antonio-novais

Homenagem ao Catulo da Paixão Cearense

Por Antônio Torres Novaes

Catulo
Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense “Não há, ó gente, ó não, lugar como este do sertão…” essa a música Luar do Sertão, de 1908, do cancioneiro popular nacional, uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos, desde Vicente Celestino a Chitãozinho e Xororó. Muitos dizem até que a canção é o segundo hino nacional brasileiro! Mas você sabe quem é o autor dessa letra tão bonita que encanta gerações e gerações? CATULO DA PAIXÃO CEARENSE, um poeta, teatrólogo, músico, compositor e cantor brasileiro que nasceu no dia 8 de outubro de 1863 e morreu em 10 de maio de 1946.

É o próprio poeta que explica sua origem: “Escute / Eu sou o Catulo / E Catulo da Paixão / Sou cearense no nome / Mas nasci no Maranhão”. Ao contrário do que parece, CATULO nasceu em São Luís do Maranhão, e não no Ceará; mas ele chegou a morar alguns anos no sertão cearense, tendo passado muitas dificuldades com a família por lá. E foi em 1880 que CATULO se mudou para o Rio de Janeiro, onde passou a maior parte da vida e onde morreu, com 83 anos de idade.

POETA MUITO AMADO
CATULO DA PAIXÃO CEARENSE foi um dos poucos poetas populares no Brasil que, em vida, recebeu todas as honras e uma adoração tão grande do povo. Isso porque ele usou e abusou de toda a sonoridade do sotaque nordestino e soube transmitir, em versos simples, a ingenuidade e a pureza do caboclo. Seus poemas e as letras de suas músicas cativaram a sensibilidade do povo. O famoso escritor modernista Mário de Andrade chegou até a classificar Catulo como “o maior criador de imagens da poesia brasileira”. O famoso poema “O Lenhador”, de Catulo da Paixão Cearense, publicado em 1920, continua super atual. [Vale a pena conhecer]

A VIDA DE CATULO NA CIDADE DO RIO
Quando morou no Rio de Janeiro, Catulo frequentou repúblicas de estudantes e conheceu alguns músicos importantes, como Viriato, Anacleto de Medeiros, Quincas Laranjeiras e Cadete. Eles tocavam principalmente um tipo de música chamada chorinho. Aí, o jovem aprendeu a tocar violão e flauta. Com a morte dos pais no final da década de 1880, teve de trabalhar duro para sobreviver. Ele tinha um físico bem forte e trabalhou até como estivador no porto.

O jovem estudou português, matemática e francês, chegando a traduzir poetas franceses famosos. Depois, Catulo fundou um colégio e passou a dar aulas de línguas. Ele fez muitos amigos na cidade e curtiu bastante a noite boêmia do Rio, fazendo serenatas, recitais, batendo papo e bebendo nos bares.

Um livreiro da cidade o ajudou a editar em folhetos de cordel um grande repertório de músicas como modinhas, lundus e cançonetas da época. Catulo organizou várias coletâneas importantes de música, como O Cantor Fluminense e O Cancioneiro Popular. Depois, publicou suas próprias obras musicais, como Lira dos Salões, Novos Cantares, Lira Brasileira, Canções da Madrugada, Trovas e canções e Choros ao Violão. Também foi Catulo que reintroduziu o violão nos salões da alta sociedade.

E ele deixou também 15 livros de poemas, como Meu Sertão (1918), Alma do Sertão (1928) e Poemas Escolhidos (1944).

VERSOS CANTADOS PELO BRASIL AFORA
O homenageado foi poeta antes de tudo, mas também cantava muito bem os poemas que adaptava à melodia de obras dos mais famosos compositores populares da época, como Chiquinha Gonzaga, Antônio Callado e Pedro Alcântara. Por meio de gravações feitas por Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Cadete e Vicente Celestino, entre outros cantores, as modinhas com seus versos espalharam-se pelo país inteiro. João Pernambuco foi um importantíssimo parceiro de Catulo. Canções da dupla, como Caboca de Caxangá, Ontem ao luar e Luar do sertão se tornaram grandes sucessos no País.

Os versos de Catulo são bem brasileiros, sem nenhuma sofisticação, mas tocam a alma do povo. A inspiração maior para sua obra veio do período da sua infância em que passou no nordeste, com condições de vida muito difíceis.

Não só o povo humilde adorava Catulo, como também vários intelectuais e autoridades nacionais. Em 1914, por exemplo, o então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, convidou Catulo para ir ao palácio do Catete cantar suas modas. Lá, ele foi aplaudido de pé por muita gente poderosa.

ENTERRO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO
Mesmo tendo feito tanto sucesso, Catulo morreu pobre. Em depoimento para a História da MPB, da Editora Abril, seu amigo Carlos Maul contou que o enterro do poeta não foi um fato comum na cidade: — A banda do Corpo de Bombeiros ia tocando a Marcha Fúnebre e atrás da carreta com o corpo ia a massa popular. Quando o corpo chegou ao Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, havia milhares de pessoas. Os discursos de personalidades fizeram com que a cerimônia entrasse pela noite. Uma lua imensa começou a luzir no céu e, espontaneamente, o tenor Alfonso Tirado começou a cantarolar Luar do Sertão. Em pouco tempo, milhares de vozes dominavam a noite”.

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *