Parabéns Condeúba, pelo seus 156 anos de emancipação política

Joandina maria
    Profª Joandina Maria de Carvalho – Historiadora

Condeúba, município situado na região sudoeste da Bahia, emancipou se de Caetité pela lei número 809, de 11 de junho de 1860. Entretanto, a instalação da vila se deu em 14 de maio de 1961. É por isso que a comemoração do aniversário da cidade acontece sempre nessa segunda data. O cumprimento da lei, nesse caso, é o mais importante.Conforme Tranquilino Torres, em seu livro A Memória Descritiva de Condeúba, escrito em meados da segunda metade do século XIX, a instalação da Vila de Santo Antonio da Barra contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Caetité, o major José Antonio Pimenta, para o fim de prestar juramento e posse aos vereadores da nova vila.

Na ocasião, Pimenta, em comunicação oficial ao presidente da província, explicou que o cumprimento da ordem expedida em 20 de novembro de 1860 não foi possível na data marcada, por inconvenientes da viagem em distância de 24 léguas da vila de Caetité, da qual saíram dia 8 de maio de 1961.

A origem de Condeúba, segundo o professor Ruy Medeiros, encontra-se no processo de ocupação do sertão que medeia entre Minas Novas e Araçuaí, Rio Pardo e Rio das Contas, intensificado a partir de 1720, quando a mineração proliferava em Minas Novas, Minas do Rio de Contas e Jacobina. Do processo de ocupação naquele período derivaram algumas aglomerações humanas, depois cidades, incluindo Santo Antônio da Barra, posteriormente Condeúba. “O município teve seu foco irradiação a partir do sítio Condeúba, latifúndio deitado às margens do Rio Gavião”.

No final do século XIX, a Vila de Santo Antônio da Barra compreendia os distritos das subdelegacias de São Filipe, Lage de São Gonçalo, Currais Velhos e Santa Rosa. Após a proclamação da República, o Conselho Municipal, pela lei nº 4 de 16 fevereiro de 1893, alterou esses distritos, ficando assim denominados, “o da cidade compreendendo o Candeal, o de São João, o de São Filipe e o de Santa Rosa”.

Ganhar o estatuto de cidade, uma antiga aspiração da comunidade, só ocorreu em 1889, por meio de uma proposta apresentada pelo Senador Diocleciano Teixeira. Todavia, a criação da cidade trouxe uma novidade, a mudança do topônimo para Condeúba.

Mário Torres, autor da genealogia dessa tradicional família, informa que o nome Condeúba, “arvore de caracóis ou de frutos retorcidos”, lhe veio do morro distante a 25 km da cidade. A cidade ganhou esse nome em 07 de outubro de 1889. Está situada em terreno plano, entre os rios Gavião e Condeúba, está distante 696 km da capital baiana.

Caetité e Condeúba possuíam grupos políticos oligárquicos que conseguiram se impor regionalmente. Na década de 1920, Condeúba passou por um processo de renascimento sócio econômico e cultural, graças aos esforços dos representantes políticos locais liderados pelo coronel Manoel de Assis Ribeiro e pelo então intendente, João da Silva Torres. Aliados ao governador José Joaquim SEABRA, conseguiram importantes conquistas para o município.

Segundo o senso demográfico de 1920, a população do município atingiu cerca de 60.000 habitantes com a estimativa de cerca de 15% dela viviam no distrito sede. A dinâmica vida urbana no município, principalmente por sua vocação comercial, colaborou para o crescimento demográfico acentuado entre o final do século XIX e início do século XX.

Chegando a Condeúba, percebe-se “a igreja matriz de costas para a cidade,” o que conforme Ruy Medeiros, mantém viva a memória das diversas enchentes, entre as quais se destaca a de 1914, que causou inúmeros prejuízos. Chegou a se formar um comitê na capital do estado com o fim de angariar donativos para o auxílio às vítimas das inundações.

Em seu texto, Começo do Retrato, Medeiros informa ainda que a feira era não apenas um acontecimento econômico, mas também social: local de encontro de conhecidos, amigos e parentes que moravam em locais arretirados; oportunidades de saber notícias e novidades, meio de civilizar-se, ainda que acanhado. E tratava-se de uma grande feira e que ainda hoje tem continuidade e importância.

Condeúba é objeto de estudos de diversos historiadores e estudiosos, mas carece ainda de muitas pesquisas. Recentemente, o professor Agnério Evangelista de Souza lançou o livro Condeúba, sua história, seu povo, pela Editora Quarteto. Esforços estão sendo empreendidos, para que em breve seja reeditado o livro Memória Descritiva de Condeúba, de autoria de Tranquilino Leovegildo Torres, com apresentação e notas do Dr. Ruy Medeiros.

Condeúba é um município histórico, mas a memória coletiva requer cuidados com os registros e com sua gente. Conforme Francisco Borges de Barros, chefe de gabinete do governador SEABRA, em seu prefácio à edição impressa em Condeúba, pela tipografia Vieira em 1924: “Terra sem história, equivale a uma terra sem vida”.

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