Categoria: Cultura

Joaquim Alves da Costa, Neco Batista e a Fundação do Distrito da Feirinha em 1929

A Sede da Fazenda Condeúba “Casa Grnde” ainda resiste heroicamente no tempo e no abandono

No sertão do sudoeste baiano, entre rios e morros, a história do distrito da Feirinha, hoje parte do município de Condeúba, se entrelaça com a figura controversa de Joaquim Alves da Costa, conhecido como senhor de terras e de escravos na segunda metade do século XIX. Herdeiro de uma vasta fazenda que partia da Foz dos Rios do Morro com o Rio do Areal e se estendia por volta de 5 quilômetros em direção rio abaixo, Joaquim Costa representa um capítulo marcante — e por vezes sombrio — da história local.

A Fazenda Condeúba e sua Sede Casa Grande: Símbolo de Poder e Opressão

No coração dominador de Francisco Xavier da Costa, avô de Joaquim Alves da Costa erguiu-se a sede da Fazenda Condeúba denominada de Casa Grande, (por volta dos anos de 1740), um casarão de largas paredes de adobe, telhado de duas águas e varanda nos fundos com vista para os campos cultivados por mãos escravizadas. Ao redor, a paisagem era desenhada por plantações de café, milho, feijão e andu, intercaladas por pequenos córregos artificiais, construídos sob o rigor do cativeiro.

Aos lados da casa sede, em plano inferior, localizava-se a senzala, onde dezenas de escravos viviam em condições precárias. Ali, a dor, a resistência e a fé compartilhavam o mesmo teto constuído de barro e madeira. O sistema escravocrata sustentava o prestígio da família Costa, que dominava vastas porções de terra em um Brasil que caminhava lentamente rumo à Abolição.

O cemitério dos libertos

Com a chegada da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, muitos dos ex-escravizados continuaram a viver na região, alguns permanecendo nas terras da antiga fazenda, agora como agregados ou meeiros. Em gesto que carrega ambiguidade histórica, Joaquim Alves da Costa construiu um cemitério na Fazenda Grama, destinado aos ex-escravos e seus descendentes — uma espécie de concessão tardia e silenciosa à dignidade daqueles que tanto contribuíram para a riqueza da fazenda.

Esse cemitério, foi acampado pela Prefeitura de Condeúba, ampliado e hoje ele atende não só a Fazenda Grama mas, o distrito da Feirinha e adjacências, é um dos poucos registros físicos da presença negra e da resistência silenciosa na região.

A origem do distrito da Feirinha

Foi também a partir das iniciativas de Joaquim Costa que nasceu a Feira Livre nas terras da Casa Grande. Inicialmente montada em frente à sua residência, aos sábados, servia para escoar os produtos da fazenda e de pequenos produtores da vizinhança.

O genro de Joaquim Costa, Manoel Batista de Oliveira conhecido por “Neco Batista”, construiu sua residência, uma enorme casa térrea na parte de sua herança recebida antecipada da família Costa, que ficava meio quilometro rio abaixo da sede da Casa Grande e lá ele se estabeleceu com uma loja de tecidos. Em volta de sua moradia, o  Senhor Neco construiu outras 4 casas menores e doou para seus 4 filhos homens, na época eram os homens considerados arrimo de família, os filhos foram: José Batista de Oliveira, Enedino Batista de Oliveira (Dinão), Claudomiro Batista de Oliveira (Dózão) e Agenor Batista de Oliveira (Nô Batista), onde cada um deles se estabeleceram o seu próprio comercio, o local cresceu, moradias surgiram ao redor.

Com a morte de Joaquim Alves da Costa em 1929, no mesmo ano o Senhor Neco criou uma feira no local que funciona até hoje aos domingos e com o tempo formou-se uma pequena vila, depois povoado e décadas mais tarde, esse povoado foi elevado oficialmente como Distrito da Feirinha, em 9 de junho de 2016 pelo então prefeito Guto, cujo distrito completa em 2025, 96 anos de fundação. 

Um casamento controverso

Já idoso e preocupado com a sucessão de seus bens e o cuidado na velhice, Joaquim Alves da Costa casou-se em segunda união no ano de 1927, aos 80 anos de idade, com Palmira Maria da Silveira, uma jovem de apenas 14 anos. O matrimônio, embora socialmente tolerado à época, hoje levanta questões morais e jurídicas sob a ótica dos direitos da infância e da mulher. Palmira, uma garota “plebéia” que com ele permaneceu no Palacete Casa Grande por quase 3 anos, tornou-se uma figura respeitada na sociedade condeubense, ainda que sua juventude tenha sido marcada por um destino precoce.

Legado ambíguo

A história de Joaquim Alves da Costa é marcada por contrastes: de um lado, o poder exercido com base no trabalho escravizado e no patriarcado; de outro, a fundação de uma comunidade que hoje resgata suas origens com orgulho. O distrito da Feirinha carrega em suas raízes as marcas dessa trajetória, que precisa ser contada com justiça histórica — reconhecendo o sofrimento imposto, mas também os processos de resistência e transformação que dali floresceram.

O passado, como a terra da Fazenda Condeúba tendo como sede a Casa Grande, tem muitas camadas de histórias na sua crosta. E é pesquisando essas camadas que a memória coletiva encontra sentido no presente e direção para o futuro.

Área de R$ 1 milhão foi declarada ao Alto de Xangô em Brumado

Área de R$ 1 milhão é declarada ao Alto de Xangô em Brumado
Uma área de mais de 111 mil metros quadrados, localizada no município de Brumado, foi oficialmente declarada de interesse público pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A ação foi confirmada por meio de uma portaria em 11 de julho, focada na garantia da comunidade com cerca de 12 famílias de matriz africana do Alto de Xangô.
A área em questão, avaliada em R$ 1.082.237,08 (um milhão, oitenta e dois mil duzentos e trinta e sete reais e oito centavos), está situada na Rodovia BA-148, na Fazenda Santa Inês. A comunidade é representada pelas entidades sociais Floresta Sagrada do Alto de Xangô e Centro Cultural do Candomblé Alto de Xangô.
Essa medida é crucial para o reconhecimento territorial da comunidade, permitindo a utilização dos recursos naturais, a criação de animais e a plena reprodução de suas atividades de manifestação cultural, religiosa e ritualística.
A SPU-BA informará oficialmente o Cartório de Registro de Imóveis competente e a prefeitura de Brumado sobre o teor da Portaria, que entrou em vigor na data de sua publicação. A iniciativa reforça o compromisso com a proteção dos direitos de comunidades tradicionais e a promoção da justiça social no acesso à terra. 

Caetité: Festejos de Santana mantêm antigas tradições culturais

Festejos de Santana mantêm antigas tradições culturais em Caetité
Passeata de carro de bois em Caetité, realizada pela Igreja Católica

Em Caetité, os tradicionais festejos de Nossa Senhora Santana, padroeira da cidade, tiveram início na última semana. Edmilson Lola, gerente de cultura de Caetité, destacou que, nos últimos quatro anos, as festividades ganharam um volume significativo de participantes, aumentando em público e importância.

A procissão dos carros de boi, realizada na última sexta-feira (18), é um dos pontos altos do evento. Segundo Lola, neste ano, mais de 350 carros de boi fizeram parte do cortejo na cidade. “A nível de Brasil, é a segunda maior procissão de carro de boi do país, perdendo só pra procissão de carro de boi da Santíssima Trindade, em Goiás.

Mostra o quanto essa manifestação cultural tem avançado e levado pessoas às ruas para assistir esse grande cortejo”, afirmou. Além do cortejo, o gerente cultural falou sobre o Barracão Cultural, iniciado no último sábado (19). O barracão atende três linguagens culturais: a música, a dança e o teatro. No local, as apresentações encantaram o público presente ao longo do final de semana.

Na terça-feira (22), shows, projetos de percussão e saraus fizeram parte da programação das festividades. Dentre as atrações principais do evento estão: Toque Dez, Calcinha Preta, Adriana Arides, Teozinho, Ana Catarina, Ira e Adão Negro. Cada vez mais, Lola revelou que o evento tem exigido enorme organização e estrutura de segurança.

“Quanto mais a festa cresce, mais aparecem dificuldades e o poder público, nas suas secretarias, não mede esforços para melhor atender o público. É uma festa grandiosa, que contempla o teatro, a literatura, a dança e a música. É religiosa e cultural”, apontou. A festa será encerrada no dia 26 de julho.

Assembleia Legislativa do Rio reconhece Flamengo como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado

Assembleia Legislativa do Rio reconhece Flamengo como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado
Foto – Adriano Fontes / CRF
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o projeto de lei que declara o Clube de Regatas do Flamengo como Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Estado. A iniciativa reconhece oficialmente a importância do clube na história, na cultura e na identidade do povo fluminense.
O Flamengo, com quase 130 anos de existência, é mais do que um time de futebol: é um símbolo de emoção, memória afetiva e cultura popular. Presente nos versos da música brasileira, nas crônicas esportivas, nos desfiles de carnaval e nas arquibancadas lotadas de torcedores apaixonados, o Rubro-Negro transcende o esporte e se consolida como parte da alma carioca e brasileira.
Com raízes que unem o povo e a elite, o Flamengo é reverenciado tanto nos bairros mais humildes quanto nos cartões-postais do Rio. Sua história é marcada por gerações que encontraram no Manto Rubro-Negro um símbolo de orgulho e pertencimento.
A diretoria do clube comemorou a homenagem com orgulho e gratidão, destacando que o reconhecimento aumenta ainda mais a responsabilidade de manter viva e digna a trajetória construída ao longo de mais de um século.
“É uma honra sermos declarados patrimônio do Estado do Rio de Janeiro. Isso reforça nosso compromisso diário de representar com dignidade essa história que é nossa e do nosso estado”, declarou o clube em nota oficial.

Primeira-dama de Brumado, Abiara Dias, visita obras de revitalização do Mercado de Artes: ‘Estamos resgatando a nossa cultura’

Primeira-dama de Brumado, Abiara Dias, visita obras de revitalização do Mercado de Artes: ‘Estamos resgatando a nossa cultura’
A primeira-dama do município de Brumado, Abiara Dias
A primeira-dama do município, Abiara Dias, visitou nesta semana as obras de revitalização do Mercado de Artes de Brumado. A reforma do espaço, iniciada pela prefeitura com recursos próprios, promete transformar o local em um ambiente moderno, voltado para a promoção da cultura, feiras e exposições.
Durante a visita, Abiara destacou a importância do investimento para o fortalecimento das tradições locais e o estímulo à produção artística da cidade. “As melhorias vão impactar não apenas o prédio, mas também o seu entorno. A ideia é fortalecer a cultura e transformar esse espaço em um ambiente de encontros, feiras e exposições, valorizando o que o nosso povo e os nossos artistas têm de melhor”, afirmou.
Para a primeira-dama, a requalificação do Mercado das Artes representa um marco para Brumado. “Com essa reforma, estamos escrevendo um novo capítulo na história da cidade. É um gesto de resgate e valorização das nossas tradições. Tenho certeza que será um espaço muito bem utilizado pela população”, completou.

Joaquim Alves da Costa: Entre o Poder Escravocrata na Casa Grande e a Fundação da Feirinha

A sede da Fazenda Casa Grande, com apenas uma das duas senzalas do lado direito, a outra já aparece demolida

Francisco Xavier da Costa, nascido por volta de 1817, foi o que se chamava, à época, de “senhor de escravos”. Entre os anos de 1860 e 1888, ele foi proprietário de uma extensa Fazenda denominada de Condeúba, cuja sede era a chamada Casa Grande, aos lados foram feito duas residências para os escravos, que era chamada de senzala, edificada com a mão de obra dos escravizados sob seu domínio. Essa propriedade localiza-se cerca de meio quilômetro acima do atual distrito de Feirinha, no município de Condeúba Bahia.

O herdeiro principal de Francisco foi seu neto, Joaquim Alves da Costa, nascido em 1847. Quando o avô faleceu, Joaquim já era adulto e assumiu a herança, passando também a ser considerado “senhor de engenho”, mantendo as práticas e a estrutura herdadas.

Joaquim viveu toda sua vida na Casa Grande, onde nasceu e faleceu. Em 13 de maio de 1888, foi sancionada a Lei Áurea, de número 3.353, pela Princesa Isabel, declarando extinta a escravidão no Brasil. Com a abolição, Joaquim tomou uma atitude que ficou na memória local: adquiriu uma nova área de terras próxima à Casa Grande, onde construiu pequenas casas de enchimento (taipa de mão), com o auxílio dos próprios ex-escravizados.

Essa nova localidade, denominada Fazenda Grama, situa-se a cerca de um quilômetro da Casa Grande e fazia divisa com a antiga propriedade. Foi ali que Joaquim realocou apenas as famílias de ex-escravos com quem mantinha maior vínculo e confiança. Os demais ex-escravizados seguiram para lugares mais distantes, como as fazendas Areal, Tamboril e Riacho Seco.

Como símbolo desse período de transição, os ex-escravos, ao deixarem a Casa Grande, entalharam no batente de uma das portas o ano 1888, registrando para sempre o marco da liberdade recém-conquistada.

Preocupado com a velhice e com a solidão, Joaquim Costa decidiu buscar uma nova esposa que pudesse cuidar dele nos momentos mais difíceis da vida. Em 1927, aos 80 anos de idade, casou-se com a jovem Palmira, que tinha apenas 14 anos. Joaquim já era viúvo e deixava para trás uma numerosa família: filhos, netos e até bisnetos. Seu histórico de relacionamentos sempre fora cercado de rumores, inclusive de possíveis envolvimentos com moças dos escravos, o que aumentava as tensões.

O casamento com Palmira causou grande alvoroço entre os herdeiros. A maior preocupação da família não era exatamente a diferença de idade entre os cônjuges, mas sim as possíveis consequências sobre a herança. Joaquim possuía vastas terras, mas também muitos descendentes, o que tornava o futuro da partilha um campo fértil para disputas.

A carneira em destaque, construída em 1929, já deteriorada pelo tempo, foi o local onde sepultou Joaquim Alves da Costa no Cemitério Municipal da Fazenda Grama

A história de Joaquim Costa e o cemitério da Fazenda Grama

Três anos após esse casamento, Joaquim Costa faleceu, em 1929, aos 83 anos. No entanto, antes de sua morte, ele cumpriu uma promessa que vinha alimentando havia anos: construiu um cemitério na Fazenda Grama, destinado aos ex-escravizados daquela região e seus descendentes, oferecendo-lhes, finalmente, um local digno para o descanso eterno.

O que ninguém esperava, no entanto, era que o primeiro a ser sepultado ali seria o próprio Joaquim Alves da Costa. A inauguração do cemitério, por volta de 1929, selou de forma simbólica seu último gesto — ao mesmo tempo um ato de reparação e um ponto final em uma vida marcada por poder, controvérsias e legado.

Foram tempos vividos no chamado Palacete dos Senhores de Engenho, pertencentes a uma linhagem que acumulava verdadeira fortuna em terras — vastas extensões que, no passado, foram intensamente trabalhadas por uma grande quantidade de escravos. A fazenda em questão media cerca de 5 km de largura e se estendia por uma longitude praticamente indefinida. Suas divisas começavam acima da Foz dos Rios, do Morro com o Rio Areal, em terras que hoje pertencem ao doutor José Augusto, e seguiam rio abaixo até os limites com a Fazenda Grama, vizinha do sítio atualmente de propriedade do senhor Odílio Ribeiro da Silveira.

A Mão de Obra dos Escravos

Toda a estrutura produtiva da Fazenda Condeúba foi construída com a força de trabalho escravizada. A presença dos escravos foi fundamental para a dinâmica econômica e social local no período em que o arraial de Santo Antônio da Barra ainda não era Condeúba. A composição mestiça do trabalho — entre cativos, forros e livres — moldou profundamente a politicultura regional entre 1860 e 1888.

A fazenda era cultivada em toda sua extensão, especialmente nas áreas mais baixas e nas margens do Rio do Morro. No tempo das chuvas, plantava-se arroz. Já no mês de junho, os mesmos brejos eram utilizados para o cultivo de milho e feijão-de-arranca. Parte desse brejo, era reservada à lavoura de cana-de-açúcar, destinada à fabricação de rapadura — produto essencial da economia local da época.

Nas margens acima dos brejos, a cerca de 100 metros, já no início das capoeiras, havia um pequeno córrego em ambos os lados, construído pelos escravizados. Aquelas margens, por vezes perigosas, tornaram-se um local propício para o cultivo de café. Entre as fileiras dos cafezais, plantava-se milho, feijão de arranca ou carioquinha, feijão catador, fava e guandu, também conhecido apenas como andu.

Cultivava-se também grande quantidade de melancia, além de maxixe, abóbora, moranga e toda a linha de hortaliças. Havia grandes áreas reservadas exclusivamente para o plantio de laranjas, limões, mangas, rosas e espadas. Também havia lavouras de algodão e extensas invernadas de capim colonião. No cerrado, cultivavam-se grandes roças de mandioca.

Aqui fazemos um parêntese:
“Nas épocas de colheita das mangas e das melancias, os senhores de escravos proibiam os cativos de comê-las ainda no campo, alegando que o leite de vaca que tomavam pela manhã, se combinado com o consumo de manga ou melancia durante o dia, provocaria morte por envenenamento.”

Portanto, essa “pérola” de que manga com leite faz mal ao ser humano foi criada pelos senhores de escravos como uma forma de evitar que seus cativos consumissem mangas com leite, causando-lhes prejuízo na produção de frutas como manga e melancia. As colheitas eram fartas, havia de tudo em abundância. Diante disso, Joaquim Costa criou uma feira livre para comercializar seus produtos, que funcionava aos sábados, em frente à sua residência oficial, a Casa Grande. Essa feira perdurou durante toda a sua vida.

Logo após o falecimento de Joaquim Costa, seu genro Manoel Batista de Oliveira, mais conhecido como Neco Batista, assumiu a liderança local. Ele já havia construído para si um grande casarão, onde morava, além de outras residências destinadas aos seus filhos, na localidade rio abaixo, situada  aproximadamente meio quilômetro da Casa Grande. Foi nesse local que se instalou uma nova feira livre, que passou a funcionar aos domingos. Esse fato ocorreu por volta de 1929, com o objetivo de esvaziar a feira da Casa Grande aos sábados — e assim, de fato, aconteceu.

O local passou a ser chamado de Feirinha, dali para frente, o comércio começou a crescer, inicialmente concentrado entre os membros da família do Sr. Neco Batista. Com isso, as moradias foram se multiplicando. Com o passar do tempo, a localidade se transformou em vila, depois em povoado, em 9 de junho de 2016 foi elevado a distrito de Feirinha pelo então prefeito Guto, nesta ano de 2025, a Feirinha estará completando 96 anos de fundação.

A então viúva de Joaquim Costa, Sra. Palmeira, não resistiu às grandes pressões dos herdeiros e acabou abrindo mão da sua parte na herança. Retornou, de muda, para a casa de seus pais, o Sr. Melvino Benigno da Silveira e Dona Deraldina Maria da Silveira, na Fazenda Olho d’Água.

Logo em seguida, Palmeira conheceu um novo companheiro, um jovem da época chamado José Antônio Ribeiro, com quem se casou no ano de 1930. Desse matrimônio nasceram quatro filhos: Olinto, Odílio, Oclides e Aulita, esta última mais conhecida como Ita.

NOTA:- Todas essas informações aqui relatadas neste artigo, foram passadas pela senhora Palmira (minha mãe) de saudosa memória, ela que foi esposa do Sr. Joaquim Alves da Costa.

Vereador propõe ensino obrigatório de capoeira nas escolas públicas de Salvador

Foto: Amanda Chung / GOV-BA
O Projeto de Lei n° 255 2025, que tramita na Câmara de Vereadores de Salvador, propõe que a capoeira seja oficialmente reconhecida como cultural e esportiva nas escolas públicas da capital. O texto do vereador Hamilton Assis (PSOL) estabelece que o ensino de capoeira seja obrigatório nas escolas de Salvador, por meio de parcerias com projetos externos. 

Atualmente, a Lei Municipal nº 9.072/2016 já caráter educacional e formativo da capoeira e permite a celebração de parcerias com projetos da prática capoeirista em escolas soteropolitanas. No entanto, mediante a alteração sugerida por Hamilton, “os estabelecimentos de ensino municipais públicos estão obrigados a fornecer a modalidade do ensino da capoeira”, ainda que por meio das parcerias em questão. 

O documento ainda tramita na Comissão de Constituição e Justiça e Redação da CMS. Segundo legislador, a proposta é que a prática seja integrada a dinâmica pedagógica das escolas, na intenção de “promover o desenvolvimento cultural dos alunos e fortalecer a identidade local.” 

Assim, no que tange às escolas privadas, “os estabelecimentos de ensino privados poderão celebrar parcerias com associações, federações ou outras entidades que representem e congreguem mestres e demais profissionais de capoeira, nos termos desta Lei”.