PF PRENDE POLÍTICO COM R$ 4,6 MILHÕES NA OPERAÇÃO PRATO FEITO

Em balanço divulgado na noite desta quarta-feira (9), a Polícia Federal (PF) informa que três pessoas foram presas em flagrante durante a Operação Prato Feito, deflagrada hoje e que investiga cinco grupos suspeitos de desviar recursos da União que eram destinados à educação.

Segundo o novo balanço, em dois desses flagrantes, ocorridos na cidade de Mauá, na região metropolitana de São Paulo, foram apreendidos R$ 588.417 e R$ 87 mil. Os nomes dos presos não foram revelados, mas a polícia informou que os valores foram encontrados na casa de agentes políticos de Mauá e que eles foram presos por suspeita de lavagem de dinheiro.

Já em Mongaguá, na Baixada Santista, foram apreendidos R$ 4.613.610 e US$ 216.763,00 em espécie, também na residência de um agente político, igualmente preso por suspeita de lavagem de dinheiro.

Além disso, foram apreendidos R$ 12.250 na casa de um empresário em Mauá, R$ 34.250 na casa de um empresário em Santo André, R$ 30 mil na casa de um empresário em São Paulo e R$ 17 mil na casa de um empresário em Salvador.

A Polícia Federal informou ainda que a operação cumpriu hoje 154 mandados de busca e apreensão, mas que as diligências continuam.

No novo balanço, a PF atualizou a lista de cidades onde houve suspeita de fraudes nos contratos. São estes os municípios: Cubatão; Itaquaquecetuba; Jaguariúna; Leme; Mairinque; Monte Mor; Peruíbe; São Bernardo do Campo; São Paulo; São Sebastião; Tietê; Votorantim; Barueri; Pirassununga; Registro; Holambra; Laranjal Paulista; Cosmópolis; Barueri; Caconde; Embu das Artes; Hortolândia; Mauá; Mogi Guaçu; Mongaguá; Paulínia; Araçatuba e Araras.

Em 20 outros municipíos, foram cumpridos mandados de busca e apreensão: Salvador; Brasília; Curitiba; Águas de Lindóia; Sorocaba; Várzea Paulista; Jundiaí; Mogi Mirim; Santo André; Monte Alto; Guarulhos; Cajati; São Roque; Santo Antonio da Posse; Santos; Peruíbe; Socorro; Francisco Morato; Jaguariúna e Boituva.

Operação Prato Feito
Investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) descobriu que alunos de 30 municípios paulistas receberam merenda de qualidade inferior, devido ao cartel de empresas que atuava há pelo menos 20 anos no desvio de dinheiro público. Segundo a PF, os recursos eram desviados do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do governo federal. No total, a estimativa é que 65 contratos suspeitos tenham envolvido mais de R$ 1,6 bilhão.

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Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC
Prefeito e secretário de Mauá são detidos em operação da PF

O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), e o secretário de Governo e de Transportes da cidade, João Gaspar (PCdoB), foram detidos na Operação Prato Feito, conduzida ontem pela PF (Polícia Federal) e pela CGU (Controladoria-Geral da União), e que apontou fraude em contratos da merenda escolar. Policiais encontraram R$ 87 mil, em espécie, na casa do socialista, enquanto foram descobertos R$ 588,4 mil na residência do comunista. <EM>

Gaspar foi preso logo pela manhã e conduzido à sede da PF em São Paulo, no bairro da Lapa. Vídeos com policiais contando maços de dinheiro vivo na casa do secretário foram divulgados – havia notas em malas e armários. Atila, por sua vez, foi conduzido para a superintendência da PF, onde permaneceu até o fechamento desta edição, na madrugada de hoje.

Segundo a Prefeitura de Mauá, Atila foi à sede da PF voluntariamente, para prestar esclarecimentos sobre os R$ 87 mil encontrados em sua casa. Fontes do Diário, entretanto, disseram que o chefe do Executivo foi detido por não explicar a origem do recurso – na prestação de contas de Atila à Justiça Eleitoral quando ele foi candidato à Prefeitura, em 2016, o socialista declarou ter R$ 5.000 em espécie.

A Operação Prato Feito foi deflagrada em 30 cidades paulistas, envolvendo Mauá e São Bernardo. Seis políticos da região foram citados (veja reportagem completa na página 4). A PF indicou que empresários e lobistas agiam em conluio com agentes públicos para fraudar contratos da merenda escolar e distribuir o dinheiro desviado. Secretário de Assuntos Governamentais de São Bernardo e presidente da FUABC (Fundação do ABC), Carlos Maciel foi um dos principais alvos da operação e pediu demissão dos dois cargos.

A investigação contra Atila e Gaspar extrapola os limites de Mauá. Gaspar, ainda como assessor parlamentar do mandato de deputado estadual de Atila (entre 2015 e 2016), foi flagrado em escutas telefônicas negociando com agentes públicos e empresários das cidades de Peruíbe e São Sebastião. O esquema envolveria até Samara Gomes Barlera, que chegou a ter relacionamento afetivo com Gaspar – ambos têm um filho.

A PF, em quebra de sigilo bancário de Gaspar, atestou pagamentos de empresários na conta do comunista. “Considerando apenas as transferências bancárias a João Gaspar, temos a quantia de R$ 138 mil. Isto durante o período de afastamento do sigilo bancário, que perfez somente o ano de 2016.”

Organograma divulgado pela PF também aponta que Gaspar era intermediário de propina paga indiretamente para Atila nos desvios dos contratos. A corporação argumentou que o esquema criminoso seguiu para a Prefeitura de Mauá quando Atila tomou posse, em janeiro de 2017.

A PF chegou a pedir a prisão de Gaspar à Justiça, que inicialmente havia negado. O entendimento mudou com o flagrante durante cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele. Advogados do comunista informaram que vão recorrer da prisão hoje e alegam que Gaspar é inocente.

 

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