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Reino Unido rejeita bloqueio proposto por Trump no Estreito de Ormuz

Trump cobra aliados para auxiliarem EUA a controlar passagem  
Agência Brasil

Navio-tanque no Estreito de Ormuz21/12/2018
REUTERS/Hamad I Mohammed
© Reuters/Hamad I Mohammed/proibida reprodução

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, rejeitou participar do bloqueio naval anunciado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no Estreito de Ormuz, após a Casa Branca dizer que “outros países” participariam da missão.

“Minha decisão foi muito clara: qualquer que seja a pressão, e tem havido uma pressão considerável, não vamos ser arrastados para a guerra”, afirmou Starmer à BBC, nesta segunda-feira (13).

A mídia britânica informou que os navios caça-minas e a capacidade antidrone do Reino Unido continuariam operando no Oriente Médio, mas que navios e soldados da Marinha britânica não seriam usados para bloquear portos iranianos.

O Reino Unido e a França planejam realizar “nos próximos dias” uma conferência para discutir a restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz “assim que as circunstâncias permitirem”, segundo o presidente francês Emmanuel Macron.  

“Organizaremos uma conferência com aqueles países dispostos a contribuir ao nosso lado para uma missão multinacional pacífica destinada a restaurar a liberdade de navegação no estreito. Essa missão estritamente defensiva, separada das partes beligerantes do conflito”, disse Macron em uma rede social.

Outro país que vem sendo pressionado por Donald Trump para contribuir com o esforço para reabrir o estreito é o Japão, grande importador de petróleo dos países do Golfo Pérsico.

Em coletiva de imprensa realizada hoje, o chefe de gabinete do governo japonês Minoru Kihara disse que o Japão acompanha “de perto” a situação e defendeu um acordo por meio da diplomacia.

“O mais importante é conseguir uma desescalada da situação, incluindo garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, e chegar a um acordo final por meio da diplomacia o mais rápido possível”, afirmou, segundo o jornal Japan Times.

A negativa de aliados de participarem dos esforços dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz tem gerado a reação do presidente Trump, que chegou a chamar os países de “covardes” e ameaçar abandonar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

China

Por sua vez, a China afirmou que, para resolver a questão da navegação no Estreito de Ormuz, é necessário, em primeiro lugar, resolver o conflito bélico no Oriente Médio.  

“A causa principal da perturbação no Estreito de Ormuz é o conflito militar. Para resolver a questão, o conflito deve cessar o mais rápido possível. Todas as partes precisam manter a calma e exercer contenção. A China continuará a desempenhar um papel construtivo”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do ministério das relações exteriores na China, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

Irã ameaça retaliar

As Forças Armadas da República Islâmica do Irã ameaçaram realizar retaliações contra portos no Golfo Pérsico e no Mar do Omã caso a segurança dos portos iranianos seja colocada em risco. Teerã informou ainda que os inimigos do país persa não poderão passar por Ormuz. 

Após o fracassado das negociações para um acordo de paz em Islamabad, capital do Paquistão, nesse final de semana, o presidente dos EUA Donald Trump anunciou que bloquearia a passagem de navios na saída do Estreito de Ormuz. 

“O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, informou, em comunicado, o Comando Central dos EUA.

Conselho de Segurança da ONU

Na semana passada, a Rússia e a China vetaram a resolução apresentado pelo Bahrein, em nome dos países do Golfo Pérsico, que pretendia autorizar os países a usarem a força para reabrir o Estreito de Ormuz. 

O preço do barril de petróleo tipo Brent voltou a subir nesta segunda-feira com o anúncio de bloqueio naval dos EUA, chegando ao nível dos US$ 100 novamente, alta de cerca de 5,5%.

Antes da guerra, passavam pelo Estreito cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia. Estima-se que cerca de 20% do petróleo e gás do planeta passe por Ormuz.

Trump recua e aceita suspender ataques ao Irã por duas semanas

Irã informou que cessará ataques desde que não sofra novas ameaças

Agência BrasilPresidente dos EUA Donald Trump 11/3/2026 REUTERS/Kevin Lamarque© REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (7) que concordou em “suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”. 

Trump disse que conversou com líderes do Paquistão, que apresentou uma proposta de cessar-fogo de duas semanas na guerra contra o Irã.

“Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, e nas quais eles solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva sendo enviada esta noite para o Irã, e sujeito à República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, eu concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”, escreveu Trump nas mídias sociais.

“Esse será um CESSAR-FOGO de mão dupla”, disse Trump.

Segundo Trump, uma proposta de 10 pontos foi apresentada para um acordo e que “acredita que é uma base viável para negociar”.

Irã

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araqchi, informou nesta terça-feira (7), em nota oficial, que seu país irá cessar os ataques, desde que não sofra ataques e ameaças. 

A mensagem foi divulgada após Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ter concordado em “suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”.

Araqchi disse ainda que haverá trânsito seguro pelo Estreito de Ormuz nas próximas duas semanas em coordenação com as Forças Armadas iranianas.

“Durante duas semanas, a passagem segura através do Estreito de Ormuz será possível com a coordenação das forças armadas do Irã e tendo em conta as restrições técnicas existentes”, diz a nota do ministro iraniano.

Ameaça

Mais cedo, Trump ameaçou acabar com “uma civilização inteira” hoje caso os iranianos não reabrissem o Estreito de Ormuz.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, anunciou, em mais uma ameaça de genocídio contra o Irã.

Questionado nessa segunda-feira (6) por um jornalista nos jardins da Casa Branca sobre a ameaça ser um crime de guerra, o presidente Donald Trump ignorou a pergunta.

Convenções internacionais, como a Convenção de Genebra ou a Convenção sobre Prevenção do Genocídio, proíbem o ataque contra infraestruturas civis ou ações que causem danos a civis, exigindo que os Estados usem ainda a proporcionalidade em suas ações militares.

Estima-se que a civilização persa, da qual o Irã é herdeiro, tenha entre 2,5 mil e 3 mil anos de história, com inúmeras contribuições culturais, filosóficas e científicas deixadas para toda a humanidade.

Avião espião dos EUA foi destruído por drones do Irã na Arábia Saudita

Avião é avaliado em US$ 270 milhões. Ataque ocorreu em base militar na Arábia Saudita. Ofensiva deixou ao menos 12 soldados feridos

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Um ataque do Irã com drones à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, neste domingo (29/3), destruiu um avião espião dos Estados Unidos avaliado em U$ 270 milhões.

A base aérea, localizada na Arábia Saudita, é utilizada pelas forças norte-americanas e foi alvo de ofensivas iranianas nos últimos dias, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

Manifestações anti-Trump reúnem milhões em diversas cidades dos EUA

Mais de 3,2 mil eventos foram programados, segundo os organizadores

Agência BrasilDemonstrators attend a © Reuters/Tim Evans

Milhares de pessoas protestaram, neste sábado (28), contra as políticas do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, na manifestação chamada de No Kings (Sem Reis). De acordo com o site de notícias Reuters, os organizadores tinham a expectativa de que se tornasse o maior protesto de um único dia na história do país, com mais de 3,2 mil eventos planejados em todos os 50 estados e em diversas cidades fora do país.

Os números oficiais ainda não foram divulgados, mas era esperada a participação de mais de 9 milhões de pessoas. O cantor Bruce Springsteen, que critica abertamente o presidente Trump, reuniu uma multidão num estádio de Minneapolis, onde cantou a música Streets of Minneapolis, que fez durante os protestos da população contra a atuação do ICE, polícia de imigração que matou dois cidadãos americanos.

Além de criticar a política migratória do mandatário norte-americano, os protestos também são feitos contra a participação dos EUA na guerra contra o Irã.

As manifestações se espalharam por Nova York, Washington, Atlanta, Chicago, Houston, Denver, São Francisco, entre outras.

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Christine Hughes, de 79 anos, segura um cartaz durante uma manifestação do movimento No Kings contra as políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York – Foto: Reuters/Mike Segar
No final deste ano, ocorrem as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando todos os deputados e parte dos senadores são renovados. Os organizadores dos protestos dizem ter visto um aumento no número de eventos anti-Trump e de pessoas se inscrevendo para votar em estados profundamente republicanos (partido de Trump) como Idaho, Wyoming, Montana e Utah.

De acordo com a Reuters, os protestos acontecem em um momento em que a taxa de aprovação de Trump caiu para 36%, seu ponto mais baixo desde o retorno à Casa Branca.

Milhares de pessoas também se reuniram em Manhattan. Um dos organizadores, o ator Robert De Niro disse que “houve outros presidentes que testaram os limites constitucionais de seu poder, mas nenhum representou uma ameaça existencial tão grande às nossas liberdades e segurança”.

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Manifestante Sam Scarcello durante um protesto contra as políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, perto do Capitólio, em Washington – Foto: Reuters/Leah Millis
O porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Congresso, Mike Marinella, criticou os políticos democratas por apoiarem os protestos. “Esses comícios contra a América são onde as fantasias mais violentas e delirantes da extrema esquerda encontram um microfone e os democratas da Câmara recebem suas ordens”, disse em comunicado.

Os eventos deste sábado ocorrem em meio ao que os organizadores disseram ser um apelo à ação contra o bombardeio do Irã pelos EUA e Israel, um conflito que já dura quatro semanas.

Os protestos de hoje, que fazem parte do movimento No Kings, tiveram a primeira mobilização em junho do ano passado e atraiu entre 4 milhões e 6 milhões de pessoas em aproximadamente 2,1 mil locais em todo o país. A segunda manifestação ocorreu em outubro, envolvendo cerca de 7 milhões de participantes em mais de 2,7 mil locais.

Pressão econômica da resistência do Irã força novo recuo dos EUA

Analistas avaliam que guerra corrói apoio político de Trump
Agência BrasilFlames rise from a gas flare at the Rumaila oil field, as the country cuts nearly 1.5 million barrels per day of output amid halted exports following the closure of the Strait of Hormuz, in Basra, Iraq, March 4, 2026. REUTERS/Essam Al-Sudani© REUTERS/Essam Al-Sudani/ Proibido reprodução
O segundo recuo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em menos de uma semana, da ameaça de atacar a indústria de energia do Irã expõe as limitações de Washington para escalar a guerra em meio aos efeitos econômicos provocados pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos ataques à infraestrutura energética das petro-monarquias do Golfo Pérsico.

O segundo recuo de Trump é acompanhado da manutenção do preço do barril de petróleo em torno dos US$ 110 dólares, com as ações de Wall Street nos valores mínimos dos últimos seis meses, além da queda dos mercados de títulos da zona do euro e do Tesouro dos EUA.

O professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pedro Paulo Zaluth Bastos, avalia que Trump faz ameaças vazias para “ver se cola”. Como não tem efeito, ele recua porque sabe que, se destruir a capacidade de petróleo iraniana, haverá retaliações no Golfo Pérsico.

“Nesse caso, teremos a possibilidade de o petróleo bater recorde e passar de US$ 150, eventualmente chegar a US$ 200. Isso é muito e destrói inteiramente a popularidade de Trump nos EUA, particularmente entre os independentes, mas mesmo de parte dos afiliados ao partido Republicano”, comentou à Agência Brasil.

O professor Pedro Paulo acrescenta que, quanto mais danos a guerra causar à infraestrutura energética da região, maior será o prejuízo econômico no mundo e nos EUA.

“Provocaria uma queda ainda maior do volume de petróleo que chega ao mercado internacional. Uma coisa é religar [um sistema paralisado], mantida a capacidade produtiva, outra é reparar a capacidade produtiva destruída, cuja restauração levaria muito mais tempo”, disse.

Efeitos catastróficos

O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, pondera que os efeitos econômicos serão “catastróficos” se a guerra se prolongar ou se aumentar a destruição da infraestrutura dos países da região. 

“Há analistas econômicos dizendo que podemos ter um efeito que seria a somatória da covid com a guerra da Ucrânia nos primeiros meses. Outras avaliam que, se essa guerra se prolonga por alguns meses, pode vir a ser algo comparável à crise de 2008. Não acho que são estimativas irrealistas”, comentou.

Presidente dos EUA Donald Trump 11/3/2026 REUTERS/Kevin Lamarque
Presidente dos EUA Donald Trump 11/3/2026 REUTERS/Kevin Lamarque – REUTERS/Kevin Lamarque
Por outro lado, o também analista geopolítico do Brasil de Fato ponderou que o recuo de Trump pode ser para ganhar tempo para uma invasão por terra do Irã, o que também levaria a um endurecimento das respostas iranianas, aprofundando a crise econômica que Trump busca contornar.

“Se os yemenitas [aliados do Irã] fecham o estreito Bab al-Mandeb [no Mar Vermelho], aí nós vamos ter, de fato, um colapso generalizado do mercado de energia no mundo”, completou Marco Fernandes.

Fertilizantes e Chips

O economista lembra que o gás do Oriente Médio é fundamental para os fertilizantes, usados na produção de alimentos, e para produção de chips e semicondutores e outras peças eletrônicas, em especial, das fábricas de Taiwan. Os semicondutores estão em todos os tipos de aparelhos, como carros e celulares.

“Isso pode ser gravíssimo. Algo entre 60% a 70% da produção global de chips vem de Taiwan. E a TSMC [Taiwan Semiconductor Manufacturing Company], que é a grande empresa global de produção de chips, não tem estoques de gás hélio por muitos mais dias”, avalia.

Ainda segundo o especialista, os EUA não teriam capacidade industrial de manter uma guerra de longo prazo uma vez que os estoques do sistema antimísseis THAAD, o principal sistema dos EUA, já teriam sido 25% gastos na Guerra dos 12 dias contra o Irã, em junho de 2025.

“Essa guerra também, quanto mais tempo ela continuar, maiores as chances de Israel e dos outros ativos estadunidenses na região ficarem sem nenhuma defesa contra os mísseis iranianos. Então de fato é um cenário, eu diria, que se configura ou se… Se vislumbra uma catástrofe tanto para Estados Unidos quanto para Israel na região”, completa.

Marco acrescenta que, mesmo sendo o maior produtor de petróleo do mundo, as empresas dos EUA operam com o preço do mercado global, sem preocupação de amortecer o valor dos combustíveis na bomba para o público interno.

“Por, justamente, se tratar de um sistema capitalista selvagem, as empresas produtoras de petróleo não vão vender mais barato internamente, elas vão cobrar o preço mundial. Os EUA tendem a sofrer mais aumento do preço dos combustíveis. Isso é péssimo para o Trump eleitoralmente porque isso vai aumentar a inflação no país”, analisou.

Mapa Estreito de Ormuz
Mapa Estreito de Ormuz – Arte/EBC
Risco político

Em novembro, há eleições legislativas no país e Trump corre o risco de perder a pequena maioria que tem no Congresso. O professor da Unicamp Pedro Paulo Zaluth Bastos lembrou que o presidente dos EUA vem perdendo popularidade devido a inflação provocada pelas tarifas que ele impôs às importações do país.

“O Irã sabe que, agora que encontrou um ponto de estrangulamento fundamental para a economia mundial, só vai querer sair da guerra se tiver condições favoráveis. E é relativamente barato fechar o Estreito de Ormuz e cobrar concessões maiores, como já estão fazendo”, comentou.

Resistência do Irã pressiona Estados Unidos a encerrarem guerra

Analistas avaliam que Trump busca forma de sair do conflito

Agência BrasilPeople hold placards with images of Iran's new supreme leader Mojtaba Khamenei during a gathering to support him, amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, in Tehran, Iran, March 9, 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY© Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

A capacidade de resistência da República Islâmica do Irã e as retaliações contra aliados dos Estados Unidos (EUA) no Golfo Pérsico, assim como os impactos sobre o comércio do petróleo, estão pressionando a Casa Branca a encerrar o conflito sem alcançar o objetivo de “mudança de regime” em Teerã. Essa é avaliação de especialistas consultados pela Agência Brasil. 

O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos destacou que o Irã conseguiu afetar o sistema de radares dos EUA no Oriente Médio e impôs perdas importantes à cadeia do petróleo global. 

“Os EUA não têm como derrubar o governo iraniano sem invasão terrestre, o que traria baixas gigantescas. A topografia do Irã inviabiliza qualquer ação rápida. Os EUA simplesmente entraram num atoleiro e Trump não sabe como sair”, avalia o especialista em defesa e estudos sobre a Ásia.

Os radares dos EUA no Oriente Médio afetados por Teerã eram responsáveis pela interceptação dos mísseis iranianos. Há relatos de radares atingidos no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, segundo análise de imagens de satélites e vídeos do jornal New York Times.

“Toda essa cobertura satelital e de radar faz com que os EUA tenham olhos no terreno. Com isso degradado, as baixas aumentam, o tempo do alerta [contra mísseis do Irã] em Israel diminui. Por isso, agora tem vídeo de mísseis entrando toda hora em Israel, que os interceptadores não conseguem mais barrar”, completou.

Aliados de Washington no Golfo passaram a pedir o fim do conflito, como o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari.

“Chegar rapidamente à mesa de negociações e suspender os ataques serviria aos interesses dos povos da região, bem como à paz e segurança internacionais, além de fortalecer a estabilidade econômica global”, disse al-Ansari, de acordo coma  Al Jazzera, um veículo de comunicação árabe.

Sem troca de regime

O professor de relações internacionais do Ibmec São Paulo (SP) Alexandre Pires ponderou à Agência Brasil que os EUA esperavam conseguir uma troca de regime rápida por meio do assassinato do líder Supremo Ali Khamenei.

“O Irã tem apresentado uma resiliência muito mais forte do que se esperava. Inclusive, escolhendo uma liderança suprema sem nenhum tipo de negociação, e que dá um sinal de que o regime vai continuar na mesma linha que já seguia com o Khamenei”, comentou. 

Pires acrescentou que a pressão sobre os mercados do petróleo, que levou o presidente estadunidense Donald Trump a relaxar as sanções contra a Rússia para aliviar os preços no mercado global, tem preocupado os aliados de Trump no mundo e internamente, com o preço do combustível aumentando nos EUA.

“Ainda que tenha sido dito no início que duraria quatro, cinco semanas, obviamente que esse não era o tempo que os EUA queriam. Isso vai fazendo com que os EUA mudem talvez o foco atual de uma guerra completa, de ter que ficar o tempo necessário até você ter uma troca das lideranças”, completou.

Donald Trump disse nesta terça-feira, em entrevista à Fox News, que não ficou feliz com a escolha do novo líder Supremo do Irã, mas que “é possível” que venha a negociar com Teerã.

Israel

Para o especialista do Ibmec SP Alexandre Pires, Israel deve resistir a encerrar o conflito uma vez que quer aproveitar o máximo para enfraquecer o Irã.

“Há um certo sinal de divisão nos dois aliados. Isso não foi tornado público, mas há um sinal de falas contraditórias de um lado e de outro”, disse.  

Para Pires, o Irã conseguiu afetar a cadeia do petróleo ao bloquear o canal comercial do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Oman.  

“Isso faz com que tentem forçar um recuo ou uma negociação americana-israelense em razão da pressão feita pela comunidade internacional sobre Israel e EUA com relação à cadeia energética mundial”, completou.

Em entrevista nesta terça-feira (10), o ministro das relações exteriores de Israel, Gideon Saar, disse que o país não quer uma guerra sem fim.

“Consultaremos nossos amigos americanos quando acharmos que é o momento certo para isso. Não estamos buscando uma guerra sem fim”, disse Saar a repórteres em Jerusalém, segundo noticiou o jornal israelense The Times of Israel.

Repercussões regionais

Uma das dificuldades para encerrar a guerra, na avaliação do cientista político Ali Ramos, é que a manutenção do regime no Irã representaria uma derrota para Casa Branca.  

“O Irã vai ser o primeiro país da história que atacou tantas bases dos EUA ao mesmo tempo e sobreviveu. É por isso o desespero do Trump. Os países da região não vão mais confiar nos EUA no médio e longo prazo enquanto garantidor da sua segurança”, disse.

Ramos argumenta que a guerra contra o Irã deve modificar a arquitetura de poder e segurança do Oriente Médio ao mostrar que as bases dos EUA na região não poderiam defender os países aliados da Casa Branca.  

“Isso já estava acontecendo, os Emirados Árabes Unidos já firmaram um pacto de defesa com a Índia, a Arábia Saudita com o Paquistão”, completou.

Dólar cai para R$ 5,16 após Trump indicar possível fim da guerra

Bolsa sobe 0,86%; petróleo cai para US$ 87 após declarações

Agência BrasilU.S. President Donald Trump pumps his fist after disembarking Air Force One at Palm Beach International Airport in West Palm Beach, Florida, U.S., February 27, 2026. REUTERS/Elizabeth FrantzO presidente Americano Donald Trump – Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

Em dia de reviravoltas no mercado financeiro, o dólar teve forte queda e praticamente compensou a alta acumulada desde o início da guerra no Oriente Médio. A bolsa subiu quase 1%, aproximando-se dos 181 mil pontos. O petróleo, que se aproximou dos US$ 120 durante a madrugada, recuou após declarações do presidente Donald Trump de que o conflito está perto do fim.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (9) vendido a R$ 5,165, com queda de R$ 0,079 (-1,52%). A cotação teve um dia volátil, abrindo em R$ 5,28, mas desacelerando com investidores vendendo dólares para embolsar lucros. Com a redução das tensões internacionais, a cotação estava em torno de R$ 5,20, quando intensificou o recuo após a fala de Trump.

A moeda estadunidense está no menor nível desde 27 de fevereiro, véspera do início dos bombardeios ao Irã. A divisa acumula queda de 5,89% em relação ao real em 2026. O euro comercial fechou a R$ 5,99, fechando abaixo de R$ 6 pela primeira vez desde 21 de fevereiro do ano passado.

O mercado de ações teve um dia de recuperação. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 180.915 pontos, com alta de 0,86%.

O indicador operava com leve alta de 0,2% até as 16h, quando disparou após Trump dizer, em entrevista à rede de televisão CBS, acreditar que ‌a guerra contra o Irã “está ‌praticamente concluída” e que os Estados Unidos estão “muito à frente” do prazo de quatro a ⁠cinco semanas de conflito estimado inicialmente.

Antes da declaração de Trump, o petróleo do tipo Brent, usado nas negociações internacionais, subia cerca de 7% e estava em torno de US$ 97 o barril. Minutos após a fala, a cotação caiu para US$ 88.

Além da mudança de postura de Trump, fatores externos tinham ajudado a segurar a alta do petróleo tipo Brent, que chegou a US$ 119,50 durante a madrugada. Primeiramente, os países do G7, grupo das sete democracias mais industrializadas do planeta, anunciaram uma ajuda para o setor petroleiro.

Também nesta segunda, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que o país poderia enviar fragatas para defender navios que passassem pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã. Isso também ajudou a aliviar os preços do petróleo.

Guerra no Oriente Médio teve mais bombardeios e mortes neste domingo

Irã confirma assassinato de autoridades e vítimas civis
Agência Brasil

An explosion caused by a projectile impact after Iran launched missiles into Israel following Israel and the U.S. launched strikes on Iran, in Tel Aviv, Israel, February 28, 2026. REUTERS/Gideon Markowicz ISRAEL OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN ISRAEL TPX IMAGES OF THE DAY
© REUTERS/Gideon Markowicz – Proibido reprodução

Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã desde a madrugada de sábado (28) seguiram neste domingo (1º), quando foram confirmadas mortes de autoridades do país persa, como o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Forças militares de Estados Unidos e Israel usaram perfis nas redes sociais para anunciar prejuízos impostos pelos bombardeios contra o país. 

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável por operações militares do país na Ásia Central e no Oriente Médio, afirmou nesta tarde, em publicação na rede social X, que a sede da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foi destruída. As informações não foram confirmadas pelo Irã.

O Centcom negou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln tenha sido atingido por mísseis do Irã, como havia divulgado a IRGC.

Também em redes sociais, o presidente Donald Trump disse que navios iranianos importantes foram afundados: “Acabei de ser informado de que destruímos e afundamos nove navios da Marinha iraniana, alguns deles relativamente grandes e importantes. Vamos atrás dos demais — em breve, eles também estarão no fundo do mar!”

Já as Forças de Defesa de Israel, em publicação no X, divulgaram que “todos os líderes terroristas de alto escalão do Eixo do Terror do Irã foram eliminados”. 

Bombardeios e mortes

Somente até a tarde de sábado (28), ao menos 201 pessoas foram mortas e 747 ficaram feridas no Irã. A informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho, organização civil humanitária. 

Neste domingo, o Ministério da Educação do Irã atualizou para 153 o número de meninas mortas no ataque de sábado a uma escola em Minab, no sul do país. Outras 95 alunas ficaram feridas. 

De acordo com a Al Jazeera, o Hospital Gandhi, no norte de Teerã, a capital do Irã, foi alvo de ataques aéreos israelenses e dos EUA.

“O Hospital Gandhi de Teerã foi atacado por ataques aéreos sionistas-americanos”, dizia a publicação. As agências de notícias Fars e Mizan publicaram um vídeo, supostamente gravado dentro do hospital, mostrando destroços no chão entre cadeiras de rodas vazias.

Do lado americano, o Centcom informou que três militares do país morreram e cinco tiveram ferimentos graves durante os ataques ao Irã. “Vários outros” se feriram sem gravidade e devem retornar ao conflito.

Segundo o serviço nacional de emergência médica e desastres de Israel Magen David Adom (MDA), ataques retaliatórios do Irã deixaram nove pessoas mortas e 28 feridas, sendo duas gravemente. 

Publicação das Forças de Defesa de Israel nas redes sociais afirma que mísseis do Irã foram disparados diretamente contra um bairro de Beit Shemesh, matando civis.

Ataques ao Irã deixam ao menos 201 mortos e cerca de 750 feridos

Ofensiva atingiu 24 das 31 províncias iranianas
Agência Brasil

28/02/2026 - Plumas de fumaça foram vistas subindo sobre o horizonte de Teerã após Israel anunciar que lançou um ataque preventivo contra o Irã no sábado (28 de fevereiro), enquanto a mídia iraniana noticiava que explosões foram ouvidas na capital. Foto: Frame/Reuters - Proibido reprodução
© Frame/Reuters – Proibido reprodução

A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, desencadeada neste sábado (28), deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas.

A informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade Crescente Vermelho, organização civil humanitária, e foi reportada por agências de notícias, como a árabe Al Jazeera.

Ainda segundo a Crescente Vermelho, 24 das 31 províncias iranianas foram alvo de ataques. Províncias são organizações territoriais administrativas, equivalentes aos estados aqui no Brasil.

De acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica (Irna, na sigla em inglês), um dos ataques foi em uma escola de meninas, em Minab, sul do Irã, deixando ao menos 85 alunos mortos e 60 feridos. Cerca de 50 pessoas ainda estavam sob escombros. 

Ofensiva e reações

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel aconteceram dois dias depois de uma rodada de negociações entre os americanos e os iranianos a respeito dos limites do programa nuclear do Irã. O país alega que a tecnologia nuclear tem fins pacíficos. No entanto, os Estados Unidos e alguns aliados, especialmente Israel, não aceitam o desenvolvimento nuclear iraniano.

Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva deste sábado. A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um cessar-fogo na região.

Ao justificar os ataques, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse defender os americanos. 

Em retaliação, o Irã atacou países vizinhos que abrigam bases militares americanas. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Ghanbari, o país tem o direito de se defender. 

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump
Donald Trump – Foto – Reprodução / Instagram
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (20) as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. Por seis votos a três, o tribunal manteve a decisão de um tribunal inferior que definiu excesso de autoridade de Trump.

A Corte decidiu que a interpretação do governo Trump de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede ao presidente poder para impor as tarifas interferiria nos poderes do Congresso e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes.

A doutrina exige que ações do Poder Executivo de “vasta importância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso. Anteriormente, o tribunal usou o mesmo argumento para barrar ações executivas- chaves aplicadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden.

Em voto, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, citando a decisão anterior, destacou que Trump deve “apontar uma autorização clara do Congresso para justificar sua afirmação extraordinária do poder de impor tarifas”, acrescentando: “Ele não pode fazer isso”.

A decisão do tribunal veio após uma contestação judicial movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados norte-americanos, a maioria deles governados por democratas, contra o uso sem precedentes da lei por Trump para impor unilateralmente impostos de importação.