Categoria: Internacional

Na Alemanha, Lula defende parceria com Europa na descarbonização

Presidente participou da abertura da maior feira industrial do mundo
Agência Brasil19.04.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hanôver. Theodor-Heuss-Platz 1-3, Alemanha.Foto: Ricardo Stuckert / PRO chanceler alemão, Friedrich Merz e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) uma matriz energética limpa em parceria com a Europa e a proteção a empregos com o avanço da inteligência artificial.

Na Alemanha, Lula discursou na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe. Ele voltou a criticar os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, conflito que chamou de “maluquice”. 

Lula disse que o Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e a descarbonizar a indústria. “Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, disse Lula, na Hannover Messe.

No discurso, acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, por representantes dos governos e empresários dos dois países, Lula argumentou que é preciso combater “narrativas falsas” a respeito da sustentabilidade da agricultura brasileira. Ele foi aplaudido pelos presentes em diferentes momentos do discurso.

“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”. 

O presidente argumentou que, em 2026, o Brasil coloca em marcha um “robusto programa” que prioriza a economia verde e a indústria 4.0. Por outro lado, ele aproveitou para contextualizar que se trata de um momento crítico na geopolítica global, marcado por paradoxos.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, criticou.

Defesa do trabalhador

Sobre o mercado de trabalho, Lula disse que o país tem o menor desemprego da sua história e que defende o fim da escala 6×1, com a redução da jornada de trabalho para garantir dois dias de descanso.

Em relação aos empregos, Lula fez apelo aos empresários e pesquisadores para que, no cenário da evolução das tecnologias de inteligência artificial, contabilizem os impactos para os trabalhadores no mundo.

“Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”, considerou.

“Maluquice da guerra”

Ainda em seu discurso, Lula assegurou que o Brasil é um dos países menos afetados pela “maluquice da guerra feita com o Irã”. Ele afirmou que o governo tomou medidas internas para minimizar esse impacto diante de um cenário em que o país importa 30% do óleo diesel utilizado.  

O presidente aproveitou para condenar o fato de o mundo estar marcado por desigualdades, mas haver um gasto de US$ 2,7 trilhões em guerras. Em relação a isso, Lula pediu responsabilidade a membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para buscar caminhos contra essa realidade. O conselho conta com cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. 

Efeitos sobre mais vulneráveis

Lula lembrou que, com o conflito no Oriente Médio, ocorrem flutuações no preço do petróleo que encarecem a energia e o transporte. Outra consequência é a escassez de fertilizantes, que afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar.

“São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”. 

Diante desse cenário, Lula apontou que a “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC) torna necessário “refundar a organização”. No tema do comércio internacional, o presidente aproveitou para enfatizar a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

“Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”. 

Lula voltou a ser aplaudido quando lembrou do compromisso brasileiro de, até 2030, chegar a desmatamento zero na Amazônia. “Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% no Cerrado”.

O presidente também destacou que o Brasil prioriza a sustentabilidade no campo dos combustíveis. “Já adotamos mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, explicou.

Ele acrescentou que 90% da energia elétrica do Brasil é limpa e há potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo.  

Lula também citou a possibilidade de maior exploração de minérios críticos para colaborar com a descarbonização e a transformação digital. “Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já tem a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terra rara e a terceira de níquel”.

Ele disse que não vê o país como “mero exportador” dos minerais, mas deseja parcerias internacionais com transferência de tecnologia.

Pobres não podem pagar por irresponsabilidade das guerras, diz Lula

Presidente participa de Fórum Democracia Sempre, na Espanha
Agência Brasil18.04.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia. Feira de Barcelona, Espanha.Foto: Ricardo Stuckert / PR© Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um duro discurso contra as guerras em curso e em defesa do fortalecimento do multilateralismo, na manhã deste sábado (18), em Barcelona, na Espanha. Ele participa da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia. 

O presidente está na Europa onde cumprirá agenda em três países. Em sua manifestação, Lula destacou que as consequências dos conflitos armados recaem sobre os mais pobres.

“O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, questionou.  

Lula destacou que os países têm outros problemas para enfrentar e o mundo “não está precisando de guerra”.

“Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19”, continuou.

Lula observou que o mundo vive o período com o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu ação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança”, afirmou.

O presidente criticou algumas das principais guerras em andamento, como a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza por Israel e a o conflito dos Estados Unidos contra o Irã, no Oriente Médio.

“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento.Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho”, prosseguiu Lula.

O presidente brasileiro lamentou o silêncio dos países e pontuou que a democracia nas Nações Unidas depende do envolvimento dos países. “Fortalecer o multilateralismo depende de nós”.

Regulação das plataformas digitais

Ainda em seu discurso, Lula criticou o papel das plataformas digitais na desestabilização política dos países e pediu que a própria ONU lidere discussões sobre regras compartilhadas entre as nações.

“A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar”, afirmou.

Lula cobrou ações da ONU também no tema das plataformas. 

“Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas”, completou Lula.

O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em Barcelona, o evento, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também conta com as participações dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric. 

Agenda na Europa

Após o compromisso na Espanha Lula embarca para a Alemanha neste domingo (19), onde participará da Hannover Messe – a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo – que nesta edição homenageia o Brasil. Ainda na Alemanha, o presidente brasileiro terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz.

A viagem se encerrará dia 21, com uma rápida visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se encontra com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

Representantes de Brumado participaram de evento internacional sobre desenvolvimento sustentável

Representantes de Brumado participaram de evento internacional sobre desenvolvimento sustentável
Foto – Divulgação

O 1º Encontro Internacional Conquista ODS foi realizado nos dias 9 e 10 de abril de 2026, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista, reunindo representantes de 39 municípios integrantes da Rede ODS Bahia-Minas, além de especialistas nacionais e internacionais e membros da sociedade civil. Com o tema “Governança, Cooperação e Implementação da Agenda 2030”, o evento promoveu debates voltados à construção de políticas públicas sustentáveis e integradas.

O município de Brumado esteve presente no encontro, com representantes das secretarias de Planejamento, Administração, Agricultura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente, Desenvolvimento Social e Cidadania, além do Gabinete, evidenciando o compromisso da gestão municipal com o desenvolvimento sustentável e a adoção de práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A iniciativa foi realizada pela Prefeitura de Vitória da Conquista, em parceria com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), a União Europeia e o Instituto Cidades Sustentáveis. A programação contou com a participação de importantes instituições e organismos, como ONU-Habitat Brasil, CEPAL/ONU, Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Universidad Nacional de Córdoba (Argentina), IBGE, CAIXA, FNP, Programa Cidades Sustentáveis, SICOOB, Hub ODS Brasil e Bahia, FIEB, além de gestores públicos de municípios referência no país.

A Rede de Municípios ODS Bahia-Minas, responsável por articular a participação dos municípios, é uma iniciativa de cooperação territorial liderada pela Prefeitura de Vitória da Conquista. O objetivo é integrar os ODS da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas às políticas públicas locais, por meio de uma governança compartilhada entre cidades do Sudoeste da Bahia e do Norte de Minas Gerais.

O encontro destacou a importância da cooperação entre municípios e instituições para o fortalecimento de estratégias que promovam desenvolvimento sustentável, inclusão social e melhoria da qualidade de vida da população.

Reino Unido rejeita bloqueio proposto por Trump no Estreito de Ormuz

Trump cobra aliados para auxiliarem EUA a controlar passagem  
Agência Brasil

Navio-tanque no Estreito de Ormuz21/12/2018
REUTERS/Hamad I Mohammed
© Reuters/Hamad I Mohammed/proibida reprodução

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, rejeitou participar do bloqueio naval anunciado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no Estreito de Ormuz, após a Casa Branca dizer que “outros países” participariam da missão.

“Minha decisão foi muito clara: qualquer que seja a pressão, e tem havido uma pressão considerável, não vamos ser arrastados para a guerra”, afirmou Starmer à BBC, nesta segunda-feira (13).

A mídia britânica informou que os navios caça-minas e a capacidade antidrone do Reino Unido continuariam operando no Oriente Médio, mas que navios e soldados da Marinha britânica não seriam usados para bloquear portos iranianos.

O Reino Unido e a França planejam realizar “nos próximos dias” uma conferência para discutir a restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz “assim que as circunstâncias permitirem”, segundo o presidente francês Emmanuel Macron.  

“Organizaremos uma conferência com aqueles países dispostos a contribuir ao nosso lado para uma missão multinacional pacífica destinada a restaurar a liberdade de navegação no estreito. Essa missão estritamente defensiva, separada das partes beligerantes do conflito”, disse Macron em uma rede social.

Outro país que vem sendo pressionado por Donald Trump para contribuir com o esforço para reabrir o estreito é o Japão, grande importador de petróleo dos países do Golfo Pérsico.

Em coletiva de imprensa realizada hoje, o chefe de gabinete do governo japonês Minoru Kihara disse que o Japão acompanha “de perto” a situação e defendeu um acordo por meio da diplomacia.

“O mais importante é conseguir uma desescalada da situação, incluindo garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, e chegar a um acordo final por meio da diplomacia o mais rápido possível”, afirmou, segundo o jornal Japan Times.

A negativa de aliados de participarem dos esforços dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz tem gerado a reação do presidente Trump, que chegou a chamar os países de “covardes” e ameaçar abandonar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

China

Por sua vez, a China afirmou que, para resolver a questão da navegação no Estreito de Ormuz, é necessário, em primeiro lugar, resolver o conflito bélico no Oriente Médio.  

“A causa principal da perturbação no Estreito de Ormuz é o conflito militar. Para resolver a questão, o conflito deve cessar o mais rápido possível. Todas as partes precisam manter a calma e exercer contenção. A China continuará a desempenhar um papel construtivo”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do ministério das relações exteriores na China, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

Irã ameaça retaliar

As Forças Armadas da República Islâmica do Irã ameaçaram realizar retaliações contra portos no Golfo Pérsico e no Mar do Omã caso a segurança dos portos iranianos seja colocada em risco. Teerã informou ainda que os inimigos do país persa não poderão passar por Ormuz. 

Após o fracassado das negociações para um acordo de paz em Islamabad, capital do Paquistão, nesse final de semana, o presidente dos EUA Donald Trump anunciou que bloquearia a passagem de navios na saída do Estreito de Ormuz. 

“O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entram ou saem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, informou, em comunicado, o Comando Central dos EUA.

Conselho de Segurança da ONU

Na semana passada, a Rússia e a China vetaram a resolução apresentado pelo Bahrein, em nome dos países do Golfo Pérsico, que pretendia autorizar os países a usarem a força para reabrir o Estreito de Ormuz. 

O preço do barril de petróleo tipo Brent voltou a subir nesta segunda-feira com o anúncio de bloqueio naval dos EUA, chegando ao nível dos US$ 100 novamente, alta de cerca de 5,5%.

Antes da guerra, passavam pelo Estreito cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia. Estima-se que cerca de 20% do petróleo e gás do planeta passe por Ormuz.

Missão lunar Artemis II termina com resgate seguro da tripulação após reentrada na Terra

Missão lunar Artemis II termina com resgate seguro da tripulação após reentrada na Terra
Foto – Divulgação / NASA

A missão Artemis II foi concluída com sucesso após o retorno seguro da cápsula Orion à Terra, marcando um novo capítulo na exploração espacial tripulada. O pouso ocorreu no Oceano Pacífico, próximo à costa dos Estados Unidos, encerrando uma jornada histórica ao redor da Lua.

A fase final da missão exigiu precisão e tecnologia avançada. Durante a reentrada na atmosfera terrestre, a cápsula enfrentou condições extremas, com altíssimas temperaturas geradas pelo atrito com o ar, além de uma redução significativa de velocidade em poucos minutos, garantindo um retorno controlado.

Após essa etapa crítica, o sistema de paraquedas foi acionado de forma gradual, permitindo estabilizar a descida e assegurar um pouso seguro no mar. A operação seguiu conforme o planejado, demonstrando a eficiência dos sistemas desenvolvidos para a missão.

Com a cápsula já em segurança, equipes de resgate iniciaram imediatamente os procedimentos para retirada dos astronautas. A tripulação foi encaminhada para uma embarcação de apoio, onde passou por avaliações médicas iniciais.

De acordo com a coordenação da missão, os astronautas apresentaram bom estado de saúde, indicando o sucesso não apenas técnico, mas também operacional da missão. O retorno da Artemis II reforça os avanços da exploração espacial e abre caminho para futuras missões ainda mais ambiciosas.

Lula cria unidades de conservação e anuncia prioridades para COP15

Decretos foram assinados na Cúpula dos Líderes, em Campo Grande

Campo Grande (MS), 22/03/2026 – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (c)  durante o Inicio da plenária das atividades da reunião da COP15 biodiversidade Brasil-PantanalFoto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do meio ambiente Marina Silva – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as prioridades para o governo brasileiro nos debates que ocorrerão durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), esta semana, em Campo Grande (MS).

Durante a Cúpula do Líderes que antecede o encontro global, ele também assinou três decretos para a criação e ampliação de unidades de conservação.

Segundo o presidente Lula, a delegação brasileira participará do encontro global com as prioridades de:

– dialogar com princípios consagrados pelas Convenções do Clima, da Desertificação e da Biodiversidade, como as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”,

– trabalhar para ampliar e mobilizar recursos financeiros, criar fundos e mecanismos multilaterais e inovadores, principalmente para os países em desenvolvimento,

– e universalizar a Declaração do Pantanal que propõe que mais países se envolvam de maneira eficaz na proteção das espécies das rotas migratórias.

Na avaliação do presidente, a América Latina precisa continuar trabalhando junto nas ações de conservação e proteção da biodiversidade, sem as quais não haverá prosperidade duradoura.

“A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”, declarou no discurso de encerramento da Cúpula dos Líderes.

Antes do discurso, o presidente assinou três decretos para a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas (MG), ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense (MT) e ampliação da Estação Ecológica de Taiamã (MT), que juntos representam mais de 174 mil hectares passam a ser protegidos.

“Nosso objetivo é alcançarmos a meta de até 2030 garantir trinta por cento de proteção da área oceânica, conforme prevê a Convenção sobre Diversidade Biológica”, reforçou o presidente.

Lula também lembrou que a COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas com ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias se tornando a regra, mas que a cooperação multilateral é um caminho possível para superar esses desafios. “Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, concluiu.

O Agente Secreto encerra Oscar 2026 sem prêmios

Filme concorria em quatro categorias

Agência BrasilWagner Moura poses on the red carpet during the Oscars arrivals at the 98th Academy Awards in Hollywood, Los Angeles, California, U.S., March 15, 2026. REUTERS/Caroline BrehmanO ator Wagner Moura – Foto: Reuters/Caroline Brehman

Apesar da enorme expectativa e de uma campanha internacional aclamada, o filme brasileiro O Agente Secreto encerrou sua participação na cerimônia do Oscar 2026, na noite deste domingo (15), sem estatuetas. 

O longa dirigido por Kleber Mendonça Filho concorria em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco (categoria que estreou nesta edição).

Na categoria Melhor Filme Internacional, o representante brasileiro foi superado pelo norueguês Valor Sentimental (Sentimental Value), dirigido por Joachim Trier.

Na categoria de Melhor Ator, Wagner Moura, que foi ovacionado pela crítica por seu papel como professor Marcelo, viu a estatueta ir para as mãos de Michael B. Jordan, pelo terror gótico Pecadores (Sinners), de Ryan Coogler.

Já em Melhor Direção de Elenco, o troféu ficou com Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, que também levou o prêmio principal de Melhor Filme.

Antes da cerimônia do Oscar, O Agente Secreto já havia consolidado sua relevância internacional no Globo de Ouro. A produção brasileira venceu na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, enquanto Wagner Moura conquistou o troféu de Melhor Ator em Filme de Drama. 

Lula defende diversificação como resposta ao protecionismo comercial

Presidente brasileiro fechou oito acordos com governo indiano
Agência Brasil

Nova Delhi, 21/02/2026 - 21.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião no Palácio Presidencial (Rashtrapati Bhawan) com o Primeiro-Ministro da República da Índia, Narendra Modi. Foto: Ricardo Stuckert/PR
© Ricardo Stuckert/PR

Oito acordos foram fechados neste sábado (21) entre o governo brasileiro e a Índia. Um desses acordos se refere a uma cooperação entre os dois países envolvendo terras raras e minerais críticos, mas houve também acordos no campo da mineração para a cadeia de suprimentos do aço e de cooperação no campo das micro, pequenas e médias empresas.

Desse total de acordos, seis tratam de memorandos de entendimentos, que são documentos que formalizam as intenções antes de um contrato definitivo, alinhando os objetivos entre as partes. Em visita oficial à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou esses acordos, dizendo que “hoje foi um dia muito promissor para a Índia e para o Brasil”. Segundo Lula, a assinatura desses acordos também demonstram uma resposta ao unilateralismo comercial.

“No mundo de hoje, a conectividade e a diversificação comercial viraram um sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo comercial”, disse Lula, durante solenidade de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Índia, que foi realizado neste sábado (21) em Nova Deli, na Índia, e que contou com a presença de mais de 300 empresas brasileiras. Mais cedo, ao lado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Lula já havia defendido a ideia do multilateralismo comercial.

“Somos ambos países [Brasil e Índia] mega-diversos e polos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz”, ressaltou o presidente brasileiro.

Acordos fechados neste sábado entre os governos do Brasil e da Índia

Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro.

Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas do Governo da República da Índia e o Ministério de Minas e Energia do Brasil sobre Cooperação no Campo de Elementos de Terras Raras e Minerais Críticos.

Acordo de Cooperação Bilateral entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia (CSIR) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial do Brasil (INPI) para Acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL).

Memorando de Entendimento entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos, Diretoria-Geral de Serviços de Saúde (CDSCO/DGHS), Ministério da Saúde e Bem-Estar Familiar, Governo da Índia.

Memorando de Entendimento para Cooperação no Setor Postal entre o Ministério das Comunicações do Brasil e o Departamento de Correios, Ministério das Comunicações, Governo da República da Índia.

Memorando de Entendimento entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil e o Ministério das Micro, Pequenas e Médias Empresas da Índia sobre Cooperação no Campo das Micro, Pequenas e Médias Empresas.

Memorando de Entendimento entre o Ministério do Aço da Índia e o Ministério das Minas e Energia do Brasil no Campo da Mineração para a Cadeia de Suprimentos do Aço.

Memorando de Entendimento sobre o Uso de Certificados Eletrônicos de Origem entre o Brasil e a Índia.

Relações comerciais

A visita à Índia ocorre em um contexto de fortalecimento das relações entre os dois países. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 15 bilhões, maior valor da série histórica, com crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior. Recentemente, Brasil e Índia estabeleceram a meta de alcançar US$ 20 bilhões em comércio até 2030 e iniciaram negociações para a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia.

Para o presidente Lula, as relações comerciais entre Brasil e Índia, no entanto, poderiam ser ainda maiores. “Tive a honra de estar à frente da celebração da nossa parceria estratégica no ano de 2006.

De lá para cá, nosso comércio bilateral saltou de US$ 2,4 bilhões para US$ 15 bilhões. É um grande crescimento, mas é muito pouco diante do tamanho da Índia e do tamanho do Brasil”, falou o presidente.

Em seu discurso de encerramento do fórum empresarial, Lula defendeu que a ampliação do acordo entre o Mercosul e a Índia é uma prioridade.

“Ampliar significativamente o Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia, que vigora desde 2009, é uma prioridade, com vistas a um futuro acordo de livre comércio. Dois mercados tão importantes como o Brasil e a Índia precisam de um arcabouço mais abrangente e mais ambicioso. O interesse recíproco é crescente”, acrescentou.

Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) para visitas à Índia e à Coreia do Sul em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países asiáticos. Em Nova Delhi, capital da Índia, Lula foi recebido em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics. Esta foi a quarta viagem de Lula à Índia, a segunda do atual mandato.

Amanhã (22), Lula e sua comitiva presidencial desembarca em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado. Na ocasião, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível do relacionamento entre os países para uma parceria estratégica.

Bahia vai produzir medicamentos de alta complexidade contra o câncer

Bahia vai produzir medicamentos de alta complexidade contra o câncer
Foto: Fidelis Melo/GOVBA

A saúde pública da Bahia está vivendo mais um momento histórico com a formalização de uma parceria que permitirá a produção, em solo baiano, por meio da Bahiafarma, de quatro medicamentos de alta tecnologia e complexidade, como o Nivolumabe e o Pertuzumabe, fundamentais no tratamento contra o câncer. A assinatura foi realizada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), neste sábado (21), em Nova Délhi, na Índia, onde cumpre agenda oficial ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A parceria firmada com gigantes globais, como Biocon e Dr. Reddys (Índia), além da Bionovis (Brasil), permitirá a transferência de tecnologia para a produção do que há de mais moderno na saúde, fortalecendo a produção nacional, ampliando o acesso da população a tratamentos de ponta pelo SUS, especialmente na oncologia, além de garantir geração de mais emprego e renda para o estado da Bahia.

“Participei das assinaturas com as empresas que vão financiar, apoiar e investir na produção de medicamentos em parceria com a Bahiafarma. É um momento muito importante para a Bahia. Esse espaço é uma oportunidade também de apresentar o nosso potencial para que empresários indianos possam investir no estado baiano”, ressaltou o governador.

A missão integra o esforço de reindustrialização da saúde no Brasil, com participação da Bahiafarma e parcerias estratégicas para reduzir dependências externas. “Produzir mais no país, ampliar o acesso à inovação e fortalecer o SUS é resultado de planejamento, parceria institucional e compromisso com uma saúde pública mais tecnológica e acessível para todos”, afirmou a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana.

De acordo com a diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes, entre os acordos firmados, “temos a transferência de tecnologia de um medicamento para o câncer de mama, e um protocolo para o Nivolumab, que é um medicamento também para diversos tipos de câncer, entre eles mieloma e câncer de pulmão”, explicou.

Congresso do Peru destitui o presidente interino José Jerí por suposto ‘tráfico de influência’

O mandato de Jerí se encerraria em julho. Com a destituição, o Parlamento peruano elegerá um novo presidente na próxima quarta-feira

POR AFP

José Jerí, presidente do Peru. Foto: Connie France/AFP.

O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira 17 o presidente interino José Jerí por má conduta funcional e falta de idoneidade para exercer o cargo, após um julgamento político relâmpago. Jerí, o sétimo chefe de Estado peruano em 10 anos, foi remo foi removido do cargo ao qual chegou como presidente do Congresso em outubro de 2025.

Ele foi presidente do Congresso até que, em 10 de outubro, substituiu na presidência Dina Boluarte, destituída pelo Parlamento em um julgamento político relâmpago no qual se alegou sua incapacidade de resolver uma onda de extorsões e assassinatos por encomenda.

A proposta contra Jerí, de 39 anos e cujo mandato termina em julho, ocorre a poucas semanas das eleições gerais de 12 de abril. Na última sexta, os congressistas apresentaram as 78 assinaturas necessárias para forçar uma sessão extraordinária durante o período de recesso.

A destituição de Jerí ocorre em plena crise institucional enfrentada. pelo Peru desde as eleições de 2016, quando um conflito permanente de poderes eclodiu entre o Parlamento, fortalecido, e o Executivo, desgastado, em um contexto de fragmentação partidária e ausência de consenso político.

“A mesa diretora declara a vacância da Presidência da República”, anunciou o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi, após a votação. Eram necessários 58 votos para destitui-lo.

O Parlamento elegerá na quarta-feira às 18h locais (20h em Brasília) um novo chefe do Legislativo, que assumirá automaticamente a presidência interina do Peru até 28 de julho, indicou Rospigliosi.

“Eu não cometi nenhum crime. Tenho plena suficiência moral para poder exercer a presidência da República”, declarou Jerí em uma entrevista na televisão na noite de domingo.

Do lado de fora do Congresso, um pequeno grupo de manifestantes carregava cartazes a favor da destituição de Jerí por ter transformado o palácio presidencial “em um bordel”. “Não é nosso presidente”, disse à AFP a comerciante María Galindo, de 48 anos.

Crise institucional
“Ter uma nova substituição na presidência, a quarta no atual lustro político, não resolverá nada da profunda crise institucional que o país vive”, disse à AFP o analista político Augusto Álvarez. Além disso, “será difícil encontrar no atual Congresso — com evidências de mediocridade e suspeita sólida de corrupção generalizada — um substituto com legitimidade política”, acrescentou.

O Congresso necessita de maioria simples para censurá-lo. Em caso de destituição, deverá eleger um novo chefe do Legislativo, que automaticamente assumirá a presidência interina do Peru. “Eu sou a favor de que ele não seja censurado pelo pouco tempo que lhe resta como presidente; sugiro que termine seu mandato até julho”, disse à AFP Edgar Clavijo, de 68 anos, um pequeno comerciante.

Mas Zoila Sajami, uma cabeleireira de 44 anos, considerou que “seria bom que o destituíssem porque não faz nada” contra a corrupção.

Contexto eleitoral
A rapidez com que a censura está sendo processada foi relacionada à campanha eleitoral, que registra um recorde de mais de 30 candidatos presidenciais. “Os partidos que apressam a destituição o fazem porque acreditam que isso poderia ajudá-los a obter mais votos na eleição de 12 de abril”, ressaltou Álvarez, diretor do meio digital A3R..net.

O candidato presidencial do Renovação Popular, Rafael López Aliaga, que lidera as pesquisas, tem sido o mais enfático em exigir a renúncia de Jerí. López Aliaga, simpatizante do presidente Donald Trump, afirmou que “Jerí é operador de dezenas de grupos chineses que entram em massa no Palácio”.

O embaixador dos Estados Unidos em Lima, Bernie Navarro, defendeu a continuidade de Jerí em entrevista ao jornal financeiro Gestión. “Para a estabilidade do país, acho que deveria baixar o tom, assegurar eleições dignas e que o presidente siga em funções”, disse o diplomata americano. “Mudar de presidentes com frequência, aos olhos não apenas dos Estados Unidos, mas do mundo, não é normal”.

Duas investigações do Ministério Público
Depois de um início marcante, com aprovação de quase 60% nas pesquisas devido ao impulso dado à luta contra o crime organizado, a popularidade de Jerí caiu para 37% em fevereiro.

As críticas surgiram quando o Ministério Público abriu em janeiro uma investigação preliminar por suposto crime de “tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses”, após vir à tona um encontro encoberto com um empresário chinês que faz negócios com o governo. A esse encontro Jerí compareceu encapuzado.

Sua situação se complicou na semana passada com outra investigação por “tráfico de influência”, diante de sua suposta intervenção na contratação de nove mulheres em seu governo.