobeiras e Salinas, é considerado um marco do movimento e completa 100 anos em 2026. Levon do Nascimento, professor de história, mestre em políticas públicas e organizador do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, ressaltou a importância desse momento durante a audiência pública da ALMG.

“Foi no Alto Rio Pardo que a Coluna realizou a célebre manobra do laço húngaro, demonstrando uma inteligência estratégica notável. Foi em Taiobeiras, então chamada Bom Jardim de Taiobeiras, na época um distrito de Salinas, que a Coluna não somente passou, ela dialogou”, salientou o pesquisador. Ele expressou o desejo de que o capítulo da passagem da Coluna Prestes por Minas Gerais se transforme na ideia de “um Brasil mais justo, sem cercas e sem latifúndios”.

“Cem anos depois, precisamos perguntar com honestidade histórica: o que mudou, o que permanece e que Brasil estamos construindo?”
Levon do Nascimento
Organizador do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”

O deputado Leleco Pimentel (PT), um dos coautores do livro e responsável por solicitar a audiência pública, lamentou que o movimento tenentista não seja lembrado com frequência. “A Coluna Prestes e o tenentismo foram apagados para que a gente não soubesse quem construiu essa história do Brasil”, disse o parlamentar, lembrando o fato de que posteriormente Luís Carlos Prestes se assumiu como comunista.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Deputados Leleco Pimentel e Adalclever Lopes destacaram importância de manter viva a memória da Coluna Prestes Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

Também presente na audiência, o deputado Adalclever Lopes (PSD) demonstrou grande satisfação pela realização da audiência pública. “Tenho certeza que essa histórica reunião entrará nos anais desta Casa. Para que nossas próximas gerações não se esqueçam”, afirmou.

Livro resgata memória do movimento

O livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, lançado durante a reunião, reúne textos de diversos autores que possuem relação, seja por interesse, estudo ou memória afetiva, com o movimento tenentista, chamado também pela população do “tempo dos revoltosos”.

O organizador da obra Levon do Nascimento descreve a autoria coletiva como um “conjunto plural de autores, educadores, militantes da memória, que aceitaram o desafio de revisitar a Coluna Prestes sob múltiplas perspectivas”. Para ele, o lançamento é “fruto de um esforço coletivo que não tem retaguarda institucional” e que “nasce exatamente para fazer a ponte entre o sertão e a academia, entre a memória e a história, entre o Brasil profundo e o Brasil institucional”.

Comissão de Cultura - homenagem à Coluna Prestes
Livro reúne textos de diversos autores sobre a importância histórica, cultural e política do movimento tenentista brasileiro Álbum de fotos – Foto: Marcelo Sant

Já Mônica Rodrigues Teixeira, também professora e coautora, conta que cresceu ouvindo falar dos revoltosos. Para ela, muitas das desigualdades denunciadas pelo movimento persistem até os dias de hoje: “as pautas da Coluna Prestes ainda são muito presentes e necessárias”.

A obra reúne contos sobre momentos em que as tropas revolucionárias da Coluna Prestes entraram no Distrito de Taiobeiras, então parte do Município de Salinas, no Norte de Minas Gerais.TV Assembleia
Tópicos: Cultura

Lula lidera comitiva à Europa para encontros políticos e comerciais

Presidente e 15 ministros visitam Espanha, Alemanha e Portugal

Agência Brasl(São Paulo - SP, 05/09/2020) Aviao presidencial VC1 faz pouso na pista principal do aeroporto de congonhas após a reforma.Foto: Clauber Cleber Caetano/PRAvião presidencial – Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Com embarque previsto para a próxima quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará Espanha, Alemanha e Portugal. Entre os objetivos da viagem, está ampliar apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas.

De acordo com a assessora especial do Itamaraty, embaixadora Vanessa Dolce de Faria, a comitiva contará com 15 ministros, além de presidentes de órgãos como Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação Oswaldo Cruz e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O primeiro destino será Barcelona, na Espanha, dias 17 e 18 de abril, a convite do presidente espanhol, Pedro Sánchez. Na sequência, Alemanhã, nos dias 19 e 20, onde participará da Hannover Messe – a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo.

A viagem se encerrará dia 21, com uma rápida visita de Estado a Portugal.

Espanha

Lula chegará a Barcelona na noite do dia 16, para participar, ao longo do dia 17, da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, no Palácio de Pedralbes. Ele será recepcionado pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, com quem se reunirá.

Secretário de Europa e América do Norte, o embaixador Roberto Abdalla adianta que as expectativas são de que, durante a cúpula, as convergências entre Brasil e Espanha sejam ampliadas em temas como multilateralismo, direito internacional e solução pacífica de conflitos.

Por volta do meio-dia, o presidente brasileiro participará de uma reunião plenária com ministros dos dois países. Em, seguida, uma série de atos será assinada e, na sequência, será feita declaração conjunta à imprensa.

À noite, Lula participará de um jantar oferecido pelo presidente espanhol aos líderes do Fórum de Defesa da Democracia – que terá, na Catalunha, sua 4ª reunião de Alto Nível.

A reunião terá como foco questões relacionadas a multilateralismo, o que inclui a sucessão da Secretaria Geral da ONU; desigualdades, com o Brasil defendendo incluir na declaração final aspectos relacionados à violência política e digital de gênero; e combate à desinformação.

De acordo com a embaixadora Vanessa de Faria, a expectativa é de que a viagem à Espanha “coroe um processo de aproximação [entre os dois países] iniciado em 2023”, com atos e acordos visando avanços em áreas como igualdade de gênero, economia social solidária, saúde, cultura, empreendedorismo, serviços aéreos, telecomunicações, ciência e tecnologia.

Alemanha

Lula embarcará para a Alemanha na manhã do dia 19, onde ficará até o dia 20. Em Hannover, terá uma reunião privada com o chanceler alemão Friedrich Merz.

No dia 20, Lula participará, a partir das 8h, da abertura oficial da feira Hannover Messe 2026, onde abrirá o estande do Brasil.

O presidente brasileiro participará também de encontro com empresários e de uma comissão mista envolvendo autoridades ministeriais do Brasil e da Alemanha, segundo informou o chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Henrique Moscardo.

A expectativa da diplomacia brasileira é de que, ao final da visita à Alemanha, sejam assinados 10 acordos envolvendo os dois países.

Os acordos abrangem temas como defesa, mudanças climáticas, infraestrutura, inteligência artificial, inovações energéticas, bioeconomia, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento de aplicativos e pesquisas nas áreas oceânicas e do cerrado brasileiro.

Portugal

Lula deixa Hannover na manhã do dia 21, com destino a Lisboa. A visita se inicia com um encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, no Palácio de São Bento.

Depois, no Palácio de Belém, Lula se encontrará com o presidente de Portugal, António José Seguro.

Após os dois encontros, o presidente brasileiro retornará a Brasília.

Servidora Ana Cristina Viana Silveira assume comando do INSS

Missão é reduzir fila de espera do órgão, informa nota
Agência Brasil13/04/2026 - Ana Cristina Silveira assume comando do INSSNova presidenta é servidora de carreira do órgão e chega com a missão de acelerar a análise de benefícios. Foto: MPS/DivulgaçãoAna Cristina Viana Silveira, nova presidente do INSS – Foto: MPS/Divulgação
O Ministério da Previdência Social anunciou, nesta segunda-feira (13), a troca no comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A servidora Ana Cristina Viana Silveira assume a instituição no lugar de Gilberto Waller, que presidiu o INSS nos últimos 11 meses.

“Servidora de carreira, ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto”, informa o ministério em nota.

Graduada em direito, Ana Cristina ingressou no INSS em 2003 como Analista do Seguro Social. Atualmente, ocupava o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social.

13/04/2026 - Ana Cristina Silveira assume comando do INSSNova presidenta é servidora de carreira do órgão e chega com a missão de acelerar a análise de benefícios. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Ana Cristina Silveira é servidora de carreira desde 2003 – Foto: Ricardo Stuckert/PR
A trajetória inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), de abril de 2023 até fevereiro de 2026. Segundo a pasta, durante a gestão de Ana Cristina, o setor dobrou a capacidade de análise de recursos.

“A escolha de uma servidora com visão sistêmica – que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal – marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados”, destacou o ministério.

No comunicado, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, agradece a contribuição de Waller no período que esteve à frente do INSS e dá as boas-vindas à servidora Ana Cristina. Ele destaca a escolha de uma mulher para a alta cúpula do órgão, que já tem quatro diretoras.

“Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás. Sua nomeação também entrega o comando do Instituto nas mãos de seus próprios servidores.”

O procurador federal Gilberto Waller assumiu o INSS no lugar de Alessandro Stefanutto, demitido do cargo após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal revelar a existência de um esquema de fraudes no órgão entre 2019 e 2024, que descontou indevidamente contribuições de aposentados e pensionistas a entidades e organizações sociais.

Câmara cancela passaporte diplomático de Eduardo Bolsonaro e Ramagem

Medida foi determinada na última sexta-feira

Agência BrasilA cúpula maior, voltada para cima, abriga o Plenário da Câmara dos Deputados.© Marcello Casal JrAgência Brasil

A Câmara dos Deputados determinou o cancelamento dos passaportes diplomáticos dos ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). 

A medida foi determinada, após a Mesa Diretora da Casa declarar a cassação dos mandatos dos parlamentares.

Com a perda do mandato, Eduardo e Ramagem também vão perder diversos benefícios, como imóvel funcional, verba de gabinete e cotas de passagens aéreas, por exemplo.

Eduardo Bolsonaro foi cassado por faltas. De acordo com a Constituição, o parlamentar que não comparece a um terço das sessões deliberativas deve perder o mandato.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro faltou a 56 das 71 sessões realizadas no ano, equivalente a 79% das sessões.

Em fevereiro de 2025, Eduardo viajou para os Estados Unidos, onde ajudou a promover o tarifaço contra as exportações brasileiras, o cancelamento de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.

O mandato de Alexandre Ramagem foi cassado após a condenação na ação penal da trama golpista ocorrida durante o governo Bolsonaro. Nesses casos, a Constituição determina que a Câmara declare a perda do mandato em função da condenação.

Condenado a 16 anos de prisão, Ramagem está foragido nos Estados Unidos e é alvo de um pedido de extradição para o Brasil.

ICE prende Alexandre Ramagem nos Estados Unidos

Nome de ex-deputado aparece na lista de pessoas “sob custódia”
Agência BrasilRio de Janeiro (RJ) 17/07/2024 – O delegado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin) e pré-candidato à Prefeitura do Rio, presta depoimento na Polícia Federal, que investiga possível uso ilegal de sistemas para espionar autoridades e desafetos políticos no governo Jair Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilO ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do serviço de imigração e alfândega dos EUA, conhecido pela sigla ICE (ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement).

O nome de Ramagem aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com a situação “sob custódia do ICE”. O local de detenção não foi informado. 

Condenação

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.

Proibido de sair do país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol. O governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Washington, solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem, no final de dezembro de 2025. O pedido foi entregue ao Departamento de Estado.

Depoimento

Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista que estava suspensa e voltou a tramitar após ele perder o mandato.

Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa Câmara em razão de condenação no Supremo Tribunal Federal.

Alexandre Ramagem era delegado de carreira da Polícia Federal e foi demitido após a condenação.

* Com TV Brasil e Rádio Nacional

Justiça mantém condenação da União e de SP por tortura na ditadura

Ex-estudante da USP receberá indenização de R$ 300 mil por perseguição

Agência BrasilSão Paulo (SP)-29/03/2026. Caminhada Silenciosa em memória das vítimas da ditadura militar. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil© Paulo Pinto/Agencia Brasil

A quarta turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF) confirmou, por unanimidade, a sentença que condenou a União e o estado de São Paulo a indenizarem uma estudante universitária que sofreu perseguições políticas durante o regime militar.

O nome da vítima não foi divulgado. A indenização foi fixada em R$ 300 mil, valor que deve ser dividido entre o estado e a União.

Para os magistrados, a responsabilidade objetiva do Estado ficou comprovada por documentos oficiais e depoimentos de testemunhas que demonstraram que agentes do Estado praticaram tortura e prisões ilegais.

“O dano moral comprovado foi resultado da conduta dos policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na época servidores públicos do Estado de São Paulo, e do próprio regime militar que propiciou o cometimento de toda a série de arbitrariedades, privações, segregações e violências físicas e morais contra a autora”, escreveu o juiz federal Paulo Alberto Sarno, relator do acórdão.

Conforme o processo, a universitária vivia em uma residência para estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Entre 1968 e 1971, ela foi presa e torturada, recebendo choques elétricos e até uma injeção de éter no pé.

“São evidentes os danos morais sofridos pela apelada, consubstanciados na dor experimentada em razão do cerceamento de sua liberdade em condições de violência extrema, da perseguição policial, do afastamento compulsório de seu lar, de sua pátria, de seus familiares e de seus amigos e da perda de seu emprego por motivos políticos e ideológicos”, afirmou o relator.

Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro

Evento reúne povos de diversas etnias durante este fim de semana
Agência BrasilRio de Janeiro (RJ), 11/04/2026 – Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro.Foto: Museu do pontal/Divulgação© Museu do Pontal/Divulgação
O Festival das Culturas Indígenas do Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, começa neste sábado (11) e vai até domingo (12), promete mobilizar o público mais uma vez mostrando os saberes, as vivências e a força dos povos originários.

Nesta 3ª edição, as atividades terão as presenças de representantes dos povos Wauja, Guajajara, Xakriabá, Kaiapó, Kamayurá, Puri, Pataxó, Wapixana, Guarani Mbyá e Guarani Tenonderã, que vão coordenar experiências de vida, além de apresentar rituais, danças e músicas ancestrais. A programação gratuita inclui uma feira gastronômica.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Desta vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

No mesmo dia, a programação prevê, ainda, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina com técnicas de modelagem de panelas de barro, que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Das 12h30 às 13h, haverá demonstrações sobre os rituais da Festa das mulheres – Yamurikumã, com danças, cânticos e pinturas com jenipapo e urucum que fazem parte da tradicional cerimônia.

Também no sábado, às 15h30, o pescador e artesão da aldeia Kamayurá, do Parque Indígena do Xingu, Taware Kamayurá, vai contar histórias e trazer informações sobre rituais ancestrais como o Kuarup. Todas as atividades do museu são gratuitas e estão sujeitas a lotação.

Exposição

Um dos destaques do Festival das Culturas Indígenas este ano é a exposição individual Roraimarte III de Gustavo Caboco, artista indígena do povo Wapixana, que nasceu em Curitiba e, aos 10 anos, mudou para Roraima. Na visão do artista, essa apresentação no Rio é importante porque faz parte da pesquisa que vem realizando sobre as histórias Wapixana, que se junta à exposição Macunaíma é Duwid, em São Paulo, com outras que ocorrem em malocas, em Roraima.

“É uma exposição que acaba conectando outros territórios”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Os deslocamentos de indígenas para vários territórios e a produção de memória a partir de uma inusitada conexão entre o Monte Roraima, considerado local sagrado para povos amazônicos, e o planeta Marte, é o foco da mostra Roraimarte III, com fotografias, pinturas e esculturas que evidenciam esses processos. A abertura está marcada para este sábado, às 15h. O artista estará presente para uma conversa, acompanhado dos curadores da mostra e diretores do Museu do Pontal, Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

Caboco contou que essa conexão surgiu a partir da nomeação dada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, a uma parte do território de Marte que se chama Roraima, uma vez que se constatava, semelhança do solo de lá com o do Monte Roraima e do conceito que o povo Wapixana tem de que o Monte Roraima é a origem do mundo.

“Tenho trabalhado muito para não apagar a memória Wapixana e de como a arte pode fortalecer relações dentro do campo indígena”, disse Caboco, acrescentando que esta ação reforça o envolvimento dos jovens indígenas nas suas próprias culturas.

Gustavo Caboco, disse que despertou para a arte depois de ganhar uma máquina fotográfica da mãe, que é Wapixana. Ela, que aos 10 anos foi raptada por uma missionária e levada para Boa Vista, passou a trabalhar como doméstica. Já adulta se mudou para Curitiba e 30 anos depois, ao voltar com o filho ainda menino para o território Wapixana, queria que ele fizesse fotos para guardar a memória do seu povo. “Considero hoje como um primeiro trabalho que tem a proposta desse retorno à maloca, à terra que me situa no mundo”, revelou.

Caboco falou ainda que outra influência que recebeu da mãe vem do tempo que a acompanhava ao ateliê de costura que ela montou em Curitiba. Lá costumava ouvir as histórias guardadas na memória dela de como era a vida na maloca e sobre a paisagem de Roraima.

Para o diretor executivo do Museu, Lucas Van de Beuque, trazer essa exposição ao Museu do Pontal é especialmente oportuno nesse momento de retomada das missões espaciais no âmbito do Programa Artemis, que marca um novo ciclo da exploração espacial e a presença humana na Lua.

“Se, por um lado, essas iniciativas apontam para a expansão dos horizontes tecnológicos, científicos e cosmológicos, por outro, também reativam questões históricas ligadas à ocupação, nomeação e disputa de territórios, agora projetadas para além da Terra”, informou à Agência Brasil.

Gustavo Caboco destacou outra característica dos Wapixanas. Como eles estão situados na fronteira do Brasil com a Guiana Inglesa têm fluência nos dois idiomas. “O nosso povo se dividiu, e hoje tem pessoas Wapixanas falantes de inglês porque cresceram na parte da Guiana e outras falam português, mas a nossa língua Wapixana também é viva nesses dois países”, pontuou.

Para a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani, a produção de Gustavo Caboco é belíssima e plasticamente muito impactante porque transforma o pensamento dele em obra de arte e provoca no público o desejo de conhecer as questões que o artista traz.

“O fato dele traz uma discussão sobre os deslocamentos forçados e sobre mundos diversos que se conectam levam a uma atualidade muito grande para o que estamos vivendo como população mundial mesmo. Tem essa atualidade ao mesmo tempo em que fala da sua história de vida”, disse.

“É uma honra estarmos recebendo este artista que também coloca em discussão o que é ser indígena hoje desmontando estereótipos que por tanto tempo serviram de base para se pensar a questão indígena”, concluiu.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Dessa vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

A programação prevê, ainda, no mesmo dia, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina de panelas de barro que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Às 12h30, elas apresentam a Festa das mulheres – Yamurikumã, ritual que celebra a força das mulheres do Alto Xingu.

No domingo (12) a programação para crianças continua com sessões às 10, 11h e 12h. A atividade Bebês no Museu do Pontal será com a contadora de histórias Mel Xakriabá. Ela vai apresentar na roda de musicalização, cantos e instrumentos da nação Xakriabá, um dos poucos grupos indígenas que habitam Minas Gerais.

O público vai ser incentivado ainda a aprender, às 10h30, a arte de fazer petecas com Carmel Puri. A partir das 15h, será a vez da artesã Ana Lucia Guajajara, que nasceu na Aldeia Morro Branco, no Maranhão, coordenar uma oficina de colares de sementes. A indígena vai explicar os significados sagrados dessas peças.

Música

Neste sábado, a programação musical ficará por conta do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita, às 16h30, e do Coral Mbyá Guarani da Aldeia Sapukai, no domingo, às 16h.

Educadores indígenas

A curadoria do festival é dos educadores indígenas Carmel Puri e Pacary Pataxó, que vivem no Rio de Janeiro. Formada em pedagogia, pesquisadora de grafismos de outras etnias e agricultora urbana, a arte-educadora Carmel é também coordenadora do coletivo feminino Sementes da Terra, projeto que incentiva o plantio de sementes fora dos territórios indígenas.

Pacary Pataxó, que nasceu na aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia, foi para o Rio quando já era adulto. A intenção com a mudança era divulgar a cultura de seu povo.

Palestrante, oficineiro, empreendedor, Pacary põe em prática, especialmente, nas escolas, a Lei 11.645/8, que obriga o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio no Brasil.

Por meio dos cantos, dança, pintura corporal e contação de história, o educador indígena reforça a necessidade de preservação da natureza, da cultura de seu povo e dos povos originários.

“Esse festival é atravessado por uma programação que por um lado foca nos rituais, mas também na dança, no corpo nos cantos nas formas associativas que acontecem nas comunidades indígenas brasileiras. É de uma riqueza enorme poder trazer para o público essas experiências”, observou a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani à Agência Brasil.

A manutenção do Festival, que já está na terceira edição, segundo Angela, resulta do interesse do público por informações sobre a cultura indígena e os povos originários de muitas etnias diferentes.

“É um universo complexo, amplo e diverso com muitas variações, desde de indígenas aldeados até os urbanos. Achamos muito importante, porque o Museu é voltado para a difusão das camadas populares e a gente inclui a população indígena. Há uma grande importância”, disse à Agência Brasil.

A diretora destacou que o Museu também tem um foco educativo e por isso realiza excursões de estudantes em todas as exposições do espaço cultural. Angela acrescentou que o fato de ter dois educadores indígenas na curadoria do festival, dá uma tranquilidade de que o Museu está no caminho certo.

“São educadores, são indígenas, pessoas que trazem a sua história de vida como vivência de corpo, como vivência de experiência, como seu primeiro plano. Para o público, é muito interessante ter esse contato”, completou.

Museu do Pontal

Localizado na Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca, o Museu do Pontal é considerado o maior e mais significativo espaço de arte popular do país. O acervo, resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque, é composto por mais de dez mil peças de 300 artistas, produzidas a partir do século 20.

Como chegar

Para chegar ao museu, os visitantes têm a opção de usar vans gratuitas que sairão da estação de metrô Jardim Oceânico, no acesso A – Lagoa, com uma parada no New York City Center.

As saídas regulares são das 10h às 17h, no sábado e domingo, e as vans estarão disponíveis para retorno até o fim do evento. Como o estacionamento estará fechado, o museu recomenda utilizar o transporte oficial do festival, que por meio da Lei Rouanet, é patrocinado pela Shell Brasil que comemora 113 anos de presença no país.

Lula quer incluir inadimplentes do FIES em pacote contra endividamento

Presidente, no entanto, não detalhou como ocorreria a renegociação
Agência BrasilSão Paulo (SP), 10/04/2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de visita de inauguração do Centro de Ensino, Simulação e Inovação (CESIN) do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Foto: Paulo Pinto/Agencia BrasilO presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta sexta-feira (10) que deverá incluir no pacote de medidas do governo federal contra o endividamento os estudantes que estão em atraso com os pagamentos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES). Lula, no entanto, não detalhou como ocorreria o processo de renegociação dessas dívidas.

“Está aumentando o endividamento dos meninos do FIES. E nós vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento. A gente não pode tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”, disse Lula, ao inaugurar, em Sorocaba (SP), uma nova unidade do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

“Ele [o estudante] vai pagar a dívida dele sendo um profissional competente, porque se ele for um profissional competente, ele vai melhorar a qualidade produtiva do nosso país”, ressaltou o presidente. 

Dados do Ministério da Educação (MEC), de outubro de 2025, mostram que 160 mil estudantes estão com parcelas em atraso no FIES, o que representa R$ 1,8 bilhão em saldo devedor.

Investimento

O presidente voltou a frisar que os recursos destinados à educação devem ser vistos como investimento e não como gasto. Lula reforçou que mantém a convicção de que o desenvolvimento do país está diretamente ligado à ampliação da educação no país.

“Ninguém tirará de mim a convicção de que não existe outra saída para que o Brasil se defina como um país altamente desenvolvido do ponto de vista democrático, do ponto de vista civilizatório, do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista econômico, a não ser fazer investimento na educação”. 

O presidente comparou os recursos necessários para a manutenção de um estudante e de uma pessoa encarcerada.

“Um prisioneiro, no presídio federal de segurança máxima, custa R$ 40 mil reais por ano. Nas outras cadeias, R$ 35 mil reais por ano. Um estudante, no Instituto Federal, custa 16 mil reais por ano, ou seja, metade do que custa um bandido”, disse.

“A gente investe em bandido quando a gente não investe na educação”, acrescentou.

Emendas parlamentares

Em seu discurso, o presidente sugeriu que cada deputado federal e cada senador se comprometa a utilizar as emendas parlamentares para a criação de uma escola no país. Segundo Lula, se os parlamentares adotassem a ideia, o problema da educação estaria resolvido no Brasil. 

“Vamos supor que cada deputado tenha R$ 40 milhões por ano de emenda. Cada deputado e cada senador. Imagina se todos eles assumirem a responsabilidade de financiar a construção de uma escola. São 513 deputados, são 513 escolas. São 81 senadores, são 81 escolas. Resolvemos o problema da educação”, acrescentou.

Trump

No fim do discurso, em tom de brincadeira, Lula disse que se o presidente estadunidense soubesse o que é um pernambucano não faria ameaças contra o Brasil. Lula ressalvou, no entanto, que o país é pacífico e valoriza a paz e o amor.

“Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil”, disse. 

“De qualquer forma, nós não queremos guerra. Nós queremos paz. Nós queremos ter acesso à cultura, passear, estudar, namorar, brincar. Quem quiser guerra, vá para o outro lado do planeta, porque aqui nós somos a terra de paz e do amor”, acrescentou.

IFSP

A nova unidade do instituto federal inaugurada nesta sexta-feira em Sorocaba foi viabilizada pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

Iniciadas em 2024, as instalações têm 4,6 mil metros quadrados de área construída, e oferecerão estrutura completa para o ensino técnico e tecnológico, incluindo blocos de salas de aula, laboratórios do tipo oficina e bloco administrativo.

Lula larga a mão de Alexandre de Moraes e acerta moralmente por interesse eleitoral

Lula larga a mão de Alexandre de Moraes e acerta moralmente por interesse eleitoral
O presidente Luis Inácio Lula da Silva e o Ministro Alexandre de Moraes do STF – Foto: Igo Estrela/Metrópoles

De acordo com a Coluna do Mario Sabino, no site Metrópoles, Lula tem lealdade apenas a si próprio. Preocupado com a contaminação da campanha à reeleição pelo caso do Banco Master, que envolve diretamente amigos seus no STF, ele largou a mão de Alexandre de Moraes depois de ter deixado para trás Dias Toffoli.

Em entrevista a um canal da imprensa petista, o presidente da República contou que aconselhou Moraes a preservar a biografia e declarar-se impedido de atuar em julgamentos relacionados ao caso Master, uma vez que a mulher do ministro foi contratada como advogada do finado banco de Daniel Vorcaro.

Ele também afirmou que um integrante do Supremo que tenha cometido desvio deve pagar por isso, não o tribunal, e que “se o cara quer ficar milionário, não pode ser ministro do Supremo”, porque “quando se vai para a Suprema Corte, tem que fazer um compromisso quase religioso. Ele não está lá para ganhar dinheiro”.

O chefão petista não se tornou um ser ético da noite para o dia; tudo o que disse na entrevista foi por exclusivo interesse eleitoral.

Não importa: assim como se faz coisa errada movido por razões certas, também se faz coisa certa impelido por motivos errados. Ao trair amigos que lhe prestaram serviços relevantes e que se tornaram incômodos, Lula acertou moralmente.

Porque vamos deixar pactuado, por favor: só em um país que perdeu qualquer pudor, ministro de Suprema Corte se enrola com um desclassificado como Vorcaro e ainda se acha insuspeito para ser julgador em processos associados ao sujeito.

É neste país sem pudor que as fadas sininho do consórcio STF/Palácio do Planalto agora tentam remediar a fala de Lula. Mas não tem jeito: a distância foi marcada, resta ver se o acerto moral terá o efeito desejado pelo chefão petista nas urnas, e nenhuma atenuação da parte dele apagará o conselho dado a Moraes e o que afirmou aos entrevistadores sobre a incompatibilidade entre busca de riqueza e cargo de juiz.

Com a divulgação do que disse ao ministro cuja mulher recebeu R$ 80 milhões do maior fraudador do sistema financeiro brasileiro, Lula destruiu a balela de que, ao fazer de tudo para salvar a própria pele, inclusive ignorando suspeições evidentes, os ministros envolvidos com Vorcaro e os seus defensores no STF estão é defendendo o tribunal de ataques golpistas. Nunca se tratou disso, e sim da descoberta de indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa.