Categoria: USA

Delcy Rodríguez apresenta proposta de anistia geral na Venezuela

Lei deve passar pela Assembleia Geral do país
Agência Brasil

Venezuela's interim president Delcy Rodriguez applauds as she delivers her first annual address to the nation at the National Assembly, following the U.S. strike in Caracas that resulted in the capture of President Nicolas Maduro and his wife, Cilia Flores, in Caracas, Venezuela, January 15, 2026. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez – Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira (30) uma proposta de lei de anistia geral para centenas de presos no país. “Estou anunciando uma lei de anistia geral e instruindo que essa lei seja levada à Assembleia Nacional para promover a coexistência pacífica na Venezuela”, disse ela em um evento no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela.

“Que seja uma lei que sirva para curar as feridas que o confronto político deixou, da violência ao extremismo. Que sirva para restabelecer a justiça em nosso país e para restabelecer a convivência entre venezuelanos e venezuelanas”, acrescentou.

Segundo ela, a lei vai cobrir o que chamou de “todo o período político, de violência política”, que vai de 1999 até os dias atuais. Foi em 1999 que Hugo Chávez chegou ao poder, após ser eleito no final de 1998. Em seu discurso, Delcy afirma que a lei de anistia traz “o espírito de Hugo Chávez”.

“E aí está também o espírito de Chávez, quando chegou ao poder na Venezuela para dizer a uma vasta maioria do país, que havia sido excluída pelas elites políticas, que deveria haver igualdade, inclusão, equidade e justiça social”.

A proposta não contempla condenados por homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações graves aos direitos humanos.

Delcy Rodríguez chegou ao poder após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, em 3 de janeiro. Maduro se encontra preso no país norte-americano. Ao mesmo tempo em que dialoga com o governo de Donald Trump, no intuito de estabelecer alguma relação entre os dois países, a presidente interina da Venezuela condena o rapto de Maduro.

Nesta semana, ao anunciar a criação de um plano de defesa nacional, ela afirmou que seu país está disposto ao diálogo, mas não a outra agressão.

Lula conversa com Trump e pede mudanças em Conselho da Paz

Ainda sem aceitar convite, brasileiro pediu assento para a Palestina
Agência Brasil

Kuala Lampur, 26/10/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o presidente do Brasil Luis Inácio Lula da Silva – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Lula sugeriu que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido pelo estadunidense. Além disso, Lula sugeriu que o conselho se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza.

O teor da conversa entre os presidentes foi divulgado pelo Palácio do Planalto, em nota. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro também reforçou a importância de uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

Venezuela

Na conversa, os dois presidentes também trataram de questões relacionadas à Venezuela. Lula reiterou o que já vem falando sobre o assunto: a importância de manter a paz no continente.

Além disso, Lula voltou a propor um fortalecimento na cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.

“Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano”, afirmou o Planalto.

Economia

Ainda de acordo com o Planalto, Lula e Trump também conversaram sobre o estreitamento da relação entre Brasil e EUA, e como isso se reflete positivamente na economia. 

“O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”.

Os dois se encontraram pessoalmente pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro. Foi um rápido encontro e cumprimento, mas o norte-americano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.

Ambos se encontraram novamente em outubro, na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. Dessa vez, puderam sentar e conversar em uma reunião classificada como “muito positiva” pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. No mês seguinte ao encontro, os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de 40% sobre vários produtos brasileiros.

Visita aos EUA

Durante a conversa, que durou 50 minutos, ficou combinada uma visita de Lula aos Estados Unidos. Não foi definida uma data, mas a visita deve ocorrer após a viagem do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro.

Visto negado por obesidade? Trump impõe novas regras polêmicas para entrar nos EUA

O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, enviou uma nova diretriz que pode impedir a concessão de vistos a pessoas com doenças crônicas, incluindo obesidade, diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, além de condições de saúde mental. A medida foi divulgada pelo KFF Health News e confirmada pelo Departamento de Estado americano.

Segundo o documento, as condições médicas listadas representam um potencial custo elevado para o sistema de saúde dos EUA, e os solicitantes de visto devem comprovar que possuem recursos financeiros suficientes para arcar com tratamentos de longo prazo, não apenas para si mesmos, mas também para filhos ou familiares acompanhantes.

A orientação enviada a consulados e embaixadas determina que solicitações de vistos de residência podem ser negadas caso o solicitante apresente risco de se tornar um “fardo para a sociedade”. A obesidade, por exemplo, é citada por sua associação com hipertensão, apneia do sono e asma.

Essa mudança amplia significativamente os critérios médicos usados na avaliação de imigrantes. Até então, o processo já incluía triagem para doenças transmissíveis e verificação de vacinação, mas a nova diretriz concede aos funcionários consulares maior poder de decisão baseado no estado de saúde do candidato.

O memorando gerou críticas de especialistas, que afirmam que as regras podem extrapolar o manual oficial do Departamento de Estado, que proíbe rejeição de vistos baseada em “cenários hipotéticos”. Perguntas como “quantos quilos a mais podem impedir um visto?” ou “uma condição crônica controlada barraria a entrada?” permanecem sem resposta, deixando incerteza sobre o futuro da imigração para os EUA.

De acordo com Massimo Basile, da La Repubblica, a medida reforça a tendência da administração Trump de priorizar a população americana e restringir o acesso ao país para aqueles considerados financeiramente ou fisicamente “em risco”.