Empresários do agro, CACs e comerciantes: veja financiadores dos atos golpistas no DF

Primeiros responsáveis foram identificados no Sul e Centro-Oeste

Primeiros financiadores de atos e acampamentos golpistas começaram a ser identificados, segundo Flávio Dino. Na imagem, o acampamento no QG do Exército em Brasília, um dos maiores do país. (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
Primeiros financiadores de atos e acampamentos golpistas começaram a ser identificados, segundo Flávio Dino. Na imagem, o acampamento no QG do Exército em Brasília, um dos maiores do país. (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
  • Ministro da Justiça diz que foram identificados os primeiros financiadores dos atos golpistas no DF;

  • Segundo Flavio Dino, trata-se de empresários do Sul e Centro-Oeste do país;
  • Eles atuam no comércio local, no agronegócio e são CACs.

Começa a surgir o rastro do dinheiro que mantinha os acampamentos golpistas. O ministro da Justiça, Flavio Dino, disse que as investigações conseguiram identificar os primeiros financiadores dos atos terroristas no Distrito Federal, que aconteceram no último domingo (8) e resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

Os financiadores identificados até agora são todos de grupos que compõem a base de apoio do ex-presidente.

Sem revelar nomes dos empresários suspeitos, Dino afirmou nesta terça-feira (10) que eles são:

  • Empresários do comércio local do DF;
  • Empresários do agronegócio; e
  • CACs (colecionadores de armas, atiradores desportivos e caçadores)

“Nós temos uma investigação em curso, que vai ter vários desdobramentos. Nestes investimentos, já foram identificados os primeiros financiadores, sobretudo aqueles relativos aos ônibus, aqueles que organizaram o transporte, que contrataram os ônibus. Estas pessoas estão todas identificadas”, afirmou Dino.

Os responsáveis por financiarem os atos antidemocráticos eram de origem de regiões em que Bolsonaro venceu Lula na disputa eleitoral:

  • De estados do Sul;
  • De estados do Centro-Oeste.
Flavio Dino detalhou quais são os próximos passos da investigação sobre os financiadores de atos golpistas. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Flavio Dino detalhou quais são os próximos passos da investigação sobre os financiadores de atos golpistas. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
De acordo com o ministro, os próximos passos envolvem indenização pelos danos provocados, abertura de ação penal e descoberta de outros financiadores.

Na segunda-feira, Dino já havia afirmando que foram identificados financiadores de dez estados que bancaram o transporte dos manifestantes para Brasília.

E quem levou os golpistas à Brasília? O nome ‘Ramiro Caminhoneiro’ foi mencionado pelo menos 82 vezes em grupos de aplicativos de mensagens usados por extremistas para organizar as caravanas ao DF.

Nas menções, ‘Ramiro Caminhoneiro’ aparece como organizador das caravanas. Nas mensagens enviadas, um mesmo número de telefone aparece atrelado a pessoa que estaria organizando a ida de diversos grupos para a capital federal.

Os acampamentos golpistas, contudo, já não existem mais. Após os atos de terrorismo e a ordem do STF, bases bolsonaristas no entorno de quartéis foram desmobilizadas em todos os estados.

Acampamentos em Brasília, Rio, São Paulo, Manaus, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre foram aos poucos sendo esvaziados nesta segunda por forças de segurança como a Polícia Militar e o Exército.

Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão entre os estados que cumpriram a determinação de Moraes e desmontaram os acampamentos bolsonaristas.

Rodovias também foram liberadas e refinarias, que estavam na mira de extremistas, funcionaram normalmente após policiais impedirem bloqueios.

Mas outros alvos já foram escolhidos. Três torres de transmissão de energia elétrica caíram, com “indícios de vandalismo e sabotagem”, em diferentes locais do país, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Não houve interrupção no fornecimento de energia. Confira o que já se sabe sobre os ataques às torres de transmissão elétrica.

Após ordem do STF, acampamentos bolsonaristas por todo país foram desmontados e desmobilizados. Os financiadores de atos golpistas identificados até agora são todos de grupos que compõem a base de apoio de Bolsonaro, segundo Flávio Dino. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Após ordem do STF, acampamentos bolsonaristas por todo país foram desmontados e desmobilizados. Os financiadores de atos golpistas identificados até agora são todos de grupos que compõem a base de apoio de Bolsonaro, segundo Flávio Dino. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Moraes quer combate firme ao terrorismo. O ministro do STF criticou os bolsonaristas radicais, na manhã desta terça, que “até domingo faziam badernas e crimes e agora reclamam porque estão presos, querendo que a prisão seja uma colônia de férias” e garantiu o combate firme ao terrorismo.

“As instituições irão punir todos os responsáveis, todos. Aqueles que praticaram os atos, que planejaram os atos, que financiaram os atos e aqueles que incentivaram, por ação ou omissão, porque a democracia irá prevalecer”, declarou.

O magistrado do Supremo também agiu contra os responsáveis pela segurança do DF no dia das invasões. Nesta terça, determinou as prisões do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, e do ex-comandante da Polícia Militar do DF, coronel Fabio Augusto Vieira

O militar era o responsável pelo comando da corporação no domingo (8) quando bolsonaristas atacaram os prédios do Congresso, Palácio do Planalto e do STF. Ele já havia sido afastado do cargo pelo interventor federal Ricardo Cappelli.

Obras de arte foram destruídas, itens roubados e o prejuízo ainda é calculado pelas autoridades. Veja a lista completa de obras destruídas nos ataques. 

Até o fim da segunda (10), pelo 1.500 envolvidos no episódio já haviam sido presos.

Os primeiros nomes dos presos começaram a ser divulgados. O governo do DF publicou, nesta terça (10), uma lista com 277 nomes de pessoas detidas nos atos de vandalismo e encaminhadas a presídios da região.

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