Patrimônio cultural tombado de Taiobeiras, a Bandeira é confeccionada em uma estrutura quadrada de madeira, revestida com papel de seda e papel crepom — nunca tecido ou plástico — e traz a imagem do(a) santo(a) homenageado(a).
Sua entrega deve acontecer em clima de celebração. Os entregadores chegam em cortejo festivo, acompanhados por fogos, tambores, triângulos, pandeiros, sanfonas, violas e, obrigatoriamente, por um grupo de Folia de Reis. Quando se trata de um santo junino, a Bandeira, antes de ser erguida no mastro, deve dar três voltas ao redor da fogueira acesa, em um ritual carregado de simbolismo e devoção.
A tradição também permite que a Bandeira seja “roubada” ou que previamente se combine que alguém a faça girar em torno da fogueira. Em ambos os casos, no ano seguinte, o “ladrão” anônimo ou aquele que a rodou assume o compromisso de devolvê-la ao seu dono, perpetuando o ciclo festivo e fortalecendo os laços comunitários.
A única exceção são as Bandeiras pertencentes às igrejas, que não podem ser roubadas. Nesses casos, sua guarda e entrega são confiadas a mordomos previamente convidados para essa missão.
E assim, geração após geração, todos respeitam as regras, reverenciam seus significados e garantem a continuidade dessa tradição viva, um dos mais belos patrimônios culturais do povo de Taiobeiras/MG.
A adesão ao Painel de Transparência dos Festejos Juninos 2026 mais que dobrou em uma semana e chegou até hoje, dia 9, a 280 municípios, além do Estado, com informações prestadas sobre contratações artísticas para as festas deste ano. O prazo do primeiro período de coleta, que garante o Selo de Transparência, terminou ontem, dia 10.
Foram registradas por enquanto 2.667 atrações e movimentação superior a R$ 432 milhões. Os dados atualizados já podem ser consultados a partir de ontem, 10, no Painel de Transparência dos Festejos Juninos. Para saber quais Municípios já colaboraram com a ferramenta, o Painel disponibiliza o Transparentômetro. As Prefeituras que não forem fazer contratações de atrações também podem informar, acessando com apenas um clique a Declaração de Não Contratação. “A expectativa é que até amanhã recebamos mais informações. É muito importante que todos os Municípios colaborem para essa plataforma tão importante de transparência e controle social, um banco de dados que disponibiliza também uma série histórica dos gastos públicos e que funciona ainda como uma ferramenta de fomento ao turismo, pois fornece dados sobre grade e programação das atrações artísticas”, afirmou o gerente do projeto do Painel, promotor de Justiça Frank Ferrari.
O Painel reúne informações sobre artistas contratados, valores dos cachês, fontes de recursos e programação das apresentações artísticas realizadas em eventos festivos realizados entre 1º de maio e 31 de julho de cada ano. Nesta edição, trouxe novidades como a aba “Cachês”, onde é possível consultar o valor médio por artistas de 2023 até agora, inclusive com o percentual de aumento em relação a anos anteriores. Já o Transparentômetro traz um mapa de quem já prestou contas e de quem está pendente com o Painel.
A iniciativa é coordenada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), em parceria com os Tribunais de Contas do Estado (TCE-BA) e dos Municípios (TCM-BA), além dos Ministérios Públicos de Contas junto aos dois tribunais. O objetivo é garantir ampla publicidade às contratações realizadas com recursos públicos, permitindo que cidadãos, órgãos de controle e gestores acompanhem as informações relacionadas aos eventos juninos promovidos em todo o estado.
1ª Copa de Futebol do Distrito da Feirinha em Homenagem a Dr. Cardoso Uma celebração do esporte, da amizade e da história da nossa comunidade. 📢 Traga sua família e amigos! Sua torcida faz a diferença! CopaDrCardoso #FutebolFeirinha #EsporteÉVida #DistritoDaFeirinha #VemPraTorcida
Os dois reuniram-se nesta segunda-feira (1º) no Palácio da Alvorada.
Segundo Durigan, a principal preocupação do governo brasileiro consiste no impacto que protocolos externos podem ter sobre a soberania econômica e a estabilidade das instituições nacionais.
O ministro ressaltou que o governo teme que o excesso de “discricionariedade” por parte do governo Donald Trump possa gerar prejuízos “irreais ou fantasiosos” para a economia brasileira.
“Vamos seguir combatendo as organizações criminosas, então nós insistimos nesse ponto e evitar que haja prejuízo irreal, fantasioso para nossa economia. Nós temos que evitar isso com todo custo. é uma grande injustiça”, declarou Durigan ao retornar do encontro.
Segundo o ministro, o ponto central da estratégia brasileira é evitar que empresas e bancos do país se tornem alvos de sanções ou restrições baseadas em critérios que não representem uma realidade concreta.
Abertura
O ministro reiterou ter interesse em conversar com autoridades dos Estados Unidos para tratar da classificação de facções como terroristas. Durigan, no entanto, disse não haver conversas agendadas com o secretário do Tesouro estadunidense, Scott Bessent.
“Eu estou sempre aberto [a reuniões com Bessent]. Tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas, por enquanto, não. A gente está reunindo as informações, vendo o que vem pela frente, avaliando os próximos passos”, declarou.
Em entrevista ao canal SBT News, mais cedo, Durigan disse que poderia ligar para Bessent.
Segundo o ministro, o governo brasileiro está traçando diagnósticos. “Tendo as informações todas, tendo o diagnóstico claro e a posição, eu vou levar para o Scott Bessent, sem nenhuma dúvida”,
Defesa do setor produtivo
Durigan enfatizou que o objetivo primordial do governo brasileiro é monitorar as movimentações do governo Trump para proteger os empresários, os empregos e as instituições financeiras do Brasil contra interferências externas que possam atrapalhar o desenvolvimento nacional.
“O que vier do exterior para colaborar no combate ao crime organizado, ótimo. A gente sempre acha bem-vindo. O que não pode é quando quer atrapalhar”, afirmou o ministro ao detalhar a postura do governo.
Para reduzir os riscos, a Fazenda tem mantido conversas com empresários de diversos setores, além do financeiro, para entender as vulnerabilidades e ouvir as preocupações do mercado produtivo.
Viagem à Ásia
Durigan também tratou com Lula da agenda internacional de investimentos do Brasil.
No fim deste mês, Durigan embarca para a China e o Japão, onde apresentará o programa Eco Invest Brasil, que pretende captar recursos internacionais para investimentos sustentáveis no país, e buscará avanços coletivos na agenda econômica global.
Além da pauta internacional, o encontro com Lula também serviu para detalhar dados recentes do Produto Interno Bruto (PIB), especificamente sobre a formação bruta de capital fixo, principal indicador do investimento do país.
Sr. Leonardo José da Silva, faleceu aos 37 anos de idade
É com tristeza e grande pesar, que a Folha de Condeúba noticia o falecimento do Sr. Leonardo José da Silva aos 37 anos de idade, ocorrido na manhã desta segunda-feira dia 01 de junho de 2026. O corpo está sendo velado no salão de velórios da Rua Aurora, o sepultamento será amanhã cedo terça-feira as 10h no Cemitério Municipal do Carranca. A família enlutada, agradece a todos que comparecer a esse ato de fé e solidariedade Cristã.
Nós do Jornal Folha de Condeúba, neste momento de muita dor e luto, prestamos nossos mais sinceros sentimentos de solidariedade e amor à família do Sr. Leonardo, na esperança de que Deus nosso Pai, dê todo o conforto e consolo necessário aos parentes e amigos. Que permaneçam as boas lembranças, carinho e afeto para com a memória dele, descanse em paz, nas graças de Deus Sr. Leonardo.
É com tristeza e grande pesar, que a Folha de Condeúba noticia o falecimento do condeubense na cidade de Itapetingatinga/MG. Sr. Antônio Soares aos 77 anos de idade, ocorrido neste sábado dia 30 de maio de 2026. Seu será transladado para Condeúba e será velado em sua residência na Fazenda Caatinga, o sepultamento será no Cemitério Municipal das Queimadas, ainda sem dia e horário definido. A família enlutada, agradece a todos que compareceram a esse ato de fé e solidariedade Cristã.
Nós do Jornal Folha de Condeúba, neste momento de muita dor e luto, prestamos nossos mais sinceros sentimentos de solidariedade e amor à família do Sr. Antônio, na esperança de que Deus nosso Pai, dê todo o conforto e consolo necessário aos parentes e amigos. Que permaneçam as boas lembranças, carinho e afeto para com a memória dele, descanse em paz, nas graças de Deus Sr. Antônio.
A esquerda: Suplentes 2ª – Amanda Tayana Santos Silva, 1ª – Ramona Cristina Faria de Carvalho Cordeiro e a Titular: Edenildes Terêncio Moreira
Na manhã desta quarta-feira, 27 de maio de 2026, às 9h, foi realizada na Câmara Municipal de Condeúba a cerimônia de posse das conselheiras tutelares que irão atuar na gestão 2026/2027 do Conselho Tutelar do município. Foram empossadas como titular: Edenildes Terêncio Moreira e Suplentes: 1ª – Ramona Cristina Faria de Carvalho Cordeiro e 2ª – Amanda Tayana Santos Silva.
O momento contou com a presença de autoridades municipais, como do presidente do Legislativo Lucas Ruan, Representando o Ministério Público Dr. Gibran Viana, os vereadores Zé de Fernando, Arlindo Guarda, Weberson Chaves, procurador do município Dr. Anterque, secretário da Administração Luis Chaves Chefe de Gabinete representando o prefeito Micael Silveira Thaisa Carvalho, Sthefany presidente do CMDCA e familiares, representantes da comunidade e membros da rede de proteção à criança e ao adolescente. A solenidade marcou oficialmente o início dos trabalhos das conselheiras eleitas no Processo de Escolha realizado no município.
Durante a cerimônia, as empossadas reafirmaram o compromisso de atuar na garantia e defesa dos direitos das crianças e adolescentes, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A posse representa um importante passo para o fortalecimento das políticas de proteção social e da rede de atendimento em Condeúba.
As novas conselheiras terão a missão de acompanhar, orientar e zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes, trabalhando em parceria com escolas, famílias, órgãos públicos e toda a sociedade.
A gestão 2026/2027 inicia seus trabalhos com o compromisso de dedicação, responsabilidade e respeito à população condeubense.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e a influenciadora Deolane Bezerra – Foto: Reprodução/STF/Redes sociais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou não ver “manifesta ilegalidade” na prisão da influenciadora Deolane Bezerra, presa em operação da Polícia Civil de São Paulo na quinta-feira (21), e negou o habeas corpus à advogada. O ministro do STF fez as considerações em decisão assinada no sábado (23) e publicada neste domingo (24).
Ele analisou uma reclamação, apresentada por uma advogada da influenciadora, contra a decisão da primeira instância que determinou a prisão preventiva de Deolane. Dino decidiu não dar andamento ao pedido da defesa da empresária, que queria a revogação da prisão, o regime domiciliar ou aplicação de medidas cautelares.
Na decisão, Flávio Dino afirma que a reclamação apresentada pela defesa não admite o aprofundamento da análise sobre os fatos e provas em investigação. Além disso, o magistrado explica que a concessão de um habeas corpus por iniciativa do STF não seria cabível neste momento, caso contrário etapas processuais seriam puladas.
Segundo o G1, o ministro denota no documento que ainda cabem recursos nas instâncias inferiores. Ou seja, para ele, não cabe uma intervenção do STF no processo neste momento. “De qualquer maneira, ainda que superado referido óbice, não detecto manifesta ilegalidade ou teratologia hábil à concessão da ordem de habeas corpus de ofício”, diz Dino no despacho.
Deolane está presa preventivamente por supostamente ter praticado o crime de lavagem de dinheiro e integrar uma organização criminosa. A influenciadora foi presa em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.
Deolane nega as acusações e afirma que foi presa por ter exercido a profissão de advogada em um serviço pelo qual recebeu R$ 24 mil de cliente.
Esta segunda-feira (25) marca o Dia da África: continente que vem aproveitando a ascensão da China para perseguir o próprio desenvolvimento, em especial, por meio de parcerias na construção de infraestruturas de transporte, energia e indústrias. Em resposta, os Estados Unidos (EUA) tentam concorrer com Pequim no continente, enquanto lideranças africanas buscam protagonismo no cenário global.
O deslocamento do centro da economia global da Europa e dos Estados Unidos para a Ásia, por meio da ascensão da China, tem transformado os países africanos, que têm no gigante asiático o principal parceiro comercial, com US$ 295 bilhões comercializados em 2024, 6% a mais do que no ano anterior.
Com 1,5 bilhão de habitantes, sendo 60% abaixo dos 25 anos, a África tem a China como principal parceiro comercial há 17 anos. Um dos exemplos dessa cooperação é o Parque Industrial PK24, nos arredores de Abdjan, capital da Costa do Marfim, construído em parte pela China Light Industry Nanning Design Engineering.
“A unidade tem capacidade para processar 50 mil toneladas de cacau anualmente e armazenar 140 mil toneladas. Trata-se de um marco importante na jornada do país para avançar na cadeia de valor global”, escreveu o Observatório da China, de Portugal.
O pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre África, Ásia e Relações Sul-Sul (NIEAAS) Eden Pereira Lopes da Silva explicou à Agência Brasil que os projetos da China buscam conectar zonas importantes dentro do continente.
“Não são projetos apenas de cooperação industrial, mas também, sobretudo, áreas que, no futuro, possam ser usadas para integrar uma grande rede de corredores comerciais que os chineses estão planejando, principalmente por via marítima por meio de grandes portos, além de renovação de ferrovias”, explicou o historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
África lidera Rota da Seda
Em 2025, a África liderou o destino dos investimentos chineses da Nova Rota da Seda, projeto liderado por Pequim para integrar o comércio do país asiático com outras 150 nações. Dos US$ 213 bilhões do ano passado, US$ 61,2 bilhões foram para o continente africano.
“Um aumento de 283% [se comparado com o ano anterior]; os países com maior engajamento em construção foram Nigéria (US$ 24,6 bilhões), e República do Congo (US$ 23,1 bilhões)”, calculou a organização de pesquisas de Xangai The Green Finance & Development Center.
Elga Lessa de Almeida, professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Foto: Arquivo pessoal
A professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Elga Lessa de Almeida avalia que a China é um parceiro mais vantajoso do que as potências europeias, que colonizaram a África, ou do que os Estados Unidos.
“A China chega através de uma presença que é mais diplomática, mais a partir da economia, do que uma presença mais imposta militarmente, como é mais a presença dos EUA”, disse a especialista.
Em entrevistas que realizou em Moçambique e Angola, Elga Lessa conta que seus interlocutores afirmam que, diferentemente dos países europeus, os chineses, nos negócios, não determinam onde devem investir o dinheiro.
“São os africanos que vão dizer o que precisam e a China avalia se concede ou não o aporte financeiro. É uma forma de dar mais autonomia para as lideranças africanas”, acrescentou.
Rússia
Além da China, outro parceiro dos países africanos que tem se destacado nos últimos anos é a Rússia, que está à frente mesmo dos EUA nas relações com o continente, segundo o pesquisador Eden Pereira.
“A África carece de infraestrutura energética e, por isso, a China, mas também a Rússia, tem investido pesadamente no desenvolvimento de energia de centrais elétricas e também nuclear. A Rússia, recentemente, fez acordos com Etiópia para desenvolver usina nuclear”, contou.
Angola
A relação da China com Angola se desenvolveu por meio de empréstimos depois da guerra civil (1975-2002) que dilacerou a antiga colônia portuguesa após a independência, em 1975.
A professora da UFBA Elga Lessa de Almeida conta que os europeus não quiserem emprestar ao país, que recorreu à China. O país firmou um financiamento que seria pago por meio do petróleo angolano. Por anos, mais de 60% do total do petróleo de Angola iam para o gigante asiático.
“Essa relação, durante muito tempo, foi uma relação de dependência. Só que Angola começou a ter um planejamento de pagamento, e a dívida foi reduzindo-se bastante. O país criou consciência de que precisava sair da dependência do petróleo”, ressaltou.
Segundo Elga Lessa, Angola começou a investir em refinarias e, a partir de 2020, iniciou a construção da segunda unidade, que foi concluída em 2025, em Cabinda, 50 anos após a primeira refinaria, de Luanda. Há ainda outras duas planejadas, uma em construção, em Lobito, e outra na fase de projeto, em Soyo.
Luanda, capital da Angola – Foto: Reuters/Kristin Palitza/Arquivo
Endividamento e interesses da China
O endividamento dos países africanos em relação à China pode preocupar a depender do nível de comprometimento do orçamento fiscal com o pagamento desses empréstimos, avalia Eden Pereira Lopes da Silva. Porém, o historiador pondera que esses empréstimos deixam benefícios de longo prazo.
“É um endividamento para construção de infraestrutura, o que é diferente dos endividamentos para consumo, como importação de bens e serviços”, afirmou.
Para Silva, a China tem interesse no continente africano na expectativa de criar mercados para seus produtos. “A China enxerga a criação de grandes mercados para os quais eles possam operar não apenas com bens, mas também serviços”, completou.
Estados Unidos
A expansão da influência chinesa na África tem despertado preocupação em Washington, que lançou iniciativas para competir com gigante asiático, em especial, no acesso a minerais críticos e terras raras, insumos decisivos nos setores de tecnologia de ponta, defesa militar e transição energética.
Estima-se que cerca de 30% desses minerais estejam na África, aguçando a disputa das duas grandes potências. O acordo de paz intermediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre a República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda teve, como contrapartida, o acesso ao cobalto congolês.
Garimpeiros trabalham em Tilwizembe, uma antiga mina industrial de cobre e cobalto, nos arredores de Kolwezi, capital da província de Lualaba, no sul da República Democrática do Congo – Foto: Reuters/Kenny Katombe/Arquivo
A República Democrática do Congo detém cerca de 70% da produção desse minério fundamental para fabricação de baterias de celulares e carros elétricos.
“Os EUA têm investido pesadamente para controlar os setores de matérias-primas e de produtos básicos do continente africano, sobretudo de minerais críticos. O acordo entre Congo e Ruanda envolveu a exploração de minerais críticos dentro do Congo por parte de empresas estadunidenses e canadenses”, contou Eden Pereira.
A nova doutrina de segurança nacional do governo de Donald Trump definiu que os EUA devem mudar a política em relação à África, focada, até então, mais em ajuda externa de perfil humanitário.
“[Devemos fazer uma transição] para uma relação focada em comércio e investimento, favorecendo parcerias com países capazes e confiáveis, comprometidos em abrir seus mercados para bens e serviços americanos”, diz o documento da Casa Branca.
Para contrabalançar a influência da China no continente, os EUA investiram na revitalização do projeto ferroviário do Corredor de Lobito, em Angola. Inicialmente, o projeto foi financiado pelos chineses.
“Em resposta [ao financiamento da China], em dezembro de 2024, o presidente dos EUA, Joe Biden, visitou Angola, onde anunciou um investimento de US$ 600 milhões no Corredor de Lobito como alternativa ao financiamento chinês”, destaca artigo publicado na revista de negócios internacionais AIB Insights, dos EUA.
Moradores locais caminham ao lado de trens na Estação de Lobito, que faz parte da linha ferroviária de Benguela, em Lobito, oeste de Angola. A ferrovia, parte do Corredor de Lobito, é um elo de transporte fundamental para o comércio regional – Foto: Reuters/Cesar Muginga/Arquivo
Diferença entre China e EUA
O pesquisador da URFJ Eden Pereira Lopes da Silva ressalta as diferenças entre as atuações da China e dos EUA no continente africano, com Washington focando mais em questões de defesa e segurança ou na extração de matérias-primas em estado bruto.
“São ações que não geram o desenvolvimento efetivo de infraestrutura em várias dessas áreas porque o único ganho que eles obtêm, por vezes, se restringe ao âmbito da estabilidade política e da segurança”, disse.
Silva cita o caso da Nigéria, que firmou parceria com os EUA para combate a grupos terroristas que atuam no país. “Por vezes, esses acordos unilaterais são bastante danosos, sobretudo no sentido de que eles não resolvem os conflitos políticos internos”, acrescentou.
Movimentação em uma das ruas da cidade de Lagos, na Nigéria – Foto: Reuters/George Esiri/Arquivo
Protagonismo africano
Os especialistas consultados pela Agência Brasil acrescentaram que os países africanos atuam para aumentar sua autonomia e soberania frente a uma ordem internacional em transformação.
A União Africana (UA), com sede na Etiópia, é um dos instrumentos da soberania africana. A entidade substituiu a Organização da Unidade Africana, fundada em 25 de maio de 1963, data que marca o Dia da África. Neste ano, a UA escolheu a água e o saneamento básico como temas prioritários.
Em 2013, a União Africana lançou a Agenda 2063, com metas de unidade e integração a serem alcançadas em um intervalo de 50 anos. Segundo a professora da UFBA Elga Lessa de Almeida, há dois grandes objetivos dessa agenda.
“A criação de um mercado comum, de uma zona de livre comércio a maioria dos países africanos, e também a criação de infraestrutura logística que permita essa integração da economia interna da África”, comentou.
Em 2021, a Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) entrou em vigor, abrangendo 54 dos 58 países do continente, com redução de taxas alfandegárias, estimulando o comércio entre países africanos, que representa cerca de 15% a 20% do comércio total do continente.
Para o historiador Eden Pereira, os países africanos estão em uma situação mais vantajosa hoje do que no período pós-independência, na segunda metade do século 20, quando se libertaram do colonialismo europeu.
“Essa transição sistêmica na ordem internacional favorece os países do continente africano no estabelecimento da sua soberania”, avaliou.
O pesquisador cita a Etiópia (foto principal), a África do Sul, a Nigéria e o Egito como exemplos de países com maior autonomia de ação no cenário global.
“África do Sul e Etiópia são os dois atores com maior margem de manobra perante as grandes potências. A África do Sul porque herdou alguma infraestrutura política e econômica do império britânico e conseguiu manter. A Etiópia porque nunca foi colonizada pelos países europeus”, avalia.
Vista da cidade de Durban, na África do Sul – Foto: Reuters/Rogan Ward
Contexto histórico
Para entender o continente africano hoje, Eden Pereira destaca que é importante voltar na história. Entre os séculos 16 e 19, a África mantinha relações com a Europa baseadas, principalmente, no comércio de pessoas escravizadas. Esse comércio moldou os reinos e Estados africanos do período.
“Apesar de não existir efetivamente uma colonização nesse período, existia a presença militar dos europeus. O continente africano foi reorganizado para funcionar em favor do sistema capitalista que estava emergindo dentro da Europa Ocidental”, lembrou.
A partir da segunda metade do século 19, a Europa passa a colonizar diretamente a África, aumentando as consequências negativas da exploração do continente.
“É importante dizer que essa dominação e essa conquista ocorrem através de várias guerras até a partilha da África entre os impérios coloniais europeus no Congresso de Berlim [1884-1885]”, acrescentou o pesquisador.
A partir das décadas de 1950 e 1960, os países africanos iniciam o processo de descolonização, tanto por meio de guerras de liberação, quanto por processos acordados com as antigas colônias.
Mesmo com as independências, os países mantêm uma relação desigual com as antigas metrópoles, modelo chamado por analistas de neocolonialismo.
“Eles, principalmente França e Reino Unido, conseguiram, através de instrumentos políticos e diplomáticos, manter, ainda que não totalmente, mas parcialmente, a sua hegemonia sobre algumas das suas ex-colônias”, conta o historiador da UFRJ.
Eden Pereira explica que, ao sair do colonialismo, os países africanos careciam de indústrias e serviços públicos básicos, como escolas e hospitais. “Ainda hoje a situação é bastante difícil, mas nas décadas de 50 e 60 era algo muito pior”, concluiu.