Dia: 7 de Abril, 2026

Indígenas de todo o Brasil ocupam a Esplanada dos Ministérios

Principal crítica do Acampamento Terra Livre é dirigida ao Congresso
Agência Brasil

Brasília (DF), 07/04/2026 - Indígenas de todo o país realizam marcha em Brasília em defesa de seus direitosFoto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Milhares de indígenas de todo o Brasil marcham, nesta terça-feira (7), pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ato integra a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), evento que começou no domingo (5) e é considerado a maior e mais importante mobilização do movimento no país.

Os tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati, gavião e representantes de parte dos 391 povos indígenas remanescentes deixaram o palco principal do ATL, no Eixo Cultural Ibero-Americano, por volta das 9h30.

Sob sol forte, o grupo percorreu os 6 quilômetros até o Congresso Nacional, principal alvo das críticas do movimento, que acusa a maioria dos deputados federais e senadores de propor e aprovar leis contrárias aos direitos constitucionais dos povos originários, colocando em risco seus territórios e modos de vida.

Os indígenas também acusam parlamentares e os governos federal e estaduais de cederem à pressão do agronegócio, da mineração e de grandes empreendimentos, permitindo a exploração econômica de territórios tradicionais por não indígenas.

Pintados e usando os adereços característicos de suas etnias, os indígenas carregavam seis grandes faixas com os dizeres Congresso Inimigo Dos Povos; Nosso Território Não Está À Venda; O Futuro É Indígena; Marco Temporal É Golpe; Demarcação É Futuro e Marco Temporal Não.

Para cumprir um acordo com os órgãos de segurança do Distrito Federal, os indígenas deixaram seus arcos, flechas, bordunas, lanças e zarabatanas no acampamento e ocuparam três das seis faixas e parte do gramado do Eixo Monumental, avenida que corta o Plano Piloto no sentido leste-oeste.

“Nossa marcha é pacífica, rumo a um Congresso que não é pacífico, é inimigo dos povos indígenas”, criticou um dos membros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade organizadora do ATL. 

“Viemos pintar Brasília do vermelho do urucum e da resistência do jenipapo, trazendo a força, a resistência e a ressurgência indígena”, acrescentou o mesmo representante da Apib antes do início da marcha.

Brasília (DF), 07/04/2026 - Indígenas de todo o país realizam marcha em Brasília em defesa de seus direitosFoto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Indígenas de todo o país marcham em Brasília em defesa de seus direitos – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Marco Temporal

Outro alvo recorrente das críticas indígenas é o Marco Temporal, tese jurídica que estabelece que os indígenas só têm direito aos territórios que ocupavam em outubro de 1988, quando a Constituição Federal foi promulgada.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Marco Temporal inconstitucional. Mesmo assim, em 2025, o Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que impõe o limite temporal às reivindicações indígenas por demarcações. 

Como os senadores modificaram o texto que a Câmara dos Deputados aprovara em 2023, a PEC foi devolvida para os deputados federais reanalisarem a proposta, o que ainda não aconteceu.

Os manifestantes também reivindicam que o governo federal reconheça mais terras indígenas. 

Segundo as lideranças do movimento, após um período de quatro anos (2019-2022) no qual nenhuma nova área de ocupação tradicional foi homologada, o governo federal validou, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, 20 novos territórios. 

Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), os novos territórios equivalem a cerca de 2,5 milhões de hectares de terras protegidas em 11 unidades federativas.

“Mas seguimos nessa luta, nesse pleito pela garantia territorial”, explicou o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá, à Agência Brasil, no domingo (5). 

“Temos um passivo de demarcação muito alto e um cenário de muita violência e vulnerabilidade nas terras indígenas que governo algum conseguiu superar. Isso tem sido um fator motivador para os povos indígenas virem a Brasília apresentar nossas pautas”, disse Dinamam.

Ele informou que há, em análise, cerca de 110 novas áreas reivindicadas como terras da União de usufruto indígena.

Convidada a falar do alto do caminhão de som, a ex-presidente da Funai e primeira mulher indígena eleita deputada federal Joenia Wapichana destacou a importância dos indígenas “aldearem a política”, conforme propõe as lideranças do movimento.

“Estamos aqui para dizer que os povos indígenas têm capacidade para serem o que quiserem: parlamentares, autoridades públicas, representantes políticos. E essas ferramentas estão à nossa disposição”, afirmou. 

“Os povos indígenas estão atentos, sabem dos seus direitos”, acrecentou Joenia, destacando a necessidade de mais orçamento para os órgãos públicos de proteção indígena, como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. 

Relatório da RSF aponta desafios para futuro do jornalismo íntegro

Apoio do Estado e educação midiática estão entre as medidas sugeridas
Agência BrasilBrasília (DF), 27/01/2025 - Crianças com perfil aberto em redes sociais. Ian Fernandes de Alencar. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil© Bruno Peres/Agência Brasil

Relatório divulgado pela organização não governamental Repórteres sem Fronteira (RSF) destaca o combate à desinformação e o incentivo à educação midiática como medidas para a garantir o jornalismo íntegro e de confiança pelos próximos 10 anos.

O documento recém-lançado contribui para os debates sobre a profissão, lembrada nesta terça-feira no Brasil, como o Dia do Jornalista (7).

A instituição apresenta quatro cenários hipotéticos de onde estará o jornalismo no Brasil daqui a uma década e seis estratégias possíveis para que a sociedade possa contar, ao fim desse período, com “um jornalismo íntegro e de confiança”.

Os quatro cenários, construídos pelo Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Lab-GEOPI) da Unicamp para o RSF, distinguem-se pelo domínio das plataformas digitais; pelo fortalecimento do jornalismo; pela alta fragmentação da informação produzida e pelo fim do jornalismo.

“O futuro, provavelmente, vai ser muito mais uma mistura dos elementos dos diferentes cenários do que um cenário estanque”, explica Sérgio Lüdtke, coordenador de Projetos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e editor-chefe do Projeto Comprova. Lüdtke participou do comitê consultivo do projeto do RSF.

As seis estratégias envolvem:

  1. tornar o método jornalístico amplamente adotado e difundido;
  2. enfrentar a desinformação;
  3. fortalecer redes de cooperação entre organizações de jornalismo e universidades;
  4. diversificar modelos de financiamento do jornalismo;
  5. investir em educação midiática;
  6. defender a regulação do jornalismo.

Desafios

De acordo com a entidade, os riscos para a comunicação virtual decorrentes da falta de clareza entre conceitos como notícia, opinião, desinformação e propaganda, em um ambiente político polarizado, fazem parte da atualidade e influenciam toda essa construção.

A isso se soma o fato de as pessoas alimentam suas convicções a partir do que acreditam ser realidade, de acordo com o conteúdo selecionado pelo algoritmo da rede social.

 “O método jornalístico é um elemento central de apreensão da realidade e do debate público, que está no cerne da qualidade democrática”, resume Artur Romeu, diretor do escritório do RSF para América Latina, na apresentação do relatório.

Plataformas digitais

Para Samira de Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o futuro aponta para o cenário de domínio das plataformas digitais.

“Desde os grandes veículos [de comunicação] até a chamada mídia independente alternativa, todos necessitam escorar sua produção jornalística pelas plataformas digitais.”

Segundo ela, que também atuou no comitê consultivo, o jornalismo é refém da política de algoritmo dos meios digitais. “Essas [plataformas] são controladas por empresas multinacionais com total opacidade da sua política algorítmica.”

De acordo com o diretor do escritório do RSF, Artur Romeu, o jornalismo passa a operar dentro das regras que são cada vez mais arquitetadas por essas grandes empresas.

“[O jornalismo] torna-se dependente dos canais de distribuição das plataformas digitais, na medida em que cada vez mais pessoas consomem notícias e informação através dessas plataformas.”

O efeito da “plataformização” é a desvalorização do jornalismo. Essa se deu quando passou a competir “de igual para igual com a desinformação e com a propaganda, e passou a ser vista como mais uma narrativa”, acrescenta Sérgio Lüdtke.

Ele acrescenta que o uso de inteligência artificial pode agravar o esvaziamento da profissão e substituir jornalistas nas atividades de apuração e escrita.

Outros riscos

Além do domínio das plataformas digitais, outros riscos foram apontados, como o ambiente político altamente polarizado; a histórica concentração de mídia no Brasil; o baixo letramento midiático e a insuficiente escolaridade da população.

Também há ameaças no dia a dia da comunicação, como a desregulamentação da profissão de jornalista; precarização e enxugamento das redações; perseguição a profissionais (principalmente mulheres); censura e autocensura de repórteres e editores; substituição de jornalistas formados por influencers; preferência por conteúdos de menor profundidade em busca de mais audiência; e, como consequência, visões segmentadas da realidade.

Informação confiável

O relatório aponta a necessidade de maior atuação do Estado como legislador do funcionamento das plataformas digitais, regulador das atividades dos jornalistas e propulsor da atividade jornalística, inclusive em cidades onde há desertos de notícia e nenhum veículo de comunicação em funcionamento.

O documento destaca a necessidade de aproximação com as universidades, tanto para atualizar a formação de jornalista diante dos cenários e estratégias traçados quanto para atuar na educação midiática.

Sérgio Monteiro Salles Filho, professor titular do Departamento de Política Científica da Unicamp e integrante do Lab-GEOPI, que elaborou o relatório para o RSF, acrescenta a possibilidade de se criar “selos” que atestem o trabalho jornalístico.

Uma indicação para quem consome notícias “de que processos de integridade e confiabilidade estão sendo respeitados” e que na matéria jornalística “teve checagem e apuração.”

“Essa não é uma agenda de jornalistas e meios de comunicação, é uma agenda da garantia do direito de cada pessoa, cada brasileiro a ter acesso à informação livre, plural, independente de confiança.”

Nesse sentido, o relatório cita, na página 18, a importância da Agência Brasil e das agências estaduais como grandes centrais de curadoria e distribuição de informação confiável, que garante acesso a fatos verificados e informações de produção humana. 

“Seus produtos detêm alta capilaridade e, assim, permitem que veículos locais e hiperlocais reproduzam decisões públicas no noticiário cotidiano das comunidades”, destaca o relatório.

O Repórteres sem Fronteiras tem escritório em Paris e funciona com 14 escritórios regionais, em todos os continentes, além de contar com uma rede de correspondentes em 150 países.

Além do Brasil, estudo semelhante foi feito na França. “Os resultados não são tão diferentes assim. As possibilidades de futuro, que estão colocadas, estão atravessadas pelos mesmos imperativos do presente”, compara o diretor do escritório do RSF para América Latina, Artur Romeu.

Homem embriagado invadiu comércio e ameaçou ex-companheira de morte em Guanambi

Homem embriagado invade comércio e ameaça ex-companheira de morte em Guanambi

Uma mulher de 38 anos viveu momentos de pânico na manhã deste domingo (5), enquanto trabalhava em um estabelecimento comercial em Guanambi. O ex-companheiro da vítima, um homem de 35 anos, invadiu o local e a ameaçou de morte. A Polícia Militar foi acionada por volta de 9h30 para intervir no caso.

Ao chegar no endereço indicado, uma guarnição do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM) confirmou o relato da vítima. De posse das características do suspeito, os policiais iniciaram buscas na região e localizaram o homem nas proximidades do comércio. Segundo informou a corporação ao site Achei Sudoeste, o indivíduo apresentava sinais visíveis de embriaguez no momento da abordagem.

Diante do flagrante e do relato da vítima, o agressor foi detido e conduzido à Delegacia Territorial de Guanambi. A mulher também compareceu à unidade policial para formalizar a ocorrência e solicitar as medidas protetivas cabíveis. O caso será investigado pela Polícia Civil.

Rota Transportes descarta falha mecânica e aponta acionamento indevido em acidente em Itambé

Rota Transportes descarta falha mecânica e aponta acionamento indevido em acidente em Itambé
Foto – Divulgação
A Rota Transportes divulgou nesta segunda-feira (06) uma atualização oficial sobre o acidente envolvendo um ônibus da empresa no município de Itambé. Em nota, a companhia informou que as apurações preliminares descartam falha mecânica ou problemas no sistema de freios do veículo.

Segundo a empresa, o ônibus envolvido é um modelo 2025, com vistorias e certificações atualizadas, considerado apto para o transporte de passageiros. A Rota Transportes afirmou ainda que o veículo já passou por perícia e, até o momento, não foram identificados indícios de defeitos técnicos.

De acordo com o levantamento apresentado, com base em imagens de monitoramento e relatos de testemunhas, o ônibus estaria parado no ponto de apoio quando o motorista retornou ao veículo com o objetivo de reposicioná-lo mais próximo à plataforma de embarque. Nesse momento, teria ocorrido um acionamento indevido do acelerador, hipótese considerada determinante para o acidente.

A empresa confirmou o falecimento de duas vítimas, identificadas como Danyelle Jhenifer Ramos Santana e Janete Silva. Outras três pessoas seguem sob cuidados médicos, com acompanhamento da companhia.

Ainda conforme a nota, desde o ocorrido a empresa mantém equipes mobilizadas para prestar assistência às vítimas e aos familiares, além de colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.

A Rota Transportes também reafirmou o compromisso com a segurança e a transparência na prestação dos serviços, destacando que continuará acompanhando o caso e fornecendo informações conforme o avanço das apurações.

São Desidério: Homem é suspeito de tentar matar esposa e enteada e atear fogo em casa

São Desidério: Homem é suspeito de tentar matar esposa e enteada e atear fogo em casa
Foto: Divulgação/Polícia Militar

Um homem foi preso suspeito de tentar matar a companheira e a enteada ao atear fogo na casa onde a família morava, no povoado de Roda Velha de Baixo, em São Desidério, no oeste da Bahia. De acordo com o G1, o caso ocorreu no domingo (5).

Segundo relato da vítima, uma mulher de 44 anos, o companheiro, identificado como Lindolfo Alves, jogou gasolina sobre ela e a filha, de 24 anos, e, em seguida, tentou incendiá-las com um isqueiro. As duas conseguiram sair da residência antes que o fogo se espalhasse.

Ainda conforme o depoimento, o suspeito teria espalhado gasolina pela casa e ateado fogo no imóvel, mesmo com uma criança de 11 anos ainda dentro do local. O menino foi resgatado e não ficou ferido.

A mulher relatou aos policiais que mantinha um relacionamento com o suspeito há mais de um ano e que vinha sofrendo ameaças de morte, além de violência psicológica e patrimonial durante o período.

Ao chegar ao local, os policiais foram informados de que havia três botijões de gás dentro da residência em chamas. Com a ajuda de moradores da região, os militares conseguiram retirar os recipientes, evitando uma possível explosão.

Após diligências, a polícia recebeu informações de que o suspeito estava escondido em uma casa no povoado do Mosquito. No local, ele resistiu à prisão, sendo necessário o uso da força e de algemas para contê-lo.

Durante a revista no imóvel, foram apreendidas uma carabina calibre 38, uma espingarda calibre 28, uma arma de pressão e um celular.

As duas vítimas foram encaminhadas para atendimento médico, pois apresentavam forte odor de gasolina nos corpos.

Em seguida, o suspeito e o material apreendido foram levados para a Delegacia Territorial de Luís Eduardo Magalhães, onde foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Governo prepara medidas para amenizar reajuste do querosene de aviação

Governo prepara medidas para amenizar reajuste do querosene de aviação

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse nesta segunda-feira (6), durante entrevista no programa Alô Alô Datena, na Rádio Nacional, que o governo deve anunciar nesta semana quatro medidas para reduzir o impacto da alta de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), visando frear o reajuste das passagens aéreas. 

Entre as ações estão o reparcelamento de tarifas aeroportuárias junto à Força Aérea Brasileira (FAB) e a redução de tributos como o PIS e o Cofins.

Também devem ser anunciadas duas linhas de crédito para o setor: uma para financiar a compra do QAV por meio do Fundo Nacional da Aviação Civil, para que as companhias aéreas possam comprar maior quantidade com custo menor; e outra também para custear a compra do combustível, mas com prazos mais curtos para pagamento e com garantia do próprio governo.

O reajuste de 55% no QAV foi anunciado pela Petrobras no dia 1º de abril. O combustível, derivado do petróleo, é um dos principais custos das companhias aéreas. 

O preço do QAV é estipulado pela Petrobras mensalmente, sempre no dia 1º. O reajuste deste mês acontece no momento em que o mundo enfrenta uma escalada no preço do barril do petróleo por causa da guerra no Irã.