Categoria: Cultura

Plano de ação da Política Nacional Aldir Blanc é aprovado, e Barra da Estiva garantirá mais de R$ 870 mil em investimentos culturais até 2028

Plano de ação da Política Nacional Aldir Blanc é aprovado, e Barra da Estiva garantirá mais de R$ 870 mil em investimentos culturais até 2028
Foto – Divulgação
O Departamento de Cultura de Barra da Estiva, por meio da Secretaria Municipal de Administração, teve seu plano de ação aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) no dia 16 de abril para a execução da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento Cultural (PNAB), regulamentada pela Lei Federal nº 14.399, de 8 de julho de 2022.
Sem quaisquer ressalvas, a aprovação do plano garante ao município o repasse de recursos anuais no período de 2025 a 2028, totalizando um montante de R$ 872.169,28. Os recursos serão utilizados para fortalecer a produção e o acesso à cultura local, fomentando iniciativas e atividades voltadas à valorização da diversidade artística de Barra da Estiva.
A execução da PNAB no município será realizada em parceria com a sociedade civil e os agentes culturais, através da elaboração do Plano de Aplicação de Recursos (PAR), instrumento que assegura a transparência e a eficiência no uso dos recursos públicos, alinhando as ações culturais às reais demandas da população.
Com a aprovação, Barra da Estiva se insere de forma estratégica no cenário de políticas públicas culturais do país, promovendo a valorização da identidade local, a geração de oportunidades e o fortalecimento da economia criativa.

A alma sertaneja em festa: tradição junina no Sudoeste da Bahia

A alma sertaneja em festa: tradição junina no Sudoeste da Bahia
 Foto: Pixabay

No coração da Bahia, quando junho se aproxima, o clima se transforma. Em cidades como Vitória da Conquista, Jequié, Guanambi, Itapetinga, Ibicuí, Brumado, Caetité e Poções, o cheiro de milho cozido, amendoim torrado e fogueira invade o ar. As ruas ganham cores com bandeirolas e balões, e o povo se prepara para viver uma das tradições mais queridas do calendário nordestino: o São João. No sudoeste baiano, essa festa é muito mais do que uma celebração, é uma reafirmação cultural, um reencontro com a fé e uma explosão de alegria comunitária.

Quadrilhas, forró e coração: o ritmo que embala a tradição

Em Vitória da Conquista, a segunda maior cidade do interior baiano, o São João é celebrado com festivais grandiosos e programações que duram dias, envolvendo artistas locais e nacionais. Nas praças e escolas de cidades como Itapetinga, Jequié e Brumado, as quadrilhas juninas se tornam o centro das atenções e dançam ao som contagiante do forró pé de serra, do xote e do baião. Em Caetité, a tradição é mantida com destaque para a religiosidade, onde novenas e celebrações em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro ainda fazem parte do calendário popular.

Economia aquecida a balões e balaios

As festas juninas representam uma força econômica de grande impacto, especialmente para o Nordeste. Além disso, a produção e venda de trajes juninos, fogos de artifício, comidas típicas e itens de decoração movimentam milhões de reais em todo o país. Essas celebrações, com sua alegria contagiante e símbolos coloridos, inspiram até mesmo o universo do entretenimento digital. Muitas plataformas de jogos desenvolvem opções especiais baseadas nessas tradições, trazendo elementos típicos como bandeirinhas, fogueiras e quadrilhas. Segurança e variedade de jogos são essenciais para quem busca uma experiência de entretenimento confiável na internet. Além disso, boas plataformas respeitam a cultura e as tradições locais em suas temáticas. Interessados em prestigiar a cultura local de forma divertida encontram alternativas em sites de apostas brasileiros licenciados como a PlayUZU, que oferecem opções criativas como o slot Festa Junina para quem deseja unir a paixão pelas Festas Juninas ao entretenimento online.

De nordestino sertanejo a engenheiro paulistano

O condeubense Sr. Felipe de Souza Ormundo, aos 92 anos de idade
De nordestino sertanejo a engenheiro paulistano

Nana Caymmi morreu, aos 84 anos, no Rio de Janeiro

Por Jornal Nacional

Morreu, aos 84 anos, a cantora Dinahir Tostes Caymmi (Nana Caymmi)
Morreu, aos 84 anos, a cantora Nana Caymmi. Ela estava internada no Rio de Janeiro desde agosto de 2024 para tratar de uma arritmia cardíaca.

O dom para música veio de sangue. Dinahir Tostes Caymmi nasceu e foi criada cercada por melodias. A mãe era a cantora Stella Maris. O pai, o cantor e compositor Dorival Caymmi, um dos mais importantes da música brasileira. No banco da escola, sabe o que Nana fazia? Cantava.

A primeira canção que Nana gravou foi um dueto com o pai para um disco dele. Dorival tinha escrito “Acalanto” quando ela ainda era um bebê. Uma canção de ninar.

“Eu estava mais preocupada em não desmaiar ali: ‘Meu Deus do céu, eu tenho que ser dura’, do que preocupada se eu estava sendo vaiada, essas coisas. Agora, eu achei chiquérrimo depois quando eu vi o tape. Mas dói. De repente, dói”, disse Nana Caymmi.

Nana Caymmi morre, aos 84 anos, no Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Nana Caymmi morreu, aos 84 anos, no Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/Reprodução

Um ano depois, Nana foi morar com Gilberto Gil. Eles ficaram juntos até 1969, quando Gil foi viver na Inglaterra, exilado pelo regime militar.

Nana Caymmi nunca acompanhou modismos. Sempre apostou na beleza e na emoção. E cantou o que há de melhor. Obras de grandes compositores: Aldir Blanc, Braguinha, Tom e Vinícius, Milton Nascimento e Roberto Carlos. No repertório dos Caymmi, ela sobrava com o seu timbre único. E a dramaticidade nas interpretações das canções de amor.

Em 1991, um encontro que ficou para história. No Rio Show Festival, Nana, o irmão Danilo, o pai Dorival Caymmi e Tom Jobim se apresentaram juntos no palco pela primeira vez. Em 2004, ela e os irmãos cariocas receberam o título de cidadãos baianos.

“É uma honraria, e eu fiquei o tempo todo pensando no meu pai e na minha mãe e não tem jeito, não tem condição de falar nada”, conta a cantora.

E retribuíram a homenagem cantando uma música do pai.

A voz de Nana Caymmi fez parte da trilha sonora de muitas novelas e minisséries da Globo. E ela mesma fez participações especiais cantando. O último álbum foi lançado em 2020, durante a pandemia, só com canções escritas por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Mas para quem gosta de boa música, essa voz não tem prazo de validade. Nana Caymmi vai ser eterna.

Dori Caymmi e Nana Caymmi — Foto: Lívio Campos/Divulgação

Filme gravado em Brumado estreia nos cinemas nesta quinta (1º)

Filme gravado em Brumado estreia nos cinemas nesta quinta (1º)
Foto – Divulgação / Umbuzeiro Filmes
Estreia nesta quinta-feira (1º), no Centerplex Cinema , em Vitória da Conquista, e na Sala de Arte – CineMAM, em Salvador, o filme O Silêncio das Palmas, do cineasta brumadense Vinicius Pessoa. O lançamento integra a programação do 3º REC Conquista , projeto que celebra e difunde o cinema produzido fora dos grandes centros.
Distribuído pela Umbuzeiro Filmes e produzido pelaRetratos Filmes em coprodução com a Ato3 , duas produtoras de cinema da região Sudoeste da Bahia, o longa-metragem acompanha o cotidiano de uma família circense que precisou se reinventar para sobreviver ao período de isolamento social provocado pela pandemia de covid-19. 
Circo, memória e reinvenção – Gravado no município de Brumado, o documentário parte do encontro do diretor com um circo que precisou interromper seus espetáculos. Sem público, sem renda e sem previsão de retorno, os artistas passaram a vender ovos de porta em porta para manter o sustento da família.
As filmagens foram feitas em duas etapas e registram, ao longo do tempo, as mudanças no espaço e nas relações vividas sob a lona. “Encontrei um circo parado e uma história viva pedindo para ser contada”, afirma Vinícius. 
Confira o trailer. Mais do que um registro sobre o impacto da pandemia no setor cultural, O Silêncio das Palmas se debruça sobre a experiência de quem faz do circo não apenas um ofício, mas um modo de vida. É o primeiro longa documental de Vinícius Pessoa, que assina o roteiro, montagem e direção.
Com o filme, o cineasta, que também é cofundador da Retratos Filmes, faz sua estreia no circuito comercial de cinema. Sua filmografia conta ainda com obras como Passarinho (2020) e Retratos de um Adeus (2021). Também fiz o longa ficcional Ambrosia: o Manjar dos Deuses (2024), gravado no ano passado.

FLICON: Encontro preparatório para a Produção do livro da Comunidade Quilombo do Tamboril.

Por: Genis Ribeiro

Alunos do nono ano do Colégio Municipal Antônio Terêncio participaram na Comunidade Remanescente de Quilombo do Tamboril do encontro preparatório para a  produção do primeiro livro da comunidade, nesta segunda- feira (14/04/25).

O ato de ler pode ser um gesto simples, mas que quando praticado eleva o conhecimento do indivíduo, molda sua cultura e porque não dizer que isto pode transformar sua vida. A professora, escritora e mentora da Primeira Feira Literária Itinerante de Condeúba que terá como tema Quilombo Versos Resistência Transmissão de Sabres Regiane David começa o encontro destacando que o evento tem o apoio do Programa Bahia Literária, Secretária de Cultura, Secretária de Educação, Governo do Estado da Bahia através da Fundação Pedro Calmon. Regiane destaca a importância de envolver a comunidade no projeto e a participação do poder público para a realização do evento.

Moradores que foram entrevistados: Tertulina, Luciano Pereira, Clemente Pereira, Selvina Francisca, Manoel Pereira e o Sr. Minelvino da Paz.

O professor Valdenor Pereira narra com emoção o surgimento da Comunidade Remanescente de Quilombo do Tamboril e enaltece o papel importante daqueles que o antecederam realizando pequenas celebrações que começaram embaixo de árvore e em seguida as celebrações passaram acontecer em prédio escolar na comunidade. “Tenho o prazer de estar aqui com pessoas mais velhas do que eu porque o conhecimento que adquirir também tem a participação deles”, narra Valdenor.

Valdenor Pereira elenca algumas pessoas importante que contribuíram para a formação da comunidade no qual ele destaca in memoria Arlindo Brito Agente Comunitário de Saúde, Manuel Coelho membro importante na formação da comunidade como igreja e ainda em vida Manoel Pereira professor atuante durante muito tempo na comunidade e pai do atual vice-prefeito de Condeúba Carlito Pereira.

O vice-prefeito de Condeúba Carlito Pereira destaca importância da inserção dos jovens  das atividades realizadas na comunidade. “A gente precisa muito dos jovens e é um desafio da comunidade trazê-los para os discursões, através das cotas quilombolas já estamos conseguindo capacitar nossos jovens que não sai somente para trabalhar nos grandes centros, mas também para estudar”, destaca o Vice-prefeito.

O Vice-prefeito que também é morador da Comunidade Remanescente de Quilombo do Tamboril narrou para os alunos e convidados presentes no evento o processo de transformação da comunidade em Remanescente de Quilombola, o Vice-prefeito conta que um dos primeiros desafios deste processo foi convencer a comunidade a se aceitar como Remanescente Quilombo, passado estes processos começaram os trabalhos com assinaturas das atas e a partir daí foi feito o resgates da história da comunidade com os moradores mais velhos, terminado o levamento a Fundação Palmares ligada ao Governo Federal reconheceu a comunidade como Remanescente de Quilombo.

Uma questão levantada durante o encontro preparatório para a feira literária foi a dificuldade do reconhecimento de alunos quilombolas visto que para que haja este reconhecimento a escola precisa estar inserida dentro da comunidade Remanescente de Quilombo, o último censo apresentou um número menor alunos devido a esta exigência o que faz com que o município receba menos recursos dificultando a melhoria da educação dos alunos e outra preocupação é a transformação da comunidade em Remanescente de Quilombola, o Vice-prefeito conta que um dos primeiros desafios deste processo foi convencer a comunidade a se aceitar como Remanescente Quilombo, passado estes processos começaram os trabalhos com assinaturas das atas e a partir daí foi feito o resgates da história da comunidade com os moradores mais velhos, terminado o levamento a Fundação Palmares ligada ao Governo Federal reconheceu a comunidade como Remanescente de Quilombo. 

Durante o encontro a professora Marli Pereira relata sobre o desafio da utilização das novas tecnologias destacando o bom uso desta ferramenta. “Na sala de aula eu como professora sempre oriento que eles façam as atividades que precisam do celular em casa, mas também falo para eles da importância do uso das tecnologias, o segredo é saber usar nos momentos certos, precisamos saber como usar”, relata a professora. Com realização do evento ficou evidente o papel importante da leitura na vida das pessoas e registrar as histórias contadas pelos membros da comunidade é uma forma de preservar para as gerações futuras suas lutas e desafios para que assim possamos dar
continuidade o legado deixado por eles.

Foi um encontro recheado de conhecimento e troca de saberes, com relatos dos moradores da comunidade.

Fotos: Ass. Quilombo

Massicas, 50 Anos: uma história construída com muita fé e compromisso. Só temos que agradecer a Deus e aos nossos seguidores.

Nós entendemos que a marca Massicas está profundamente enraizada, principalmente junto à população de Vitória da Conquista. Mas é bom lembrar que, em Ilhéus, Itabuna, Itapetinga e em tantas outras cidades do sudoeste baiano, todos conhecem o nosso trabalho — até porque atuamos com força nesses lugares.

O Massicas tem uma dimensão que transcende os limites do nosso município. Estamos inseridos em um contexto muito maior. Temos cidades espalhadas por todo o Brasil onde realizamos eventos — a exemplo de Montes Claros (MG), Goiânia (GO), e tantos outros lugares por onde já levamos alegria, cultura e entretenimento.

Em Montes Claros, por exemplo, realizamos um Massicas Indoor, e confesso: nunca tive a intenção de abraçar o mundo.

O que eu sempre quis foi ficar aqui, aconchegado, ao lado dos nossos conterrâneos, dos nossos amigos, especialmente de Vitória da Conquista, que vestiu — literalmente — a camisa do Massicas.

Mas é importante lembrar que o que deu origem ao Massicas não foi exatamente o carnaval, nem a micareta. Foi o esporte. Foi a cultura.

Começamos peregrinando por essa cidade, fazendo quase uma via-crúcis — mas que de sofrimento não teve nada. Foi uma saga linda. De escola em escola, de colégio em colégio, depois nas faculdades, plantando e disseminando a prática esportiva e o amor pela cultura.

Fomos campeões baianos de vôlei de praia em 1984 — um feito inédito. O Massicas participou de inúmeros campeonatos em diversas modalidades: vôlei, basquete, handebol, futebol feminino, atletismo… Tudo isso fez parte da nossa história.

Lembro bem do dia em que estávamos ali sentados na praça da Escola Normal: eu, Luciano Paredão, Jorge Pithon, Juarez Flores e Marcos Menezes (de saudosa memória).

Ali eu disse: “O Massicas está criado.” E criamos.

Criamos algo que se transformou em uma entidade respeitada, que chega aos 50 anos de vida com o mesmo compromisso de sempre:

Levar lazer, cultura e esporte para a juventude, e fazer com que a cidade usufrua de tudo isso que construímos juntos.

Meio século de história.

De compromisso.

De seriedade.

E, acima de tudo, de gratidão.

Tudo o que conseguimos até hoje foi porque vocês nos deram as mãos — você, Vitória da Conquista, Ilhéus, Itabuna, Jequié, Guanambi.

Subimos também a ladeira de Rio de Contas, onde realizamos o nosso inesquecível Massicas Indoor.

Muito grato. Que Deus nos abençoe. E que venham mais 50 anos pela frente.

Temos um time capaz de fazer tudo acontecer de novo — e ainda mais.

Fonte: blogdoagitogeral/massinha

A cidade de Condeúba será palco da 1ª Feira Literária Itinerante de Condeúba – FLICON

POR Genis Ribeiro

Uma Feira Literária Itinerante Inovadora!

Prepare-se para vivenciar um evento literário único! A cidade de Condeúba será palco da 1ª Feira Literária Itinerante de Condeúba (FLICON), idealizada e organizada pela agente cultural Regiane David.

Com uma abordagem diferenciada, a FLICON levará a magia dos livros e a riqueza da cultura diretamente às comunidades quilombolas e escolas do campo do município. Esta primeira edição, sob o tema “Quilombo Versos e Resistência – Transmissão de Saberes”.

Terá seu grande início na Comunidade Quilombo do Tamboril. Este local histórico e culturalmente vibrante sediará a abertura do evento, marcando também o lançamento do livro da comunidade, um projeto especial contemplado pela feira. “Eu estou muito feliz de ter sido a idealizadora deste projeto e poder realizar a primeira feira literária itinerante em minha cidade,” expressa Regiane David, a mentora da FLICON.

A jornada literária da FLICON seguirá para o Distrito de Alegre, onde em parceria com as escolas locais, promoverá um encontro enriquecedor entre estudantes, literatura, arte e cultura. O grandioso encerramento da feira acontecerá na cidade sede de Condeúba, com dois dias de intensa programação. Prepare-se para palestras inspiradoras, oficinas criativas, rodas de conversa estimulantes, uma diversificada feira do artesanato e do livro com a participação de editoras baianas como a Editora UESB e outras parceiras, a presença de escritores locais e regionais, exposições de artesanato autêntico, apresentações de danças contagiantes e diversas atrações culturais. A FLICON conta com a parceria da Prefeitura de Condeúba, através do Prefeito Micael Silveira e suas secretarias; das secretarias de Educação e Cultura das prefeituras de Mortugaba e Cordeiros.

“Este importante evento é realizado com o valioso apoio do Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N° 01/2024), através do Programa Bahia Literária. Esta iniciativa conta com o financiamento do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Educação e da Secretaria de Cultura, com o suporte da Fundação Pedro Calmon. A FLICON é mais que uma feira, é uma celebração da literatura que percorrerá Condeúba, levando a magia dos livros e a riqueza das palavras a diversos públicos e espaços da cidade. Fique ligado para descobrir todas as novidades e prepare-se para fazer parte desta jornada literária!”

“Da Bahia pro Mundo…”

O escritor e poeta Edson Silveira terá honrosa participação em uma Antologia Bilíngue, representando o Sudoeste Baiano.

ANTOLOGIA BARDOS BAIANOS: TERRITÓRIOS EM PALAVRA
Obra reúne 150 poetas dos 27 territórios de identidade da Bahia em edição bilíngue
Será lançado pela Cogito Editora a Antologia Bardos Baianos: Territórios em Palavra (Edição Especial), um projeto inédito que reúne 150 poetas dos 27 territórios de identidade da Bahia em uma coletânea bilíngue (Português–Francês), com lançamento previsto para maio de 2025. Com 320 páginas, a obra celebra a força e a diversidade da produção poética baiana, promovendo a circulação da literatura do estado no Brasil e também no exterior, especialmente na França, como parte das ações do Ano da França no Brasil.
Organizada pelo jornalista e editor Ivan de Almeida, a antologia é fruto da consolidada Coleção Bardos Baianos, que há anos vem reunindo e revelando talentos literários dos quatro cantos do estado. Nesta edição especial, cada poema recebeu cuidadosa tradução para o francês, ampliando as fronteiras da poesia produzida na Bahia.
Do território de identidade Sudoeste Baiano, oito poetas integram a publicação: Edson Silveira, Noi Soul, Queith Rebouças, Regina Chaves, Renata Soares, Simone Soares, Ualy Matos e Ybeane Campos. Seus versos ampliam o mosaico poético da antologia, representando com vigor e beleza a produção literária do sudoeste da Bahia.
A obra terá ampla circulação em feiras literárias, espaços culturais e eventos internacionais, fortalecendo os laços entre a literatura baiana e o mundo.

SEMANA DOS POVOS INDÍGINAS / “O grito de Diôra: Vozes indígenas que a história tentou calar”

POR Silvia Marques, Assistente Social

O testemunho de uma bisneta traz à tona a trajetória de uma indígena Aimoré marcada por violência, deslocamento e resistência no sertão baiano.

A história da bisavó Diôra, registrada oficialmente como Agda Maria de Jesus, é um poderoso testemunho das violências sofridas pelos povos indígenas — especialmente as mulheres — ao longo da história do Brasil. Seu percurso de vida carrega marcas profundas de apagamento, deslocamento forçado e imposições culturais, mas também ecoa a força e a resistência de um povo que sobreviveu apesar de todas as tentativas de erradicação.

A narrativa começa ainda no século XVI, quando os Aimorés, também conhecidos como Botocudos, foram expulsos do Sul da Bahia por ordem do então governador-geral do Brasil, Mem de Sá (1550-1570). A região de Ilhéus foi palco de perseguições brutais, incluindo massacres noturnos e incêndios em aldeias, promovidos para consolidar o avanço da colonização sobre os territórios indígenas.

Esse evento marcou o início de um processo traumático de migração, em que os sobreviventes buscaram abrigo em áreas mais interiores, como o sertão da Bahia. A história da indígena Diôra é resultado direto desse deslocamento. Ela nasceu no final do século XIX, já na região do Rio Gavião, na Fazenda Lagoa da Volta, no atual município de Piripá, indicando que sua família conseguiu, com dificuldade, reconstruir um lar após séculos de perseguição.

Contudo, a violência não cessou. Diôra foi capturada ainda criança, por volta dos 6 anos, durante uma ação brutal organizada pela família de José Marques de Oliveira. Ela foi caçada com cavalos e cães até ser separada de seus pais, que, dias depois, retornaram e submeteram-se aos captores apenas para permanecer próximos da filha. A captura violenta e a separação familiar causaram feridas profundas, refletindo o ciclo contínuo de violência física e emocional vivido pelos indígenas.

Um dos aspectos mais dolorosos dessa história é o apagamento da identidade de Diôra. Seu nome indígena foi substituído por um nome cristão, Agda Maria de Jesus, e ela foi forçada a se casar com Isidório Marques de Oliveira, sendo inserida em uma nova dinâmica social e cultural que não escolheu. Mesmo nesse ambiente hostil, marcado por violência doméstica, Diôra sobreviveu. Teve 11 filhos — 5 mulheres e 6 homens — e formou uma grande família, deixando inúmeros descendentes. Faleceu em 4 de janeiro de 1952.

Diôra representa mais do que uma trajetória individual. Ela simboliza a luta silenciosa de muitas mulheres indígenas cuja história foi apagada ou distorcida pelos registros oficiais. Compartilhar sua história é um ato de resistência e de justiça histórica — uma tentativa de honrar a memória dos povos originários e trazer à tona as feridas ainda abertas da colonização.

Este relato não é apenas uma homenagem pessoal à bisavó Diôra. É também um apelo por memória, reparação e reconhecimento das injustiças históricas cometidas contra os povos indígenas do Brasil.

Silvia Marques, Assistente Social – Especialista em Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Cordeiros-Bahia.