Revoltosos ou Coluna Prestes? Estiveram na antiga Passagem Larga, atual distrito de Irundiara em 1926

No ano de 1926, dois acontecimentos de grande repercussão nacional interligaram a história do bairro Copacabana e da Passagem Larga. Falamos do levante dos 18 do Forte de Copacabana em 1922 e da passagem dos revoltosos em 1926, em Passagem Larga. Siqueira Campos, um dos 18 do Forte de Copacabana, único sobrevivente e seus comandados vindos de Caculé, pernoitaram na casa de Mané Onça na atual Praça Francisco David.
Costumeiramente, as pessoas chamam a Coluna Prestes de revoltosos. Mas qual a origem do nome revoltoso? Por que o grupo “revoltoso” marchou 25 mil quilômetros pelo Brasil, passando por Caculé, Paiol, Passagem Larga, Jacaraci, Condeúba, entre outras localidades?
O adjetivo “revoltoso” é atribuído a quem se revolta, se rebela, organizadamente ou individualmente, contra autoridade qualquer. Após o episódio “Dos 18 do Forte de Copacabana”, o tenente, sobrevivente do combate no Rio de Janeiro contra as tropas do governo – Antônio de Siqueira Campos, passou a fazer parte da Coluna Prestes (revoltosos). Um grupo militar e civil liderado por Luís Carlos Prestes (nome de rua em Irundiara), cujo objetivo principal era mobilizar a população do interior do Brasil para lutar contra as injustiças e as desigualdades promovidas pelos governos oligárquicos da Primeira República. A Coluna chegou à Passagem Larga, provavelmente, no dia 13 para o dia 14 de abril de 1926, acampando na praça na casa de Mané Onça.
Em 1926, a praça da Passagem Larga já era cercada de casas, formando uma espécie de anel protetor, contando com a Rua de Baixo, becos, a lagoa, o cemitério velho, o telégrafo, o curral do conselho, uma capelinha, um pouso de tropeiros e o mercadinho. De acordo com Fidelcino Antônio da Silva (Fidelin): os “revoltosos” colocaram as armas na frente da casa. Permaneceu uma noite, mataram um boi e fizeram churrasco, auxiliados por Mané Onça e a filha (únicas pessoas que não fugiram para o mato). Nem Mané nem a filha sofreram nenhum tipo de agressão. Pelo contrário, foram tratados respeitosamente!

Por Elton Soares de Oliveira, historiador e contista.


