ELEIÇÕES DE 2018: O QUE SERÁ DE NÓS? : Por Padre José Lima Santana

Quem nos poderá defender dos bandidos travestidos de políticos? Esta pergunta foi-me feita por um aluno, na semana passada. E eu lhe respondi: Nós mesmos!

Sim, não temos alternativa. O problema é que nós não temos sabido (ou querido) nos defender desses vermes que se apoderam dos mandatos eletivos, e, como representantes indignos do povo, ferindo a Constituição, as leis e a confiança dos eleitores, cometem os crimes mais absurdos, no que diz respeito a se locupletarem dos suados recursos públicos, que sem suor algum eles embolsam, dando bananas ao povo. Para eles, dar bananas já é muita coisa. Puxa!

Eu quero, desde logo, ressalvar os políticos que agem com dignidade no exercício de seus mandatos populares, nos dois Poderes, cujos cargos são ocupados por agentes públicos eleitos. Estes ainda existem. Podem não ser muitos, mas existem, sim. No meio do joio, há também algum trigo. Nem tudo é escuridão na vida política. Há alguns lampejos. Há luzes tremulando. Porém, precisamos de tochas, de muitas tochas acesas, que não se deixem apagar.

A situação política do país é muito séria. Muito grave. Para onde possamos olhar, há sinais de perigo. Eles estão aí. São um magote, os bandidos que se dizem políticos. Uma boiada imensa. Ou melhor, uma matilha. Lobos vorazes. E eles se abrigam em quase todos os partidos, sobretudo nos partidos ditos maiores, de mais fôlego, de maior capilaridade. Estes partidos acabaram sendo espécies de tocas gigantes, que dão guarida aos lobos. Na direita e na esquerda. Eles contaminaram tudo, ou quase tudo.

Malas cheias de dinheiro em mãos ou em apartamentos. Dólares nas cuecas são míseras moedas diante de contas multimilionárias descobertas nos paraísos fiscais. Joias adquiridas nas melhores joalherias pagas por empresas de bandidos que servem aos outros bandidos encastelados no poder. Dizem até que apartamentos e sítios foram sub-repticiamente recebidos como propina. Uns afirmam que disso há provas cabais. Outros contestam veementemente tais provas. Na verdade, o que não deve haver mesmo são muitos inocentes no meio de tantas estripulias. Mas, haveremos de ver, ao se tirar a prova dos nove, nos últimos escalões do Judiciário.

E por falar em Judiciário, nem sempre poderemos esperar muita coisa deste Poder. Não do jeito que as coisas têm andado nas bandas de lá, especialmente de lá de cima, bem de cima.

Eleições presidenciais. Em quem votaremos? Que opções confiáveis nós temos para escolher? Lembro-me de um amigo de Nossa Senhora das Dores, já falecido, que numa das eleições municipais, alguém lhe perguntou: “Em quem você vai votar, barbeirinho”? E ele respondeu sem pestanejar: “Homem, eu estou em cima do muro. Olho para um lado e vejo pregos. Olho para o outro e vejo cacos de vidro. Nessa situação, eu sou doido para sair do muro”? Pois é. Quais as opções que nós temos, à direita, ao centro e à esquerda? Opções confiáveis ou, no mínimo, que não nos assustem tanto assim?

Vamos aguardar o horário eleitoral? As mídias sociais? Os candidatos haverão de se “desnudarem” diante dos eleitores, ou seja, de nós pobres cordeiros que seremos cortejados pelos lobos? Ora, ora, nós não somos um bando de “chapeuzinhos vermelhos”. Não somos mesmo. Temos o dever cívico de não sermos. Porém, conseguiremos não o ser? Ou, mais uma vez, cairemos nas armadilhas que não queremos ver?

Quem nos salvará? Um exército medieval não nos salvará. Uma corte angelical não nos salvará. E quanto a nós, queremos de verdade nos salvar?

Direita. Volver! Que desastre…! Esquerda. Vou ver! Que dilema…! Não estamos num beco sem saída? Oxalá não estejamos. Há que nos restar uma luzinha no fim do túnel. Ou este túnel não tem fim, ao menos tão cedo? O que poderemos esperar?

Ah, e ainda teremos que pagar a conta! Financiamento público para os lobos nos engolirem. Nós pagaremos para ser enganados. Para ser pisados. Para ser zombados. Para nos fazer de trouxas. Para… para… para…

Chega! Basta! Precisamos acertar o passo. Tem que haver uma saída. Ou estamos encurralados? Matilhas adoram encurralar suas presas. Contudo, nós não deveremos nos deixar encurralar. Precisamos ter pernas ágeis como as de cabritos, para pular sobre as armadilhas e para escapar dos cercos.

Uma coisa é certa: não deveremos deixar de votar. Deveremos fazer escolhas. Com o coração na mão, mas deveremos votar. Não em branco. Não nulo. Nem nos abster.

Sobre os espertalhões da política, esta frase do Padre Antônio Vieira: “Aquele a quem convém mais do que é lícito, sempre quer mais do que convém”. Eles mergulham na ilicitude e, então, não conhecem a medida de encher. Enchem cada vez mais os bolsos que parecem não ter fundos. Roubam. Descaradamente, roubam.

Está na hora de dar ouvidos a Eça de Queirós: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.

Eleições de 2018. O que será de nós?

Post Scriptum: A nós líderes religiosos cristãos, cabe-nos anunciar os ensinamentos de Jesus Cristo. Quem anuncia, denuncia. E como disse o célebre reitor da Universidade de Salamanca, Miguel de Unamuno, “Há momentos em que calar é mentir”.

*PADRE. ADVOGADO. PROFESSOR DA UFS. MEMBRO DA ASL DA ASLJ E DO IHGSE

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Um comentário sobre “ELEIÇÕES DE 2018: O QUE SERÁ DE NÓS? : Por Padre José Lima Santana

  1. Quero um Brasil sem corrupção política e sem ladroagem. Um Brasil com trabalho para todos os pais de família. Um Brasil onde os professores se comprometam com a causa da educação, onde os hospitais possuam médicos e enfermeiros competentes. Um Brasil com segurança e com estradas asfaltadas. Um Brasil de liberdade, igualdade social, fraterno e cheio de amor. Se nós encontrarmos alguém que defenda essa política, poderemos votar nele ou nela.

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