PT oficializa Lula como candidato à Presidência em busca do 4º mandato, com promessas para mulheres, idosos e militares

  • PT oficializou neste domingo (2) a candidatura de Lula à reeleição; o presidente busca seu quarto mandato.

  • O evento realizado em São Paulo confirma Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a chapa de 2022.

  • Para a disputa de 2026, a chapa Lula/Alckmin terá o apoio de PSB, PDT e das federações compostas pelo PT, com PV e PCdoB, além de PSOL e Rede.

  • As convenções partidárias ocorrem até 5 de agosto. O registro de candidaturas vai até 15 de agosto e a campanha começa no dia seguinte.

Lula e Janja na convenção do PT — Foto: Arthur Stabile/g1
Lula e Janja na convenção do PT — Foto: Arthur Stabile/g1

O Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo (2) a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, em convenção partidária realizada em São Paulo. Lula busca seu quarto mandato e terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a chapa eleita em 2022.

“Eu peço desculpas pelos erros que eu cometi, peço desculpas pelas coisas que eu não fiz, mas eu quero dizer para vocês que o nosso governo está dando a vocês armas, argumentos que vocês nunca tiveram na história desse país. Vocês têm um governo que entregou mais do que prometeu e que vai entregar muito mais. Só depende de vocês”, disse Lula em discurso para militantes reunidos em convenção no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo. Havia representantes de PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede, aliados do PT na eleição presidencial.

No discurso de mais de uma hora, Lula anunciou cinco compromissos em um eventual quarto mandato:

  • “Resolver definitivamente o papel da educação”;
  • criar um programa para idosos;
  • fortalecer a indústria militar;
  • manter a riqueza das terras raras “para os brasileiros”;
  • programas para a transição energética.

Sobre a educação, Lula disse que é um dos motivos de ser candidato pela quarta vez: “Sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação no país”, disse.

Já a respeito dos idosos, o presidente afimou que a meta é criar um programa voltado a esse público.

“Nossa população envelheceu e nem sempre o filho que ela pariu cuida dela como ela cuidava dele. Nós precisamos criar um programa pro idoso. Mas não para ele ficar em um canto parado, é pra ele até namorar se encontrar uma parceira”, afirmou.

Se reeleito, segundo Lula, um dos novos focos será o investimento na indústia da defesa.

“Quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que se preocupar com a defesa. Quero estar preparado para que ninguem invada esse país para levar o presidente, para ninguem ousar se fazer de besta conosco. Precisamos investir na indústria da defesa”, disse.

Nesse momento, Lula citou Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, capturado pelos Estados Unidos em janeiro.

Sobre as terras raras, o petista afirmou que a propriedade é do povo brasileiro. “Vou levar a sério esse negócio de terras raras e minerais críticos. Isso é patrimônio do povo brasileiro e quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras”, afirmou.

Já sobre a transição energética, Lula voltou a defender a soberania: “O Brasil tem que aprender que nós não somos inferiores a ninguém. Isso é complexo de quem não acredita em si próprio”.

Ele disse que só vai divulgar o programa de governo a partir do dia 16, quando a campanha começa oficialmente.

Além dos compromissos, Lula reforçou o combate à violência contra a mulher, afirmou que, aos 80 anos, está em plenas condições físicas para disputar a reeleição, e disse que, se ganhar, “não vai disputar o penta”. 

“No quarto mandato, eu não quero Lulinha paz e amor, quero Lulinha porreta.”

“Agrora que temos o básico garantido é a hora de dar um salto.”

“Nós vamos para uma campanha em que qualquer assunto, em qualquer estado, com qualquer governador, vocês podem ter orgulho de defender o que o governo federal fez naquele estado.”

“Fizemos tudo? Não. Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar o dia que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher.”

“Por isso, eu quero dizer a todo mundo não fique preocupado com pesquisa. Nem se tiver bom e nem se não tiver bom. A guerra não começou o campeonato não começou.”

“Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós iguais.”

“Minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. Vai ter briga com emenda parlamentar.”

“Eu tô inteiraço.”

“Quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente. Para ninguém ousar se fazer de besta conosco. Precisamos investir na indústria da defesa.”

“Eu sei que muitas vezes vocês ficaram frustrados comigo em alguma coisa. Eu sei que nem sempre eu pude entregar tudo do jeito que vocês queriam.”

“Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras.”

“Não quero mais ser o Lulinha paz e amor. Quero ser o Lulinha porreta.”

“O traste prometeu Casa verde e amarela e não fez.”

Sem mulher escalada para falar, Lula chama Janja

Numa cerimônia que anunciou propostas, ressaltou medidas implementadas durante o terceiro mandato e destacou o papel das mulheres na sociedade, Lula passou por um constrangimento antes de discursar.

“Uma crítica a mim. Não é possível que a gente tenha esquecido de, no principal evento da nossa campanha, não ter colocado uma mulher para falar”, afirmou Lula. Em seguida, o presidente disse que a primeira-dama Janja da Silva não estava escalada para discursar e passou a palavra para ela. “É difícil porque a gente precisa estar todo dia se reafirmando, né, mulherada?”, disse Janja (saiba mais).

Antes de Lula, falaram Edinho Silva, presidente do PT, e Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT.

“O Brasil terá que fazer uma escolha de que legado vamos deixar, que Brasil vamos construir”, disse Edinho Silva, ao anunciar a oficialização da candidatura de Lula na convenção.

Fernando Haddad defendeu a reeleição de Lula. “O Brasil precisa de um marujo confiável, experiente, que saiba acionar as ferramentas necessárias para proteger a soberania do Brasil. Lula é motivo de inveja no mundo. Só que o Lula é brasileiro.”

O evento começou de manhã com uma entrevista com a deputada federal Benedita da Silva (PT). Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo; Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo; Aloizio Mercadante, ex-senador pelo PT; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; e o senador Rogério Carvalho (PT) também estavam presentes na convenção.

Lula 'quebra protocolo' e convida Janja para discursar em convenção nacional do PT
Lula e Janja na convenção do PT — Foto: Arthur Stabile/g1
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