Líder de terreiro de candomblé de 66 anos é retirada do templo pela família após local ser apedrejado: ‘Nunca revidei’

Foto: reprodução

O Terreiro Ilê Abasy de Oiá Gnan, situado em Juazeiro, na região do Vale do São Francisco, na Bahia, foi apedrejado no domingo (26). De acordo com a conselheira Municipal de Promoção da Igualdade (Compir), Ceres Santos, os ataques começaram pela manhã e seguiram até a noite.

Por causa disso, a ialorixá Adelaide Santos, de 66 anos, líder do templo, que funciona há 42 anos no bairro Quidé, precisou ser retirada da casa por familiares, que temiam que os ataques pudessem causar uma crise de hipertensão na idosa.

“Meu genro foi trocar uma lâmpada do lado de fora da casa e percebeu que estavam jogando pedras. Eles continuaram jogando até a madrugada, nas paredes e no telhado. Eu nunca revidei uma pedra. Sempre aguentando tudo aqui dentro, porque eu tenho muita fé em Deus e em minha mãe”, disse a ialorixá, que fechou o terreiro à noite. Segundo ela, as atividades devem ser retormadas na terça-feira (28).

A casa, segundo a representante do Compir, é alvo de apedrejamentos desde 2015, mas as ocorrências se intensificaram a partir de maio deste ano. O caso de domingo foi denunciado às Policias Civil e Militar, ao Ministério Público, às secretarias estaduais de Promoção da lgualdade (Sepromi), da Segurança Pública e ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

Na terça-feira (28), o Compir vai promover uma reunião extraordinária com representantes de terreiros de candomblé de Juazeiro para discutir formas de combate à intolerância religiosa. “Na reunião, vamos discutir a possibilidade de denunciar esses casos em entidades internacionais”, disse Ceres.

Intolerância

Em 2015, o terreiro Ilê Abasy de Oiá Gnan foi arrombado e apedrejado diversas vezes. Em um dos ataques, o telhado da casa ficou destruído. O interior do terreiro também foi vandalizado: nas paredes, foram pintadas cruzes e riscos.

Na ocasião, vândalos também destruíram quadros e fotografias que pertenciam a ialorixá. No ano passado, a casa foi reformada graças à doações de frequentadores e filhos do terreiro.

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