Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, o gestor justificou que não pode suspender o evento, tendo em vista se tratar de uma festa tradicional, realizada há décadas no município. “Desde que eu tinha 12 anos, já brincava no Carnaval de Caraguataí. Tenho 74 anos”, afirmou.
Ele garantiu que a celebração dispõe de toda estrutura física e de segurança necessárias para sua realização. Além do efetivo da Polícia Militar presente na festa, três guarnições do Corpo de Bombeiros estão a postos para atendimento de qualquer eventualidade.
Ademais, Luz se comprometeu a promover todas as adequações pertinentes para que a tradição seja mantida nos próximos anos. Apesar do descumprimento da recomendação, o prefeito foi orientado pela assessoria jurídica do município a manter o evento. “É uma recomendação e não uma ordem judicial”, esclareceu. O Carnaval do Distrito de Caraguataí tem transcorrido com tranquilidade e sucesso de público.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) esteve em Brumado nesta segunda-feira (16) de carnaval para realizar importantes entregas e prestigiar o resgate da folia na cidade. Em coletiva de imprensa, ele falou sobre a potência das festas de carnaval do interior e o apoio do Governo do Estado para impulsionamento da tradição cultural em 160 municípios baianos.
Rodrigues disse que faz questão de estar presente no município nesse momento ímpar de retorno da folia. Ao lado do prefeito Fabrício Abrantes (Avante), da primeira-dama Abiara Dias e de diversas autoridades, o governador destacou que o resgate dessa importante festa popular na cidade é fundamental para fomentar a cultura e o lazer. “É, antes de tudo, um momento de elevar a autoestima para que as pessoas possam também aqui em Brumado ver a oportunidade de o carnaval acontecendo”, declarou.
Foto: Lay Amorim
Com a promoção do evento, Jerônimo apontou que milhares de turistas são atraídos para o município e a Economia local é movimentada, com grande retorno financeiro em diversos segmentos.
Durante a agenda oficial, o governador também entregou inúmeros equipamentos de Saúde para aparelhamento da área no município. Além disso, foi inaugurado o Núcleo Regional de Saúde em Brumado.
Rodrigues explicou que a unidade representa a secretaria estadual de saúde na região. “Esse núcleo serve para administrar a Política de saúde regional e também para realizar atendimentos”, detalhou.
Foto: Lay Amorim
Como município polo na região, ele defendeu que Brumado necessitava do equipamento para ampliar a assistência à Saúde para população regional.
Por fim, o governador elogiou a postura do prefeito diante do planejamento do Carnaval 2026 em Brumado. “Reconheço a grandeza e a coragem do prefeito Fabrício”, concluiu.
Um vereador de Cabaceiras do Paraguaçu, no interior da Bahia, foi preso no domingo (15), suspeito de envolvimento em homicídios e de chefiar uma facção criminosa. Segundo a Polícia Civil, no momento da prisão, ele tentou fugir pelo telhado de um imóvel no bairro do Imbuí, em Salvador. As informações são do G1.
O parlamentar, conhecido como “Nem Nem de Augusto”, de 37 anos, estava foragido desde dezembro do ano passado. Ele foi localizado após trabalho de inteligência apontar que estaria na capital baiana na companhia de amigos e familiares durante o período de carnaval. A ordem judicial não teve relação com a festa.
No momento da abordagem, o vereador tentou escapar pelo telhado do imóvel, mas foi alcançado pelos policiais. De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como autor de pelo menos dois homicídios, além de suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e de chefiar a facção criminosa conhecida como “BDM” na região.
O vereador é suspeito de participação no homicídio de Josevaldo da Conceição, no dia 17 de setembro de 2025, no povoado de Quixabeira, zona rural de Governador Mangabeira. A vítima foi encontrada às margens de uma estrada vicinal, ao lado da motocicleta, com lesões na região da cabeça.
Foto: Reprodução/G1
Durante o cumprimento do mandado, outras pessoas que estavam no imóvel foram conduzidas à delegacia. Uma delas danificou o próprio celular no momento da intervenção, o que será apurado separadamente.
Um outro suspeito, que não teve o nome divulgado, tem histórico criminal por crimes patrimoniais, com registros por apropriação indébita de veículos e antecedentes por estelionato, informou a polícia.
Com o grupo, foram apreendidos quatro veículos, além de uma porção de maconha, aparelhos celulares, comprovantes de depósitos em dinheiro, passaportes internacionais e outros documentos.
A prisão foi realizada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), por meio da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Feira de Santana, em ação conjunta com a Companhia Independente de Policiamento Especializado Leste (Cipe Leste), da Polícia Militar.
O vereador permaneceu à disposição da Justiça nesta segunda-feira (16).
O prefeito de Brumado, Fabrício Abrantes, o vice-prefeito Dr. Marlucinho Abreu, vereadores e demais autoridades municipais recepcionaram nesta segunda-feira (16) o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que está no município para prestigiar o Carnaval e cumprir agenda institucional.
A visita integrou a programação do chefe do Executivo estadual no interior durante o período carnavalesco, com foco em entregas e no fortalecimento das manifestações culturais. Em Brumado, além de acompanhar a festa, o governador destacou o compromisso do Estado com o desenvolvimento regional.
“Direto de Brumado para uma agenda importante de entregas e de valorização do Carnaval no interior. Seguimos fortalecendo os municípios, apoiando a cultura local e garantindo que a festa aconteça com organização, segurança e geração de renda para o nosso povo”, afirmou Jerônimo Rodrigues.
A presença do governador reforçou a parceria entre o Governo do Estado e a gestão municipal, evidenciando o apoio às ações estruturais e culturais realizadas durante o CarnaBrumas 2026.
Em meio aos mais diversos tipos de violência contra a mulher registrados todos os dias no Brasil, um caso no interior de Goiás trouxe à tona uma modalidade pouco conhecida ou, pelo menos, pouco comentada: a chamada violência vicária, que ocorre quando um homem machuca ou mata pessoas íntimas de uma mulher com o objetivo de puni-la ou de atingi-la psicologicamente.
Na última quarta-feira (11), o secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência onde morava e, em seguida, tirou a própria vida. Um dos meninos, de 12 anos, morreu antes que pudesse ser socorrido. O irmão mais novo, de 8 anos, foi levado ao hospital em estado gravíssimo, mas morreu horas depois.
Em entrevista à Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, descreveu o conceito de violência vicária como uma situação em que o agressor ofende e cria situações de dor e até morte para atingir pessoas que têm relação de afeto com a vítima, principalmente filhos, mas também mães e mesmo animais de estimação.
“Na maioria das vezes, são utilizados crianças e adolescentes, filhos daquela mãe, porque são o maior vínculo afetivo que ela tem. Para poder penalizar a mãe – que foi exatamente o caso em Itumbiara, em que o pai matou os dois filhos para atingir a mãe. É como se ela recebesse a maior penalidade que uma pessoa pode receber, que é ter um filho executado”, explicou.
Estela lembrou que, no caso de Itumbiara e na grande maioria dos demais casos, o agressor constrói ainda uma narrativa em que se coloca como vítima e responsabiliza a companheira pelo ocorrido. Antes de atirar contra si mesmo, Thales Machado postou, nas redes socias, uma carta em que cita uma suposta traição por parte da esposa e uma crise conjugal.
“Ele executa os filhos e constrói, antes de morrer, por meio de narrativas, a responsabilização da esposa. E ainda coloca sobre ela a responsabilidade da morte, da execução que ele cometeu, porque estava sendo rejeitado e o relacionamento amoroso já não correspondia ao que ela desejava para a vida dela”, detalhou a secretária.
“O mais grave dessa situação é que há manipulação. O assassino e também suicida construiu uma narrativa para culpabilizar a vítima que, neste caso, é a mulher. Ela teve os filhos assassinados, teve a imagem dela e a história dela expostas e a responsabilidade, na tragédia, pela narrativa social e pelo machismo, sobrecai nela”, disse. “Esse tipo de violência tenta penalizar a mulher e responsabilizá-la pelo crime cometido. E o crime cometido é escolha de quem mata. Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher”, completou.
Secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, diz que na violência vicária agressor constrói ainda narrativa em que se coloca como vítima – Foto Ministério das Mulheres
Segundo Estela, casos de violência vicária são muito comuns no Brasil, mas pouco falados.
“Esse tipo de violência é sistemático, acontece no dia a dia. Vai de situações sutis até situações mais explícitas, como essa em que o homem executa os próprios filhos”.
Ela citou outro caso recente de violência vicária registrado no país, em que um servidor da Controladoria-Geral da União (CGU) agride o filho e a ex-companheira.
“Na cena em que vemos um servidor da CGU atacar uma criança e a mulher, ele ataca primeiro a criança. A mulher tenta proteger a criança e ele ataca também a mulher. Ele bate na criança e na mulher. Quando a mulher se livra, ele ataca a criança novamente. Então, atacar o filho, a mãe e até os animais domésticos ou maltratá-los é uma coisa cotidiana, que acontece em situações de violência doméstica.”
“Há uma cultura muito machista presente no Brasil e no mundo. Há uma assimetria de gênero muito forte, potencializada em várias áreas, na representação política, na economia, onde mulheres recebem menos do que homens, mesmo sendo mais qualificadas. E a maior expressão dessa assimetria se dá no instrumento de violência, um instrumento de manutenção da mulher num lugar de subalternidade, de medo, que não permite a liberdade”, completou.
Sociedade civil
Ao comentar o caso em Itumbiara, o Instituto Maria da Penha, organização não governamental (ONG) que atua no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres, confirmou que casos de violência vicária não são exceção. “É uma forma de violência de gênero que atinge mulheres por meio de crianças e adolescentes. Quando filhos e filhas são usados como instrumentos de controle, punição ou chantagem”.
“Não estamos falando de conflito familiar. Estamos falando de violência. E de violação grave de direitos humanos. Por muito tempo, essa prática foi naturalizada, invisibilizada ou tratada como disputa privada. O resultado é o sofrimento silencioso de mulheres e o impacto profundo no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.”
Para a ONG, avançar no debate é fundamental. “O Brasil reconheceu oficialmente [por meio de resolução conjunta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher] a violência vicária como violência de gênero e estabeleceu diretrizes para a atuação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, reforçando a necessidade de prevenção, proteção e resposta interinstitucional”.
“Nomear a violência é o primeiro passo para enfrentá-la. Informação de qualidade também é uma forma de proteção. O Instituto Maria da Penha atua para fortalecer políticas públicas, qualificar o debate e contribuir para que nenhuma forma de violência seja tratada como invisível. A informação precisa circular para proteger vínculos, infâncias e direitos.”
A entidade alerta para as seguintes formas em que a violência vicária pode se manifestar:
– ameaças envolvendo os filhos;
– afastamento forçado da convivência;
– manipulação emocional;
– falsas acusações;
– sequestro ou retenção ilegal de crianças.
Defensoria pública
Ao se posicionar sobre o caso em Itumbiara, a Defensoria Pública Estadual de Goiás (DPE-GO) publicou nota em que reforça que atos de abuso, violência e feminicídio são crimes e que a prática de ferir os filhos para atingir a mãe tem nome: violência vicária. “Ela não tem culpa. Ponto final”.
“Em novembro de 2024, a DPE-GO promoveu a campanha Ela Não tem Culpa – 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, em que buscou refletir sobre a constante culpabilização e julgamento das mulheres, mesmo quando elas são vítimas”, destacou o órgão.
“A DPE-GO reforça que a responsabilidade é sempre de quem comete a violência. Independentemente do comportamento, da roupa ou da voz de quem está do outro lado. E expor a mulher vítima de violência pode configurar crime. Refletir sobre a culpabilização da mulher é o primeiro passo para romper com desigualdades de gênero que perpetuam ciclos de violência.”
Ações para responsabilizar financeiramente condenados por feminicídio por despesas com pensões por morte concedidas pelo INSS estão na mira da Advocacia-Geral da União (AGU).
Os processos com essa finalidade ajuizados pelo órgão federal cresceram oito vezes nos últimos três anos: passaram de 12, em 2023, para 54 em 2024 e, no ano passado, chegaram a 100. São as chamadas ações regressivas por feminicídio.
Caso de Marília
No início deste mês, por exemplo, a 2ª Vara Federal de Marília, em São Paulo, condenou um homem a ressarcir o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelos valores pagos com a pensão por morte em favor da dependente da ex-companheira, falecida em decorrência de crime qualificado como feminicídio praticado por ele.
A filha do casal tinha apenas dois anos de idade na época. O homem foi condenado pelo Tribunal do Júri à pena de 26 anos de reclusão.
Em razão do óbito, o INSS concedeu pensão à criança a partir de setembro de 2021, no valor mensal de R$ 1.518, com estimativa de manutenção até março de 2040. Com a ação regressiva, o homem terá de ressarcir a União pelos valores pagos e os futuros, assumindo o ônus financeiro da concessão do benefício, por ter sido o causador real do dano.
Desenvolvida pela AGU, a tese quer alcançar todos os benefícios previdenciários que forem pagos em decorrência de um feminicídio.
Em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o objetivo é cruzar dados nacionais de condenações com as informações do INSS, como explica Adriana Venturini, procuradora-geral Federal da AGU.
“A ideia é que agora a gente consiga fazer parcerias com todas as 27 unidades da federação através do CNJ. E, com o cruzamento dos dados, a gente possibilite que nenhum pagamento previdenciário decorrente de violência doméstica fique sem uma resposta da AGU no sentido de cobrar do agressor o ressarcimento. Porque não deve ficar a responsabilidade para a sociedade”.
A iniciativa busca ainda evitar que o próprio réu figure como beneficiário da pensão por morte, ressalta a representante da AGU.
“Assim que há condenação por feminicídio, o INSS é comunicado e ele evita que o pagamento seja feito se for em benefício do próprio réu. Se for em benefício do filho menor, o pagamento da pensão acontece automaticamente, porque ele não pode ser revitimizado, mas a gente cobra do causador da morte”.
Atualmente, a experiência está presente em 13 unidades da federação. Somente no ano passado, os processos cobraram 113 pensões por morte, com expectativa de recuperação de R$ 25 milhões aos cofres públicos.
Para Adriana Venturini, essa política não se restringe ao ressarcimento financeiro aos cofres públicos, mas dialoga com iniciativas consolidadas de combate à violência de gênero.
“A ideia é que tenha um impacto preventivo e pedagógico, pensando na perspectiva da cultura de responsabilização integral”.
A AGU prepara o ajuizamento de dezenas de novas ações regressivas por feminicídio para o próximo mês, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher.